OMS e Whatsapp lançam figurinhas sobre vacinas

O WhatsApp e a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançaram na terça-feira (6) um novo pacote de figurinhas chamado Vacinas para Todos.

“Esperamos que estas figurinhas ofereçam um modo divertido e criativo de expressar não só a alegria, o alívio e a esperança com as possibilidades trazidas pelas vacinas contra a COVID-19, mas também a gratidão aos profissionais de saúde, verdadeiros heróis que continuam trabalhando para salvar vidas durante estes tempos difíceis”, afirma o aplicativo de mensagens em nota.

O whatsapp também está com um chatbot em português, em parceria com a OMS, para informações sobre o vírus. O Alerta de Saúde da OMS pode ser contactado pelo número +41798931892 no link https://wa.me/41798931892?text=oi

“Queremos ajudar os governos e as organizações internacionais a alcançar o maior número possível de pessoas ao redor do mundo com informações e serviços ligados à vacinação, especialmente pessoas em locais de difícil acesso ou pertencentes a grupos marginalizados”, comenta.

Por TV Cultura

Transmissão por animal é provável origem da pandemia, diz OMS

Especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontaram como a causa mais provável da origem da pandemia de covid-19 a transmissão do vírus Sars-CoV-2 de um animal para humanos, conclui um relatório oficial da agência que será divulgado nesta terça-feira (30/03) e foi obtido por agências de notícias.

A equipe que investigou a origem do coronavírus considerou “extremamente” improvável que ele tenha infectado humanos após um incidente num laboratório.

O grupo concluiu que a causa mais provável da pandemia foi a transmissão do Sars-CoV-2 de morcegos para humanos através de outro animal intermediário. Os especialistas, no entanto, ainda não conseguiram identificar qual teria sido o hospedeiro intermediário do vírus.

Produzido por peritos da OMS e cientistas chineses, o relatório confirma as primeiras previsõesapresentadas no início de fevereiro na cidade de Wuhan, onde o vírus foi detectado pela primeira vez, em dezembro de 2019. O documento recomenda ainda a continuação dos estudos sem descartar nenhuma hipótese, incluindo a de um acidente de laboratório.

Os peritos afirmam também que estudos da cadeia de abastecimento do mercado de Huanan e de outros em Wuhan não permitiram encontrar “evidências da presença de animais infectados, mas a análise da cadeia de abastecimento forneceu informações” úteis para análises direcionadas, especialmente nas regiões vizinhas.

Os especialistas também pediram para “não se negligenciar os produtos de origem animal de regiões fora do Sudeste Asiático” e defenderam que investigações futuras sejam desenhadas “em áreas maiores e num maior número de países”.

Tarefa difícil

O enviado especial da OMS para a covid-19, David Nabarro, afirmou nesta terça-feira ser extremamente difícil descobrir de onde surgiu o coronavírus. “Não sabemos a origem precisa do vírus HIV, não sabemos a origem precisa do ebola e levará muito tempo para descobrirmos a origem precisa da covid-19”, disse em entrevista à emissora britânica Radio 4 da BBC.

Nabarro disse ainda que a OMS trabalha com várias hipóteses sobre a origem da pandemia, mas destacou que a investigação leva tempo.

A missão sobre as origens da transmissão do coronavírus aos humanos, considerada extremamente importante na tentativa de melhorar o combate de uma possível próxima epidemia, enfrentou dificuldades para realizar as suas investigações, pois encontrou relutância da China.

Programada para começar no início de janeiro, a investigação da OMS foi afetada por atrasos, preocupação em relação ao acesso aos locais necessários e disputas entre China e Estados Unidos, que acusaram Pequim de esconder a extensão do surto e criticaram os termos para a missão. Especialistas chineses conduziram a primeira parte da pesquisa.

A equipe da missão foi composta por especialistas em medicina veterinária, virologia, segurança alimentar e epidemiologia.

