Variante ômicron representa risco global muito alto, alerta OMS

Imagem ilustrativa sobre o coronavírus mostra o planeta terra com referências em vermelho pontuadas no globo e projetando esferas vermelhas para fora

A nova variante ômicron do coronavírus, detectada inicialmente no sul da África e potencialmente mais contagiosa, representa um risco global muito alto, afirmou a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta segunda-feira (29/11).

A agência da ONU afirmou que a ômicron provavelmente vai se espalhar internacionalmente e pode ter “consequências graves” em algumas áreas. A entidade pediu que países acelerem a vacinação de grupos vulneráveis e tenham “planos de mitigação” para o caso de uma alta nas infecções.

Embora ainda haja incertezas em relação ao quão contagiosa e perigosa seja a ômicron, a OMS ressaltou que a nova cepa tem um número sem precedentes de mutações da proteína spike (ou proteína S) do coronavírus, “algumas das quais são preocupantes por seu potencial impacto na trajetória da pandemia”.

Imagem ilustrativa mostra o planeta terra com referências em vermelho pontuadas no globo e projetando esferas vermelhas para fora
(Gerd Altmann/Pixabay)

Boletim de Notícias (29/11/21)

05:23

“O risco global geral relacionado à nova variante é avaliado como muito alto”, afirmou a OMS, alertando para possíveis novas ondas de covid-19 impulsionadas pela ômicron.

A presença de mutações múltiplas da proteína spike sugere que a ômicron pode ter uma alta probabilidade de fuga imunológica da proteção por meio de anticorpos e ser mais transmissível, apontou.

A agência ressaltou, no entanto, que são necessários mais estudos sobre o potencial de a nova variante escapar da imunidade induzida tanto por vacinas quanto por infecções anteriores e que ainda não foram registradas mortes ligadas à cepa.

Variante se espalha pelo mundo

A variante foi detectada inicialmente em amostras coletadas em 11 de novembro em Botsuana e em 14 de novembro na África do Sul. Ela foi reportada pela primeira vez à OMS no dia 24 de novembro pela África do Sul, onde somente 24% da população foi completamente vacinada contra a covid-19 e as infecções vêm aumentando acentuadamente.

“Uma alta dos casos, independentemente de uma mudança na gravidade [da doença], pode significar demandas esmagadoras para sistemas de saúde e pode levar a um aumento da morbidade e da mortalidade. O impacto em populações vulneráveis poderia ser significativo, particularmente em países com baixa cobertura vacinal“, alertou a agência da ONU.

Após ser reportada pela África do Sul, a variante ômicron já chegou a mais de dez países, entre eles os europeus Alemanha, Bélgica, Itália, Holanda, Dinamarca, República Tcheca, Reino Unido e Portugal. A Áustria e a França analisam casos suspeitos. O Canadá confirmou duas infecções no domingo. Israel e Austrália também tem um caso confirmado cada.

Anvisa comunicou neste domingo que um brasileiro que passou pela África do Sul está com covid-19, mas ainda não está claro se a infecção dele é com a ômicron.

Países tentam se blindar

A nova variante levou vários países a anunciar restrições de viagens. O Brasil, o Reino Unido, os Estados Unidos e vários países da Europa impuseram restrições para viagens com origem na África do Sul e países vizinhos.

Nesta segunda-feira, embora ainda não tenha detectado nenhuma infecção pela ômicron, o Japão se juntou a Israel e anunciou o fechamento de suas fronteiras para todos os estrangeiros.

“Estamos adotando esse passo como uma precaução emergencial para evitar o pior caso possível no Japão”, anunciou o primeiro-ministro, Fumio Kishida, acrescentando que a proibição entra em vigor nesta terça. “Trata-se de uma medida temporária e excepcional que estamos adotando por segurança até que haja informações mais claras sobre a variante ômicron.”

No comunicado emitido nesta segunda, a OMS reiterou que países deveriam adotar “uma abordagem baseada nos riscos para ajustar suas medidas de viagens internacionais” e pediu cautela em relação a proibições de viagens.

“Com a variante ômicron agora detectada em várias regiões do mundo, adotar proibições de viagem mirando a África afronta a solidariedade global”, disse a diretora regional da OMS Matshidiso Moeti.

