Operação prende suspeitos de ligação com PCC no litoral

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou, nesta quarta-feira (18), com apoio da Polícia Militar do Estado de São Paulo (2º CPChoque), a Operação Colorido, visando a desarticular um grupo dedicado ao tráfico de drogas. Trata-se de desmembramento da Operação Fast Track, deflagrada simultaneamente na capital, om o objetivo de desarticular a célula jurídica da organização criminosa autodenominada Primeiro Comando da Capital (PCC). 

No curso das investigações, apurou-se que, após a transferência de F.G.S., vulgo “Colorido” ou “Azul”, para o sistema penitenciário federal, ele designou W.N.B., vulgo “Bel” ou “Bolacha”, para cuidar de seus negócios relacionados ao tráfico de drogas. A autorização foi transmitida através de uma advogada, alvo da operação deflagrada na capital.

No período do monitoramento do grupo, identificou-se seu envolvimento com a aquisição de mais de R$ 200 mil em entorpecentes oriundos de Corumbá (MS), rota do tráfico de cocaína. “Bel” atuava em sociedade com C.C.S.C., vulgo “Binho”, e ambos ainda contavam com a participação das respectivas companheiras para a movimentação dos valores relacionados ao comércio dos entorpecentes.

Além de atuar no tráfico de drogas, “Bel” exerce a função de apoio da sintonia final do PCC, estando, portanto, próximo ao mais alto escalão da organização criminosa. “Colorido”, por sua vez, é um dos primeiros integrantes do PCC. Ele foi preso em 2001 após uma investigação da Polícia Civil identificá-lo como gerente na receptação de cargas de armas a serem utilizadas em grandes assaltos, principalmente a bancos. Em 2019, “Colorido” recebeu condenação a 36 anos de prisão por envolvimento em homicídios. O homem é considerado como um dos principais líderes da organização criminosa, exercendo a função de sintonia final, o que motivou sua transferência para o sistema penitenciário federal em fevereiro de 2019.

Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão e quatro de prisão temporária nas cidades de São Vicente, Santos e Praia Grande.

*MP-SP

PCC: Parceiro de Marcola, Fuminho é trazido ao Brasil

Preso em Moçambique, na África, no último dia 13, Fuminho saiu do aeroporto de Maputo na madrugada deste domingo (19/4)

Fuminho é extraditado para o Brasil | Foto: Arquivo Ponte

O megatraficante Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, 49 anos, preso no último dia 13 em Moçambique, na África, foi extraditado hoje para o Brasil.

Ele embarcou 1h30 (horário local) da madrugada deste domingo (19/4) no aeroporto de Maputo, capital moçambicana, em um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) e estava algemado e com correntes nos pés.

TRAFICANTE FUMINHO SEGUE PARA O BRASIL

FUMINHO EXTRADITADO PARA O BRASIL Procurado pela justiça brasileira há 21 anos, Gilberto Aparecido dos Santos, ou simplesmente Fuminho, já está a caminho do Brasil. O presumível traficante de droga foi expulso administrativamente do território nacional por ordens do Ministro do Interior, Amade Miquidade que fundamenta a expulsão com “ imigração ilegal”. O processo foi gerido de forma ultra secreta, até a confirmação da saída de Fuminho do território nacional, através de uma aeronave da Força Aérea Brasileira. A Miramar sabe que Fuminho saiu da Penitenciária de Máxima Segurança, vulgo BO durante a madrugada de hoje e foi conduzido ao Aeroporto Internacional de Mavalane, donde partiu para o Brasil.Fuminho chegou no aeroporto com uma corrente que isolava as mãos e os pés, tudo para evitar a fuga. Um esquema de segurança desenhado ao detalhe para garantir a expulsão de Moçambique.O Ministro do Interior diz que aquando da entrada no território nacional, o cidadão Luiz Gomes de Jesus, também conhecido por Gilberto Aparecido dos Santos, não obedeceu os procedimentos migratórios e a entrada irregular é fundamento para expulsão administrativa.Alguns juristas esperavam ver o indiciado julgado e condenado em Moçambique e depois expulso, dado que se aventava a possibilidade de ter cometido crimes no território nacional.Fuminho foi detido na tarde da última terça-feira, em Maputo, num hotel de luxo, no bairro Sommerchield.O Ministro da Justiça do Brasil, Sérgio Moro, afirmou que a prisão do traficante, que estava há 21 anos foragido, foi um “golpe poderoso” na organização criminosa que ele fazia parte.A operação da prisão de Fuminho foi uma acção de cooperação policial internacional entre o Serviço Nacional de Investigação Criminal (Moçambique), a Polícia Federal (Brasil) e a DEA (Drug Enforcement Administration), órgão do Departamento de Justiça dos Estados Unidos responsável pelo combate às drogas.Fuminho é apontado como responsável pelo fluxo de dinheiro e da logística necessária para o tráfico internacional de drogas na região da Bolívia e Paraguai.A carreira no crime ganhou relevância quando fugiu da prisão, no Carandiru, em São Paulo em janeiro de 1999. Desde então, era procurado pela polícia brasileira.Em abril de 2019, Fuminho teria dado o aval para membros da facção criminosa fazer o resgate de Marcola , líder máximo da facção criminosa, do Presídio Federal de Brasília. Dois aviões e um helicóptero, que seriam caracterizados como da Polícia Militar de São Paulo, seriam usados no plano.Aos órgãos de comunicação assegurou não conhecer Marcola.Posted by TV Miramar on Sunday, April 19, 2020

Considerado o maior traficante de cocaína do Brasil e o principal fornecedor de drogas para o PCC (Primeiro Comando da Capital), Fuminho acabou preso em um hotel de luxo quando estava com dois nigerianos.

