Chacina em Osasco e Barueri: Júri de ex-PM e ex-GCM entra no segundo dia

O júri popular do ex-policial militar Victor Cristilder dos Santos e o guarda-civil municipal Sérgio Manhanhã, acusados de participar da chacina de Osasco e Barueri, em 2015, entra hoje (23) no segundo dia. Ontem (22), seis testemunhas foram ouvidas, no primeiro dia de julgamento. Os dois réus já foram condenados no primeiro julgamento do caso, mas recorreram e solicitaram novo júri.

Tanto acusação quanto defesa solicitaram ouvir em depoimento 40 testemunhas do caso. A acusação, feita pelo Ministério Público e pela Defensoria Pública, encaminhou uma lista de 20 testemunhas ao júri popular, enquanto a defesa requisitou 16. Além disso, tanto acusação quanto defesa pediram a presença de quatro testemunhas comuns. No primeiro dia de julgamento, porém, acusação e defesa abriram mão do depoimento de 16 testemunhas. Portanto, ao todo, serão ouvidas 24 pessoas.

Entre as seis testemunhas ouvidas ontem estão dois delegados, dois sobreviventes da chacina, o filho de uma vítima e um capitão da Polícia Militar.

O julgamento

Sete jurados vão decidir se os dois réus são culpados da acusação de participar das 17 mortes ocorridas no dia 13 de agosto de 2015 nas chacinas de Osasco e de Barueri.

A previsão é que o julgamento dure cerca de cinco dias.

Por causa da pandemia do novo coronavírus, o julgamento não terá presença de público. Apesar disso, na manhã de ontem, parentes e amigos das vítimas fizeram uma vigília e levaram faixas com fotos dos mortos nas chacinas à porta do Fórum para clamar por justiça.

A acusação

(Reprodução)

Segundo o Ministério Público, as 17 mortes teriam sido uma vingança pelo assassinato, dias antes, de um policial militar e de um guarda-civil. De acordo com a acusação, os agentes de segurança se reuniram e decidiram fazer uma chacina para vingar as mortes.

Para a acusação, o policial Cristilder, como é mais conhecido, teria combinado com o guarda municipal o início do horário da chacina por meio de mensagens no celular. Além disso, ele teria dirigido um dos carros usados na chacina e feito disparos com armas de fogo contra as vítimas. Ele foi acusado por oito mortes e também por tentativa de homicídio.

Histórico

Cristilder e Manhanhã foram condenados no primeiro julgamento do caso, mas os advogados recorreram, e três desembargadores do Tribunal de Justiça decidiram por um novo julgamento, que começou hoje. Os acusados continuam presos.

O primeiro julgamento foi desmembrado em duas partes. Em setembro de 2017, os sete sorteados para o júri popular condenaram Fabrício Emmanuel Eleutério e Thiago Barbosa Henklain, além do guarda-civil Sérgio Manhanhã.

Eleutério foi condenado à pena de 255 anos, 7 meses e 10 dias de prisão e Henklain, a 247 anos, 7 meses e 10 dias. Manhanhã foi condenado a 100 anos e 10 meses.

Os dois policiais foram acusados de atirar nas vítimas e respondiam por todas as mortes e tentativas de assassinato. O guarda-civil, segundo a acusação, atuou para desviar viaturas dos locais onde os crimes ocorreriam e foi denunciado por 11 mortes.

Na segunda parte do julgamento, ocorrida em março de 2018, Cristilder foi acusado por oito mortes e também por tentativa de homicídio. O tribunal do júri condenou o ex-policial a 119 anos, 4 meses e 4 dias em reclusão em regime inicialmente fechado.

*com Agência Brasil

Réus da chacina de Osasco e Barueri voltam a ser julgados

(Reprodução)

O julgamento de dois réus acusados de terem participado das chacinas de Osasco e Barueri, na Grande São Paulo, tem início às 10h de amanhã (22). Dezessete pessoas foram assassinadas e sete ficaram feridas nas chacinas, ocorridas no dia 13 de agosto de 2015. Os assassinatos teriam ocorrido, segundo a acusação, para vingar as mortes de um policial militar e de um guarda civil metropolitano, que haviam sido assassinados dias antes.

