Prevent Senior terá que ressarcir paciente tratado com ‘kit covid’

A Justiça de São Paulo determinou que a Prevent Senior deposite R$ 1,92 milhão em juízo para o pagamento do tratamento de Carlos Alberto Reis, idoso de 61 anos. Ele ficou internado em um dos hospitais da rede e tomou remédios do “kit Covid”. A decisão é provisória e cabe recurso.

Em março de 2021, devido a esse atendimento, a família transferiu Carlos para o Hospital Israelita Albert Einstein em busca de um tratamento melhor. Ele ficou dois meses internados.

A decisão de condenar a Prevent Senior foi do juiz Guilherme Santini Teodoro, da 30ª Vara Cível, foi assinada na segunda-feira (27), mas publicada nesta quarta-feira (29). O dinheiro deverá ser depositado em até cinco dias.

Vale ressaltar que a decisão é em caráter liminar, não teve a presença da defesa da empresa e cabe recurso. O valor será destinado apenas para pagar o Einstein.

Teodoro avaliou que há “elementos indicativos de falha em atendimento médico-hospitalar” por parte da Prevent Senior, com base em relatórios médicos presentes nos autos.

“Aplicou-se ‘kit Covid’ e não se providenciou internação em UTI, recomendada pelo grave estado do paciente, inicialmente atendido em enfermaria do hospital Sancta Maggiore e depois, por intervenção de médico de confiança da família, em semi UTI”, escreveu o juiz na decisão.

por TV Cultura

Hospital da Prevent Senior funciona sem alvará, diz Prefeitura

A prefeitura de São Paulo identificou que o hospital da Prevent Senior, na Vila Olímpia, zona sul da cidade, não tem licença de funcionamento. Segundo a Secretaria Municipal de Subprefeituras, o estabelecimento está em situação irregular e precisa apresentar a documentação ou encerrar as atividades.

De acordo com a secretaria, o hospital tem prazo de 30 dias para regularizar a situação, caso contrário está sujeito a multas de R$ 125,4 mil.

A Prevent Senior disse, por nota, que o local tem autorização do governo estadual para funcionar como hospital de campanha. A informação foi confirmada pelo Centro de Vigilância Sanitária.

CPI

A operadora de saúde foi alvo de uma série de denúncias apresentadas ontem (28) na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia do Senado. A advogada Bruna Morato, que representa um grupo de ex-médicos, afirmou que os profissionais de saúde eram obrigados a prescrever remédios sem eficácia comprovada.

Segundo a advogada, os médicos também eram coagidos a alterar prontuários médicos, retirando a menção à covid-19 dos registros e passando a falsa sensação de sucesso dos medicamentos do kit covid. As ações seriam, de acordo com as denúncias, uma forma da empresa reduzir custos com as internações das pessoas acometidas pelo novo coronavírus (covid-19).

Autuação

A partir das denúncias, Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) autuou a operadora de saúde por, supostamente, deixar de comunicar seus pacientes sobre o uso de remédios sem eficácia comprovada.

A Prevent Senior informou que prestará todos os esclarecimentos à ANS dentro do prazo estabelecido pela agência. E garantiu não ter omitido aos pacientes as devidas informações sobre os tratamentos prescritos em suas unidades.

Em nota, a empresa disse que as acusações feitas na CPI são infundadas. “Têm como base mensagens truncadas ou editadas, vazadas à imprensa, e serão desmontadas ao longo das investigações”.

A operadora também nega ter obrigado o uso de remédios sem eficácia ou ter ocultado casos de covid-19. “Ao longo da epidemia, a Prevent aplicou cerca de 500 mil testes em que constatou o contágio de 56 mil pacientes. Desse número, 7% redundaram em mortes. Todos os casos foram rigorosamente notificados. A Prevent Senior sempre respeitou a autonomia dos médicos, nunca demitindo profissionais por causa de suas convicções técnicas”, diz o comunicado.

Por Agência Brasil

ANS autua Prevent Senior por não informar pacientes sobre “kit covid”

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) autuou nesta segunda-feira (27/09) a operadora de saúde Prevent Senior por não informar pacientes e familiares de que estava realizando tratamento com remédios do chamado “kit covid”. A operadora tem dez dias para apresentar defesa.