Há suspeitas de que os nigerianos não eram amigos de Fuminho, mas homens infiltrados pela DEA (Drug Enforcement Administration), a Polícia Federal dos Estados Unidos, responsável pela prisão do brasileiro.

Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, 49 anos, é apontado como braço direito de Marcola, líder do PCC (Reprodução)

Ainda não se sabe para qual presídio Fuminho será removido. A expectativa é de que ele seja encaminhado para uma das cinco penitenciárias federais do país: Brasília (DF), Porto Velho (RO), Mossoró (RN), Catanduvas (PR) ou Campo Grande (MS).

Fuminho estava foragido desde janeiro de 1999, quando escapou da Casa de Detenção, no Carandiru, zona norte de São Paulo, junto com Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder máximo do PCC.

O advogado de Fuminho, Eduardo Dias Durante, contratou dois escritórios de advocacia para auxiliá-lo na defesa de seu cliente em Moçambique. Um deles é ligado à Sara Mandela, filha do ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, que acompanhou todo o processo desde a prisão de Fuminho até a extradição dele.

Em Maputo, Fuminho ficou preso em uma cela monitorada por diversas câmeras de segurança. Ele permaneceu o tempo todo vigiado por agentes da DEA.

Os policiais norte-americanos caçavam Fuminho desde 2014, período em que ele morou na Flórida, nos EUA, com o parceiro do PCC Wilson José Lima de Oliveira, o Neno, 42 anos. Ambos escaparam de um cerco e conseguiram fugir para o Panamá.

No Brasil há dois mandados de prisão contra Fuminho. Um deles foi expedido pela Justiça do Ceará, em fevereiro de 2018. Ele foi acusado de comandar os assassinatos de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e Fabiano Alves de Souza, o Paca.

Ambos eram homens fortes do PCC, apenas abaixo de Marcola e foram executados sob a acusação de desviar dinheiro da facção criminosa. Os dois adquiriram imóveis de luxo no valor de R$ 8 milhões e veículos importados avaliados em R$ 2 milhões no Ceará.

O outro mandado de prisão refere-se a uma ocorrência de tráfico de drogas. Fuminho foi acusado pela Polícia Federal de guardar ao menos 18 armas de grosso calibre, como fuzis e submetralhadoras, e 470 kg de cocaína em um sítio em Juquitiba, na Grande São Paulo.

A droga e o armamento estavam escondidos em um bunker, um poço com mais de 30 metros de profundidade que contava até com um elevador hidráulico.

Além de Fuminho, foram acusados pelo crime Antonio Farias da Costa, Charles do Reis Araújo, Dirnei de Jesus Ramos, e Vanderlei José Ramos e Ailton José Oliveira, todos considerados megatraficantes.

Dirnei, Charles e Ailton foram condenados a 21 anos de prisão. Charles foi apontado como o dono do sítio de Juquitiba. Antonio recebeu uma pena de 24 anos e Vanderlei de 25 anos.

A Polícia Federal monitorava Fuminho há meses naquela época. Agentes o seguiram e o filmaram em diversas ocasiões, como na Favela Heliópolis, zona sul da cidade de SP, na Favela Pantanal, zona leste, e num posto de gasolina na região de Capivari, interior de São Paulo.

Os agentes federais já tinham montado um plano para prender Fuminho e sua quadrilha, mas policiais da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), invadiram o sítio de Juquitiba em março de 2013 e o bando conseguiu fugir.

A Rota alegou na época que havia recebido denúncia anônima sobre a existência do sítio, das armas e da droga apreendidos. Porém, a invasão ocorreu graças às escutas telefônicas feitas com autorização judicial por policiais militares do 18º Batalhão do Interior, em Presidente Prudente.

Segundo o advogado Eduardo Dias Durante, não há nada que comprove a participação de Fuminho com o tráfico de drogas e com o envolvimento dos assassinatos de Gegê do Mangue e de Paca.

Penitenciária federal de segurança máxima de Brasília (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Caso Fuminho seja mandado para a Penitenciária de Brasília, ele ficará mais perto de Marcola e de outros homens da cúpula do PCC, como Roberto Soriano, o Tiriça, Abel Pachedo de Andrade, o Vida Loka, Anderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, e Paulo Cesar Souza do Nascimento Júnior, o Neblina.

Histórico de Fuminho

Desses líderes do PCC, Fuminho cumpriu pena somente com Marcola, na Casa de Detenção do Carandiru. Esse presídio, palco do massacre de 111 preso pela PM em outubro de 1992, foi a “principal escola, a faculdade do crime” para Fuminho.

Ele foi preso pela primeira vez em 9 de abril de 1990, por uma simples contravenção penal. Foi condenado a pagar uma multa equivalente a 10 dias do salário mínimo da época.

