Fiocruz produzirá vacinas 100% nacionais contra covid-19

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a inclusão na fabricação da vacina contra covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) com o Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) fabricado pela própria fundação. A publicação está na Resolução RE 35/2022 da Gerência Geral de Medicamentos da Anvisa, desta sexta-feira (7) no Diário Oficial da União. “Na prática, a decisão conclui o processo da Fiocruz para que o Brasil tenha uma vacina 100% nacional, com todas as etapas de produção realizadas no Brasil”, informou a agência em nota.

A vacina contra covid-19 oferecida pela Fiocruz será produzida com todas as etapas realizadas no Brasil com o IFA nacional.

“Para essa decisão, a Anvisa avaliou os estudos de comparabilidade. Estes estudos demonstram que, ao ser fabricada no país, o insumo mantém o mesmo desempenho que a vacina importada”, acrescentou o órgão.

Em maio de 2021 a Anvisa já havia feito a Certificação de Boas Práticas de Fabricação do novo insumo, o que garante que a linha de produção cumpre com todos os requisitos necessários para a garantia da qualidade do IFA. Desde então a Fiocruz vinha realizando a produção de lotes testes para obter a autorização de uso do IFA nacional na vacina covid-19 (recombinante).

Com a decisão desta sexta-feira (7) a transferência de tecnologia feita pela Fiocruz e que teve início ainda no ano passado foi concluída. A vacina está autorizada no Brasil desde 17 de janeiro de 2021 e recebeu o registro definitivo em 12 de março de 2021.

Por Agência Brasil

Decreto obriga servidor estadual a se vacinar contra covid-19

O Governador João Doria assinou decreto que exige dos servidores públicos estaduais comprovante de vacinação completa contra a covid-19. A medida é obrigatória para cerca de 570 mil profissionais da ativa em órgãos de administração direta e indireta do Estado de São Paulo e deve ser cumprida até o próximo domingo (9), informa o Estado em nota.

O decreto que torna obrigatória a comprovação de vacinação contra o coronavírus foi publicado na edição desta terça-feira (4) do Diário Oficial do Estado. O comprovante só deixará de ser exigido nos casos em que o profissional apresentar atestado médico com alguma contraindicação em relação à vacina.

“Quem descumprir o prazo fixado no decreto ficará sujeito à apuração de eventual responsabilidade disciplinar em processos administrativos internos”, diz a nota.

Governo edita norma e passa a exigir passaporte da vacina

O governo federal editou norma hoje (20) passando a exigir teste negativo para covid-19 e comprovante de vacinação para viajantes vindos de outras nações que desejem entrar no país por via aérea. As novas regras entram em vigor nesta segunda-feira.

Segundo a portaria interministerial, o comprovante de vacinação é válido com vacinas para combate à covid-19 aprovadas no Brasil, no país onde a pessoa foi imunizada ou das marcas autorizadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A última dose tem de ter sido aplicada pelo menos 14 dias antes da viagem.

Ainda pelas novas regras, estrangeiros e brasileiros que desejarem vir ao Brasil de avião terão que apresentar comprovante de teste negativo para a covid-19 com duas alternativas: ou um exame de antígeno realizado nas 24 horas anteriores ao embarque ou um PCR feito até 72 horas antes da viagem.

As crianças menores de 12 anos viajando acompanhadas não precisarão apresentar o teste negativo. Já aquelas com idades entre 2 e 12 anos que viajarem desacompanhadas deverão realizar o teste como requisito para a viagem.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) havia recomendado a exigência de certificado de vacinação para a entrada no país. A sugestão foi aprovada em novembro.  

Exceções

A norma prevê exceções para a apresentação do certificado de vacinação, como em caso de condição de saúde para a qual a vacinação é contraindicada, pessoas com idades cuja vacinação não foi recomendada e de países com cobertura vacinal baixa, em lista que será elaborada pelo Ministério da Saúde e publicada em seu site.

A portaria abriu brecha para brasileiros e estrangeiros que moram no Brasil e não estejam completamente vacinados, incluindo essas pessoas entre as exceções para a apresentação do cartão de vacinação.