Serão julgados o ex-policial militar Victor Cristilder e o guarda civil municipal Sérgio Manhanhã, que estão presos. Eles foram julgados e condenados no primeiro julgamento do caso, mas suas defesas recorreram e três desembargadores do Tribunal de Justiça decidiram, então, determinar um novo julgamento. Os acusados seguem presos. 

A previsão do Tribunal de Justiça é de que o julgamento dure cerca de cinco dias.  Ele será realizado no Fórum de Osasco e será fechado ao público. Do lado de fora, às 9h30 da manhã, as famílias das vítimas da chacina vão fazer uma vigília pedindo por justiça.

Histórico

A acusação do Ministério Público diz que o ex-policial Cristilder, como é mais conhecido, teria combinado com o guarda municipal Sérgio Manhanhã sobre o início do horário da chacina por meio de mensagens no celular. Além disso, ele teria dirigido um dos carros utilizados no evento e efetuado disparos com armas de fogo contra as vítimas. Ele foi acusado por oito mortes e também por tentativa de homicídio. Em março de 2018, em um julgamento separado, o tribunal do júri condenou Cristilder a 119 anos, 4 meses e 4 dias em reclusão em regime inicialmente fechado. 

Já Manhanhã foi julgado em setembro de 2017, junto com os ex-policiais militares Fabrício Emmanuel Eleutério e Thiago Barbosa Henklain. Nesse julgamento, Fabrício Emmanuel Eleutério foi condenado a pena de 255 anos, 7 meses e 10 dias de prisão. Thiago Barbosa Henklain recebeu sentença de 247 anos, 7 meses e 10 dias. Já o guarda-civil Sérgio Manhanhã foi condenado a 100 anos e 10 meses.

Eleutério e Henklain foram acusados de terem disparado contra as vítimas e respondiam por todas as mortes e tentativas de assassinato. Já o guarda-civil, segundo a acusação, teria atuado para desviar viaturas dos locais onde os crimes ocorreriam e foi denunciado por 11 mortes. Eles responderam por homicídio qualificado, por motivo torpe, com emprego de recurso que dificulta as perdas das vítimas e praticado por grupo de extermínio, além de responderem pelo crime de formação de quadrilha.

Expulsão

Cristilder foi expulso da Polícia Militar em julho de 2019, junto com Henklain e Eleutério. Segundo o Diário Oficial de São Paulo, publicado no dia 20 de julho de 2019, os três policias cometeram “atos atentatórios à instituição, ao estado, aos direitos humanos fundamentais e desonrosos, consubstanciando transgressão disciplinar de natureza grave”. A corporação não confirmou se a expulsão teve relação com a participação nas chacinas de Osasco e de Barueri.

Por Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil 

Homens são detidos após denúncia de tiros e ameaças

(Polícia Militar de SP/Reprodução)

Dois homens foram detidos pela Polícia Militar, em Osasco, na Grande São Paulo, após uma denúncia de que estariam atirando e ameaçando pessoas na rua. Os dois estavam em um carro que foi identificado pelas equipes da PM assim que chegaram ao local.

Com a chegada dos policiais, um dos suspeitos tentou fugir, mas acabou preso. O outro ficou dentro do carro e não resistiu à abordagem.

Durante as buscas, segunda a PM, foram encontrados um revólver com numeração raspada e munição. Os dois foram levados para a delegacia. A PM, em nota, não informou se eles permaneceram presos.

Medalhas roubadas de Arthur Nory são abandonadas em lixeira

https://www.youtube.com/watch?v=WxlJ6sDd5Q0

As medalhas que haviam sido roubadas do ginasta olímpico Arthur Nory, de 27 anos, foram encontradas pela Polícia Militar na noite desta terça-feira em Osasco, na Grande São Paulo.Os policiais foram acionados via rádio pelo COPOM, que recebeu denúncia.

A equipe foi até o local indicado, na Rua Teotônio Vilela, no Jardim Santa Maria, onde encontrou, em uma lixeira, uma caixa de sapatos e, em seu interior, as 33 medalhas pertencentes ao ginasta.Os objetos foram levados na madrugada da última sexta-feira, dia cinco, por ladrões que invadiram a residência dele, na Lapa de Baixo, Zona Oeste da Capital.

