Morte de 2 jovens por Coronavírus é investigada em SP

A morte de dois jovens, um de 26 e outro de 33 anos, pelo novo coronavírus (covid-19) está sendo investigada em São Paulo para saber se eles tinham alguma comorbidade. A informação é da Secretaria da Saúde de São Paulo. Os dois jovens morreram neste domingo (29), na capital, e estão entre as 14 pessoas que morreram vítimas do covid-19 que foram contabilizadas hoje. Todos os óbitos ocorreram na rede privada de saúde.

Segundo balanço da secretaria, São Paulo somou 98 mortes por coronavírus. Entre os 14 óbitos contabilizados, além dos dois jovens, há um homem de 89 anos, que morava em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Os demais são todos da capital e tinham mais de 60 anos de idade. São Paulo tem, até o balanço divulgado na tarde de hoje, 1.451 casos confirmados para coronavírus.

Os últimos balanços divulgados pela Secretaria da Saúde ainda não contabilizaram a morte de um rapaz de 56 anos, estudante da Faculdade de Química da Universidade de São Paulo (USP), ocorrida nesse sábado (28). A morte foi confirmada em comunicado da USP, que informou que ele morreu no Hospital Universitário.

Por meio de nota, a USP lamentou a morte: “A USP lamenta profundamente o ocorrido e informa que está tomando providências para identificar eventuais colegas, professores e funcionários que estiveram em contato com o aluno e orientá-los como proceder. As aulas de graduação e de pós-graduação da universidade estão suspensas desde o dia 17 de março e os estudantes estão em regime de aulas a distância”, diz o comunicado.

Prefeito de São Bernardo

O prefeito de São Bernardo, Orlando Morando, que teve confirmado o diagnóstico para coronavírus na última quarta-feira (25), precisou ser internado hoje (29) em uma Unidade de Terapia Intensiva. Segundo comunicado, divulgado nas redes sociais do prefeito, ele não teve melhoras em seu quadro de saúde e hoje, após um médico passar em sua residência e ter constatada a oxigenação baixa no prefeito, decidiu encaminhá-lo ao Hospital São Luiz.

USP produz Coronavírus em laboratório e reduz custo com testes

À esquerda célula humana não infectada e à direita o Coronavírus se multiplicando em célula cultivada em laboratório (ICB/Reprodução)

Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) conseguiram isolar e cultivar em laboratório o coronavírus SARS-CoV-2 obtido dos dois primeiros pacientes brasileiros diagnosticados com a doença no Hospital Israelita Albert Einstein.

Os vírus serão distribuídos para grupos de pesquisa e laboratórios clínicos públicos e privados em todo o país com o objetivo de ampliar a capacidade de realização de testes diagnósticos e avançar em estudos sobre como a doença é causada e se propaga.

“A disponibilização de amostras desse vírus cultivados em células permitirá aos laboratórios clínicos terem controles positivos para validar os testes de diagnóstico, de modo a assegurar que realmente funcionem”, disse à Agência FAPESP Edison Luiz Durigon, professor do ICB-USP e coordenador do projeto, apoiado pela FAPESP.



De acordo com o pesquisador, a falta dessas amostras do vírus para serem usadas como controles positivos era um dos fatores que limitavam o diagnóstico de coronavírus no Brasil.

Como o SARS-CoV-2 surgiu no exterior, as amostras de vírus que têm sido utilizadas como controle positivo nas técnicas de diagnóstico empregadas por laboratórios brasileiros nesse início do surto no país são importadas da Europa e dos Estados Unidos, a um custo que varia entre R$ 12 mil e R$ 14 mil.

Por isso, o diagnóstico de casos da doença no país tem sido feito principalmente por laboratórios privados e laboratórios de referência no setor público que têm recebido os casos suspeitos.

Na rede pública, quatro laboratórios de referência nacional realizam os testes atualmente: Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo; Instituto Evandro Chagas, no Pará; Fiocruz, no Rio de Janeiro; e Laboratório Central de Goiás, que foi capacitado para realização do exame específico para coronavírus dos brasileiros repatriados da China.

O primeiro teste tem sido feito pelos hospitais de referência de cada estado e o material coletado é então encaminhado para um desses quatro laboratórios para contraprova.

“Os vírus que conseguimos cultivar em laboratório poderão ser usados em um kit para diagnóstico que o Ministério da Saúde distribuirá para os Laboratórios Centrais de Saúde Pública [Lacens] em todo o país. Com isso, todos os estados estarão aptos a realizar o diagnóstico”, disse Durigon.

Os vírus serão distribuídos para os laboratórios clínicos inativados, ou seja, sem a capacidade de infectar células, e em temperatura ambiente. Os vírus importados hoje pelos laboratórios brasileiros têm de ser transportados sob refrigeração, em gelo seco, o que encarece muito o frete, explicou o pesquisador.

Os laboratórios clínicos receberão alíquotas com mais ou menos 1 mililitro (ml) de vírus inativado. O ácido nucleico dessas amostras será então extraído e usado como controle positivo em exame baseado na técnica conhecida como RT-PCR (reação em cadeia da polimerase em tempo real, na sigla em inglês).

