Partido de Bolsonaro quer que PGR investigue esquema de ‘fake news’

Nielmar Oliveira/Agência Brasil

O presidente nacional do PSL, Gustavo Bebianno, disse hoje (20) que seu partido ingressará na segunda-feira (22) com uma ação na Procuradoria-Geral da República (PGR) para abertura de investigações sobre suposto esquema de disseminação de fake news anti-PT, financiado por empresários via caixa 2.

A denúncia – publicada na imprensa ao longo desta semana – informa que a propagação de informações falsas é ampla e ocorre por meio da plataforma do WhatsApp.



O assunto já está na Justiça Eleitoral. Ontem (19), o ministro Jorge Mussi, do Tribunal Superior Eleitoral, abriu ação para investigar o suposto esquema.

Em Fortaleza, o candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, disse que tem sido “o centro de calúnias” do adversário Jair Bolsonaro (PSL). Novamente, ele cobrou providências sobre as suspeitas que envolvem o envio de mensagens falsas.

Bolsonaro e sua equipe negam qualquer envolvimento no esquema. Segundo o candidato, ele que é vítima de notícias falsas. Hoje (20) pela manhã, o presidenciável foi à residência do empresário Paulo Marinho, no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, para gravar programas eleitorais.

De acordo com assessores, Bolsonaro gravará entrevistas para a TV Aparecida e concederá exclusivas para rádios do Norte e Nordeste. Haddad passa o fim de semana no Nordeste onde tem compromissos em cidades do Ceará, Piauí e Maranhão.

Conselho diz que TSE e PGR foram omissos diante das ‘fake news’

Carolina Gonçalves/Agência Brasil

O vice-presidente do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), Darci Frigo, e a presidente, Fabiana Severo, durante entrevista coletiva sobre a violência no contexto das eleições 2018. (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Integrantes do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) disseram hoje (19) que as instituições brasileiras foram omissas diante dos atos de violência e da disseminação de fake news associados às eleições no país. O grupo se reuniu nesta manhã em Brasília.

“A procuradora-geral da República [Raquel Dodge], a presidente do TSE [Tribunal Superior Eleitoral, Rosa Weber] e as demais autoridades estavam onde, quando receberam essas denúncias, e não adotaram as providências necessárias para evitar que o processo eleitoral brasileiro chegasse ao [ponto] que chegou esta semana?”, perguntou Darci Frigo, vice-presidente do CNDH – órgão autônomo, com 11 representantes da sociedade civil e  11 do Executivo, Legislativo e Judiciário. As declarações foram feitas em meio à apresentação de motivos da nota de repúdio que o colegiado divulgou ontem (18). No texto, o grupo cobra das autoridades brasileiras de todos os Poderes ações objetivas diante das últimas ocorrências de violência.

O vice-presidente do conselho lembrou que a incitação à violência é crime e não foi adotada qualquer medida diante de gestos de candidatos que, segundo ele, se enquadram na situação. “Outra coisa são as fake news que já vínhamos alertando”, disse ao citar a suspeita de impulsionamento de notícias falsas pelo Whatsapp contra o PT. Para ele, essa notícia deveria ter sido identificada pelo grupo de trabalho da Justiça Eleitoral.

A presidente do colegiado e defensora pública Fabiana Severo descartou que o CNDH defenda a anulação das eleições. Para Fabiana, seriam necessárias medidas previstas na Constituição para garantir um processo democrático e transparente. Segundo a defensora, ainda há tempo de as instituições enviarem mensagem mostrando que são fortes o suficiente para agir em defesa da democracia. “E não uma mensagem de que tudo está transcorrendo dentro da normalidade”, afirmou.

Outro lado

Em resposta, o TSE lembrou que debaterá o assunto numa entrevista coletivamarcada para as 16h desta sexta na sede do tribunal, em Brasília, com a presidente Rosa Weber, o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), general Sérgio Etchegoyen, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, a advogada-geral da União, Grace Mendonça, e o diretor-geral da Polícia Federal, delegado Rogério Galloro. Na declaração, eles pretendem apontar as medidas institucionais adotadas para responder aos questionamentos levantados no primeiro turno das Eleições 2018.

Agência Brasil procurou a PGR e aguarda resposta.

PGR insiste para que Eduardo Cunha fique preso

Felipe Pontes/Agência Brasil

(Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, insistiu, em manifestação ao Supremo Tribunal Federal (STF), que o ex-presidente da Câmara e deputado cassado Eduardo Cunha continue preso preventivamente em Curitiba, onde se encontra desde outubro de 2016.

Para Dodge, a prisão ainda é justificada para impedir que Cunha volte a delinquir. “Imaginar que uma vida criminosa, como a do paciente, será interrompida por mágica é algo muito pueril. Não é isso que a realidade demonstra”, escreveu em parecer encaminhado ao ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo.

“Pelo contrário, apenas a amarga, mas concretamente necessária, medida cautelar de prisão preventiva terá o condão de preservar a ordem pública, impedindo que o paciente, em liberdade, retome sua bem-sucedida carreira criminosa”, afirmou Raquel Dodge.

Em agosto, ela já havia usado argumentos similares ao recorrer de um habeas corpusconcedido a Cunha pelo ministro Marco Aurélio Mello, em outro processo, no qual o ex-deputado é investigado por desvios na construção da Arena das Dunas, sede da Copa do Mundo de 2014 em Natal (RN).

Mesmo com o habeas corpus concedido por Marco Aurélio, Cunha permanece preso por pesar contra ele outros três decretos de prisão preventiva expedidos no âmbito da Operação Lava Jato.