Em 3 de julho de 1991 foi preso novamente, dessa vez por roubo, e pisou pela primeira vez na Casa de Detenção. Acabou condenado a quatro anos. Sobreviveu ao maior massacre da história prisional do país.

Em maio de 1993, três meses antes da fundação do PCC, Fuminho foi mandado para o regime semiaberto em Bauru, no interior paulista. Ele fugiu em 4 de janeiro de 1994.

Nas ruas voltou a roubar. Por um assalto realizado em dezembro de 1993 ele foi condenado a seis anos e oito meses. Em maio de 1998 foi preso e condenado a quatro anos e oito meses por tráfico.

Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola (Reprodução)

Em janeiro do ano seguinte, Fuminho escapou da Detenção com Marcola e não parou mais de traficar drogas. Ele é apontado pela Polícia Federal e Ministério Público Estadual como responsável pela exportação de ao menos uma tonelada de cocaína para a Europa por mês.

Agentes federais já interceptaram vários carregamentos de droga atribuídos a Fuminho, com apreensões inclusive de aeronaves. O advogado Eduardo Dias Durante ressalta que seu cliente jamais foi um narcotraficante.

Por Josmar Jozino – Repórter da Ponte

‘Padaria’ do PCC embalava até 900 papelotes por minuto

A Polícia Militar encontrou um galpão usado para produção e comercialização de drogas na zona sul da cidade de SP

Galpão clandestino era usado para produzir 900 papelotes de cocaína por minuto| Foto: Arquivo Ponte

Um maquinário avaliado em R$ 3,7 milhões, capaz de embalar 900 papelotes de cocaína por minuto, foi um dos maiores e mais modernos investimentos feitos pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) para produzir e comercializar a droga em São Paulo.

O sofisticado equipamento industrial foi descoberto na quinta-feira (16/4) pela Polícia Militar em um galpão clandestino na rua Engenheiro Artur de Miranda, 171, no Jardim Juçara, nas proximidades da Favela Paraisópolis, na zona sul da cidade.

Policiais militares da Rocam (Rondas Ostensivas com Apoio de Moto), do 2º Batalhão de Choque prenderam três pessoas e apreenderam 712 kg de cocaína refinada, além de 60 kg de pasta base.

No local foram encontradas também seis máquinas industriais de produção em larga escala da droga, cada uma avaliada em R$ 450 mil, e outra no valor de R$ 1 milhão. Os equipamentos estavam funcionando “em pleno vapor” quando os policiais chegaram.

Segundo a Polícia Militar, a droga produzida na “padaria” (nome dado por traficantes ao local onde a droga é preparada e embalada) do PCC era distribuída em toda a zona sul.

O oficial afirmou que os “padeiros” do PCC produziam, diariamente, R$ 300 mil em papelotes com a droga. Ainda de acordo com a PM, os policiais faziam patrulhamento na região e suspeitaram de um homem saindo do galpão, que se assustou quando viu os policiais e tentou entrar em um carro, mas acabou abordado.

Os outros dois traficantes foram presos dentro do galpão. Os PMs informaram que os três homens ofereceram R$ 163 mil aos policiais para não serem presos.

O dinheiro também foi apreendido. Os traficantes foram levados para o 34° DP (Morumbi) e autuados em flagrante por tráfico de drogas, associação à organização criminosa e corrupção ativa.

Eles foram identificados como Renaldo Ribeiro Moreno, Raphael Francisco da Silva e Paulo Henrique Rodrigues de Oliveira. A Ponte não conseguiu localizar os advogados dos acusados.

A mulher de um dos presos também foi detida para averiguação. O dinheiro que os traficantes queriam utilizar para corromper os PMs foi encontrado na casa dela, de acordo com um dos policiais que participou da ação. “As apreensões e as prisões representaram, sem dúvida, um duro golpe para essa facção criminosa”, comentou.

Por Josmar Jozino – Repórter da Ponte

PCC é investigado por execuções de 2 agentes em SP

Suspeita é de que os assassinatos de dois agentes em quatro dias, na Grande SP, sejam uma retaliação às denúncias de maus tratos contra a cúpula da facção em Brasília; em SP e Brasília, presos fazem greve

Polícia na rua onde agente Alexandre foi assassinado, em Taboão da Serra (Grande SP)
(Arquivo pessoal)

Dois agentes penitenciários foram assassinados em quatro dias na Grande São Paulo. A Polícia Civil investiga se as mortes são uma retaliação do PCC (Primeiro Comando da Capital) por conta das denúncias de maus-tratos aos líderes da facção presos na Penitenciária Federal de Brasília.

Na noite desta quinta-feira (12/3), o agente penitenciário Alexandre Roberto de Souza foi executado com 15 tiros no Jardim das Oliveiras, em Taboão da Serra (Grande SP). A vítima trabalhava no Centro de Detenção Provisória de Itapecerica da Serra, também na região metropolitana. Segundo a Polícia Militar, os assassinos fugiram em um veículo Fiat Toro vermelho.