Missão sensível para Pequim

A busca pela origem do coronavírus é politicamente delicada. A China teme ser condenada como culpada pela pandemia. Pequim rechaça qualquer responsabilidade pela eclosão global da doença, evocando outras possibilidades de propagação para além de Wuhan.

De início, o governo chinês negara permissão para uma investigação internacional sobre a origem do patógeno com o fim de otimizar o combate à atual e a futuras pandemias. Só com um ano de atraso, Pequim autorizou a missão da OMS.

O atual relatório é baseado na visita peritos internacionais da OMS a Wuhan em meados de janeiro e fevereiro deste ano. A divulgação do documento foi adiada várias vezes, levantando questões sobre se o lado chinês estava tentando distorcer as conclusões para evitar que a culpa pela pandemia recaísse sobre a China.

A pandemia provocou mais de 2,7 milhões de mortes e mais de 127 milhões de casos foram registrados no mundo, segundo dados da Universidade Johns Hopkins.

Por Deutsche Welle
cn/lf (AFP, Lusa, EFE)

Estudo do Incor sobre sequelas da covid-19 pode virar referência na OMS

Micrografia eletrônica de varredura colorida de células CCL-81 (verde) infectadas com partículas do vírus da covid-19 – marrom (NIAID/via Fotos Públicas)

Muitos pacientes que tiveram covid-19 relatam sinais e sintomas após se recuperar da doença. Um estudo inédito realizado no Instituto do Coração (Incor) analisou as consequências cognitivas que a doença pode deixar no indivíduo. Os primeiros resultados apontam que não só aqueles que tiveram a doença na forma mais grave sofreram com alguma sequela cognitiva, mas também aqueles que tiveram sintomas mais leves, incluindo os assintomáticos.

“Nossa pesquisa começou em meados de março, quando hipotetizamos que a falta de oxigênio no cérebro ou no organismo humano poderia causar um grande prejuízo nas funções cognitivas”, detalha a médica Lívia Stocco Sanches Valentin, neuropsicóloga do Incor do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina (FMUSP), professora da FMUSP e pesquisadora.

Em entrevista ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição, Lívia explica que, no início, foram avaliados 185 pacientes e que agora o Incor tem 430 pacientes avaliados. Os resultados da pesquisa sobre diagnóstico e reabilitação da disfunção cognitiva pós-covid são tão importantes que a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) aguarda os resultados finais do estudo, no intuito de adotar a metodologia desenvolvida pelo Incor em âmbito mundial. A pesquisadora usou o jogo digital MentalPlus®, criado por ela em 2010, para avaliar pessoas que tiveram covid-19 em vários estágios, idades e classes econômicas. Além do caráter avaliativo, o jogo também é uma ferramenta para reabilitação.

“Eu sabia que, na verdade, a consequência era no pós-covid, então quis fazer um estudo para o depois, porque a covid poder deixar sequelas. Eu espero o paciente se recuperar, para tratar o depois, o que sobrou de resquício da doença”, explica Lívia. Sequelas envolvendo o sistema cardiorrespiratório, pressão arterial e diabete são mais comuns de serem citadas, mas o aspecto cognitivo também é afetado. Mesmo sendo mínimo e não tão perceptível, uma falha de memória ou uma falta de atenção podem ser sinal de alguma sequela.

Com o diagnóstico precoce, o tratamento e o acompanhamento funcionam de forma mais eficiente, já que nosso cérebro trabalha em uma condição de quanto melhor for o estímulo e mais rápido for este estímulo, melhor a pessoa vai ficar no futuro, algo que independe da idade.

Por Gov. do Estado de SP

OMS: é improvável que coronavírus tenha escapado de laboratório

Micrografia eletrônica de varredura colorida de uma célula apoptótica (azul-petróleo) infectada pelo coronavírus (NIAID/via Fotos Públicas)

Um especialista da Organização Mundial da Saúde (OMS) disse hoje (9) que é improvável que o novo coronavírus tenha escapado de um laboratório chinês, defendendo a possibilidade de ter sido transmitido por um animal.

