Atirador mata ao menos oito pessoas em universidade na Rússia

Estudantes tentam fugir de atirador

Um atirador abriu fogo numa universidade na cidade russa de Perm, nesta segunda-feira (20/09), matando ao menos oito pessoas e deixando 24 feridas, disseram autoridades russas de segurança.

Testemunhas disseram que o atirador caminhava pelo campus quando começou a disparar. Ele foi mais tarde detido pela polícia, acrescentaram as autoridades. Ferido durante enfrentamento com a polícia, ele foi levado para um hospital. A universidade havia inicialmente comunicado que o atirador fora morto pela polícia, o que não se confirmou.

As autoridades de segurança russas disseram que o atirador é um estudante da universidade. A imprensa local o identificou como um estudante de 18 anos e divulgou imagens dele, tiradas das redes sociais, posando com armas de fogo. Ele teria dito às autoridades que agiu sozinho e não foi motivado por convicções políticas ou religiosas.

Aparentemente, o atirador usou uma arma que dispara balas de borracha e que foi modificada para ser usada com munição letal.

Estudantes, professores e funcionários se abrigaram dentro dos prédios universitários. Outros pularam janelas dos prédios diante do temor de que o atirador estivesse se aproximando. A universidade tem cerca de 12 mil estudantes, e em torno de 3 mil estavam no campus no momento do ataque.

Perm fica a cerca de 1.300 quilômetros a leste de Moscou, na parte europeia da Rússia, e tem em torno de 1 milhão de habitantes.

Em maio, um atirador abriu fogo numa escola em Kazan, também na Rússia, matando sete estudantes e dois professores e deixando várias outras pessoas feridas.

Por Deutsche Welle
as (RTR, AP)

Putin e Biden se encontram nesta quarta-feira

Há semanas, um assunto de política externa domina o noticiário na Rússia: a reunião em Genebra entre o presidente russo, Vladimir Putin, e o dos Estados Unidos, Joe Biden, nesta quarta-feira (16/06). Mesmo os pequenos detalhes, como o local da reunião, uma mansão do século 18, são noticiados como se se tratasse de uma recepção quase real.

Oficialmente, o Kremlin mantém as expectativas baixas para o encontro. Diz que não se deve esperar nenhum avanço na relação bilateral.

Putin afirmou que o fato de ele estar se reunindo com Biden “por si só não é ruim”. “Eu espero um resultado positivo”, disse o presidente russo. Do ponto de vista dele, isso seria, por exemplo, um acordo sobre os próximos passos para “normalizar as relações russo-americanas”.

Em entrevista ao canal americano NBC, Putin atestou que essas consultas estão no “nível mais baixo em anos”. O ponto de vista russo é que a culpa é da política interna dos EUA.

Anseio por conversas francas

“Há um senso de positividade muito forte” na Rússia, diz Tatiana Stanovaya, especialista do Centro Carnegie de Moscou.

O influente chefe de Segurança Nacional da Rússia, Nikolai Patrushev, por exemplo, expressou um otimismo incomum após conversas com seu homólogo americano, Jake Sullivan. Os dois haviam se reunido em Genebra em maio para se preparar para a cúpula presidencial.

Em alguns pontos foi possível um acordo com os Estados Unidos, Patrushev disse depois ao jornal governamental Rossiyskaya Gazeta. “Os russos não esperavam que os EUA estivessem tão abertos à visão da Rússia”, comentou a especialista Stanovaya.

Desde o colapso da União Soviética, os principais políticos russos expressaram repetidamente o desejo de falar novamente com Washington em condições de igualdade. A Rússia, diz Stanovaya, pode ser economicamente mais fraca que os Estados Unidos, mas como é comparativamente forte em armas nucleares, “nada mais importa”.

“A Rússia precisa urgentemente ser aceita como uma grande potência”, comenta Hans-Henning Schröder, ex-especialista em Rússia no instituto alemão SWP. A atenção midiática que antecede a cúpula, diz ele, sugere que Putin tem um interesse maior nisso do que Biden. Especialistas russos, no entanto, ressaltam que foi o presidente dos EUA que tomou a iniciativa de convocar a reunião.

A cúpula assimétrica de Genebra

A relação tensa entre Moscou e Washington desde a anexação da Crimea sofreu vários contratempos. Biden chamou Putin de “assassino” em uma entrevista em março, e Moscou retirou seu embaixador de Washington.