A ANS comunicou ter encontrado indícios de infração para a conduta de “deixar de comunicar aos beneficiários as informações estabelecidas em lei ou pela ANS” e que continua averiguando a denúncia de cerceamento ao exercício da atividade médica aos prestadores vinculados à rede da Prevent Senior.

A empresa é acusada de obrigar médicos a receitarem o “kit covid” e de não fornecer a pacientes informações sobre esses medicamentos, que não tem sua eficácia comprovada no tratamento da covid-19 e que são promovidos pelo presidente Jair Bolsonaro desde o início da pandemia.

As acusações contra a Prevent Senior começaram em abril, quando médicos que trabalharam na linha de frente contra a covid-19 na operadora relataram receber assédio constante para prescrição de fármacos sem eficácia comprovada contra a doença e que poderiam agravar o quadro de saúde dos pacientes, como flutamida, cloroquina, azitromicina e ivermectina.

Além disso, uma reportagem exibida pela TV Globo indicou ainda que a Prevent Senior ocultou mortes de pacientes que teriam sido usados como cobaias num estudo para testar a eficácia da hidroxicloroquina, associada à azitromicina, para tratar a covid-19. O estudo chegou a ser elogiado por Bolsonaro como exemplo de sucesso do uso da hidroxicloroquina. 

CPI ouviu representante de médicos

Nesta terça-feira, a CPI da Pandemia ouviu a advogada Bruna Morato, que representa um grupo de médicos da rede Prevent Senior que denunciou práticas ilegais da empresa envolvendo especialmente a aplicação do “kit covid”.

Os profissionais acusam a empresa de usar pacientes como cobaias do tratamento precoce e ocultar mortes pelo coronavírus.

Aos senadores, Morato afirmou que os médicos que trabalhavam para a Prevent Senior corriam o risco de serem demitidos se não abraçassem sem ressalvas a aplicação do “tratamento precoce” ordenada pelo comando da rede, composto por hidroxicloroquina e azitromicina, entre outras drogas.

Segundo a advogada, os médicos não tinham autonomia para escolher o tratamento mais adequado para pacientes com covid-19 nem para fazer testes para verificar se alguns doentes corriam risco com os remédios.

“Não existia autorização para fazer determinados exames. Se prescrevia hidroxicloroquina sem a realização do eletrocardiograma. Existia a dispensação de ivermectina, e o médico não tinha autonomia para retirar esse item. Os médicos eram orientados à prescrição do kit, que vinha num pacote fechado e lacrado. Quando o médico queria tirar algum item, ainda que ele riscasse na receita, o paciente recebia completo. A receita também já estava pronta”, disse Morato.

Aos senadores, ela disse que as práticas ilegais na empresa a deixaram horrorizada. “Falta de autonomia médica, ocultação e manipulação de dados, falta de transparência em relação aos pacientes e falta de respeito em relação à vida das pessoas”, resumiu Morato.

A ANS esteve, na segunda-feira, na sede da operadora Hapvida, em Fortaleza, e na sede da operadora São Francisco, em Ribeirão Preto, para solicitar esclarecimentos a respeito das denúncias sobre cerceamento ao exercício da atividade médica de prestadores e sobre a prescrição do “kit covid”.

Por Deutsche Welle
as (Agência Senado, Lusa, OTS)

“Médicos que recusavam ‘kit covid’ eram demitidos pela Prevent”

A CPI da Pandemia ouviu nesta terça-feira (28/09) a advogada Bruna Morato, que representa um grupo de médicos da rede Prevent Senior que denunciou práticas ilegais da empresa envolvendo especialmente a aplicação de “tratamento precoce” contra covid-19, o coquetel de drogas sem eficácia e potencialmente prejudiciais que é promovido pelo presidente Jair Bolsonaro desde o início da pandemia.

Há duas semanas veio a público um dossiê elaborado pelos médicos denunciantes, que apontava que a rede Prevent Senior – que tem como principal clientela idosos – não só pressionou seus profissionais a receitarem o “kit covid” como realizou um estudo altamente irregular ministrando os medicamentos a pessoas com suspeita ou diagnóstico de covid-19 sem informar os pacientes ou seus familiares.

