Presa, mãe do menino Henry está com covid-19

Monique Medeiros da Costa e Silva, mãe do menino Henry Borel

Presa por suspeita de envolvimento na morte do filho Henry Borel, de 4 anos, a professora Monique Medeiros Costa e Silva foi diagnosticada com covid-19. O menino, que morreu no dia 8 de março, apresentava sinais de agressão.

Segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) do Rio de Janeiro, após solicitar atendimento médico, Monique foi encaminhada ontem (19) ao Hospital Penal Hamilton Agostinho, no complexo de Gericinó, em Bangu, zona oeste do Rio. No local, ela foi diagnosticada com a covid-19 e ficará internada para fazer o acompanhamento médico, informou a Seap.

Monique estava presa desde o dia 8 de abril, no Instituto Penal Ismael Sirieiro, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio. Ainda no presídio de Niterói, onde teve o primeiro atendimento, Monique fez um exame rápido para verificar se estava com a doença. Diante do resultado foi feita a transferência e, conforme a Seap, ela vai permanecer em Bangu para receber o tratamento.

Inquérito

As investigações sobre o crime indicaram que a criança sofria agressões do namorado de Monique, o vereador Jairo Souza Santos Júnior (sem partido), conhecido como Dr. Jairinho. Monique, Henry e Jairinho em um condomínio da Barra da Tijuca.

Com uso do software israelense Cellebrite Premium, a Polícia Civil recuperou mensagens do celular de Monique trocadas no dia 12 de fevereiro com a babá Thayná Ferreira, nas quais esta revela que o menino estava sofrendo agressões de Jairinho, que o tinha trancado no quarto do casal. No dia 8 de março, as torturas durante a madrugada provocaram a morte da criança.

O vereador também foi preso no dia 8 de abril e está no Presídio Petrolino Werling de Oliveira, Bangu 8. Jairinho foi apontado como assassino do menino pelo delegado titular da 16ª DP, Henrique Damasceno, que preside as investigações. O casal é suspeito do crime de homicídio duplamente qualificado e tortura.

O delegado disse que não acredita na possibilidade de a mãe ter sofrido ameaças para deixar de relatar as agressões. Segundo Damasceno, não faltaram oportunidades para ela falar à polícia sobre a tortura praticada pelo namorado.

Por Cristina Índio do Brasil, da Agência Brasil

Após ameaça de greve, Estado vai vacinar motoristas e cobradores

(Rovena Rosa/Agência Brasil)

O Estado de São Paulo disse hoje (20) que vai vacinar motoristas e cobradores de ônibus municipais e intermunicipais de São Paulo. O anúncio ocorre um dia após a categoria ameaçar uma paralisação.

O início da imunização está previsto para 18 de maio. Segundo o Governo do Estado, a estimativa é de que 165 mil profissionais do setor recebam a proteção.

“Estamos esperando e sempre contamos com mais vacinas. Há alguma sinalização do Ministério da Saúde, mas contamos que a Fiocruz entregará as suas vacinas e, portanto, estaremos cumprindo esse cronograma e avançando em faixas etárias”, afirmou Regiane de Paula, Coordenadora Geral do Programa Estadual de Imunização.

CPTM e Metrô

Durante entrevista coletiva, o governador de São Paulo, João Doria, disse que profissionais do Metrô e da CPTM também vão começar a ser vacinados no próximo mês. No dia 11 de maio, começam a ser vacinados os funcionários da segurança, manutenção, limpeza e agentes de estação com 47 anos ou mais. Também poderão receber a dose todos os operadores de trem, independentemente da idade.

Ao todo, serão cerca de 10 mil pessoas.

Pesquisa mostra taxa maior de infecção de animais pela covid-19

(Arquivo/Ze Carlos Barretta/Agência Brasil)

Pesquisadores do Laboratório de Biologia Molecular do Instituto de Pesquisas Biomédicas do Hospital Naval Marcílio Dias, do Laboratório de Imunofarmacologia da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e médicos veterinários da Clínica Rio Vet avaliaram 311 animais domésticos para a covid-19.