O líder do Kremlin propôs um debate público ao vivo, mas o presidente dos EUA recusou. Em vez disso, Biden, em seguida, impôs novas sanções à Rússia, inclusive por tentativa de interferência nas eleições presidenciais de 2020, o que Moscou nega.

Diplomatas russos foram expulsos dos EUA. Moscou respondeu expulsando diplomatas americanos e disse ao embaixador dos EUA que ele deveria retornar para casa. Desde então, as embaixadas de ambos os países estão sem conexão. Ao mesmo tempo, houve uma enorme acumulação de tropas russas na fronteira com a Ucrânia. Neste contexto, Biden ligou para Putin em abril e propôs uma cúpula.

Muitos observadores insinuam que o líder do Kremlin acabou forçando Biden a convocar a reunião com a ameaça de escalada no leste da Ucrânia. Andrei Kortunov, diretor do instituto russo de política externa RSMD, não compartilha dessa tese. Ele não descarta, porém, a possibilidade de que a “minicrise sobre a Ucrânia” possa ter “motivado adicionalmente” o presidente dos EUA a se encontrar com Putin.

“Tais cúpulas colocam nossos países em pé de igualdade. Isso é importante para o status e a posição da Rússia na política mundial”, diz Kortunov.

Tatiana Stanovaya também fala de uma “atitude assimétrica”: “Para a Rússia esta cúpula é tudo, enquanto para Biden é apenas um passo no caminho para resolver o ‘problema da China'”, diz a especialista. Para Washington, afirma ela, as futuras negociações com a China são um assunto mais prioritário.

Russos buscam “estabilidade estratégica”

Essa discrepância também se reflete nos preparativos para a cúpula. Um diplomata russo de alto nível lamentou que Washington não estivesse preparado para fazer um balanço completo das relações bilaterais em Genebra. Moscou tem buscado amplas discussões sobre questões-chave com Washington desde a época soviética, diz Andrei Kortunov. Os EUA, por outro lado, são conhecidos por preferirem lidar primeiro com tarefas menores e pragmáticas.

Putin e Biden não devem sentir falta de tópicos para discussão em Genebra. Do ponto de vista de Moscou, “estabilidade estratégica” seria o tema mais importante, diz Kortunov. Hans-Henning Schröder tem uma visão semelhante: “Eles querem um acordo sobre armas nucleares estratégicas.”

Depois que os EUA se retiraram de vários acordos com a Rússia, Biden interrompeu essa tendência quando estendeu o acordo de redução de armamento nuclear “New Start” em janeiro. Moscou quer construir uma conversa a partir disso em Genebra. Não apenas armas nucleares tradicionais estarão em pauta, mas também espaço, ciberataques e uso de drones, diz Andrei Kortunov. O fim do confronto diplomático também deve estar no topo da lista de desejos da Rússia.

Em questões relacionadas à Ucrânia ou aos direitos humanos na Rússia, especialistas veem poucas chances de aproximação. Moscou só está preparado para aceitar as críticas de Biden como uma espécie de “programa obrigatório”, diz Tatiana Stanovaya.

As esperanças russas de um novo começo com os EUA são, portanto, frágeis. A especialista advertiu que o fracasso das conversações em Genebra poderia levar Moscou a “comportar-se ainda mais agressivamente e sem consideração pelo Ocidente”, inclusive a nível interno.

Do ponto de vista da Rússia, um objetivo já foi alcançado antes da cúpula: a reunião será realizada. Mas não haverá uma encenação para a imprensa, o que Putin queria. Biden recusou uma coletiva de imprensa conjunta em Genebra.

Por Roman Goncharenko, da Deutsche Welle

Ataque em escola na Rússia deixa ao menos 8 mortos

Ao menos oito pessoas morreram e várias ficaram feridas após um ataque a tiros numa escola na cidade russa de Kazan nesta terça-feira (11/05), segundo autoridades russas.

Rustam Minnikhanov, governador da República do Tartaristão – parte da Federação Russa de maioria muçulmana, da qual Kazan é a capital – afirmou que quatro meninos e três meninas, alunos da 8ª série, morreram no ataque, além de um professor. 

Segundo autoridades, aparentemente o atirador agiu sozinho. “O terrorista foi preso, ele tem 19 anos de idade. Uma arma de fogo está registrada em seu nome. Outros cúmplices não foram identificados. Uma investigação está em curso”, disse o governador após visitar a escola, classificando o ocorrido de uma grande tragédia para todo o país. 

https://twitter.com/tvrain/status/1392025429230374912

De acordo com a imprensa russa, o jovem teria anunciado o ataque pouco antes no Telegram. Ele teria ingressado na escola pela entrada principal com uma metralhadora e atirado imediatamente à sua volta.