O dôssie também aponta que os prontuários de pacientes foram fraudados não só para esconder a aplicação de tratamentos experimentais mas também para ocultar a causa da morte por covid-19.

O dossiê ilustra essa última acusação com os casos do médico Anthony Wong e de Regina Hang, mãe do empresário Luciano Hang, que morreram quando estavam internados em hospitais da empresa. Wong era um conhecido pediatra que no início da pandemia se tornou um dos principais defensores públicos da cloroquina contra a covid-19. Ele morreu em janeiro. À época, a Prevent se limitou afirmar que ele havia tido uma “parada cardiorrespiratória”.

Segundo reportagem da revista Piauí, o prontuário dele foi alterado para esconder que a causa foi covid-19 e que ele havia sido submetido a radicais e bizarros tratamentos experimentais antes de morrer.

Na semana passada, em depoimento à CPI, o diretor-executivo da operadora de saúde Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior, negou as acusações.

Aos senadores, a advogada Bruna Morato afirmou que os médicos que trabalhavam para a Prevent Senior corriam o risco de serem demitidos se não abraçassem sem critérios a aplicação do “tratamento precoce” ordenada pelo comando da rede, composto por hidroxicloroquina e azitromicina, entre outras drogas.

Segundo a advogada, os médicos não tinham autonomia para escolher o tratamento mais adequado para pacientes com covid-19 nem para fazer testes para verificar se alguns doentes corriam risco com os remédios.

“Não existia autorização para fazer determinados exames. Se prescrevia hidroxicloroquina sem a realização do eletrocardiograma. Existia a dispensação de ivermectina, e o médico não tinha autonomia para retirar esse item. Os médicos eram orientados à prescrição do kit, que vinha num pacote fechado e lacrado. Quando o médico queria tirar algum item, ainda que ele riscasse na receita, o paciente recebia completo. A receita também já estava pronta”, disse Morato.

Aos senadores, ela disse que as práticas ilegais na empresa a deixaram “horrorizada”.

“Falta de autonomia médica, ocultação e manipulação de dados, falta de transparência em relação aos pacientes e falta de respeito em relação à vida das pessoas”, resumiu Morato.

Fraudes

Ela ainda afirmou que a rede alterava a Classificação Internacional de Doenças (CID) no prontuário dos pacientes, retirando qualquer menção à covid-19, “para que houvesse uma falsa sensação de sucesso em relação ao tratamento preventivo”. Segundo ela, a ordem para omitir a covid-19 como causa da morte partiu da direção da empresa.

Morato também afirmou que a direção da Prevent Senior tentou maquiar seu estudo irregular sobre os efeitos do “kit covid” em pacientes para adequar as conclusões a falas públicas do presidente Jair Bolsonaro sobre a suposta eficácia do tratamento. Em abril de 2020, Bolsonaro escreveu numa rede social que o tratamento com cloroquina garantia “100% de cura”.

Depois dessa declaração do presidente, segundo Morato, o diretor da Prevent Senior responsável pelo estudo acionou pesquisadores da rede para rever os dados da pesquisa. O objetivo seria garantir que estavam alinhados aos números citados pelo presidente.

“Existia uma mensagem de texto encaminhada ao grupo de pesquisadores, de autoria do [diretor do Instituto de Pesquisa da Prevent Senior] doutor Rodrigo Esper, em que ele pede que se faça um ‘arredondamento’ de dados, considerando a citação do presidente da República. Ele pede que se faça uma revisão após o tuíte do presidente. Cita que [o estudo] foi citado pelo presidente e que, por isso, os dados precisariam ser perfeitos”, afirmou Morato.

Segundo a advogada, um dos diretores da Prevent Senior, identificado como Felipe Cavalca, ainda encaminhou mensagens orientando médicos a não informar os pacientes e familiares sobre os riscos do tratamento com o “kit covid”. Ainda segundo a advogada, os clientes da empresa “foram ludibriados” a assinar termos de consentimento para a realização de estudos sobre os medicamentos ineficazes.

