OMS anuncia erradicação da Pólio no continente africano

Foto tirada em 2014 mostra crianças sendo imunizadas contra a Pólio
(Arquivo/JC McIlwaine/Nações Unidas/via Fotos Públicas)

A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou nesta terça-feira (25/08) a erradicação do vírus causador da poliomielite no continente africano, após décadas de campanha para eliminar a doença em todo o mundo.

“Hoje é um dia histórico para a África”, disse Rose Gana Fomban Leke, integrante da comissão que certificou o fim das ocorrências de casos de pólio nos últimos quatro anos, o período limite para que se possa declarar a erradicação de uma doença infecciosa. 

A poliomielite, também conhecida como paralisia infantil, se junta à varíola na lista das viroses que foram varridas do continente, afirmou a OMS.

Desde 1996, os esforços para erradicação do poliovírus evitaram que 1,8 milhão de crianças tivessem contraído a doença que causa a paralisia infantil, e aproximadamente 180 mil vidas foram salvas, segundo a OMS.

A poliomielite é uma doença infecciosa aguda e contagiosa que ataca a medula espinhal e causa paralisias irreversíveis em crianças. Era uma doença endêmica em todo o mundo até a descoberta de uma vacina nos anos 1950, que ainda estava fora do alcance de várias nações mais pobres na África e na Ásia. 

Em 1988, a OMS, juntamente com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o Rotary, deu início a uma campanha mundial de erradicação da doença, Naquele ano, foram registrados 350 mil casos em todo o planeta. Em 1996, era mais de 70 mil infecções apenas na África.

Graças os esforços globais e ao apoio financeiro obtido pelas organizações – em torno de 19 bilhões de dólares em mais de 30 anos – apenas o Afeganistão e o Paquistão tiveram casos da doença registrados este ano. No total, foram 87 ocorrências.

O poliovírus é transmitido, normalmente, através das fezes de infectados e pode se espalhar através da água e de alimentos. As vacinas conseguem romper esse ciclo de transmissão.

O último caso de pólio na África foi registrado em 2016 na Nigéria, onde a vacinação enfrentava forte oposição de grupos jihadistas que acreditavam que o objetivo seria esterilizar muçulmanos. Mais de 20 profissionais que trabalhavam na vacinação foram mortos.

“Este é um marco histórico para a África. Agora, as futuras gerações de crianças africanas podem viver livre da poliomielite selvagem”, comemorou o diretor regional na OMS para a África, Matshidiso Moeti. Ele agradeceu o envolvimento de governos, comunidades, parceiros e doadores, além dos profissionais de saúde na linha de frente da vacinação.

RC/afp/ap

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Promotoria vai investigar baixa adesão à vacina contra paralisia infantil

(Arquivo/Agência Brasil)

O Ministério Público de São Paulo abriu um inquérito para apurar o baixo índice de vacinação infantil em São Paulo. A portaria de instauração do inquérito foi aberta hoje (25) pela promotora de Justiça Luciana Bergamo, que atua na Promotoria da Infância e Juventude da capital.

O inquérito pretende apurar, por exemplo, por que a cobertura vacinal de poliomielite em crianças menores de um ano é de apenas 30,6% na capital paulista, segundo dados coletados junto ao Ministério da Saúde. Mas a promotora pretende investigar ainda por que a cobertura vacinal para outras doenças também está baixa.

Luciana encaminhou pedidos às secretarias municipal e estadual de Saúde de São Paulo para que elas prestem esclarecimentos iniciais sobre as vacinas que são recomendadas à população infanto-juvenil, sobre os índices de cobertura da vacinação nos últimos cinco anos e as medidas que estão sendo tomadas em relação ao baixo índice de vacinação. A promotora também pretende ouvir algumas associações e entidades médicas sobre o assunto.

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que ainda não foi notificada pelo Ministério Público, mas que está à disposição para prestar os esclarecimentos necessários. A secretaria informou ainda que a cobertura contra a poliomielite na capital paulista, no ano passado, atingiu 84,8% de cobertura, superior aos dados divulgados pelo Ministério da Saúde, embora ainda esteja abaixo da meta de 95% estabelecida pelo órgão, “o que coloca o município em situação de risco para transmissão da doença”.