Vídeos em redes sociais mostram pessoas pulando das janelas do prédio e fugindo. Os alunos foram retirados da escola, parte deles sendo abrigada num jardim de infância vizinho. Imagens mostraram dezenas de ambulâncias diante da escola.

Segundo Minnikhanov, 16 pessoas foram hospitalizadas após sofrerem ferimentos no ataque, incluindo 12 crianças, seis das quais estão na UTI. Segundo a agência de notícias Associated Press, o número de feridos reportado por autoridades de saúde locais foi 21, sendo 18 crianças – seis delas internadas na UTI. 

Autoridades afirmaram que medidas de segurança adicionais foram implementadas em todas as escolas de Kazan, que fica cerca de 700 quilômetros a leste de Moscou. Também anunciaram um dia de luto nesta quarta-feira em memória das vítimas. O Ministério de Emergências da Rússia enviou um avião com médicos e equipamentos para Kazan.

Após o ataque, o presidente russo, Vladimir Putin, manifestou suas condolências aos familiares dos mortos e ordenou uma revisão da legislação de controle de armas no país.

“O presidente deu ordem para elaborar urgentemente uma nova disposição relativa aos tipos de armas que podem estar em mãos civis, levando em conta a arma” utilizada no ataque, disse a repórteres o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov. 

Ataques a tiros em escolas são raros na Rússia. Um dos maiores incidentes do tipo recentes ocorreu na Crimeia, anexada pela Rússia, em 2018, quando um estudante matou 19 pessoas antes de tirar a própria vida. 

Por Deutsche Welle
lf (AP, Reuters, AFP, DPA, ARD)

EUA pressionaram Brasil a não comprar Sputnik V, diz relatório do governo Trump

(Arquivo/Alan Santos/PR)

Os Estados Unidos teriam persuadido o Brasil durante a gestão de Donald Trump a não comprar a vacina contra a covid-19 Sputnik V. A informação está em um documento do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA (HHS, na sigla em inglês), publicado em 17 de janeiro, três dias antes da posse do presidente Joe Biden.

No entanto, não há detalhes de como essa “persuasão” teria sido exercida sobre o governo de Jair Bolsonaro.

O documento é um balanço sobre as atividades do departamento em 2020. Em uma parte do texto, que aborda como “combater as influências malignas nas Américas”, o Escritório de Assuntos Globais (OGA, na sigla em inglês) do HHS diz que “usou as relações diplomáticas na região para mitigar os esforços” de Cuba, Venezuela e Rússia, “que estão trabalhando para aumentar sua influência na região em detrimento da segurança dos Estados Unidos”. O trecho está assinado pelo então secretário de Saúde Alex Azar. Os países citados eram constantes alvos de ataque do governo Trump.

“O OGA coordenou esforços com outras agências governamentais dos EUA para fortalecer os laços diplomáticos e oferecer serviços técnicos e assistência humanitária para dissuadir os países da região de aceitar ajuda desses estados mal-intencionados”, diz o relatório.

Nesta segunda-feira (15/03), o perfil oficial da Sputnik V no Twitter criticou o documento. “Os esforços para minar as vacinas são antiéticos e estão custando vidas”, diz a postagem.

Na sexta-feira passada, diante da escassez de vacinas e da lenta vacinação no Brasil, o Ministério da Saúde anunciou a compra de 10 milhões de doses da Sputnik V. Até abril, o Brasil deve receber 400 mil doses – o restante deve chegar até junho.

Também na sexta-feira, o Consórcio de estados do nordeste anunciou que negocia com a Rússia a compra de 39 milhões de doses da vacina, que ainda não tem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

De acordo com estudo divulgado na revista médica The Lancet em fevereiro, a Sputnik V tem eficácia de 91,6% para evitar casos sintomáticos de covid-19. 

Na semana passada, o chefe da Comissão Permanente de Vacinação da Alemanha, Thomas Mertens, elogiou a Sputnik V e disse confiar na aprovação dela pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA).

“É uma boa vacina, que provavelmente será em breve aprovada também na União Europeia”, declarou ao jornal alemão Rheinische Post. “Os pesquisadores russos têm muita experiência com vacinas. A Sputnik V é construída de forma inteligente”, acrescentou.