O objetivo da pesquisa é verificar se animais domésticos, como cachorros e gatos, poderiam ser infectados pelo SARS-CoV-2. “E, sendo possível a infecção, identificar quais mutações foram necessárias para a passagem do vírus entre as espécies”, informou à Agência Brasil a veterinária Luciana Myashiro, da Rio Vet, responsável técnica pelo projeto.

Dos 311 animais, 251 eram cães e 60 eram gatos, todos da região de São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Do total, 26 animais (19 cachorros e 6 gatos) estavam infectados pelo vírus da covid-19 e apresentavam sintomas gripais, mas a maioria estava assintomática.

Segundo  a bióloga virologista do hospital, primeiro-tenente Shana Barroso, a técnica usada na análise foi a RT-qPCR. Os resultados preliminares, que mostram uma taxa de infecção dos animais pelo SARS-CoV-2 maior do que as relatadas em trabalhos já publicados, podem contribuir de forma relevante para o entendimento da infecção de cães e gatos pelo vírus, afirmam os pesquisadores.

Investigação

O estudo completo prevê a investigação de cães e gatos domésticos infectados por SARS-CoV-2, verifica a presença de anticorpos contra o vírus e se estes são capazes de neutralizar o vírus. “Faremos também o sequenciamento do material genético viral encontrado nos animais para avaliar possíveis mutações ou a presença de variantes”. Por fim, será feita a detecção de anticorpos IgM e IgG, que são reagentes positivo e negativo, respectivamente. Os tutores serão indagados sobre histórico de covid-19 em pessoas que tenham contato próximo aos animais.

Luciana Miashiro explicou que São João de Meriti foi escolhido para dar partida à pesquisa por ser a terceira cidade com maior densidade populacional do Brasil. “Estima-se que [o município] tenha 85 mil animais. Além disso, estávamos em busca de uma clínica [em] que os profissionais abraçassem a pesquisa e acreditassem na sua importância e que tivesse credibilidade no mercado”. Segundo Luciana, avaliações positivas em sites especializados levaram à Clínica Rio Vet, que aceitou entusiasmada colaborar com o projeto.

O teste molecular para detecção do novo vírus é oferecido aos tutores que levam os cães e gatos para consulta ou atualização do calendário de vacinação. Após a assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido de que a pesquisa foi previamente aprovada pela Comissão de Ética no Uso de Animais (CEUA) do Hospital Naval Marcílio Dias, o material é coletado para análise, majoritariamente via swab retal.

Transmissão

Luciana disse que o número de casos positivos encontrados pela pesquisa é alto, quando comparado ao de estudos similares já publicados em revistas internacionais. A veterinária destacou, entretanto, que todas as pesquisas publicadas até hoje mostram chances praticamente nulas de transmissão do vírus de animais domésticos para humanos. “Até agora, não temos conhecimento de evidências científicas de que os animais domésticos poderiam se tornar reservatórios do SARS-Cov-2.” de ainda não há comprovação de que a doença possa causar morte nos animais.

A pesquisa foi uma das selecionadas pela chamada emergencial da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro e recebeu aporte financeiro de R$ 250 mil. O estudo será ampliado para mais quatro regiões do Rio de Janeiro que ainda não foram definidas.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), animais domésticos não transmitem a covid-19 para seus donos, mas estes são capazes de transmiti-la aos animais que, de uma forma geral, têm um bom desfecho. Estudos da literatura já identificaram o SARS-CoV-2 em tigres e leões de zoológicos, informaram os pesquisadores.

Por Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil 

Pessoas com Síndrome de Down e transplantadas serão vacinadas em maio

As pessoas com Síndrome de Down, transplantadas e com problemas renais que fazem hemodiálise serão vacinadas no próximo mês. O anúncio foi feito hoje (20) pelo governador de São Paulo, João Doria.

