Internações por covid-19 despencam e um quarto dos pacientes não se vacinou

A quantidade de internações por covid-19 na cidade de São Paulo despencou cerca de 90%, segundo levantamento divulgado pela Secretaria Municipal da Saúde, que relaciona a queda ao avanço da vacinação. Enquanto no pico da pandemia, o município chegou a registrar mais de 500 internações por dia, entre 8 e 28 de setembro o número de pacientes que deram entrada em hospitais, por dia, caiu para 51.

Durante o período do levantamento, 1.082 pessoas com mais de 18 anos foram hospitalizadas, além de 105 menores de 18 anos, ainda sem o esquema vacinal completo, totalizando 1.187. Destes, 753 ocuparam um leito de enfermaria e 434 uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), informa nota da Prefeitura.

Entre os internados, 261 não estavam vacinados (excluindo os menores de 18 anos), o que representa um quarto do total dos pacientes. 

“A curva de internações começou a diminuir a partir de junho, período que coincide com o avanço da vacinação no município”, comenta Marilande Marcolin, secretária-executiva de Atenção Hospitalar.

Outro dado que chama a atenção no levantamento é que a maioria dos casos se concentra em pacientes com mais de 40 anos de idade, com maior incidência nos maiores de 60 anos. Nos casos em que os pacientes precisaram de uma UTI, também foi possível verificar a menor incidência de intubações.

“Isso reforça o planejamento da dose adicional para os maiores de 60 anos e a manutenção das medidas preventivas, com o uso de máscaras e a importância de uma boa higiene pessoal, com lavagem frequente das mãos e uso do álcool em gel”, disse Luiz Carlos Zamarco, secretário-adjunto da Secretaria Municipal da Saúde.

Brasil recebe lote de 4,5 milhões de doses da vacina da Pfizer

Chegou hoje (16) ao Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), mais um lote de 4,5 milhões de doses da vacina contra a covid-19 da Pfizer. Os imunizantes do laboratório norte-americano chegaram em dois voos no início da manhã. Mais um carregamento com 1,3 milhão de doses está previsto para chegar amanhã (17).

Os lotes fazem parte do contrato assinado com o Ministério da Saúde para fornecimento de 100 milhões de doses da vacina até dezembro. A farmacêutica já fez a entrega de 100 milhões de doses previstas no primeiro termo assinado com o governo brasileiro.

O Ministério da Saúde já distribuiu 310,5 milhões de doses de vacinas contra o coronavírus de quatro laboratórios para serem aplicadas em todo o país. Até o momento, 101,3 milhões de pessoas foram completamente imunizadas contra a doença com duas doses ou vacina de dose única.

Por Agência Brasil

Com casos em estabilidade, barreiras sanitárias são encerradas

Barreira sanitária em São Paulo (Pref. de São Paulo/Reprodução)

A estabilidade de casos de covid-19 na cidade de São Paulo fez a Prefeitura encerrar, nesta sexta-feira (15), as barreiras sanitárias. Implantadas em 27 de maio no aeroporto de Congonhas e em três terminais rodoviários da cidade, a medida tinha o objetivo de “identificar os casos suspeitos e evitar a disseminação das variantes do Sars-CoV-2, que provoca a Covid-19”, informa a Prefeitura em nota. 

Durante este período, de quase cinco meses, equipes da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa) abordaram 801.106 pessoas, nos quatro pontos de monitoramento, e realizaram ações educativas em um terminal de cargas, em dois terminais de ônibus urbanos e três estações do Metrô. Casos sintomáticos identificados, diz a nota, “foram feitos os devidos encaminhamentos, de acordo com as diretrizes do Programa Municipal de Imunizações (PMI)”.

No aeroporto de Congonhas foram registrados, no período, 157 casos sintomáticos da doença em uma amostra de 555.700 passageiros abordados e 7.816 voos checados (cerca de 70 por dia). Nos terminais rodoviários Tietê, Barra Funda e Jabaquara foram inspecionados 18.020 ônibus e abordadas 213.096 pessoas, 53 delas sintomáticas.