O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, apelou a países de todo o mundo para que encerrem logo as restrições a viajantes vindos do sul do continente africano. Ele disse que se trata de uma medida discriminatória, para a qual não há justificativa científica. O chefe de Estado afirmou que o bloqueio apenas prejudica ainda mais a economia e dificulta a capacidade de resposta perante a pandemia de covid-19.

O governo do Reino Unido convocou uma reunião de emergência para esta segunda-feira entre ministros da Saúde dos países que integram o G7, grupo das sete economias mais desenvolvidas do mundo, para debate sobre a variante ômicron.

Por Deutsche Welle
lf/as (Reuters, AFP, AP, Efe)

Europa volta a ser epicentro da pandemia de covid-19

Autoridades da Organização Mundial da Saúde (OMS) alertaram nesta quinta-feira (04/11) para o fato de que a Europa registrou um salto de mais de 50% nos casos de covid-19 no mês passado, fazendo com que o continente voltasse a ser o epicentro da pandemia no mundo.

Isso ocorre apesar do amplo estoque de vacinas existentes nos países europeus. O diretor de emergências da OMS, Michael Ryan, afirma que mesmo com grandes quantidades disponíveis, a aceitação dos imunizantes é desigual entre as populações. Ele pediu que os governos europeus trabalhem para “fechar essas lacunas”.

“A Europa está de volta ao epicentro da pandemia, onde estávamos há um ano”, alertou o diretor da OMS para a Europa, Hans Kluge.

Segundo observou, os índices de hospitalização mais do que dobraram na semana passada, o que pode fazer com que a região – que inclui 53 países e se estende até a Ásia Central – venha a ter outras 500 mil mortes até fevereiro.

A OMS Europa registrou quase 1,8 milhão de novos casos semanais da doença, o que significa um aumento de 6% em relação à semana anterior. No mesmo período, foram contabilizadas 24 mil mortes, o que representa uma alta de 12% na contagem semanal de óbitos. 

Kluge ressaltou que os índices de vacinação apresentam grande variação entre os países. No total, 47% das pessoas na região possuem esquema vacinal completo, mas apenas oito países contam com mais de 70% de suas populações totalmente vacinadas.

Vacinação evitou mais mortes e hospitalizações

Esta foi a quinta semana consecutiva com registros de aumento nas infecções ao longo do continente, fazendo da Europa a única região do mundo onde os números da covid-19 ainda crescem.

A diretora de emergências da OMS Europa, Catherine Smallwood, explicou que os países que registraram aumentos nas infecções foram justamente os que mais removeram restrições para conter o coronavírus.

A vacinação evitou com que essas nações registrassem taxas de mortalidade ou de hospitalização ainda mais altas. “Mas, quanto mais casos tivermos, mais pessoas terão de ser internadas e, no final, mais pessoas acabarão morrendo”, afirmou Smallwood.

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA), responsável pela análise e aprovação das vacinas utilizadas no continente, fez um apelo para que as pessoas aceitem ser vacinadas.

“A situação epidemiológica na Europa é bastante preocupante com a aproximação do inverno, quando costumam aumentar os índices de infecção”, afirmou o diretor de estudos clínicos da entidade, Fergus Sweeney.

“É muito importante que todos se vacinem ou completem suas vacinações”, ressaltou. “Não estaremos protegidos até que todos estejam protegidos.”

Países voltam a impor restrições

A Alemanha registrou nesta quinta-feira um recorde diário de novos casos desde o começo da pandemia, superando a marca estabelecida em dezembro de 2020.

O Instituto Robert Koch (RKI), a agência de controle e prevenção de doenças do país, contabilizou 33.949 novas infecções em 24 horas. Na quinta-feira anterior eram registrados 28.037 novos casos diários.

As duas nações do leste da União Europeia (UE) com índices mais baixos de vacinação, a Romênia (37,2%) e a Bulgária (25,5%), registraram os números diários de mortes mais altos desde o início da pandemia.

Letônia, Lituânia e Estônia, que estão entre os países com registros mais altos de novos casos diários, já enfrentam sobrecargas nos sistemas de saúde.