“O paciente idoso é extremamente vulnerável. Eles não sabiam que seriam feitos de cobaia. Eles sabiam que iriam receber medicamentos. Isso são coisas diferentes. Quando chegava para retirar o medicamento, era passada a seguinte informação: ‘para retirar essa medicação, o senhor precisa assinar aqui’. Eles não tinham ciência de que esse ‘assina aqui’ era o termo de consentimento”, disse Morato.

“Gabinete das sombras”

Ainda segundo Morato, no início da pandemia o diretor da Prevent Pedro Batista Júnior tentou se aproximar do então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que havia criticado a empresa após várias mortes por covid-19 em um hospital da rede, o Sancta Maggiore, em São Paulo.

Sem êxito na aproximação com Mandetta, a Prevent teria fechado uma “aliança” com um grupo de médicos que assessoravam o governo federal, membros do chamado “gabinete paralelo” ou “gabinete das sombras”, formado por médicos e leigos bolsonaristas que eram entusiastas do uso em larga escala da cloroquina e outras drogas ineficazes contra a covid-19.

Na prática, segundo apontaram várias figuras que passaram pela CPI, era esse grupo obscuro formado por bolsonaristas e negacionistas da covid-19 que realmente ditava a política de combate à pandemia, e não o Ministério da Saúde.

“Segundo informações, o doutor Pedro foi informado que existia um conjunto de médicos assessorando o governo federal e que esse conjunto de médicos estaria totalmente alinhado com interesses do Ministério da Economia. O que eles [clientes] me explicaram foi o seguinte: existia um interesse do Ministério da Economia para que o país não pare. Se nós entrarmos nesse sistema de lockdown, nós teríamos um abalo econômico muito grande. Existia um plano para que as pessoas pudessem sair às ruas sem medo”, afirmou.

“Eles desenvolveram uma estratégia. Qual era essa estratégia? Através do aconselhamento de médicos. Esses médicos eu posso citar também de forma nominal, porque me foi dada essa explicação: era o doutor Anthony Wong, toxicologista responsável por desenvolver um conjunto medicamentoso atóxico; a doutora Nise Yamaguchi, especialista em imunologia, a qual deveria disseminar informações a respeito da resposta imunológica das pessoas; o virologista Paolo Zanotto, para que ele falasse a respeito do vírus e tratasse a respeito dessa situação de forma mais abrangente, evocando notícias. E a Prevent Senior iria entrar para colaborar com essas pessoas. É como se fosse uma troca, a qual nós chamamos na denúncia de pacto, porque assim me foi dito”, completou.

Estratégia para cortar custos

Bruna Morato disse aos senadores que a prescrição do “kit covid” era uma estratégia da Prevent Senior para evitar a internação de pacientes nos hospitais da rede e reduzir custos.

“Não é nem uma questão interpretativa. É uma constatação. As mensagens de texto disponibilizadas à CPI mostram que a Prevent Senior não tinha a quantidade de leitos necessários de UTI e, por isso, orientava o ‘tratamento precoce’. É muito mais barato você disponibilizar um conjunto de medicamentos aos pacientes, do que fazer a internação desses pacientes. Era uma estratégia para redução de custos.”

Questionada pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) sobre a prescrição indiscriminada de medicamentos, Morato disse que houve uma intenção inicial da operadora de “acompanhamento mais completo” dos pacientes pelo médicos. No entanto, segundo ela, a demanda era tão alta que a Prevent passou a deixar de orientar o acompanhamento para fazer a prescrição da medicação ineficaz.

Depoimento de Hang

Na quarta-feira, a CPI vai ouvir o empresário bolsonarista Luciano Hang, acusado de ser um dos integrantes financiadores do “gabinete paralelo” de entusiastas da cloroquina que ditava os rumos da gestão da pandemia sem qualquer controle. Hang ainda teve seu nome envolvido no escândalo da Prevent Senior após a revelação que sua mãe, internada com covid-19 num hospital da rede no primeiro semestre, recebeu o “tratamento precoce”.