Documento de Alexandre Roberto de Souza, assassinado em 12/3 (Arquivo pessoal)

Na tarde de segunda (9/3), Samuel Correia Lima, funcionário do CDP de Mauá, também na Grande SP, foi assassinado com sete tiros em um depósito de material de construção no vizinho município de Santo André. Amigos de Lima afirmaram à Ponte que o servidor trabalhava na enfermaria da unidade prisional e que sempre tratou bem tantos os presos quanto os colegas de trabalho.

Os assassinatos dos agentes  deixaram a categoria em alerta. O presidente do Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo, Fábio Jabá, enviou uma mensagem de áudio na noite de quinta-feira (12/3) pedindo cautela aos trabalhadores. “Vamos nos defender e se possível também atacar”, afirma.

“Não devemos esperar 2006 para saber o que está ocorrendo”, afirma Fábio Jabá na mensagem. Ele orienta a categoria a ter o máximo cuidado dentro e fora dos presídios para que não se repitam as cenas registradas em  maio de 2006, quando o PCC comandou rebelião simultânea em 74 prisões e atacou as forças de segurança, matando 59 pessoas, entre agentes e policiais. “Vamos nos defender e se possível também atacar”, afirma.



A megarrebelião de 2006 foi em protesto contra o isolamento de 765 presos da facção na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, na véspera do Dia das Mães, data sagrada para a população carcerária. Em resposta aos ataques do PCC, policiais mataram 505 pessoas em São Paulo.

O mesmo sindicalista apresentou o que seria um “salve” (recado trocado entre presos de facção), apreendido em uma prisão do interior de São Paulo, que ordenava a morte de um agente penitenciário, informando o nome dele e de seus pais, além do endereço (veja o documento completo, sem os nomes).

Suposto “salve” ordenando morte de agente penitenciário, apreendido no interior de SP

“Greve branca”

Parentes de presos disseram que os detentos da Penitenciária Federal de Brasília iniciaram greve de fome como forma de protesto. Eles se queixam da qualidade da alimentação, da falta de atendimento médico e de revistas vexatórias impostas às visitantes, que seriam obrigadas a ficaram nuas na frente de funcionários.

Polícia na rua onde agente Alexandre foi assassinado, em Taboão da Serra (Grande SP)| Foto: Arquivo pessoal 

No Estado de São Paulo, centenas de detentos manifestaram solidariedadeaos presos do PCC de Brasília e se recusaram em sair das celas para audiências em fóruns. A manifestação é chamada de “greve branca”.

Em mensagem de áudio a que a Ponte teve acesso, um agente penitenciário no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste da capital paulista, conversa com colega do CDP Belém, na zona leste, sobre a greve dos presos em São Paulo e comenta que “o bicho vai pegar”.

Segundo funcionários do sistema prisional, na quarta-feira (11/3) ao menos 60 presos foram mandados para o castigo na Penitenciária 1 de Presidente Venceslau, por causa da “greve branca”. A SAP (Secretaria Estadual da Administração Penitenciária) não confirma essa informação.

Funcionários do sistema prisional disseram à Ponte  não ter dúvidas de que as mortes dos dois agentes foi uma vingança do PCC por conta da situação dos líderes na Penitenciária Federal de Brasília e também por causa da remoção de presos para o castigo na Penitenciária 1 de Venceslau.

Um agente penitenciário afirmou que entre 60 e 80 presos da Capital foram transferidos para a P1 de Venceslau porque se solidarizaram com os chefes da facção criminosa recolhidos em Brasília. O funcionário contou ainda que outros presos do Interior, que também participaram da “greve branca”, serão levados para a P1 de Venceslau ainda esta semana.

Em nota divulgada na quarta-feira (11/03), a SAP havia informado que “houve poucas recusas dos presos, em algumas unidades, para comparecimento em juízo”.

Desde janeiro a Ponte vem divulgando denúncias trazidas por familiares de presos do PCC relacionadas à falta de atendimento médico e hospitalar, privação de alimentação e revista vexatória na unidade de Brasília.

Outra queixa refere-se à proibição dos presos de abraçar os filhos ao menos uma vez por mês em dia de visita. Os detentos que tiveram bom comportamento em um ano inteiro podiam fazer isso. Mas esse direito foi tirado, o que causou grande insatisfação à população carcerária.

Por Josmar Jozino – Repórter da Ponte

Pena de Marcola cresceu quase 10 vezes durante prisão

Preso por roubar carros e bancos, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, acumula pena hoje de 330 anos de reclusão

Marcola também participou de um dos conhecidos assaltos cinematográficos planejados pela facção no início dos anos 2000 | Foto: reprodução

A pena de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado pelo Ministério Público Estadual de São Paulo como líder máximo do PCC (Primeiro Comando da Capital), aumentou quase dez vezes quando ele já estava atrás das grades, sob custódia do Estado.

Ele foi preso por roubos a carros no final da adolescência, em 1986, e por assaltos a bancos e transportadoras de valores nos anos 1990. Antes de ser apontado como líder do PCC, em 2003, Marcola estava condenado a 39 anos de prisão. A pena dele hoje é de 330 anos.

Em maio de 2006, o PCC promoveu ataques que mataram 59 agentes públicos, a maioria policiais militares. A resposta do braço armado do Estado foi a morte de mais de 505 civis. O episódio ficou conhecido como Crimes de Maio. Marcola foi acusado de ser o mandante da série de ataques, como mostram os documentos abaixo. 