Essa técnica permite amplificar o genoma do vírus em uma amostra clínica, aumentando em milhões o número de cópias do RNA do coronavírus. Dessa forma, é possível detectá-lo e quantificá-lo em uma amostra clínica.

“O PCR permite fazer o diagnóstico em até quatro horas. Mas ainda são poucos os laboratórios no país que têm o equipamento disponível”, disse Durigon.



A fim de superar essa limitação, os pesquisadores também pretendem desenvolver outros testes de diagnóstico baseados em outras técnicas mais acessíveis, como análise por imunofluorescência – método que permite visualizar antígenos em uma amostra por meio de corantes fluorescentes.

“Se conseguirmos validar um teste desse tipo específico para o coronavírus seria possível que outros laboratórios e hospitais que não têm o equipamento para o exame por RT-PCR também façam diagnóstico”, avaliou Durigon.

O legado do zika

Segundo o pesquisador, o isolamento e a reprodução do coronavírus em laboratório foram possíveis por meio de recursos obtidos da FAPESP para a instalação no ICB-USP de dois laboratórios de nível de biossegurança 3, destinados à manipulação de agentes com potencial de causar doenças graves ou infecção letal. A infraestrutura foi inicialmente criada para o cultivo do vírus zika.

A construção desses laboratórios no início de 2016, no auge da epidemia do vírus zika no país, tem permitido cultivar, agora, não só o coronavírus, mas também o influenza (causador da gripe) e outros, a fim de avançar no diagnóstico de vírus emergentes, ressaltou Durigon.

“Quando houve o surto de zika, no final de 2015, fomos pegos de surpresa e conseguimos, com recursos da FAPESP, também ser os primeiros a isolá-lo e cultivá-lo em laboratório para disponibilizá-lo para os laboratórios e grupos de pesquisa”, disse.

Por meio de um projeto denominado “Genoma Vírus”, também apoiado pela FAPESP, iniciado em 2003, foi possível formar e capacitar uma rede de 18 laboratórios no Estado de São Paulo para fazer diagnóstico de vírus respiratório por RT-PCR e sequenciamento de genoma.

Com o surgimento do vírus zika, a rede foi acionada e permitiu avançar no diagnóstico e na compreensão da doença no país, afirmou Durigon.

“Por isso o financiamento contínuo à pesquisa é importante. Em razão dos investimentos feitos no passado há uma infraestrutura de pesquisa em São Paulo que permitirá responder mais rapidamente às demandas, sem sair do zero”, disse. O grupo de pesquisadores da USP tem monitorado a circulação sazonal de quatro outros coronavírus nos país. Os resultados dos estudos indicaram que a circulação acontece principalmente no inverno.

“É provável que São Paulo e Rio Grande do Sul tenham maior número de casos de infecção no inverno porque são os estados mais frios”, afirmou Durigon.

Por Elton Alisson – Repórter da Agência Fapesp

Alunos da USP ajudam a criar cosméticos veganos

Imagem ilustrativa (Jornal da USP/Reprodução)


As empresas juniores da Universidade de São Paulo (USP) representam uma oportunidade para que estudantes tenham contato ampliado com o ambiente de negócios. Um exemplo é a atuação em conjunto com a Ambar Cosmetics, que aposta em cosméticos veganos, naturais e acessíveis para entrar em um mercado que já movimentou R$ 30,4 bilhões de janeiro a julho deste ano, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec).

A marca foi idealizada e é gerida apenas por mulheres: as irmãs Raquel de Souza Lima, bióloga, e Dakla de Souza Lima, publicitária e filósofa, Sara de Souza Lima, farmacêutica em formação, e Juliana Varie Tsuchida, quiropraxista.

A ideia surgiu de suas próprias vivências e necessidades por lidarem diariamente com as questões da sensibilidade, dermatites e alergias aos compostos de alguns cosméticos. Elas querem oferecer produtos naturais, veganos, livres de crueldade animal e com preços acessíveis, uma nova opção para os consumidores brasileiros.

Desafios

As empreendedoras procuraram empresas juniores da USP, que são geridas por estudantes, para auxiliá-las na criação da Ambar Cosmetics. A Farma Júnior, empresa do curso de Farmácia da USP, em São Paulo, contribuiu com a pesquisa de tonalizantes e formulação de produtos, como cremes e batons.

“Coordenar o time de projetos e conseguir uma formulação que atendesse às necessidades das clientes foram os maiores desafios”, revela a aluna Karen Richarde dos Santos, da Farma Júnior, ao Jornal da USP.

Outra empresa júnior que participou do empreendimento foi a Marketing Júnior, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP. Eles realizaram a pesquisa de mercado e o planejamento de comunicação da marca.

“Na primeira etapa, além de buscarmos compreender quais cosméticos as pessoas mais compram, era preciso saber os que mais causam alergias”, salienta o estudante de Marketing Yuri Dallabrida, diretor de projetos da empresa júnior, ao Jornal da USP. A pesquisa de mercado buscou compreender os possíveis concorrentes e as melhores estratégias para o lançamento da marca.

“Queríamos entregar uma solução completa para elas, mas havia outros elementos a serem pensados”, acrescenta Yuri Dallabrida, se referindo à abertura da empresa e toda a questão jurídica relacionada ao negócio. Aí entrou o trabalho da SanFran Jr., empresa gerida por estudantes da Faculdade de Direito (FD) da USP.