Nessas hipóteses, o viajante deverá fazer quarentena de 14 dias na cidade de destino. Outra exigência para a entrada no país é o preenchimento de um documento com informações denominado declaração de saúde do viajante. As informações das pessoas em quarentena serão encaminhadas aos centros de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS).

Os tripulantes de aeronaves não precisarão apresentar testes negativos para covid-19. Para esses trabalhadores, a portaria institui um conjunto de protocolos específicos. O governo poderá determinar exceções e tratamentos diferenciados para situações de ajuda humanitária.

Restrições de voos

A portaria também estabeleceu restrição para a vinda de voos com origem ou passagem nos últimos 14 dias pela África do Sul, Botsuana, Essuatíni, Lesoto, Namíbia e Zimbábue, nações com maior ocorrência da variante ômicron.

Transporte terrestre

No caso do transporte rodoviário, também passa a ser exigido o comprovante de vacinação nos pontos de controle terrestre, das vacinas aprovadas no Brasil, no país de imunização do viajante ou pela OMS.

As exceções estabelecidas para o comprovante de vacinação no caso dos voos também são válidas para a entrada por rodovias. Foi acrescida a exceção nas hipóteses e cidades-gêmeas, desde que os brasileiros recebam o mesmo tratamento pelo país vizinho.

Também foram excluídos da obrigação os trabalhadores de transporte de cargas, desde que comprovem a adoção de medidas para evitar o contágio e o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI).

Por Agência Brasil

Ameaças: Anvisa pede proteção policial para servidores

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou neste domingo (19/12) que, após a intensificação de ameaças de violência contra seus diretores e servidores nas últimas 24 horas, expediu ofícios reiterando pedidos de investigação e de proteção policial aos seus funcionários. O documento é assinado pelo diretor-presidente, Antonio Barra Torres, e outros quatro diretores.

As solicitações já haviam sido feitas em novembro, quando a Agência recebeu as primeiras ameaças. Segundo a Anvisa, é necessário identificar os autores e apurar responsabilidades.  

Os pedidos foram enviados ao Gabinete de Segurança Institucional, Ministério da Justiça, Procuradoria-Geral da República, Diretoria-Geral da Polícia Federal e Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal . 

(Arquivo/Anvisa/via Agência Brasil)

A Agência manifestou preocupação em relação à segurança de seus funcionários, tendo em vista o grande número de servidores espalhados pelo país.     

“Não é possível afastar neste momento que tais servidores sejam alvo de ações covardes e criminosas”, disse a Anvisa em nota.

A Anvisa comunicou que não publicará os anexos que materializam as ameaças recebidas “para não expor os dados pessoais dos envolvidos”. No entanto, assegurou que “todas as informações foram encaminhadas às autoridades responsáveis”.   

Críticas de Bolsonaro

Na quinta-feira, a Anvisaautorizou o uso da vacina da Pfizer contra a covid-19 para crianças de 5 a 11 anos.

Participaram da avaliação, além da área técnica e dos diretores da Anvisa, especialistas das sociedades brasileiras de Infectologia (SBI), de Imunologia (SBI), de Pediatria (SBP), de Imunizações (SBIm) e de Pneumologia e Tisiologia.

Segundo a Anvisa, a farmacêutica Pfizer submeteu à agência os dados e os estudos de segurança que embasam o pedido de aprovação de indicação da vacina para crianças.

No mesmo dia, o presidente Jair Bolsonaro usou uma transmissão ao vivo na internet para cobrar os nomes dos integrantes da Agência responsáveis pelo aprovação do imunizante ao público infantil.

“Eu pedi extraoficialmente o nome das pessoas que aprovaram a vacina para 5 a 11 anos. Nós queremos divulgar o nome dessas pessoas”, disse Bolsonaro durante sua live semanal.

Bolsonaro, porém, não tem poder de interferência na Anvisa, já que a Agência não está subordinada a ele.

O histórico de ameaças contra servidores da Anvisa vem desde outubro, quando começou a se pensar em incluir o público infantil na campanha de vacinação. Na época, funcionários receberam e-mails com intimidações em caso de aprovação da vacina para crianças – o que acabou por se concretizar nas últimas horas.

