Válvula criada por brasileiros e holandeses permite compartilhar respirador

O projeto é resposta a um desafio da Johns Hopkins University(Divulgação)

Um grupo de pesquisadores desenvolveu um mecanismo que pode permitir o compartilhamento de ventiladores respiratórios. São quatro brasileiros e dois holandeses que apresentaram o projeto em resposta a um desafio proposto pela escola de medicina norte-americana Johns Hopkins University.

O mecanismo começa com um aplicativo que monitora os pacientes internados com coronavírus. O programa busca identificar pacientes que possam, em caso de necessidade, dividir um mesmo aparelho respiratório.

O bioengenheiro Alessandro M. Hakme da Silva, um dos idealizadores do projeto, disse que é importante que as pessoas tenham semelhanças de peso, altura e capacidade pulmonar.

A ideia parte de experimentos que já foram feitos para compartilhamento de equipamentos de respiração artificial em situações críticas. “Eles pegaram pacientes que tinham mais ou menos o mesmo peso, a mesma altura, a mesma capacidade pulmonar, a mesma frequência respiratória, e colocaram esses pacientes para compartilhar o mesmo ventilador. E eles foram mantidos vivos por até 3 horas”, explicou Silva.

O trabalho busca melhorar a eficiência dessa possibilidade ao adicionar uma válvula que controla o fluxo de ar para os pacientes. “Para fazer a combinação correta de fluxo de ar para que ambos pacientes pudessem ser tratados no ventilador”, enfatiza o bioengenheiro.

O projeto foi desenvolvido justamente a partir dos problemas apontados nas pequisas que analisaram o uso dos respiradores por mais de uma pessoa. “Pegamos todas as recomendações e incorporamos isso”, acrescentou Silva.

Busca por recursos

Os pesquisadores buscam, agora, recursos para fazer todos os testes necessários para que o protótipo possa ser aprovado para uso clínico. “Algumas empresas já entraram em contato conosco”, disse o pesquisador, que pretende buscar também financiamento de instituições públicas. A estimativa é que cada válvula custe cerca de US$ 150.

Além de Silva, fazem parte do grupo os pesquisadores Beatriz Gandolfi, Emílio Belmonte, Gian Caselato, Marjn Hiep e Friso Schoffelen. O grupo teve mentoria de Dennis McWilliams, Namratha Potharaj e Matthew Petney dentro do programa de inovação médica B.E.S.T Innovation Course promovido pelo do IRCAD América Latina, com sede em Barretos, no interior paulista.

Por Daniel Mello – Repórter da Agência Brasil

Hospital em SP atinge limite de capacidade da UTI

O estado de São Paulo registrou hoje (15), pelo segundo dia consecutivo, um recorde de internações hospitalares em razão de infecção pelo novo coronavírus. Estão em enfermarias ou em unidades de tratamento intensivo (UTI) nesta terça-feira, em decorrência da covid-19, 2.332 pessoas – 1.132 em UTI e 1,2 mil em enfermarias. Ontem, a somatória era 2.153 pessoas infectadas.

O Instituto de Infectologia Emílio Ribas, na capital paulista, informou na tarde de hoje que atingiu seu limite de atendimento em UTIs: 100% dos seus 30 leitos estão ocupados. Daqui a duas semanas, o instituto deverá abrir mais 20 vagas.  

Também já estão sobrecarregados os sistemas de atendimento em UTI do Hospital das Clínicas, com 83% de ocupação, Hospital Geral de Pedreira (87%), Hospital Vila Nova Cachoeirinha (86%), Hospital Regional de Ferraz de Vasconcelos (67%) e Hospital São Paulo (62%).

“Isso já mostra claramente a pressão no sistema público de saúde, através da observação de grandes hospitais da região de São Paulo, de embate, já com número elevado de doentes”, destacou o Coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus do estado, o médico David Uip.

