‘A última floresta’ vence mostra de cinema em Berlim com voto do público

(Pedro J Márquez/via Amazônia Real)

O Festival Internacional de Cinema de Berlim (Berlinale) premiou neste domingo (20/06), por escolha do público, o filme A Última Floresta, do cineasta brasileiro Luiz Bolognesi, sobre o povo Yanomami.

O roteiro do filme, único brasileiro a integrar a mostra Panorama da Berlinale deste ano, foi escrito em conjunto com o xamã Davi Kopenawa. Em entrevista à DW Brasil em março, Bolognesi afirmou que seu objetivo era registrar o ponto de vista dos yanomami sobre a sua vida em comunidade.

A obra mescla trechos de documentário com sequências encenadas para recriar a existência da cultura e da língua yanomami. O filma conta diversos mitos do povo Yanomami, com eles próprios representando seus deuses fundadores, no seu ambiente natural na Floresta Amazônica, que está sob constante ameaça do garimpo ilegal. Bolognesi já havia sido premiado na Berlinale antes, com o longa Ex-pajé, em 2018.

Em segundo lugar, ficou a produção hispano-libanesa Miguel’s War, dirigida por Eliane Rahed, sobre um homossexual que cresceu num meio ultra-conservador libanês e que se afastou do país durante a guerra civil. Os dois filmes foram os vencedores do voto do público na categoria Panorama, a segunda mais importante do festival alemão. 

Esta foi uma edição atípica da Berlinale, dividida entre uma versão virtual e outra presencial, separadas por três meses de distância, devido à pandemia de covid-19. 

Ao todo, foram exibidos 126 filmes nesta edição de verão, em 16 espaços distribuídos pelo centro da capital alemã e dos seus bairros, sendo a maior parte espaços já destinados ao cinema de verão. 

Prêmio principal foi anunciado em março

Os prêmios do público foram entregues neste domingo, último dia do chamado Festival de Verão que a Berlinale realizou neste ano, pela primeira vez.  

Os vencedores dos prêmios oficiais já haviam sido anunciados em março, após a edição virtual de apenas cinco dias, reservada ao setor profissional do cinema e à crítica. 

O longa-metragem Bad Luck Banging or Loony Porn, do diretor romeno Radu Jude, venceu o Urso de Ouro da Berlinale, o prêmio máximo da competição. 

Coprodução da Romênia com Luxemburgo, Croácia e República Tcheca, a comédia, escrita pelo diretor, que a definiu como um “cartoon político”, teve estreia internacional em Berlim e esteve no centro das atenções ao visar a corrupção e os vícios do país de origem, em forma de sátira. 

A segunda maior distinção, o Grande Prêmio do Júri, foi para o japonês Ryusuke Hamaguchi por Roda da Fortuna e Fantasia, enquanto o Urso de Prata pela melhor contribuição artística foi conquistado pelo mexicano Um filme policial, dirigido por Alonso Ruizpalacios. 

Por Deutsche Welle

bl (Lusa, ots)

Força Nacional será enviada para Terra Yanomami

O Ministério da Justiça e Segurança Pública autorizou o envio de agentes da Força Nacional de Segurança Pública para reforçar a proteção da Terra Indígena Yanomami, a maior reserva de usufruto indígena do país.

O efetivo da tropa federal ficará sediado na capital de Roraima, Boa Vista, por pelo menos 90 dias – prazo que pode ser estendido conforme a necessidade. Os agentes atuarão em apoio aos servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai), de forma a preservar a ordem pública e a segurança das pessoas e do patrimônio.

A autorização consta da Portaria nº 256, assinada pelo ministro Anderson Torres e publicada no Diário Oficial da União de hoje (14). Por medida de segurança, o número de agentes que participarão da operação não foi divulgado.

Com cerca de 9,66 milhões de hectares (cada hectare corresponde, em média, às medidas aproximadas de um campo de futebol oficial), a reserva Yanomami abrange parte do território de Roraima e do Amazonas. A extensa área de vegetação preservada, duas vezes superior à dimensão territorial do estado do Rio de Janeiro, atrai a cobiça de garimpeiros e madeireiros, provocando conflitos entre indígenas e não-indígenas.

Segundo a Associação Yanomami Hutukara, entidade que reúne representantes de todos os povos indígenas que vivem na reserva criada em 1992, cerca de 20 mil garimpeiros atuam ilegalmente na área demarcada, desmatando a floresta, contaminando os cursos d´água com mercúrio e iodo e erodindo as margens dos rios.

Histórico

Em maio, a associação denunciou uma série de ataques às comunidades espalhadas pelo interior da terra indígena.

Na primeira quinzena de maio, a Justiça Federal determinou que a União mantenha efetivo armado, de forma permanente, na comunidade Palimiú, para garantir a segurança dos moradores e evitar novos ataques como o denunciado no dia 10 de maio. A decisão judicial também determina que a Funai auxilie as forças de segurança no contato com os indígenas e no gerenciamento das relações interculturais.

Dez dias depois, foi a vez do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que a União garanta, por todos os meios necessários, a proteção da vida e da saúde das populações indígenas nas terras demarcadas dos povos Yanomami e Munduruku.

A decisão de Barroso atendeu a um pedido da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). A entidade pediu a retirada urgente de invasores das terras indígenas, sobretudo do território demarcado dos Yanomami, “diante da iminência de um genocídio e da escalada de disseminação de malária e covid-19 na referida por garimpeiros ilegais”.

Desde 2020, uma Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF) pede que autoridades federais retirem da área todos os não-indígenas não autorizados a permanecer no interior da reserva.

 Por Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil 

Reportagem detalha relação do PCC com garimpos ilegais

Uma equipe de agentes da Polícia Federal foi recebida a bala no rio Uraricoera, um dia após garimpeiros integrantes do PCC atacarem também a tiros indígenas Yanomami. Informes recebidos pela agência Amazônia Real de distintas fontes, ao longo desta terça-feira (11), revelam como está sendo tensa a relação de traficantes ligados à facção criminosa de São Paulo dentro dos garimpos de extração ilegal de ouro na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. A violenta recepção surpreendeu até mesmo os agentes federais.