Por Deutsche Welle
le (ots)

EUA: Senador antivacina morre após pegar covid-19

Doug Ericksen é um homem branco, com poucos cabelos na parte da frente. Aparece conversando com alguém que não está na foto, de camisa em tom vermelho e jaqueta cinza.

O senador norte americano Doug Ericksen morreu na última sexta-feira (17) aos 52 anos após se contaminar com a Covid-19. A família confirmou o óbito apenas na noite do sábado (18).

“Estamos de coração partido em compartilhar que nosso marido e pai falecer na sexta-feira. Por favor, mantenha nossa família em suas orações e obrigado por continuar a respeitar nossa privacidade neste momento extremamente difícil”, comunicou a família.

Senador pelo estado de Washington, Ericksen ganhou os holofotes nos últimos meses por apresentar um projeto de lei para proibir a aplicação obrigatória da vacina contra a Covid-19.

Doug Ericksen é um homem branco, com poucos cabelos na parte da frente. Aparece conversando com alguém que não está na foto, de camisa em tom vermelho e jaqueta cinza.
Doug Ericksen, senador dos Estados Unidos (Reprodução)

Além disso, pediu a renuncia do governador do estado por autorizar a demissão de funcionários públicos que se recusassem a se imunizar.

Ele se contaminou com o coronavírus após uma viagem a El Salvador. Após obter o resultado positivo, Ericksen teria pedido ajuda a colegas legisladores republicanos para obter acesso a um tratamento de anticorpos monoclonais.

Ao voltar para os Estados Unidos, ele se internou em um hospital da Flórida, chegou a ser intubado, mas não resistiu a doença.

Ericksen deixou sua esposa Tasha e suas duas filhas, Elsa e Addi.

Por TV Cultura

Anvisa faz recomendações para uso de vacina da Pfizer em crianças

Frascos da vacina da pfizer com tampas na cor laranja. No canto esquerdo parte de um seringa.

Após autorizar o uso da vacina da Pfizer em crianças com idade entre 5 e 11 anos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apresentou hoje (16) algumas recomendações e condições que devem ser observadas pelas autoridades de saúde para a imunização desse público. De acordo com a agência, a atenção deve ser redobrada uma vez que tanto a dose como a formulação da vacina a ser aplicada serão diferentes das aplicadas em jovens e adultos.

A exemplo do que ocorreu nos demais grupos, a vacinação em crianças deve priorizar grupos consideradas como de risco. Um ponto muito importante, ressaltado pela diretora da Anvisa e relatora do processo de liberação do medicamento, Meiruze Sousa Freitas, é que pais ou responsáveis fiquem atentos com relação ao frasco da vacina, que terá cor laranja. Para adultos, o frasco é roxo.

A administração da vacina em crianças será de duas doses de 10 microgramas com três semanas de intervalo. “O volume a ser aplicado é de 0,2 ml em uma seringa de 1 ml”, explicou a diretora.

Recomendações

Meiruze lembrou que caberá ao Ministério da Saúde a decisão sobre “conveniência e oportunidade” para inclusão da vacina no Programa Nacional de Imunização, mas que cabe à Anvisa apresentar as recomendações e condições que devem ser seguidas para a vacinação das crianças nessa faixa etária.

“A vacinação das crianças nessa faixa etária deve ser iniciada após treinamento completo das equipes que de saúde que farão a aplicação, uma vez que a grande maioria dos eventos adversos pós-vacinação é decorrente da administração do produto errado a faixas etárias erradas, de doses inadequadas e da preparação errônea do produto”, disse a diretora.

Uma outra recomendação da Anvisa é de que a vacinação das crianças seja feita em “ambiente específico e segregado da vacinação de adultos”. O ambiente deve ser “acolhedor e seguro para a população pediátrica”. É também indicado que as crianças permaneçam no local em que a vacinação ocorrer por pelo menos 20 minutos após a aplicação, de forma a serem observadas por esse período.

A sala em que se dará a aplicação da vacina deve ser exclusiva para a aplicação dessa vacina. E não deve ser aproveitada para a aplicação de outras vacinas, ainda que pediátricas. Não havendo essa possibilidade na infraestrutura, para essa aplicação, que sejam adotadas todos cuidados visando uma administração segura.