Apenas uma funcionária, de 64 anos, estava no imóvel e foi rendida por dois criminosos,  que levaram, além das medalhas, uma mochila, chaves e uma CNH.Arthur Nory foi comunicado imediatamente sobre o encontro do material e seguiu para a sede da Segunda Companhia do Décimo Quarto Batalhão da PM, no Jardim D’Abril, em Osasco.Após o reconhecimento de que se tratava realmente dos objetos roubados de sua casa, Nory acompanhou os PMs até o Quinto Distrito Policial de Osasco, onde foi registrado um boletim de ocorrência. Com as medalhas de volta, Arthur Nory se sentiu como que subindo de novo ao pódio.A Polícia Civil está analisando as imagens registradas pelas câmeras de segurança do imóvel para tentar identificar os criminosos.

Por Paulo Édson Fiore, da Jovem Pan

Polícia identifica suspeitos de série de assaltos

Agentes da Delegacia der Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) identificaram quatro homens suspeitos de envolvimento em vários assaltos praticados no município de Osasco, na região metropolitana de São Paulo. Nos ataques, os bandidos usavam um veículo que foi furtado de uma agência na Freguesia do Ó, Zona Norte da Capital.

As investigações levaram até dois dos homens, moradores do mesmo bairro. Eles circulavam pela região no carro usado nos assalto, que havia sido furtado na madrugada do dia 26 de janeiro de uma revenda. Na ocasião, câmeras de segurança instaladas no estabelecimento registraram a ação do ladrão, que permaneceu cerca de uma hora e meia no local antes de fugir, levando o carro.

Os policiais, então, passaram a perseguir os ocupantes do veículo, que acabaram interceptados e presos na região da Casa Verde. Com um dos homens os investigadores encontraram um revólver.

O automóvel estava rodando com placas adulteradas. Posteriormente, outros dois suspeitos foram localizados e detidos: o suspeito que furtou o Nissan da agência e o comparsa que fez a troca das placas.

Os dois suspeitos que estavam no automóvel foram autuados em flagrante por receptação e porte ilegal de arma, e vão ficar presos,  à disposição da Justiça. Já os suspeitos responsáveis pelo furto do Nissan e a adulteração das placas foram indiciados e responderão ao processo em liberdade.

Com informações de Paulo Édson Fiore, da Jovem Pan

Suspeitos de tráfico são presos em Carapicuíba

Um trio suspeito de tráfico de drogas, entre eles uma mulher, foi preso em Carapicuíba, na Grande São Paulo, na noite de ontem (26). A ação foi realizada por agentes da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes de Osasco (Dise).

Os investigadores chegaram até uma casa na Rua Paulo da Silva, próximo à Avenida Escola Politécnica, no Jardim do Lago, região do Rio Pequeno, Zona Oeste da Capital. No local, os policiais prenderam dois homens e apreenderam cerca de 650 porções de crack embaladas e prontas para serem comercializadas, além de anotações com a contabilidade do tráfico.

A droga estava escondida em um buraco construído no corredor do imóvel. Interrogados, os suspeitos revelaram que uma comparsa, que atua para o tráfico exercendo a função de “formiguinha”, estaria trazendo mais entorpecente, que seria entregue para a dupla na Estação da CPTM em Osasco.

Os investigadores, então, seguiram para o local e com base na descrição fornecida pelos presos, conseguiram localizar e prender a mulher. Ao todo, foram apreendidas 1800 porções de crack e R$ 1,1 mil proveniente da venda do entorpecente. Segundo a Polícia Civil, a droga apreendida iria abastecer pontos de venda em uma favela localizada às margens do Rodoanel Mário Covas. A mulher e um dos suspeitos detidos, até então, não tinham antecedentes criminais.

O trio foi conduzido à DISE de Osasco e autuado em flagrante por tráfico de drogas. 

*Com informações de Paulo Édson Fiore, da Jovem Pan

Vítima de sequestro relâmpago é libertada e bandidos são presos

(Jovem Pan/Reprodução)

A Polícia Militar (PM) prendeu três suspeitos de render e manter uma pessoa refém durante um sequestro-relâmpago no Jardim Umuarama, em Osasco, na Grande São Paulo. A vítima, de 34 anos, foi dominada pelos ladrões na noite dessa quinta-feira (8) na Avenida Presidente João Goulart, ao reduzir a velocidade do carro, um Hyundai HB20 preto, em um semáforo fechado.