Alta no número de mortes

O estado de São Paulo registrou um aumento de 81,7% nas mortes causadas pelo coronavírus na última semana. Na quarta-feira passada, a somatória era de 428 vítimas fatais. Hoje, o total chega a 778 mortes (463 homens e 315 mulheres) – com 83 novos registros desde ontem. 

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, os óbitos continuam concentrados em pacientes com 60 anos ou mais (79,8%). No estado, são 199 cidades com pelo menos um caso confirmado, e 78 municípios com, no mínimo, um óbito A relação de casos e óbitos confirmados por cidade pode ser consultada no site do governo do estado.

Por Bruno Bocchini – Repórter da Agência Brasil

SP pode ter esgotamento de UTIs no próximo mês

Coletiva de imprensa sobre Coronavírus
José Henrique Germann, secretário Estadual de Saúde de São Paulo (Reprodução)

O governo de São Paulo acredita que os leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do estado paulista começarão a ficar muito cheios a partir do mês de maio. A informação foi dada pelo secretário estadual de Saúde, José Henrique Germann.

“Nós vivemos de cenários. Temos de entender que se mantivermos esse grau de isolamento e distanciamento social, nós podemos inferir que provavelmente nós teremos uma lotação de leitos de UTI a partir do mês de maio. Temos duas reservas de leitos, uma que deve se esgotar até o final de maio e outra até o final de julho”, disse Germann.

Hoje, a ocupação de leitos em São Paulo está próxima do limite. O maior número foi registrado no Hospital Sancta Maggiore Higienópolis, com 83% de ocupação. Em seguida, aparecem o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (77%), o Hospital Municipal do Tatuapé (77%), o Conjunto Hospitalar do Mandaqui (76%) e a Santa Casa de São Paulo (71%).

De acordo com o infectologista David Uip, coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo, o doente grave tem ficado em média 14 dias internado na UTI. Já o doente grave que evolui para óbito fica mais de três semanas. O grande gargalo, segundo ele, é que não faltam apenas leitos de UTI, mas tudo o que compõe o atendimento do doente grave, que começa na enfermaria e pode ir até a alta após a permanência na UTI.

“Porque o estresse? Porque você precisa ter equipamento, não só respirador, e você precisa ter equipe de saúde treinada e protocolo”, disse ele. Especificamente sobre os respiradores, acrescentou Uip, o governo tem trabalhado com a indústria automobilística para que ela possa começar a produzi-los. “Talvez nós consigamos que essa indústria possa produzir esses respiradores. A compra de respiradores no mercado internacional é uma compra competitiva. O mundo está comprando. Tem dificuldades. Mas entendo que muitas coisas podem ser resolvidas pela competência e criatividade do sistema brasileiro”.

Coletiva de imprensa sobre Coronavírus
David Uip, coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo

Na manhã de hoje, Uip conversou com secretários de Saúde das cidades do Grande ABC, onde a ocupação de leitos já atinge também 70% de sua capacidade. “Isso é extremamente preocupante”, disse ele. “Já há uma pressão muito importante sobre o sistema de saúde público do estado de São Paulo, principalmente na região metropolitana do estado”, falou ele.

Outro dado que Uip destacou foi o aumento no número de mortes por coronavírus no estado, o que vem demonstrando, segundo ele, a gravidade dos casos. “Isso demonstra a necessidade de mantermos e ampliarmos as medidas de distanciamento social e ficar em casa, porque isso tem impacto relevante na curva tanto de transmissibilidade, de morbidade de doença como também de letalidade”.

Ontem (14), a taxa de isolamento social na capital e também no estado de São Paulo estava em torno de 50%. O ideal é que ela chegue a 70% para evitar o colapso no sistema de saúde.  “O número de 50% é bom, que altera a curva. Mas não é suficiente. Queremos e precisamos mais. Nosso objetivo sempre será alcançar os 70%”, falou Uip.

São Paulo tem hoje 9.371 casos confirmados de coronavírus, com 695 óbitos. Há ainda 1.143 pessoas ocupando leitos de UTI e mais 1.215 pessoas internadas em enfermarias.

