Suspeito tenta fugir, troca tiros com PMs e é baleado

Um criminoso procurado pela Justiça e ligado à facção PCC, segundo a polícia, morreu em troca de tiros com policiais militares na região do Jaguaré, Zona Oeste de São Paulo. No início da noite desta terça-feira (26), Pms faziam patrulhamento quando desconfiaram do motorista de um veículo e resolveram fazer a abordagem. O condutor, no entanto, acelerou ao perceber a aproximação da viatura, dando início a uma perseguição que terminaria minutos depois na Rua Barcelona, próximo à Avenida Presidente Altino.

No local, o suspeito foi interceptado e teria atirado em direção aos policiais, que reagiram. No revide, o bandido acabou sendo baleado e morreu quando era levado pelo Corpo de Bombeiros para o Hospital Regional de Osasco, cidade da região metropolitana que está no limite de município com o bairro.

De acordo com a Polícia Militar, o criminoso, identificado posteriormente como sendo Gabriel Almeida Novaes, conhecido por “Biel”, ocupava um cargo na hierarquia na facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios do Estado. O caso foi comunicado ao delegado plantonista do (91º) Distrito Policial da Vila Leopoldina e registrado como “morte decorrente de oposição à intervenção policial” no DHPP, o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, que vai investigar a ação dos militares.

*Com informações de Paulo Édson Fiore, da Jovem Pan

Operação prende suspeitos de ligação com PCC no litoral

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou, nesta quarta-feira (18), com apoio da Polícia Militar do Estado de São Paulo (2º CPChoque), a Operação Colorido, visando a desarticular um grupo dedicado ao tráfico de drogas. Trata-se de desmembramento da Operação Fast Track, deflagrada simultaneamente na capital, om o objetivo de desarticular a célula jurídica da organização criminosa autodenominada Primeiro Comando da Capital (PCC). 

No curso das investigações, apurou-se que, após a transferência de F.G.S., vulgo “Colorido” ou “Azul”, para o sistema penitenciário federal, ele designou W.N.B., vulgo “Bel” ou “Bolacha”, para cuidar de seus negócios relacionados ao tráfico de drogas. A autorização foi transmitida através de uma advogada, alvo da operação deflagrada na capital.

No período do monitoramento do grupo, identificou-se seu envolvimento com a aquisição de mais de R$ 200 mil em entorpecentes oriundos de Corumbá (MS), rota do tráfico de cocaína. “Bel” atuava em sociedade com C.C.S.C., vulgo “Binho”, e ambos ainda contavam com a participação das respectivas companheiras para a movimentação dos valores relacionados ao comércio dos entorpecentes.

Além de atuar no tráfico de drogas, “Bel” exerce a função de apoio da sintonia final do PCC, estando, portanto, próximo ao mais alto escalão da organização criminosa. “Colorido”, por sua vez, é um dos primeiros integrantes do PCC. Ele foi preso em 2001 após uma investigação da Polícia Civil identificá-lo como gerente na receptação de cargas de armas a serem utilizadas em grandes assaltos, principalmente a bancos. Em 2019, “Colorido” recebeu condenação a 36 anos de prisão por envolvimento em homicídios. O homem é considerado como um dos principais líderes da organização criminosa, exercendo a função de sintonia final, o que motivou sua transferência para o sistema penitenciário federal em fevereiro de 2019.

Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão e quatro de prisão temporária nas cidades de São Vicente, Santos e Praia Grande.

*MP-SP

Suspeito de integrar PCC é preso com arma e droga

A Polícia Militar prendeu um homem, procurado da Justiça, suspeito de integrar o PCC, e apreendeu dinheiro, arma e droga. A prisão aconteceu na madrugada de hoje (12), na região do Parque Novo Mundo, Zona Norte de São Paulo, após perseguição.

O veículo de luxo em que ele estava já havia sido perseguido pelos policiais na semana passada, mas o motorista conseguiu escapar. Hoje, os militares cruzaram novamente com o carro nas imediações do Conjunto habitacional Chácara Bela Vista, na Avenida Educador Paulo Freire,  e, desta vez, conseguiram interceptá-lo.

Durante uma revista, os Pms encontraram um tijolo de maconha, uma arma e três celulares. Questionado sobre a origem da droga, o suspeito teria oferecido cerca de 200 mil reais para não ser preso.