Cada vez mais, os países do Leste Europeu restabelecem medidas de restrição, como a imposição de um toque de recolher na Letônia e a proibição do acesso de pessoas não vacinadas a eventos públicos na Estônia.

Diversas regiões da Rússia cogitam ampliar as restrições para conter o aumento das infecções, que já levou o governo em Moscou a reimpor um lockdown parcial no país.

Na Europa Ocidental, a Bélgica anunciou a volta de algumas medidas a partir desta segunda-feira, com o retorno da obrigatoriedade do uso de máscaras em ambientes internos e incentivos ao trabalho remoto.

A Holanda, que também registrou um aumento exponencial de casos da doença, também reforçará a partir deste sábado as medidas para conter as transmissões do coronavírus, inclusive ao permitir o acesso a locais públicos somente para as pessoas que possuem certificados de vacinação.

Por Deutsche Welle
rc (AP, ots)

Covid-19: Variante Delta gera terceira onda “forte” na África

A variante Delta, predominante na segunda onda de infeções pelo novo coronavírus na Índia, foi detectada em 14 países africanos e impulsiona uma terceira onda de infecções por covid-19 no continente, alertou hoje (24) a Organização Mundial da Saúde (OMS).

“Uma mistura de fadiga e novas variantes está impulsionando esta fase. A variante Delta, que dominou a segunda onda na Índia, foi registrada em 14 países e detectada na maioria das amostras sequenciadas no último mês na República Democrática do Congo e em Uganda”, disse a diretora regional da OMS para a África.

Em entrevista coletiva semanal sobre a evolução da pandemia no continente, Matshidiso Moeti lembrou, em Brazzaville, que a covid-19 já causou quase 140 mil mortes na África, que registra mais de 5,3 milhões de casos de infecção pelo novo coronavírus.

“A terceira fase ganha velocidade, espalhando-se mais rapidamente e atingindo [os países] com mais força”, acrescentou, considerando o atual cenário “incrivelmente preocupante”.

“Com o rápido aumento do número de casos e de relatos de doenças graves, esta nova onda ameaça ser a pior de África até agora”, alertou.

A representante da OMS considerou que “a África ainda pode atenuar o impacto dessas infecções em rápido crescimento”, mas advertiu: “a janela de oportunidade está se fechando”.

Ela reafirmou o apelo urgente para acelerar a vacinação e a necessidade de as populações continuarem a manter medidas de saúde pública que evitem a propagação da doença.

“A África precisa urgentemente de mais milhões de vacinas. Precisamos de um sprint, não de uma maratona, para proteger rapidamente aqueles que enfrentam os maiores riscos. Os casos de covid-19 estão ultrapassando as vacinações, deixando cada vez mais as pessoas perigosamente expostas”.

Matshidiso Moeti criticou os países que estão dispensando os períodos de quarentena a quem tem certificado de vacinação, considerando que essa medida vai acentuar as desigualdades.

“Pelo menos 16 países estão suspendendo a quarentena para aqueles que têm certificado de vacinação. Embora seja importante proteger as fronteiras e impedir a propagação da covid-19, deve ser equitativo. Os africanos não devem enfrentar mais restrições porque não podem ter acesso às vacinas”, defendeu.

“Fazer da prova de vacinação um pré-requisito para as viagens pode aprofundar as desigualdades, particularmente enquanto as vacinas continuarem com tão escasso fornecimento”, destacou.

A pandemia de covid-19 provocou até agora, pelo menos 3,88 milhões de mortes em todo o mundo, resultantes de mais de 179 milhões de casos de infeção diagnosticados oficialmente.

A doença respiratória é provocada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, detectado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Por RTP

Europa inicia análise de segurança e eficácia da Coronavac

(Gov. do Estado de SP)

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) anunciou nesta terça-feira (04/05) que iniciou a análise contínua da Coronavac, a vacina contra a covid-19 desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac e produzida no Brasil em parceria com o Instituto Butantan.

A análise avaliará a eficácia e a segurança do imunizante e é o primeiro passo na direção de uma possível aprovação para uso nas 27 nações do bloco. O processo contínuo permite que resultados de estudos clínicos e laboratoriais sejam enviados à EMA assim que forem obtidos.