Para evitar a saturação dos hospitais por causa do coronavírus, o governador de São Paulo, João Doria, voltou a fazer um apelo para que as pessoas continuem em isolamento. “Não façam movimentações desnecessárias [indo para as ruas]. Ao fazê-lo, vocês estão colocando em risco as suas vidas e a de seus familiares e amigos. Ninguém quer hospitais lotados e cemitérios cheios. Por isso, precisamos de ruas vazias”, falou o governador, lembrando que a quarentena estabelecida para o estado de São Paulo vale, neste momento, até o dia 22 de abril.

Cesta básica

Doria disse que 20 mil cestas básicas do projeto Alimento Solidário começaram a ser distribuídas hoje para as famílias mais vulneráveis do estado. A intenção é entregar, até o final deste mês, 1 milhão de cestas básicas. O governo paulista pretende entregar 4 milhões de cestas de alimentos, 1 milhão por mês, até julho.

Saída de secretário

Doria lamentou hoje a saída do Secretário de Vigilância em saúde do Ministério da Saúde, Wanderson de Oliveira, que pediu demissão do cargo nessa manhã. “Lamento bastante a sua saída do ministério”, falou.

Periferia tem menos leitos de UTI do que bairros nobres

(Luiz Guadanoli/Prefeitura de São Paulo)

Levantamento da Rede Nossa São Paulo mostra que a distribuição dos leitos de unidades de terapia intensiva (UTI) do Sistema Único de Saúde (SUS) na capital paulista privilegia as regiões mais ricas e próximas ao centro da cidade. 

Os dados, divulgados ontem (8), expõem, por exemplo, que a área da subprefeitura de Pinheiros, região de classe média-alta na zona Oeste, onde moram 294 mil pessoas, dispõe de 365 leitos de UTI do SUS. Com a mesma população, a subprefeitura de Vila Maria, na zona Norte, possui dez.

De acordo com o levantamento, três subprefeituras do município, Sé, Pinheiros e Vila Mariana, localizadas nas regiões mais ricas e centrais da cidade, concentram 9,3% da população do município e mais de 60% dos leitos de UTI do SUS. Enquanto isso, 20% da população (2,3 milhões de pessoas) vivem em sete subprefeituras (Parelheiros, Cidade Ademar, Campo Limpo, Aricanduva, Lapa, Perus, Jaçanã) – localizadas na periferia do município – onde não há um leito sequer.



“Este mapeamento revela, mais uma vez, a desigualdade estruturante na cidade mais rica do país. Nesse momento de crise, se por um lado São Paulo tem sido referência em medidas emergenciais, por outro os números atestam que estamos longe de atingir a equidade social. A desigualdade territorial segue acentuando as diferenças e tornando as populações ainda mais vulneráveis”, destacou a Rede Nossa São Paulo, em nota.

O levantamento foi feito a partir de dados de fevereiro de 2020 do sistema do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DataSUS).

Prefeitura 

De acordo com a administração municipal, no entanto, a concentração de UTIs em bairros centrais, identificada no levantamento, não reflete a realidade da rede pública municipal.

Em nota, a prefeitura de São Paulo informou que os hospitais municipais estão distribuídos, em sua maior parte, na periferia da cidade, em bairros como: Itaquera, São Miguel, Ermelino Matarazzo, Pirituba, M’boi Mirim, Cidade Tiradentes, Campo Limpo, Vila Maria, Butantã, Vila Nova Cachoeirinha e Campo Limpo. 

A prefeitura disse ainda que, o Hospital de Parelheiros, que atualmente tem 25 leitos de UTI, aumentará esse número até 31 de maio para 288, destinados a pacientes de coronavírus. Segundo a administração municipal, o prefeito da cidade, Bruno Covas, anunciou no último dia 28, mais 159 leitos de UTI no Hospital Municipal da Brasilândia, na Zona Norte, para tratamento de pacientes atingidos pelo coronavírus na capital. 