“A equipe se abrigou e respondeu à injusta agressão [desta terça-feira] sem, contudo, haver registro de atingidos de nenhum dos lados”, informou, em nota, a PF.

“Não é normal garimpeiros atirarem contra a Polícia Federal.” Esta última informação é de um agente ouvido pela reportagem, que confirmou que o órgão investiga a participação de facções nos garimpos no ataque aos indígenas Yanomami da aldeia Palimi ú.

Mas esse agente fez questão de distinguir a origem do ataque que a equipe da PF sofreu com o conflito entre garimpeiros e Yanomami. “Possivelmente deve ser uma ação de vingança pela possível morte de seus pares”, disse.

A PF foi além e informou que nos dois ataques, os de segunda-feira (contra os Yanomami) e de terça-feira (contra seus agentes), não foram registrados óbitos em nenhum dos lados. “A PF não confirmou mortes, até porque não encontramos corpos”, disse a assessoria de imprensa do órgão. 

O presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye ́kuana (Considi-Y), Junior Hekurari, havia relatado que, no ataque de segunda-feira, três garimpeiros morreram, cinco foram baleados e um Yanomami ficou ferido. Segundo ele, os corpos foram levados pelos garimpeiros para o acampamento onde eles trabalham. 

(Mapa Hutukara)

Nesta terça-feira, Junior Hekurari voltou à comunidade Palimi ú, acompanhando os agentes da PF. Ele testemunhou o momento dos novos ataques dos garimpeiros. “A gente estava indo para posto de saúde onde o avião estava nos esperando [para voltar para Boa Vista]. Aí os garimpeiros vieram com os motores desligados. Chegando na comunidade começaram a atirar na direção do povo Yanomami. Depois viram a PF e também contra eles”, relatou à Amazônia Real.

Garimpeiros apoiadores de Jair Bolsonaro alegaram, também nesta terça-feira, que o conflito na aldeia Palimi ú começou porque os indígenas atiraram primeiro e seriam motivados por ONGs internacionais. Eles confirmaram que facções brasileiras e da Venezuela já estão dentro dos garimpos. A faccão venezuelana seria o Trem de Arágua. Mas negaram a ligação de garimpeiros com o PCC no conflito da aldeia Palami ú (Leia mais no final do texto).

Um número estimado em mais de 26 mil garimpeiros invadiu a Terra Indígena Yanomami para realizar a extração ilegal de ouro. A região, onde o Exército brasileiro mantém o 4º Pelotão de Fronteira em Surucucu, é alvo de mineradores, empresários, políticos e garimpeiros de várias partes do Brasil desde a década de 1970. Mas o componente “investimento do tráfico de drogas”, segundo uma fonte que conhece a história do garimpo, é algo mais recente e começou com o crescimento do PCC em Roraima, que chegou primeiro pelas unidades prisionais. 

PCC fez 12 ataques em Roraima

  • Comissão do CNJ visita a Penitenciária Agrícola de Monte Cristo em Roraima RR. (Foto: Luiz Silveira/Agência CNJ)
  • Comissão do CNJ visitou a Penitenciária Agrícola de Monte Cristo em Roraima RR em 2017 após os massacres ( no detalhe, pixação do PCC (Foto: Luiz Silveira/Agência CNJ)
  • Cápsulas de munição apreendidas na aldeia Palami ú (Foto Condisi-Y)
  • Cápsulas de munição apreendidas na aldeia Palami ú (Foto Condisi-Y)
  • Quadriciclo usado pelos garimpeiros apreendido na aldeia Palami ú (Foto Condisi-Y)
  • Combustível usado pelos garimpeiros apreendido na aldeia Palami ú (Foto Condisi-Y)
  • Agente da PF na a aldeia Palami ú (Foto:Polícia Federal)

Em 2017, a facção foi a responsável pelo massacre de 33 presos na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo. “O PCC cresceu muito e precisou se capitalizar, daí começaram a partir para os garimpos, onde tem o dinheiro fácil”, disse um garimpeiro ouvido pela Amazônia Real, que pediu para não ser identificado. 

Segundo a Operação Érebo, da PF, em julho de 2018, o PCC realizou uma série de 12 ataques a prédios públicos, incluindo agências da Caixa Econômica Federal, delegacia e posto da Polícia Militar, em Boa Vista e em outras três cidades de Roraima. Seis meses depois, em janeiro de 2019, o Ministério Público do Estado de Roraima (MPRR) denunciou 44 acusados pelos atentados, todos integrantes da facção.

Contra um deles, que exercia função de comando, a investigação registrou “inúmeros diálogos em que o denunciado discute questões relacionadas à expansão da facção para regiões de garimpo no Estado de Roraima”, conforme transcrição de um trecho da denúncia do MPRR.

Um delegado, ouvido pela reportagem sob condição de sigilo de sua identidade, afirmou que “no caso específico desse garimpo [na TI Yanomami], a gente tem informações de que realmente existem algumas facções tentando dominar a extração de renda para a Orcrim [organização criminosa]”. Segundo ele, a infiltração da facção no garimpo começou “há uns três anos”.

Um garimpeiro, com muitos anos de trabalho em Roraima, confirmou que o PCC está, de fato, agindo na TI Yanomami sob as vistas do governo estadual. “O PCC está controlando até a subida dos rios, exigindo pedágio. Tem bandido demais. O governo não regulamenta a compra de ouro, aí fica sem [o garimpeiro] para quem vender, acaba sendo aliciado por esses criminosos e traficantes. Isso é uma pouca vergonha”, disse ele, que pediu para não ter o nome revelado, pois teme represálias dos traficantes.