Em 11 de setembro de 2009, a Justiça o condenou a 29 anos pelo assassinato do juiz-corregedor de Presidente Prudente, Antônio José Machado Dias, executado a tiros em 14 de março de 2003. Até hoje Marcola nega ter sido o mandante da morte do magistrado. 

Em 6 de março de 2013, Marcola foi condenado a 158 anos de prisão pelas mortes de 10 presos, ocorridas nos dias 13 e 14 de fevereiro de 2001 na Casa de Detenção, no Carandiru, zona norte de São Paulo.

As mortes em série aconteceram na véspera da primeira megarrebelião protagonizada pelo PCC, em protesto contra a reinternação de alguns de seus líderes na Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, no Vale do Paraíba.

Na época da matança, Marcola cumpria pena na vizinha Penitenciária do Estado e disse ser inocente, alegando que não estava no presídio onde ocorreram as mortes e que, por isso, não podia ter envolvimento nos crimes.

No dia 11 de fevereiro de 2014, o homem apontado como número 1 do PCC foi condenado a 61 anos de prisão pelas mortes de agentes de segurança, executados a tiros durante os ataques de maio de 2006.

Os atentados foram em protesto contra o isolamento de 765 presos do PCC na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, no interior de SP. Ao mesmo tempo detentos se amotinaram em 74 presídios. Foi a maior rebelião da história do País. 

Em 21 de fevereiro de 2018, quando ainda cumpria pena na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, Marcola recebeu outro duro golpe da Justiça: uma condenação a mais 30 anos de reclusão.

Dessa vez, foi acusado de comandar a criação da célula “sintonia dos gravatas”, o núcleo jurídico do PCC, que contava com a participação de 40 advogados.  

Segundo o Ministério Público Estadual, os advogados, presos durante a deflagração da Operação Ethos, em novembro de 2015, eram “pombos-correio” e levavam e traziam recados de interesse dos líderes da facção.

Marcola já passou por 26 presídios em todo o Brasil, sete deles em outros estados longe de São Paulo. Atualmente cumpre pena na Penitenciária Federal de Brasília.

Em 15 de fevereiro do ano passado, a Justiça de São Paulo transferiu Marcola e outros 14 principais líderes do Primeiro Comando da Capital para presídios federais.

O juiz Paulo Eduardo de Almeida Sorci, da 5ª Vara das Execuções da Capital,  determinou nos últimos dias a prorrogação por mais um ano do prazo de internação de 11 desses 15 presos para unidades federais.

O prazo de internação pelo período de um ano termina na próxima sexta-feira (07/02). Um dos quatro presos que ainda não tiveram o pedido analisado pela Justiça é justamente Marcola.

Por Josmar Jozino – Repórter da Ponte

Policiamento é reforçado na fronteira após fuga do PCC

O Ministério da Justiça e Segurança Pública informou que reforçou o policiamento na fronteira com o Paraguai, com o uso de helicópteros e barreiras. A medida foi tomada após a fuga de 75 prisioneiros da Penitenciária de Pedro Juan Caballero, que fica na fronteira com o país vizinho. No grupo, há 40 brasileiros e 35 paraguaios. A maioria dos fugitivos é integrante do grupo criminoso Primeiro Comando da Capital (PCC).

A pasta esclareceu que a fronteira com o Paraguai não está fechada na região de Mato Grosso do Sul e que brasileiros e paraguaios continuam podendo ir e vir.

O governo do Paraguai, por meio do Ministério do Interior, anunciou o alerta máximo na Polícia Nacional e o destacamento dos melhores investigadores da instituição em Pedro Juan Caballero e nos arredores.

As autoridades acreditam que os presos usaram um túnel para fugir da prisão. Um foi recapturado quando tentava escapar pelo túnel. O ministro do Interior, Euclides Acevedo, não descartou a ajuda de agentes penitenciários na fuga. “Aqui há cumplicidade com as pessoas lá dentro e esse é um fenômeno que abrange todas as penitenciárias”, afirmou.

Segundo o ministro, é possível que alguns dos presos já tenham escapado para o Brasil. De acordo com ele, a maioria dos fugitivos é altamente perigosa.

Em publicação no Twitter na tarde de hoje, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, destacou o trabalho do governo brasileiro em parceria com as força de segurança paraguaias para impedir a entrada dos criminosos no Brasil.

“Estamos trabalhando junto com as forças estaduais para impedir a reentrada no Brasil dos criminosos que fugiram de prisão do Paraguai. Se voltarem ao Brasil, ganham passagem só de ida para presídio federal”, escreveu Moro.

Em outra postagem, o ministro disse ainda que está à disposição das autoridades paraguaias para ajudar na recaptura dos presos. “Estamos à disposição também para ajudar o Paraguai na recaptura desses criminosos. O Paraguai tem sido um grande parceiro na luta contra o crime”, ressaltou.

Membros do PCC no Paraguai cavam túnel e fogem

Governo local suspeita que agentes penitenciários ajudaram na ação, feita através de um túnel: ‘é categórico que houve corrupção’

Túnel (à esq.) foi cavado de cela, com terra guardada em sacos plásticos (à dir.)
(Polícia Nacional do Paraguai/Divulgação)

Integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital), facção criminosa fundada em São Paulo e que atua em todo o país e na América do Sul, fugiram de um presídio na cidade de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, neste domingo (19/1), conforme confirmado pelo governo local. A cidade faz divisa com o Mato Grosso do Sul, no centro-oeste brasileiro.