No caso de comunidades isoladas, como aldeias indígenas, a Anvisa recomenda que, sempre que possível, a vacina seja feita em dias separados, não coincidentes com os dias de aplicação em adultos.

Intervalo de 15 dias

Frascos da vacina da pfizer com tampas na cor laranja. No canto esquerdo parte de um seringa.
(Paul Hennessy/via Agência Brasil)

Segundo a diretora da Anvisa, a vacina não deve ser administrada de forma concomitante com outras vacinas do calendário infantil. “Por precaução é recomendado intervalo de 15 dias”, disse a diretora.

A modalidade de vacinação drive thru também deve ser evitada.

Outra recomendação é que os agentes de saúde devem informar aos pais ou responsáveis que acompanham crianças e adolescentes sobre sintomas e reações esperadas após a vacinação, como dor, inchaço ou vermelhidão local, febre, fadiga, dor de cabeça ou linfadenopatia (gânglios) na axila do braço que recebeu a vacina.

“Pais ou responsáveis devem procurar um médico, caso a criança apresente dores repentinas no peito, falta de ar ou palpitações após a aplicação da vacina”, afirmou a diretora. Crianças que completarem 12 no intervalo entre a primeira e a segunda dose deverão manter a dose pediátrica.

Secretários de Saúde

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) divulgou nota na qual manifestou apoio à aprovação do imunizante para esse público. Nela, o presidente da entidade, Carlos Lula, destaca que o imunizante já foi aprovado para a faixa etária pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA), pela Agência Americana Food and Drug Administration (FDA) e pelo governo de Israel.

“Tendo em vista que para dar início à vacinação nesta faixa etária será necessária formulação específica desta vacina com um terço da fórmula padrão [10 microgramas por dose], o Conass aguarda posicionamento do Ministério da Saúde quanto à sua aquisição, o que é de sua competência. Aguardamos também, com expectativa, o processo de avaliação da vacina CoronaVac, do Instituto Butantan, para a vacinação de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos, já amplamente utilizada em outros países, com disponibilidade imediata no Brasil”, disse Carlos Lula.

Contatado pela Agência Brasil, o Ministério da Saúde informou que não há, ainda, previsão sobre quando começará a aplicar a vacina da Pfizer em crianças com idade entre 5 e 11 anos.

Ameaças

O diretor presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, aproveitou o anúncio para denunciar que todos diretores da Anvisa receberam ameaças – algumas de morte – de pessoas contrárias à vacinação em crianças.

Segundo Torres, “o acirramento da violência anti-vacina está em viés crescente”, mas o trabalho que vem sendo desenvolvido pela agência não será prejudicado.

Ele informou que “não cabe à Anvisa e, sim, às autoridades de saúde, a aplicação do imunizante”.

Por Agência Brasil

Após ataque hacker, dados da vacinação são recuperados, diz Ministério

O Ministério da Saúde informou neste domingo (12/12) que finalizou com sucesso o processo para recuperação dos registros dos brasileiros vacinados contra a covid-19. Segundo nota divulgada pela pasta, não houve perda das informações e todos os dados foram recuperados.

O sistema havia sido alvo de suposto hackers na madrugada da última sexta-feira. Os invasores chegaram a publicar uma mensagem que afirmava que os “dados internos dos sistemas” haviam sido “copiados e excluídos”.

Com isso, plataformas como DataSUS, Painel Coronavírus e Conecte SUS ficaram fora do ar. Um grupo que autointitula “Lapsus$ Group” assumiu a autoria do “ransomware”, uma modalidade de ataque cibernético em que um site ou sistema é “sequestrado” ou paralisado até o pagamento de um pedido de resgate.

(Arquivo/Reprodução)

Na tarde deste domingo, dados sobre vacinação continuavam indisponíveis no aplicativo ConecteSUS, usado para emitir comprovantes de imunização. Outras plataformas, incluindo o Painel Coronavírus, que apresenta números de mortes e casos da covid-19 no Brasil, também continuavam fora do ar.

Na mesma nota, o ministério afirmou que “no momento, a pasta trabalha para restabelecer o mais rápido possível os sistemas para registro e emissão dos certificados de vacinação”. No sábado, o Ministério da Saúde disse que a “expectativa” é que o ConecteSus seja reestabelecido na próxima semana.