No Terminal de Cargas Fernão Dias foram abordados 8.597 cidadãos e entregues 11.038 folhetos informativos. Nos terminais de ônibus urbanos Brás e Pari e nas estações do Metrô Vila Matilde, Penha e Artur Alvim foram feitas 646 ações educativas, durante as quais foram abordadas 23.713 pessoas e identificados dez casos sintomáticos.

Brasil recebe 3,2 milhões de doses da Pfizer

Chegarou hoje (15) ao Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), um carregamento com 3,2 milhões de doses da vacina contra a covid-19 da Pfizer. Ontem (14), o laboratório norte-americano já havia feito a entrega de 912,6 mil doses. A previsão é de que até o próximo domingo (17), desembarquem no Brasil mais 10 milhões de doses do imunizante.

Os lotes fazem parte do contrato assinado com o Ministério da Saúde para fornecimento de 100 milhões de doses da vacina até dezembro. A farmacêutica já fez a entrega de 100 milhões de doses previstas no primeiro termo assinado com o governo brasileiro.

O Ministério da Saúde já distribuiu 310,5 milhões de doses de vacinas contra o novo coronavírus de quatro laboratórios para serem aplicadas em todo o país. Ontem, o Brasil atingiu a marca de 100 milhões de pessoas completamente imunizadas contra a covid-19 com duas doses ou dose única.

Por Agência Brasil

Mutirão vai incentivar segunda dose contra covid-19

Neste sábado (16), o estado de São Paulo vai promover o dia V de vacinação contra a covid-19, um mutirão para ampliar a cobertura vacinal contra a doença. Com isso, cinco mil postos de saúde estarão abertos no sábado, em todo o estado de São Paulo, entre as 7h e as 19h, principalmente para a aplicação da segunda dose de vacina contra a covid-19.

Nesse dia, também serão aplicadas as doses de reforço para idosos que tomaram a segunda dose há mais de seis meses. A terceira dose ou dose de reforço está sendo aplicada porque foi observada uma queda na proteção da vacina contra a covid-19, após seis meses da segunda dose.

O objetivo principal desse dia V de vacinação é atrair os faltosos da segunda dose, ou seja, aquelas pessoas que já poderiam ter tomado a segunda dose mas que ainda não compareceram aos postos de saúde para completar o esquema vacinal.

Segundo Regiane de Paula, coordenadora do Programa Estadual de Imunização de São Paulo, cerca de 4,1 milhões de pessoas ainda não tomaram a segunda dose de imunizante contra a covid-19 em todo o estado paulista.

Até este momento, 61,79% da população total de São Paulo já completou o esquema vacinal.

As prefeituras também vão poder aproveitar a data para atualizar o cadastro na plataforma VaciVida, inserindo dados de pessoas que já tomaram o imunizante e que eventualmente ainda não constam do sistema.

Multivacinação

Neste mesmo dia, pais ou responsáveis podem levar seus filhos para atualização da carteira de vacinação. Segundo o governo paulista, serão oferecidos 16 tipos de vacinas, que protegem contra 20 doenças. O governo pede que os pais ou responsáveis levem a carteira de vacinação de seus filhos para que o profissional de saúde avalie quais doses e vacinas precisam ser aplicadas.

campanha nacional de multivacinação do Ministério da Saúde começou no dia 1° e vai até o dia 29 de outubro.

Por Agência Brasil

Aula presencial será obrigatória a partir de segunda-feira

(Rovena Rosa/Agência Brasil)

A partir da próxima segunda-feira (18), as aulas presenciais na rede pública estadual de Educação do estado de São Paulo serão obrigatórias. A medida foi anunciada hoje (13) pelo governador de São Paulo, João Doria. A medida vale para as escolas estaduais.