Projeções

A Ambar Cosmetics ainda não possui produtos disponibilizados, pois está em fase de desenvolvimento. Mesmo assim, a companhia tem grande projeções para o futuro. “Nossa visão é simples e única: nós queremos ser uma referência global na indústria da beleza para pessoas com peles sensíveis, e nós seremos”, destaca ao Jornal da USP Raquel de Souza Lima, uma das fundadoras.

Segundo a bióloga, a Ambar tem como pilares a transparência, para que as pessoas saibam sobre os componentes do produto e sintam-se seguras ao usá-lo, a segurança em relação aos insumos utilizados na formulação e a representatividade, buscando atingir diferentes públicos. É possível entrar em contato com a marca por meio da página no Instagram.

Empresas juniores

Para desenvolver o empreendedorismo na universidade, empresas juniores ajudam a desenvolver a autonomia e liderança dos estudantes. São entidades sem fins lucrativos, criadas e geridas por alunos dos cursos de graduação da USP.  Elas oferecem serviços e criam projetos de temas variados.

A Farma Júnior, por exemplo, realiza entre outras coisas formulação cosmética, treinamento em farmácia e análise microbiológica. É possível entrar em contato pelo e-mail [email protected].

Para entrar em contato com a Marketing Júnior, o e-mail é [email protected]. Os integrantes realizam projetos como planejamento de comunicação e gestão estratégica para empresas.

A SanFran Jr. realiza emissão de CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica), emissão de CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) e outros. Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected].

*Conteúdo do Governo do Estado de SP

Composto da maconha combate Alzheimer, mas pesquisa foi paralisada

Por  Daniel Mello 

(Anvisa/Reprodução)


Um grupo de pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP) conseguiu combater os sintomas do Alzheimer usando um composto canabinoide. Os testes apresentaram bons resultados em ratos em que houve a simulação dos estágios iniciais da doença. Os resultados forma publicados na revista científica Neurotoxicity Research.

Para os experimentos foi usado o composto sintético ACEA (Araquidonil-2′-cloroetilamida) em animais em que receberam no cérebro a droga estreptozotocina (STZ), que provoca uma deficiência no metabolismo dos neurônios. Em seguida, foram aplicados teste da memória nos ratos, com o reconhecimento de objetos.

São colocados objetos novos no ambiente onde estavam os animais. Os ratos que não estavam sob o efeito da droga exploraram mais os locais com as novidades, enquanto aqueles com Alzheimer mantiveram o mesmo interesse por todo o ambiente. Os testes foram repetidos com o intervalo de uma hora e de um dia, para avaliar memória de curto e longo prazo.

Resultados

A partir daí, os ratos passaram a ser tratados com o ACEA, uma forma sintética de um dos compostos extraídos da maconha. Ele se liga ao receptor CB1, presente especialmente no hipocampo, parte do cérebro relacionada à memória e que é afetada pelo Alzheimer.

Segundo a coordenadora do estudo, professora Andréa Torrão, os resultados da administração do canabinoide foram “bem positivos”. De acordo com a pesquisadora, foi verificada uma “reversão do déficit cognitivo”. Segundo ela, isso significa que o composto foi capaz de impedir a progressão da doença que foi simulada em uma fase inicial.

Andréa disse que o ACEA tem sido usado por diversos grupos de pesquisa no mundo, porém, ainda existem aspectos não investigados, que a equipe do Instituto de Ciências Biomédicas tentou avaliar. “Ele foi bem descrito bem mais recentemente. Mas tinha muitas outras perguntas, lacunas, que a gente queria entender”, enfatizou.

Apesar dos bons resultados, as pesquisas com o canabinoide no instituto foram paralisadas. “Os complexos canabinoides estão muito caros para a gente importar com os cortes de verbas que tem sido feito nos últimos anos”, ressaltou a pesquisadora. Por isso, o grupo tem usado outras substâncias que agem em outros aspectos do Alzheimer.

Descoberta molécula que poderá tratar câncer de ovário

Por  Ludmilla Souza 

(Arquivo)


Um alvo terapêutico para o câncer de ovário foi identificado por pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos. Em artigo publicado na revista Cancer Research, os pesquisadores descreveram a ação de uma pequena molécula de RNA (ácido ribonucléico) capaz de bloquear o processo de metástase (formação de uma nova lesão tumoral a partir de outra), e reduzir o tumor quase por completo, ao silenciar a expressão de genes envolvidos na migração celular e no metabolismo energético do tumor.

A molécula conhecida como miR-450a geralmente tem baixa expressão em tumores. Porém, testes in vitro e em camundongos mostraram que, quando superexpressa (aumentada na célula), pode ter efeitos positivos no tratamento do câncer de ovário.

O estudo foi realizado no Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de S. Paulo (FAPESP) na Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto. Contou com a colaboração do professor do Laboratory of Muscle Stem Cells and Gene Regulation, do National Institutes of Health (NIH), nos Estados Unidos, Markus Hafner.

“Trata-se de uma molécula promissora. Podemos desenvolver, no futuro, com nanotecnologia, estratégias terapêuticas contra o câncer de ovário”, disse o pesquisador do Centro de Terapia Celular e coordenador do estudo, o geneticista Wilson Araújo da Silva Junior.

