Paraná assina acordo com Rússia sobre vacina Sputnik

O governo do Paraná celebrou hoje (12) um memorando de entendimento com a Rússia para dar início às tratativas relativas à vacina anunciada pelo país ontem (11). O acordo não traz vinculação ou firma um compromisso de aquisição ou fabricação da vacina, mas dá os primeiros passos.

Ratinho Júnior, governador do estado do Paraná (Rodrigo Felix Leal/AEN)

De acordo com o governo do Paraná, trata-se de um memorando de “aproximação e início de parceria”. A partir dele representantes do governo paranaense passarão a acompanhar o desenvolvimento da vacina em interlocução com o governo russo.

Uma força-tarefa composta por diversas instituições do estado será montada. A previsão é de que até segunda-feira (17) seja publicado um decreto instituindo o grupo, que ficará responsável por elaborar um protocolo para balizar o intercâmbio de informações entre o colegiado e as autoridades russas.

Vacina

A vacina russa foi anunciada pelo presidente Vladimir Putin ontem (11) com uma projeção de imunização em massa até o fim do ano. A solução foi desenvolvida pelo instituto Gameleya, vinculado do Ministério da Saúde daquele país.

Contudo, a decisão levantou preocupações de pesquisadores e autoridades de saúde internacionais e de governos, uma vez que os resultados dos testes nas fases 1 e 2 ainda não foram publicados.

Até o momento o governo do Paraná não recebeu informações sobre esses resultados. O acesso aos dados deverá ser realizado a partir do estabelecimento do protocolo de pesquisa com equipes russas.

“Não tivemos informações sobre questão de segurança porque a força-tarefa terá essa incumbência juntamente com grupo de pesquisadores da Rússia de fazer intercâmbio de informações”, explicou o presidente do Instituto de Tecnologia do Paraná (TecPar), ente pública que ficará a cargo da parceria, Jorge Callado Afonso, em entrevista coletiva após o evento.

A previsão é que os testes da fase 3 sejam feitos até outubro na Rússia. Segundo Afonso, de posse dos resultados dos testes será possível elaborar um protocolo de pesquisa para submeter à Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para dar prosseguimento à parceria.

Sobre as desconfianças com a vacina russa, o diretor-presidente da TecPar afirmou que a análise das autoridades de saúde responsáveis pela avaliação das pesquisas será a condição para a continuidade do projeto.

“Se existem incertezas sobre isso, as análises dirão, os órgãos reguladores confirmarão. Não podemos nos pautar apenas por alguns comentários ou citações. Agora é momento de estarmos em contato com os dados e iniciar essas análises”, comentou.

Acordo de transferência

Se o protocolo de pesquisa for aprovado pela Conep e pela Anvisa, a intenção é promover testes de fase 3 com voluntários no Paraná. Caso os resultados sejam promissores, o intuito é celebrar um acordo com transferência de tecnologia para que a TecPar possa fabricar o medicamento.

De acordo com o instituto, a planta de produção da vacina deve custar R$ 80 milhões. Carlos Afonso disse que o governo do Paraná buscará apoio com investidores internacionais e com o governo federal.

Mas o diretor-presidente da TecPar não quis cravar uma previsão de quando a vacina poderá estar disponível. “Não é só ansiedade nossa. Todas as etapas devem ser vencidas dentro do seu tempo. Antes de falar sobre a validação, aprovação da validação e dos testes, a produção é um segundo passo. A produção no Brasil, de forma muito conservadora, seria no segundo semestre de 2021. Isso não impede que o governo brasileiro faça importações. Ela pode chegar antes, se aprovada e registrada no Brasil”, pontuou.

OMS

Diante do anúncio do presidente da Rússia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que não tem acesso aos dados da pesquisa do laboratório russo Instituto Gamaleya para avaliar a eficácia e segurança da vacina. Disse também que a Rússia não precisa do aval da OMS para fazer o registro.

De acordo com a organização, que monitora o desenvolvimento das vacinas, os russos ainda estão na fase 1 de testes e são necessárias três para fazer o registro. Segundo a entidade, uma vacina só deve ser usada na população depois de aprovada nas três etapas.