No caso das particulares, haverá um prazo definido pelo Conselho de Educação para que se preparem para o cumprimento da regra. Já para escolas municipais, as cidades que têm conselhos municipais de Educação próprios poderão definir as regras de retorno, como é o caso da capital paulista. As demais instituições devem seguir a determinação do governo estadual.

Quanto às universidades, a volta das atividades presenciais ainda está sendo discutida e deve ser anunciada nos próximos dias.

Apenas crianças e adolescentes, mediante apresentação de atestado médico, gestantes e puérperas poderão ficar em casa. Segundo o secretário estadual de Educação, Rossieli Soares, para esses alunos, será mantido o ensino remoto. “Criança que tiver alguma comorbidade e que tiver atestado, não precisará ir presencialmente”, disse o secretário, ao lembrar que pessoas sintomáticas não devem ir à escola.

O uso de máscaras continua obrigatório, e a retirada só delas será permitida na hora da alimentação. De acordo com o secretário, as refeições serão feitas preferencialmente com horários intercalados.

Até o início de novembro, os alunos devem manter distanciamento de pelo menos 1 metro. As escolas em que não puder ser mantido esse distanciamento, poderão funcionar no esquema de revezamento. A partir do dia 3, porém, tal distanciamento não será mais exigido e, com isso, também não será mais permitido o revezamento.

Desde o dia 2 de agosto, as escolas estaduais, particulares e municipais do estado de São Paulo estavam autorizadas a retomar as aulas presenciais, podendo atender até 100% dos alunos, mas a presença não era obrigatória.

O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) é contra a decisão.

Em suas redes sociais, a presidente da Apeoesp, Maria Izabel Azevedo Noronha (Bebel), criticou a volta presencial obrigatória. “O desprezo pela vida e pela saúde da comunidade escolar atingiu o auge com a decisão do secretário estadual da Educação, Rossieli Soares, de obrigar a volta às aulas presenciais para 100% dos estudantes, sem distanciamento social”, escreveu Bebel.

Histórico

Por causa da pandemia de covid-19, as aulas no estado de São Paulo foram suspensas em março do ano passado. Em setembro, as escolas foram abertas para atividades de reforço.

Em março deste ano, com o aumento dos casos de covid-19 e com o estado entrando na fase emergencial do Plano São Paulo, as escolas voltaram a ser fechadas totalmente. Em abril, foram reabertas, com presença permitida de até 35% dos alunos. Em agosto, as escolas foram autorizadas a receber a totalidade dos alunos, mas a presença não era obrigatória.

Por Agência Brasil

Brasil ultrapassa as 600 mil mortes na pandemia

Sepultamento coletivo em Manaus durante a pandemia (Arquivo/Reprodução)

O Brasil cruzou nesta sexta-feira (08/10) a marca dos 600 mil mortos por covid-19. Foram mais de duas centenas de mortes registradas nas últimas 24 horas, elevando o total para 600.077, segundo dados do consórcio de veículos de imprensa. No mesmo dia, o país atingiu a marca de 21.893.752 milhões de casos notificados.

A primeira morte oficial associada à covid-19 no Brasil foi a de uma mulher de 57 anos, em São Paulo, em 12 de março. Desde então, é como se toda a população de Joinville, a maior cidade de Santa Catarina, tivesse desaparecido.

Apenas um país acumula mais mortes do que o Brasil: os Estados Unidos, que recentemente superaram a marca de 700 mil óbitos por covid-19. Os EUA, no entanto, têm uma população 55% maior que a do Brasil e contam com mecanismos mais eficientes de notificação.

Especialistas também alertam que os números reais de casos e mortes no Brasil são maiores, em razão da falta de testagem em larga escala e da persistente subnotificação. Em junho, quando o Brasil superou a marca de 500 mil mortes oficialmente notificadas, estudos indicavam que o país provavelmente já contava mais de 600 mil óbitos por covid-19.

Desta vez, porém, a nova trágica marca oficial de mortos por covid-19 no Brasil pelo menos ocorre num momento de desaceleração. Apenas 51 dias separaram as marcas de 400 mil e 500 mil mortes notificadas. Já a divisa das 600 mil mortes ocorre 111 dias depois de o país ter superado meio milhão de vítimas.