O especialista em segurança alimentar e doenças animais da OMS Peter Ben Embarek fez um resumo da investigação que está sendo feita por uma equipe de cientistas chineses e da OMS sobre as possíveis origens do novo coronavírus em Wuhan, a cidade chinesa onde os primeiros casos de covid-19 foram diagnosticados.

O Instituto de Virologia de Wuhan, um dos principais laboratórios de pesquisa de vírus da China, construiu um arquivo de informações genéticas sobre coronavírus em morcegos, após o surto da Síndrome Respiratória Aguda Grave, que surgiu no país asiático em 2003.

Isso levou a alegações de que a covid-19 poderia ter saído daquelas instalações, hipótese sugerida pelo ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump.

Juntamente com cientistas do instituto, a equipe da OMS, que inclui especialistas de dez países, visitou hospitais, institutos de pesquisa e o mercado de frutos do mar onde foram diagnosticados os primeiros casos.

“As nossas descobertas iniciais sugerem que a entrada por meio de uma espécie hospedeira intermediária é o caminho mais provável, o que exigirá mais estudos e pesquisas mais específicas”, disse Embarek.

“No entanto, as descobertas sugerem que a hipótese de se tratar de um incidente em um laboratório é extremamente improvável”, acrescentou.

Os investigadores chineses anunciaram que não encontraram o animal que está na origem do novo coronavírus.

A transmissão para o ser humano a partir de um animal é provável, mas “ainda não foi identificada”, disse Liang Wannian, chefe da delegação de cientistas chineses.

Wuhan, cidade localizada no centro da China, diagnosticou os primeiros casos do novo coronavírus no final de 2019, o que as autoridades de saúde chamaram inicialmente de “pneumonia por causa desconhecida”.

Os investigadores disseram que não encontraram indícios da presença do vírus em Wuhan antes de os primeiros casos terem sido diagnosticados.

“Nos dois meses anteriores a dezembro, não há evidências de que o [vírus] estivesse circulando na cidade”, disse Liang, em em entrevista sobre os resultados da investigação.

A missão da OMS sobre as origens da transmissão do vírus é importante para prevenir a ocorrência de futuras epidemias, mas só se concretizou depois de mais de um ano de os primeiros casos terem sido diagnosticados.

Pequim continuou a negar os pedidos de uma investigação estritamente independente.

A investigação é extremamente sensível para o regime comunista, cujos órgãos oficiais têm promovido teorias que apontam que o vírus teve origem em outros países.

A visita dos especialistas ocorre depois de longas negociações com Pequim, que incluíram uma cobrança por parte da OMS, que afirmou que a China estava demorando muito para fazer os arranjos finais.

A OMS já tinha alertado que seria necessário ter paciência antes de encontrar a origem do vírus.

Por Agência Brasil

* Com informações da RTP – Rádio e Televisão de Portugal

Missão da OMS visita mercado na China onde teria surgido a covid-19

Sede da Organização Mundial da Saúde, na Suíça (Liu Qu/Xinhua)

Os especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS), que investigam a origem do coronavírus Sars-CoV-2, causador da covid-19, visitaram neste domingo (31/01) o mercado na cidade chinesa de Wuhan onde teria ocorrido a transmissão do vírus de algum animal para os seres humanos.

O mercado, onde eram vendidos animais selvagens vivos, está fechado desde janeiro de 2020. Apenas a entrada da equipe da OMS, sob um forte esquema de segurança, foi permitida pela autoridades chinesas. Os especialistas ficaram cerca de uma hora no local e partiram sem falar com jornalistas.

Antes do fechamento, dividido em seções de carnes, frutos do mar e vegetais, o mercado atraía centenas de consumidores diariamente. Hoje, ele se tornou um marco na cidade, onde novo coronavírus foi detectado pela primeira vez.