Os policiais fingiram aceitar a proposta e seguiram até uma casa, na Rua Terceiro Sargento João Lopes Filho, no mesmo bairro, onde ele apresentou o dinheiro e recebeu voz de prisão. O suspeito, que não teve a identidade divulgada, foi conduzido ao 73º Distrito Policial do Jaçanã e autuado em flagrante por tráfico de drogas, porte ilegal de arma e corrupção ativa.

*Com informações de Paulo Édson Fiore, da Jovem Pan

PCC é alvo de operação que atinge braço financeiro da facção

Somente contas bancárias bloqueadas superam R$ 730 milhões
(Marco Gomes/via Agência Brasil)

Nesta quarta-feira (30) a Polícia Federal (PF) deflagrou em São Paulo a Operação Rei do Crime. O alvo da ação é um braço financeiro que opera em favor do Primeiro Comando da Capital (PCC) há mais de 10 anos. A investigação interditou mais de 70 empresas e bloqueou, com autorização da Justiça, contas bancárias cujos valores superam R$ 730 milhões.

Em nove cidades – São Paulo (SP), Bauru (SP), Igaratá (SP), Mongaguá (SP), Guarujá (SP), Tremembé (SP), Londrina (PR), Curitiba (PR) e Balneário Camboriú (SC) – mais de 200 policiais federais cumprem em apartamentos de luxo e empresas 13 mandados de prisão preventiva, 43 mandados de busca e apreensão e sequestro de 32 automóveis.

Há ainda nove motocicletas, dois helicópteros, um iate, três motos aquáticas, 58 caminhões e 42 reboques e semirreboques, com valor aproximado que ultrapassa os de R$ 32 milhões em bens sequestrados da facção criminosa. Os mandados foram expedidos pela 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

Entre os investigados estão empresários do setor de combustíveis e até um dos condenados pelo envolvimento no furto ao Banco Central do Brasil, ocorrido em Fortaleza (CE), em 2005. No total são 20 indiciados. O grupo responderá pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Durante a investigação, a Polícia Federal rastreou movimentações financeiras e identificou a existência de uma rede de combustíveis, inclusive uma distribuidora, que atuava em benefício da facção criminosa, lavando ativos de origem ilícita, por meio de empresas com atuação sólida no mercado e de empresas de fachada ou de laranjas.

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras também forneceu relatórios de inteligência financeira à PF. Os documentos apontaram movimentações atípicas do grupo investigado, cujo valor ultrapassa a cifra de R$ 30 bilhões. “De maneira inédita, a Polícia Federal solicitou em juízo a interdição da atividade econômica financeira de 73 pessoas jurídicas (postos de combustíveis, lojas de conveniência e escritórios de assessoria e contabilidade) utilizadas pela facção criminosa para movimentação de valores ilícitos, as quais passarão a ser administradas pela Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas”, diz nota da assessoria da PF.

A operação foi batizada de Rei do Crime em alusão a empresários que fomentam e financiam organizações criminosas sem praticar as ações violentas por elas perpetradas.

Por Karine Melo – Repórter Agência Brasil 

Sucessor de Marcola no PCC é procurado pela polícia

Membros do Ministério Público e das polícias em entrevista coletiva sobre a Operação Sharks | Foto: Aethur Stabile / Ponte

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) anunciou a prisão de dois integrantes da cúpula do PCC (Primeiro Comando da Capital) nesta segunda-feira (14/9). A operação, chamada de Sharks, contou com apoio da PM e identificou 21 líderes da facção nas ruas. Destes, um homem morreu em suposto confronto no litoral paulista e outros nove são considerados foragidos. 

Parte dos alvos da investigação já estavam preso, sendo oito dos 21 integrantes da sintonia final das ruas. Durante a coletiva do MP, feita nesta tarde na capital paulista, ainda acontecia movimentação dos policiais para encontrar os nove líderes foragidos. Não foi divulgado se algum deles foi preso após a conversa com os jornalistas. 