Após início tumultuado, vacinação avança

Essa desaceleração no ritmo de mortes coincide com o avanço veloz da vacinação no país, que deslanchou apesar da demora do governo federal em comprar imunizantes e da má organização do Ministério da Saúde no início da campanha de vacinação. No momento, 69,78% da população tomou pelo menos uma dose da vacina e 45,5% completaram o esquema vacinal. Mais de 1,9 milhão tomaram uma dose de reforço.

Em 19 de junho, quando o país ultrapassou as 500 mil mortes registradas, 29,61% da população havia tomado pelo menos uma dose e apenas 11,45% haviam completado a imunização.

A média móvel de mortes nos últimos sete dias estava em 451 na quinta-feira – a menor desde 13 de novembro. Quando o Brasil superou a marca de 500 mil mortes, a média móvel estava acima da casa dos 2 mil óbitos. Os números também contrastam com as taxas de abril, o mês mais mortífero da pandemia, quando o país chegou a atingir uma média móvel de 3.125 mortes.

No fim de julho, o Brasil voltou a registrar média móvel de mortes abaixo de mil, após um período de 191 dias seguidos acima dessa marca.

O estado de São Paulo contava no início desta semana com  4.997 internados por covid-19 – menor dos últimos 18 meses e quase cerca de sete vezes menor que o registrado no pico da segunda onda, que teve mais de 31 mil pacientes com a doença. As taxas de ocupação de leitos de UTI também estavam entre as menores desde o início da pandemia, com 31,4% no estado e 39,5% na grande São Paulo.

“Podemos esperar números ainda mais animadores conforme chegarmos em 70 a 80% da população completamente vacinada. Pela primeira vez desde março do ano passado, apesar do esforço contrário e constante do governo federal, temos um horizonte favorável à frente”, escreveu nesta semana o biólogo e divulgador científico Átila Iamarino em artigo na Folha de S.Paulo.

Segundo pesquisa Datafolha divulgada em julho, 94% dos brasileiros acima de 16 anos já teriam se vacinado ou que pretendiam se imunizar. Em dezembro de 2020, antes do início da campanha e quando o presidente Jair Bolsonaro fez seguidos ataques explícitos contra os imunizantes, esse percentual chegou ao seu nível mais baixo, 73%. No entanto, em março, com as mortes por covid-19 explodindo e o país superando a marca de 300 mil mortes, a adesão às vacinas já havia saltado para 89%.

Bolsonaro continua a sabotar esforços

(Carolina Antunes/PR)

A alta adesão à vacinação se impôs apesar do negacionismo e dos ataques regulares de Jair Bolsonaro às vacinas. Num ciclo que se repete desde 2020, o presidente continua a alimentar paranoia sobre os imunizantes, minimizar o número de óbitos e promover aglomerações e drogas ineficazes contra a covid-19, além de mentir sobre o papel do governo federal no combate à pandemia.  

Bolsonaro mostrou nos últimos meses que nem mesmo a superação da marca de meio milhão de mortos em junho teve algum impacto em como o Planalto encara a doença. Ele demorou dois dias para expressar algum tipo de condolência sobre a marca de meio milhão de óbitos, e quando o fez logo emendou a fala com declarações defendendo drogas desacreditadas contra a covid-19, como a hidroxicloroquina e a ivermectina, aproveitando ainda a ocasião ainda para ofender uma jornalista.

Na mesma semana em que aquela marca foi batida, Bolsonaro ainda abaixou a máscara contra covid-19 de um menino em evento no Rio Grande do Norte e pediu para que uma menina também baixasse a sua. Nas semanas seguintes, chegou a usar a morte de celebridades idosas como supostos exemplos da ineficiência da Coronovac – a vacina promovida pelo governo de São Paulo, chefiado pelo seu rival João Doria.

