Mais da metade das crianças ainda não foram vacinadas contra a pólio

(Agência Brasil)

Desde o início da Campanha Nacional de Vacinação, no dia 5 de outubro até hoje (26), apenas 35% das crianças (4 milhões) foram vacinadas contra a poliomielite. A campanha irá até o próximo dia 30 e 7,3 milhões de crianças ainda precisam ser levadas pelos pais ou responsáveis até os postos de saúde para vacinar. O público-alvo estimado é de 11,2 milhões das crianças de 1 a menores de 5 anos.

O estado que mais vacinou as crianças até agora foi o Amapá (62,59%), seguido do estado da Paraíba (50,11%). Rondônia foi o estado que menos vacinou, tendo atendido apenas 11,76% do público-alvo. A recomendação aos estados que não atingirem a meta é continuar com a vacinação de rotina, oferecida durante todo o ano nos mais de 40 mil postos de saúde distribuídos pelo país.

A campanha nacional ocorre junto com a campanha de multivacinação, que visa atualizar a situação vacinal de crianças e adolescentes menores de 15 anos. Nesta última são ofertadas todas as vacinas do calendário nacional de vacinação.

A poliomielite, também chamada de pólio ou paralisia infantil, é uma doença contagiosa aguda causada pelo poliovírus, que pode infectar crianças e adultos e, em casos graves, pode levar a paralisias musculares, em geral nos membros inferiores, ou até mesmo à morte. A vacinação é a única forma de prevenção.

Por Agência Brasil

OMS diz que houve 30 casos de Pólio no mundo em 2018

Por  Paula Laboissière, da Agência Brasil

(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Há 30 anos, o vírus selvagem da poliomielite paralisava cerca de 350 mil crianças em mais de 125 países todos os anos. Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, em 2018, apenas 30 casos da doença foram notificados em dois países – Afeganistão e Paquistão. O mundo, segundo a entidade, está à beira de um sucesso sem precedentes na saúde pública: a erradicação global da doença.

“A OMS e seus parceiros da Iniciativa Global para Erradicação da Pólio se comprometem a apoiar integralmente os governos do Afeganistão e do Paquistão para combater a doença em seus últimos redutos e livrar-se dessa doença debilitante de uma vez por todas”, destacou a organização, por meio de comunicado.



De acordo com a nota, a erradicação da pólio exige altas coberturas vacinais em todo o planeta para que se consiga bloquear a transmissão de um vírus extremamente contagioso. Infelizmente, segundo a OMS, algumas crianças permanecem sem acesso às doses adequadas por motivos diversos, incluindo falta de infraestrutura, localidades remotas, migração, conflitos, insegurança e resistência à vacinação.

“A meta das equipes em solo no Afeganistão e no Paquistão é muito clara: localizar e vacinar todas as crianças antes que o vírus chegue até elas. Esses países alcançaram enorme progresso. Há 20 anos o poliovírus paralisava mais de 340 mil crianças em todo o Paquistão. Em 2018, apenas oito casos foram reportados em alguns distritos.”

A OMS destacou, entretanto, que o processo de erradicação da pólio deve ser um esforço no sentido “tudo ou nada” e que uma possível falha em acabar com esses últimos redutos poderia resultar no ressurgimento da doença, chegando a até 200 mil novos casos em todo o mundo num prazo de dez anos.

“Estamos no caminho certo para alcançar o sucesso. Um Paquistão e um Afeganistão livres da pólio significam um mundo livre da pólio”, concluiu a organização, citando que a erradicação da doença poderia economizar entre US$ 40 bilhões e US$ 50 bilhões, sendo a maioria em países de baixa renda. “E os benefícios humanitários serão sustentados para as gerações futuras: nenhuma criança jamais seria afetada novamente por essa terrível doença”.

Postos de saúde vacinarão amanhã contra pólio e sarampo

Fernanda Cruz/Agência Brasil

(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A vacinação contra poliomielite e sarampo será feita até este sábado (1º) na cidade de São Paulo, que não alcançou a meta estipulada pelo Ministério da Saúde.