Em 31 de dezembro de 2019, após quatro casos de uma pneumonia misteriosa relacionadas ao mercado, o local foi fechado do dia para noite. Com o rápido aumento de casos na cidade de 11 milhões de habitantes, Wuhan decretou um lockdown de 76 dias.

Segundo especialistas, o mercado ainda desempenha um papel importante para a investigação sobre a origem do Sars-CoV-2, uma vez que o primeiro grupo de casos detectados foi identificado lá.

Atraso na investigação

Após a chegada em Wuhan, a equipe cumpriu uma quarentena de 14 dias, e desde de quinta, quando iniciaram a investigação local, visitaram hospitais, mercados e uma exposição que comemora a batalha bem sucedida da cidade contra o vírus.

A OMS afirmou na sexta que a missão se limitará as visitas organizadas pelo país anfitrião e não terá contato com a população local devido às restrições sanitárias impostas na China.

Programada para começar no início de janeiro, a investigação da OMS foi afetada por atrasos, preocupação em relação ao acesso aos locais necessários e disputas entre China e Estados Unidos, que acusaram Pequim de esconder a extensão do surto e criticaram os termos para a missão. Especialistas chineses conduziram a primeira parte da pesquisa.

A equipe da missão é composta por especialistas em medicina veterinária, virologia, segurança alimentar e epidemiologia. No entanto, é improvável que as origens do vírus sejam confirmadas com apenas uma única visita. Identificar o reservatório animal de um surto costuma levar anos e a pesquisa inclui recolhimento de amostras de animais, análises genéticas e estudos epidemiológicos.

Missão sensível para Pequim

A presença de dez especialistas internacionais é considerada sensível para o regime chinês, que quer evitar qualquer responsabilidade por uma pandemia que já matou mais de 2 milhões de pessoas em todo o mundo.

A imprensa estatal e as autoridades têm difundido informações que indicam que o vírus teve origem no exterior, possivelmente via importação de alimentos congelados, o que é rejeitado pela OMS. Por vezes apontam para a Itália, outras vezes para Estados Unidos ou até para Índia como locais de origem da doença.

“Não é uma questão de encontrar um país ou autoridades responsáveis. É uma questão de entender o que aconteceu para reduzir os riscos no futuro”, ressaltou o epidemiologista Fabian Leendertz, do Instituto Robert Koch, responsável pela prevenção e controle de doenças na Alemanha. “É preciso entender o que aconteceu para evitar que volte a acontecer”, acrescentou o cientista, que participa da missão.

Por Deutsche Welle

cn (Reuters, Lusa, AP)

OMS aprova autorização emergencial para vacina da Pfizer/BioNTech

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou ontem (31) a primeira autorização global de uso emergencial de uma vacina contra a covid-19. O imunizante escolhido foi desenvolvido pelas farmacêuticas Pfizer, dos Estados Unidos, e Biontech, da Alemanha. 

A vacina já recebeu aprovação nos Estados Unidos, no Reino Unido e na União Europeia. No Brasil, as empresas estão em negociação com o governo federal e em diálogo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

A autorização emergencial da OMS não substitui a análise de cada país, mas, segundo a entidade, abre a porta para que as agências reguladoras de cada nação possam realizar procedimentos de exame do imunizante. 

A permissão também permite que organismos internacionais, como a própria OMS e outros ligados ao sistema ONU, também possam adquirir lotes e distribuir a países que precisam. 

A vice-diretora geral da OMS para acesso a medicamentos, a brasileira Mariângela Simão, destacou em comunicado no site da organização que é fundamental assegurar as vacinas a todos que necessitem – tanto países com economias fortes quanto nações em desenvolvimento.

Por Jonas Valente – Repórter da Agência Brasil 

Hidroxicloroquina e Remdesivir não têm efeito contra covid-19, diz OMS

(Reprodução)

Um estudo realizado em 30 países e divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou que o medicamento antiviral Remdesivir tem pouco efeito na recuperação de pacientes com covid-19.