Já um segundo garimpeiro que atua com as famílias desses trabalhadores afirmou que membros da facção PCC atuam pelo rio baixo Uraricoera e Alto Parima. “Então são essas duas regiões que mais tem produzido ouro. Eles trabalham com balsas e máquinas de barranco e mais lá em cima no Alto Parima. Mas quem domina lá é o PCC”, garantiu ele, outro com nome preservado. “Hoje não é mais só ser garimpeiro que vai entrar lá e dizer que vai trabalhar sem a permissão dele, que quem domina lá é a facção.”

A presença da facção do tráfico de drogas nos garimpos da TI Yanomami tem deixado muitos trabalhadores apreensivos ou com medo. “Olha, eu digo pra eles: ‘isso é problema de governo do estado, prefeito de município e do próprio governo federal. Eu não tenho poderes para isso e nem vou me comprometer. Primeiro, eu não tenho poder, e não tenho armas para brigar com esse pessoal e você sabe que eles são criminosos, que estão prejudicando a cada dia mais os próprios garimpeiros e os índios, e tão querendo tomar dos índios as próprias aldeias deles, as próprias lideranças deles lá”, disse o garimpeiro que atua com as famílias dos trabalhadores da atividade de mineração.

Bolsonaristas falam de facções

Garimpo em Terra Indígena Yanomami (Foto Chico Batata/Greenpeace)

Um dia após o ataque na TI Yanomami, organizações ligadas à extrema direita e ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se apressaram em desmentir a possível participação de garimpeiros ligados ao PCC. Isso porque o conflito pode ter estragado os planos do presidente. Ele já sinalizou que planeja realizar uma viagem para Roraima para visitar a região do Cotingo, onde existe um projeto antigo de construção de uma hidrelétrica, contestada pelos indígenas Macuxi e Wapichana, além de uma área de extração de minério.

Em entrevista à Amazônia Real, Jailson Mesquita preferiu responsabilizar organizações não-governamentais internacionais pelo clima de tensão na região. Ele falou como coordenador do Fórum de Roraima, uma organização que tem representantes de associações e cooperativas de garimpeiros, e partidos políticos de extrema-direita e centro-direita, entre eles o Avante, da base do governo Bolsonaro.  

“O conflito não foi com facção. Essa situação foi provocada depois que dois aviões de ONGs chegaram na aldeia Palimi ú, que é conhecida como ‘Americana’. Eles [os indígenas] tinham uma boa relação com os garimpeiros. Pediam armas para os garimpeiros,  cobraram 600 reais por cada canoa atravessar o rio. De uma hora para outra, o comportamento desses indígenas mudou. O conflito foi orquestrado pelas ONGs. Eles aumentaram a passagem das canoas para 2 mil reais. Depois eles [os indígenas; não aceitaram mais nada”, disse.

Na versão de Mesquita, antes do conflito os indígenas da aldeia Palimi ú “estavam com o ânimos acirrados”. “Quando os garimpeiros chegaram para dialogar, foram recebidos a bala. Se os garimpeiros tivessem com fuzil 7,62 não tinha jeito, tinham matado, no mínimo, dez pessoas. Eles [os indígenas] atiraram primeiro”, afirmou.

Para Mesquita, a Polícia Federal tem que apresentar os responsáveis pelo crime. “Os garimpeiros alegam que levaram armas de caça e revólveres calibres 38, 22. Eles estão errados também. Aqui ninguém vai proteger. A Polícia Federal deve penalizar quem cometeu esse tipo de crime, que é um atentado contra a vida.”    

Perguntado sobre a infiltração de facções criminosas, entre elas o PCC, nos garimpeiros da TI Yanomami, Jailson Mesquita desconversou: “Essa questão aí é a mesma questão de você me perguntar quantos evangélicos têm no garimpo. O membro da facção não anda escrito na testa e nem ele sai apresentando carteira de identidade”. 

Mas o coordenador do Fórum de Roraima confirmou que há membros de facções na TI Yanomami. “Eles [os garimpeiros de facções] foram pra lá como qualquer trabalhador. E lá [na TI Yanomami] não existe essa questão que eles estão demarcando território. Inclusive lá eles convivem como qualquer outro garimpeiro comum”, disse. 

“Eles têm uma relação como qualquer outra classe social. Eu até estranho essa questão aí [da facção do PCC], porque a história é totalmente ao contrário. A imprensa, me permita uma crítica, jamais quis dar a atenção para o problema. Antes de haver esses garimpeiros aqui, as facções venezuelanas atravessavam a fronteira, inclusive a Guarda Nacional da Venezuela, armados e de helicópteros, assaltavam os garimpeiros do lado brasileiro e nunca ninguém abriu a boca para falar sobre isso”, disse Mesquita.

Relatos assustadores

Indígenas e agentes da PF na aldeia Palimi ú (Foto Polícia Federal)

Conforme revelado com exclusividade na segunda-feira pela Amazônia Real, a chegada do PCC na conflagrada área de garimpo na TI Yanomami trouxe variantes até então ignoradas pelas autoridades. E com potencial para tornar a situação insustentável para os indígenas. As distintas e até contraditórias versões nos relatos acima mostram a intrincada e delicada realidade enfrentada pelos Yanomami, que nunca estiveram tão ameaçados quanto agora. 

Diante de uma situação que se agrava a cada hora, é compreensível que a maioria das fontes ouvidas pela Amazônia Real, entre agentes públicos, garimpeiros e indígenas, tenham pedido para não ter seus nomes revelados. A chegada de forças policiais só fez a tensão aumentar. 

“Há relatos assustadores sobre a relação milícia, armamentos pesados e conflitos internos entre essas facções, que subiram o Uraricoera com metralhadoras, roupas do Exército para acertarem as contas e matarem outros garimpeiros”, informou um servidor ligado à saúde indígena Yanomami, que pediu para não revelar seu nome por medo.