Nesta sexta-feira, horas antes da marca de 600 mil mortes ser atingida, Bolsonaro voltou a alimentar paranoia sobre os imunizantes, desencorajando a imunização em jovens de até 20 anos.

“O número de pessoas que morre por covid abaixo de 20 anos, tá, hein, Queiroga, 99,999 alguma coisa não é isso Queiroga? Então por que vacina, meu Deus do céu? Será que é um negocio que estamos vendo em jogo no Brasil e no mundo?”, disse Bolsonaro, em evento ao lado do seu ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.

No final de setembro, Bolsonaro chegou a receber dois negacionistas alemães no Planalto para uma entrevista na qual repetiu mentiras e distorções sobre a pandemia, afirmando, por exemplo, que o coronavírus “apenas encurtou a vida delas [vítimas] por alguns dias ou algumas semanas”.

Desde o início do ano, Bolsonaro também afirmou repetidamente que a melhor forma de se proteger contra o vírus é ser contaminado, reiterando a tese da imunidade de rebanho pela infecção. “Eu disse para as pessoas não terem medo, que enfrentassem o vírus”, disse Bolsonaro aos negacionistas alemães.

No fim de junho, Pedro Hallal, epidemiologista e pesquisador da Universidade Federal de Pelotas, afirmou à CPI que quatro em cada cinco mortes pela doença no país seriam evitáveis, caso o governo federal tivesse adotado outra postura – como, por exemplo, apoiando o uso de máscaras, medidas de distanciamento social, campanhas de orientação e ao mesmo tempo acelerando a aquisição de vacinas.

Naquele momento, o país acumulava 508 mil mortes. Ou seja, de acordo com as estimativas do pesquisador, até 400 mil mortes poderiam ter sido evitadas até julho. Só a demora na compra de vacinas – que deixou o país para trás de outras nações na vacinação em dezembro e início de janeiro –, teria provocado 95.500 mortes evitáveis, segundo Hallal.

Nesta quinta-feira, a Fiocruz destacou em boletim a queda nos números de mortes e casos de covid-19 nas últimas semanas, mas por outro lado apontou que ainda é essencial manter em vigor medidas preventivas para impedir que as taxas de infecção e mortes voltem a aumentar. Entre as medidas citadas pela fundação estão uso de máscaras e distanciamento social, além dos passaportes sanitários – justamente três medidas que Bolsonaro vem combatendo.

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) pediu nesta sexta-feira que os gestores do SU) mantenham a obrigatoriedade do uso de máscaras de proteção facial. “É preciso que estejamos atentos às experiências frustrantes de alguns países que, acreditando ter superado os riscos, suspenderam a obrigatoriedade do uso de máscaras, afrouxaram as medidas de prevenção e, por isso mesmo, tiveram recrudescimento importante do número de casos e de óbitos, obrigando-os a retroceder”, disse.

No entanto, Bolsonaro, um adversário do uso de máscaras, vem demonstrando impaciência com a manutenção das regras e chegou a pressionar publicamente o Ministério da Saúde a elaborar um estudo que embase o fim da obrigatoriedade.

Sem mudança de rumo no governo

(Reprodução)

Enquanto líderes de outros países, como o ex-premiê israelense Benjamin Netanyahu ou a chanceler federal alemã Angela Merkel deram o exemplo ao se vacinar na frente das câmeras ou divulgando o feito, Bolsonaro continua a ser o único chefe de Estado ou de governo do G20 que ainda não se imunizou. Ele afirma, ainda, que não pretende fazê-lo, como se isso fosse um problema exclusivamente seu.

A atitude causou vexame internacional quando Bolsonaro viajou a Nova York para participar da abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas.

Sem possuir uma comprovação de vacinação, ele se viu barrado de áreas internas de restaurantes e foi alvo de críticas do prefeito da cidade. Num gesto de populismo para sua base radical, deixou-se fotografar comendo pizza na calçada com seus ministros.