O ataque dificultou a obtenção de comprovante de vacinação e o ministério chegou a colocar no ar uma página alternativa com orientações para emissão alternativa do documento, apontando que algumas secretarias estaduais são capazes de produzir o documento eletronicamente e que uma segunda via pode ser solicitada em postos de vacinação.

O documento é exigido em mais de 240 cidades brasileiras para acessar alguns espaços públicos e privados, de acordo com informações da Confederação Nacional de Municípios (CNM).

A Polícia Federal abriu inquérito para apurar o caso e avaliar o alcance do ataque cibernético.

Ataque em meio a ofensiva do governo contra passaporte

O episódio ocorreu também num momento em que o governo de Jair Bolsonaro tentava contornar medidas delineadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para conter a pandemia, entre elas a instituição de um passaporte da vacina para viajantes.

Em vez de adotar uma obrigatoriedade exclusiva do passaporte de vacinação, o governo Bolsonaro tentou emplacar como alternativa uma quarentena de meros cinco dias para viajantes que ingressassem no país sem comprovante de vacinação, uma medida foi encarada pela comunidade científica como pouco séria, já que seria difícil fiscalizar milhares de pessoas que teriam que ficar em isolamento.

Mas até mesmo essa medida considerada pouco eficiente acabou sendo deixada de lado após o ataque ao site do Ministério da Saúde, e a pasta decidiu inicialmente adiar para o próximo sábado (18/12) a exigência da quarentena para viajantes que não apresentassem comprovante.

No entanto, no sábado o Supremo Tribunal Federal (STF) entrou em cena e determinou que passageiros internacionais que cheguem ao Brasil apresentem comprovante de vacinação contra o coronavírus – enterrando por enquanto o plano do governo em oferecer a quarentena como alternativa. Dessa forma, estrangeiros sem comprovante vacinal não poderão entrar no Brasil – salvo algumas exceções.

Somente serão dispensados de apresentar o comprovante quem atestar que não pode tomar vacina por razões médicas ou quem venha de país em que os imunizantes não estejam disponíveis. Nestes casos, os viajantes terão que, pelo menos, serem submetidos a uma quarentena.

Nesta semana, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, numa demonstração de lealdade ao seu chefe, chegou a repetir um chavão de Bolsonaro ao se manifestar contra a obrigatoriedade do passaporte: “Melhor perder a vida do que a liberdade”. A frase de Queiroga gerou repúdio na comunidade científica, e a atitude do governo chegou a levantar o temor de que o Brasil pudesse entrar numa espécie de rota de turismo para céticos da vacina.

Bolsonaro também se irritou nesta semana com a pressão da Anvisa para a adoção do passaporte. “De novo, porra? De novo vai começar esse negócio?”, disse o presidente na terça-feira – no mesmo dia, ele voltou a defender tratamentos ineficazes contra a covid-19.

Na quinta-feira, após o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), defender a adoção de um passaporte sanitário em seu estado em resposta a inação do governo federal, Bolsonaro fez um ataque grosseiro contra o tucano.  “Já um governador aqui da região Sudeste quer fazer o contrário e ameaça: ‘ninguém vai entrar no meu Estado’. Teu Estado é o cacete porra!”.

Apesar da ofensiva de Bolsonaro contra as vacinas, a imunização avançou com sucesso no Brasil. Dados do consórcio de veículos de imprensa mostram que 139.229.299 pessoas já tomaram a segunda dose ou dose única de vacinas e, assim, estão totalmente imunizadas. O número representa 65,27% da população.

Esta não foi a primeira vez que o STF foi levado a agir diante da inação do governo Bolsonaro ou em resposta a práticas negacionistas do presidente. No ano passado, o Tribunal determinou que o governo federal não poderia interferir em decisões de governadores e prefeitos para a adoção de medidas restritivas como o isolamento social. À época, o governo federal tentava tomar medidas para impedir a adoção de tais medidas pelos estados e municípios.

A decisão do STF foi posteriormente distorcida por Bolsonaro e seus apoiadores, que até hoje tentam pintar falsamente o entendimento do tribunal como uma “proibição” para que o governo agisse para conter a crise, embora a determinação salientasse claramente que a União tinha responsabilidade agir contra a pandemia e coordenar ações.