Os três públicos incluídos como prioritários, somados, totalizam cerca de 120 mil pessoas no Estado. A data de início da vacinação será 10 de maio.

A maior parte é formada pelas pessoas com Síndrome de Down, com 50 mil paulistas. Já os pacientes com problemas renais, que fazem tratamento por hemodiálise, somam 40 mil em todo Estado, e os transplantados em uso de imunossupressores são 30 mil pessoas.

Nesses três grupos, serão aplicadas doses em pessoas adultas, na faixa de 18 a 59 anos, pois idosos pertencentes a esses públicos já estão contemplados nas etapas previamente anunciadas. O Estado também anunciou a inclusão de profissionais do Metrô e da CPTM, além de motoristas e cobradores de ônibus entre as prioridades para vacinação, e vão começar a ser imunizados também em maio.

Já a vacinação para quem tem 64 anos foi antecipada para a próxima sexta-feira (23).

*Com Gov. do Estado de SP

Remédio para tratar covid-19 é liberado pela Avisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou hoje (20), em Brasília, a liberação para uso emergencial de dois medicamentos experimentais da farmacêutica suíça Roche contra a covid-19, desenvolvidos em parceria com a empresa de biotecnologia americana Regeneron. 

Os remédios, contendo casirivimabe e imdevimabe (REGN-COV-2), atuam em ligação com a coroa do vírus de forma a impedir sua entrada nas células ainda não infectadas para replicar o material genético, controlando a doença.

A medicação é indicada especialmente para pacientes que estão em idade avançada, obesos, que tenham doença cardiovascular, hipertensão, doença pulmonar crônica, aids, diabetes, doenças respiratórias, doença renal crônica e doença hepática, entre outras comorbidades e que apresentam alto risco de desenvolver progressão para um quadro grave da covid-19.

Segundo a Anvisa, o medicamento será de uso restrito a hospitais, para uso ambulatorial, ou seja, para pacientes que apresentam sintomas leves da doença, sendo administrado somente com prescrição médica. O medicamento não é recomendado para uso precoce ou preventivo. Também não será permitida a sua comercialização ou venda em farmácias.

O coquetel foi liberado para ser administrado em pacientes a partir de 12 anos, que pesem mais de 40 kg, que não necessitem de suplementação de oxigênio e não apresentem o quadro grave da doença. A aplicação é intravenosa e deve ser administrada logo após a confirmação, por meio de teste viral, até dez dias após o início dos sintomas.

Segundo o gerente-geral de Medicamentos e Produtos Biológicos da Anvisa, Gustavo Silva Santos, o coquetel usa dois anticorpos monoclonais que trabalham para neutralizar o vírus, fornecendo “anticorpos extras” para os pacientes.

“A ideia desse produto é que nesses pacientes se mimetize o que seria a resposta imune natural dos anticorpos produzidos em células e que essa produção extra-humana de anticorpos ajude a promover a ação imunológica”, disse. 

“[Mas] esse produto não é recomendado para quem já está na situação grave da doença. Para aqueles que já estão internados se observa uma piora no desfecho clínico quando administrado em pacientes hospitalizados com covid-19 que necessitam de suplementação de oxigênio de alto fluxo ou ventilação mecânica”, acrescentou.

Redução de 70,4% na hospitalização

Santos apresentou dados das pesquisas dos medicamentos e disse que os resultados preliminares em pacientes ambulatoriais, desde o diagnóstico da doença até 29 dias após início do tratamento, mostraram uma redução de 70,4% na hospitalização ou morte relacionadas com a covid-19.

“O que a gente percebeu foi uma redução significativa e clinicamente relevante de 70,4% no número de pacientes hospitalizados ou morte por quaisquer causas quando comparado com o placebo”, disse. “Ele foi muito bem tolerado, tem um perfil de segurança aceitável.