A EMA baseou sua decisão de inicar a análise contínua da Coronavac em resultados preliminares de estudos que “sugerem que a vacina provoca a produção de anticorpos” que combatem o coronavírus “e podem ajudar a proteger contra a doença”.

O órgão informou que, até o momento, não recebeu pedido formal de autorização para comercializar a vacina produzida pela Sinovac no bloco europeu, e não há prazo para concluir sua avaliação.

A agência também está fazendo a análise contínua de outras três vacinas: uma desenvolvida pela empresa alemã CureVac, uma criada pela americana Novavax e a Sputnik V, da Rússia – que teve a autorização para uso no Brasil negada na semana passada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Uma eventual aprovação da Coronavac pela EMA facilitaria, no futuro, a viagem de brasileiros imunizados com essa vacina a países europeus. Nesta segunda, a Comissão Europeia anunciou que planeja permitir a entrada de pessoas que tenham recebido, pelo menos 14 dias antes da chegada, a dose final de uma vacina autorizada pela UE. Essa regra da Comissão Europeia também pode ser estendida a vacinas aprovadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a depender do entendimento de cada país do bloco.

OMS avalia vacinas chinesas

A decisão da EMA foi anunciada um dia depois que uma autoridade da OMS informou que a organização deve decidir nesta semana se aprova a Coronavac e outra vacina chinesa, produzida pela farmacêutica Sinopharm, para uso emergencial.

Essa seria a primeira aprovação do tipo para uma vacina chinesa contra a covid-19 junto à OMS, com potencial de ampliar o uso dos imunizantes, que já estão sendo aplicados em alguns países.

A brasileira Mariângela Simão, diretora-geral assistente da OMS para acesso a medicamentos, vacinas e produtos farmacêuticos, afirmou que “arranjos finais” ainda precisavam ser feitos antes da decisão final da organização sobre os dois imunizantes chineses.

A China e diversos outros países, incluindo Brasil, México, Indonésia e Turquia, já estão usando a Coronavac, que é feita usando o coronavírus inativado. O estudo mais extenso sobre essa vacina envolveu cerca de 12 mil trabalhadores do setor de saúde no Brasil, e apontou 50,7% de eficácia contra covid-19 sintomática, e uma proteção alta contra manifestações graves da doença.

Por Deutsche Welle

bl/ek (AP, AFP, Reuters)

OMS e Whatsapp lançam figurinhas sobre vacinas

O WhatsApp e a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançaram na terça-feira (6) um novo pacote de figurinhas chamado Vacinas para Todos.

“Esperamos que estas figurinhas ofereçam um modo divertido e criativo de expressar não só a alegria, o alívio e a esperança com as possibilidades trazidas pelas vacinas contra a COVID-19, mas também a gratidão aos profissionais de saúde, verdadeiros heróis que continuam trabalhando para salvar vidas durante estes tempos difíceis”, afirma o aplicativo de mensagens em nota.

O whatsapp também está com um chatbot em português, em parceria com a OMS, para informações sobre o vírus. O Alerta de Saúde da OMS pode ser contactado pelo número +41798931892 no link https://wa.me/41798931892?text=oi

“Queremos ajudar os governos e as organizações internacionais a alcançar o maior número possível de pessoas ao redor do mundo com informações e serviços ligados à vacinação, especialmente pessoas em locais de difícil acesso ou pertencentes a grupos marginalizados”, comenta.

Por TV Cultura

Transmissão por animal é provável origem da pandemia, diz OMS

Especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontaram como a causa mais provável da origem da pandemia de covid-19 a transmissão do vírus Sars-CoV-2 de um animal para humanos, conclui um relatório oficial da agência que será divulgado nesta terça-feira (30/03) e foi obtido por agências de notícias.

A equipe que investigou a origem do coronavírus considerou “extremamente” improvável que ele tenha infectado humanos após um incidente num laboratório.

O grupo concluiu que a causa mais provável da pandemia foi a transmissão do Sars-CoV-2 de morcegos para humanos através de outro animal intermediário. Os especialistas, no entanto, ainda não conseguiram identificar qual teria sido o hospedeiro intermediário do vírus.