A droga, com a qual o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi tratado quando contraiu coronavírus, é desenvolvida pela empresa americana Gilead Sciences e, originalmente, é usada no tratamento do ebola.

De acordo com o estudo Solidarity Therapeutics Trial, o Remdesivir parece “ter pouco ou nenhum efeito” no combate à mortalidade causada pela doença ou na redução do tempo de internação.

A pesquisa também considerou o antimalárico hidroxicloroquina, droga amplamente defendida pelo presidente Jair Bolsonaro, ineficaz contra a covid-19.

A combinação de antiretrovirais lopinavir/ritonavir e o interferon beta-1ª (um grupo de proteínas) foram outros medicamentos que não apresentaram resultados positivos.

O único medicamento que, segundo a OMS, mostrou resultados promissores é a dexametasona, que também foi recentemente administrada a Trump quando ele contraiu o coronavírus. No entanto, a dexametasona é um esteroide, recomendado apenas para pacientes em estado crítico, que precisam de suporte respiratório em hospitais.

O estudo publicado nesta quinta-feira (15/10) examinou os efeitos do Remdesivir e das outras drogas em mais de 11.000 pacientes, em 405 hospitais de 30 países. Os dados, porém, ainda precisam ser revisados por outros especialistas antes de serem publicados em revistas especializadas.

A pesquisa se concentrou na análise dos efeitos desses medicamentos sobre a mortalidade, a necessidade de receber ventilação mecânica e o tempo de internação. A OMS indicou que falta determinar se os medicamentos são úteis no tratamento de pacientes infectados não hospitalizados ou, ainda, como prevenção, aspectos que deverão ser examinados em ensaios futuros.

Em nota, a Gilead argumentou que os dados não condizem com os resultados de outro ensaio promovido pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos. De acordo com a empresa, os pacientes hospitalizados que receberam Remdesivir se recuperaram, em média, cinco dias mais rápido do que aqueles que tomaram o placebo. Entre os pacientes em estado mais grave, a recuperação foi sete dias mais rápida.

Segundo a companhia, com o Remdesivir “a possibilidade de os pacientes progredirem para estágios mais graves foi reduzida”, e o medicamento “reduz a capacidade do vírus de se replicar no corpo”.

Nos Estados Unidos, o Remdesivir não é oficialmente aprovado. Em maio, a droga recebeu umaautorização de uso de emergência da Food and Drug Administration (FDA), agência governamental que aprova o uso de produtos de saúde pública.

Na época, Trump disse que a situação era “muito promissora”. Já o chefe da FDA, Stephen Hahn, afirmou que a aprovação “aconteceu na velocidade da luz” e chamou o medicamento de um “importante avanço clínico”.

Em julho, a Comissão Europeia autorizou o uso do antiviral Remdesivir no tratamento do novo coronavírus.

LE/afp,efe,ots

Por Deutsche Welle

OMS espera fim da pandemia em menos de dois anos

A Organização Mundial da Saúde (OMS) espera que a pandemia de covid-19 dure no máximo dois anos – isso se o mundo se unir e conseguir aprovar uma vacina contra o vírus, afirmou nesta sexta-feira (21/08) o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Tedros Adhanom, diretor geral da OMS (Greg Martin)

A OMS vinha se mantendo cautelosa em fornecer estimativas sobre a duração da crise enquanto não há uma vacina comprovadamente eficaz e aprovada para produção em massa.

Mas Tedros fez agora a declaração ao comparar a pandemia do novo coronavírus com a chamada gripe espanhola, que durou dois anos – a doença circulou no mundo inteiro de 1918 a 1920 e matou entre 20 milhões e 50 milhões de pessoas, segundo a OMS.

O chefe da entidade descreveu a covid-19 como uma “crise de saúde que ocorre uma vez por século” e disse que, enquanto a globalização permitiu que o coronavírus se espalhasse mais rápido que a gripe de 1918, o mundo tem hoje tecnologia para pará-lo, diferentemente de um século atrás.