O pedido para o uso dos medicamentos foi feito pela Roche em 1º de abril. A diretora da Anvisa e relatora do processo de liberação do medicamento, Meire Sousa Freitas, lembrou que ele já foi aprovado para uso emergencial pela Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, após apresentar bons resultados em pacientes com sintomas leves e moderados da covid-19.

A Anvisa aprovou um prazo de validade de 12 meses para os medicamentos, por se tratar de uso emergencial. A relatora lembrou que a agência também já liberou, em março, o uso do antiviral Remdesivir, produzido pela biofarmacêutica Gilead Sciences, para o tratamento da covid-19, e que a nova autorização vai ajudar a aliviar o sistema de saúde do país.

“A autorização emergencial desses anticorpos monoclonais oferece aos profissionais de saúde mais uma ferramenta no combate a essa pandemia”, disse.

Meire lembrou que a autorização é de uso emergencial, por se tratar de um medicamento ainda em desenvolvimento, e que o processo de aprovação do registro definitivo ainda precisa de mais pesquisas e investigação clínica.

Ela alertou ainda que não há pesquisas tratando da aplicação de vacinas contra a covid-19 em pacientes que foram submetidos ao novo medicamento e que a recomendação é de que o paciente deve aguardar um período de 90 dias após a administração do medicamento para tomar a vacina.

“Atualmente não há dados sobre a segurança e eficácia das vacinas autorizadas pela Anvisa em pessoas que receberam esses anticorpos monoclonais como parte do tratamento da covid-19. Portanto, antes de se vacinar o paciente deve ser avaliado pelo médico”, finalizou.

Por Luciano Nascimento, da Agência Brasil

PF faz buscas em cidades paulistas contra desvios de recursos contra a covid-19

A Polícia Federal (PF) cumpre hoje (20) mandados de prisão contra cinco pessoas e 38 ordens de busca e apreensão na Operação Contágio, que apura o desvio de recursos públicos destinados ao combate da covid-19. Os mandados foram cumpridos nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

As ações têm como alvo os municípios de Hortolândia (interior paulista), Embu das Artes e Itapecerica da Serra, esse dois últimos na Grande São Paulo. A investigação foi iniciada a partir de informações fornecidas pela Controladoria-Geral da União (CGU) que indicam que esses municípios contrataram uma organização social (OS) sem capacidade técnica para prestação de serviços na área da saúde.

Segundo a PF, os contratos sob investigação têm valor total de mais de R$ 100 milhões. Alguns desses contratos foram assinados de forma emergencial para atender os pacientes de covid-19.

De acordo com as investigações, a OS subcontratou empresas recém-criadas, também sem experiência na área, para a execução dos serviços demandados pelos municípios. A partir dessas empresas foram sacados, em dinheiro, R$ 18 milhões, em retiradas fracionadas, segundo a PF, para burlar os mecanismos de controle.

Ainda de acordo com a polícia, os saques eram feitos sob escolta de um guarda civil municipal, que também era sócio de uma das empresas.

Por Daniel Mello – Repórter da Agência Brasil

Profissionais da saúde com mais de 47 anos são vacinados

Começa nesta segunda-feira (19) a vacinação do grupo prioritário formado por trabalhadores dos serviços da área de saúde com 47, 48 e 49 anos na capital paulista. O público-alvo é de cerca de 40 mil pessoas.

Trabalhadores dos serviços de saúde são todos aqueles que atuam em espaços e estabelecimentos de assistência e vigilância à saúde, sejam eles hospitais, clínicas, ambulatórios, laboratórios e outros locais. 

Têm prioridade neste momento médicos; enfermeiros/técnicos e auxiliares; nutricionistas; fisioterapeutas/ terapeutas ocupacionais; biólogos; biomédicos/técnicos de laboratório que façam coleta de RT-PCR SARS CoV2 e análise de amostra de covid-19; farmacêuticos/técnico de farmácia; odontólogos/ASB (auxiliar de saúde bucal) e TSB (técnico de saúde bucal; fonoaudiólogos; psicólogos; assistentes sociais; profissionais da educação física e médicos veterinários.

