Atraso na transmissão entre neurônios pode gerar fenômenos como as crises epilépticas

(Reprodução)

A atividade cerebral depende do balanço entre sinais excitatórios e sinais inibitórios trocados pelos neurônios. Se as contribuições excitatórias e inibitórias forem transmitidas com um mesmo atraso no tempo, a rede neuronal é capaz de apresentar uma atividade dessincronizada. Contudo, se a inibição atrasar além de certo limite, isso poderá levar a rede a um estado altamente sincronizado, característico das crises epilépticas.

Esta é a conclusão do artigo “Influence of Delayed Conductance on Neuronal Synchronization”, publicado por Paulo Ricardo Protachevicz, Kelly Cristiane Iarosz e colaboradores no periódico Frontiers in Physiology.

Protachevicz e Iarosz são pós-doutorandos no Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), sob a supervisão de Iberê Luiz Caldas, que também assina o artigo.

“Descobrimos que a transmissão inibitória precisa ser rápida o suficiente para evitar que estados altamente sincronizados ocorram na rede. O ideal é que a rede neuronal seja capaz de sincronizar, mas que não fique demasiadamente sincronizada durante todo o tempo”, diz Protachevicz à Agência FAPESP.

“Além disso, observamos que a sincronização encontrada está associada a mudanças (aumento ou redução) da frequência média de disparos na rede neuronal. Também a intensidade da corrente média assume valores mais altos ou mais baixos nas regiões de sincronização”, acrescenta.

O estudo foi apoiado pela FAPESP no âmbito do Projeto Temático “Dinâmica não linear”, coordenado por Caldas, e de duas bolsas de pós-doutorado, uma conferida a Protachevicz e outra a Iarosz.

Os resultados foram obtidos por meio de modelo teórico e simulação computacional. “Consideramos um modelo matemático que descreve a evolução do potencial elétrico de cada neurônio. Estes são conectados por meio de sinapses químicas excitatórias ou inibitórias”, informa Iarosz. “As correntes excitatórias geram despolarização dos neurônios receptores, enquanto as inibitórias evitam que a despolarização aconteça.”

“Diferentemente das sinapses elétricas, que são quase instantâneas, as sinapses químicas possuem um tempo de atraso intrínseco. Esse tempo de atraso pode também ser associado à propagação do sinal pelo dendrito e axônio”, explica Protachevicz.

“Apesar de sua formação ter se dado na área de física, durante a realização desta pesquisa Iarosz e Protachevicz levaram em conta elementos de biologia e fisiologia para que os modelos tivessem interpretações realistas”, salienta Iberê Caldas, supervisor do pós-doutorado de ambos.

O artigo Influence of Delayed Conductance on Neuronal Synchronization pode ser acessado em https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fphys.2020.01053/full.

Por José Tadeu Arantes, da Agência FAPESP

*Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

Desinformação e teorias conspiratórias alimentam movimentos antivacina

(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Enquanto a maioria dos países se prepara para iniciar campanha de vacinação contra a COVID-19, doença que já matou mais de 1,2 milhão de pessoas em todo o mundo, crescem, inclusive no Brasil, a desinformação e as teorias conspiratórias que alimentam movimentos antivacina.

Especialistas têm reforçado que, além de dispor do imunizante, de seringas, ampolas, refrigeradores, profissionais de saúde e definir logística de distribuição, é essencial também uma campanha de comunicação sobre a importância da vacinação, para que seja possível alcançar a meta de ter, pelo menos, 60% da população imunizada.

“Estamos observando uma espécie de batalha assimétrica. Os grupos antivacina no Brasil cresceram consideravelmente durante a pandemia, reaproveitando conteúdos prévios de fake news que já tinham sido produzidos e foram adaptados para a COVID-19. É muito mais barato e fácil produzir notícias falsas com análises conspiratórias e sem nenhum comprometimento do que um estudo com embasamento científico”, disse João Henrique Rafael, idealizador da União Pró-Vacina, grupo de pesquisadores que tem monitorado grupos antivacina no Facebook.

A iniciativa do Instituto de Estudos Avançados (IEA) Polo Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP) conta com a parceria do Centro de Terapia Celular (CTC) e do Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (CRID) – dois Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) financiados pela FAPESP. Também integram a União Pró-Vacina a Ilha do Conhecimento, a Vidya Academics, o Gaming Club da FEA-RP, o Instituto Questão de Ciência e o Pretty Much Science.

“Nos últimos anos, tem-se observado a tendência de quedas constantes nos índices vacinais no Brasil. O último ano bom foi 2015. Apesar de o movimento antivacina ser um tema multifacetado, havia um forte indício de que a desinformação e a falta de comunicação e educação sobre a importância dos imunizantes eram elementos que estavam afetando a queda vacinal”, disse Rafael.

O projeto de pesquisa foi iniciado em novembro de 2019, quando nem se imaginava que 2020 seria marcado por uma pandemia. Desde o início, o objetivo dos pesquisadores era identificar quem estava produzindo conteúdo antivacina, por onde isso circulava e quais eram os principais mitos. A partir desse levantamento, os pesquisadores passaram a produzir conteúdos baseados em evidências científicas para educar sobre a importância no nível individual e coletivo da vacina e também impedir que essa desinformação ganhasse corpo no país.

“Já estávamos estruturando as análises sobre esses grupos desde novembro do ano passado. Quando veio a pandemia já tínhamos todo esse aparato pronto, o que tornou muito mais fácil fazer o monitoramento e enxergar como esses grupos se comportavam e ganhavam novos adeptos”, disse Rafael à Agência FAPESP.

No entanto, de acordo com o pesquisador, a pandemia se mostrou muito propícia para o crescimento desses grupos, sobretudo por ser também um fenômeno comunicacional. “Esses grupos vinham crescendo e se articulando há anos, já tinham um público cativo e as redes sociais serviram como ferramenta poderosa de distribuição de desinformação difícil de ser revertida”, diz.

De acordo com os pesquisadores da USP, o crescimento desses grupos ocorreu tanto aqui como nos Estados Unidos, onde registrou aumento de milhões de usuários. No Brasil, onde há um longo histórico de campanhas de vacinação, o movimento é menor. “Mesmo assim, o movimento antivacina cresceu 18% por aqui durante a pandemia, reunindo agora mais de 23 mil usuários apenas no Facebook”, disse Rafael.

Espaços vazios

Outro aspecto importante, destacado pelo pesquisador, foi o vácuo deixado pelas grandes plataformas digitais. “Medidas como banimento, desmonetização ou simplesmente apagar conteúdos mentirosos demoraram muito para ocorrer e foram desproporcionais ao volume de desinformação. Além disso, instituições conhecidas por tratar de assuntos ligados à imunização não estavam lidando de maneira eficiente nas plataformas digitais”, disse.

Um dos exemplos investigados é da página sobre vacinas que o Ministério da Saúde administra no Facebook. “A comunicação do Ministério da Saúde e de outros órgãos não estava sendo suficiente para desmistificar conteúdos falsos e criar confiança na população sobre a importância da imunização. A página do ministério específica para vacinação no Facebook, com mais de 1 milhão de usuários, ficou parada. Durante o inicio da pandemia o canal, que já era importante dentro do Facebook, ficou três meses sem nenhuma atualização de conteúdo”, disse Rafael.

Durante o período analisado, os pesquisadores identificaram três eixos principais entre os divulgadores de conteúdos falsos antivacina e integrantes dos grupos analisados. O mais predominante deles é o chamado eixo ideológico, formado por pessoas que realmente acreditam nas teorias antivacina e transformam suas vidas em uma missão.

Há ainda o que os pesquisadores denominaram como eixo comercial, que, de acordo com as análises, pode ser notado mais facilmente no YouTube, onde não existem canais exclusivamente antivacina, mas canais que propagam desinformação e, esporadicamente, produzem vídeos com informações falsas sobre vacinas para gerar visualizações e lucrar com isso.

“O terceiro eixo, que começou no Brasil mais recentemente, é um dos mais problemáticos, pois tem o viés político da vacina. Ele surgiu da politização e da polarização com a pandemia”, disse Rafael.

A análise conduzida pela União Pró-Vacina da USP confirmou ainda que conteúdos com teorias da conspiração Q-Anon também estão ganhando espaço e se mesclando com os grupos antivacina.

O Q-Anon é um movimento que surgiu em fóruns de extrema direita na deep web após a eleição de 2016 nos Estados Unidos. O movimento tem como base teorias da conspiração que se mesclam e ligam celebridades à pedofilia e ao satanismo.

O Departamento Federal de Investigação (FBI) chegou inclusive a classificar o movimento como terrorismo doméstico. A partir dessa classificação, somente em agosto de 2020 o Facebook anunciou a exclusão de páginas, grupos e contas diretamente ligados ao Q-Anon. No Brasil, a plataforma também realizou uma ação semelhante em setembro, derrubando grupos e páginas que totalizavam pelo menos 570 mil seguidores.

“Porém, como essas ações demoraram muito para ocorrer, essas teorias se espalharam muito rapidamente por grupos que tinham afinidades com outras teorias da conspiração, como os grupos radicais políticos e os antivacina. No entanto, o Q-anon tende a acrescentar camadas mais radicais às teorias das conspirações tradicionais. Por exemplo: além de propagar notícias falsas sobre a pandemia, sugerem que seus seguidores invadam e gravem vídeos em hospitais com o intuito de mostrar que estariam vazios e interroguem médicos, entre outras atitudes muito preocupantes”, disse Rafael.

Os dois grupos antivacina brasileiro monitorados pelos pesquisadores, no entanto, não foram derrubados pela ação do Facebook e seguem com mais de 23 mil membros e, segundo o pesquisador, funcionam como um hub de informação falsa.

“Ao contrário de movimentos como terraplanismo e antivacina, o Q-Anon incorpora e se mescla com outras teorias de conspiração, trazendo constantemente conteúdo novo e mais extremo. Ele é ainda mais radical e trabalha adicionando camadas de desespero e medo, que podem levar ao ódio”, disse Rafael.

Rafael faz uma comparação entre o que ocorreu nos Estados Unidos e os próximos anos no Brasil. “Existe o risco de não controlar isso agora e o movimento crescer e chegar muito forte às eleições presidenciais em 2022. Isso ocorreu nos Estados Unidos, onde deputados que acreditam e propagam abertamente as teorias Q-Anon conseguiram se eleger no pleito de 2020. Portanto, o momento de evitar e agir para que esse movimento não se espalhe é agora”, disse o pesquisador.

Por Gov. de São Paulo

Capital tem 300 vagas de emprego na área da saúde

A Prefeitura de São Paulo abre processo seletivo para 319 vagas temporárias para o setor da saúde. As oportunidades são em áreas técnicas para um hospital da Zona Norte da capital, preferencialmente para profissionais que residem na região. Os salários variam entre R$ 2.911 e R$ 7.459. As inscrições ocorrem até o dia 15 de dezembro, às 18h, por meio do site www.bit.ly/vagasnocate. A equipe do Cate – Centro de Apoio ao Trabalho e Empreendedorismo fará a pré-seleção para convocar os candidatos que possuírem perfis que se encaixarem nas exigências da empresa e que estejam com disponibilidade para desenvolver as atividades por até 90 dias.

“Este processo seletivo para vagas temporárias na área da saúde além de gerar emprego, em um ano marcado pela crise do coronavírus, também oferece a possibilidade destes profissionais conseguirem uma recolocação ainda em 2020, seja para conciliar com outro trabalho ou como atividade principal. No primeiro semestre o Cate promoveu outras seleções no segmento com mais de 1.000 vagas dedicadas principalmente aos hospitais de campanha da capital.”, diz a secretária de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Aline Cardoso.

São 200 postos temporários para a colocação de técnico de enfermagem de terapia intensiva, com ganhos de R$ 2.911. É necessário possuir ensino superior completo em Enfermagem. Organizar o ambiente de trabalho, realizar registros e relatórios, comunicação com pacientes e com familiares são algumas das atividades que o prestador de serviços deverá realizar.

A área de enfermagem ainda contempla os cargos de enfermeiro e de profissional especializado em terapia intensiva – salários de até R$ 7459. Ambas as atividades exigem a formação superior completa e documentação profissional ativa.

Quem procura oportunidade para o cargo de fisioterapeuta encontra 45 vagas – salário de R$ 4.994. A formação acadêmica mínima para se candidatar é o ensino superior completo em Fisioterapia. A jornada de trabalho do selecionado será 12X36, das 7h até 19h ou 19h até 7h.

Para a área da fonoaudiologia são três vagas, também temporárias disponíveis, – remuneração de R$ 4.846. Para se candidatar é preciso possuir especialização no setor.

Serviço
Processo seletivo para área da saúde
Dias: Até 15 de dezembro
Horário: 18h
Site:www.bit.ly/vagasnocate

Mais da metade das crianças ainda não foram vacinadas contra a pólio

(Agência Brasil)

Desde o início da Campanha Nacional de Vacinação, no dia 5 de outubro até hoje (26), apenas 35% das crianças (4 milhões) foram vacinadas contra a poliomielite. A campanha irá até o próximo dia 30 e 7,3 milhões de crianças ainda precisam ser levadas pelos pais ou responsáveis até os postos de saúde para vacinar. O público-alvo estimado é de 11,2 milhões das crianças de 1 a menores de 5 anos.

O estado que mais vacinou as crianças até agora foi o Amapá (62,59%), seguido do estado da Paraíba (50,11%). Rondônia foi o estado que menos vacinou, tendo atendido apenas 11,76% do público-alvo. A recomendação aos estados que não atingirem a meta é continuar com a vacinação de rotina, oferecida durante todo o ano nos mais de 40 mil postos de saúde distribuídos pelo país.

A campanha nacional ocorre junto com a campanha de multivacinação, que visa atualizar a situação vacinal de crianças e adolescentes menores de 15 anos. Nesta última são ofertadas todas as vacinas do calendário nacional de vacinação.

A poliomielite, também chamada de pólio ou paralisia infantil, é uma doença contagiosa aguda causada pelo poliovírus, que pode infectar crianças e adultos e, em casos graves, pode levar a paralisias musculares, em geral nos membros inferiores, ou até mesmo à morte. A vacinação é a única forma de prevenção.

Por Agência Brasil

Saúde faz vacinação em estações do Metrô

A partir de hoje (18), o Metrô de São Paulo irá receber uma campanha de vacinação, da Secretaria Municipal da Saúde, contra o vírus Influenza (gripe) e contra Sarampo, Caxumba e Rubéola. A vacinação ocorrerá na estação terminal da Linha 3-Vermelha, Corinthians-Itaquera, dos dias 18 a 22 de agosto, e na estação Vila Prudente, na Linha 2-Verde, no dia 22.

Confira a programação:

– Estação Corinthians-Itaquera: de terça-feira (18) a sexta-feira (21), das 10 às 17h, e sábado (22), das 9h às 16h. Serão aplicadas as vacinas Tríplice Viral (Sarampo, Caxumba e Rubéola) para crianças a partir de um 1 ano e menores de 3 anos, além de pessoas na faixa etária entre 15 e 49 anos. Também será aplicada para menores de 1 ano. De 3 a 14 anos, a vacinação será seletiva e é necessária a apresentação da Carteira de Vacinação. A vacina contra a Gripe Influenza é para pessoas a partir dos 6 meses de vida e que ainda não foram vacinadas neste ano. A aplicação será na área livre do mezanino.

– Estação Vila Prudente: sábado (22), das 10 às 15h. Serão aplicadas as vacinas Tríplice Viral (Sarampo, Caxumba e Rubéola) para crianças a partir de 1 ano e menores de 3 anos, além de pessoas na faixa etária entre 15 e 49 anos. Também será aplicada para menores de 1 ano. De 3 a 14 anos, a vacinação será seletiva e é necessária a apresentação da Carteira de Vacinação. A vacina contra a Gripe Influenza é para pessoas a partir dos 6 meses de vida e que ainda não foram vacinadas este ano. A aplicação será na área paga do mezanino.

*Com informações do Gov. do Estado de São Paulo

Pesquisadores testam vacina genética contra zika

Aposta da ciência contemporânea, vacinas de RNA nunca foram aprovadas para uso humano. Mas há muitos pesquisadores pelo mundo debruçados sobre essa tecnologia. E um estudo publicado nesta sexta (07/08) pela revista Science Advances dá esperanças neste sentido, principalmente para o Brasil — bastante atingido pelo vírus da zika nos últimos anos.

(TV Brasil/Reprodução)

A pesquisa, realizada por um grupo de cientistas de diversas instituições americanas, conseguiu resultados efetivos com vacinas genéticas em animais — primeiro em camundongos, depois em macacos-rhesus. Com uma das duas versões desenvolvidas, o índice de proteção foi total quando os animais, 49 dias depois de serem imunizados, foram submetidos ao vírus da zika.

Um dos pesquisadores envolvidos, o biólogo molecular e bioquímico Dong Yu, diretor do setor de identificação de antígenos da unidade Estados Unidos da GSK Vaccines, afirma à DW Brasil que essa tecnologia “tem o potencial de impactar significativamente o futuro da ciência das vacinas”, por sua capacidade de provocar uma “resposta imunológica forte e sustentada” no organismo. “Os dados pré-clínicos mostram que o método é promissor”, ressalta.

Tanto os envolvidos na pesquisa quanto cientistas brasileiros consultados pela reportagem, contudo, lembram que é preciso cautela. São vacinas ainda em início de desenvolvimento — e há um longo caminho até que possam ser comprovadamente consideradas seguras e eficientes para uso humano.

“Nunca foi feita nenhuma vacina por RNA ainda porque não houve oportunidade”, comenta o o médico infectologista Celso Granato, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “É verdade que se trata de uma tecnologia nova e sua vantagem, em tese, seria um desenvolvimento um pouco mais rápido. Mas vamos ver se funciona, já houve tentativas que não deram certo.”

“Em teoria, qualquer técnica para fazer vacinas pode ser aplicada para qualquer doença ou contra qualquer patógeno”, diz o médico Carlos Rodrigo Zárate-Bladés, diretor do Laboratório de Imunorregulação da Universidade Federal de Santa Catarina. “Tudo precisa de teste: funciona? Não funciona? É viável economicamente? É o mínimo que precisa ser respondido na hora de pensar em fazer uma potencial vacina.”

Historicamente o RNA é uma molécula bem mais difícil de trabalhar no laboratório. De acordo com Zárate-Bladés, nos anos 1990, havia uma expectativa de que todas as novas vacinas fossem genéticas, mas baseadas em DNA, “mais estável e fácil de manipular” — contudo a técnica se mostrou pouco efetiva. Isso fez com que até hoje não exista vacina do tipo para uso humano. De DNA, há algumas de uso veterinário.

Covid

Mas veio a pandemia do novo coronavírus e a corrida é mundial pela descoberta, em tempo recorde, de um imunizante capaz de fazer o planeta voltar ao normal. Dentre as pesquisas mais avançadas em desenvolver a vacina, há exemplos que usam a ideia do RNA.

Conforme explica o médico Jorge Elias Kalil, diretor do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (Incor), a técnica consiste em fazer com o RNA mensageiro entre na célula com uma mensagem da proteína imunogênica, desencadeando sua produção e exportação para fora da célula. O sistema imunológico, consequentemente, reconheceria isso como uma proteína estranha.

“Existem várias candidatas a vacinas [contra a covid-19] sendo testadas atualmente que funcionariam assim. Dentre elas, duas das mais avançadas”, comenta ele.

No caso da vacina contra zika cujo artigo foi publicado nesta sexta, Dong Ju e sua equipe fizeram adaptações na técnica para que o RNA se autoamplificasse. Esse foi o pulo do gato para que a imunização, ao menos nos testes com animais, fosse eficaz. Ele reconhece que em condições normais o desenvolvimento de uma vacina deve levar anos. Mas acha que as pesquisas urgentes que vêm sendo realizadas por conta do coronavírus podem ajudá-lo.

“Temos esperança de que a aceleração da tecnologia, por meio do processo colaborativo [com os pesquisadores de coronavírus], possa impactar os prazos de desenvolvimento de potenciais vacinas baseadas em RNA”, afirma o biólogo. “Mas isso precisa ser analisado à medida que formos acompanhando o progresso feito com as vacinas contra covid-19.”

Brasil

Depois do boom entre 2015 e 2016, os casos de zika no Brasil caíram significativamente. Se ao longo de 2016 foram registrados 215 mil infectados pelo vírus no país, nos primeiros seis meses de 2020 os dados do Ministério da Saúde indicam apenas 5 mil.

Não há uma explicação clara para o fenômeno. Segundo Granato, as hipóteses são de que o zika “perdeu na competição com outros vírus, como o da dengue, que segue firme e forte”; que a infecção tenha se tornado mais branda, do ponto de vista clínico; ou, menos provável para o médico, que nos locais onde o vírus teve mais impacto “a população de suscetíveis saturou”.

Se por um lado os dados indicam um bom cenário, por outro isso dificultaria a aprovação de uma vacina definitiva. Isto porque a fase 3 dos testes de um imunizante, segundo os protocolos, são os testes em massa. “O grande problema de uma vacina contra zika hoje é que não se pode chegar a essa fase, porque ela exige a doença ativa”, diz Kalil.

Isso não significa, de forma alguma, a interrupção das pesquisas. Conforme explica o médico, o melhor a ser feito é evoluir nas fases anteriores a essa final, deixando as vacinas “prontas”. “Então, se por acaso vier a começar algum novo surto de zika em qualquer lugar do mundo, é possível testá-la”, explica.

Por Edison Veiga

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A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.

Ex-secretário de Saúde do Rio deixa a prisão

O ex-secretário de Saúde do Rio de Janeiro Edmar Santos deixou a Unidade Prisional da Polícia Militar, em Niterói, na região metropolitana do Rio, na noite desta quinta-feira (7). Santos, que também é oficial médico da PM fluminense, estava preso na unidade desde o dia 10 de julho suspeito de participar de processos ilegais em contratos emergenciais durante a pandemia de covid-19.

Edmar Santos foi preso no mês passado (Arquivo/Tomaz Silva/Agência Brasil)

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) não deu detalhes sobre a decisão de soltura porque o processo ocorre em segredo de Justiça. O ex-secretário teria firmado acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, mas a PGR também ainda não confirmou oficialmente essa informação e nem que quer concentrar as investigações relativas a fraudes na saúde do Rio.

Edmar Santos foi preso em uma das fases da operação Mercadores do Caos, do Ministério Público do Estado do Rio, com o apoio da Polícia Civil. A operação investiga um esquema de compras superfaturadas de ventiladores pulmonares pela Secretaria de Saúde.

O ex-secretário responde pelos crimes de organização criminosa e peculato. Paralela a essa investigação, o Ministério Público Federal também apura esquemas irregulares na saúde do Rio. Essas investigações resultaram na Operação Placebo, deflagrada pela Polícia Federal em maio, e que teve o governador Wilson Witzel e sua esposa como alvos dos mandados de busca e apreensão.

O Ministério Público do Rio foi procurado para comentar a soltura de Edmar Santos, mas disse apenas que por determinação judicial não se pronunciará sobre o tema.

Por Raquel Júnia – Repórter do Radiojornalismo 

Aplicativo ajudará a rastrear contatos de infectados com coronavírus

O Ministério da Saúde lança hoje (30) uma atualização para o aplicativo Coronavírus SUS que poderá rastrear e alertar sobre a proximidade e o contato com pessoas infectadas pela covid-19.

A tecnologia, chamada API Exposure Notification, já é usada em outros países, como Alemanha, Itália e Uruguai, e só será ativada caso o usuário habilite a função “notificação de exposição” nas configurações do aplicativo.

Segundo nota divulgada pelo Ministério da Saúde, pessoas que estiverem geolocalizadas em um perímetro próximo de outras pessoas que informaram estar infectadas pelo novo coronavírus receberão um alerta. O sistema não identifica o doente, apenas avisa da proximidade de alguém que, voluntariamente, informou estar com diagnóstico positivo para a doença nos últimos 14 dias.

Para se cadastrar como doente, o usuário deve validar o exame com o diagnóstico positivo. Segundo o boletim do ministério, “a técnica será uma parte essencial da transição para a vida cotidiana e, ao mesmo tempo, gerencia o risco de novos surtos.”

O Ministério da Saúde informa que cerca de 10 milhões de brasileiros possuem o aplicativo instalado nos celulares, e espera que haja um aumento no uso de 30% após a implementação da novidade.

O aplicativo Coronavírus – SUS está disponível para as plataformas Android – na Google Play e para iOS, na App Store.

SP arrecada R$ 96 milhões para dobrar capacidade do Butantan

O estado de São Paulo já arrecadou R$ 96 milhões da iniciativa privada para aumentar a capacidade de produção de vacinas pelo Instituto Butantan. A meta do governo paulista é receber R$ 130 milhões em doações para dobrar a capacidade atual de produção do instituto.

Segundo o governo, a campanha prosseguirá até o fim de agosto para arrecadar os R$ 34 milhões que faltam para atingir a meta de R$ 130 milhões, com apoio de empresas e grupos filantrópicos privados. As doações serão transferidas integralmente à Fundação Butantan e verificadas por empresas de consultoria.

Hoje, o Instituto Butantan tem capacidade de produzir 120 milhões de doses por ano. O governo paulista pretende ampliar a capacidade do Butantan já pensando na CoronaVac, vacina que está em fase de testes no Brasil e que, caso seja aprovada, começará a ser fabricada pelo instituto, após acordo feito com uma farmacêutica chinesa. Caso aprovada, a vacina será administrada em duas doses por pessoa.

Caso a última etapa de testes comprove a eficácia da vacina, o acordo entre Sinovac e Butantan prevê a transferência de tecnologia para produção do imunizante no Brasil. “É a vacina mais promissora e mais desenvolvida em termos temporais. Não estou falando de tecnologia. É uma vacina que tem grandes chances de ser introduzida muito rapidamente para imunização em massa”, disse o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas.

Segundo Covas, a vacina é produzida com tecnologia tradicional, usada na fabricação de outros imunizantes. “O Butantan tem duas vacinas que se utilizam dessa tecnologia. São vacinas que normalmente têm produzido boa resposta. São seguras e relativamente fáceis de serem produzidas.”

Covas informou que a ideia é que uma quantidade inicial da vacina esteja disponível para a população brasileira já no início do próximo ano. “É possível que, no começo do próximo ano, tenhamos uma vacina já em quantitativos definidos. Seriam 60 milhões de doses a partir de outubro e mais 60 milhões de doses no primeiro trimestre do ano que vem. Estamos falando em 120 milhões de doses. Isso é contratual”, afirmou Dimas Covas. “O Butantan pode começar a fazer a formulação do envase dessa vacina a partir de outubro”, acrescentou.

  A CoronaVac já está na Fase 3 de testes em humanos, que está sendo realizada no Brasil. Ao todo, os testes com a CoronaVac serão realizados em 9 mil voluntários em centros de pesquisas de seis estados: São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná. A pesquisa clínica será coordenada pelo Instituto Butantan, e o custo da testagem é estimado em R$ 85 milhões, pagos pelo governo.

Por Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil 

Ministério diz que país “zerou” a fila de tratamento de hepatites

Os casos de hepatites caíram no Brasil em 2019, confirmando uma tendência de queda nos últimos anos. Contudo, o país ainda deve atuar para alcançar a meta de reduzir em até 90% os casos da doença e em 65% as mortes associadas a ela até 2030, conforme compromisso firmado no Plano Estratégico Global das Hepatites Virais.

O Ministério da Saúde apresentou hoje (28) o boletim epidemiológico sobre hepatites.

Os casos de tipo B somaram 13.971 em 2019, uma queda frente aos 14.686 do ano anterior. Os óbitos oscilaram para cima, indo de 414 (2017) para 424 (2018). Na distribuição regional, o Sul foi o que registrou o maior número de pessoas com a doença (4.529), seguido por Sudeste (3.867), Norte (2.471), Nordeste (2.021) e Centro-Oeste (1.081).

Mais homens (7.938) do que mulheres (6.028) foram atingidos pela enfermidade. No recorte por cor e raça, ela foi mais comum em pardos (5.637) e brancos (5.420), tendo ainda ocorrências em pretos (1.399), amarelos (177) e indígenas (125). A principal forma de contágio foi por via sexual (20,4%).

Hepatite C

Os casos de hepatite C também sofreram redução de 2018 para 2019, de 27.773 para 22.747. As mortes em função da doença também caíram, de 1.720 em 2017 para 1.574 em 2018. No ano passado, a prevalência em termos territoriais foi no Sudeste (11.666), seguido por Sul (7.168), Nordeste (1.869), Norte (1.075) e Centro-Oeste (959).

Assim como nas demais hepatites, a ocorrência foi maior em homens (12.735) do que em mulheres (9.996). No recorte por cor e raça, a incidência foi maior em brancos (11.407) do que nos demais: pardos (6.641), pretos (2.008), amarelos (223) e indígenas (46). A principal causa foi o uso de drogas (12,1%), seguido da transfusão de sangue (10,3%) e relação sexual (8,9%).  

Hepatite A

Os casos registrados de hepatite A tiveram redução de 2.188 para 891, de 2018 para 2019. Já o quantitativo de mortes mais atualizado é referente a 2018, quando faleceram 28 brasileiros em função da enfermidade, número maior do que os 22 que padeceram do mesmo mal em 2017.

A região com a maior quantidade de pessoas com a doença, no ano passado, foi a Sudeste (457), seguida por Norte (151), Sul (135), Nordeste (94) e Centro-Oeste (54). No recorte de gênero, a doença atingiu mais homens (540) do que mulheres (351). Já na distribuição por cor e raça, os casos foram registrados principalmente em brancos (353) e pardos (326), seguidos de pretos (55), amarelos (14) e indígenas (2).

Hepatite D

A hepatite D tem menos casos que as demais e oscilou para cima em 2019, indo de 151 (em 2018) para 164. A prevalência da doença foi sobretudo na Região Norte (104), mas menor nas demais regiões: Sudeste (26), Sul (19), Nordeste (10) e Centro-Oeste (5). Como nas demais, a ocorrência foi maior em homens (110) do que em mulheres (54).

Medidas

O secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo de Medeiros, afirmou que a pasta “zerou” a fila de tratamento para hepatites virais. O termo é empregado quando se atinge um determinado número de tratamentos anuais considerado adequado.

Ele acrescentou que foi feito um pregão para mais de 50 mil tratamentos, o que garante o abastecimento da rede de saúde até 2021. Para hepatite B, o estoque de medicamentos estaria garantido até o 1º trimestre do ano que vem.

“Os medicamentos passaram a ser enviados mensalmente, antes era a cada três meses. Fizemos isso pra garantir maior agilidade no atendimento. Consequentemente isso também garante maior controle dos estoques e diminui a chance do desabastecimento na ponta. O ministério envia 20% a mais do que consumo de cada estado”, declarou Medeiros.

O secretário lembrou que há um compromisso de redução de 90% até 2030. “Esta meta será alcançada com esforço contínuo do SUS [Sistema Único de Saúde], dos nossos profissionais, da nossa cobertura vacinal, da nossa disponibilização dos tratamentos adequados”, reforçou.

Por Jonas Valente – Repórter da Agência Brasil