O atestado de óbito da mãe do empresário não indicava que ela morreu da doença, o que levantou acusações de fraude. Hang e a empresa de saúde ainda esconderam publicamente que ela havia recebido o “kit-covid”. Hang foi além: chegou a gravar um vídeo afirmando que ela nunca havia recebido o “tratamento” e sugerindo que ela poderia ter sobrevivido com uma aplicação preventiva de cloroquina. A atitude do empresário foi encarada como uma forma de manter viva a farsa da eficácia do “tratamento precoce” e gerou repulsa por parte de senadores da oposição, que acusaram Hang de usar a morte da própria mãe em nome do bolsonarismo.

Hang é um conhecido entusiasta do bolsonarismo e também já foi acusado de financiar redes de fake news que atacam adversários do presidente.

Em junho, a CPI convocou Carlos “Wizard” Martins, acusado de ser um dos organizadores do “gabinete das sombras”. O gabinete incluía figuras como a oncologista Nise Yamaguchi e o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS), um dos principais ideólogos do negacionismo junto ao Planalto. Martins permaneceu em silêncio na maior parte de seu depoimento.

Por Deutsche Welle
jps/ek (ots, Agência Senado)

Diretor da Prevent Senior nega ocultação de mortes por covid-19

Pedro Benedito Batista Júnior (ao centro), diretor da Prevent Senior (Edilson Rodrigues/Agência Senado)

A CPI da Pandemia ouviu nesta quarta-feira (22/09) o depoimento do diretor-executivo da operadora de saúde Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior, que passa à condição de investigado.

A empresa é suspeita de ocultar mortes de pacientes com covid-19 em estudo realizado para testar medicamentos do chamado “tratamento precoce”, sem eficácia e segurança comprovadas cientificamente. Os pacientes e os familiares não teriam sido informados sobre a participação no estudo.

A comissão também investiga a empresa sobre uma possível pressão para que médicos conveniados à operadora prescrevessem remédios do “kit covid”, como a hidroxicloroquina. 

Além disso, senadores disseram que ouviram de usuários da operadora relatos de assédio para que aceitassem o tratamento precoce, que até hoje é amplamente defendido pelo governo Jair Bolsonaro, na contramão do resto do mundo.

Diante do depoimento de Batista, o relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL) anunciou durante a sessão que alterou a condição do depoente de testemunha para investigado.

Dossiê aponta ocultação de mortes

Funcionários da Prevent encaminharam à CPI um dossiê segundo o qual a empresa teria ocultado mortes por covid-19 e impedido o uso de equipamento de proteção individual (EPI). O objetivo seria facilitar a disseminação do coronavírus em ambiente hospitalar e iniciar um protocolo de testes para tratamento da doença.

À CPI, Batista criticou o documento, que, segundo ele, foi elaborado com base em notícias veiculadas na imprensa e demanda parlamentar. De acordo com o depoente, mensagens e planilhas de acompanhamento de pacientes foram manipuladas pelos ex-médicos da Prevent Senior George Joppert Netto e André Fernandes Joppert, desligados da empresa em julho de 2020.

Batista alegou ainda que uma análise de provas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) comprovou a inexistência de infração por parte da Prevent.

O diretor da Prevent Senior negou que tenha havido “testagem em massa”, mas admitiu a realização de um “estudo observacional”. Segundo ele, nenhum médico foi “incitado” a receitar hidroxicloroquina e cada profissional teve autonomia junto ao paciente.

“Quando foram feitos estudos, sim, todos os pacientes receberam o ‘termo de livre esclarecido'”, garantiu.

Questionado pelo relator sobre o descrédito do estudo pela comunidade internacional, Batista respondeu que a pesquisa não foi publicada por ter sido apenas “a observação” de 630 pacientes. Entre os pacientes acima de 80 anos, a taxa de óbito foi de 29%, segundo o depoente.

Mortes não notificadas

De acordo com reportagem exclusiva da emissoraGloboNews, nove participantes do estudo teriam morrido de covid-19, mas apenas dois óbitos foram relatados. 