Secretaria de Saúde

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde informou que os hospitais estaduais localizados na capital paulista estão distribuídos nas cinco regiões da cidade, “inclusive com prevalência nos extremos das regiões sul e norte, com uma rede de referências em média e alta complexidade nos ‘pontos cardeais’ da região metropolitana”.

A pasta ressaltou que possui 34 hospitais no município de São Paulo, que atendem qualquer usuário do SUS, “independentemente da origem, visto que o acesso e o atendimento pela rede pública de saúde são garantidos constitucionalmente a qualquer cidadão”.

A secretaria acrescentou que ontem (7) foi anunciada a construção de um hospital de campanha no Complexo Desportivo Constâncio Vaz Guimarães, nas proximidades do Parque do Ibirapuera, para atendimento de casos de coronavírus. “O espaço terá 240 leitos de baixa complexidade, 28 leitos de estabilização, sala de descompressão, consultórios médicos e tomografia. A unidade será referenciada e receberá pacientes vindos de unidades de pronto atendimento”. 

Por Bruno Bocchini – Repórter da Agência Brasil 

Internações no Estado aumentaram 1500%

(Reprodução)

O número de internações de pacientes infectados pelo novo coronavírus no estado de São Paulo, em Unidades de Terapia Intensiva, cresceu 1.500% desde 20 de março, passando de 33 para 524 pacientes no último dia 3 de abril. A informação foi passada hoje (6) por Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan e membro do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo.

O número de pessoas que morreram por complicações da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, também cresceu, subindo 180% no mesmo período, no estado de São Paulo. 

Segundo Covas, as mortes por covid-19 registradas entre 17 de março e 5 de abril, que já somam 275, é praticamente igual ao número de óbitos por gripe registrados no estado em todo o ano passado (297 em 2019). “Mas se não tivessem sido tomados nenhuma medida, no dia 13 de abril teríamos cerca de 5 mil óbitos. Com as medidas [de quarentena], esperamos chegar lá com menos de 1,3 mil óbitos”, disse Covas.

Apesar desse aumento no número de casos, o diretor do Instituto Butantan reforçou que a quarentena decretada no estado, 26 dias após a confirmação do primeiro caso em São Paulo, achatou a curva. Antes das medidas de restrição, a velocidade de transmissão do vírus era de uma para seis pessoas. No dia 20 de março, esse número caiu, passando de uma para três. No dia 25, já era de uma para menos de duas. Mas somente quando a taxa for menor do que um para um, informou o governo paulista, é que se poderá dizer que a epidemia foi controlada no estado.

Segundo o diretor do Instituto Butantan, com as medidas de restrição social, a partir do dia 23 de março, 66% dos paulistanos começaram a ficar em suas casas. No entanto, isso foi diminuindo nos últimos dias. Em 2 de abril, apenas 52,4% ficaram em suas casas na cidade de São Paulo e 51,8% no estado. O ideal, segundo ele, é que mais de 70% da população do estado permaneça em isolamento social. “Houve um arrefecimento do impulso inicial [de permanecer em casa]. Lembrando que, para que as medidas sejam efetivas, temos que ter acima de 70% de redução da mobilidade que é o que está acontecendo na Itália há mais de três semanas. Aqui ainda não chegamos lá. Precisamos chegar nesse nível de redução do afastamento social, acima de 70%. Essa é a única medida que temos no momento que é eficaz e eficiente para determinar a redução da taxa de contágio”, disse Covas.  

Quarentena

Coletiva do governador João Doria anunciando renovação da quarentena no dia 06 de abril de 2020

Para tentar conter o avanço dos casos, que já está lotando hospitais – somente no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, são 220 pacientes suspeitos ou confirmados, dos quais 110 internados em UTI –, o governador de São Paulo, João Doria, determinou a prorrogação da quarentena por mais 15 dias. Nesse período, somente os serviços essenciais, como supermercados e farmácias, poderão funcionar normalmente. Com isso, a quarentena, prevista para se encerrar amanhã (7), será encerrada no dia 22 de abril.

Segundo Doria, o decreto de prorrogação da quarentena não apresenta mudanças em relação ao primeiro decreto: mas a ideia é que os guardas civis metropolitanos e, se necessário, a Polícia Militar, atue para impedir aglomerações. “Nenhuma aglomeração de nenhuma espécie em nenhuma cidade de São Paulo será admitida. As Guardas Municipais ou Metropolitanas deverão agir e, se necessário, recorrer à Polícia Militar para que imediatamente possa haver a dissipação de qualquer movimento ou aglomeração de pessoas. Esta é uma deliberação que deverá ser rigorosamente seguida pela população do estado de São Paulo na defesa de suas vidas e de seus familiares”, acrescentou Doria.

A decisão de prorrogar a quarentena foi tomada após reunião com 15 médicos do Centro de Contingência do coronavírus, que apontaram que o contágio já chegou a cem cidades paulistas e mais de 400 hospitais públicos e privados. Projeções apontam que prolongar o distanciamento social pode evitar mais de 166 mil mortes em todo o estado, além de 630 mil hospitalizações e 168 mil internações em unidades de terapia intensiva.

“A situação não está sob controle absoluto. Precisamos insistir para que esse distanciamento social seja efetivo. Se observamos, nos últimos dias, já na cidade de São Paulo, houve trânsito, manifestações, ocupações de praças. E eu faço esse apelo, em nome das instituições públicas que atendem esses casos: por favor, fiquem em casa”, disse Luiz Carlos Pereira Junior, infectologista e diretor técnico do hospital Emílio Ribas.

Casos



O estado tem hoje 4.620 casos confirmados do novo coronavírus, com 275 mortes. São 572 pacientes internados em unidades de terapia intensiva. Segundo a secretaria de Saúde estadual, mais de 400 hospitais, entre públicos e privados, já notificaram casos suspeitos de covid-19.

Os dados também apontam que o coronavírus mata dez vezes mais do que todos os tipos de meningite. Até o momento são 13,7 mortes diárias, em média, por covid-19, contra 1,3 morte/dia por meningite no estado em 2018.

Entre as vítimas fatais da COVID-19, 85,8% tinham 60 anos ou mais. Desses, 92,1% tinham algum tipo de comorbidade, ou seja, algum problema de saúde que agrava a infecção pelo vírus. Do total de mortos pela doença, de todas as faixas etárias e que tinham alguma comorbidade, 69,1% eram cardiopatas; 47,1% possuíam diabetes; 16,1% apresentavam pneumonia; 12,6% tinham algum tipo de doença neurológica; 7,6% possuíam imunodeficiência; 3,1% eram asmáticos; e 2,2% apresentavam doença hematológica.

David Uip

David Uip, médico infectologista (Governo do Estado de SP)

Recuperado da covid-19, o infectologista David Uip participou hoje da coletiva diária realizada pelo governador João Doria, reassumindo a função de coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo. “Há dois domingos me senti muito mal. Não conseguia falar. Estava extenuado”, contou Uip. “De domingo para segunda eu passei muito mal. A semana que se seguiu foi de extremo sofrimento. Na semana seguinte, voltei a fazer o exame e na tomografia apareceu a pneumonia. Felizmente, Deus me ajudou e venci a quarentena. Ficar isolado não é fácil, é de extremo sofrimento. Mas absolutamente fundamental. Eu tive que me reinventar, criar um David novo, seguramente mais humilde e sabendo os limites da vida”, disse ele. “Os que estão subestimando a doença, desejo ardentemente que não adoeçam. O sofrimento é grande”, acrescentou o infectologista, que foi bastante aplaudido pelos presentes na coletiva.

Covid-19: Cresce número de pacientes internados em UTI

(Arquivo/Luiz Guadanoli/Prefeitura de São Paulo)

O secretário da Saúde de São Paulo, José Henrique Germann, disse hoje (30), em entrevista coletiva, que 206 pessoas estão internadas em unidades de terapia intensiva em todo o estado por causa do coronavírus. Segundo ele, ontem eram 174 pacientes internados em UTI.

Nas enfermarias, com pacientes internados em estado leve, são 258 pessoas em todo o estado. São Paulo tem, até este momento, 1.451 casos confirmados de coronavírus, com 98 mortes.

Segundo Germann, a maioria dos países apresenta crescimento em torno de 33% no número de casos confirmados de coronavírus a cada dia, ou seja, o número dobra a cada três dias. Em São Paulo, disse ele, desde o dia 23 de março, não houve nenhum dia em que o número de casos chegou a atingir o patamar de 33%. “Ficou sempre abaixo de 33%”, falou ele.

Isolamento

Segundo Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan e um dos membros do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo, as medidas de isolamento utilizadas tanto no estado quanto na capital, estão dando resultado, diminuindo a taxa de contaminação. As medidas começaram a ser implantadas no dia 13 de março, com a suspensão das aulas. O governo decretou quarentena até, pelo menos, o dia 7 de abril. “Houve redução na taxa de contaminação. Antes das medidas, era um indivíduo infectado transmitindo para seis indivíduos da população. Após as medidas, isso caiu de um [infectado transmitindo] para dois”, falou.

“Em uma situação em que não houvessem sido tomadas as medidas, a epidemia, já no começo de abril, começaria a se aproximar de seu pico e exigiria a criação de 20 mil leitos no município de São Paulo, sendo 14 mil leitos hospitalares e 6,5 mil de UTI. Com as medidas [de isolamento social], a projeção entrou dentro do que é disponível. Assim vamos ter, em abril e em maio, capacidade de atendimento se essas medidas continuarem, ou seja, não estaremos sobrecarregando o sistema de saúde”, acrescentou Covas.

O diretor do Instituto Butantan falou que projeções feitas por institutos internacionais previa, para São Paulo, 277 mil mortes nos próximos 180 dias caso nenhuma medida de contenção fosse tomada. Com as medidas, disse ele, isso já cai para 111 mil. “O estado de São Paulo mostra a importância de se manter essas medidas. Temos que implementar essas medidas para que isso caia mais acentuadamente”.

Testes

O secretário de Saúde de São Paulo disse que o resultado de 12 mil exames para coronavírus, feitos por PCR, que detecta a existência do coronavírus por DNA, estão sendo aguardados no estado neste momento. “Desses 12 mil exames a serem feitos, 500 são de pacientes internados graves e, o restante, de casos leves. Isso significa que, entre os casos graves, a possibilidade de dar positivo será muito alta. E entre os casos leves, a positividade será bem menor”.

A expectativa do governo paulista é que, a partir dessa semana, a quantidade de exames seja ampliada. “Hoje a capacidade de produção de exames [para coronavírus], feitas pelo Adolf Lutz, passou de 400 exames por dia para 1 mil exames por dia”, falou ele. A ele vão se somar, disse Germann, os exames que serão feitos pelo Instituto Butantan e hospitais universitários. A partir do dia 2 de abril, o número de exames deve chegar a 3 mil por dia e, a partir do dia 10, a expectativa é que serão feitos cerca de 8 mil exames por dia no estado.

O governador de São Paulo, João Doria, mostrou hoje o resultado de um novo exame que fez para coronavírus, após o coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo, o infectologista David Uip, ter tido diagnóstico positivo. O novo exame, disse Doria, também deu negativo. Nas semanas anteriores, Uip participava diariamente das entrevistas coletivas realizadas no Palácio dos Bandeirantes por autoridades paulistas sobre ações contra a disseminação do vírus no estado.

Por Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil

Apesar da UTI, Covas tem ‘excelente estado clínico’

Por Elaine Patricia Cruz

Bruno Covas, prefeito de São Paulo, durante tratamento no hospital (Reprodução)


Internado desde ontem (11) na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) , o prefeito de São Paulo Bruno Covas encontra-se hoje (12) em “excelente estado clínico”, disseram os médicos do Hospital Sírio-Libanês em boletim enviado à imprensa no meio desta tarde. O prefeito foi internado nessa quarta-feira por causa de um sangramento no fígado após procedimento para demarcação da lesão tumoral. 

Segundo os médicos, hoje Covas não apresenta sinais de sangramento, mas continuará internado na UTI para monitoramento contínuo. Além de procedimento para estancar o sangue, ele também se submeteu ontem à quarta sessão de quimioterapia para o tratamento que faz por causa de um câncer na região do estômago. 

Bruno Covas foi internado no dia 23 de outubro no Sírio-Libanês para tratamento de uma erisipela. Dois dias depois, os médicos diagnosticaram uma trombose venosa das veias fibulares e exames subsequentes apontaram tromboembolismo pulmonar e câncer. O prefeito foi diagnosticado com adenocarcinoma, um tipo de câncer na região de transição do esôfago para o estômago, além de uma metástase no fígado e uma lesão nos linfonodos.

Segundo informações da prefeitura, apesar de estar na UTI, Bruno Covas manteve hoje a sua agenda de despachos no hospital. Duas das quatro agendas previstas para a tarde desta quinta-feira foram canceladas por ordem médica. As outras duas, disse a prefeitura, foram realizadas. 

Após sangramento no fígado, Bruno Covas está na UTI

Por Camila Boehm

(Arquivo/Eduardo Ogata/Fotos Públicas)


O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, foi internado nesta quarta-feira (11) na unidade de tratamento intensivo (UTI) do Hospital Sírio-Libanês devido à ocorrência de um sangramento no fígado após procedimento para demarcação da lesão tumoral. A internação tem como objetivo o monitoramento constante do paciente.

Bruno Covas faz tratamento contra um câncer diagnosticado na região do estômago.

De acordo com boletim médico, o sangramento foi controlado por arteriografia e embolização do foco de sangramento, procedimento considerado minimamente invasivo pelo hospital.

Tratamento

Bruno Covas foi internado no dia 23 de outubro no Sírio-Libanês para tratamento de uma erisipela. Dois dias depois, os médicos diagnosticaram uma trombose venosa das veias fibulares e exames subsequentes apontaram tromboembolismo pulmonar e câncer. O prefeito foi diagnosticado com adenocarcinoma, um tipo de câncer na região de transição do esôfago para o estômago, além de uma metástase no fígado e uma lesão nos linfonodos.

Segundo o médico Roberto Kalil, integrante da equipe que acompanha Covas, a parte cardiológica está bem. “O estado geral do prefeito é ótimo, a parte cardíaca que tinha aqueles coágulos foi resolvida, o ecocardiograma está normal, e as notícias são extremamente otimistas”, afirmou.

O prefeito continuou no cargo durante o tratamento, despachando e fazendo reuniões de trabalho no próprio hospital. No dia 18 de novembro, ele voltou a despachar da sede da prefeitura.

Garoto vê pela 1ª vez irmão que está na UTI desde o nascimento

Por Aretha Fernandes, via Agência Pará

Igor conversa com o irmão Pedro, internado na UTI desde que nasceu (HRSP/via Agência Pará)

Foi uma longa espera até chegar o dia em que Igor, de cinco anos, conhecesse o irmão Pedro, que nasceu de 37 semanas no Hospital Regional do Sudeste do Pará – Dr. Geraldo Veloso (HRSP), em Marabá. Ainda sem previsão de alta do bebê, a unidade facilitou o encontro dos irmãos, tornando ainda mais humanizado o acolhimento dos familiares.

Ao primeiro som da voz de Igor, o caçula reagiu como se estivesse procurando o irmão que costumava conversar com ele durante a gravidez. A cena emocionou as pessoas que estavam próximas ao leito de Pedro na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica do Hospital Regional.

“O Igor estava muito ansioso para visitar o irmão, mas tínhamos a expectativa de que o Pedro recebesse logo alta. Porém, os médicos disseram que ainda não era o momento. Foi quando a equipe se mobilizou para que eles se conhecessem. O Igor não entende muito o fato de que não pode estar o tempo todo aqui no Hospital, cuidando do irmão, mas uma coisa que o deixou bem tranquilo é que ele viu que é grande e dedicada a equipe que cuida do Pedro”, afirmou a mãe do paciente, Taynara Marinho. 

Em geral, familiares menores de 12 anos não têm acesso à UTI devido à baixa imunidade, a fim de preservar a saúde do visitante. No entanto, exceções podem ocorrer para fortalecer o vínculo familiar e reduzir a ansiedade de quem está em casa à espera do paciente, como foi o caso dos irmãos Pedro e Igor, obedecendo à Política Nacional de Humanização do Sistema Único de Saúde (SUS). No Hospital Regional de Marabá, esse processo é conduzido pelas equipes do Serviço Psicossocial e da Enfermagem que avaliam fatores clínicos do paciente e o estado emocional do visitante.

A assistente social Valdejane Barros foi quem acompanhou Igor antes e depois da visita na UTI Pediátrica.

“Foi um momento único para aquela família, devido à complexidade do quadro clínico da criança internada. Então, fiz um atendimento social a fim de prepará-lo emocionalmente para aquele momento, pelo fato de ser tão pequeno, não entender a realidade com a qual ia se deparar, como máquinas, macas, barulhos e outras crianças doentes. De forma lúdica expliquei sobre a importância da higiene das mãos e o uso de equipamentos como capote e máscara, pois este é um ambiente diferenciado e que possui regras para garantir a segurança do paciente”, explicou a colaboradora. 

Sobre a Unidade – Referência em atendimento de média e alta complexidades para 22 municípios paraenses, o Hospital Regional de Marabá tem 115 leitos, sendo 77 de Unidades de Internação e 38 de Unidades de Terapia Intensiva. Possui perfil cirúrgico e habilitação em Traumato-ortopedia pelo Ministério da Saúde, oferecendo atendimento gratuito nas especialidades de Cardiologia, Cirurgia Buco-maxilo-facial,Cirurgia Plástica Reparadora, Cirurgia Pediátrica, Cirurgia Geral, Cirurgia Vascular, Clínica Médica, Fisioterapia, Infectologia, Medicina Intensiva adulto, pediátrica e neonatal, Nutrição, Obstetrícia de Alto Risco, Oftalmologia, Otorrinolaringologia, Urologia, Neurocirurgia, Terapia Ocupacional, Traumato-ortopedia, Nefrologia e Anestesiologia.

Dez leitos de UTI são reabertos na zona sul

(Luiz Guadanoli/Prefeitura de São Paulo)

Foram reabertos neste sábado (27) dez leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Adulto no Hospital Municipal Doutor Arthur Ribeiro de Saboya, no Jabaquara, Zona Sul da Capital. Além de receber pacientes trazidos pelo Samu-SP e pelo Corpo de Bombeiros, a unidade atende pacientes da região, inclusive casos de altíssima gravidade.

O hospital também é referência no atendimento às vítimas de politraumas.



“Trata-se de um dos quatro hospitais municipais terciários, isto é, para atendimento de média e alta complexidade e de extrema importância para a região Sul e Sudeste da Capital”, afirma Edson Aparecido, secretário municipal da Saúde.

Atualmente, a unidade conta com 202 leitos entre pronto socorro e UTI adultos e pediátricos, cirurgia geral, neurocirurgia, ortopedia, pediatria, ginecologia, psiquiatria, infectologia e cirurgia bucomaxilofacial. A abertura desses leitos faz parte da diretriz desta gestão de ampliar a oferta de serviços de saúde na cidade.

*com informações da prefeitura de São Paulo