Não foi detalhado quem já estava preso anteriormente e quem foi pego nesta ação. Segundo o MP, estão presos Decio Gouveia Luís, o Décio Portugal, Wellington Roberto da Cruz, Patric Uelinton Salomão, Eduardo Aparecido de Almeida, Marcelo Moreira Prado, Robson Sampaio de Lima, Carla Luy Riciotti Lima, Wagner Rodrigo dos Santos, Diego Macedo do Carmo e Levi Adriani Felício.

Nenhuma das investidas policiais feitas pela Sharks encontrou o principal alvo da operação: Marcos Roberto de Almeida, conhecido como Tuta ou Africano. Ele é considerado o número um do PCC fora das cadeias e sucessor de Marco Willian Herbas Camacho, o Marcola, na liderança da facção desde a transferência da sintonia final para presídios federais, no começo de 2019.

Alem de Tuta, são considerados foragidos Gilberto Flares Lopes Pontes, Gratualino de Sousa Lira, Odair Lopes Mazzi Júnior, Sergio Luiz Ferreira, João Paulo Tomaz de Souza, Edmilson de Menezes, Sergio Luiz de Freitas Filho e Valdeci Alves dos Santos.

“É a operação mais importante depois da transferência da liderança do PCC para o sistema penitenciário federal”, definiu o promotor Lincoln Gakiya, que integra o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), detalhando que não “é a mais importante em quantidade, mas pela qualidade” dos investigados.

Um organograma feito pelos investigadores traça a divisão das ações. A Sintonia Final da Rua, comandada por Marcos Roberto, coordenada todos os trabalhos da Sintonia Raio-X, espécie de ala de informações da cúpula, da Sintonia Progresso, que cuida de determinar missões aos membros, a Sintonia Financeira e a Sintonia de Logística de Fornecimento de Drogas. 

Organograma representando os procurados e presos pela Operação Sharks | Foto: MP-SP / Divulgação

“Conseguimos, através de um trabalho bem feito da força-tarefa, identificar e mapear toda a liderança dessa facção que assumiu as funções com transferência de Marcola [apontado pelo órgão como chefe do PCC] e demais para o sistema federal. “, diz .

Segundo o MP, duas pessoas foram capturadas nesta segunda e uma morreu ao responder com tiros a chegada da polícia, segundo o comandante do Comando de Policiamento de Choque da Polícia Militar de São Paulo, coronel Rogério Silva Pedro. Claudio José Pinheiro Freitas morreu ao atirar nos PMs durante a tentativa de prisão. 

“Infelizmente em Praia Grande (litoral de SP) conseguimos romper a porta de entrada apartamento e o infrator saía de um dos quartos disparando contra policiais, houve necessidade [de responder a tiros]. Não temos policiais feridos”, informa o coronel Rogério.

A investigação aponta para uma nova estrutura dentro do PCC, chamado de setor “Raio X”. É um setor que fica abaixo da cúpula, nomeada internamente de “Sintonia Final” e funcionaria como uma espécie de “escudo” e buscava informações para proteger os demais líderes – ficaria inclusive acima do setor do “Progresso”, focado na arrecadação monetária da facção.

Marcos Roberto de Almeira, conforme investigação do MP, está nas ruas há cerca de três anos, tendo respondido por roubo a banco e tráfico de drogas. Segundo o promotor Lincoln Gakyia, o MP tinha conhecimento de que Tuta assumira a função de Marcola desde a transferências da Sintonia Final Geral para presídios federais, mas não pode agir antes. 

“Uma coisa é identificar, outra coisa é ter provas para pedir a prisão. Tem que ser consistentes”, definiu, segundo complementado pelo procurador-geral do estado de São Paulo, Mário Sarrubbo. “Num estado democrático de direito é necessário ter provas e por isso demora”.

A ação ocorre uma semana após a prisão do advogado Wellington Luiz Pereira de Alcântara por suposta ligação com a cúpula da facção. O defensor teria se comunicado com Marcola e repassado ordens dos líderes para integrantes nas ruas. A promotoria não aponta ligação entre as duas operações da polícia.

Por Arthur Stabile, da Ponte

Operação mira chefes do PCC

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo (Gaeco), com apoio da Polícia Militar e do 1º Batalhão de Polícia Militar de Choque (Rota), deflagrou, na manhã desta segunda-feira (14/9), a Operação Sharks para cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão contra lideranças da maior facção criminosa que age nos presídios e nas ruas do país. As investigações, conduzidas por uma força-tarefa composta por oito promotores de Justiça e agentes de investigação do Gaeco e com apoio da PM, foram iniciadas no primeiro semestre de 2019, a partir do cruzamento de múltiplos dados, mirando integrantes dos principais escalões da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).  