A Terra Indígena Yanomami possui um alto índice de doenças como o novo coronavírus, a malária e a desnutrição. Os garimpos ilegais devastam as florestas e, segundo especialistas, o aumento das doenças tem relação com esse tipo de invasão. O território tem mais de 9,4 milhões de hectares entre os estados do Amazonas e de Roraima. Como se os problemas já não fossem suficientes, em 2020, o Ministério da Defesa levou lotes de comprimidos de cloroquina para os Yanomami.

Em resposta à Amazônia Real, o Exército informou que a presença dos militares nas terras indígenas “é benéfica à defesa dos direitos daqueles brasileiros ante a possíveis agressões culturais e físicas”. Disse ainda que, ao ser informado do conflito na TI Yanomami, o Comando Militar da Amazônia (CMA) deslocou um helicóptero para apoiar com logística e segurança a ação da Polícia Federal e da Fundação Nacional do Índio (Funai). “O Exército Brasileiro tem um comprometimento histórico com a unidade nacional e é garantidor, em última instância, da lei e a ordem. Nesse sentido, tem o dever de evitar fissuras no seio da sociedade brasileira”, disse em nota a 7ª Seção de Comunicação do CMA. 

Neste ano, a Justiça Federal de Roraima determinou que a União retirasse os invasores do território sob pena de pagamento de multa de 1 milhão de reais. Até o momento, o governo federal ignorou o cumprimento da decisão. “Esse tipo de conflito tem sido alertado pelo MPF em diversos procedimentos, inclusive com ações na Justiça Federal pedindo um plano de retirada de garimpeiros, temendo possível genocídio. A Justiça já até decidiu a favor do MPF e da retirada do garimpo ilegal na TIY”, disse o MPF.  Em 2020, em um outro conflito, dois indígenas morreram.

Por Kátia Brasil e Emily Costa, da Amazônia Real

Entidade pede ao STF retirada de invasores de terra Yanomami

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) protocolou petição ontem (11) ao Supremo Tribunal Federal (STF) apontando a necessidade de retirada de invasores da Terra Indígena (TI) Yanomami, em Roraima. A ação da entidade ocorre devido a um ataque de garimpeiros com armas fogo contra a comunidade Palimiú, ocorrido na última segunda-feira (10). O pedido foi protocolado nos autos da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 709.

A petição solicita que “a União informe quais medidas estão sendo tomadas para fiscalização da TI Yanomami” e reitera “a necessidade de se determinar a retirada de invasores, com urgência, da TI Yanomami, ante a iminência de um genocídio e a escalada de disseminação de malária e covid-19 na referida TI por garimpeiros ilegais.”

A ADPF 709, ajuizada pela Apib, reivindicou uma série de medidas emergenciais para proteger os povos indígenas da covid-19 e, em decisão do STF, determinou-se que governo federal adotasse medidas para conter avanço da doença entre indígenas.

Além da violência armada, as comunidades yanomami correm riscos sanitários. “O garimpo nunca chega sozinho. Junto dele chegam conflitos, doenças, contaminação da água, violação de direitos. Por isso, é preciso adotar medidas urgentes para retirar os invasores, o direito à vida do povo Yanomami está seriamente ameaçado de várias formas”, alertou Dinamam Tuxá, coordenador executivo da Apib.

Policiais federais também foram alvo de disparos no local, nesta terça-feira. Na tarde de ontem, a Polícia Federal esteve na comunidade para apurar o ataque. Quando a equipe estava prestes a embarcar da comunidade para retornar a Boa Vista, uma embarcação de garimpeiros passou no rio Uraricoera efetuando os disparos. A equipe se abrigou e respondeu a agressão. Não houve registro de atingidos de nenhum dos lados.

A Apib disse que vê com preocupação o sério risco de genocídio e divulgou, em nota, que se o STF não tomar providências, vai somar-se “à negligência do Executivo diante de mais um genocídio indígena”.

A Hutukara Associação Yanomami denunciou que este é o terceiro ataque em 2021 e cobrou providências para garantir a segurança e a livre circulação de indígenas no território. De acordo com a Hutukara, ao menos cinco pessoas ficaram feridas, sendo quatro garimpeiros e um indígena. Os servidores do posto de saúde da comunidade Palimiú, local do ataque, foram removidos até que possam atuar em segurança, segundo o Ministério da Saúde.

Na região de Palimiú, mesma região do ataque de segunda-feira, as lideranças indígenas já haviam denunciado em abril outro tiroteio por parte de garimpeiros, após a interceptação pelos indígenas de uma carga de quase 990 litros de combustível. Em fevereiro de 2021, a Hutukara chegou a denunciar um conflito na aldeia Helepi, também na região do rio Uraricoera, envolvendo grupos de garimpeiros armados.

A Apib apontou que a atividade garimpeira se intensificou na região no ano passado, quando houve um aumento de 30% na degradação ambiental na TI Yanomami. No total, já são 2.400 hectares de área desmatada dentro dessa terra indígena, de acordo com o relatório “Cicatrizes na floresta”, do Instituto Socioambiental em parceria com Hutukara Associação Yanomami e Wanassedume Associação Ye’kwana.

Por Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil 

PF envia tropas após ataque de garimpeiros a índios

(Rede Social/Reprodução)

A Polícia Federal anunciou nesta terça-feira (11) que enviou tropas para a comunidade Pali-Miú, na terra indígena Yanomami, em Roraima. O local foi palco de um conflito armado entre garimpeiros e índios. De acordo com o Conselho de Saúde Indígena Yanomami e Yekuana, o conflito deixou, ao menos, três mortos e cinco feridos. 

A região do conflito é conhecida como comunidade dos americanos por causa da presença de pastores norte americanos da missão evangélica da Amazônia. A área fica às margens do Rio Uraricoera, e ela é usada por garimpeiros para chegar aos acampamentos na floresta. 

O Conselho Indigenista Missionário manifestou profunda indignação e repúdio por mais um ataque de garimpeiros contra uma comunidade indígena. Já a Fundação Nacional do Índio afirmou que está acompanhando a apuração do caso. 