Produzido por peritos da OMS e cientistas chineses, o relatório confirma as primeiras previsõesapresentadas no início de fevereiro na cidade de Wuhan, onde o vírus foi detectado pela primeira vez, em dezembro de 2019. O documento recomenda ainda a continuação dos estudos sem descartar nenhuma hipótese, incluindo a de um acidente de laboratório.

Os peritos afirmam também que estudos da cadeia de abastecimento do mercado de Huanan e de outros em Wuhan não permitiram encontrar “evidências da presença de animais infectados, mas a análise da cadeia de abastecimento forneceu informações” úteis para análises direcionadas, especialmente nas regiões vizinhas.

Os especialistas também pediram para “não se negligenciar os produtos de origem animal de regiões fora do Sudeste Asiático” e defenderam que investigações futuras sejam desenhadas “em áreas maiores e num maior número de países”.

Tarefa difícil

O enviado especial da OMS para a covid-19, David Nabarro, afirmou nesta terça-feira ser extremamente difícil descobrir de onde surgiu o coronavírus. “Não sabemos a origem precisa do vírus HIV, não sabemos a origem precisa do ebola e levará muito tempo para descobrirmos a origem precisa da covid-19”, disse em entrevista à emissora britânica Radio 4 da BBC.

Nabarro disse ainda que a OMS trabalha com várias hipóteses sobre a origem da pandemia, mas destacou que a investigação leva tempo.

A missão sobre as origens da transmissão do coronavírus aos humanos, considerada extremamente importante na tentativa de melhorar o combate de uma possível próxima epidemia, enfrentou dificuldades para realizar as suas investigações, pois encontrou relutância da China.

Programada para começar no início de janeiro, a investigação da OMS foi afetada por atrasos, preocupação em relação ao acesso aos locais necessários e disputas entre China e Estados Unidos, que acusaram Pequim de esconder a extensão do surto e criticaram os termos para a missão. Especialistas chineses conduziram a primeira parte da pesquisa.

A equipe da missão foi composta por especialistas em medicina veterinária, virologia, segurança alimentar e epidemiologia.

Missão sensível para Pequim

A busca pela origem do coronavírus é politicamente delicada. A China teme ser condenada como culpada pela pandemia. Pequim rechaça qualquer responsabilidade pela eclosão global da doença, evocando outras possibilidades de propagação para além de Wuhan.

De início, o governo chinês negara permissão para uma investigação internacional sobre a origem do patógeno com o fim de otimizar o combate à atual e a futuras pandemias. Só com um ano de atraso, Pequim autorizou a missão da OMS.

O atual relatório é baseado na visita peritos internacionais da OMS a Wuhan em meados de janeiro e fevereiro deste ano. A divulgação do documento foi adiada várias vezes, levantando questões sobre se o lado chinês estava tentando distorcer as conclusões para evitar que a culpa pela pandemia recaísse sobre a China.

A pandemia provocou mais de 2,7 milhões de mortes e mais de 127 milhões de casos foram registrados no mundo, segundo dados da Universidade Johns Hopkins.

Por Deutsche Welle
cn/lf (AFP, Lusa, EFE)

Crise da covid-19 no Brasil é alerta para o mundo, diz agência da OMS

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) afirmou nesta quarta-feira (10/03) que a disparada no número de mortes e infecções por covid-19 no Brasil é preocupante e serve de alerta para todo o mundo sobre a possibilidade de ressurgimento do coronavírus.

“Estamos preocupados com a situação no Brasil. Serve como um lembrete claro da ameaça do ressurgimento [da covid-19]: áreas antes atingidas com força ainda estão vulneráveis a infecções hoje”, afirmou em coletiva de imprensa Carissa Etienne, diretora da Opas.

A Opas é uma agência de saúde pública ligada às Nações Unidas e que serve como escritório regional nas Américas para a Organização Mundial de Saúde (OMS).

O alerta da diretora da Opas chega no momento em que o Brasil registra, diariamente, recorde de mortes por covid-19. Na quarta-feira, o número de óbitos em 24 horas chegou a 2.286. Foi a primeira vez que mais de 2 mil mortes pela doença foram contabilizadas no país em um único dia.