Ainda de acordo com a GloboNews, a Prevent Senior teria omitido do atestado de óbito que a causa da morte do médico defensor do tratamento precoce Anthony Wong, em janeiro, foi covid-19. O mesmo teria ocorrido com a certidão de óbito de Regina Hang, mãe do empresário bolsonarista Luciano Hang, que morreu em fevereiro após complicações da doença no hospital Sancta Maggiore, da Prevent Senior, em São Paulo. Ambos foram tratados com medicamentos do “kit covid”. 

Durante a sessão da CPI, foi exibido um vídeo no qual Luciano Hang diz que a mãe poderia ter sobrevivido se tivesse feito o “tratamento precoce”. Renan Calheiros classificou o comportamento do empresário como “macabro” e “repugnante”.

“Há uma farsa que será desmascarada aqui. Vamos provar que ele pediu: ‘Escondam que minha mãe foi tratada com cloroquina, para não desmerecer a eficácia’. Ele a levou para ser tratada no hospital com cloroquina, e a Prevent Senior ocultou isso”, disse o relator da CPI.

Já o senador Otto Alencar (PSD-BA) chamou Hang de “filho desalmado” por usar a morte da mãe para promover o “tratamento precoce”.

O depoente, por sua vez, reiterou que não comentaria casos de pacientes, alegando sigilo médico. Sobre a morte do médico Anthony Wong, Batista se recusou a responder a uma série de perguntas, justificando que a autonomia médica precisa ser preservada. 

Mas Renan apresentou um áudio de uma conversa telefônica com trocas de ameaças entre Batista e um ex-médico da Prevent Senior que denunciou que a empresa teria escondido que a morte de Wong tinha sido por covid-19.

Batista negou, ainda, que o estudo da Prevent Senior sobre o uso de cloroquina por pacientes tenha sido revisado para corrigir “inconsistências”. No entanto, Renan reproduziu durante a sessão um áudio em que um diretor da empresa, o cardiologista Rodrigo Esper, determina a revisão dos dados.

O áudio foi gravado depois que Bolsonaro citou o estudo em uma rede social. Segundo o presidente, nenhum dos 412 pacientes da empresa que tomaram cloroquina morreu por covid-19. No áudio, porém, Esper faz referência à postagem de Bolsonaro e diz que é necessário “ajustar os parafusos”.

Procura por cloroquina após falas de Bolsonaro

À CPI, Batista disse que, após declarações de Bolsonaro e de outras pessoas influentes, pacientes contaminados com o coronavírus começaram a exigir serem tratados com cloroquina.

Senadores afirmaram que Batista mentiu ao dizer que médicos ligados à Prevent Senior não receitaram tratamento precoce sem diagnóstico adequado. O senador Rogério Carvalho (PT-SE) relatou que teve acesso a receitas que comprovam a mentira.

O diretor da operadora afirmou que a Prevent tratou cerca de 18 mil pacientes com covid-19, mas disse não saber informar o número de mortes, o que gerou críticas de senadores.

Ao contrário de denúncias, Batista também disse que nenhum médico foi constrangido por não prescrever “tratamento precoce”.

“Médicos foram excluídos da empresa por falhas graves éticas e morais, como invasão de prontuários e tratamento inadequado de pacientes”, justificou.

Durante a sessão, foi exibido um vídeo em que um suposto representante da Prevent Senior afirma que, após assinatura do contrato com a empresa, os clientes recebiam o “kit covid”.

No vídeo, o representante esclarece que a Prevent queria evitar que o cliente adoecesse, porque isso geraria custos. Assim, enviava aos clientes o kit com ivermectina, cloroquina e outros medicamentos.

À CPI, Batista negou a informação. “Eram enviadas as medicações prescritas pelos médicos aos pacientes, nunca houve kit anticovid”, afirmou.

Contrapondo Batista, Renan afirmou que a CPI tem provas de que os kits foram, sim, enviados.

Financiamento do estudo

Batista não respondeu se os laboratórios Vitamedic e Aspen patrocinaram estudos realizados pela Prevent Senior com a ivermectina e a hidroxocloriquina.

O relator perguntou ainda se a Prevent Senior teve participação no “aumento vertiginoso de faturamento” dos dois laboratórios durante a pandemia. Batista disse não poder responder, uma vez que não avaliou o balanço das duas empresas.