Toda a rede de vacinação da cidade – inclusive as 468 unidades básicas de Saúde (UBS) – está disponível aos públicos elegíveis da campanha, o que inclui pessoas de grupos prioritários anteriores que ainda não iniciaram ou completaram o esquema vacinal.

A Secretaria Municipal de Saúde alerta que, mesmo após a vacinação, as pessoas devem manter as regras de distanciamento social, o uso de máscaras e a lavagem constante das mãos. O uso de álcool em gel também segue indispensável.

A secretaria recomenda ainda que as pessoas busquem a vacina de maneira gradual, evitando aglomerações nos postos da capital e preenchendo o pré-cadastro no site Vacina Já, a fim de agilizar o tempo de atendimento para imunização.

Informações também podem ser obtidas acessando o link Vacina Sampa.

Por Ludmilla Souza – Repórter da Agência Brasil 

TCU acusa governo de omissão e abuso de poder no combate a pandemia

Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde

Um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) concluído neste mês de abril acusa o Ministério da Saúde de abuso de poder, ineficácia e omissãodurante o combate a pandemia da Covid-19. Segundo o documento, o governo alterou documentos para se eximir da responsabilidade de comandar as ações ao longo do último ano. 

O material levantado pelo TCU será uma das prioridades da CPI da Covid-19, instalada no Senado na última terça-feira (13). Diante dessas acusações, devem ser convocados os ex-ministros Eduardo Pazuello (Saúde), Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Fernando Azevedo (Defesa).

Segundo o documento, o TCU fez uma reunião com o Ministério em 19 de março para tratar da falta de medicamentos de intubação para pacientes em estado grave da Covid-19. Os funcionários do Tribunal de Contas relatam que a Pasta não tinha o controle ideal dos medicamentos.

“Os trabalhos de controle e monitoramento do Ministério da Saúde para os medicamentos de IOT foram ineficazes por falta de controle em tempo real e de sistema apropriado e, principalmente, por desconsiderarem o agravamento da crise, as condições sanitárias do país e as reais necessidades das secretarias de saúde” diz o TCU no relatório. 

Outra questão de destaque no documento foi em relação ao “envio linear a todos os estados” de dois medicamentos para intubação, o propofol e atracúrio. Durante uma análise, se chegou a conclusão de que o Ministério não levou em consideração a diferença no número de leitos de estado para estado. 

Acusação de abuso de poder 

O TCU também faz acusações de abuso de poder e omissão por parte do Ministério da Saúde no monitoramento do “kit intubação”. Segundo relatório, a Pasta teria aberto mão de assumir a liderança nas ações da pandemia ao delegar essas funções a estados e municípios e não realizar as campanhas publicitárias. 

Em análise feita pelos fiscais, “as ações da Pasta implicaram exclusões de responsabilidades relacionadas ao monitoramento” do chamado “kit intubação”. 

“Havia a expectativa de que o Plano Nacional de Contingência tivesse sido aprimorado (…) por critérios que pudessem fortalecer a atuação do órgão central na liderança e na coordenação nacional da crise. Porém, ao reverso, a modificação do plano representou a exclusão de competências do Ministério da Saúde relacionadas à coordenação da Emergência em Saúde Pública”, diz o relatório.

O site da Cultura entrou em contato com o Ministério da Saúde para obter um posicionamento sobre o relatório. Até o fechamento da matéria, não houve resposta.

Por TV Cultura

Uso de máscara ao ar livre deixa de ser obrigatório em Israel

Benjamin Netanyahu, Primeiro-ministro, visita escola em Israel (Kobi Gideon/via Fotos Públicas)

Pela primeira vez em um ano, os israelenses puderam sair às ruas sem máscara neste domingo (18/04) – um passo importante em direção a relativa normalidade em tempos de pandemia, enquanto a vacinação em massa contra a covid-19 avança com rapidez no país.

