Três navios são suspeitos de vazamento de óleo no Nordeste, em 2019

A Marinha informou ontem (7) que três navios são suspeitos pelo derramamento de óleo no litoral brasileiro em 2019. As informações foram divulgadas após a retirada do sigilo do relatório da investigação, que foi entregue à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público Federal (MPF) em agosto do ano passado. As conclusões são utilizadas pela PF em um inquérito criminal sobre o caso. 

“Com o apoio de instituições técnicas e científicas, públicas e privadas, brasileiras e estrangeiras, três navios foram apontados como principais suspeitos: Navio-Tanque (NT) BOUBOULINA; NT VL NICHIOH (em maio de 2020, o navio alterou seu nome para NT CITY OF TOKYO); e NT AMORE MIO (em março de 2020, o navio alterou seu nome para NT GODAM)”, informou a Marinha. 

Na época dos fatos, as manchas iniciais de óleo apareceram a 700 km da costa brasileira (em águas internacionais) e atingiram mais de 250 praias do Nordeste. 

No comunicado, a Marinha também defendeu investimentos no monitoramento de navios. “Esse evento, inédito e sem precedentes na nossa história, traz ensinamentos, como a necessidade de se investir no aprimoramento do monitoramento dos navios que transitam nas águas jurisdicionais brasileiras e nas suas proximidades, destacando o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz)”. 

Por Agência Brasil

Petróleo: Bacia de Santos ultrapassa 70% da produção nacional

A produção da Bacia de Santos ultrapassou, pela primeira vez, 70% da produção nacional de petróleo, registrando a maior participação relativa na série histórica e a sexta maior, até hoje, em valores absolutos. No total, foram produzidos 2,56 milhões de barris de óleo equivalente por dia, (MMboe/d), sendo aproximadamente 1,993 MMbbl/d (milhão de barris por dia) de petróleo e 90 MMm3/d (milhões de metros cúbicos por dia) de gás natural.

O resultado consta do Boletim Mensal da Produção de Petróleo e Gás Natural do mês de março de 2021, que traz os dados consolidados da produção nacional no período. O boletim foi divulgado nesta segunda-feira (3) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A produção nacional foi de cerca de 2,844 MMbbl/d de petróleo e 126 MMm3/d de gás natural, totalizando 3,637 MMboe/d. Na comparação com o mês anterior, houve aumento de 0,9% na produção de petróleo e redução de 3,9% na de gás natural. Já na comparação com março de 2020, houve redução de 4,3% no petróleo e aumento de 3,6% no gás natural.

Pré-sal e gás natural

A produção do pré-sal foi de 2,097 MMbbl/d de petróleo e 89,4 MMm3 de gás natural, totalizando 2,660 MMboe/d. Houve aumento de 2,4% em relação ao mês anterior e de 6,7% se comparada à do mesmo mês em 2020. A produção do pré-sal teve origem em 118 poços e correspondeu a 73,1% do total produzido no Brasil, alcançando o maior percentual já registrado em relação ao total nacional.

Em março, o aproveitamento de gás natural foi de 97,5%. Foram disponibilizados ao mercado 50,1 MMm³/dia.

A queima de gás no mês foi de 3,1 MMm³/d, uma redução de 8,7% se comparada ao mês anterior e de 6,6% se comparada ao mesmo mês em 2020. 

Produção e destaques

Em março, os campos marítimos produziram 96,7% do petróleo e 86,5% do gás natural. Os campos operados pela Petrobras responderam por 94,5% do petróleo e do gás natural produzidos no Brasil.

O campo de Tupi, no pré-sal da Bacia de Santos, foi o maior produtor de petróleo e gás natural em março, registrando 862 MMbbl/d de petróleo e 40,2 MMm3/d de gás natural. 

A plataforma Petrobras 75, produzindo no campo de Búzios por meio de quatro poços a ela interligados, foi responsável por 154,372 Mbbl/d de petróleo e a instalação com maior produção.

A instalação Polo Arara, com os campos de Arara Azul, Carapaúna, Cupiúba, Rio Urucu e Sudoeste Uruco, por meio de 32 poços a ela interligados, produziu 7,202 MMm³/d e foi a instalação com maior produção de gás natural.