Renan lembrou que a Prevent Senior comprou 32 mil comprimidos de ivermectina da Vitamedic em 2020 e quase 28 mil entre janeiro e setembro de 2021. No caso da hidroxicloriquina, a empresa adquiriu 600 mil cápsulas diretamente da Aspen durante a pandemia.

Por Deutsche Welle
le (Agência Senado, ots)

CPI apura se Prevent Senior testou “kit covid” em pacientes sem avisá-los

(Pedro França/Agência Senado)

Na reta final de seus trabalhos, a CPI da Pandemia buscará esclarecer por qual motivo a operadora de saúde Prevent Senior envolveu-se na disseminação do uso e em estudos sobre o chamado “kit covid”, composto por medicamentos ineficazes contra a doença defendidos pelo presidente Jair Bolsonaro, como a cloroquina, a azitromicina e a ivermectina, que podem inclusive agravar a saúde dos pacientes.

Segundo acusações em poder da comissão, detalhadas em reportagens veiculadas pela GloboNews, a Prevent Senior pressionou seus profissionais a receitarem o “kit covid” e realizou uma pesquisa ministrando os medicamentos a pessoas com suspeita ou diagnóstico de covid-19 sem informar os pacientes ou seus familiares.

O diretor-executivo da Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior, que também é tenente médico da reserva do Exército, havia sido intimado pela CPI da Pandemia a prestar depoimento nesta quinta-feira (16/09), mas não compareceu sob argumento de que fora comunicado com menos de 48 horas de antecedência.

Os senadores remarcaram seu depoimento para a próxima quarta-feira, e ameaçaram acionar a Justiça para que ele seja conduzido coercitivamente. O relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), pretende apresentar seu relatório até o final da próxima semana.

Tratamentos experimentais

O senador Humberto Costa (PT-PE), autor do requerimento da convocação de Batista, afirmou que a comissão recebeu denúncias de médicos de que a operadora teria pressionado profissionais a receitar o “kit covid” e realizado tratamentos experimentais sem o consentimento de pacientes.

“Uma das coisas que o hospital orientava era que os pacientes e os seus familiares não tivessem conhecimento de que essa experiência estava sendo feita, que não tivessem conhecimento de que estavam sendo administrados esses medicamentos. A informação que se tem é que isso foi um acerto entre a direção do hospital e o governo federal”, afirmou Costa. Não está claro, porém, quais seriam os termos desse suposto acordo entre a Prevent e o governo Bolsonaro. 

Segundo a GloboNews, o estudo começou a ser realizado em 25 de março de 2020 e a primeira versão dos resultados foi divulgada em 15 de abril. Três dias depois, Bolsonaro compartilhou as informações no seu Twitter, como um suposto exemplo de que a cloroquina seria eficaz contra a covid-19, e mencionando a Prevent.

“Segundo o CEO Fernando Parrillo, a Prevent Senior reduziu de 14 para 7 dias o tempo de uso de respiradores e divulgou hoje, às 1h40 da manhã, o complemento de um levantamento clínico feito: de um grupo de 636 pacientes acompanhados pelos médicos, 224 NÃO fizeram uso da HIDROXICLOROQUINA. Destes, 12 foram hospitalizados e 5 faleceram. Já dos 412 que optaram pelo medicamento, somente 8 foram internados e, além de não serem entubados, o número de óbitos foi ZERO. O estudo completo será publicado em breve”, tuitou o presidente em 18 de abril.

Pesquisa sem consentimento

Mensagem obtida pela GloboNews mostra um diretor da Prevent, Fernando Oikawa, orientando os médicos a ministrarem cloroquina e azitromicina aos pacientes como parte do estudo, com a ressalva que não informassem o paciente ou seus familiares a respeito.

“Iremos iniciar o protocolo de HIDROXICLOROQUINA + AZITROMICINA. Por favor, NÃO INFORMAR O PACIENTE ou FAMILIAR, (sic) sobre a medicação e nem sobre o programa”, escreveu Oikawa em um grupo de aplicativo de mensagens com profissionais da Prevent.