Vários países já estão utilizando a vacina russa, entre eles a Argentina. 

Por Deutsche Welle

le (ots)

União Europeia aprova sanções contra Rússia e Venezuela

Nicolás Maduro ao lado de Vladmir Putin, durante visita a Rússia (Kremlin/via Fotos Públicas)

A União Europeia (UE) decidiu nesta segunda-feira (22/02) impor novas sanções contra a Venezuela e a Rússia. A decisão atinge autoridades de ambos os países e foi tomada numa reunião dos ministros do Exterior do bloco.

No caso da Venezuela, 19 nomes de autoridades foram adicionados à lista de sancionados “por minarem os direitos eleitorais da oposição e o funcionamento democrático da Assembleia Nacional, e por graves violações dos direitos humanos e restrições às liberdades fundamentais”, informou a UE em comunicado.

Já com relação à Rússia, os sancionados estão ligados à prisão e à condenação do líder oposicionista do Kremlin, Alexei Navalny. O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, irá divulgar uma lista de pessoas a serem sancionadas. 

Em ambos os casos, as sanções implicam na proibição de entrada no território da União Europeia e no congelamento de bens dessas autoridades no bloco europeu.

Eleições não democráticas 

A União Europeia não reconhece a Assembleia Nacional venezuelana que tomou posse em 5 de janeiro, de maioria governista, por considerar que as eleições de 6 de dezembro não foram democráticas. A maior parte da oposição, sobretudo a ligada a Juan Guaidó, boicotou o pleito por não considerar as eleições livres e justas.

Entre as autoridades venezuelanas sancionadas estão a vice-presidente Delcy Rodríguez Rodríguez e o presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Diosdado Cabello. Também entraram para a lista, que agora conta com 55 nomes, a presidente e o vice-presidente do Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela, magistrados do Supremo Tribunal e do Tribunal Constitucional da Venezuela e deputados da Assembleia Nacional.

Em comunicado, a UE disse que “manterá o seu compromisso com todos os atores políticos e da sociedade civil que lutam pelo retorno da democracia à Venezuela, incluindo em particular Juan Guaidó e outros representantes da Assembleia Nacional cessante, eleita em 2015, que foi a última expressão livre dos venezuelanos”.

“Estas medidas direcionadas são desenhadas de maneira a não terem efeitos humanitários adversos ou consequências não desejadas para a população venezuelana, e podem ser revertidas”, acrescenta o comunicado.  

Pedidos de liberdade a Navalny

As novas sanções à Rússia vêm após semanas de apelos mal-sucedidos da UE pela libertação de Navalny. Moscou já disse que considera os pedidos do bloco como interferência nos assuntos internos. Apoiadores do opositor consideram as medidas da UE muito brandas e defendem que as sanções deveriam ser em maior escala. 

O envenenamento de Nalvalny e seu posterior tratamento na Alemanha têm sido objetos de atrito entre Moscou e Bruxelas. No fim de 2020, a UE impôs proibições de ingresso e congelou as contas bancárias de diversas autoridades russas, entre as quais o diretor do FSB (órgão de inteligência que sucedeu a KGB), Alexander Bortnikov.

Recentemente, a Rússia expulsou três diplomatas da Alemanha, Polônia e Suécia por, supostamente, terem participado de protestos pró-Navalny. Em represália, os três países expulsaram, cada um, um diplomata russo.

No começo de fevereiro, um tribunal da Rússia sentenciou Navalny a três anos e meio de prisão. A Justiça alegou que o ativista violou as condições de sua liberdade condicional relacionada a uma sentença proferida em 2014, ao não se apresentar regularmente para as autoridades penitenciárias. A sentença original envolve um suposto caso de fraude, num processo que foi considerado politicamente motivado e declarado ilícito pelo Tribunal Europeu de Direitos Humanos.

O ativista foi preso novamente em 17 de janeiro, ao desembarcar em Moscou. Ele retornava a seu país natal pela primeira vez após ter passado cinco meses na Alemanha, onde se recuperava de um ataque com um agente neurotóxico. Navalny acusa o governo russo pelo envenenamento. O Kremlin, por sua vez, nega as acusações. 

Apesar de ter sido advertido pelas autoridades russas de que seria detido ao desembarcar, Navalny decidiu voltar.

A nova prisão de Navalny foi o estopim para novos protestos contra o Kremlin. Milhares de pessoas saíram às ruas em dezenas de cidades para exigir a libertação do ativista e demonstrar insatisfação com o governo autoritário do presidente Vladimir Putin. A reação das autoridades foi feroz, e mais de 10 mil pessoas foram detidas.

Por Deutsche Welle

le/cn (efe, afp, ots)

Sputnik V: Vacina russa tem eficácia superior a 90%, diz estudo

A vacina russa Sputnik V tem eficácia de 91,6% para evitar casos sintomáticos de covid-19, segundo um estudo divulgado nesta terça-feira (02/02) na revista médica The Lancet.

Os resultados do estudo se baseiam em dados de quase 20 mil voluntários. Eles foram vacinados em 25 hospitais e clínicas em Moscou, de setembro a novembro de 2020.

Os participantes receberam uma injeção inicial da vacina ou de um placebo e, 21 dias depois, uma injeção de reforço. Das 14.964 pessoas do grupo da vacina, apenas 16 desenvolveram casos sintomáticos de covid-19 tendo recebido uma segunda dose.

Os testes PCR para o coronavírus foram realizados na triagem, no dia em que os participantes receberam a injeção de reforço e se eles relataram sintomas de uma infecção respiratória.

Interesse do Brasil

O imunizante russo, que tem o nome técnico de Gam-covid-vac, começou a ser usado antes mesmo de o resultado da última fase de testes ser publicado. Ele já está sendo aplicado em vários países, como a Argentina e a Rússia.

No Brasil, os governos do Paraná e da Bahia assinaram convênios de compra com Moscou, independentemente do governo federal. Um aval da Anvisa foi solicitado, mas a entidade disse que não poderia dá-lo antes que os resultados da fase 3 fossem apresentados.

No último sábado (30/01), o presidente Jair Bolsonaro disse que, se a Anvisa aprovar, comprará a Sputnik V. Ele afirmou a repórteres, sem dar detalhes, que assinou “um cheque de R$ 20 bilhões”  para a aquisição do imunizante. 

Além disso, a farmacêutica União Química disse que pretende iniciar imediatamente os testes da fase 3 da vacina Sputnik V no Brasil após a liberação da Anvisa.

Os testes da fase 3 no Brasil são pré-requisito para solicitar a autorização do uso emergencial no país. 

O laboratório tem acordo com os desenvolvedores da vacina russa para importação e produção do imunizante no país. O acordo prevê ainda a exportação para outros países da América Latina.

Sem reações graves

Os pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya da Rússia, onde a Sputnik V foi desenvolvida, dizem estar satisfeitos com os resultados.

“Nossa análise interina do ensaio aleatório, controlado, da fase 3 da Gam-covid-vac na Rússia mostrou alta eficácia, imunogenicidade e um bom perfil de tolerabilidade em participantes com 18 anos ou mais”, diz Inna Dolzhikova, do Instituto Gamaleya, colíder do estudo publicado na Lancet.

Os pesquisadores não encontraram consequências negativas graves da vacinação. Os efeitos colaterais relatados incluíram sintomas semelhantes aos da gripe, além de dor no local da injeção.

A Sputnik V foi a primeira vacina contra o coronavírus a ser lançada no mundo inteiro. A iniciativa da Rússia de começar a usá-la em larga escala no ano passado, antes de todos os testes terem sido concluídos e de os resultados serem analisados, foi criticada pela comunidade internacional. Outro ponto de discórdia: o centro de pesquisa Gamaleya não apenas desenvolveu a vacina, mas também se encarregou de autorizar seu uso na Rússia.

Na União Europeia (UE) ou nos EUA, a autorização não é tratada pelas empresas que desenvolvem a vacina, mas por entidades separadas: a agência europeia EMA e a americana FDA. A liberação dos resultados da fase 3 provavelmente aumentará a confiança na vacina russa.

“O desenvolvimento da vacina Sputnik V tem sido criticado pela pressa inapropriada e pela ausência de transparência. Mas o resultado relatado aqui é claro, e o princípio científico da vacinação ficou demonstrado”, afirmaram o professor Ian Jones, da Universidade de Reading, e a professora Polly Roy, da Faculdade de Medicina Tropical de Londres, que não estavam envolvidos no estudo, em um comentário sobre as novas descobertas.

Eficiente também em idosos

O ensaio mais recente do Sputnik V incluiu 2.144 participantes com mais de 60 anos, e a eficácia da vacina neste grupo foi de 91,8%. A vacina britânica contra o coronavírus desenvolvida pela AstraZeneca, por exemplo, foi criticada por não testar um número suficiente de pessoas deste grupo de risco.

Os autores do estudo observam que, como os casos de covid-19 só foram detectados quando os próprios participantes relataram sintomas, a análise de eficácia só inclui casos sintomáticos de covid-19. São necessárias mais pesquisas para entender o quão eficaz a vacina é quando se trata de casos assintomáticos e sua transmissão.

Por Deutsche Welle

rpr/lf (dw, afp)

Putin reconhece vitória de Biden, e Bolsonaro segue em silêncio

(Arquivo/Wilson Dias/Agência Brasil)

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, parabenizou nesta terça-feira (15/12) o presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, por sua vitória nas eleições americanas, e afirmou esperar que seus países possam superar diferenças para promover segurança e estabilidade global.

Putin ainda não havia reconhecido o resultado do pleito nos Estados Unidos, e enviou sua mensagem um dia após o Colégio Eleitoral americano ter confirmado Biden como o próximo presidente do país.

No início de novembro, após Biden ter sido declarado vencedor do pleito, o Kremlin declarou que aguardaria “o fim das disputas políticas internas” antes de parabenizá-lo. O presidente eleito dos Estados Unidos adotou durante a campanha uma posição dura em relação à Rússia, e acusou o país de ter interferido nas eleições de 2016 em benefício do atual presidente americano, Donald Trump.

Em sua mensagem, Putin desejou a Biden “sucesso” e disse confiar que “Rússia e Estados Unidos, que têm uma responsabilidade especial pela segurança e estabilidade global, possam, apesar de suas diferenças, realmente contribuir para resolver muitos dos problemas e desafios que o mundo enfrenta hoje”.

O presidente russo também afirmou que “a cooperação russo-americana baseada nos princípios de igualdade e respeito mútuo são do interesse dos habitantes de ambos os países e de toda a comunidade internacional”. “Da minha parte, estou pronto para colaboração e contatos com o senhor”, disse Putin.

Trump não reagiu de imediato à decisão do Colégio Eleitoral, mas, em uma aparente tentativa de tirar o foco do assunto, foi ao Twitter logo depois para anunciar que o procurador-geral do país, William Barr, deixará o cargo nos próximos dias. Trump vinha expressando sua insatisfação com Barr nas últimas semanas, devido às questões legais relacionadas com a eleição.

Polônia também parabeniza, Bolsonaro silencia

O presidente polonês, Andrzej Duda, também enviou mensagem a Biden nesta terça-feira parabenizando-o pela vitória. Assim como Putin, Duda não havia felicitado Biden no início de novembro, após ele ter sido declarado vencedor das eleições. O presidente polonês é um dos líderes mundiais que mantêm uma relação próxima com Trump.

“Após a votação do Colégio Eleitoral, gostaria de parabenizá-lo por ter concluído com sucesso o processo eleitoral para se tornar o 46º presidente dos Estados Unidos, e desejo ao senhor um mandato de muito sucesso”, escreveu Duda.

Com as mensagens de Putin e Duda, o presidente Jair Bolsonaro se torna o último líder de um país relevante a não ter ainda parabenizado Biden por sua vitória, gesto que na linguagem diplomática equivale ao reconhecimento do resultado eleitoral. No dia 29 de novembro, Bolsonaro afirmou que tinha havido fraude nas eleições dos Estados Unidos, sem apresentar provas. 

Nos dois primeiros anos de seu mandato, o presidente brasileiro construiu uma relação de alinhamento automático ao governo Trump, em busca de concessões que mostraram poucos resultados para o Brasil. 

“Virar a página”

Em pronunciamento logo após a decisão do Colégio Eleitoral, Biden afirmou que havia chegado a hora de seu país “virar a página”.

“Nesta batalha pela alma da América, a democracia prevaleceu”, disse Biden em discurso depois da confirmação de sua vitória. “Nós, o povo, votamos. A fé em nossas instituições foi mantida. A integridade de nossas eleições segue intacta.”

Biden obteve 306 votos no Colégio Eleitoral. São necessários 270 para vencer a eleição.

O Congresso dos EUA se reunirá em 6 de janeiro para certificar os votos do Colégio Eleitoral. A posse de Biden e de sua vice, Kamala Harris, está agendada para o dia 20 de janeiro.

BL/afp/dpa/ots

Por Deutsche Welle

Vacina russa contra covid-19 será testada na Venezuela

(Arquivo)

A Venezuela recebeu nesta sexta-feira (02/10) um carregamento da vacina russa contra a covid-19, batizada de Sputnik V, para participar dos testes clínicos da imunização. A entrega foi a primeira desta vacina feita na América Latina.

“Essa cooperação foi resultado do contato permanente, das reuniões e da estreita cooperação existente entre a Venezuela e a Rússia”, afirmou a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodriguez, ao anunciar a chegada do carregamento ao país.

Segundo o ministro da Saúde venezuelano, Carlos Alvarado, 2 mil pessoas participaram dos testes que começa neste mês em Caracas. “Assim que terminar a fase 3, tanto na Rússia, quanto na Venezuela, se iniciará o processo de produção em massa da vacina”, disse.

Em 11 de agosto, a Rússia se tornou o primeiro país do mundo a aprovar uma vacina contra a covid-19, mesmo antes da publicação de dados sobre a imunização e sem a conclusão de todas as fases de estudo, que inclui um teste em grande escala. Muitos cientistas no país e no exterior levantaram dúvidas sobre a segurança e eficácia da imunização.

A vacina recebeu o nome de Sputnik V em homenagem ao primeiro satélite do mundo, lançado pela União Soviética em outubro de 1957. Especialistas ocidentais alertaram contra seu uso até que tenham sido tomadas as medidas regulatórias e o produto tenha passado pelos testes aprovados internacionalmente.

Atualmente, testes da fase 3, o último da etapa de desenvolvimento de vacinas, estão sendo realizados na Rússia e contam com mais de 40 mil voluntários. Em agosto, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, já tinha dito que o país pretendia participar dos testes e que também deseja produzir a imunização, apesar da grave crise econômica que enfrenta.

Além da Venezuela, as Filipinas e o Paraná, no Brasil, mostraram interesse em testar e produzir a vacina.

Segundo dados oficiais, foram registrados 76.029 casos de covid-19 na Venezuela e 635 mortes. A oposição e organizações de direitos humanos, porém, contestam os dados e afirmam que o governo está escondendo uma situação muito pior.

A Rússia tem sido o principal aliado de Maduro diante da pressão internacional, liderada pelos Estados Unidos, para retirá-lo do poder desde a última eleição presidencial em 2018, que foi marcada por acusações de fraude e intimidação. Em 2019, Brasil, EUA e dezenas de outros países reconheceram Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, como líder do país.

CN/rtr/afp

Por Deutsche Welle

Suspeito de atacar Porta dos Fundos é preso na Rússia

Eduardo Fauzi Richard Cerquise acusado de participar de atentado ao Porta dos Fundos (Reprodução)

Um dos suspeitos pelo ataque a bombas contra a sede da produtora do programa Porta dos Fundos foi preso pela Interpol nesta sexta-feira (4) em Moscou, na Rússia. A notícia da captura de Eduardo Fauzi foi divulgada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, que realizava a investigação.

O ataque foi praticado em 24 de dezembro de 2019, como represália a um especial de Natal do Porta dos Fundos sobre Jesus Cristo, que teria desagradado a setores radicais. Segundo a investigação da polícia, que obteve gravações de câmeras de monitoramento na região, o atentado contou com cinco pessoas, incluindo Fauzi, que aparece em uma das imagens.

Foram arremessados dois coquetéis-molotovs contra a produtora e o incêndio só não se propagou porque havia um vigia na empresa. De acordo com o delegado Marco Aurélio Ribeiro, titular da 10ª DP (Botafogo) à época, responsável pelas investigações, os agentes descobriram que Fauzi havia deixado o país com destino à Rússia, em 29 de dezembro.

Gregório Duvivier e Fábio Porchat protagonizam especial de Natal do Porta dos Fundos (Reprodução)

A delegacia realizou um pedido de captura com a colaboração da Interpol do Rio de Janeiro, incluindo o nome dele na lista dos foragidos do país. Fauzi já havia morado na Rússia, onde teria, segundo informações divulgadas à época, uma esposa e um filho.

Por meio de nota, o escritório ROR Advocacia Criminal, que defende Fauzi, informou que acompanha a situação.

“No tocante às informações de que Eduardo estaria preso, ressaltamos que não se trata de prisão e sim de uma apreensão realizada pelas autoridades russas, visando a averiguação da situação dele. Não há confirmação sobre o procedimento de extradição pelas autoridades brasileiras. Por fim, ressaltamos que há pendente a análise de pedido de habeas corpus, visando assegurar a integral liberdade de Eduardo, junto ao Superior Tribunal de Justiça. Por outro lado, a defesa lamenta a morosidade na conclusão das investigações, não se sustentando o decreto prisional, por total ausência de provas sobre a justa causa penal”, comentou a defesa.

Por Vladimir Platonow – Repórter da Agência Brasil 

Paraná assina acordo com Rússia sobre vacina Sputnik

O governo do Paraná celebrou hoje (12) um memorando de entendimento com a Rússia para dar início às tratativas relativas à vacina anunciada pelo país ontem (11). O acordo não traz vinculação ou firma um compromisso de aquisição ou fabricação da vacina, mas dá os primeiros passos.

Ratinho Júnior, governador do estado do Paraná (Rodrigo Felix Leal/AEN)

De acordo com o governo do Paraná, trata-se de um memorando de “aproximação e início de parceria”. A partir dele representantes do governo paranaense passarão a acompanhar o desenvolvimento da vacina em interlocução com o governo russo.

Uma força-tarefa composta por diversas instituições do estado será montada. A previsão é de que até segunda-feira (17) seja publicado um decreto instituindo o grupo, que ficará responsável por elaborar um protocolo para balizar o intercâmbio de informações entre o colegiado e as autoridades russas.

Vacina

A vacina russa foi anunciada pelo presidente Vladimir Putin ontem (11) com uma projeção de imunização em massa até o fim do ano. A solução foi desenvolvida pelo instituto Gameleya, vinculado do Ministério da Saúde daquele país.

Contudo, a decisão levantou preocupações de pesquisadores e autoridades de saúde internacionais e de governos, uma vez que os resultados dos testes nas fases 1 e 2 ainda não foram publicados.

Até o momento o governo do Paraná não recebeu informações sobre esses resultados. O acesso aos dados deverá ser realizado a partir do estabelecimento do protocolo de pesquisa com equipes russas.

“Não tivemos informações sobre questão de segurança porque a força-tarefa terá essa incumbência juntamente com grupo de pesquisadores da Rússia de fazer intercâmbio de informações”, explicou o presidente do Instituto de Tecnologia do Paraná (TecPar), ente pública que ficará a cargo da parceria, Jorge Callado Afonso, em entrevista coletiva após o evento.

A previsão é que os testes da fase 3 sejam feitos até outubro na Rússia. Segundo Afonso, de posse dos resultados dos testes será possível elaborar um protocolo de pesquisa para submeter à Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para dar prosseguimento à parceria.

Sobre as desconfianças com a vacina russa, o diretor-presidente da TecPar afirmou que a análise das autoridades de saúde responsáveis pela avaliação das pesquisas será a condição para a continuidade do projeto.

“Se existem incertezas sobre isso, as análises dirão, os órgãos reguladores confirmarão. Não podemos nos pautar apenas por alguns comentários ou citações. Agora é momento de estarmos em contato com os dados e iniciar essas análises”, comentou.

Acordo de transferência

Se o protocolo de pesquisa for aprovado pela Conep e pela Anvisa, a intenção é promover testes de fase 3 com voluntários no Paraná. Caso os resultados sejam promissores, o intuito é celebrar um acordo com transferência de tecnologia para que a TecPar possa fabricar o medicamento.

De acordo com o instituto, a planta de produção da vacina deve custar R$ 80 milhões. Carlos Afonso disse que o governo do Paraná buscará apoio com investidores internacionais e com o governo federal.

Mas o diretor-presidente da TecPar não quis cravar uma previsão de quando a vacina poderá estar disponível. “Não é só ansiedade nossa. Todas as etapas devem ser vencidas dentro do seu tempo. Antes de falar sobre a validação, aprovação da validação e dos testes, a produção é um segundo passo. A produção no Brasil, de forma muito conservadora, seria no segundo semestre de 2021. Isso não impede que o governo brasileiro faça importações. Ela pode chegar antes, se aprovada e registrada no Brasil”, pontuou.

OMS

Diante do anúncio do presidente da Rússia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que não tem acesso aos dados da pesquisa do laboratório russo Instituto Gamaleya para avaliar a eficácia e segurança da vacina. Disse também que a Rússia não precisa do aval da OMS para fazer o registro.

De acordo com a organização, que monitora o desenvolvimento das vacinas, os russos ainda estão na fase 1 de testes e são necessárias três para fazer o registro. Segundo a entidade, uma vacina só deve ser usada na população depois de aprovada nas três etapas.

*Com informações da Radioagência Nacional