O envio das tropas por parte da Polícia Federal acontece após o alerta da Associação Rutukara Yanomami há dez dias. No início do mês de maio, o grupo enviou uma mensagem para Funai e Ministério Público sobre a recorrência de conflitos violentos entre índios e garimpeiros. 

Os Yanomami e entidades indígenas temem por um novo genocídio da população.

Por Tv Cultura

‘A Última Floresta’ é um olhar de urgência pela proteção dos Yanomami, diz diretor

Depois de ser exibido em março no Festival de Berlim, filme sobre o povo Yanomami estreia no Brasil, neste domingo (18). A imagem acima é uma foto still do filme (Pedro J Márquez/via Amazônia Real)

Um jovem Yanomami se sente atraído pela sedução do minério e do ouro, ao encontrar um amigo na floresta. De volta à aldeia, fica pensativo e quieto, e Davi Kopenawa Yanomami logo percebe. Com tranquilidade e com a força de uma história de décadas de luta em defesa do território de seu povo e calejado por anos de ameaças e perseguições e perdas de muitos outros jovens para o garimpo, explica ao rapaz, tendo como companhia apenas o silêncio e a escuridão da noite, dentro da maloca:

“As mercadorias deles podem enfeitiçar a gente. Eles parecem bons. Querem ajudar. Mas quando você fica sozinho, ninguém se importa com você, e você passa fome. Tem fome e não tem o que caçar. Não te dão um lugar para dormir. Somente na nossa floresta você pode dormir em paz”. Esta declaração de alerta é um dos momentos mais fortes do filme “A Última Floresta”, dirigido por Luiz Bolognesi (de “Ex-Pajé”).

Depois da estreia mundial, no início de março, no Festival Internacional de Cinema de Berlim, exibido na mostra Panorama, “A Última Floresta” será exibido pela primeira no Brasil neste domingo (18), na 26ª edição do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários, às 19h (horário de Brasília), transmitido gratuitamente pela plataforma de streaming Looke. A exibição online é limitada para 2 mil espectadores.

Nesta segunda-feira (19), para marcar o Dia do Índio, a produção do filme promoverá um debate transmitido pelas redes sociais da ong Instituto Socioambiental, a partir de 19h30 (horário de Brasília), com as presenças de Davi Yanomami, Ailton Krenak, Sonia Guajajara e Luiz Bolognesi.

“A Última Floresta” retrata a vida e os costumes do grupo Yanomami, e mostra como a presença ilegal da exploração do ouro no território, que voltou a crescer nos últimos dois anos, está colocando em risco a população indígena e a floresta. Desde 2019, os líderes Yanomami alertam para um novo e ameaçador aumento de garimpeiros no território. Somente em 2020, foram identificados 500 hectares de degradação ambiental causado pela atividade ilegal de extração de ouro.

Em entrevista à Amazônia Real, na última sexta-feira (16), Davi Yanomami, que assina a coautoria do roteiro junto com Bolognesi, disse que o propósito de ter aceitado que a história de seu povo fosse levado ao cinema foi chamar atenção para “o erro do povo da cidade”. “Quero mostrar para a sociedade não-indígena que nunca viu o povo Yanomami, de Roraima e do Amazonas, que nunca conheceu, nunca andou ou viu de perto, a realidade como vivemos”, disse ele. 

No filme, Davi Yanomami faz o mesmo alerta. “Os brancos não nos conhecem. Seus olhos nunca nos viram. Seus ouvidos não entendem nossas falas. Por isso, eu preciso ir lá onde vivem os brancos.”

Davi Kopenawa em foto de still do filme ‘A Última Floresta”, de Luiz Bolognesi, sobre os Yanomami
(Pedro J Márquez/via Amazônia Real)

Davi Kopenawa Yanomami, que ficou a maior parte do período da pandemia da Covid-19, na aldeia Watoriki, está passando uma temporada em Boa Vista (RR), depois de tomar as duas doses da vacina contra a doença. Ele disse à reportagem que não pretende viajar ou participar de lançamentos presenciais.

O longa-metragem, de pouco mais de uma hora, costura uma narrativa que mistura o cotidiano do tempo presente, as ameaças do garimpo, a sedução do ouro e vai até às origens do povo, quando o criador Omama pescou com cipó Thuëyoma, um peixe em forma de mulher, e se apaixonou por ela. O casal gerou os Yanomami.

Aliás, a presença feminina é forte na produção. Em certo momento, uma das “personagens”, em trabalho coletivo de confecção de cestarias, diz às outras mulheres Yanomami: “Os antepassados não ensinam à toa. Criar uma associação de mulheres seria bom. Poderíamos trocar mais cestos por alimentos. Os cestos ensinados por Mamurona. Assim, poderemos depender menos dos homens. Nós, mulheres, podemos tecer mais, se estivermos juntas”, diz ela.

No trecho “fictício” do filme, o marido da jovem mulher Yanomami ‘desaparece’ na águas enquanto caçava, levado por um ser sobrenatural. Angustiada, pede ajuda dos pajés para resgatá-lo. “Os espíritos malignos têm muitas formas. Yawarioma , peixe em forma de mulher, pode ter atraído ele para o rio. Mas também pode ter sido levado pelo espírito maléfico do minério. Muitos foram embora assim”, diz Davi, enquanto conversa com um xamã mais idoso.

A ideia de levar para as telas a vida dos Yanomami partiu de Bolognesi, enquanto ele filmava com povo Paiter Suruí, em Rondônia, o filme “Ex-Pajé”. 

