UTI: Taxa de ocupação deixa 19 Estados em alerta

UTI em Manaus (Mário Oliveira/Pref. de Manaus)

Com 19 estados na zona de alerta crítica para a ocupação de leitos de unidades de terapia intensiva (UTIs) destinados a pacientes com covid-19, o Sistema Único de Saúde (SUS) vive o momento de maior lotação desde o início da pandemia, mostra a série histórica de mapas divulgada hoje (4) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O estudo reúne os mapas publicados em 17 boletins do Observatório Covid-19 Fiocruz, divulgados desde 17 de julho do ano passado.

“Como podemos observar na sequência de 17 mapas abaixo, mesmo no período entre a segunda metade de julho e o mês de agosto, quando foram registrados os maiores números de casos e óbitos, não tivemos um cenário como o atual, com a maioria dos estados e o Distrito Federal na zona de alerta crítica”, analisa a fundação.

A situação de um estado é considerada de alerta crítico quando a ocupação das UTIs atinge 80% das vagas disponíveis para adultos no SUS.

Os mapas mostram que o Amazonas está com as unidades de terapia intensiva em situação crítica de forma duradoura: à exceção do boletim de 7 de dezembro, as UTIs amazonenses apresentaram mais de 80% de ocupação em todas as análises desde 9 de novembro, somando oito vezes.

O estado de Goiás foi o que mais apareceu na zona de alerta crítica, ocupando essa posição em nove dos 17 mapas, incluindo os últimos três.

Pernambuco é o estado na zona de alerta crítica há mais tempo de forma ininterrupta, já que foi classificado dessa forma em 7 de dezembro e se mantém com ocupação acima de 80% há sete boletins seguidos. Rondônia e Paraná entraram na zona de alerta crítica em 18 de janeiro, e permaneceram nela até a última análise, de 1 de março.

No último boletim da Fiocruz, somavam mais de 80% de ocupação nas UTIs: Acre (92%), Amazonas (92%), Bahia (83%), Ceará (93%), Distrito Federal (91%), Goiás (95%) Maranhão (86%), Mato Grosso (89%), Mato Grosso do Sul (88%), Pará ( 82%), Paraná (92%), Pernambuco (93%), Piauí (80%), Rio Grande do Norte (91%), Rio Grande do Sul (88%), Rondônia (97%), Roraima (82%), Santa Catarina (99%) e Tocantins (86%).

Os pesquisadores detalham que, no caso de Minas Gerais, o estado tem divulgado taxas de ocupação de leitos de terapia intensiva sem distinção entre leitos de UTI gerais e de covid-19. Já para o estado do Rio de Janeiro, foram considerados dados da capital nos dias 17/07, 27/07, 10/08 e 24/08/2020 pela falta de dados estaduais na época em que os boletins foram divulgados.

Por  Vinícius Lisboa – Repórter da Agência Brasil 

STF manda Ministério da Saúde reabrir leitos de UTI no Estado

Rosa Weber, ministra do Supremo Tribunal Federal (Valter Campanato/Agência Brasil)

O Supremo Tribunal Federal (STF), na noite de ontem (27), deferiu liminar em ação ajuizada pela Procuradoria Geral do Estado de São Paulo para retomada, pelo Governo Federal, do custeio de um total de 3.258 leitos de UTI destinados a pacientes de COVID-19. A pedido do Governador João Doria, a PGE havia ingressado com ação no dia 10 de fevereiro solicitando a manutenção do repasse que deixou de ser feito pelo Ministério da Saúde a partir de 2021. A decisão da ministra Rosa Weber, em caráter liminar, deve ser cumprida de forma imediata.

O Governador Joao Doria anunciou a decisão do Governo de SP para ajuizamento da ação no dia 10 de fevereiro, logo depois que a PGE protocolou a peça inicial junto ao STF.

“Hoje, o Estado de São Paulo paga integralmente estes 3.258 leitos. Não vamos deixar ninguém para trás, nenhuma pessoa deixará de ter atendimento aqui. Mas a obrigação do Ministério da Saúde terá que ser cumprida em São Paulo e nos demais estados”, disse Doria na ocasião.

O Ministério da Saúde chegou a custear um total de 3.822 leitos de UTI em São Paulo no decorrer da pandemia, mas foi reduzindo este financiamento e passou a subsidiar o funcionamento de apenas 564 leitos em 2021. O Governo São Paulo encaminhou diversas solicitações oficiais ao Governo Federal para manutenção do custeio e aguardou o cumprimento dos protocolos de solicitação, porém do Ministério da Saúde não se posicionou em relação à habilitação dos leitos.

Diante da situação de abandono financeiro e de carência de leitos para atendimento a pacientes graves da COVID-19, em meio à grave crise sanitária provocada pela pandemia do coronavírus, a PGE ingressou com a ação com base no argumento principal de que “compete à União promover e planejar em caráter permanente e zelar pela saúde de todos os brasileiros”.

A decisão da Ministra Rosa Weber ainda não foi liberada em seu inteiro teor, mas tem caráter imediato. De acordo com a Procuradoria Geral do Estado, a decisão do STF é uma grande vitória para o Estado de São Paulo porque traz luz à gestão sanitária em um momento de severo aumento de internações.

Por Gov. do Estado de SP

Com 6.410 pacientes, Estado atinge maior número de UTIs ocupadas por covid-19

(Arquivo/Gov. do Estado de SP)

O estado de São Paulo bateu hoje (22) um triste recorde, ao alcançar o maior número de pessoas internadas em unidades de terapia intensiva (UTI) destinadas para pacientes com covid-19 desde o início da pandemia. O estado tem hoje 6.410 pessoas internadas em UTIs. Além disso, 7.196 pessoas estão internadas em enfermarias.

Até então, o número mais alto de ocupação de leitos de UTI havia sido 6.257, número alcançado em julho do ano passado, quando o estado havia atingido o pico do número de pessoas doentes. 

A taxa de ocupação de leitos de UTI está hoje em 67,9% no estado. “Ultrapassamos o numerário da história da pandemia no nosso país, fazendo com que a atenção precise ser ainda maior”, disse o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn, em entrevista à imprensa no começo da tarde.

Considerando-se a média móvel diária de novas internações, para a qual é somado o número de infectados por covid-19 registrados na semana e dividido pelo número de dias da semana, houve aumento de 5,5% na semana passada, em relação à semana anterior, com média de 1.538 novas internações por dia. O pico na média diária de novas internações foi registrado em julho, com 1.962 internações por dia.

O número de novas internações é importante porque mostra como a pandemia tem se comportado e o quanto o vírus está circulando no momento na região.

“O número de pacientes internados tem se mantido alto, bem mais alto do que tínhamos no início da pandemia. E hoje chegamos a 6.410 pacientes internados e nossa média máxima tinha sido 6.250. Isso pode significar que mesmo que não tenha ocorrido aumento tão significativo de novos casos na UTI, a permanência desses pacientes na UTI tem sido maior. Por isso que nós temos número de pacientes internados bem acima daquela expectativa quando analisamos o dado de novas internações. Isso pode significar gravidade, que os pacientes estão internando em condição mais grave e que exige tempo maior de utilização dos equipamentos de UTI”, explicou João Gabbardo, coordenador executivo do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo.

Já em relação a novos casos, houve queda de 9,5% na semana passada em relação à semana anterior, com média diária de 8.573 casos. A média móvel diária de mortes também teve queda de 5,5%, com média de 222 de mortes por dia.

Por Elaine Patrícia Cruz, da Agência Brasil

Após desativação de UTIs, Estado vai ao STF contra Ministério da Saúde

O Governador João Doria disse nesta quarta-feira (10) que a Procuradoria Geral do Estado ingressou com ação no STF (Supremo Tribunal Federal) para que o Ministério da Saúde volte a custear 3.258 leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) que deixaram de ser pagos pelo Governo Federal em 2021.

“Hoje, o Estado de São Paulo paga integralmente estes 3.258 leitos. Não vamos deixar ninguém para trás, nenhuma pessoa deixará de ter atendimento aqui. Mas a obrigação do Ministério da Saúde terá que ser cumprida em São Paulo e nos demais estados”, disse Doria.

No último dia 5, o Governador a intenção de levar o caso ao STF se o Governo Federal não voltasse a transferir recursos financeiros para garantir o funcionamento destes leitos. Em dezembro, o Ministério da Saúde custeava 3.822 leitos de UTI em São Paulo, mas passou a subsidiar o funcionamento de 564 leitos em 2021.

“São Paulo aguardou, comunicou o Ministério da Saúde e seguiu o protocolo de solicitação. Anunciei várias vezes que aguardaria até ontem (terça) uma posição do Ministério da Saúde com relação à habilitação de leitos e isso não foi feito”, declarou o Governador.

A Procuradora Geral do Estado, Lia Porto Corona, explicou que a ação se baseia no entendimento que “compete à União promover e planejar em caráter permanente e zelar pela saúde de todos os brasileiros”.

“A partir do momento que a União deixa de custear esse auxílio, o custeio destes leitos fica a cargo só do Estado e municípios. Depois de reiteradas as tratativas administrativas, não tivemos outra alternativa a não ser recorrer ao STF”, disse a Procuradora. A ação já foi distribuída pelo Supremo na manhã desta quarta e está disponível para consulta pública.

Por Gov. do Estado de SP

Mais de 70% das UTIs do Estado estão ocupadas

(Gov. do Estado de SP)

A ocupação de leitos de unidades de terapia intensiva (UTI) em todo o estado de São Paulo chegou hoje (20) a 70%, maior taxa registrada desde o início do ano. No dia 5 de janeiro, estava em 62,5%, o que indica que as internações vêm crescendo em um ritmo muito forte e rápido em São Paulo nas últimas semanas.

Os leitos de UTI de todo o estado estão sendo ocupados, neste momento, por 6.053 pessoas. Por causa desse aumento na taxa de ocupação, o governo paulista anunciou, hoje (20), que fará uma nova reclassificação do Plano São Paulo na sexta-feira (22). A expectativa é que mais regiões do estado regridam de fases.

Será a terceira vez, somente neste mês, que o governo paulista promove a reclassificação no Plano São Paulo. A primeira ocorreu no dia 8 de janeiro e a expectativa do governo era de que a próxima fosse feita somente no dia 5 de fevereiro. Mas com o crescimento rápido da contaminação, o governo acabou fazendo uma nova reclassificação no plano na sexta-feira (15).

O Plano São Paulo é dividido em cinco fases, que vão do nível máximo de restrição de atividades não essenciais, o vermelho, a etapas identificadas como de controle, a laranja; de flexibilização, amarelo; de abertura parcial, a verde, e a normal controlado, azul. 

O plano divide o estado em 17 regiões e cada uma delas é classificada em uma fase do plano, dependendo de fatores como a capacidade do sistema de saúde e a evolução da pandemia.

Ontem (19), São Paulo ultrapassou a marca de 50 mil mortes provocadas pelo novo coronavírus (covid-19), somando hoje 1.658.636 casos. A média móvel dos últimos sete dias está em 11.645 casos por dia, aumento de 7% em relação à semana anterior.

Vacinação

(Gov. de São Paulo)

A vacinação das comunidades quilombolas vai ter início na sexta-feira (22), informou hoje (20) o governador de São Paulo, João Doria.

A vacinação em São Paulo teve início no domingo (17) com a aplicação de doses em profissionais da saúde e indígenas. Como as doses são insuficientes para toda essa população, o governo paulista está, neste primeiro momento, privilegiando os profissionais de saúde que estão na linha de frente de combate à covid-19. Até o momento, segundo o Vacinômetro do governo paulista, mais de 16 mil pessoas já foram vacinadas no estado. 

Segundo Regiane de Paula, coordenadora de Controle de Doenças da Secretaria estadual da Saúde, desde segunda-feira (18) até hoje (20) o governo paulista já conseguiu distribuir 500 mil doses da vacina para 13 regionais da saúde em 123 cidades. A expectativa é que até sexta-feira (22) todos os 645 municípios paulistas recebam doses da vacina.

Insumos

A vacinação no Brasil utiliza o imunizante CoronaVac, produzido pelo Instituto Butantan com a farmacêutica chinesa Sinovac, e que teve seu uso emergencial aprovado no domingo (17) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No entanto, neste início da campanha de vacinação, apenas 6 milhões de doses estão sendo utilizadas no país, sendo que 1,4 milhão estão em São Paulo. 

O Instituto Butantan solicitou esta semana à Anvisa que outras 4,8 milhões de doses já prontas sejam também aprovadas para uso emergencial no país, o que somaria um total de 10,8 milhões de doses.

Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan
(Governo do Estado de São/Reprodução)

Para que sejam produzidas mais doses da vacina no país, o Instituto Butantan necessita que seja enviado ao Brasil matéria-prima da China. 

O governo paulista, por meio de seu escritório em Xangai, tem tentado negociar com o governo chinês a importação desses insumos, uma vez que são necessários para o Instituto Butantan fabricar novas doses da vacina. 

“Dependemos de importação de quantidades adicionais de matéria-prima”, disse Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, que pediu apoio do governo federal nessas tratativas com o governo chinês para acelerar a liberação da matéria-prima.

Segundo ele, os insumos já estão prontos, esperando autorização de quatro instâncias chinesas para poder embarcar para o Brasil: os ministérios da Saúde e das Relações Exteriores, da agência reguladora de vigilância sanitária e da Aduana. Três dessas instâncias, segundo ele, já autorizaram o embarque. Falta uma delas, que ele não especificou qual.

“Nossa previsão é que um total de 5,4 mil litros devam chegar até o final deste mês a São Paulo, e mais 5,6 mil litros cheguem até o dia 10 de fevereiro [cada mil litros produz aproximadamente 1 milhão de doses]. Essa matéria-prima está pronta, aguardando o trâmite burocrático. Em relação à produção, a capacidade de envase do Instituto Butantan é de 1 milhão de doses por dia, mas o processo começa com o envase, mas tem também um processo de produção, e isso demora em torno de 20 dias”, explicou Dimas Covas.

Por Elaine Patrícia Cruz, da Agência Brasil

Hospitais privados do Estado têm 71% de UTIs ocupadas

A taxa de ocupação de leitos em unidades intensivas de tratamento (UTIs) destinados a pacientes com covid-19 está acima de 71% em 72% dos hospitais particulares do estado de São Paulo. O dado faz parte de um levantamento do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SindHosp). Segundo a pesquisa, em 20% dos hospitais a ocupação das vagas de UTI está acima de 90%.

O levantamento foi feito entre os dias 11 e 13 de janeiro, ouvindo 76 hospitais em todo o estado (20% do total). Os estabelecimentos pesquisados têm um total de 1.986 leitos de UTI e 4.628 leitos clínicos.

A grande maioria (86%) dos hospitais informou que nos dez primeiros dias de janeiro registraram um aumento do número de internações por covid-19. Segundo a pesquisa, 28% dos hospitais aumentaram o número de leitos clínicos destinados a pacientes com o novo coronavírus e 26% ampliaram a capacidade de UTI para atender as pessoas infectadas pela doença.

Em relação aos leitos clínicos, a ocupação estava em até 40% para 23% dos hospitais, e entre 91% e 100% em 36% dos estabelecimentos de saúde.

Estão preparados para aumentar o número de leitos para cuidar dos pacientes com coronavírus, 63% dos hospitais.

Por Daniel Mello – Repórter da Agência Brasil 

Enquanto leitos de UTI do SUS chegam ao limite, há vagas nos hospitais privados

Por Bianca Muniz, Bruno Fonseca

Em cinco estados, UTIs têm mais de 90% de ocupação no SUS; governo foi procurado por hospitais privados para custear UTIs para os que não têm vaga no sistema público

Para cada um dos poucos leitos livres de tratamento intensivo (UTI) da Covid-19 nos hospitais públicos do Amazonas, há três desocupados no sistema privado. No Rio Grande do Norte, enquanto três quartos das UTIs públicas para pacientes com coronavírus estão ocupados, o sistema particular está com a lotação próxima à metade. E no Ceará, mesmo com as UTIs próximas ao limite tanto no SUS quanto nos hospitais privados, a situação no sistema público é ainda mais crítica.

Os dados, resultado de um levantamento da Agência Pública com as secretarias de Saúde estaduais, revelam a desigualdade no acesso à saúde no Brasil: em diversas partes do país, UTIs do SUS têm registrado ocupação muito acima que as do sistema privado. Em todos os estados brasileiros, a maior parte da população não tem acesso a planos de saúde privados, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Além disso, a Pública descobriu que o Ministério da Saúde já recebeu propostas de entidades que representam hospitais particulares para que o governo pague UTIs privadas para a população que depende do SUS. Segundo a reportagem apurou, a proposta foi feita enquanto o Ministério da Saúde era comandado por Nelson Teich.

Em estados do Norte e Nordeste, ocupação de UTI no SUS supera a de rede privada

Em cinco estados do Brasil, os leitos de UTI públicos para tratar pacientes em situação grave de Covid-19 já estão com mais de 90% da lotação. São eles Amazonas, Acre, Ceará, Pernambuco e Roraima.

Outros quatro estados estão com mais de 75% de UTIs públicas ocupadas: Rio Grande do Norte, Pará, Maranhão e Espírito Santo. Já Paraíba, Bahia, Rondônia e Alagoas estão com mais da metade das UTIs do SUS ocupadas.

São Paulo, Rio de Janeiro e Sergipe têm mais de 50% de ocupação das UTIs no estado, mas não separam dados do sistema privado e do público.

 

Bruno Fonseca e Larissa Fernandes/Agência Pública

No Amazonas, o primeiro estado onde as autoridades anunciaram o colapso do sistema de saúde, em abril, a lotação das UTIs públicas está próxima do limite: 93,59%, segundo o último mapeamento de leitos realizado pela Secretaria de Saúde. No sistema particular, a ocupação é menor: 76,98%. O levantamento mostrou 54 leitos de UTI livres nos hospitais privados.

O estado vem registrando casos de mortes de pessoas que esperavam por vagas em UTI desde o mês passado. Há também relatos de falta de UTIs móveis no SUS para transporte de pacientes em situação mais grave. Uma reportagem do UOL mostrou que quem pode pagar tem utilizado UTIs áreas particulares para ser internado em hospitais do Distrito Federal e nos estados do Sudeste. Um voo de Manaus a São Paulo custa a partir de R$ 80 mil, podendo chegar a R$ 200 mil.

Segundo a Pública apurou, no Amazonas apenas 12% da população tem acesso à saúde privada.

Foto: Ingrid Anne
Em Manaus, prefeitura abriu hospital de campanha, mas ocupação de UTI públicas se mantém acima de 90%. Reportagem mostrou que pacientes pagam UTIs aéreas privadas para serem internados em outros estados

A situação também é desigual no Rio Grande do Norte. Enquanto 77% das UTIs públicas no estado estão ocupadas, no sistema privado a ocupação está por volta de 53,73%.

No Ceará, a taxa de ocupação geral, juntando SUS e rede privada, é de 91,3% dos leitos de enfermaria e de 91,8% em leitos de UTI. Mas a situação é ainda mais crítica no SUS: 90% dos leitos de UTI estão ocupados. Das 16 unidades hospitalares monitoradas pela Secretaria de Saúde, oito apresentavam taxa de ocupação igual ou maior que 90% em leitos de UTI e seis tinham 100% de seus leitos em enfermaria ocupados. Na capital, Fortaleza, cerca de 95% dos leitos de UTI estão ocupados com pacientes suspeitos ou confirmados de Covid-19.

Bruno Fonseca e Larissa Fernandes/Agência Pública

Maioria dos estados não divulga dados de ocupação do sistema privado

Segundo levantamento da Pública, a maioria absoluta dos estados não informa a ocupação de UTIs do sistema privado. Há casos que a lotação é informada com a do sistema público, sem diferenciar.

É essa a situação de São Paulo, o estado com maior quantidade de casos e mortes no país. A Secretaria Estadual de Saúde não divulga dados de ocupação do sistema privado e informa que cerca de 71% dos leitos de UTI públicos e privados no estado estão ocupados. A situação piora na região metropolitana da capital, onde os leitos de UTI estão com 89,9% de sua capacidade preenchida. A Secretaria Municipal de Saúde divulga os dados apenas da rede pública, que está com 92% de ocupação nas UTIs de hospitais municipais.

Questionada pela reportagem, a Secretaria Estadual de Saúde não enviou dados de ocupação detalhados entre as duas redes.

A Pública procurou o Hospital Albert Einstein, um dos primeiros a notificar e tratar casos de Covid-19 no país, que informou não divulgar taxas de ocupação.

Segundo reportagem do Uol, a taxa de ocupação dos hospitais privados em São Paulo está em torno de 80%, conforme os dados da Associação Nacional de Hospitais Privados. A Pública questionou a associação, que informou que não divulgaria taxas de lotação, mas reconheceu que já registrou, sobretudo em março, uma diminuição na ocupação de UTIs privadas.

Na última quarta-feira, dia 20 de maio, o governo de São Paulo anunciou que prevê o colapso da rede pública em três semanas e abriu uma chamada para contratar 1,5 mil UTIs no sistema privado. O secretário de saúde afirmou que há risco de “estrangulamento do sistema” público.

No Rio de Janeiro, segundo estado com maior número de mortes pelo novo coronavírus, o governo também não divulga ocupação de leitos privados. À reportagem, a Secretaria de Saúde informou que 79% dos leitos de enfermaria e 86% de UTI da rede estadual estavam ocupados, com um total de 2.334 internações. A pasta informou também que, com exceção do Hospital Regional Zilda Arns e do Hospital de Campanha Lagoa-Barra, todos os leitos destinados à Covid-19 estavam ocupados no dia 17 de maio. Segundo a secretaria, 335 pessoas com suspeita ou confirmação de Covid-19 aguardam transferência para UTI.

Na capital fluminense, a Secretaria de Saúde mede uma ocupação de 88% nos leitos de UTI da rede municipal. No dia 13 de maio, havia 159 pessoas internadas em tratamento intensivo com suspeita ou confirmação de Covid-19.

Em todos os estados brasileiros, a maioria da população não tem planos privados de saúde, segundo dados da ANS. O acesso é pior em estados do Norte e Nordeste do país, justamente onde reportagem da Pública mostrou que há menos disponibilidade de UTIs por habitante.

Bruno Fonseca e Larissa Fernandes/Agência Pública

Ministério da Saúde foi procurado por entidades privadas, que se queixam de falta de cirurgias

Segundo a Pública apurou, entidades que representam hospitais particulares já haviam demonstrado interesse ao Ministério da Saúde para que o governo custeie leitos de UTI para pacientes do SUS. As conversas teriam ocorrido durante a gestão de Nelson Teich. Uma fonte afirmou à Pública que hospitais privados de pequeno e médio porte, por terem suspensas as cirurgias eletivas, viam com bons olhos receber pacientes do SUS, pagos pelo governo.

A Pública questionou o ministério sobre a proposta da rede privada, que não respondeu até a publicação da reportagem. Atualmente, a pasta divulga apenas a quantidade de leitos de UTI existentes no país e nos estados, incluindo as novas contratações.

A assessoria do ministério chegou a afirmar à reportagem que iria divulgar a ocupação dos leitos dos hospitais que tiverem preenchido o Censo Hospitalar, mas a informação ainda não é disponibilizada. Segundo o ministério, já foram 2.242 leitos de UTI habilitados em hospitais públicos, privados e filantrópicos no país desde o início da pandemia. O governo afirma pagar uma diária de R$ 1.600 mil por leito.

Associação Nacional de Hospitais Privados informa que a receita dos hospitais associados caiu 26% nos quatro primeiros meses do ano. A entidade afirmou estar em negociação com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sobre a situação financeira dos hospitais privados.

A proposta de fila única para UTIs, semelhante ao que ocorreu em países como França, Itália, Espanha, Irlanda e Austrália, é defendida por grupos de estudos em saúde de universidades como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Segundo a doutora pela Fiocruz Lígia Bahia, em entrevista à Pública, “sem fila única, haverá mortes excessivas entre os mais pobres”.

Durante uma transmissão feita pela Confederação Nacional das Seguradoras, o presidente da Federação Nacional das Empresas de Saúde Suplementar, João Alceu Amoroso, afirmou que a fila única de UTI “pode desorganizar o sistema privado” e que “o poder público não tem tecnologia nem parâmetros para utilizar este sistema”. O presidente da federação, que representa 17 grandes empresas do sistema hospitalar particular, disse também que “é um mito dizer que qualquer ociosidade deve ser disponibilizada para Covid-19”.

Região da Brasilândia recebe 20 novas UTIs

Uma das regiões da capital paulista mais afetadas pela pandemia do novo coronavírus, o bairro de Brasilândia, na zona Norte da cidade, recebeu hoje (11) mais 20 unidades de terapia intensiva (UTI) e 16 leitos de enfermaria, todos destinados ao tratamento de pacientes com covid-19. O reforço ocorre em razão do início de funcionamento do Hospital Municipal de Brasilândia.  

De acordo com a prefeitura, quando estiver em pleno funcionamento, o local deverá chegar a ter 305 leitos, somados enfermaria e UTIs, e beneficiará uma população de 2,2 milhões de pessoas da região.

No último levantamento divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde, Brasilândia já havia registrado 123 óbitos em razão da covid-19. Segundo a prefeitura, as ruas do distrito, que possui mais de 280 mil habitantes, estão sendo desinfectadas e ações como carros de som e um trio elétrico, cedidos pela sociedade civil, passam orientações para o combate ao novo coronavírus.

Por Bruno Bocchini – Repórter da Agência Brasil 

Com UTIs perto da lotação, doentes da Capital serão transferidos para o interior

(Governo do Estado de SP/via Fotos Públicas)

Com 89% de leitos de unidades de terapia intensiva (UTI) ocupados na Grande São Paulo por causa do crescimento de casos de coronavírus, o governo de São Paulo enviará, a partir deste fim de semana, pacientes para serem tratados em hospitais do interior.

A informação foi dada hoje (30) pelo secretário estadual da Saúde de São Paulo, José Henrique Germann. “Então, passamos agora, a partir deste final de semana, a utilizar os leitos do interior para tratamento de pacientes aqui da Grande São Paulo”, disse Germann.

A ocupação de leitos de UTI no estado todo está em torno de 69,3%. Em enfermarias, o percentual é de 48% no estado todo e de 73% na Grande São Paulo.

São Paulo já soma 28.698 casos confirmados de coronavírus, com 2.375 óbitos. Há ainda 1.744 pessoas internadas em UTIs e 2.138 em enfermarias.

Reunião com ministro

Em reunião com representantes da Secretaria Estadual da Saúde e do Centro de Contingência do Coronarívus de São Paulo, com o ministro da Saúde, Nelson Teich, defendeu a manutenção do isolamento social. Segundo o coordenador do Centro de Contingência, David Uip, durante a reunião, o ministro falou também sobre a dificuldade da compra de insumos, principalmente de respiradores.

No evento, o governo estadual encaminhou uma lista de pedidos ao governo federal como o credenciamento de mais 2.783 leitos de UTI específicos para tratamento de pacientes com covid-19.  Segundo Uip, até este momento, foram habilitados 734 leitos. Também foram pedidos 100 respiradores para serem entregues em 15 dias ao Hospital das Clínicas das Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; além de insumos de coleta do RT-PCR [exame para diagnóstico de coronavírus], equipamentos de proteção individual (EPIs), máscaras N-95 e medicamentos emergenciais, entre eles a cloroquina.

Os representantes estaduais pediram ainda 4 milhões de testes rápidos. “O Ministério [da Saúde] já havia enviado 400 mil testes rápidos, com expectativa de chegar a 1 milhão. porém, com destino às prefeituras do estado e exclusivamente para uso com profissionais de saúde. Precisamos, agora, enquanto secretaria, fazer esse mesmo trabalho junto à população”, ressaltlu Germann.

De acordo com Germann, São Paulo já gastou R$ 480 milhões no combate ao coronavírus, com recursos enviados pelo Ministério da Saúde, além de R$ 1,6 bilhão com recursos do Tesouro estadual.

Por Elaine Patrícia Cruz – Repórter da Agência Brasil

Respiradores produzidos no Brasil são distribuídos

O ministro da Saúde, Nelson Teich, informou neste sábado (25), por meio do Twitter, que a pasta distribuirá 272 respiradores produzidos pela indústria nacional. Segundo ele, parte dos equipamentos já foi enviada a nove estados para o atendimento de pacientes graves com o novo coronavírus. Ao todo serão 14.100 respiradores.

“A indústria nacional está ajudando na resposta ao coronavírus, com a produção e entrega de respiradores. Recebemos 272 unidades e grande parte já seguiu para os estados. Ao todo serão 14.100 respiradores”, disse Teich.

Segundo o ministro, nesta semana, o Estado do Amazonas receberá 20 respiradores (ao todo serão 55). O Paraná receberá 5 (ao todo terá recebido 20). Também foram contemplados o Amapá (25), Ceará (45), Espírito Santo (10), Pará (20), Piauí (20), Rio de Janeiro (40) e Santa Catarina (17).

Quase um milhão de testes rápidos serão enviados nos próximos dias para os estados, informou o ministro. A logística de entrega será realizada por meio de parceira com os ministérios da Defesa, Infraestrutura e a Polícia Rodoviária Federal.

Nelson Teich afirmou ainda que, ao fim desta semana, o governo federal terá entregue 79 milhões de equipamentos de proteção individual para proteger os profissionais de saúde, 3 milhões de testes rápidos e 272 respiradores.

Por Heloísa Cristaldo – Repórter da Agência Brasil