Cerca de 81% dos cidadãos e residentes com mais de 16 anos já receberam as duas doses do imunizante em Israel – o país autorizou o uso da vacina da Pfizer-Biontech para essa faixa etária. Isso significa que mais da metade de toda a população israelense foi imunizada.

Com o avanço da campanha de vacinação, os números de contágio e hospitalizações caíram drasticamente, permitindo a flexibilização de algumas medidas antipandemia. Na última quinta-feira, o Ministério da Saúde israelense anunciou que o uso de máscaras não seria mais obrigatório em espaços públicos ao ar livre a partir deste domingo, um ano depois de a medida ter sido imposta no país de 9,3 milhões de habitantes.

A pasta reiterou, contudo, que a exigência de proteção facial ainda se aplica a espaços públicos fechados, e pediu aos cidadãos que tenham sempre máscaras à mão.

“Respirando livremente”, dizia a manchete na capa do jornal Israel Hayom deste domingo.

“Estar sem máscara pela primeira vez em muito tempo parece esquisito. Mas é um esquisito muito bom”, afirmou Amitai Hallgarten, de 19 anos, à agência de notícias Reuters, enquanto pegava sol em um parque. “Se eu preciso usar máscara em lugares fechados para acabar com isso [a pandemia], vou fazer tudo que eu puder.”

A vacinação com as duas doses de quase 5 milhões de pessoas fez com que o número de casos de covid-19 em Israel caísse de cerca de 10.000 novas infecções por dia em meados de janeiro para cerca de 200 casos diários atualmente. Isso permitiu a reabertura de escolas, bares e restaurantes, bem como a permissão de outras reuniões em locais fechados.

Outras medidas

Também neste domingo, Israel permitiu a retomada completa de seu sistema educacional, sem restrições ao número de alunos nas salas de aula. Os professores foram instruídos a continuar ventilando as salas e manter o distanciamento físico entre os alunos durante as aulas e nos intervalos. Atividades extracurriculares, como teatro, permanecem proibidas.

Falando em uma escola de ensino médio em Jerusalém, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que este é um dia de “festa” para as escolas, mas fez um apelo por precaução.

“Ainda não acabamos com o coronavírus. Ele ainda pode voltar”, disse o chefe de governo, destacando que o país ainda precisa realizar “milhões de vacinações”.

O país segue impondo outras restrições contra a covid-19, como a entrada de estrangeiros, que ainda permanece limitada. Israelenses não vacinados que retornam do exterior também precisam fazer quarentena, devido a temores de que novas variantes do vírus prejudiquem a vacinação.

O Ministério da Saúde israelense informou ter identificado no país sete casos de uma nova variante originária da Índia, cujo poder de contágio ainda está sendo avaliado.

Situação é outra para os palestinos

A situação em Israel contrasta fortemente com o que se observa na Cisjordânia ocupada e na Faixa de Gaza, onde as taxas de infecção permanecem altas e as imunizações são baixas.

Gaza, que é governada pelo movimento islâmico Hamas, disse neste domingo que registrou um recorde de 23 mortes ligadas ao coronavírus nas últimas 24 horas, somando agora 761 óbitos desde o início da pandemia.

Grupos de direitos humanos pediram a Israel que fornecesse vacinas aos 5,2 milhões de palestinos que vivem em Gaza e na Cisjordânia ocupada, mas o governo israelense argumenta que isso é responsabilidade da Autoridade Nacional Palestina.

O país, por outro lado, diz ter vacinado mais de 105 mil trabalhadores palestinos que possuem permissão para trabalhar em Israel e nos assentamentos.