Nove pessoas morreram durante a pesquisa, das quais seis haviam tomado cloroquina e azitromicina, duas não tinham tomado a medicação, e uma sem informação a respeito. Segundo um médico da Prevent relatou à GloboNews, o estudo teria sido manipulado e seus resultados já estariam prontos antes da sua conclusão.

Ainda segundo a emissora, os autores do estudo mencionam só duas mortes entre os pacientes pesquisados. O coordenador da pesquisa, o cardiologista Rodrigo Esper, afirma no estudo que essas duas mortes teriam ocorrido por outros motivos de saúde pré-existentes e não relacionados à covid-19.

Ministério Público também investiga

A reportagem da GloboNews apontou ainda que a Prevent Senior teria ocultado a morte de pacientes que tiveram covid-19 e receberam atendimento em seus hospitais. A emissora teve acesso a uma mensagem de um diretor da Prevent orientando os coordenadores das unidades a alterarem o código de diagnóstico (CID) dos pacientes que deram entrada com covid-19 após algumas semanas de internação.

“Após 14 dias do início dos sintomas (pacientes de enfermaria/apto) ou 21 dias (pacientes com passagem em UTI/Leito híbrido), o CID deve ser modificado para qualquer outro exceto o B34.2 (código da Covid-19) para que possamos identificar os pacientes que já não tem mais necessidade de isolamento. Início imediato”, diz a mensagem.

A justificativa seria liberar os pacientes que não precisariam mais de isolamento, mas a alteração faria com que, caso o paciente viesse a falecer, o registro de óbito deixasse de indicar covid-19 como motivo.

A GloboNews identificou dois casos de pacientes da Prevent que contraíram covid-19 e morreram, mas a doença não constava em suas declarações de óbito. Um deles, além de receber medicamentos do “kit covid”, foi submetido a cerca de 20 sessões de ozonioterapia, uma terapia que só pode ser feita em pesquisas experimentais por instituições credenciadas, uma autorização que a Prevent não detém, segundo a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep).

A Conep chegou a autorizar a Prevent a realizar o estudo com a cloroquina e a ivermectina, mas suspendeu a pesquisa ao ser informada que ela havia sido iniciada antes da aprovação legal.

O Ministério Público estadual de São Paulo instaurou um inquérito em março para apurar denúncias de que profissionais da Prevent teriam sido forçados a receitar os medicamentos do “kit covid” mesmo antes da consulta e do resultado de exames dos pacientes. O inquérito investiga a recomendação de prescrição de outros medicamentos além daqueles do kit e também sem eficácia contra a doença, como a flutamida, usada no tratamento de câncer de próstata, e o etanercepte, para atrite. Profissionais ouvidos pela GloboNews relataram que sofriam risco de demissão se não seguissem a recomendação da empresa.

Em nota, a Prevent Senior afirma que “sempre atuou dentro dos parâmetros éticos e legais e, sobretudo, com muito respeito aos beneficiários”, que prestou todas as informações solicitadas pela CPI da Pandemia e que está à disposição dos senadores.

A empresa também afirmou que pedirá que o Ministério Público apure as denúncias “infundadas e anônimas” contra si, e que irá tomar medidas judiciais para pedir a punição de quem teria feito “denunciação caluniosa”.

“Os médicos da empresa sempre tiveram a autonomia respeitada e atuam com afinco para salvar milhares de vidas. Importante lembrar que números à disposição da CPI demonstram que a taxa de mortalidade entre pacientes de Covid 19 atendidos pelos nossos profissionais de saúde é 50% inferior às taxas registradas em São Paulo”, afirmou a Prevent.

Por Deutsche Welle
bl (ots)

SP tem mais 2 mortes por Coronavírus, confirma hospital

A cidade de São Paulo registrou mais duas mortes por Covid-19, o novo Coronavírus. A informação foi confirmada no meio da tarde pela Prevent Senior.

Os pacientes são dois idosos que estavam internados. Um deles tinha 65 anos, sem doenças relacionadas, e outro, com 80 anos, fazia tratamento para outras doenças.

Os dois pacientes estavam internados desde o dia 15 de março, no Hospital Sancta Marggiore, na região do Paraíso, na Capital.