*Com informações da Radioagência Nacional

Paraná anuncia acordo para produzir vacina russa

Poucas horas após Moscou anunciar a aprovação da primeira vacina contra a covid-19, o governo do Paraná divulgou nesta terça-feira (11/08) que pretende assinar um convênio com a Rússia para a produção da controversa vacina, que é questionada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Carlos Massa Ratinho Junior, governador do Paraná (Geraldo Bubniak/AEN)

O governador do Paraná, Ratinho Júnior, e o embaixador da Rússia no Brasil, Serguei Akopov, devem assinar o acordo na quarta-feira. Segundo o governo paranaense, o convênio estava sendo discutido desde julho.

Em entrevista à GloboNews, o presidente do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), Jorge Callado, estimou que a imunização deve estar disponível no segundo semestre de 2021, e afirmou que, após a assinatura do convênio, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) avaliará o protocolo russo para avaliar a liberação dos testes.

O Tecpar será o responsável por todas as fases até a distribuição da vacina no país, incluindo a realização de testes. O convênio prevê ainda a transferência de tecnologia.

Callado destacou, porém, que não há um compromisso de produção da vacina enquanto ela não for validada e liberada pela Anvisa e pela Comissão Nacional de Ética e Pesquisa, e garantiu que, se Moscou não fornecer as informações necessárias, o acordo pode ser anulado.

Vladimir Putin, presidente da Rússia (Kremlin/via Fotos Públicas)

A Rússia é o primeiro país do mundo a registrar e aprovar para uso da população uma vacina contra o coronavírus. No entanto, muitos cientistas no país e no exterior têm se mostrado céticos com as declarações do governo russo, questionando a decisão de registrar a vacina antes mesmo dos testes da fase 3, que normalmente duram meses e envolvem milhares de voluntários.

Ainda há desconfiança sobre a falta de publicação de dados em revistas científicas que atestem sua eficácia. Pouco se sabe também sobre as fases de todo o processo de pesquisa e quantas pessoas foram efetivamente testadas.

O anúncio da Rússia foi recebido com cautela pela Organização Mundial da Saúde, que afirmou não ter recebido informações suficientes para avaliar a vacina russa, batizada de “Sputnik V”, em referência ao pioneiro satélite soviético lançado nos anos 1950, que marcou o início da corrida espacial.

“Acelerar o progresso não deve significar comprometer a segurança”, disse o porta-voz da OMS Tarik Jasarevic, acrescentando que a organização está em contato com as autoridades da Rússia e de outros países para analisar o progresso das diferentes pesquisas de vacinas.

O porta-voz enfatizou que a organização está animada “com a velocidade em que as vacinas estão sendo desenvolvidas” e espera que algumas delas “se mostrem seguras e eficientes”.

A Alemanha foi um dos primeiros países a levantar dúvidas sobre a vacina desenvolvida pela Rússia. “Não há dados conhecidos sobre a qualidade, eficácia e segurança da vacina russa”, afirmou uma porta-voz do Ministério da Saúde alemão à rede de jornais RND, lembrando que, na União Europeia, “a segurança do paciente é a principal prioridade”. 

Apesar dos questionamentos internacionais, o secretário da Casa Civil do Paraná, Guto Silva, afirmou ao jornal Folha de S. Paulo que o fato de a Rússia não ter seguido os protocolos da OMS não é motivo de preocupação para o governo paranaense, pois a aprovação da vacina no país seguirá regras brasileiras.

Além da vacina russa, duas outras receberam apoio direto de autoridades brasileiras e já contam com acordos que envolvem a compra e produção em território nacional: a desenvolvida pela universidade britânica de Oxford em parceria com o laboratório AstraZeneca, escolhida pelo governo federal, e a criada pela chinesa Sinovac, que tem o governo de São Paulo como parceiro.

Segundo a OMS, há atualmente  no mundo seis vacinas contra a covid-19 na fase 3 de ensaios clínicos, a última etapa antes da aprovação.

CN/afp/lusa/efe/ots

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