Diversas autoridades e instituições de saúde alertam, contudo, que os números reais devem ser ainda maiores, em razão da falta de testagem em larga escala e da subnotificação.

O país vive um novo momento de aceleração da doença, com registro de colapso da rede de saúde pública em alguns estados. O total de mortes no país associadas à doença já passa de 270 mil.

Mundo olha preocupado para o Brasil

O alerta da Opas é mais um em meio a uma série de declarações de especialistas que observam com preocupação a situação no Brasil.

Na última sexta-feira, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o avanço da pandemia de covid-19 no país é “muito preocupante” e instou o governo federal a tomar medidas “agressivas”. “O Brasil deve levar esta luta muito a sério”, disse Ghebreyesus, acrescentando que são fundamentais medidas para interromper a transmissão.

Na mesma linha de Tedros, Mike Ryan, principal especialista em emergências da OMS, disse que “agora não é hora de o Brasil ou qualquer outro lugar relaxar”.

“Achamos que já saímos disto. Não saímos”, disse Ryan. “Países regredirão para um terceiro e um quarto surto se não tomarmos cuidado. A chegada da vacina traz esperança, mas não devemos achar que o pior já passou. Isso só faz o vírus se espalhar mais”, disse.

Na mesma semana, o jornal americano The New York Times, em reportagem, tratou a crise da covid-19 no Brasil como um alerta para o mundo todo. “Nenhuma outra nação que sofreu um surto tão grande ainda está lidando com um número recorde de mortes e um sistema de saúde à beira do colapso. Muitas outras nações duramente atingidas estão, pelo contrário, tomando medidas em direção a uma aparente de normalidade”, escreveu o jornal.

Em entrevista ao jornal inglês The Guardian, também na semana passada, o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis pediu ao mundo que se “pronuncie com veemência sobre os riscos que o Brasil representa” no combate à pandemia.

Temor da variante

Preocupa especialmente especialistas e autoridades no exterior a variante de Manaus. Descoberta no fim de 2020, ela é é chamada de P.1 (ou P1) e está associada ao novo ápice da pandemia no Brasil. Foi devido a ela que inúmeros países restringiram a entrada de viajantes brasileiros.

Mesmo diante desse quadro, o governo de Jair Bolsonaro tem agido para enfraquecer medidas de isolamento impostas por estados e municípios, alegando que isso prejudica a economia. Na semana passada, Bolsonaro afirmou que é preciso parar de “frescura” e “mimimi” em meio à pandemia e perguntou até quando as pessoas “vão ficar chorando?”. Ele ainda chamou de “idiotas” as pessoas que vêm pedindo que o governo seja mais ágil na compra de vacinas.

Ao longo da pandemia, Bolsonaro minimizou frequentemente os riscos do coronavírus, além de promover curas sem eficácia e tentar sabotar iniciativas paralelas de vacinação lançadas em resposta à inércia do seu governo na área.

Por Deutsche Welle

rpr/lf (ap, ots)

Estudo do Incor sobre sequelas da covid-19 pode virar referência na OMS

Micrografia eletrônica de varredura colorida de células CCL-81 (verde) infectadas com partículas do vírus da covid-19 – marrom (NIAID/via Fotos Públicas)

Muitos pacientes que tiveram covid-19 relatam sinais e sintomas após se recuperar da doença. Um estudo inédito realizado no Instituto do Coração (Incor) analisou as consequências cognitivas que a doença pode deixar no indivíduo. Os primeiros resultados apontam que não só aqueles que tiveram a doença na forma mais grave sofreram com alguma sequela cognitiva, mas também aqueles que tiveram sintomas mais leves, incluindo os assintomáticos.

“Nossa pesquisa começou em meados de março, quando hipotetizamos que a falta de oxigênio no cérebro ou no organismo humano poderia causar um grande prejuízo nas funções cognitivas”, detalha a médica Lívia Stocco Sanches Valentin, neuropsicóloga do Incor do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina (FMUSP), professora da FMUSP e pesquisadora.