O desleixo da comitiva com o coronavírus foi escancarado quando três membros da comitiva, incluindo o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, um diplomata do cerimonial e o deputado Eduardo Bolsonaro testaram positivo para covid-19 – no que pareceu uma repetição de uma viagem de Bolsonaro aos EUA em março de 2020, quando duas dezenas de membros da comitiva voltaram doentes.

Bolsonaro ainda usou a tribuna da ONU para defender mais uma vez seu pacote de drogas ineficazes contra a covid-19. “Não entendemos por que muitos países se colocaram contra o tratamento precoce. A história e a ciência saberão responsabilizar a todos”, disse na ocasião. Hoje, o “tratamento precoce” só é defendido mundo afora em círculos conspiracionistas e de extrema direita, além de Bolsonaro e seu círculo.

Queiroga ainda se destacou durante o périplo aos EUA por fazer um gesto obsceno a um grupo de manifestantes antibolsonaristas em Nova York. Em março, sua indicação ao posto de ministro da Saúde foi encarada com algum alívio por secretários estaduais de Saúde e até setores da imprensa, já que, ao contrário do seu antecessor, o general Eduardo Pazuello, ele tinha experiência na área de saúde.

No entanto, Queiroga já deu várias demonstrações de seguir o mesmo comportamento servil de Pazuello. O exemplo mais recente ocorreu em setembro, quando o presidente interveio pessoalmente no Ministério da Saúde para interromper a vacinação de adolescentes,  que vinha sendo realizada por estados e municípios. Segundo vários veículos da imprensa brasileira, Bolsonaro tomou a iniciativa após ouvir declarações de jornalistas de extrema direita da Rádio Jovem Pan que regularmente espalham mentiras e alimentam temores infundados sobre vacinas.

O ministro Queiroga, assim como havia ocorrido diversas vezes com seu antecessor Pazuello, aquiesceu às ordens sem base cientifica de Bolsonaro. O episódio exigiu intervenção do Supremo Tribunal Federal, o qual decidiu que estados e municípios têm autonomia para decidir sobre a imunização de adolescentes de 12 a 17 anos.

Diante desse histórico do governo e a persistência das atitudes negacionistas de Bolsonaro,na terça-feira, o relator da CPI da Pandemia, Renan Calheiros, declarou que vai indiciar o presidente Jair Bolsonaro e mais 29 indivíduos por ações e omissões durante a pandemia.

Ainda nesta quinta-feira, a CPI aprovou um requerimento para pedir esclarecimentos a Queiroga sobre o motivo de a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) ter retirado da pauta a análise de um relatório sobre o “tratamento precoce”.

Os senadores suspeitam que tenha sido feito algua pressão para que os técnicos deixassem de avaliar na data prevista o documento, que  aponta para a não utilização de cloroquina e ivermectina no tratamento da covid-19.

Incógnita em 2022

O ministro Marcelo Queiroga afirmou nesta semana que o governo federal está considerando para 2022 uma campanha de vacinação contra a covid-19. No entanto, ele não detalhou como o governo está negociando a compra de mais doses para imunizar os brasileiros e qual é o cronograma de entrega das doses.

As falas não foram consideradas tranquilizadores. No mesmo dia, a CPI da Pandemia aprovou um pedido de informações ao Ministério da Saúde sobre o planejamento para vacinação contra a covid-19 em 2022 e para que o órgão justifique sua intenção de descontinuar o uso da CoronaVac no próximo ano.  A CPI ainda aprovou um requerimento para que fabricantes de vacina informem sobre tratativas mantidas com o governo para o fornecimento de imunizantes  em 2022.

O temor de uma repetição do quadro do fim de 2020 e início de 2021, quando ficou claro que o governo não havia se esforçado para comprar vacinas de grandes laboratórios e em alguns casos até mesmo ignorou ofertas, também foi levantado no fim de agosto, quando o governo enviou o projeto de Orçamento de 2022 ao Congresso. O texto só reservava R$ 3,943 bilhões para a compra de vacinas contra a covid-19 – uma queda de 85% em comparação ao autorizado para 2021 (R$ 27,8 bilhões).