As provas colhidas revelaram que a cúpula da facção comanda sistemática que movimenta mais de R$ 100 milhões anualmente, quantia decorrente, primordialmente, do tráfico de drogas e da arrecadação de valores de seus integrantes, tudo com rigoroso controle em planilhas.  As investigações revelaram a cadeia logística do tráfico de drogas da facção, bem como a sucessão entre suas principais lideranças à frente da fonte de maior renda da organização criminosa, indicando, ao final, a participação de 21 pessoas, algumas presas durante a apuração.

*Com informações do MP-SP

PCC é alvo de operação da Polícia Federal

(PF/via Agência Brasil)

A Polícia Federal (PF) deflagrou hoje (31) a megaoperação Caixa Forte 2, para investigar tráfico de drogas e lavagem de dinheiro praticados por facção criminosa. Para a ação, foram mobilizados 1,1 mil policiais federais, que cumprem 623 mandados judiciais em 18 unidades federativas (Acre, Alagoas, Amazonas, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo) e no Chile. 

Ao todo, foram expedidos pela 2ª Vara de Tóxicos de Belo Horizonte 422 mandados de prisão preventiva e 201 mandados de busca e apreensão. Também foi ordenado o bloqueio judicial de R$ 252 milhões.

Em nota, a PF informou que, na primeira fase da operação, descobriu a existência do núcleo “Setor do Progresso”, que tinha como função promover lavagem de dinheiro dos valores gerados com a atividade de tráfico de drogas. 

As investigações também conduziram a polícia ao chamado “Setor da Ajuda”, criado para recompensar membros de uma facção recolhidos em presídios e que mantinham contas bancárias para onde parte do dinheiro oriundo das atividades era destinada. Em alguns casos, as quantias eram depositadas em contas de pessoas que não pertenciam ao grupo criminoso, para despistar as autoridades policiais. 

A PF apurou, ainda, que 210 suspeitos desempenham as funções no alto escalão da facção criminosa, como a execução de servidores públicos. Todos cumprem penas em presídios federais. Os presos deverão responder por crimes de participação em organização criminosa, associação com o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, cujas penas podem chegar a 28 anos de prisão.

Por Agência Brasil

Operação da PF mira expansão do PCC para o RJ

Policiais federais cumprem hoje (25) 27 mandados de prisão preventiva e dez de busca e apreensão contra acusados de integrar facção criminosa que atua em vários estados. O objetivo da Operação Expurgo é evitar que o grupo, que é a principal facção de São Paulo, se consolide no Rio de Janeiro.

(PF/via Fotos Públicas)

De acordo com a Polícia Federal (PF), investigações iniciadas em dezembro de 2018 mostraram que os líderes dessa facção tinham um plano de se expandir para o estado do Rio, através de alianças com grupos criminosos.

O grupo já atua no Rio, mas a polícia quer evitar que ele se estabeleça de vez no estado.

Muitas das lideranças já estão presas e continuam controlando as atividades criminosas de dentro de presídios do Rio e de outros estados, com o uso de aplicativos.

Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Criminal de Bangu, no Rio de Janeiro, e estão sendo cumpridos em seis estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Minas Gerais, Pará e Mato Grosso do Sul.

Os presos estão sendo investigados por participação em organização criminosa e tráfico de drogas e armas.

Por Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil

Ex-policial que sequestrou sobrinho de Marcola teme a morte

Augusto Peña foi responsável por sequestro apontado como estopim para os ataques de maio de 2006; resgate de enteado de Marcola custou R$ 300 mil 

Ex-policial civil Peña e uma das entradas do CDP de Pinheiros (Arquivo/Ponte)

O ex-policial civil Augusto Peña, acostumado a morar em apartamentos luxuosos nos bairros de Moema e Aclimação, áreas ricas da zona sul paulistana, está sentindo na própria pele o drama enfrentado por milhares de presos no cotidiano carcerário.