Eles cavaram um túnel entre a cela e a parte exterior da cadeia e 75 integrantes da facção fugiram, segundo números divulgados pelo governo a jornais locais. Inicialmente, a fala era de 91 fugitivos. Uma lista divulgada aponta que 40 deles são brasileiros, os demais, paraguaios.


Veja a lista de presos ligados ao PCC que fugiram de presídio

 


Os presos cavaram o túnel e armazenaram a terra retirada em sacos plásticos. O material foi deixado em uma cela localizada no pavilhão B do presídio. A movimentação para a fuga, de acordo com o jornal ABC Color, teve início por volta de 4h.

“É categórico que houve corrupção”, afirmou a ministra de Justiça do país, Cecília Pérez, à rádio ABC Cardinal. “Fizemos uma denúncia de que se oferecia 80 mil dólares (para permitir uma fuga)”, emendou a ministra, em coletiva de imprensa feita após a ação. 

Dos presos, 25 estavam na cela em que se cavou o buraco para a fuga, enquanto os outros 50 ficavam presos em espaços no andar de cima. Jornais paraguaios detalham, através de relatos do Ministério Público que esteve no espaço, que é preciso passar por um portão para chegar de uma área à outra.



O governo do Paraguai anunciou que o diretor de estabelecimentos penitenciários, Víctor Servián, o diretor da unidade, Christian Gonzalez, o chefe de segurança e os guardas do presídio em Pedro Juan Caballero foram destituídos de suas funções.

“Pedro Juan é uma prisão muito particular onde custa trabalhar pela permeabilidade da corrupção”, descreve a ministra Cecília Perez. “Não pode ser que um poço esteja sendo cavado em sua casa e você não ouça nada. Não pode ser que 75 estejam fugindo e não se veja nada. Aqui existe uma responsabilidade por ação ou omissão”.

Agora, o governo paraguaio atua para recapturar os integrantes do PCC para, posteriormente, investigar uma “rede de corrupção que facilitou a fuga”, como definiu a ministra da Justiça.

Ainda há informações de três caminhonetes queimadas na fronteira com a cidade de Ponta Porã, cidade localizada no Mato Grosso do Sul, já no território brasileiro. As autoridades não descartam relação com a fuga no presídio.

Por Arthur Stabile – Repórter da Ponte

Veja a lista de presos ligados ao PCC que fugiram de presídio

Fonte: Agência Pública do Paraguai

Planta alta paraguayos:

1. WALTER TORALES
2. GUSTAVO ARIEL TABARES
3. SABIO GONZALEZ
4. DANIEL PAREDES MOREL
5. ENRRIQUE DUARTE
6. ORLANDO TORRES
7. JORGE DAMIAN VILLAMAYOR
8. HUGO RAMON PIZUINO
9. JOSE ADRIN OJEDA
10. OSVALDO FERREIRA
11. DELROSARIO GOMEZ
12. FIDEL CRISTINO CARDOZO
13. MILCIADES SANABRIA
14. RICHARD ANTONIO ROBLES
15. RUBEN GUSTAVO NUÑEZ
16. SILVIO GORRIDO
17. SANTIAGO NUÑEZ IRALA
18. MOISES ROJAS
19. JOSE ANTONIO MARIN
20. CRISTIN LOPEZ
21. FRANCISCO PERALTA
22. ALBERTO ARIEL CRISTALDO
23. GUSTAVO GOMEZ
24. ROBERT DAVID CRISTALDO
25. LUIS MARTINEZ VERA
26. CRISTIAN VERA
27. JOSE ADRIAN MELGAREJO
28. MARCIO VALENZUELA
29. CELSO LUIS ALVARENGA
30. RONAL FRNACISCO BRITEZ
31. ALEJANDRO MONGELOS
32. SANDRO ROBLES
33. HECTOR SILVA
34. EDGAR CABRERA

Planta alta brasileños: 

1. WELINTON ROCHA NERY DA COSTA
2. ANGELO BATISTA DE ALMORIN
3. EDUARDO ALVES DACUÑA
4. FLAVIO ROTELA
5. JHON BARBOZA
6. FRANCISCO DE CHAGAS
7. RAFAEL CARBALLO DA SILVA
8. MAURO VIEIRA
9. DERLIZ MARQUEZ GONZALEZ
10. LUCAS DE SOUZA
11. WILIAN SANTOS
12. LACSON DA SILVA PAULA
13. RODRIGO DA SILVA
14. RICARDO SMANIOTO
15. ODAIA FERREIRA DOS SANTOS
16. CLEITON NUNES

Planta baja paraguayo:

1. FRANCISCO BENARDO GIMENEZ

Planta alta brasileños:

1. JOSE ANTONIO DOS SANTOS
2. TIMOTEO DAVID FERREIRA
3. ALEX DOS SANTOS
4. WILIAN BEJANMIN GONZALEZ SALINAS
5. JACSON RAFAEL DOS SANTOS DA SILVA
6. FELIPE DIOGO FERNANDEZ
7. ALLA DOS SANTOS GADECHE
8. LUIS ANTONIO VARELA DA SILVA
9. LAURINDO DAE SOUSA NETO
10. OSVALDO POGINTO
11. MURILO RODRIGUEZ
12. CICERO FERNANDEZ DECIMO
13. REINAW CANTERO
14. RODRIGO ROCHA DE ARAUJO
15. MARCOS PAULO VALDEZ
16. JULIO CESAR GOMEZ
17. AILTON BETELLO DOS SANTOS
18. RAFAEL DE SOUSA N.
19. WILSON CURLO TORRES
20. ALAN TAVARES DA SILVA
21. CICERO MARCO SILVA
22. LUCAS ALVES DA SILVA
23. LUCIANNO DE SOUSA MARTINEZ
24. CLAUDINEI PREDEBON

PCC ameaçou explodir carros-bomba na Copa do Brasil

Facção criminosa elaborou plano ao saber que líderes poderiam ser transferidos para presídios federais, segundo investigação

Comemoração de gol no segundo tempo da partida Brasil e Croácia, na Arena Corinthians, que marcou a abertura da Copa do Mundo de 2014 | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O PCC (Primeiro Comando da Capital) ameaçou explodir dois carros-bomba em São Paulo durante a Copa do Mundo de 2014, caso algum líder da facção criminosa fosse transferido, à época, para presídios federais.

O plano foi descoberto pela Polícia Civil e pelo Gaeco (Grupo de Apoio Especial de Combate ao Crime Organizado) do MPE (Ministério Público Estadual) em uma investigação conjunta envolvendo 35 pessoas acusadas por tráfico de drogas no ABC Paulista.

Havia rumores de que o PCC iria cometer atentados e que a Copa do Mundo de Futebol seria o “Mundial do terror”. O temor por possíveis ataques teve repercussão até em jornais da Europa.

As autoridades, no entanto, jamais admitiram oficialmente a existência de planos terroristas da maior facção criminosa brasileira durante os jogos do Mundial de 2014 no Brasil.

Mas as escutas telefônicas interceptadas pela Polícia Civil e pelo Gaeco em 28 de abril de 2014  – 45 dias antes da cerimônia de abertura da Copa do Mundo na Arena Corinthians – mostraram exatamente o contrário.

Ponte teve acesso às transcrições dos diálogos. Um dos alvos, James Mendes da Silva, conhecido como Gordão ou Gê, liga para o parceiro de crime Marcos Laureano da Silva, o Galego ou São Paulino.

Gê manda Galego pegar caneta e papel para anotar um “salve” (recado), comunicando que “se alguém do PCC for arrastado (transferido) para presídio federal, não vai ter Copa do Mundo”. 

Página de transcrição da escuta telefônica em que Gê conversa com Galego

A mensagem adverte que, em caso de transferência de algum líder do PCC para unidade federal, “vai morrer muita gente e vai ter um rio de sangue”.

 O alvo da escuta avisa para o parceiro que o PCC  “tem dois carros-bomba preparados para qualquer eventualidade”.

Depois de transmitir o recado, Gê pede para Galego repassar  o “salve” e informa que vai quebrar o celular para evitar um possível grampo telefônico e promete arrumar outro aparelho.

O “salve” completo atrelava um possível ataque às transferências para presídios federais

Naquele mesmo dia, Galego atende ao pedido do amigo e transmite o recado para outros parceiros de crime, entre eles Bruno Abraão Santanna Xavier Lima, o Corintiano.

Segundo investigações da Polícia Civil de São Bernardo do Campo, Gê recebeu o “salve” de presos da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, onde, na época, estavam recolhidos os principais líderes do PCC.

De acordo com os policiais civis, Gê, Galego e Corintiano traficavam drogas e  integravam a célula “sintonia dos 14”. Esse grupo tinha um líder em cada região do Estado, distribuído de acordo com o código de área, o DDD.

O código 012 era da região de São José dos Campos e Vale do Paraíba; 013 Santos e Baixada Santista; 014 região de Bauru; 015 Sorocaba; 016 Ribeirão Preto; 017 São José do Rio Preto; 018 região de Presidente Prudente e 019 Campinas.

Os outros seis restantes eram do código de DDD 011: zonas norte, sul, leste e oeste da capital paulista; cidades do ABC e municípios da Grande São Paulo.

A “sintonia dos 14” era formada por líderes do PCC em liberdade e subordinada apenas à “sintonia final geral”, integrada pelos chefes da facção recolhidos na P2 de Presidente Venceslau.

Em outubro de 2013, oito meses antes do início da Copa do Mundo, o Gaeco de Presidente Prudente denunciou 175 integrantes do PCC por associação à organização criminosa e pediu a internação de 35 deles no RDD (Regime Disciplinar Diferenciado).

No RDD, o preso fica em cela individual trancado 22 horas por dia, tem direito a duas horas de banho de sol, não há visita íntima e é proibido ouvir rádio, assistir televisão e ler jornais e revistas.

A Justiça de São Paulo indeferiu o pedido de internação dos líderes da facção no RDD, entre eles Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como o número 1 da organização.