Em entrevista ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição, Lívia explica que, no início, foram avaliados 185 pacientes e que agora o Incor tem 430 pacientes avaliados. Os resultados da pesquisa sobre diagnóstico e reabilitação da disfunção cognitiva pós-covid são tão importantes que a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) aguarda os resultados finais do estudo, no intuito de adotar a metodologia desenvolvida pelo Incor em âmbito mundial. A pesquisadora usou o jogo digital MentalPlus®, criado por ela em 2010, para avaliar pessoas que tiveram covid-19 em vários estágios, idades e classes econômicas. Além do caráter avaliativo, o jogo também é uma ferramenta para reabilitação.

“Eu sabia que, na verdade, a consequência era no pós-covid, então quis fazer um estudo para o depois, porque a covid poder deixar sequelas. Eu espero o paciente se recuperar, para tratar o depois, o que sobrou de resquício da doença”, explica Lívia. Sequelas envolvendo o sistema cardiorrespiratório, pressão arterial e diabete são mais comuns de serem citadas, mas o aspecto cognitivo também é afetado. Mesmo sendo mínimo e não tão perceptível, uma falha de memória ou uma falta de atenção podem ser sinal de alguma sequela.

Com o diagnóstico precoce, o tratamento e o acompanhamento funcionam de forma mais eficiente, já que nosso cérebro trabalha em uma condição de quanto melhor for o estímulo e mais rápido for este estímulo, melhor a pessoa vai ficar no futuro, algo que independe da idade.

Por Gov. do Estado de SP

OMS: é improvável que coronavírus tenha escapado de laboratório

Micrografia eletrônica de varredura colorida de uma célula apoptótica (azul-petróleo) infectada pelo coronavírus (NIAID/via Fotos Públicas)

Um especialista da Organização Mundial da Saúde (OMS) disse hoje (9) que é improvável que o novo coronavírus tenha escapado de um laboratório chinês, defendendo a possibilidade de ter sido transmitido por um animal.

O especialista em segurança alimentar e doenças animais da OMS Peter Ben Embarek fez um resumo da investigação que está sendo feita por uma equipe de cientistas chineses e da OMS sobre as possíveis origens do novo coronavírus em Wuhan, a cidade chinesa onde os primeiros casos de covid-19 foram diagnosticados.

O Instituto de Virologia de Wuhan, um dos principais laboratórios de pesquisa de vírus da China, construiu um arquivo de informações genéticas sobre coronavírus em morcegos, após o surto da Síndrome Respiratória Aguda Grave, que surgiu no país asiático em 2003.

Isso levou a alegações de que a covid-19 poderia ter saído daquelas instalações, hipótese sugerida pelo ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump.

Juntamente com cientistas do instituto, a equipe da OMS, que inclui especialistas de dez países, visitou hospitais, institutos de pesquisa e o mercado de frutos do mar onde foram diagnosticados os primeiros casos.

“As nossas descobertas iniciais sugerem que a entrada por meio de uma espécie hospedeira intermediária é o caminho mais provável, o que exigirá mais estudos e pesquisas mais específicas”, disse Embarek.

“No entanto, as descobertas sugerem que a hipótese de se tratar de um incidente em um laboratório é extremamente improvável”, acrescentou.

Os investigadores chineses anunciaram que não encontraram o animal que está na origem do novo coronavírus.

A transmissão para o ser humano a partir de um animal é provável, mas “ainda não foi identificada”, disse Liang Wannian, chefe da delegação de cientistas chineses.

Wuhan, cidade localizada no centro da China, diagnosticou os primeiros casos do novo coronavírus no final de 2019, o que as autoridades de saúde chamaram inicialmente de “pneumonia por causa desconhecida”.

Os investigadores disseram que não encontraram indícios da presença do vírus em Wuhan antes de os primeiros casos terem sido diagnosticados.

“Nos dois meses anteriores a dezembro, não há evidências de que o [vírus] estivesse circulando na cidade”, disse Liang, em em entrevista sobre os resultados da investigação.

A missão da OMS sobre as origens da transmissão do vírus é importante para prevenir a ocorrência de futuras epidemias, mas só se concretizou depois de mais de um ano de os primeiros casos terem sido diagnosticados.