Filme sobre a força dos xamãs

  • O diretor de fotografia de Pedro J. Márquez durante às filmagens (Foto: Instagram de Luiz Bolognesi) 
  • O diretor de fotografia de Pedro J. Márquez durante às filmagens (Foto: Instagram de Luiz Bolognesi) 
  • Fotos de still do filme ‘A Última Floresta” de Luiz Bolognesi sobre os Yanomami (Foto: Pedro J Márquez)
  • Fotos de still do filme ‘A Última Floresta” de Luiz Bolognesi sobre os Yanomami (Foto: Pedro J Márquez)
  • Fotos de still do filme ‘A Última Floresta” de Luiz Bolognesi sobre os Yanomami (Foto: Pedro J Márquez)
  • Fotos de still do filme ‘A Última Floresta” de Luiz Bolognesi sobre os Yanomami (Foto: Pedro J Márquez)
  • Fotos de still do filme ‘A Última Floresta” de Luiz Bolognesi sobre os Yanomami (Foto: Pedro J Márquez)
  • Fotos de still do filme ‘A Última Floresta” de Luiz Bolognesi sobre os Yanomami (Foto: Pedro J Márquez)
  • Davi Kopenawa em foto de still do filme ‘A Última Floresta” de Luiz Bolognesi sobre os Yanomami (Foto: Pedro J Márquez)
  • Fotos de still do filme ‘A Última Floresta” de Luiz Bolognesi sobre os Yanomami (Foto: Pedro J Márquez)

“Eu estava fazendo um filme que mostrava o pajé oprimido pela igreja evangélica, destituído de sua potência, de seu poder político, científico e mitológico. E eu sei que em muitas aldeias, nações indígenas, há muita resistência e muito força dos xamãs, e concluí que eu precisava fazer um filme que mostrasse um lado oposto desse pajé, um lugar onde os xamãs estão potentes, no epicentro político, filosófico, científico e cosmológico daquele povo”, conta o diretor.

As filmagens aconteceram em cinco de semanas de imersão na comunidade Watoriki, na região do Demini, localizada no município de Barcelos (norte do Amazonas), na Terra Indígena Yanomami, antes da pandemia do novo Coronavirus.

A agência Amazônia Real também entrevistou o diretor que contou mais detalhes sobre o desenvolvimento do longa. Leia a seguir a entrevista na íntegra:

Luiz Bolognesi e Davi Kopenawa, durante as filmagens de “A Última Floresta” (Foto: reprodução Instagram)

Amazônia Real – Quais foram suas referências para criar o roteiro? 

Luiz Bolognesi – Eu acho que foi um filme meio anti-referências, eu quis esquecer todas as minhas referências e seguir o caminho que os Yanomamis e que o tempo indígena propõe. Talvez o que eu tinha de referência na cabeça um pouco é o “Esculpir o Tempo”, de Andrei Tarkovski [escritor russo], que justamente fala de olhar o tempo de um modo menos linear. O próprio livro “A Queda do Céu”, de Davi Kopenawa e Bruce Albert, me inspira muito e algumas reflexões antropológicas do [antropólogo francês] Pierre Clastres (1934-1977), me inspiravam, mas eu estava justamente procurando trabalhar em um ambiente de anti referência de partir de um ponto de vista indígena da narrativa oral, de que eles se apropriassem do filme e não o contrário.

Amazônia Real – Como aconteceu essa parceria de escrever o roteiro junto com o Davi Yanomami?

Luiz Bolognesi – E eu li “A queda do Céu” e já conhecia o Davi Kopenawa de entrevista, mas não pessoalmente, e eu decidi que seria com ele o filme, que eu gostaria que fosse com ele. A partir dali, quando eu terminei o “Ex-Pajé”, eu procurei o Davi e contei para ele eu queria fazer o filme, que eu gostaria que ele fosse protagonista, e mais que isso, que ele fizesse o roteiro comigo. Foi aí que ele me chamou para passar duas semanas lá em Watoriki, no território Yanomami, e a gente iniciou um relacionamento de muita troca, em uma busca juntos de uma dramaturgia. E esse foi o processo, uma abertura, eu me abrindo para ele e ele se abrindo para mim, e assim a gente construiu o filme.

Amazônia Real – Nos últimos anos os indígenas têm sofrido diversas ameaças, por conta de todo cenário político que o Brasil vive atualmente. Neste contexto, qual a importância do filme? O que você pretende com ele?

Luiz Bolognesi – O Davi sempre dizia que esse não é um filme de denúncia, é um filme de reconhecimento, de conexão. Ele dizia: ‘os brancos não nos conhecem, nos olham com preconceito. Eu queria que o filme fosse uma maneira de eles conhecerem mais os Yanomami, nos verem de dentro para fora, para poder estabelecer uma conexão’. Então é um filme de conexão, para apresentar a potência Yanomami. Mas também faz parte do dia a dia deles enfrentar esse momento político que é marcado por uma invasão de mais de 20 mil garimpeiros no território Yanomami, uma invasão ilegal, já que o território é legalmente constituído.

Tudo isso está no filme e a gente acha que como o filme está tendo uma carreira, e esse é o nosso objetivo. [Uma carreira] internacional muito forte e uma carreira muito potente no Brasil. Vai ser importante para conectar a opinião pública, os brancos, os não-indígenas, a mídia, inclusive o poder público, o Congresso, o Executivo e a Justiça com a verdade Yanomami, com a potência dos Yanomami, com a necessidade de preservar os territórios deles.

Amazônia Real – Por que o nome “A Última Floresta”? Qual o significado dessa escolha?

Luiz Bolognesi – É um nome que a gente acha que vende a urgência e a importância desse filme. Nós sabemos que recentemente a gente está tendo vários retrocessos na política ambiental, a gente acabou de ver um chefe da polícia federal [delegado Alexandre Saraiva, da PF do Amazonas] ser demitido porque ele se lançou em defesa das florestas da Amazônia, do meio ambiente e dos biomas amazônicos, e a gente está vivendo um governo que está atropelando tudo isso. “A Última Floresta” traz poeticamente um olhar de urgência. Precisamos olhar para os Yanomami, não tem floresta preservada sem povos indígenas dentro dela.

Amazônia Real – Quando será a estreia oficial? Será exibido em alguma plataforma de streaming?