No segundo semestre de 2020, a equipe econômica do governo desdenhou de advertências de uma segunda onda da pandemia, enquanto o Ministério da Saúde, então sob o comando de Pazuello, ignorava ofertas de grandes laboratórios.

Em novembro, pouco mais de um mês antes de o Brasil cruzar a marca de 200 mil mortes, o secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, chegou a afirmar explicitamente, sem citar qualquer argumento cientifico, que a probabilidade de segunda onda da doença no país era “baixíssima”. Em dezembro, o ministro Paulo Guedes fez afirmações semelhantes, apesar da advertência de cientistas sobre novas ondas mortíferas da doença, que acabaram se concretizando.

Por Jean-Philip Struck, da Deutsche Welle

Sete em cada dez cidades não registraram mortes por covid-19 na última semana

Sete em cada dez cidades do estado de São Paulo (72%) não apresentaram mortes por covid-19 na última semana. A informação foi divulgada hoje (6) pelo governo estadual.

O estado tem 645 municípios, dos quais 467 não apresentaram mortes por covid-19 recentemente. Segundo o governador de São Paulo, João Doria, essa queda no número de mortes é resultado do avanço da vacinação.

Até este momento, cerca de 60% da população do estado já completou o esquema vacinal, ou seja, tomou a dose única da vacina da Janssen ou as duas doses das vacinas CoronaVac, AstraZeneca ou Pfizer.

Dose adicional

Em setembro, o estado paulista começou a aplicação da terceira dose, ou dose de reforço, em idosos acima de 60 anos. Já nesta semana, o estado deu início à aplicação da terceira dose para profissionais da área de saúde. A terceira dose tem sido aplicada nos grupos de maior risco para a doença, já que há uma queda na proteção das vacinas após seis meses da aplicação.

Durante entrevista coletiva do governo estadual, o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, aplicou a dose adicional da CoronaVac na enfermeira Mônica Calazans, a primeira pessoa a ser vacinada contra a covid-19 no Brasil, e no secretário estadual da saúde, Jean Gorinchteyn.

Especialistas e o Ministério da Saúde, no entanto, recomendam que a terceira dose seja de um imunizante diferente da CoronaVac, preferencialmente a Pfizer.

A terceira dose está sendo aplicada em todos os idosos e profissionais de saúde que tomaram a segunda dose há mais de seis meses.

Novo calendário

Idosos acima de 80 anos que tomaram a segunda dose no mês de abril podem procurar os postos de saúde para tomar a dose adicional a partir do dia 11 de outubro. Segundo a coordenadora do Programa Estadual de Imunizações, Regiane de Paula, essa dose adicional para aqueles que tomaram a vacina em abril será aplicada até o dia 7 de novembro.

A expectativa do governo é vacinar 2,7 milhões de pessoas nesse grupo. 

Pelo calendário, idosos acima de 80 anos que tomaram a segunda dose em abril, podem tomar a terceira dose entre os dias 11 e 17 de outubro. De 18 a 24 de outubro é a vez dos idosos entre 75 e 79 anos. Entre 25 e 31 de outubro, idosos com 70 e 74 anos. Entre 1 e 7 de novembro, idosos acima de 60 anos. Mas o governo orienta para a pessoa olhar a data de sua segunda dose. Somente após completado os seis meses é que o idoso deve procurar o posto de saúde para tomar a dose adicional. 

Por Agência Brasil

Nascidos em fevereiro e março podem sacar auxílio emergencial

Trabalhadores informais e inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) nascidos em fevereiro e março podem sacar, a partir de hoje (5), a sexta parcela do auxílio emergencial 2021. O dinheiro foi depositado nas contas poupança digitais da Caixa Econômica Federal nos últimos dias 22, para os aniversariantes de fevereiro, e 23, para os nascidos em março.