Porém, no início de 2014, O Gaeco voltou a pedir a internação de Marcola e dos presos Cláudio Barbará, Célio Marcelo da Silva, o Bin Laden, e Luiz Eduardo Marcondes, o Du da Bela Vista.

Segundo o Gaeco de Presidente Prudente, havia um plano para resgatar os quatro presos da P2 de Presidente Venceslau.

Marcola foi internado em RDD no CRP (Centro de Readaptação Penitenciária) de Presidente Bernardes em 11 de março de 2014, mas ficou apenas um mês no castigo.

Por determinação da 1ª Câmara de Direito Criminal do TJ-SP, Marcola deixou o RDD em 10 de abril de 2014. Dezoito dias depois, a Polícia Civil interceptou o “salve” para explodir dois carros-bomba em São Paulo, se algum líder do PCC fosse transferido para presídio federal.

No período da Copa do Mundo de 2014, Marcola e seus principais colegas presos na P2 de Venceslau não foram removidos para unidades federais. A transferência viria acontecer cinco anos depois do Mundial, em fevereiro de 2019.

Já a Justiça de São Bernardo do Campo condenou, em primeira instância, Gê a 18 anos de prisão, Galego a 20 anos e Corintiano a 22 anos por tráfico de drogas e associação à organização criminosa.

Mas a 6ª Câmara de Direito Criminal do TJ-SP absolveu os três das acusações e mandou expedir alvará de soltura em julgamento realizado em 28 de fevereiro do ano passado. 

Por Josmar Jozino – Repórter da Ponte

Homem mais procurado do país reaparece e constitui advogado

Gilberto Aparecido dos Santos, 49 anos, o criminoso mais procurado do Brasil, assinou uma procuração em setembro de 2019 oficializando um advogado para ser seu defensor

Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho | Foto: Arquivo Ponte Jornalismo 

O criminoso mais procurado do país, Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, apareceu. Atualmente com 49 anos, ele assinou uma procuração (confira o documento completo aqui) constituindo o advogado Eduardo Dias Durante como seu defensor. O documento é de Santos, litoral de São Paulo, e é datado como 17 de setembro de 2019.

Pelo menos é o que consta na procuração anexada pelo próprio Durante em processo judicial no Ceará, onde o advogado defende Fuminho da acusação de duplo homicídio. Outros nove réus envolvidos no duplo homicídio também foram denunciados à Justiça cearense. O processo continua tramitando e tem quase quatro mil páginas. 

Fuminho foi denunciado como o mentor dos assassinatos de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e Fabiano Alves de Souza, o Paca, mortos em fevereiro de 2018 na região metropolitana de Fortaleza.

Ambos eram homens da cúpula do PCC (Primeiro Comando da Capital) e, segundo o Ministério Público do Estado de São Paulo, foram executados sob a acusação de desvio de dinheiro da facção criminosa.

Segundo as forças de segurança, Fuminho é o maior traficante de drogas do Brasil e braço direito de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como o líder máximo do PCC.

Histórico criminal de Fuminho | Foto: reprodução SAP

Desde 12 de janeiro de 1999, quando escapou da Casa de Detenção, no Carandiru, zona norte de São Paulo, as polícias do Brasil não conseguiam recapturar Fuminho. A fuga dele completa mais um aniversário neste domingo (12/1).

Um documento da SAP (Secretaria Estadual da Administração Penitenciária) diz que Fuminho planejava resgatar Marcola da Penitenciária Federal de Brasília, para onde ele foi transferido em março de 2019 (confira o documento completo aqui).

Consta no documento que o plano de resgate de Marcola foi descoberto em abril de 2019, quando agentes encontraram um bilhete decodificado em uma cela no raio 2 da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau.

A P2 de Venceslau, no Oeste do Estado de São Paulo, abrigava os 15 principais líderes do PCC, inclusive Marcola, até fevereiro do ano passado, quando eles foram transferidos para prisões federais.

No mês passado, o Exército cercou a Penitenciária Federal de Brasília por causa dos rumores do possível resgate de Marcola e de outros líderes do PCC recolhidos na mesma unidade.

Defensores de Marcola afirmaram à Ponte que ele não pertence a nenhuma facção criminosa e que não há qualquer prova material sobre planos para resgatá-lo.

Já em relação a Fuminho, o Ministério Público Estadual sabe que, antes das mortes de Gegê do Mangue e Paca, ele comandava o transporte de ao menos uma tonelada de cocaína por mês para a Europa.

O documento da SAP adverte que Fuminho é um dos mais importantes fornecedores de drogas do PCC, na Bolívia e no Paraguai, e tem sob seu controle, guerrilheiros treinados com armas de precisão.

Segundo o documento da SAP, Fuminho distribui cocaína para países da Europa pelos portos de Fortaleza, no Ceará; Suape, em Pernambuco; Itajaí, em Santa Catarina; e Santos, na Baixada Santista.

Na procuração assinada por Fuminho em setembro do ano passado consta que o endereço dele é Rua Independência, 246, bairro do Cambuci, na região central da capital paulista.

Até hoje, passados 21 anos de sua fuga do então maior presídio da América Latina, Fuminho continua driblando as Polícias Civil, Militar e Federal e as Forças Armadas brasileiras.

Por Josmar Jozino – Repórter da Ponte

*Esta reportagem foi publicada originalmente pela Ponte