Luiz Bolognesi – A pré-estreia acontece neste domingo (18), às 19h (horário de Brasília), no Festival É Tudo Verdade. Depois disso a gente não sabe ainda, provavelmente em junho e julho, vamos ter algumas sessões em cinema, se a pandemia permitir. Se não, o caminho do filme terá que ser streaming. Já tem canais com interesse em fazer um lançamento mundial do filme, afinal, ele está indo para muitos festivais fora do Brasil. Ele estreou no Festival de Berlim, um dos festivais mais importantes do mundo. Ele está em Visions du Rée, na Suíça, em seguida em vai para o Hot Docs, em TorontoJá tem convites para festivais de Barcelona, na Índia, África do Sul, Coreia do Sul e Áustria, o filme está rodando o mundo. (Colaborou Elaíze Farias)

Assista ao trailer do filme:

Por Luana Piotto, da Amazônia Real

Morte de nove crianças ianomâmis será investigada

Aldeia em Roraima (Arquivo/Leonardo Prado/PGR/via Fotos Públicas)

O Ministério da Saúde afirmou nesta quinta-feira (28/01) que investigará uma denúncia feita por representantes da comunidade indígena ianomâmi em Roraima sobre a morte de ao menos nove crianças com sintomas de covid-19. No documento enviado ao governo federal, os indígenas pediram ainda o envio urgente de médicos para a região.

Num ofício enviado ao ministério, o Conselho de Saúde Indígena Ianomâmi e Ie’kuana (Condisi-YY) relata a morte de quatro crianças na comunidade Waphuta, duas delas em 25 de janeiro, e outras cinco em Kataroa, na região de Surucucu, no norte de Roraima.

As crianças, de idades entre um e cinco anos, apresentaram sintomas como febre alta e dificuldades de respirar. Todas elas morreram no mês de janeiro. Um auxiliar de saúde indígena informou que ao menos outras 25 crianças na região apresentam os mesmos sintomas e estão em estado grave, segundo o ofício do Condisi-YY.

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que trabalha para comprovar a “veracidade das informações” e que o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei), que atende os ianomâmis, enviou equipes ao local para averiguar a situação. Até o momento, segundo a pasta, o órgão ainda não havia confirmado nenhuma morte por covid-19.

O presidente do Condisi-YY, Júnior Hekurari Yanomami, afirmou que os postos de saúde da região estão fechados há cerca de dois meses. No ofício, ele ainda pediu providências à Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai). “O cenário é grave e exige uma ação articulada e integral dos órgãos responsáveis pela polícia de saúde”, acrescenta o texto.

As duas comunidades atingidas estão localizadas em meio à floresta amazônica, em uma região de difícil acesso. Em Kataroa vivem cerca de 412 Yanomami, e em Waputha, 816. O Dsei-Y atende 28.141 indígenas distribuídos em 371 aldeias.

Há meses, os ianomâmis vêm denunciando o avanço do coronavírus na região, que atribuem principalmente ao garimpo ilegal.

Quase mil mortes entre indígenas

Desde o início da pandemia, o país registrou 41.251 casos de coronavírus e 541 mortes por covid-19 entre indígenas, segundo o boletim epidemiológico da Sesai. Entre os ianomâmis na área do Dsei-Y, foram contabilizadas 1.256 infecções e dez óbitos no mesmo período. 

Já o levantamento da Articulação de Povos Indígenas do Brasil (Apib) contabiliza 47.148 casos e 940 mortes causadas em decorrência da covid-19 entre indígenas em todo o Brasil.

A diferença ocorre pois a Sesai registra apenas os casos verificados em indígenas atendidos pelo Subsistema de Atenção à Saúde Indígena, e não leva em conta os números registrados em outros sistemas de saúde; enquanto a Apib contabilizada todas as infecções e óbitos ocorridos entre os indígena – tanto em territórios tradicionais quanto entre os que vivem em áreas urbanas.

Por Deutsche Welle

rc/cn (AFP, ots)

Governo confirma morte de 2 índios por Covid-19

(Victor Moriyama/ISA/via Comissão Pastoral da Terra)

O Ministério da Saúde informou no início da noite deste sábado (11) a morte de mais dois indígenas por causa do novo coronavírus (covid-19). Uma das mortes foi de uma indígena Kokama, de 44 anos, e o outro óbito foi de indígena da etnia Tikuna, de 78 anos. 

Segundo nota do ministério, a indígena Kokama se encontrava internada desde 28 de fevereiro, em Manaus, para tratamento de anemia hemolítica autoimune.

“O quadro da paciente agravou-se após contração da covid-19, quando passou a respirar por aparelhos, vindo a falecer em dia 9 de abril. De acordo com o atestado de óbito, a indígena faleceu em decorrência de insuficiência respiratória aguda por covid-19; anemia hemolítica autoimune; e lúpus eritematoso sistêmico”.

O indígena da etnia Tikuna morreu hoje. Ele chegou a ser removido do Hospital de Tabatinga (AM) para tratar de bloqueio no coração na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Delphina Aziz (Manaus), mas não resistiu.



“Em 25 de março, havia sido transferido para o Hospital Adriano Jorge e em 31 de março para o Hospital Francisca Mendes, referência em Cardiologia. Durante o período de tratamento hospitalar, o teste para covid-19 acusou positivo, o que agravou ainda mais seu quadro”, diz nota do ,inistério.

Primeiro caso


https://spagora.com.br/yanomami-de-15-anos-e-o-3o-indio-morto-por-coronavirus/saude/covid-19/

Na noite de quinta-feira (9) morreu o jovem yanomami, de 15 anos de idade, que testou positivo para a covid-19 e havia sido internado no Hospital Geral de Roraima (HGR), em Boa Vista. Desde sexta-feira (3) ele recebia cuidados em um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

De acordo com o Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (Dsei), que atende a região, ele era natural da aldeia Rehebe, nos domínios da Terra Indígena Yanomami, mas passou a residir no município de Alto Alegre, a 87 quilômetros (km) da capital. O motivo da mudança para a Terra Indígena Boqueirão foi dar continuidade aos estudos do ensino fundamental. Ainda segundo o Dsei, o adolescente morava com uma liderança indígena.