Por ser inicialmente assintomático, o câncer de ovário tende a ser detectado já em estágio avançado. “A principal arma no tratamento hoje é a cirurgia. A miR-450a pode ser um bom alvo terapêutico, que associado ou não a quimioterapia, pode ter o potencial de contribuir como terapia neoadjuvante [tratamento pré-cirúrgico], aumentando taxas de resposta pré-operatórias, bem como, em casos de estadiamento avançado, diminuir o risco de progressão ou morte pela doença, com possíveis efeitos colaterais menores que o da quimioterapia. Outro ponto interessante da molécula é o bloqueio da metástase”, comentou o geneticista.

Os chamados microRNAs, como o 450a, são pequenas moléculas de RNA que não codificam proteína, mas desempenham função regulatória no genoma e, por consequência, em diversos processos intracelulares. A estratégia de atuação dessas moléculas consiste em se ligar ao RNA mensageiro expresso por um gene, impedindo sua tradução em proteína.

Corte de energia

Os testes in vitro in vivo realizados no Centro de Terapia Celular, como parte do doutorado de Bruna Muys, bióloga bolsista da FAPESP, mostraram que, quando superexpresso, o miR-450a não só reduzia o tumor como também bloqueava o processo de metástase. No entanto, era preciso identificar ainda quais genes de proliferação e invasão celular estavam sendo inibidos pela molécula.

Nesta etapa, os pesquisadores trabalharam em colaboração com o grupo do NIH. O estudo teve apoio a FAPESP por meio de uma Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior (BEPE).  “Depois de toda a etapa inicial e de caracterização, precisávamos descobrir quais genes de migração celular e invasão a molécula miR-450a estava regulando. Com a tecnologia que o laboratório do NIH dispõe para procura de alvos de RNA não codificadores, descobrimos que esse microRNA atua também na redução de energia da célula, levando-a à morte”, disse Silva Júnior.

Os pesquisadores identificaram que o miR-450a bloqueia genes relacionados à proteína vimentina, que integra a via de invasão celular. Atua também na desregulação dos genes da via de transição epitélio-mesenquimal – essenciais para a capacidade de migração, invasão e resistência à apoptose celular –, inibindo a ocorrência de metástase.

Em relação ao crescimento tumoral, a molécula atua em um gene mitocondrial (MT-ND2), e três do genoma nuclear (ACO2, ATP5B e TIMMDC1), envolvidos em uma das etapas da respiração celular e na produção de energia (fosforilação oxidativa).

Ainda como consequência das alterações no metabolismo energético, foi observada diminuição da taxa de glutaminólise e aumento de glicólise. De acordo com os pesquisadores, esse desequilíbrio energético pode resultar na produção ineficiente de lipídios, aminoácidos, ácidos nucleicos pelas células tumorais e, com isso, inibir as vias de sinalização associadas à migração e invasão (metástase).

Papel da placenta

A descoberta da molécula e de seu mecanismo de atuação surgiu como resultado do projeto de mestrado de Muys, também apoiado pela FAPESP e vinculado ao Centro de Terapia Celular. No estudo, mostrou-se que ocorre expressão elevada do miR-450a na placenta e baixa expressão em tumores, incluindo o câncer de ovário. A conclusão do grupo foi que, na placenta, essas moléculas estariam regulando mecanismos análogos ao desenvolvimento do tumor.

Embora a formação da placenta e dos tumores sejam processos completamente diversos, existe, até certo ponto, muita semelhança na programação genética de ambos. “A placenta cresce, invade o útero, prolifera e passa por uma vascularização – processo conhecido como angiogênese. É tudo o que o tumor precisa. Porém, diferentemente dos tumores, na placenta esses programas genéticos estão ativos de forma controlada”, disse Silva Junior.

“Por isso, nossa ideia foi buscar novos alvos terapêuticos estudando genes altamente expressos na placenta, mas que não estão ativos em tumores. Essa correlação significa que moléculas como a miR-450a deixam de regular processos biológicos importantes para o desenvolvimento do tumor. Pelos nossos achados, se um gene aparece com essas características é sinal que ele pode ser um bom alvo terapêutico”, disse.

artigo miR-450a acts as a tumor suppressor in ovarian cancer by regulating energy metabolism, de Bruna Rodrigues Muys, Josane F. Sousa, Jessica Rodrigues Plaça, Luíza Ferreira de Araújo, Aishe A. Sarshad, Dimitrios G. Anastasakis, Xiantao Wang, Xiao Ling Li, Greice Andreotti de Molfetta, Anelisa Ramão, Ashish Lal, Daniel Onofre Vidal, Markus Hafner e Wilson A. Silva, pode ser lido pelo site.

Tratamento

Segundo o professor Silva Junior, para que uma terapia seja desenvolvida com o uso da molécula miR-450a é preciso que haja investimento e interesse da indústria farmacêutica. “A academia tem uma etapa que é mostrar os melhores biomarcadores, mas o interesse da indústria farmacêutica acelera esse processo de ter um produto que possa ser colocado no mercado, agora com a publicação deste artigo vai despertar o interesse de alguma empresa. Mas o desenvolvimento de um produto pode levar de 10 a 20 anos, temos a etapa de desenvolver o produto, mas tem todo o trabalho de regulamentar e aprovação nos órgãos competentes para realmente se transformar em um medicamento”, finalizou.

USP cria plástico feito a base de amido de mandioca

(Esalq/via Governo do Estado de SP)


O Grupo de Estudos em Engenharia de Processos (Ge²P), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), e o Laboratório de Engenharia de Alimentos (LEA), da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), estabeleceram uma parceria que resultou na produção de um novo plástico biodegradável.

Segundo os pesquisadores, o material, que tem origem no amido de mandioca, apresenta propriedades melhores que o tradicional, que possibilitarão outras aplicações e melhores resultados.

“A busca por alternativas renováveis para a produção de plásticos biodegradáveis é crescente, sendo foco do estudo de diversos grupos de universidades no mundo inteiro”, salienta o coordenador do Ge²P, professor Pedro Esteves Duarte Augusto.

“Uma das possíveis matérias primas para a produção desses plásticos é o amido, ingrediente natural obtido de vegetais como milho, mandioca, batata e arroz, entre outros”, completa o docente.

Parceria

De acordo com o professor, a união de esforços entre os laboratórios ocorreu porque a produção de plásticos a partir de amidos tem sido explorada há 15 anos pelo grupo da professora Carmen Cecilia Tadini, da Poli e do Food Research Center (FoRC), um dos centros de pesquisa apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de São Paulo (Fapesp).

O docente destacou que, embora o grupo já tenha desenvolvido trabalhos com as tecnologias de ultrassom e irradiação, os estudos com modificação de amidos com ozônio têm resultado em diversas aplicações, como a melhoria da expansão no forno e impressão 3D.

Com isso, o desenvolvimento do projeto em parceria com a Poli conseguiu unir uma demanda às experiências dos grupos envolvidos. A pesquisadora boliviana e engenheira química e de alimentos Carla Ivonne La Fuente Arias é o elo dessa união. A profissional desenvolve o pós-goutorado no Ge²P, em parceria com o LEA e com bolsa da Fapesp.

“O professor Pedro fez parte da minha banca de qualificação no doutorado e, a partir de então, teve início essa aproximação que hoje se consolida no pós-doc”, enfatiza.

Carla Ivonne La Fuente Arias conta que o aspecto inovador do projeto consiste na modificação do amido de mandioca a partir da ozonização para a produção de filmes.

“Trata-se de uma tecnologia verde, amigável com o ambiente. O foco é modificá-lo com o ozônio de maneira a melhorar suas propriedades na forma nativa. Produzimos assim esse plástico biodegradável e, mesmo ainda na etapa inicial, já obtivemos produto de boa qualidade. A próxima etapa, a ser executada na Poli, é a produção em escala semi-industrial”, diz a pesquisadora.

Etapas

Para a concretização do projeto, são realizadas na Esalq as etapas de ozonização, secagem e caracterização das amostras de amido. Na sequência, a cientista leva o material até a Escola Politécnica para preparar e caracterizar o plástico biodegradável.

Entre os benefícios do novo produto estão maior resistência, transparência e permeabilidade. “O processamento dos amidos com ozônio permitiu a obtenção de filmes plásticos mais resistentes e homogêneos, com diferente interação com a água e, em alguns casos, melhor transparência”, explica a engenheira química e de alimentos.

“Essas são características de grande interesse industrial, demonstrando como a tecnologia de ozônio pode ser útil para a fabricação de plásticos biodegradáveis com propriedades melhores do que utilizando apenas o amido nativo”, detalha.

Aplicações

Carla Ivonne La Fuente Arias lembra que o produto deverá ser utilizado no mercado de várias formas. “As aplicações são inúmeras, já que embalagens mais resistentes e transparentes são desejáveis em grande parte das aplicações”, afirma.

Um pedido de patente já foi depositado, com vistas à transferência de tecnologia para a indústria. Os resultados obtidos a partir desse estudo foram apresentados no artigo científico Ozonation of cassava starch to produce biodegradable films, publicado na revista International Journal of Biological Macromolecules.

O trabalho teve, ainda, a participação das pesquisadoras Andressa de Souza, Bianca Maniglia e Nanci Castanha, com financiamento pela Fapesp e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de bolsas da Fapesp, CNPq e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

*Conteúdo do Governo do Estado de SP

USP cria tratamento que fez desaparecer células de linfoma

Por Bruno Bocchini 

Vamberto Castro, de 62 anos (Usp/via Agência Brasil)


Pela primeira vez na América Latina, médicos da Universidade de São Paulo (USP) realizaram com sucesso um tratamento com o uso de células T alteradas em laboratório para combater células cancerígenas de linfoma. Chamado de terapia celular CAR-T, o procedimento já é adotado nos Estados Unidos como “último recurso” para tratar linfomas e leucemias avançadas.

O tratamento, realizado no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, no interior paulista, foi aplicado, no início de setembro, o aposentado Vamberto Castro de 62 anos, com linfoma em estado grave e sem resposta a tratamentos convencionais para a doença.

“O paciente tinha um câncer em um estágio terminal, já tinha sido submetido a quatro tipos diferentes de tratamento, sem resposta. Estava no que nós chamamos tratamento compassivo, que é tratamento sintomático, esperando o desencadear normal, que é o óbito. Estava na fila dos sem possibilidade de tratamento”, lembra o médico Dimas Tadeu Covas, coordenador do Centro de Terapia Celular (CTC) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP.

Cerca de 20 dias após o início do tratamento, a resposta de saúde do paciente foi promissora: os exames passaram a mostrar que as células cancerígenas desapareceram. “Ele teve essa resposta quase milagrosa. Em um mês, a doença desapareceu. Para essa situação, existem experiências americanas [que mostram] que o índice é superior a 80% de cura. Pacientes que estavam condenados, como esse do nosso caso, têm 80% de chance de cura com uma única aplicação desse tratamento”, destaca o médico.

“Daí a sua característica revolucionária. As pessoas não acreditam na resposta tão rápida em um curto espaço de tempo”, acrescenta Covas. O paciente, que deve ter alta no próximo sábado (12), será acompanhado por uma equipe médica, por pelo menos 10 anos, para que se saiba a efetividade do procedimento.

Terapia celular CAR-T

O linfoma combatido com o novo tratamento é um tipo de câncer que afeta o sistema imunológico. O paciente sofria de uma forma avançada de linfoma de células B, que não havia respondido a nenhum dos tratamentos de quimioterapia e radioterapia indicados para o caso. O prognóstico era de menos de um ano de vida.

Diante da falta de resultado das terapias convencionais disponíveis, o doente foi autorizado a se submeter ao tratamento com as chamadas células CAR-T, ainda em fase de pesquisa. A aplicação do novo procedimento foi coordenado pelo médico hematologista Renato Cunha, pesquisador associado do Centro de Terapia Celular da USP, que conta com apoio pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A forma de terapia celular usada em Ribeirão Preto é a CAR-T, na qual as células T do paciente (um tipo de célula do sistema imunológico) são alteradas em laboratório para reconhecer e atacar as células cancerígenas ou tumorais. O termo CAR refere-se a um receptor de antígeno quimérico (chimeric antigen receptor, em inglês).

“A terapia consiste em modificar geneticamente células T para torná-las mais eficazes no combate ao câncer. Esta forma de terapia celular é justamente indicada para aqueles casos que não respondem a nenhuma outra forma de tratamento,” explica Cunha.

Depois que as células T do paciente foram coletadas e geneticamente modificadas, a equipe de Cunha as reinjetou na corrente sanguínea, num procedimento chamado infusão. “Feito isto, as células T modificadas passaram a se multiplicar aos milhões no organismo do paciente, fazendo com que o sistema imune deste passasse a identificar as células tumorais do linfoma como inimigos a serem atacados e destruídos.”

De acordo com o hematologista, os resultados da terapia celular para o tratamento das formas mais agressivas de câncer são tão espetaculares, que seu desenvolvimento rendeu o Prêmio Nobel de Medicina de 2018. Os premiados foram os dois pioneiros da terapia celular, o norte-americano James Allison e o japonês Tasuku Honjo.

Vitória da saúde pública

Dimas Covas disse que a realização com sucesso do tratamento no Brasil significa um avanço científico, econômico, social e do setor de saúde pública.  “Nós temos vários avanços. Primeiro, o avanço científico – nós conseguimos fugir das grandes companhias, das patentes das multinacionais, porque isso é um desenvolvimento próprio, brasileiro. Segundo, isso é feito dentro de um instituto público – é um tratamento destinado aos pacientes do setor público, do SUS [Sistema Único de Saúde].”

“Hoje, nos Estados Unidos, existem só duas companhias que oferecem esse tratamento. Em outras partes do mundo, ele ainda não está disponível. Poucos países do mundo têm esse tipo de tratamento sendo ofertado a população, principalmente na área pública”, enfatizou o médico. 

Ele informou que, nos Estados Unidos, a produção das células a partir da qual é feito um único tratamento custa US$ 400 mil. E o paciente tem os gastos da internação em unidade de transplante e demais despesas médicas. O tratamento completo chega a US$ 1 milhão para uma única pessoa. “Aí se tem uma ideia do impacto que isso causaria no Brasil se não houvesse uma tecnologia nacional disponível. Como é um desenvolvimento da área pública, a terapia poderá ser disseminada para outros laboratórios. Esse conhecimento que nós adquirimos pode ser replicado em outros laboratórios e com outros tipos de tratamento”, ressaltou.

Antes de ser disponibilizado no SUS, o procedimento deverá cumprir os requisitos regulatórios da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A pesquisa deverá incluir mais 10 pacientes nos próximos seis meses, mas ainda não há prazo para que o tratamento seja feito em larga escala. Segundo Covas, isso deve ocorrer na medida em que ocorram adaptações nos laboratórios de produção, o que exigirá investimentos. “O conhecimento está disponível, agora é uma questão de definir a estratégia para que isso aconteça.” Ele destacou ainda que, “felizmente”, os investimentos necessários para ampliação da capacidade produtiva são “de pequena monta, da ordem de R$ 10 milhões”.

A capacidade brasileira atual é de fazer um tratamento por mês. “Nós estamos demonstrando que dominamos a tecnologia, porque o paciente respondeu, então, ela funciona, o produto atingiu o que se esperava dele. Agora é o seguinte: isso é produzido em um laboratório, nós temos capacidade de produção, de tratamento, de um por mês, porque ele é um processo laboratorial”, concluiu o coordenador do Centro de Terapia Celular (CTC) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.

Estudo: USP busca pacientes voluntários com Parkinson

Campos da USP em São Paulo. (Marcos Santos/USP Imagens)

Pesquisadores do Grupo de Óptica do Instituto de Física de São Carlos da USP, em parceria com o Centro Universitário Central Paulista (Unicep) em São Carlos e a Universidade Martin Luther de Halle-Wittenberg, na Alemanha, reuniram esforços para tentar reduzir os efeitos da doença. Eles testaram um protocolo que diminui as dores musculares, a rigidez dos músculos e dos tremores desses pacientes, utilizando uma combinação simultânea de laser e de sucção dos músculos.

Entre os sintomas da doença de Parkinson estão tremores, lentidão dos movimentos, rigidez e atrofia muscular, dores e dificuldade para iniciar ou continuar determinados movimentos – como começar a caminhar ou se levantar de uma cadeira. É uma doença progressiva do sistema neurológico, ainda sem cura, que atinge principalmente os idosos.

Pelo sucesso alcançado nos testes preliminares, o grupo está convocando pacientes voluntários com Parkinson para se cadastrarem na Unidade de Terapia Fotodinâmica pelo telefone (16) 3509-1351. Com um maior número de voluntários, a técnica estará mais rapidamente disponível a quem precisa.

O fato mais notável do protocolo é que foi utilizado um equipamento desenvolvido pela própria equipe da USP há algum tempo, mas com outra função.

“Reutilizamos esse equipamento que estava – e está – dedicado à melhora da condição muscular e à estética, e os resultados foram impressionantes quando o aplicamos em doentes com Parkinson. Quase não deu para acreditar”, relata o pesquisador Antonio de Aquino Junior, coordenador da Unidade de Terapia Fotodinâmica, que funciona na Santa Casa da Misericórdia de São Carlos.

Para o professor Vanderlei Bagnato, do IFSC, a surpresa também foi grande. “Estou muito surpreso com estes resultados preliminares e, se não visse, não iria acreditar. Todos os dez pacientes submetidos a este procedimento tiveram melhora significativa nas dores, bem como diminuição da rigidez muscular e dos tremores”.

Embora as células cerebrais que comandam a parte motora continuem a fazer estragos com a progressiva e inevitável perda de comando, o protocolo pode oferecer ao menos um conforto e bem-estar a esses pacientes, de forma que consigam executar atividades cotidianas.

O professor Vanderlei Bagnato salienta também que este protocolo não substitui a medicação que os pacientes têm que tomar.

*Conteúdo do Governo do Estado de São Paulo

USP vence desafio internacional de carros autônomos

Por Camila Maciel

Um carro autônomo – que funciona sem motoristas – programado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) ganhou um desafio internacional para aumentar a segurança desses veículos. Por meio da plataforma virtual Car Learning to Act (Carla), os 69 melhores laboratórios de pesquisa do mundo participaram da competição inédita que testou, em um ambiente de simulação, a desenvoltura dos carros. Foram mais de 6,5 mil quilômetros percorridos, durante mais de 5,7 mil horas. (a matéria continua após o vídeo)

A equipe da USP obteve o melhor desempenho em três das quatro categorias do Desafio de Direção Autônoma Carla. O time ainda conseguiu o segundo lugar na única categoria que não venceu e conquistou um prêmio total de US$ 17 mil. “A gente focou sempre em diminuir, o máximo possível, as infrações que o veículo cometia durante o trajeto”, explicou Iago Pachêco, estudante de mestrado do Laboratório de Robótica Móvel do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC).

A competição internacional exigia que os veículos criados pelos 211 participantes percorressem rotas virtuais, encarando engarrafamento, chuva, placas de trânsito, semáforos, carros desavisados, pedestres incautos além de outros imprevistos. As equipes tinham que programar os veículos nos laboratórios e enviar os códigos para os computadores que processavam a informação. A plataforma, por sua vez, verificava como cada veículo tinha se comportado e computava os pontos. Diferentemente de jogos de rally virtual, não ganhava o mais rápido, mas o que cometia menos infrações.

As quatro categorias do Desafio de Direção Autônoma Carla se diferenciavam pelos tipos de sensores disponíveis. Em algumas havia menos equipamentos à disposição – apenas câmera e GPS – já em outras era possível captar dados usando sensores a laser, por exemplo. “Em cada categoria, o veículo deveria percorrer várias rotas. E os pontos conseguidos na categoria eram calculados pela média obtida em cada rota”, explica Júnior Rodrigues da Silva, estudante de doutorado do ICMC da USP,.

Silva aponta que a estrutura de automação do veículo começa com a percepção. “Tivemos que criar algoritmos de percepção que pudessem perceber o mundo de uma forma bem parecida com que o humano percebe”, relatou. O veículo deve saber, por exemplo, quando o sinal está vermelho ou verde, a que distância ele está do semáforo, qual a distância do carro que está a frente, entre outros aspectos do ambiente.

O desafio seguinte é trabalhar os códigos que permitem a tomada de decisão. “Reunir essas informações da percepção pra tomar a melhor decisão”, apontou Júnior. O último passo é o controle. “Com a informação da tomada de decisão, executa-se a camada de controle que vai transformar esse comando em ação. Ele vai frear o carro, diminuir a velocidade até parar o veículo”, descreveu.

O desempenho dos carros na competição gera estatísticas que ajudam a identificar o patamar das pesquisas na área de automação de carros. “É uma plataforma pública a que todo mundo tem acesso. Isso permite comparar diversas abordagens de veículos autônomos. Cada laboratório tem um estilo diferente, algoritmos diferentes, de trabalhar com veículos”, explicou Pachêco.

Os pesquisadores da USP vão agora utilizar os conhecimentos obtidos na competição para aplicá-los em um veículo real. “Já temos um veículo que funciona, mas durante a competição desenvolvemos alguns complementos que não estão presentes no veículo atual. A ideia é passar para o veículo atual e avaliar o desempenho dele em situações reais”, destacou Pachêco.

Vantagens

Entre as motivações de investir em pesquisas relacionadas a automação de veículos, está a redução de acidentes. “Estudos mostram que o principal motivo que leva a acidente é alguma falha humana. No sistema autônomo, a inteligência do veículo é capaz de lidar melhor com situações inesperadas e diminuir essa fonte de problemas”, apontou Pachêco. Outros motivos são a acessibilidade para pessoas com dificuldade em dirigir; a mobilidade urbana, pois os carros fazem melhor uso da via, diminuindo os congestionamentos; a relação tempo-viagem, tendo em vista que o tempo de percurso poderia ser usado para outras finalidades; e uma melhor eficiência energética.

Com diretor premiado, espetáculo Insones reestreia em São Paulo

Peça reestreia no teatro da USP, quinta-feira (25), em São Paulo (Érica Modesto/Divulgação)

Com texto inédito de Victor Nóvoa e direção de Kiko Marques, ganhador do prêmio Shell, APCA, Aplauso Brasil e Qualidade Brasil pelo espetáculo CAIS ou da Indiferença das Embarcações, e também ganhador do APCA por Sínthia, o espetáculo Insones reestreia no TUSP – Teatro da USP, quinta-feira (25), às 21h. As sessões ocorrem de quinta a domingo até 26 de maio.

O elenco reúne atores de diferentes trajetórias no teatro, Fani Feldman, Helena Cardoso, Paulo Arcuri e Vinícius Meloni – indicado ao prêmio Shell em 2011 por sua atuação em Cidade Fim – Cidade Coro – Cidade Reverso do Teatro de Narradores. Para compor o jogo entre luz e cenário estão Eliseu Weide e Marisa Bentivegna. Os figurinos são assinados por Ozenir Ancelmo e Ana T. e a trilha sonora por Carlos Zhimber.

Em Insones, quatro figuras passaram 365 noites em claro e tentam incessantemente finalizar a contagem regressiva para o ano que virá. A comemoração é constantemente interrompida por acontecimentos insólitos, revelando relações humanas descartáveis e violentas. A história se mantém por um fio tênue, porém mais importante que a trama são os estados gerados por esse mundo em funcionamento contínuo no qual habitam os personagens. Essas figuras fazem emergir questões fundamentais em nossos dias, como o excesso de estímulos e o crescente controle do tempo e da experiência.

O mundo sem sombras, que explode em violência de tempos em tempos em Insones, carrega traços em comum com outras peças de Victor Nóvoa, como Condomínio Nova Era e Entre Vãos – desenvolvidas com seu coletivo A Digna – e Verniz Náutico para Tufos de Cabelo, que tratam da mercantilização das relações humanas que se dá de diferentes maneiras em nossa sociedade. “É um engano estrutural achar que consumimos coisas, é o tempo que se comercializa. Por isso estamos soterrados por um fluxo incessante de estímulos. Não querem que paremos nem por um instante. Dormir é profanar a liturgia do mercado,” diz o dramaturgo.

O diretor Kiko Marques assume o estilo de escrita não linear de Victor Nóvoa permitindo a abertura de inúmeras camadas de significação do texto.O projeto de montagem da peça foi impactado pela leitura de obras como 24/7 – capitalismo tardio e os fins do sono de Jonathan Crary e Sociedade do Cansaço de Byung-Chul Han, que trazem reflexões sobre os dispositivos de poder na vida contemporânea.

A montagem foi contemplada pelo PROAC 01/2017. Na cidade de São Paulo, o espetáculo fez três temporadas de sucesso de crítica e público em 2018: no SESC Pinheiros, no teatro Sérgio Cardoso e no Teatro de Contêiner Mungunzá, além de apresentações nos SESCs São Caetano, São José dos Campos, Santos e Campinas. Em 2019 o espetáculo circula o interior de São Paulo pela Viagem teatral SESI e faz temporada no TUSP de 25 de abril a 26 de maio.

Serviço

Insones – Reestreia dia 25 de abril no TUSP – Teatro da USP.

  • Temporada: De 25 de abril a 26 de maio de 2019 – Quintas, sextas e sábados às 21h
  • Domingos às 19h.
  • Classificação indicativa: 14 anos
  • Duração: 55 minutos.
  • TUSP – TEATRO DA USP – Sala Multiuso – Rua Maria Antônia, 294 – Vila Buarque.