Os desconhecidos, um deles armado com um revólver, pularam na frente do veículo e anunciaram o assalto. Dois ocuparam o banco de trás, e o terceiro, com a arma, sentou no banco do passageiro. Eles obrigaram o condutor a seguir em frente.

A intenção era efetuar saques com os cartões do refém em caixas-eletrônicos. Mas a PM, acionada por outro motorista que também fora abordado pelos mesmos criminosos, já havia alertado as equipes em patrulhamento na área.

Uma delas acabou cruzando com o veículo ocupado pelos suspeitos. Assim que perceberam a aproximação dos policiais, os criminosos obrigaram a vítima a acelerar. A perseguição durou cerca de cinco quilômetros e terminou na Avenida Manoel de Nóbrega, junto à Avenida Martin Luther King, no Jardim Adalgiza.

Ali,  o motorista perdeu o controle da direção e bateu o carro contra uma pilha de entulhos de uma obra da Sabesp. Os suspeitos foram detidos, e a vítima, libertada ilesa. Os ladrões, todos maiores de idade, um deles foragido da Justiça, foram autuados em flagrante.

*Com informações de Paulo Édson Fiore

Entregues 300 apartamentos de programa habitacional

O Ministério do Desenvolvimento Regional começou a entregar nesta terça-feira (16) as obras do Conjunto Habitacional Vila Alemanha, no Bairro dos Metalúrgicos, em Osasco, município da Grande São Paulo. São 300 unidades no empreendimento, que atenderá famílias com renda mensal de até R$ 1,8 mil.

(Marcelo Deck e Sergio Gobatti/Pref. de Osasco)

A entrega das chaves aos moradores, que começou em cerimônia hoje, seguirá por mais duas semanas. Segundo o ministério, mais de 1,2 mil pessoas serão beneficiadas.

“É importante ressaltar que não existe divergência entre saúde e economia, pois ambas são importantes para preservar a vida humana e a dignidade das pessoas. Fomos orientados pelo presidente Bolsonaro a darmos continuidade às obras que temos no nosso portfólio. E esse empreendimento é uma demonstração de que se pode fazer obras bem feitas: uma construção de baixo custo, mas com qualidade e dignidade para as pessoas aqui morarem”, disse o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, na cerimônia em Osasco.

Foram investidos R$ 33,4 milhões para a construção do residencial Vila Alemanha, sendo que os recursos são oriundos de aportes do governo federal e de contrapartida do governo estadual.

As unidades do condomínio têm 49,5 m² e contam com dois quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviço. O empreendimento dispõe de infraestrutura interna e externa, com redes de água, esgoto, drenagem, energia elétrica e iluminação pública, além de pavimentação e urbanização. São blocos de cinco andares.

“São 300 famílias contempladas – algumas aguardam sua moradia há mais de 10 anos. Termos habitação com segurança, com infraestrutura, também protege a nossa população, que muitas vezes mora em áreas de grande aglomeração e de vulnerabilidade social. Então, esse é um importante passo, pois protege e garante o presente e o futuro dessas pessoas”, disse o prefeito de Osasco, Rogério Lins.

Por Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil 

PMs mexeram em câmera que gravou David sendo colocado na viatura

David Nascimento foi encontrado baleado e morto horas após ser filmado entrando em uma viatura do Baep; policiais estão afastados, sem redução de salário

Um dia após serem filmados abordando o vendedor David Nascimento dos Santos, 23 anos, que foi encontrado morto pouco depois, policiais militares voltaram ao local da abordagem, na Favela do Areião, no Jaguaré, zona oeste da cidade de São Paulo, e mexeram na câmera que os tinha flagrado. 

As imagens do segundo vídeo, a que a Ponte teve acesso, foram gravadas às 19h06 de 25 de abril, no dia seguinte à morte de David. 

O jovem aguardava a entrega de um lanche, comprado no aplicativo de entregas Ifood, quando foi abordado por uma viatura do Baep (Batalhão de Operações Especiais), considerado uma tropa “estilo Rota”, em referência ao batalhão mais mortal da PM paulista. O relógio marcava 19h48.

Em vez de colocarem o vendedor no porta-malas do veículo, onde normalmente os PMs transportam pessoas suspeitas, eles colocaram David no banco de trás da viatura, conforme as imagens. 