Estreito, na Bacia Potiguar, teve o maior número de poços produtores terrestres: 1.032. Tupi, na Bacia de Santos, foi o campo marítimo com maior número de poços produtores: 56.

Por Douglas Corrêa, da Agência Brasil

Instabilidade do petróleo faz Dólar fechar acima de R$ 5,30

Em meio às incertezas domésticas e à instabilidade no mercado de petróleo, o dólar comercial ultrapassou a barreira de R$ 5,30 e fechou no maior valor desde o início do mês. A moeda encerrou esta segunda-feira (20) vendida a R$ 5,309, com alta de R$ 0,073 (+1,4%). Esse foi o maior valor registrado desde 3 de abril, quando a cotação tinha fechado em R$ 5,326, e o segundo maior nível nominal – sem considerar a inflação – desde a criação do real.

A cotação operou em alta durante toda a sessão. Na máxima do dia, por volta das 15h45, a moeda superou R$ 5,31. A divisa acumula alta de 32,3% em 2020.

A alta poderia ter sido maior caso o Banco Central (BC) não tivesse intervindo no mercado. A autoridade monetária vendeu US$ 500 milhões à vista das reservas internacionais e leiloou US$ 1,187 bilhão em operações compromissadas, em que o dinheiro volta para o caixa do BC depois de alguns meses.

Bolsa de valores

A bolsa de valores também foi afetada pela instabilidade no mercado de petróleo. Depois de subir na sexta-feira (17), a B3 (bolsa de valores brasileira), fechou esta segunda aos 78.973 pontos, com pequena queda de 0,02%. O indicador oscilou bastante ao longo do dia, alternando momentos de alta e de baixa, mas foi influenciado pelo mercado externo perto do fim de sessão. O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, encerrou esta segunda com forte recuo de 2,44%.

Há várias semanas, mercados financeiros em todo o planeta atravessam um período de nervosismo por causa da recessão global provocada pelo agravamento da pandemia do novo coronavírus. As interrupções na atividade econômica associadas à restrição de atividades sociais travam a produção e o consumo, provocando instabilidades.

A perspectiva de que vários países da Europa e regiões dos Estados Unidos relaxem as restrições após o número de novos casos ter se estabilizado tinha animado os mercados na semana passada, mas a divulgação, por diversos países, de que o tombo na economia em 2020 pode ser maior que o esperado afetou diversos mercados, como o do petróleo.

Petróleo

Nesta segunda-feira, a cotação do barril de petróleo do Texas, referencial para o mercado norte-americano, fechou com preço negativo pela primeira vez na história. Os contratos futuros dos barris do tipo WTI para maio, que vencem amanhã (21) encerraram o dia em -US$ 37,63, com queda de 300% num único dia.

Isso ocorreu porque, com a queda na demanda de petróleo, está faltando espaço para armazenar o combustível, o que fez muitos investidores vender os contratos a qualquer custo, pagando para outras pessoas estocarem os barris que não têm condições de armazenar. Os contratos com vencimento em maio não estão mais ativos, mas a negociação de hoje serviu de alerta para o que pode acontecer no vencimento dos contratos do barril do tipo Brent, usados como parâmetro pela Petrobras e referencial internacional da cotação de petróleo.

Por volta das 19h, o Brent era vendido a US$ 25,99, com queda de 7,44%. A turbulência refletiu-se nas ações da Petrobras, as mais negociadas na bolsa. Os papéis ordinários (com direito a voto em assembleia de acionistas) desvalorizaram-se 0,9% nesta segunda. Os papéis preferenciais (com preferência na distribuição de dividendos) tiveram queda de 1,12%.

A guerra de preços de petróleo começou há um mês, quando Arábia Saudita e Rússia aumentaram a produção, mesmo com os preços em queda. No início do mês, a cotação do barril do tipo Brent chegou a operar abaixo de US$ 20, no menor nível em 18 anos. Segundo a Petrobras, a extração do petróleo na camada pré-sal só é viável para cotações a partir de US$ 45.

Por Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil