Brumadinho: confirmadas 134 mortes

Por Letycia Bond e Luciano Nascimento

Bombeiros realizam buscas perto da mata (Corpo de Bombeiros/Reprodução)

O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais e a Defesa Civil do estado atualizaram para 134 o número de mortos, após o rompimento da Barragem 1 da Vale, em Brumadinho (MG). Desse total, 120 já tiveram as identidades confirmadas pelas autoridades. Além disso, 199 pessoas ainda permanecem desaparecidas. Ao todo, 394 foram localizadas.

Segundo o porta-voz da corporação, tenente Pedro Aihara, a previsão é de chuva para os próximos dias, mas as condições meteorológicas não deverão representar um obstáculo, uma vez que parte do efetivo ainda está trabalhando no que chamam de área quente – região mais afetada pelo fluxo de lama e onde há maior chance de vítimas serem encontradas.

Ainda de acordo com o tenente, devido ao deslocamento da lama, foi possível encontrar três corpos de vítimas perto do que as equipes acreditam ter sido o vestiário da mineradora Vale.

Durante a coletiva de imprensa, o tenente também informou que 15 máquinas deverão auxiliar nas buscas da força-tarefa estruturada no local.

Celulares e as buscas

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Além da distribuição de chips de telefone para famílias de Brumadinho, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informou que, após autorização judicial, a localização dos celulares da população local foi disponibilizada para auxiliar no resgate das vítimas na região onde ocorreu, no último dia 25, o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão.

O pedido para a Justiça disponibilizar o sinal dos aparelhos partiu da Advocacia-Geral da União (AGU), que entrou com medida cautelar de urgência para que empresas de telefonia fornecessem a relação de assinantes de celulares que estavam conectados nas imediações da Mina Córrego do Feijão.

De acordo com a agência, as primeiras medidas foram tomadas às 14hs do dia do incidente, uma hora e meia após o rompimento da barragem, com o grupo de crise da Anatel interagindo com as operadoras de telefonia para avaliação, restabelecimento, reparação ou manutenção das comunicações na área afetada.

“Isso garantiu o funcionamento do sinal da telefonia e da comunicação de dados móveis mesmo com interrupção no fornecimento de energia elétrica. Os primeiros geradores a gasolina chegaram na manhã do dia seguinte [26] à tragédia quando as estações de telecomunicações dispunham ainda de carga para a manutenção das operações”, disse hoje (4) a agência.

De acordo com a Anatel, a cobertura da telefonia móvel na região foi reforçada com o aumento da capacidade das antenas instaladas e o envio de novas estações itinerantes. Também foi estabelecida uma estação móvel de 4G na banda 28 (700 MHz) para atendimento emergencial de comunicação.

Outra medida foi a possibilidade dos usuários terem serviço de roaming disponível para fazerem ligações de qualquer antena, independente da prestadora. Além disso, após autorização judicial, a localização dos celulares dos moradores de Brumadinho foi disponibilizada para auxiliar no resgate das vítimas.

Já são 121 os mortos em Brumadinho

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O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais atualizou os números dos trabalhos de resgate de vítimas em Brumadinho (MG). O número de mortes confirmadas subiu de 115 para 121, com 93 corpos identificados. Além disso, são 226 desaparecidos e 395 pessoas localizadas.

Os bombeiros trabalham na região com 294 militares, 15 aeronaves, 22 cães farejadores e seis drones.

Segundo já adiantou o Corpo de Bombeiros Militar do estado, não há como prever uma data de encerramento das buscas por vítimas. “A perspectiva é que, ao longo do tempo, com a lama se estabilizando, a gente vá mudando as técnicas operacionais e, a partir daí, a gente tenha um panorama. Hoje, é impossível cravar uma data final das operações. Infelizmente, não”, afirmou ontem (2) em coletiva de imprensa o chefe da equipe, coronel Erlon Dias do Nascimento Botelho.



Diversas diligências têm sido estabelecidas pelas autoridades governamentais e pela mineradora, após o incidente, que provocou, inclusive, o adiamento do início do período letivo das escolas do município, que abrangem cerca de 6 mil alunos.

A Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, indicou os membros de uma força-tarefa para investigar as responsabilidades do rompimento da Barragem 1 da Mina do Córrego do Feijão, da mineradora Vale.

Confirmadas 115 mortes após rompimento de barragem

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A Defesa Civil de Minas Gerais informou hoje (1º) que aumentou o número de mortos e desaparecidos entre as vítimas do rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, nos arredores de Belo Horizonte. O balanço revelou 115 mortos, 248 desaparecidos e 395 localizados. Dos mortos, 71 foram identificados.

Segundo a Defesa Civil, aumentou o número de desaparecidos a partir de informações transmitidas ao serviço de ouvidoria da empresa Vale. Por isso, foram incluídos mais dez nomes na relação de desaparecidos.

O porta-voz do Corpo de Bombeiros, Pedro Aihara, avaliou que o ritmo de identificação dos corpos deve diminuir. A partir de agora, o trabalho fica mais complexo por se tratar de vestígios de mais difícil acesso abaixo da lama.  “Agora os trabalhos são mais delicados, de escavação. É necessário fazer toda a nivelação do solo. E mesmo com o corpo encontrado, por conta da decomposição é necessário um trabalho minucioso”, explicou.



Ele comentou que os bombeiros não podem eliminar a chance de encontrar pessoas com vida, mas que, diante das dimensões do desastre, a possibilidade de isso ocorrer é “pequena”.

Aihara não deu previsão de até quando os trabalhos de busca devem continuar. No caso de vítimas posicionadas dentro de estruturas, exemplificou, o raio de procura seria menor. Já aquelas pessoas que estavam no campo aberto podem ter sido projetadas para distâncias maiores.

Diante dessas situações diversas, acrescentou, é difícil prever. O representante do Corpo de Bombeiros lembrou que em Mariana as equipes designadas mantiveram as buscas por três meses.

(Ana Graziela Aguiar/TV Brasil/Via Agência Brasil)

Polícia

A Polícia Militar informou que 950 homens fazem os trabalhos de segurança da região de Brumadinho. Pela manhã, foi encerrado o trabalho de varredura da área rural. De acorco com o porta-voz da corporação, Jamor Flávio Santiago, um homem foi preso em Belo Horizonte ao tentar dar um golpe nos comerciantes fazendo-se passar por agente federal atuando nos resgates.

O porta-voz da PM acrescentou que é analisada a hipótese de pedir reforço policial para equipes que atuam no interior de Minas Gerais. De acordo com ele, a integração das forças de segurança será mantido por tempo indeterminado.

O delegado da Polícia Civil, Arlen Bahia, afirmou que a delegacia de Brumadinho vai funcionar de 8h à meia-noite todos os dias, incluindo o fim de semana, para atender as pessoas que precisam fazer carteira de identidade. Segundo ele, uma equipe de agentes vai se deslocar para Parque da Cachoeira para atender os atingidos pela tragédia.

Segundo o delegado, foram coletadas amostras para buscar a identificação de 20 corpos. Até o momento, há 71 corpos identificados e restam 19 pré-identificados – quando ainda falta a última conferência feita pelo Instituto Médico Legal.

Vídeo

Questionado sobre as imagens divulgadas apenas hoje mostrando o curso da lama após o rompimento da barragem, o porta-voz do Corpo de Bombeiros, Pedro Aihara, afirmou que o comando unificado integrado pelas diversas corporações envolvidas nas buscas já tinha conhecimento dos vídeos. Contudo, optou por não torná-las públicas pelo receio do impacto delas caso houvesse alerta de risco de uma nova tragédia em outras barragens.

“A decisão de não divulgar as imagens é decisão que visou sobretudo a garantia do bem estar da população e o não ocasionamento do pânico geral. Passamos para Vale e Polícia Civil investigar o vazamento das imagens”, explicou o porta-voz.

Veja o momento do rompimento da barragem em Brumadinho

Uma câmera fixa no alto da Mina Córrego do Feijão mostra o momento logo após a barragem da Vale se romper no início da tarde da última sexta-feira (25), em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

O “tsunami” de lama, minério e rejeitos avança rapidamente, engole veículos, máquinas, trem, prédios e encobre toda a mina.

Eram 12h28. Primeiro, aparece uma poeira do lado esquerdo, que vai subindo e se alastrando. Depois começa a aparecer a lama. No centro, uma estrutura da Vale, veículos e alguns funcionários. Um veículo branco e uma máquina tentam escapam, mas são cercados pelo “mar de lama” e somem.

Parentes e amigos de vítimas participam de missa de sétimo dia em Brumadinho

Igreja Matriz de Brumadinho fica lotada em missa de sétimo dia(Foto:Valdecy Messias/SP AGORA)

A Igreja Matriz de São Sebastião em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, ficou lotada para a missa de sétimo dia em homenagem às vítimas da tragédia que se abateu na cidade.

A praça e a rua que ficam em frente ao local foram tomadas de pessoas que não conseguiram entrar por causa da multidão.

O arcebispo dom Walmor Oliveira de Azevedo presidiu a missa ao lado de Dom Vicente Ferreira e do padre Renê Lopes.

Os fiéis buscavam conforto diante de tanta dor e sofrimento. A missa foi marcada por palavras de alento dos celebrantes, mas também pelo silêncio e luto que tomaram conta da cidade desde sexta-feira (25), dia do rompimento da Barragem do Feijão, da Vale.

Mais de 100 mortes já foram confirmadas. Outras 238 pessoas estão desaparecidas.

Todas as paróquias das 28 cidades que fazem parte da Arquidiocese de Belo Horizonte celebraram missa de sétimo dia em homenagem às vítimas da tragédia de Brumadinho.

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Brumadinho registra 110 mortes confirmadas

Por Luciano Nascimento

Corpo é transportado por helicóptero (Valdecy Messias/SP AGORA)


A Defesa Civil de Minas Gerais informou hoje (31) que aumentou o número de mortos no desastre da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, nos arredores de Belo Horizonte. Pelo último balanço, são 110 mortos, 238 desaparecidos e 394 identificados. Dos mortos, 71 foram identificados por exames realizados pela Polícia Civil. Também há 108 desabrigados e seis pessoas hospitalizadas. 

A Polícia Civil toma depoimentos de sobreviventes e coleta amostras de DNA. Segundo a Polícia Civil, foi coletado material de 210 pessoas que representam 108 famílias. Os trabalhos vão prosseguir.

De acordo com o delegado da Polícia Civil, Arlen Bahia, dos 71 corpos, 60 já foram identificados e entregues aos familiares. Os outros 11 estão no Instituto Médico Legal (IML) aguardando a liberação por parte dos familiares.



“Ainda está sendo possível, em determinados casos, realizar a identificação pelas impressões digitais, mas daqui para frente, com a decomposição dos corpos a identificação será pela arcada dentária ou pelo DNA, disse. 

O delegado disse ainda que a delegacia de Brumadinho funcionará 24h para atender familiares e receber ocorrências. Também está sendo providenciada uma equipe para atuar na expedição das identidades de parentes de familiares vitimados pelo rompimento da barragem.

O porta-voz do Corpo de Bombeiros, Tenente Pedro Aihara, disse que os corpos encontrados hoje estavam na área do refeitório da Vale e na área adjacente à barragem. Segundo Aihara, a operação entrará em uma fase mais difícil, porque os corpos localizados estavam em áreas superficiais. O resgate das vítimas agora demandará mais escavações.

“Nesse momento, a gente entra em uma fase um pouco difícil, considerando que os corpos que estavam em locais mais superficiais já foram localizados. Agora as atividades demandam escavação e outras técnicas para recuperar alguns segmentos de corpos, com isso o número de corpos aumentará, mas velocidade de descoberta dos corpos vai avançar mais lentamente”, disse.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, mais de 360 militares atuam na área com apoio de 15 aeronaves e 21 cães farejadores. Ontem (30), chegou uma equipe de Santa Catarina e uma aeronave do Espírito Santo. Há, ainda, 66 voluntários, que atuam entre área seca e a inundada. Estes voluntários são pessoas com qualificação técnica.

Aihara disse que, em razão da chuva na tarde de hoje, a situação da lama voltou a ficar instável. Na tarde desta quinta-feira, em razão de uma forte chuva, as buscas chegaram a ser suspensas, mas foram retomadas por volta das 18h.

De acordo com o tenente, a barragem VI está estável, sem risco de rompimento. Mas, em razão da previsão de chuvas para esta noite, ela será monitorada. “Continuaremos o trabalho a partir das 4h da manhã”, disse.

Água

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O coordenador da Defesa Civil de Minas Gerais, Tenente Coronel Flávio Godinho, voltou a afirmar que não vai ocorrer o desabastecimento de água na região. “A entrega continua normalmente, a única ressalva são as pessoas que fazem a captação de água autônoma no rio Paraopeba. Essas pessoas não podem consumir essa água”, disse.

De acordo com Godinho, na tarde de hoje, ficou definido que 50 caminhões pipas, cada um com 20 mil litros de água potável, farão a entrega de água para essas pessoas. A medida vai atender as pessoas que estão na a jusante do rio Paraopeba até a cidade de Pará de Minas.

Por conta da qualidade da água, que apresenta resíduos de metais acima do limite permitido para consumo humano e animal, a captação de água no Rio Paraopeba pelas cidades de Paraopeba e Caetanópolis está suspensa, mas, de acordo com Godinho, não existe a possibilidade dessas duas cidades ficarem sem o abastecimento de água.

“O sistema de Paraopeba que é o que pode causar alguma atenção especial, a captação nele foi momentaneamente suspensa. Para suprir a necessidade, a água está sendo captada no rio do Cedro e em alguns poços artesianos. Essa água tem o acompanhamento de diversos órgãos para medir a qualidade da água”, afirmou.

Chega a 99 os mortos em Brumadinho e há 259 desaparecidos

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A Defesa Civil de Minas Gerais atualizou, no final da tarde hoje (30), em 99 o número de vítimas do rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho, nos arredores de Belo Horizonte, identificadas pelo Instituto Médico Legal (IML). O último balanço da corporação registra 259 desaparecidos.

De acordo com a Polícia Civil, dos 99 mortos, 57 foram identificados. A orientação é que as famílias não compareçam ao IML e, sim, comuniquem-se via internet e redes sociais.

Segundo a Defesa Civil, cinco dias após o desastre causado pelo rompimento da barragem, ainda há regiões de Brumadinho que sofrem com a falta de energia.



O tenente-coronel Flávio Godinho, coordenador da Defesa Civil, disse que os trabalhos na região da mina do Córrego do Feijão começaram por volta das 4h da manhã.

A barragem B6, com água, segue monitorada 24 horas por dia, segundo o órgão, sem risco de rompimento. Um plano de contingência, entretanto, foi elaborado de forma preventiva.

Parentes de desaparecidos vivem angústia diante das buscas

Por Ana Graziela Aguiar – Enviada Especial da TV Brasil

(Valdeci Messias/SP AGORA)

Dezenas de familiares se aglomeram todos os dias em busca de informações. A cena se repete desde a última sexta-feira (25), quando a Barragem 1 de rejeitos da mineradora Vale se rompeu e deixou um rastro de lama e mais de 250 desaparecidos em Brumadinho, no interior mineiro. O número de mortos chega a 99.    

Na porta de um dos centros de atendimento montados no município, encontramos dois irmãos que buscavam, com fotos nas mãos, qualquer notícia da irmã Gislene, de 53 anos. Edir Lazaro do Amaral é comerciante e conta que ela estava dentro do refeitório da empresa Vale na hora do rompimento da barragem. “Ela passou mensagens às 12h21 para algumas amigas. [Poucos minutos depois], uma vizinha viu a notícia e me avisou lá no restaurante. Até pediu para não avisar a minha mãe. Aí entrei em desespero”, relembra.    



Gislene é uma das 259 pessoas consideradas desaparecidas até o momento. Ela trabalhava há 17 anos na Vale e, segundo o irmão, comemorava a compra de um carro novo e ainda cuidava da mãe idosa. “A gente está muito chateado, chorando muito. Está uma tristeza danada. Nem estou abrindo o meu restaurante. Estamos neste sofrimento. Minha mãe é acamada, nós não tivemos condições de avisá-la de imediato, ela ficou sabendo pela televisão”, conta.               

Apesar da saudade e da tristeza, para Edir, o mais importante agora é conseguir enterrar a irmã. “A esperança nossa é encontrar pelo menos o corpo dela para a gente ter um enterro digno, porque ela não merecia essa morte”, acrescenta emocionado.

Do outro lado da cidade de Brumadinho, aos pés do que já foi um riacho, encontramos o mecânico Nelson José da Silva Junior. De olhar perdido, observando o mar de lama, ele relembra que nasceu e foi criado ali. São 36 anos aqui, ao lado da barragem. “Não imaginava [isso], né, porque é tudo fiscalizado. Não sabia que a situação era dessa forma. Muita gente que trabalhava lá próximo dizia que tinha perigo [de rompimento], que estava vazando, mas eu mesmo não sabia disso.”

Todos os moradores da região onde vivia Nelson precisaram sair do local assim que a barragem de rejeitos se rompeu. Ele estava trabalhando longe dali. A esposa e o filho, que estavam em casa, conseguiram fugir. Mas, a irmã que trabalhava na Vale continua desaparecida. “Ela trabalhava na medicina do trabalho. E até hoje não temos notícia, nada, nada. Já fomos a hospital, IML, já andei essas matas todas e não encontrei nada.’’

A busca é pela irmã mais nova Fernanda, de 32 anos. Ela comemorava a conclusão recente da tão sonhada faculdade de psicologia. Mas, infelizmente, não poderá participar da Colação de Grau. “Ela estava tão feliz. Chegou a tirar todas as fotos. O pessoal da faculdade ligou pra nossa família, nós ficamos sem saber o que dizer. É muita tristeza.’’

A cada helicóptero que sobe e desce ali, fazendo resgates e buscas, Nelson fala, com lágrimas nos olhos: “Será que é a minha irmã?”

Após Brumadinho, Vale anuncia fechamento de barragens

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Após reunião com os ministros de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e do Meio Ambiente, Ricardos Salles, o presidente da Vale, Fabio Schvartsman, anunciou que a empresa vai acabar com dez barragens, como a que se rompeu em Brumadinho, nos arredores de Belo Horizonte (MG). Segundo ele, essas barragens serão descomissionadas.

“É a resposta cabal e à altura da enorme tragédia que tivemos em Brumadinho. Este plano foi produzido três a quatro dias após o acidente”, ressaltou o executivo.

O presidente da Vale, Fabio Schvartsman, anuncia que a companhia vai acabar com dez barragens, como a que se rompeu em Brumadinho (Valter Campanato/Agência Brasil)

Schvartsman afirmou que descomissionar significa preparar a barragem para que ela seja integrada à natureza. “A decisão da companhia é que não podemos mais conviver com esse tipo de barragem. Tomamos a decisão de acabar com todas as barragens a montante”, disse o executivo em Brasília.

O presidente da Vale disse que o projeto para descomissionar as barragens está pronto e será levado para os órgãos federais e estaduais em 45 dias. Segundo ele, o prazo para executar as ações é de no mínimo um ano e no máximo 3 anos. Os trabalhos devem ter início dois meses após a expedição das licenças. A Vale estima que serão aplicados cerca de R$ 5 bilhões para efetivar o plano.

Schvartsman disse que “não teve qualquer tipo de pressão” por parte do governo federal para intervir na direção da Vale. De acordo com ele, a reunião de hoje com os ministros Costa e Lima e Salles foi “absulatamente técnica”.

“Esse plano foi hoje apresentado aos ministros de Minas e Energia e Meio Ambiente, assim como foi apresentado à data de ontem ao governador Romeu Zema [de Minas Gerais].” De acordo com o executivo, a decisão será publicada por meio de comunicado para informar o mercado financeiro.

Impacto



A medida vai reduzir a produção em 40 milhões de minério de ferro e 10 toneladas de pelotas por ano, o que representa 10% da produção da empresa ao ano.

“A decisão da companhia é que, depois que esse desastre aconteceu, não podemos mais conviver com esse tipo de barragem, tomamos a decisão de eliminar com todas as barragens a montante, descomissionando todas elas com efeito imediato. Para tanto será necessário paralisar as operações de mineração em todos os sítios que estão nas proximidades dessas barragens”, disse o presidente da Vale.

A decisão também foi comunicada ao governador de Minas Gerais, Romeu Zema, ontem (28). 

O rejeito das barragens a serem descomissionadas poderá ser convetido em outros materiais, como tijolos, ou enterrado. “Todas as 19 já estão desativadas. As descomissionadas deixam de ser barragens ou são esvaziadas ou integradas ao meio ambiente”, afirmou Schvartsman. “Isso representa um esforço inédito de uma empresa no sentido de dar uma resposta cabal à altura da tragédia de Brumadinho”, acrescentou.

O presidente da Vale disse ainda que a empresa firmou o compromisso de incorporar os cerca de 5 mil trabalhadores que serão afetados com a redução da operação, em razão do descomissionamento das barragens.

Schvartsman disse que desde a tragédia em Mariana, a companhia havia decidido desativar esse tipo de barragem. Do total de 19 barragens em Minas Gerais, nove já foram descomissionadas, isto é, tiveram suas atividades encerradas, deixando de servir como barragens.

Serão contratadas empresas de engenharia especializadas nesse tipo de procedimento. Durante o descomissionamento das barragens, a operação da companhia será paralisada. A empresa comunicará a decisão ao mercado ainda na noite desta terça-feira.

“A única maneira de fazer o descomissionamento é parar a operação. A Vale tomou espontaneamente a decisão de parar todas as operações. A razão pela qual temos que parar as operações é para acelerar o descomissionamento, se fizermos isso coma operação em andamento há enormes riscos de desmoronamento”, disse Schvartsman.

Segundo o presidente, a atividade da companhia nas minas ocorrerá sem o uso de barragens a montantes. Serão utilizadas apenas barragens convencionais e um procedimento de extração de ferro a seco, adquirido pela empresa pouco antes do rompimento da barragem em Brumadinho.

De acordo com o presidente da Vale, o trabalho de recuperação de Brumadinho terá início logo após o trabalho de remoção das vítimas. “Em primeiro lugar, estamos focados no atendimento as famílias das vítimas e no resgate dentro das possibilidades das pessoas vitimadas pela enorme tragédia”, afirmou.

Pressão

Questionado por jornalistas se a decisão de descomissionar as barragens seria uma resposta à pressão do governo junto a diretoria da empresa, Flávio Schvartsman disse que apresentou o plano “que pretende praticar”.

“Em nenhum momento ouvi falar de intervenção ou de pressão sobre o conselho. Quero registrar que as reuniões foram absolutamente técnicas e não houve qualquer tipo de pressão. A Vale apresentou ao governo o plano que pretende praticar, como ele tem impacto de toda a natureza é necessário que o governo tomasse conhecimento”, afirmou.

Após o rompimento da barragem, circulou a informação de que o governo federal, acionista da empresa, pudesse agir para mudar a diretoria. Mais cedo, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse em entrevista coletiva no Palácio do Planalto que “não há condição” de o governo intervir para mudar a diretoria da mineradora.

Sobe para 84 o número de mortos; 276 estão desaparecidos

Técnicos de Israel durante vistoria na região atingida pelo rejeito que escorreu da barragem (Twitter/FDI/Reprodução)

A Defesa Civil de Minas Gerais informou, na noite desta terça-feira (29), que há 84 mortos e 276 desaparecidos após a tragédia provocada pelo rompimento de uma barragem da mineradora Vale em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Neste quinto dia de buscas, nenhuma vítima foi encontrada com vida, afirmou o porta-voz do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, tenente Pedro Aihara. Segundo ele, desde sábado (26) não são achados sobreviventes. “[Nos próximos dias] A possibilidade de encontrar pessoas com vida é muito pequena”, disse o porta-voz.

Números da tragédia

84 mortos confirmados – 42 identificados (veja a lista)
276 desaparecidos (veja a lista)
192 resgatados (veja a lista)
391 localizados

De acordo com Aihara, dois dos corpos resgatados nesta terça são de pessoas que estavam no refeitório da Vale. Um terceiro corpo foi localizado em um dos ônibus soterrados. A Vale informa que cerca de 600 empregados estavam no refeitório e no prédio administrativo da mineradora no momento do acidente.

A barragem de rejeitos, que ficava na mina do Córrego do Feijão, se rompeu na sexta-feira (25). O mar de lama varreu a comunidade local e parte do centro administrativo e do refeitório da Vale. Entre as vítimas, estão moradores e funcionários da mineradora. A vegetação e rios foram atingidos.

Participam dos trabalhos de resgate 290 militares, sendo 120 de Minas Gerais e os outros de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás e Alagoas. Militares de Israel também atuam.

De acordo com Aihara, a tropa da ajuda oferecida pelo governo israelense trouxe equipamentos para mapeamento de celulares, sonares, radar que detecta o tipo de material que está no local e drones ligados a satélites para mapear a área atingida. Um dos equipamentos é capaz de encontrar pessoas com vida a 30 metros de profundidade.

O porta-voz afirmou que, nesta terça, foram feitos 84 sobrevoos de helicóptero na área atingida pela lama. Segundo ele, nesta quarta-feira (30) os trabalhos de busca devem começar por volta das 4h. Está prevista a chegada de mais 80 bombeiros – vindos de São Paulo, Goiás, Espírito Santo e Santa Catarina –, cães farejadores e quatro aeronaves.

Mais cedo, o chefe do Estado-Maior do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, coronel Erlon Dias do Nascimento, afirmou que, como o volume de lama baixou bastante em alguns pontos, já era possível visualizar alguns corpos ou “segmentos de corpos”.

Em entrevista coletiva à noite, o presidente da Vale, Fabio Schvartsman afirmou que a mineradora vai eliminar as barragens construídas com método semelhante ao de Brumadinho e Mariana, onde ocorreu um rompimento em novembro de 2015.

As buscas nesta terça começaram pouco depois das 6h e devem se estender até as 20h ou 21h. Segundo o Corpo de Bombeiros, a operação priorizou a área em que ficava o refeitório onde almoçavam funcionários da Vale no momento da tragédia.

O porta-voz dos Bombeiros, tenente Pedro Aihara, explicou em entrevista no início da noite que havia botijões de gás e mobiliário característico perto de dois dos corpos encontrados nas imediações. Por esse motivo, ele acredita que sejam justamente de vítimas que estavam no refeitório.

Segundo Aihara, um dos corpos estava no ônibus encontrado neste domingo (27), perto do centro administrativo da Vale. Nesta segunda, dois corpos já tinham sido retirados desse mesmo veículo, que era de transporte interno da Vale. As buscas neste coletivo estão encerradas, disse o porta-voz.

O outro ônibus foi encontrado no sábado (26), na região da barragem. Todos os ocupantes do coletivo eram funcionários da mineradora e morreram, segundo o porta-voz dos bombeiros. Ao menos dez corpos foram retirados, ainda no domingo.

Ajuda do governo de Israel

Técnicos de Israel ajudaram a resgatar corpos no primeiro dia de trabalho em Minas Gerais (Twitter/FDI/Reprodução)

Em entrevista coletiva no final da tarde desta terça, o chefe da delegação de Israel, coronel Golan Vach, afirmou que a tropa tem equipamentos que atuam em três níveis:

satélites e drones, para fazer o mapeamento do terreno e ajudar a comparar como eram as condições antes e depois da tragédia.
câmeras visuais, câmeras térmicas (que auxiliam a encontrar pessoas se elas estiverem vivas), radares para o solo e para a água, câmeras de infravermelho, localizador de celulares e “câmeras finas”, que podem entrar em lugares bem estreitos.
soldados que trabalham em solo (com auxílio de cães). Para Vach, esses homens são a ferramenta mais sofisticada da operação.

Golan Vach disse que os bombeiros do Brasil e de Israel estão trabalhando juntos e que a tropa estrangeira ficará no Brasil “até que não seja mais útil”. “O importante é que houve um horrível desastre. Muitas pessoas morreram, a maioria delas ainda não foi descoberta. E agora, neste momento, nós estamos aqui para ajudar”, declarou.

Também presente na coletiva, o coronel brasileiro Erlon Dias do Nascimento disse que não houve qualquer “mal-estar” causado pela chegada dos israelenses. Ele falou em “balanço extremamente positivo” e em “troca de experiências extremamente importantes e troca de tecnologias”.

Nascimento afirmou homens do Brasil e de Israel estão conseguindo encontrar corpos. De acordo com o coronel brasileiro, o processo de resgate prevê, primeiro, a localização das vítimas – com trabalho visual, tecnológico, buscas manuais dos bombeiros ou outras forças.

A partir daí, vem a segunda fase – é quando equipes integradas ou de bombeiros vão aos locais e, efetivamente, fazem o resgate. O corpo, então, é levado a um ponto específico. Por fim, determina-se um destino destinação específico.

Apesar de a lama dificultar a sobrevivência, os bombeiros não descartam a possibilidade encontrar pessoas com vida.

Ajuda às famílias

Um espaço foi montado para atender as famílias(Foto:Valdecy Messias/SP AGORA)

As famílias afetadas pela tragédia vão receber celulares com chips com minutos de ligação e dados de internet.

Segundo o coronel Alexandre Lucas, secretário nacional de Defesa Civil, 300 celulares com chips vão ser disponibilizados pelo governo federal. As famílias devem ir nesta terça ao Espaço Conhecimento de Brumadinho, a partir das 16h, para buscar os aparelhos. Os moradores devem levar documentos que comprovem o parentesco com as vítimas.

A Polícia Civil de Minas Gerais diz ainda que um cartório foi instalado no Instituto Médico Legal (IML) para facilitar o registro dos corpos que são liberados.

Segundo o delegado Harlem Bahia, o IML atendeu, nesta terça, 47 pessoas, de 28 famílias. Foram emitidas seis certidões de óbito. Outros 35 atendimentos estão agendados para esta quarta.

‘Notícias falsas’ sobre vacina

No balanço das operações desta terça, o porta-voz do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais reclamou que “o trabalho está sendo prejudicado por notícias falsas”.

O tenente Aihara se referia a boatos de que os moradores da região afetada pela lama precisariam se vacinar para evitar doenças associadas ao contato com a lama.

“Não existe vacina para esse tipo de situação. O que existe é um protocolo específico para bombeiros e policiais militares. A população em geral que teve contato com a lama não precisa tomar medicamento ou vacina, a menos que apresente sintomas”, explicou.

Ele citou que leptospirose “normalmente” é a doença “mais comum” nesses casos.

Animais na lama

Vaca atolada na lama que vazou da barragem em Brumadinho(Reprodução/Corpo de Bombeiros)

Até o momento, mais de 26 animais foram resgatados e estão recebendo cuidados. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e outros órgãos acompanham. A Defesa Civil afirma que eles são levados a um sítio da região, onde recebem tratamento, alimentação, medicamentos e são assistidos por veterinários.

Em nota, a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil de Minas Gerais informa que há animais vivos nas áreas afetadas. “Eles estão recebendo alimentação, água e cuidados, até que seja possível resgatá-los”, diz o comunicado.

O órgão informa ainda que “em nenhum momento houve autorização por parte do Gabinete Militar do Governador/coordenadoria Estadual de Defesa Civil para o abate de animais aleatoriamente ou por meio de métodos em desacordo com as normas”.

Questionado os casos de abate, o tenente dos Bombeiros Pedro Aihara afirmou que “em alguns casos, o resgate não é viável pelo sofrimento do animal”.

“É mais interessante optar pela eutanásia. No caso de alguns animais, que sofreram fraturas e perfurações, não é ético insistir. Seguimos as determinações e normativas. O abate só é feito após uma análise bastante cuidadosa e quando é devidamente autorizada. Via de regra, é feito com injeção letal, mas outras situações específicas devem ser analisadas. O Corpo de Bombeiros tem essa preocupação também.”

Segundo autoridades, o abate é feito com injeção letal, geralmente, mas isso pode mudar de acordo com a logística.

Em nota, a Polícia Rodoviária Federal, que também atua no local da tragédia de Brumadinho, informou que, nesta segunda-feira, uma de suas equipes sobrevoou a região à procura de animais. “Seguindo os protocolos estabelecidos para este tipo de situação, a equipe estava acompanhada de veterinários que faziam análise e triagem dos casos”, diz o texto.

O comunicado cita que “lamentavelmente, durante a triagem dos animais, foram encontrados três casos específicos de bovinos atolados na lama, em estado de exaustão e com fraturas de membros”. “Após análise da equipe veterinária, considerando a impossibilidade de adoção de outras medidas, foi tomada a decisão pela eutanásia daqueles animais. O procedimento foi orientado e supervisionado pela equipe veterinária sob a coordenação do comando da operação de resgate.”

Nesta segunda-feira, a Juíza Perla Saliba Brito determinou que a Vale começasse imediatamente a cuidar do resgate de animais atingidos pela tragédia.

Engenheiros da Vale presos em MG e em SP

Cinco pessoas foram presas na manhã desta terça suspeitas de responsabilidade na tragédia da barragem 1 da Mina do Feijão, em Brumadinho. Dois engenheiros da empresa TÜV SÜD que prestavam serviço para a mineradora Vale foram presos em São Paulo. Em Minas Gerais, foram presos três funcionários da Vale.

No mandado, a juíza que decretou a prisão afirma que “havia meios de se evitar a tragédia”.

Os investigadores do Ministério Público e da polícia apuram se documentos técnicos, feitos por empresas contratadas pela Vale e que atestavam a segurança da barragem que se rompeu, foram, de alguma maneira, fraudados.

De acordo com o MP, a força-tarefa criada para a investigar o desastre atua em três núcleos:

criminal;
socioeconômico (para defesa das vítimas;
e socioambiental.