A divergência entre os dados da secretaria e do ministério, informou, se deve à utilização de sistemas de informação diferentes para o registro das doses aplicadas. “Cabe esclarecer que a diferença nos dados divulgados pelo Ministério da Saúde (MS) se deve ao fato de a secretaria dispor de sistema de informação próprio para registro nominal de doses aplicadas, o SIGA Módulo vacina. Já o MS obtém os dados de cobertura vacinal por meio de outro sistema de informação, o SIPNI (Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações). A partir de janeiro de 2016, os dados do sistema SIGA migraram para o SIPNI. No entanto, o município tem enfrentado dificuldades com a inoperabilidade dos dados do SIGA para o SIPNI, o que foi agravado com a nova versão do SIPNI”, falou.

A secretaria informou ainda que segue as orientações do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde. “Apesar de todos os esforços da pasta em ampliar a cobertura vacinal, a tendência nacional tem sido de queda”.

A Secretaria Estadual da Saúde informou que não foi notificada.

(Elaine Patricia Cruz/Agência Brasil)

Veja as doenças que voltaram a ameaçar o Brasil

Os primeiros sinais de queda nas coberturas vacinais em todo o país começaram a aparecer ainda em 2016. De lá para cá, doenças já erradicadas voltaram a ser motivo de preocupação entre autoridades sanitárias e profissionais de saúde. Amazonas, Roraima, Rio Grande do Sul, Rondônia e Rio de Janeiro são alguns dos estados que já confirmaram casos de sarampo este ano. Em 2016, o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) o certificado de eliminação da circulação do vírus.

Dados do Ministério da Saúde mostram que a aplicação de todas as vacinas do calendário adulto está abaixo da meta no Brasil – incluindo a dose que protege contra o sarampo. Entre as crianças, a situação não é muito diferente – em 2017, apenas a BCG, que protege contra a tuberculose e é aplicada ainda na maternidade, atingia a meta de 90% de imunização. Em 312 municípios, menos de 50% das crianças foram vacinadas contra a poliomielite. Apesar de erradicada no país desde 1990, a doença ainda é endêmica em três países – Nigéria, Afeganistão e Paquistão.

O grupo de doenças pode voltar a circular no Brasil caso a cobertura vacinal, sobretudo entre crianças, não aumente. O alerta é da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), que defende uma taxa de imunização de 95% do público-alvo. O próprio Ministério da Saúde, por meio de comunicado, destacou que as baixas coberturas vacinais identificadas em todo o país acendem o que chamou de “luz vermelha”.

Confira as principais doenças que ensaiam um retorno ao Brasil caso as taxas de vacinação não sejam ampliadas.

Sarampo

O sarampo é uma doença infecciosa aguda, de natureza viral, grave, transmissível e extremamente contagiosa. Complicações infecciosas contribuem para a gravidade do quadro, particularmente em crianças desnutridas e menores de um 1 ano de idade.

Os sintomas incluem febre alta acima de 38,5°C; erupções na pele; tosse; coriza; conjuntivite; e manchas brancas que aparecem na mucosa bucal, conhecidas como sinais de Koplik e que antecedem de um a dois dias antes do aparecimento da erupção cutânea.

A transmissão do sarampo acontece de quatro a seis dias antes e até quatro dias após o aparecimento do exantema (erupção cutânea). O período de maior transmissibilidade ocorre dois dias antes e dois dias após o início da erupção cutânea.

Poliomielite

Causada por um vírus que vive no intestino, o poliovírus, a poliomielite geralmente atinge crianças com menos de 4 anos de idade, mas também pode contaminar adultos.

A maior parte das infecções apresenta poucos sintomas e há semelhanças com as infecções respiratórias como febre e dor de garganta, além das gastrointestinais, náusea, vômito e prisão de ventre.