“Em nossa situação atual, com mais tecnologia e, é claro, mais conectividade, o vírus tem uma chance ainda maior de se espalhar. Ele pode avançar rápido porque nós estamos mais conectados agora”, disse, em coletiva de imprensa em Genebra.

“Mas ao mesmo tempo, nós também temos a tecnologia e o conhecimento para pará-lo. Temos a desvantagem da globalização, da proximidade e da conectividade, mas a vantagem de uma tecnologia melhor”, completou. “Então esperamos o fim dessa pandemia em menos de dois anos.”

Para esse fim, Tedros pediu “unidade nacional” e “solidariedade global”. “Isso é realmente fundamental para utilizarmos ao máximo as ferramentas disponíveis e esperar que possamos ter ferramentas adicionais, como uma vacina.”

Enquanto o planeta ainda corre contra o tempo em busca de um imunizante seguro e eficaz, as ferramentas mais importantes que os governos têm à disposição hoje são o isolamento social, o uso de máscaras e medidas de higiene e distanciamento entre pessoas, destaca a OMS.

Também ao comparar a covid-19 com a gripe espanhola, o diretor de emergências da organização, Michael Ryan, lembrou que a pandemia do século passado atingiu o planeta em três ondas diferentes, sendo a segunda onda, que começou no segundo semestre de 1918, a mais devastadora. Mas, segundo ele, a pandemia de covid-19 não parece estar seguindo o mesmo padrão.

“O vírus [Sars-Cov-2] não está mostrando um padrão de ondas semelhante”, afirmou. “Quando o vírus não está sob controle, ele avança de volta.”

Ryan também disse que, embora vírus pandêmicos geralmente se acomodem em um padrão sazonal, esse não parece ser o caso do novo coronavírus.

Ao todo, desde que o Sars-Cov-2 surgiu em dezembro de 2019, mais de 22,7 milhões de pessoas foram infectadas em todo o planeta, enquanto mais de 795 mil morreram em decorrência da doença, segundo contagem mantida pela Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos.

“Corrupção envolvendo a pandemia é assassinato”

Questionado sobre escândalos mundiais de corrupção envolvendo compras de equipamentos médicos para conter a crise, Tedros afirmou nesta sexta-feira que tais atos são equivalentes a “assassinatos”.

Em comentários bastante críticos, o chefe da OMS afirmou que a corrupção que priva os profissionais de saúde de equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados representa uma ameaça às vidas desses trabalhadores e de pacientes que sofrem da doença.

“Qualquer corrupção é inaceitável. Mas corrupção relacionada a EPIs, para mim, é realmente um homicídio. Porque se profissionais de saúde trabalham sem EPI, estamos arriscando suas vidas. E também arriscamos as vidas das pessoas que eles atendem. Então é criminoso, é assassinato e tem que parar”, disse Tedros.

O diretor-geral foi questionado especificamente sobre um escândalo de corrupção na África do Sul, onde revelou-se que compras públicas de máscaras, aventais e outros equipamentos de proteção não estavam chegando aos funcionários de hospitais. O caso está sendo investigado no país.

Mas escândalos semelhantes foram revelados também em vários estados do Brasil, sendo o Rio de Janeiro o primeiro deles. Em maio, a Polícia Federal chegou a cumprir mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao governador Wilson Witzel.

Em investigação iniciada em abril, a corporação apura a existência de um esquema de corrupção envolvendo uma organização social contratada para a instalação de hospitais de campanha, além de servidores da cúpula da gestão do sistema de saúde do estado.

EK/rtr/afp/ap/ots

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A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. 

Brasil pode sair da OMS, diz presidente Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro fez críticas ao trabalho da Organização Mundial da Saúde (OMS) na pandemia e disse que o governo pode deixar a organização que, de acordo com ele, atua “com viés ideológico”. No fim de maio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a saída do país da OMS, congelando repasses que o governo norte-americano faria à entidade.