Por Deutsche Welle
jps (ots)

STF determina exigência de passaporte da vacina para entrar no país

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o comprovante de vacina para viajante que chega do exterior no Brasil só pode ser dispensado por motivos médicos, caso o viajante venha de país em que comprovadamente não haja vacina disponível ou por razão humanitária excepcional.

Barroso deferiu parcialmente cautelar pedida pelo partido Rede Sustentabilidade na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 913. O ministro pediu que a decisão seja enviada para referendo em uma sessão extraordinária do plenário virtual da Corte.

Na decisão, ele entendeu que há urgência para o tema em razão do aumento de viagens no período que se aproxima e pelo risco de o Brasil se tornar um destino antivacina.

(Arquivo)

“O ingresso diário de milhares de viajantes no país, a aproximação das festas de fim de ano, de eventos pré-carnaval e do próprio carnaval, aptos a atrair grande quantitativo de turistas, e a ameaça de se promover um turismo antivacina, dada a imprecisão das normas que exigem sua comprovação, configuram inequívoco risco iminente, que autoriza o deferimento da cautelar.”

Na ação, a Rede pediu que o governo federal adotasse medidas recomendadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ingresso no país a fim de conter a disseminação da covid-19.

Depois da ação, o governo editou a Portaria Interministerial 611/2021, que passou a exigir, para o estrangeiro que chegar ao Brasil, o comprovante de vacina ou, alternativamente, quarentena de cinco dias seguida de teste negativo para o vírus antes de ser permitida a circulação em território nacional.

Ao analisar o caso, o ministro lembrou que o Supremo Tribunal Federal tem obrigação constitucional de proteger os direitos fundamentais à vida e à saúde. “Já são mais de 600 mil vidas perdidas e ainda persistem atitudes negacionistas”, completou Barroso. Ele lembrou das diversas decisões já tomadas pelo STF durante a pandemia, como a que estipulou vacinação obrigatória com possibilidade de impor restrições a quem se recusar.

Para o ministro, a portaria interministerial atende em parte as recomendações da Anvisa em relação aos viajantes, mas o texto “apresenta ambiguidades e imprecisões que podem dar ensejo a interpretações divergentes, em detrimento dos direitos constitucionais à vida e à saúde em questão”.

Ele completou que permitir a livre opção entre comprovante de vacina e quarentena seguida de teste “cria situação de absoluto descontrole e de consequente ineficácia da norma”.

Barroso decidiu que a portaria sobre os viajantes que chegam ao Brasil deve ser interpretada nos termos das notas técnicas nºs 112 e 113/2021, expedidas pela Anvisa, e levando em conta que a substituição do comprovante de vacinação pela alternativa da quarentena somente se aplica: 1- aos viajantes considerados não elegíveis para vacinação, de acordo com os critérios médicos vigentes; 2- que sejam provenientes de países em que, comprovadamente, não existia vacinação disponível com amplo alcance; 3-por motivos humanitários excepcionais.

Por Agência Brasil
* Com informações do Supremo Tribunal Federal

Passaporte da vacina começa a valer sábado, mas não impede entrada sem imunização

O Governo Federal publicou na edição desta quinta-feira (9) do Diário Oficial da União (DOU) um decreto que obriga os viajantes que chegarem ao Brasil por vias aéreas a apresentarem um teste negativo para a Covid-19 e o comprovante da vacinação contra o coronavírus.

A medida vale a partir de sábado (11), quando os itens passarão a ser pré-requisitos para se entrar no país, tanto para estrangeiros quanto para os próprios brasileiros. Aqueles que não estiverem imunizados contra a doença deverão passar por uma quarentena de cinco dias.

No momento, ainda seguem as regras anteriores, que preveem apenas a Declaração de Saúde do Viajante (DSV) e um teste negativo para o vírus realizado nas últimas 72 horas. A entrada no país por terra também estava proibida, com algumas exceções.

Para se entrar no Brasil por terra, agora, será exigido o comprovante de vacinação daqueles que não apresentarem o teste negativo para o contágio. O passaporte sanitário já era um pedido de governos estaduais e da própria Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por exemplo.

Por TV Cultura