Horas mais tarde, já na madrugada do dia 25 de abril, os familiares encontraram o corpo de David. Segundo a família, tinha sinais de tortura e tiros no peito e na cabeça.

Quase 24 horas após a abordagem, um novo vídeo mostra três policiais militares aparecendo no mesmo local em que David havia sido levado pela viatura do Baep. Eles rondam o local com os cassetetes nas mãos.

David foi morto depois de abordagem policial em São Paulo| Foto: Arquivo/Ponte

Um minuto mais tarde, o trio retorna de onde veio sem ninguém abordado. Passam atrás do equipamento que registrou a ação. Às 19h09, a gravação da câmera começa a mudar de direção, quando a câmera é manipulada por u dos policiais. A pessoa que a segura estava na mesma posição para onde os PMs voltaram depois de vistoriar o local.

A mãe do rapaz, Cilene Geraldina dos Santos, 38 aos, diz que o filho foi encontrado com uma roupa diferente da que vestia quando saiu de casa. “Meu filho sumiu de bermuda e chinelo. Quando mataram eles trocaram a roupa. Foi a polícia que trocou a roupa. A calça do Corinthians nunca foi dele, nem aquele sapato”, disse à Ponte.

PMs alegam troca de tiros

O 5º DP de Osasco, cidade na Grande São Paulo, registrou a ocorrência como morte decorrente de intervenção policial, resistência e excludente de ilicitude. Os policiais alegaram que trocaram tiros com David.

Na versão oficial, policiais do Baep perseguiram quatro homens em um veículo modelo Onix na avenida Presidente Altino. Eles teriam abandonado o veículo na favela em que David morava.

Os policiais explicaram à delegada Maria Cristina da Silva Sá que foram a pé atrás dos quatro e que um deles, que estava atrás de uma moita na rua Manoel Antônio Portela, atirou depois deles se identificarem.

Este homem seria David, atingido por cinco tiros. Socorrido ao Hospital Regional de Osasco, ainda de acordo com os PMs, ele não resistiu e já chegou morto por volta das 21h35. Os PMs asseguraram que David estava uma pistola 9 mm. 

Câmera é mexida um minuto e meio depois de PMs passagem | Foto: Reprodução

A delegada apreendeu a suposta arma do jovem, além do fuzil calibre 5.56 usado pelo sargento Carlos Antonio Rodrigues do Carmo, 42 anos, e as pistolas calibre .40 dos PMs Vagner da Silva Borges, 32 anos, e Lucas dos Santos Espíndola, 33 anos.

David tinha o sonho de ser cantor de funk. Sua inspiração era o MC Kauan Coringa, que prestou uma homenagem ao saber da morte do rapaz.

Enquanto não vivia do funk, onde era conhecido como Dede ou MC 2Dêeh, ele tinha como ganha pão vender balas e doces na Marginal Pinheiros, via próxima à Favela do Areião. 

“Mataram ele pela aparência. Não procuraram saber se realmente ele tinha feito algo de errado naquela noite, e pegaram o primeiro que viram”, lamenta uma amiga de infância de David. Por medo ela não quis ser identificada. 

A deputada estadual Erica Maluguinho (Psol) anunciou em suas redes sociais que solicitou informações ao governo paulista se identificou a viatura e os PMs que abordaram David. “Está na conta do Estado mais uma morte de um jovem negro!”, disse a parlamentar.

Afastamento de 12 PMs

Ponte questionou a SSP (Secretaria da Segurança Pública) de São Paulo, administrada pelo general João Camilo Pires de Campos neste governo de João Doria (PSDB), sobre as novas imagens e aguarda um posicionamento.

Anteriormente, a InPress, assessoria de imprensa terceirizada da SSP, informou à reportagem que mantinha o mesmo posicionamento dado anteriormente, no qual afirma que o vídeo “está sob análise e a Corregedoria da PM acompanha o andamento das investigações”.

David era fã do MC Kauan Coringa e sonhava ser funkeiro | Foto: Arquivo/Ponte

Na nota, a pasta afirma que 12 PMs foram afastados da função após a morte de David – eles seguem recebendo seus salários normalmente, apenas atuando em setor administrado e não nas ruas enquanto durar a investigação do caso.

“Todas as circunstâncias relacionadas aos fatos são investigadas por meio de inquérito policial instaurado pelo 93º DP (Jaguaré), responsável pela área e por meio de IPM instaurado pela Polícia Militar”, diz a SSP.