A apertada cela 310 do pavilhão 3 do superlotado CDP 3 (Centro de Detenção Provisória) de Pinheiros, zona oeste, é onde vive Peña, condenado a 22 anos pelo sequestro do enteado de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC (Primeiro Comando da Capital).

Peña não está nada satisfeito com o novo endereço. Ele reclama que é obrigado a dormir diariamente no chão frio da cela superlotada e infestada de muquiranas e percevejos.

Também se queixa que a cela é suja, ocupada por presos enfermos, doentes mentais e detentos comuns condenados pelos mais variados crimes, todos misturados a ex-policiais civis e militares, guardas de muralha, agentes de segurança e demais servidores públicos.

Ex-policial civil Peña | Foto: Arquivo/Ponte

Mas o maior medo de Peña é o de morrer na prisão por ter sequestrado Rodrigo Olivatto de Morais, enteado de Marcola, em março de 2005. O ex-policial trabalhava em Suzano, na Grande São Paulo. Ele usou a delegacia como cativeiro e recebeu do PCC o resgate de R$ 300 mil.

Um relatório elaborado pela International Humans Rights Clinic, da Universidade de Harvard, em parceria com a Justiça Global concluiu que o sequestro de Rodrigo foi um dos estopins para os ataques de maio de 2006, protagonizado pelo PCC. O período ficou conhecido como “Maio Sangrento”. O PCC paralisou São Paulo, matando agentes das forças de segurança nas ruas e se rebelando em ao menos 74 presídios paulistas. Simultaneamente, policiais militares mataram centenas de pessoas no estado, no chamado “Crimes de Maio”.

Preocupado com a integridade física de seu cliente, o advogado Norberto de Almeida Ribeiro entrou com vários pedidos na Justiça solicitando a transferência de Peña para a Penitenciária 2 de Tremembé, no Vale do Paraíba. Todos foram negados.

A P2 de Tremembé, chamada de presídio “vip”, é conhecida por abrigar presos autores de crimes de grande repercussão, além de advogados, policiais e ex-policiais.

A SAP-SP (Secretaria Estadual da Administração Penitenciária de São Paulo), subordinada ao governo João Doria (PSDB), informou à Justiça que Peña “está em ala própria para ex-policiais, com a integridade física garantida, não sendo possível a sua transferência para penitenciária de sua escolha”.

O CDP 3 de Pinheiros é o mais lotado dos 48 Centros de Detenção Provisória do Estado de São Paulo, conforme mostrou reportagem da Ponte no dia 25 de março deste ano. A unidade prisional tem vagas para  572 detentos, mas abriga hoje, segundo dados da SAP, 1.589 presos, o que representa 277% acima da capacidade de ocupação.

Peña divide o xadrez com ao menos outros 50 presos. Geralmente, em cada cela cabem apenas 12. Em relatório recente enviado à SAP, o diretor do CDP 3 de Pinheiros, Roberto Wagner dos Santos Júnior, informou que não há presos com casos confirmados de Covid-19 na unidade.

No documento consta, porém, que no dia 23 de abril o detento Antonio Alves de Paiva, de idade avançada, sentiu febre e foi medicado no Hospital da Lapa. Houve coleta de material biológico, enviado ao Instituto Adolfo Lutz para teste de Coronavírus. O exame não ficou pronto ainda.

Augusto Peña foi medicado no CDP 3 de Pinheiros em 30 de junho de  2019, 27 dias depois de chegar na unidade. No relatório médico é mencionado que ele tem boa aceitação alimentar, pressão arterial de 16 x 9 e frequência cardíaca de 97 batimentos por minuto.

Ficha de atendimento médico de Peña | Foto: reprodução

Ele informou ao médico que faz uso de medicação psicotrópica, como Diazepan. Na consulta, foi solicitado para o detento uma avaliação psiquiátrica e prescritos remédios para transtornos de ansiedade e depressão.

Augusto Peña foi preso em 30 de abril de 2008 pelo sequestro de Rodrigo. Em 5 de janeiro de 2010, ele foi solto por determinação da 15ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça.

Em 7 de abril de 2015, a Vara Criminal de Suzano o condenou a 22 anos de prisão. Ele ficou foragido, mas acabou capturado em 10 de abril do ano passado na cidade de Ibaté, a 270 km da capital paulista.