Jair Bolsonaro, presidente do Brasil (Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

“E adianto aqui, os Estados Unidos saíram da OMS, e a gente estuda, no futuro, ou a OMS trabalha sem viés ideológico, ou vamos estar fora também. Não precisamos de ninguém de lá de fora para dar palpite na saúde aqui dentro”, disse Bolsonaro a jornalistas na portaria do Palácio da Alvorada, na noite desta sexta-feira (5).

O presidente fez referência à controvérsia causada pelas pesquisas que a OMS conduzia sobre a hidroxicloroquina no tratamento do novo coronavírus. “Para que serve essa OMS? A OMS recomendou há poucos dias não prosseguir mais com os estudos sobre a hidroxicloroquina, e agora voltou atrás. É só tirar a grana deles que eles começam pensar de maneira diferente”, disse Bolsonaro.

A OMS retomou esta semana os estudos com o medicamento, após aplicar uma suspensão dos testes por 10 dias, depois da revisão de um estudo publicado pela revista médico-científica The Lancet.

A Organização Mundial da Saúde é uma agência internacional especializada em saúde, fundada em 7 de abril de 1948 e subordinada à Organização das Nações Unidas (ONU). Sua sede é em Genebra, na Suíça. A OMS é composta por 194 Estados-Membros e dois membros associados. No caso do Brasil, para aderir à organização, o país ratificou internamente um tratado internacional de criação da agência. Uma eventual saída desse tratado teria que passar pelo Congresso Nacional.

Divulgação de balanço

Durante a entrevista, o presidente Jair Bolsonaro também comentou a mudança de horário na divulgação do balanço das infecções e mortes por covid-19, atualizado diariamente pelo Ministério da Saúde. Desde a última quarta-feira (3), a pasta só envia os dados consolidados do dia por volta das 22h. Antes, esse balanço era enviado por volta das 19h.

“É para pegar os resultados mais consolidados e tem que divulgar os mortos do dia. Ontem, os mortos eram de dias anteriores. Se quiser, faz um consolidado para trás, mas tem que mostrar os mortos do dia”, disse Bolsonaro, sobre a metodologia de divulgação adotada pelo Ministério da Saúde.

Em comunicado à imprensa, o ministério informou que os números de casos de covid-19 e de mortes causadas pela doença são repassados à pasta pelas secretarias estaduais e municipais de Saúde. O ministério acrescenta que analisa e consolida os dados e que em alguns casos “há necessidade de checagem junto aos gestores locais”. “Desta forma, o Ministério da Saúde tem buscado ajustar a divulgação dos dados, que são publicados diariamente na plataforma covid.saude.gov.br“, destaca o texto.

OMS: Declarada pandemia de Covid-19

Funcionário higieniza corrimão em rua de Veneza, na Itália
(Prefeitura de Veneza/Fotos Públicas)

Tedros Adhanom, diretor geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), declarou hoje (11)  que a organização elevou o estado da contaminação pelo novo coronavírus como pandemia.

A mudança de classificação não se deve à gravidade da doença, e sim à disseminação geográfica rápida que o Covid-19 tem apresentado. “A OMS tem tratado da disseminação [do Covid-19] em uma escala de tempo muito curta, e estamos muito preocupados com os níveis alarmantes de contaminação e, também, de falta de ação [dos governos]”, afirmou Adhanom no painel que trata das atualizações diárias sobre a doença.


O Ministério da Saúde marcou para 14h o início do boletim diário de atualização.

No Brasil

Na Câmara dos Deputados, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que a declaração de pandemia não muda as medidas no Brasil. O país continua com o monitoramento das áreas atingidas e com as iniciativas e protocolos já anunciados. Hoje, o titular da pasta vai participar de comissão geral na casa, onde irá apresentar a deputados informações sobre as ações do governo acerca do problema.