A campanha, que começou no último dia 4 e terminaria hoje (31), imunizou 80% das crianças para poliomielite e 79,3% contra sarampo, vacina que também protege contra caxumba e rubéola. Os percentuais, porém, estão abaixo da meta de 95%.

Cerca de 90 postos de saúde do município estarão de plantão amanhã. Os endereços das unidades básicas e os horários de funcionamento podem ser conferidos pelo site.

Devem ser vacinadas crianças maiores de um ano e menores de cinco anos de idade. Basta levar documento de identificação e, se possível, carteira de vacinação e cartão do Sistema Único de Saúde (SUS).

Podem receber uma dose da vacina tríplice viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola), crianças que não tenham se vacinado nos últimos 30 dias.

As crianças que nunca tomaram a vacina contra poliomielite recebem a Vacina Inativada Poliomielite. Aquelas que já tomaram uma ou mais doses receberão a gotinha da Vacina Oral Poliomielite.

Números

A busca ativa, em que equipes de saúde visitaram as escolas orientando sobre a importância da vacinação, contabilizou 37.196 mil crianças vacinadas, sendo 35,8% imunizadas no período da campanha.

Foram aplicadas 3.758 doses da vacina de poliomielite e 3.737 contra sarampo em crianças com autorização dos pais e responsáveis.

No estado de São Paulo, mais de 563,8 mil crianças ainda não foram vacinadas, segundo o Ministério da Saúde.

Em todo o país, a cobertura foi de 76,1%, o que significa que 2,6 milhões de crianças ainda precisam ser vacinadas. No Brasil, foram aplicadas mais de 17 milhões de doses das vacinas.

Promotoria vai investigar baixa adesão à vacina contra paralisia infantil

(Arquivo/Agência Brasil)

O Ministério Público de São Paulo abriu um inquérito para apurar o baixo índice de vacinação infantil em São Paulo. A portaria de instauração do inquérito foi aberta hoje (25) pela promotora de Justiça Luciana Bergamo, que atua na Promotoria da Infância e Juventude da capital.

O inquérito pretende apurar, por exemplo, por que a cobertura vacinal de poliomielite em crianças menores de um ano é de apenas 30,6% na capital paulista, segundo dados coletados junto ao Ministério da Saúde. Mas a promotora pretende investigar ainda por que a cobertura vacinal para outras doenças também está baixa.

Luciana encaminhou pedidos às secretarias municipal e estadual de Saúde de São Paulo para que elas prestem esclarecimentos iniciais sobre as vacinas que são recomendadas à população infanto-juvenil, sobre os índices de cobertura da vacinação nos últimos cinco anos e as medidas que estão sendo tomadas em relação ao baixo índice de vacinação. A promotora também pretende ouvir algumas associações e entidades médicas sobre o assunto.

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que ainda não foi notificada pelo Ministério Público, mas que está à disposição para prestar os esclarecimentos necessários. A secretaria informou ainda que a cobertura contra a poliomielite na capital paulista, no ano passado, atingiu 84,8% de cobertura, superior aos dados divulgados pelo Ministério da Saúde, embora ainda esteja abaixo da meta de 95% estabelecida pelo órgão, “o que coloca o município em situação de risco para transmissão da doença”.

A divergência entre os dados da secretaria e do ministério, informou, se deve à utilização de sistemas de informação diferentes para o registro das doses aplicadas. “Cabe esclarecer que a diferença nos dados divulgados pelo Ministério da Saúde (MS) se deve ao fato de a secretaria dispor de sistema de informação próprio para registro nominal de doses aplicadas, o SIGA Módulo vacina. Já o MS obtém os dados de cobertura vacinal por meio de outro sistema de informação, o SIPNI (Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações). A partir de janeiro de 2016, os dados do sistema SIGA migraram para o SIPNI. No entanto, o município tem enfrentado dificuldades com a inoperabilidade dos dados do SIGA para o SIPNI, o que foi agravado com a nova versão do SIPNI”, falou.

A secretaria informou ainda que segue as orientações do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde. “Apesar de todos os esforços da pasta em ampliar a cobertura vacinal, a tendência nacional tem sido de queda”.

A Secretaria Estadual da Saúde informou que não foi notificada.

(Elaine Patricia Cruz/Agência Brasil)