Em 3 de junho de 2019,  Peña foi removido para o CDP 3 de Pinheiros. O ex-policial define a unidade prisional superlotada como “uma espécie de bomba relógio prestes a explodir”.

Por Josmar Jozino – Repórter da Ponte

‘Juiz’ do tribunal do crime do PCC é preso

Wislan Ramos Ferreira, o Jagunço, é investigado por ao menos 50 mortes; em bilhete, líderes da facção ordenaram a morte do delegado-geral de SP

Policiais de São Matheus prenderam Jagunço em Itaquaquecetuba, na Grande SP | Foto: Arthur Stabile/Ponte

A Polícia Civil prendeu na madrugada desta quinta-feira (30/04) Wislan Ramos Ferreira, o Jagunço, acusado de ser o “capataz” do PCC (Primeiro Comando da Capital) e autor de ao menos 100 assassinatos cometidos a mando do “tribunal do crime” da facção criminosa.

Jagunço era procurado desde 12 de junho de 2019, quando policiais do Deic (Departamento de Investigações Criminais) apreenderam uma carta atribuída ao PCC ordenando a morte do delegado-geral da Polícia Civil paulista, Ruy Ferraz Fontes, e de dois investigadores.

A correspondência estava em poder de Sandro Cássio de Souza, o Carioca, preso e acusado de integrar a célula “Bonde dos 14” do PCC. Segundo a Polícia Civil, esse núcleo da facção é responsável pelo comando do tráfico de drogas na zona leste e por um arsenal usado em grandes roubos.

Os investigadores sustentam que Jagunço também integrava o grupo e era responsável pelo controle do crime na região de São Mateus, atuando como “juiz” nos “tribunais do crime”.



O Deic apurou que esta célula era liderada por Décio Gouveia Luiz, o Décio Português, capturado em agosto do ano passado em uma casa de luxo em Arraial do Cabo, litoral norte do Rio de Janeiro. 

Décio era ligado a Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, o número 1 do PCC, segundo a polícia. As investigações do Deic apontaram ainda que o “Bonde dos 14” fatura R$ 3 milhões por mês com o tráfico de drogas e que Décio cuidava da lavagem de dinheiro para a facção.

Jagunço estava escondido em uma casa em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, e seus vigias eram dois ferozes pitbulls. Policiais civis da 8ª Delegacia Seccional (São Matheus) tiveram de dar soníferos aos cães para invadir a residência e prender o criminoso.

Delegados Hélio Bressan (esq.) e Carlos Alberto da Cunha detalham prisão
(Arthur Stabile/Ponte)

Segundo o delegado Carlos Alberto da Cunha, responsável pela ação Jagunço é suspeito de matar umas 100 pessoas. O policial afirmou que “50 ele matou com certeza”. As vítimas, acrescentou Cunha, “eram talaricos (homens que assediam mulheres casadas com outros presos ou criminosos), estupradores, delatores e pessoas com dívidas de drogas”.

O delegado afirmou que Jagunço era um assassino frio e cruel que andava sempre com uma metralhadora e um machado. O delegado contou que o criminoso chegava até a decepar os rivais. Além disso, ameaçava matar os parentes e amigos das vítimas que, por ventura, procurassem a polícia para denunciar os assassinatos cometidos por ele.

Hélio Bressan, delegado da 8ª delegacia seccional de São Mateus, disse que as investigações não terminam com a prisão de Jagunço. “A segunda etapa é procurar os locais onde as vítimas foram mortas e enterradas. A Polícia Civil vai usar cães farejadores para auxiliar nos trabalhos”, revelou.

Além do bilhete apreendido com Carioca, policiais civis encontraram outro bilhete também atribuído ao PCC. De acordo com Bressan, nessa segunda correspondência, Jagunço foi cobrado pelos integrantes da facção por não ter cumprido a missão de assassinar o delegado-geral.

Jagunço nasceu na Bahia, onde tem condenação por tráfico de drogas, e veio para São Paulo em 2011. Ele dizia se chamar Dênis. O assassino quase foi preso pelos policiais da 8ª seccional em dezembro do ano passado. Investigadores disseram que na ocasião ele usou a mulher grávida como escudo para fugir ao cerco policial.

Por Arthur Stabile e Josmar Jozino – Repórteres da Ponte