Após questionamento da Ponte, a Ouvidoria de Polícias de SP disse que foi informada sobre o caso e abrirá procedimento para acompanhar as investigações da Corregedoria da PM e da Polícia Civil.

Por Arthur Stabile – Repórter da Ponte

Veja quem é o rapaz morto após abordagem da PM

David dos Santos foi encontrado morto, segundo a família, com sinais de tortura, horas depois que policiais o colocaram dentro de uma viatura em São Paulo

David e o ídolo, MC Kauan Coringa | Foto: Reprodução/Facebook

Fã do MC Kauan Coringa e com o sonho de se tornar cantor de funk, David Nascimento dos Santos, 23 anos, era brincalhão e muito focado em conquistar seu dinheiro honestamente, conforme contam amigos e familiares. Ele saía diariamente da comunidade onde morava, na região do Jaguaré, zona oeste da cidade de São Paulo, e caminhava por alguns metros até chegar na Marginal do Pinheiros, onde trabalhava vendendo balas e doces.

Em uma de suas músicas que compunha na esperança de viver do funk, Dede, ou MC 2Dêeh, como era conhecido, relatava um pouco de sua história e seu sonho: 

“Ficava no farol só para ganhar um trocado 
Hoje eu estou suave, uma fiel tenho ao meu lado 
Fui criado pela minha coroa desde um ano de idade 
Sei que a vida não é fácil 
Meu castelo de madeira era um barraco 
E voando baixo, condição para minha família 
Ajudar quem passa dificuldade 
Sei que são altos e baixos 
Mas por dia vários leões são degolados” 

https://www.facebook.com/100008841312923/videos/2226828400955182/

Na noite da última sexta-feira (24) ele foi abordado por policiais militares na entrada da rua onde morava, enquanto esperava um lanche que pediu pelo aplicativo de comida iFood. Na mesma noite, o rapaz foi encontrado morto e, segundo a família, tinha sinais de tortura. 

Dede era jovem, preto e da favela. “Mataram ele pela aparência. Não procuraram saber se realmente ele tinha feito algo de errado naquela noite, e pegaram o primeiro que viram”, afirma uma amiga de infância do rapaz que, por medo, não quis ser identificada.

Em rede social, o jovem dividia suas publicações entre demonstrações do quanto que era fã do MC Kauan Coringa, o desejo de se tornar MC, além de informações sobre os novos produtos que comprava para vender no farol e textos sobre a pandemia do novo coronavírus. 

Quando soube da morte do vendedor ambulante, Mc Kauan usou o Instagram para prestar homenagem ao fã. “Mais um moleque firmeza que foi morar com Deus”, disse o cantor. 

Na homenagem de mais de cinco minutos na ferramenta story (de publicações que ficam por 24 horas), Kauan terminou com uma rima: “Se liga rapaziada, escuta o que vou dizer. Hoje o Coringa chora, com saudade do Dede”.

Em um dos shows de MC Kauan que David foi, o vendedor ambulante foi ao camarim do cantor para tirar foto. O MC, então, fez uma brincadeira com o rapaz, fingindo que ia tirar foto enquanto gravava o momento (vídeo abaixo)

O vendedor ambulante estava prestes a completar nove meses de namoro. No Facebook, a namorada publicou um trecho de uma música que o rapaz havia feito para ela. David deixa dois filhos de outros relacionamentos. 

Ponte questionou, na noite de sábado (25/4), a Polícia Militar sobre a abordagem ao rapaz e a morte logo depois. Na manhã deste domingo, a Secretaria de Segurança Pública enviou uma nota dizendo que “todas as circunstâncias relacionadas aos fatos são investigadas por meio de inquérito policial instaurado pelo 93º DP, responsável pela área e por meio de IPM instaurado pela Polícia Militar”. 

Sobre o vídeo que mostra David sendo abordado por policiais militares pouco antes de ser encontrado morto, a secretaria afirma que “está sob análise e a Corregedoria da PM acompanha o andamento das investigações”. 

Procurada pela reportagem, a Ouvidoria de Polícias de São Paulo disse que está ciente do caso e vai abrir procedimento para acompanhar as investigações da corregedoria da PM e da Polícia Civil.

Por Maria Teresa Cruz – Repórter da Ponte