Brasil ultrapassa mil mortes por Coronavírus

Imagem mostra o momento exato em que o Coronavírus ataca uma célula do corpo (Débora F. Barreto Vieira/IOC/Fiocruz/via Fotos Públicas)

O Brasil superou, nesta sexta-feira (10) Santa, os mil casos de mortes pela Covid-19. Segundo balanço divulgado pelo Ministério da Saúde, o país tem agora 1.056 óbitos e 19.638 casos oficialmente confirmados.

Entre as mortes confirmadas neste feriado está a do adolescente indígena da tribo Yanomami, Alvanei Xirixana, de 15 anos, que testou positivo para a Covid-19 e havia sido internado no Hospital Geral de Roraima (HGR), em Boa Vista. Foi a terceira morte de índio por Coronavírus, segundo denunciam entidades que atuam junto às tribos.

O levantamento, divulgado pelo Ministério da Saúde, também reafirma São Paulo como o principal epicentro da doença, com 8.216 casos testados positivos e 540 mortes.

Moradores de rua



A organização não governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF) está atuando na região central da cidade de São Paulo para conter os efeitos da pandemia. A entidade desenvolve normalmente ações em situações de grave crise humanitária, como guerras, epidemias e catástrofes.

“Nosso âmbito não costuma envolver lugares como São Paulo ou o Rio de Janeiro”, diz a coordenadora dos trabalhos na capital paulista, Ana Leticia Nery.

No Brasil, a organização tinha apenas um ponto de atuação, em Boa Vista, Roraima, onde atende aos imigrantes venezuelanos. Porém, a chegada do coronavírus fez com que os Médicos Sem Fronteiras vissem a necessidade de ação nas duas maiores cidades brasileiras.

“O nosso medo é que a pandemia acabe exacerbando a desigualdade no acesso à saúde, que já existe hoje. As populações vulneráveis, que já têm dificuldade em acessar o sistema de saúde, vão ter ainda menos acesso a ele no contexto da pandemia e vão acabar tendo uma mortalidade e transmissão desproporcionais à população geral”, explica Nery.

*Com informações da Agência Brasil e da Comissão Pastoral da Terra

*Atualizado às 18h35 para alterar número de mortos. O Ministério da Saúde retificou o número total de mortes que caiu de 1.057 para 1.056

Yanomami de 15 anos é o 3º índio morto por Coronavírus

Avanei Xirixana, de 15 anos, passou 21 dias entre postos de saúde e hospitais com sintomas de Covid-19, segundo a Pastoral da Terra (Reprodução)

Morreu na noite desta quinta-feira (9) o jovem yanomami Alvanei Xirixana, de 15 anos de idade, que testou positivo para a covid-19 e havia sido internado no Hospital Geral de Roraima (HGR), em Boa Vista. Desde sexta-feira (3) ele recebia cuidados em um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas segundo a Comissão Pastoral da Terra, o indígena ficou com os sintomas durante 21 dias, entre idas e vindas de postos de saúde.

A Comissão conversou com o médico infectologista Joel Gonzaga, da Secretaria Especial da Saúde Indígena (Sesai). Segundo ele, o quadro de saúde do estudante se agravou “com o comprometimento cerebral, tromboembolismo e complicações da resposta inflamatória do vírus”.

O estudante tinha a saúde afetada por ter contraído, antes da Covid-19, “doenças como desnutrição, anemia, malárias repetitivas e foi tratado, mês passado (março), de Malária Falciparum”, disse Gonzaga à Comissão Pastoral da Terra.

De acordo com o Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (Dsei), que atende a região, ele era natural da aldeia Rehebe, nos domínios da Terra Indígena Yanomami, mas passou a residir no município de Alto Alegre, a 87 quilômetros (km) da capital. O motivo da mudança para a Terra Indígena Boqueirão foi dar continuidade aos estudos do ensino fundamental. Ainda segundo o Dsei, o adolescente morava com uma liderança indígena.



Quando o jovem apresentou os primeiros sintomas da covid-19 foi atendido no Hospital Municipal de Alto Alegre. Posteriormente, foi encaminhado ao HGR, já com um um quadro de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Ele refez o teste para diagnóstico da covid-19 e somente a contraprova detectou a infecção.

Subnotificação

Entidades de defesa da causa indígena, como o Instituto Socioambiental (ISA) e o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) têm denunciado a subnotificação de casos da covid-19 e demonstrado preocupação quanto ao que isso pode representar de risco para as comunidades. Ambas alertam que ao menos outros dois indígenas contaminados pelo novo coronavírus já foram a óbito e que o governo federal não registrou as ocorrências no balanço. Os indígenas eram uma mulher da etnia borari, de 87 anos, que morreu em Alter do Chão, no município de Santarém (PA), e o outro era um homem de 55 anos, do povo Mura, morto em Manaus.

Os óbitos ocorreram, respectivamente, no dia 19 de março e 5 de abril. As circunstâncias do falecimento da borari, considerada uma guardiã local, motivaram o Ministério Público Federal (MPF) a instaurar um inquérito no último dia 2.

Em comunicado divulgado ontem (9), o Cimi disse que a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) não contabilizou as duas mortes por se tratar de indígenas que vivem em contexto urbano.

Na quarta-feira (8), o Ministério da Saúde informou que a Sesai, responsável pelos Dsei, ainda não havia sido oficialmente comunicada pelos órgãos responsáveis sobre o caso do yanomami. O ministério acrescentou que o Dsei tomou conhecimento “por iniciativa própria”, por meio da Vigilância Epidemiológica.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) disse que a Sesai não havia confirmado o caso.

Até ontem (9), o relatório do Ministério da Saúde relacionava 24 casos suspeitos da covid-19 entre a população indígena, três a mais do que no dia anterior. Já as ocorrências descartadas passaram de 27 para 31.

*Com informações da Agência Brasil e da Comissão Pastoral da Terra