Cerca de 1% dos infectados pelo vírus pode desenvolver a forma paralítica da doença, que pode causar sequelas permanentes, insuficiência respiratória e, em alguns casos, levar à morte.

Rubéola

A rubéola é uma doença aguda, de alta contagiosidade, transmitida pelo vírus do gênero Rubivirus. A doença também é conhecida como sarampo alemão.

No campo das doenças infectocontagiosas, a importância epidemiológica da rubéola está associada à síndrome da rubéola congênita, que atinge o feto ou o recém-nascido cujas mães se infectaram durante a gestação. A infecção na gravidez acarreta inúmeras complicações para a mãe, como aborto e natimorto (feto expulso morto) e para os recém-nascidos, como surdez, malformações cardíacas e lesões oculares.

Os sintomas da rubéola incluem febre baixa e inchaço dos nódulos linfáticos, acompanhados de exantema. A transmissão acontece de pessoa para pessoa, por meio das secreções expelidas pelo doente ao tossir, respirar, falar ou respirar.

Difteria

Doença transmissível aguda causada por bacilo que frequentemente se aloja nas amígdalas, na faringe, na laringe, no nariz e, ocasionalmente, em outras mucosas e na pele. A presença de placas branco-acinzentadas, aderentes, que se instalam nas amígdalas e invadem estruturas vizinhas é a manifestação clínica típica da difteria.

A transmissão acontece ao falar, tossir, espirrar ou por lesões na pele. Portanto, pelo contato direto com a pessoa doente. O período de incubação da difteria é, em geral, de um a seis dias, podendo ser mais longo. Já o período de transmissibilidade dura, em média, até duas semanas após o início dos sintomas.

(Paula Laboissière/Agência Brasil)

Paralisia Infantil: Mais de 300 Cidades Com Risco de Surto da Doença

Há 312 municípios no país, especialmente na Bahia, com risco de surto de poliomielite, alertou neste fim de semana o Ministério da Saúde. Há 28 anos o Brasil não registra casos da doença. No entanto, o risco de a doença retornar é grande por causa da resistência de pais e mães em vacinarem os filhos. A ameaça, segundo o ministério, existe em todos os locais com coberturas abaixo de 95%, mas está mais crítica nessas 312 localidades.

O Ministério da Saúde orienta os gestores locais a organizar as redes de prevenção, inclusive com a possibilidade de readequação de horários mais compatíveis com a rotina da população brasileira. A pasta também recomenda o reforço das parcerias com creches e escolas, ambientes que potencializam a mobilização sobre a vacina por envolverem as famílias.

Vacinar a criança contra a Poliomielite é a única forma de evitar a doença (Foto: Arquivo/ Agência Brasil)

Doença

Causada por um vírus que vive no intestino, o poliovírus, a poliomelite geralmente atinge crianças com menos de 4 anos, mas também pode contaminar adultos.

A maior parte das infecções apresenta poucos sintomas e há semelhanças com as infecções respiratórias com febre e dor de garganta, além das gastrointestinais, náusea, vômito e prisão de ventre.

Cerca de 1% dos infectados pelo vírus pode desenvolver a forma paralítica da doença, que pode causar sequelas permanentes, insuficiência respiratória e, em alguns casos, levar à morte.

Transmissão e Prevenção

A poliomielite não tem tratamento específico. A transmissão pode ocorrer de uma pessoa para outra por meio de saliva e fezes, assim como água e alimentos contaminados.

No entanto, a doença deve ser prevenida por meio da vacinação. A vacina é aplicada nos postos da rede pública de saúde. Há ainda as campanhas nacionais.

A vacina contra a poliomielite oral trivalente deve ser administrada aos 2, 4 e 6 meses de vida. O primeiro reforço é feito aos 15 meses e o outro entre 4 e 6 anos de idade. Também é necessário vacinar-se em todas as campanhas. A próxima Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite ocorrerá de 6 a 31 de agosto.

O Brasil está livre da poliomielite desde 1990. Em 1994, o país recebeu, da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), a certificação de área livre de circulação do poliovírus selvagem.

 

(Texto: Agência Brasil)