Pequim continuou a negar os pedidos de uma investigação estritamente independente.

A investigação é extremamente sensível para o regime comunista, cujos órgãos oficiais têm promovido teorias que apontam que o vírus teve origem em outros países.

A visita dos especialistas ocorre depois de longas negociações com Pequim, que incluíram uma cobrança por parte da OMS, que afirmou que a China estava demorando muito para fazer os arranjos finais.

A OMS já tinha alertado que seria necessário ter paciência antes de encontrar a origem do vírus.

Por Agência Brasil

* Com informações da RTP – Rádio e Televisão de Portugal

Missão da OMS visita mercado na China onde teria surgido a covid-19

Sede da Organização Mundial da Saúde, na Suíça (Liu Qu/Xinhua)

Os especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS), que investigam a origem do coronavírus Sars-CoV-2, causador da covid-19, visitaram neste domingo (31/01) o mercado na cidade chinesa de Wuhan onde teria ocorrido a transmissão do vírus de algum animal para os seres humanos.

O mercado, onde eram vendidos animais selvagens vivos, está fechado desde janeiro de 2020. Apenas a entrada da equipe da OMS, sob um forte esquema de segurança, foi permitida pela autoridades chinesas. Os especialistas ficaram cerca de uma hora no local e partiram sem falar com jornalistas.

Antes do fechamento, dividido em seções de carnes, frutos do mar e vegetais, o mercado atraía centenas de consumidores diariamente. Hoje, ele se tornou um marco na cidade, onde novo coronavírus foi detectado pela primeira vez.

Em 31 de dezembro de 2019, após quatro casos de uma pneumonia misteriosa relacionadas ao mercado, o local foi fechado do dia para noite. Com o rápido aumento de casos na cidade de 11 milhões de habitantes, Wuhan decretou um lockdown de 76 dias.

Segundo especialistas, o mercado ainda desempenha um papel importante para a investigação sobre a origem do Sars-CoV-2, uma vez que o primeiro grupo de casos detectados foi identificado lá.

Atraso na investigação

Após a chegada em Wuhan, a equipe cumpriu uma quarentena de 14 dias, e desde de quinta, quando iniciaram a investigação local, visitaram hospitais, mercados e uma exposição que comemora a batalha bem sucedida da cidade contra o vírus.

A OMS afirmou na sexta que a missão se limitará as visitas organizadas pelo país anfitrião e não terá contato com a população local devido às restrições sanitárias impostas na China.

Programada para começar no início de janeiro, a investigação da OMS foi afetada por atrasos, preocupação em relação ao acesso aos locais necessários e disputas entre China e Estados Unidos, que acusaram Pequim de esconder a extensão do surto e criticaram os termos para a missão. Especialistas chineses conduziram a primeira parte da pesquisa.

A equipe da missão é composta por especialistas em medicina veterinária, virologia, segurança alimentar e epidemiologia. No entanto, é improvável que as origens do vírus sejam confirmadas com apenas uma única visita. Identificar o reservatório animal de um surto costuma levar anos e a pesquisa inclui recolhimento de amostras de animais, análises genéticas e estudos epidemiológicos.

Missão sensível para Pequim

A presença de dez especialistas internacionais é considerada sensível para o regime chinês, que quer evitar qualquer responsabilidade por uma pandemia que já matou mais de 2 milhões de pessoas em todo o mundo.

A imprensa estatal e as autoridades têm difundido informações que indicam que o vírus teve origem no exterior, possivelmente via importação de alimentos congelados, o que é rejeitado pela OMS. Por vezes apontam para a Itália, outras vezes para Estados Unidos ou até para Índia como locais de origem da doença.

“Não é uma questão de encontrar um país ou autoridades responsáveis. É uma questão de entender o que aconteceu para reduzir os riscos no futuro”, ressaltou o epidemiologista Fabian Leendertz, do Instituto Robert Koch, responsável pela prevenção e controle de doenças na Alemanha. “É preciso entender o que aconteceu para evitar que volte a acontecer”, acrescentou o cientista, que participa da missão.

Por Deutsche Welle

cn (Reuters, Lusa, AP)