Por Deutsche Welle

ek (AFP, Reuters, Efe)

Lockdown em Araraquara reduziu casos, internações e mortes

Blitz realizada para fiscalizar cumprimento do lockdown (Pref. de Araraquara/Reprodução)

lockdown decretado em Araraquara, no interior paulista, foi capaz de diminuir os indicadores relativos à disseminação da covid-19 no município, revelam dados da prefeitura. O confinamento foi de 21 de fevereiro a 2 de março, e houve queda no número de diagnósticos positivos da doença, internações e óbitos.

Os dados da prefeitura comparam os indicadores entre o primeiro dia do lockdown, 21 de fevereiro, e o dia 11 de abril, 50 dias após o início do “fechamento” da cidade. O número de casos confirmados em 15 dias caiu 66,2%: de 2.361 (de 7 de fevereiro a 21 de fevereiro), para 799 (de 30 de março a 11 de abril).

“Não tem a menor dúvida de que o lockdown foi a arma mais eficiente” para reduzir os números, disse a secretária de Saúde de Araraquara, Eliana Honain. O município não tinha condições de vacinar a população em massa, e o outro mecanismo para aliviar a situação era o isolamento social, que realmente mostrou-se efetivo para conter e diminuir a transmissão, destacou a secretária.

No lockdown realizado em Araraquara, estavam autorizadas a funcionar apenas farmácias e unidades de saúde de urgência e emergência. Foi proibida a circulação de veículos e de pessoas na cidade. Era permitido sair de casa apenas para aquisição de medicamentos, obtenção de atendimento ou socorro médico para pessoas ou animais e serviços de urgência ou necessidades inadiáveis.

Também foram proibidas todas as atividades comerciais, incluindo postos de combustível, supermercados, que podiam funcionar apenas para delivery, prestação de serviços (inclusive agências bancárias) e industriais, seja por atendimento presencial ou para prática de atividades internas, externas, produtivas, de manutenção, de limpeza ou outra de qualquer natureza, exceto segurança. O transporte coletivo também não circulou no período.

“O lockdown valeu a pena porque foi feito por um período de dez dias. Há quanto tempo nós estamos nessa fase emergencial e na vermelha, e não conseguimos os resultados que a gente conseguiu com dez dias?”, questionou a secretária.

As fases Emergencial e Vermelha do Plano São Paulo, a que a secretária se referiu, têm medidas menos restritivas que o lockdown, com permissão, por exemplo, para funcionamento de supermercados e circulação de pessoas nas ruas.

Internações e mortes

O número de internações caiu 24% em Araraquara: eram 218 pessoas em 21 de fevereiro e 165, no último dia 11. O total de mortes por covid-19 na cidade também teve queda expressiva: 62%. A doença matou 42 pessoas nos 15 dias anteriores ao confinamento. No período de 29 de março a 11 de abril, foram 16 vítimas.

“O primeiro sintoma de que o lockdown deu certo é o início da diminuição do número de casos. Consequentemente, começam a diminuir as internações e os óbitos”, ressaltou a secretária de Saúde.

Alerta

Apesar da melhora no cenário epidemiológico do município, que chegou a ficar com todas os leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) para covid-19 ocupados em fevereiro, Eliana Honain destacou que a situação atual exige “alerta total”. No último boletim divulgado pela prefeitura, na sexta-feira (16), a ocupação dos leitos de UTI estava em 91%.

A secretária afirmou que, se as contaminações voltarem a subir, novo lockdown será realizado no município. “Estamos em total sinal de alerta”, enfatizou Eliana. Ela informou que estão sendo estudados critérios para fechar de novo, se for atingido o percentual de 30% de pessoas com diagnóstico positivo entre as que são testadas diariamente na cidade.

“É difícil ter uma reabertura com controle muito rígido”, disse a secretária. “A gente sabe que, a partir do momento em que se faz a abertura, aumenta o número de contaminados.A transmissão volta porque não se conseguiu, em nenhum momento, zerar [a transmissão] no país”, acrescentou.

Por Bruno Bocchini – Repórter da Agência Brasil