Os recursos também podem ser transferidos para uma conta corrente, sem custos para o usuário. Até agora, o dinheiro apenas podia ser movimentado por meio do aplicativo Caixa Tem, que permite o pagamento de contas domésticas (água, luz, telefone e gás), de boletos, compras em lojas virtuais ou compras com o código QR (versão avançada do código de barras) em maquininhas de estabelecimentos parceiros.

Em caso de dúvidas, a central telefônica 111 da Caixa funciona de segunda a domingo, das 7h às 22h. Além disso, o beneficiário pode consultar o site auxilio.caixa.gov.br. 

O auxílio emergencial foi criado em abril do ano passado pelo governo federal para atender pessoas vulneráveis afetadas pela pandemia de covid-19. Ele foi pago em cinco parcelas de R$ 600 ou R$ 1,2 mil para mães chefes de família monoparental e, depois, estendido até 31 de dezembro de 2020 em até quatro parcelas de R$ 300 ou R$ 600 cada.

Neste ano, a nova rodada de pagamentos, durante sete meses, tem parcelas de R$ 150 a R$ 375, dependendo do perfil: as famílias, em geral, recebem R$ 250; a família monoparental, chefiada por uma mulher, recebe R$ 375; e pessoas que moram sozinhas recebem R$ 150.

Regras

Pelas regras estabelecidas, o auxílio é pago às famílias com renda mensal total de até três salários mínimos, desde que a renda por pessoa seja inferior a meio salário mínimo. É necessário que o beneficiário já tenha sido considerado elegível até o mês de dezembro de 2020, pois não há nova fase de inscrições. Para quem recebe o Bolsa Família, continua valendo a regra do valor mais vantajoso, seja a parcela paga no programa social, seja a do auxílio emergencial.

O programa se encerraria com a quarta parcela, depositada em julho e sacada em agosto, mas foi prorrogado até este mês, com os mesmos valores para o benefício.

Agência Brasil elaborou um guia de perguntas e respostas sobre o auxílio emergencial. Entre as dúvidas que o beneficiário pode tirar estão os critérios para receber o benefício, a regularização do CPF e os critérios de desempate dentro da mesma família para ter acesso ao auxílio.

Por Wellton Máximo, da Agência Brasil
* Colaborou Andreia Verdélio

Rio de Janeiro pode desobrigar uso de máscaras

O uso de máscaras em ambientes ao ar livre, sem aglomeração, poderá ser desobrigado na cidade do Rio de Janeiro já no próximo dia 15. A previsão foi divulgada nesta segunda-feira (4) pelo prefeito Eduardo Paes. Ele se pronunciou pelo Twitter, citando ata do Comitê Científico da Prefeitura, do dia 9 de agosto, mas só divulgada hoje.

No documento, a segunda etapa de redução das medidas restritivas prevê que, com 65% da população com esquema vacinal completo, haverá desobrigação no uso de máscaras em locais abertos sem aglomeração, mantendo sua utilização obrigatória onde não se consiga manter o distanciamento.

Ainda na segunda etapa, está prevista a permissão para realização de eventos em locais abertos, com restrição até mil pessoas, com uso de máscara obrigatório. Também haverá abertura de boates, danceterias, casas de show e festas, em locais fechados, somente para pessoas com esquema vacinal completo, com 50% da capacidade do ambiente.

Na terceira etapa, prevista pelo prefeito para ocorrer em 15 de novembro, quando haveria 75% da população com esquema vacinal completo, haverá manutenção de máscaras somente em ambientes hospitalares e transporte público, com livre circulação, sem restrições de capacidade e distanciamento.

“Acreditamos que vamos atingir a segunda etapa em 15/10 e a terceira etapa em 15/11”, escreveu Paes, acrescentando que  “o Comitê Científico é composto por dois ex-ministros da Saúde, por um ex-secretário nacional de vigilância em saúde, além de representantes da UFRJ, UERJ, UNIRIO e Fiocruz! Eles é que dão o comando aqui, em conjunto com o secretário @danielsoranz”.

Por Agência Brasil