Facebook bane contas ligadas aos militares de Myanmar

Rede social é amplamente utilizada no país asiático
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O Facebook decidiu nesta quinta-feira (25/02) banir contas dos militares de Myanmar da plataforma, enquanto continuam os protestos em massa contra o golpe de Estado que removeu do poder no início do mês o governo da líder Aung San Suu Kyi.

“Os eventos [ocorridos] desde o golpe de 1º de fevereiro, incluindo a violência mortal, provocaram a necessidade dessa proibição”, disse a rede social em uma postagem, ao anunciar a suspensão de todos os perfis associados aos militares. “Acreditamos que os riscos de permitirmos o Tatmadaw (o Exército birmanês) no Facebook e no Instagram sejam grande demais.”

A gigante da tecnologia também anunciou o banimento de todos os perfis de entidades comerciais ligadas ao Tatmadaw.

Segundo a postagem da rede social, a decisão veio em razão de “abusos excepcionalmente graves dos direitos humanos e do risco claro de futuros atos de violência iniciados pelos militares em Maynmar”, além de repetidas violações das regras do Facebook desde o golpe.

A nação do Sudeste Asiático vem sendo palco de manifestações populares desde que a chefe de governo foi deposta e presa durante o golpe militar. Centenas de milhares participam de protestos e várias centenas de pessoas foram presas. Ao menos três manifestantes e um policial foram mortos nos atos de violência.

O Exército tomou o poder depois de alegar fraude nas eleições de 8 de novembro, vencidas por ampla margem pela legenda governistas Liga Nacional pela Democracia (NLD). Grande parte da liderança do partido também foi detida pelos militares.

A rede social anunciou que o banimento abrange as Forças Armadas e suas subunidades, além da mídia controlada pelo Exército e os Ministérios do Interior, da Defesa e dos Assuntos de Fronteiras, diretamente controlados pelos militares.

Ferramenta essencial de comunicação em Myanmar

O Facebook é amplamente utilizado em Myanmar e vinha sendo um dos principais meios de comunicação da junta militar que governa o país com a população, apesar de uma tentativa oficial de banir a rede no país logo nos primeiros dias após o golpe.

Durante décadas, Myanmar foi um dos país menos conectados à internet em todo o mundo, com menos de 5% da população conectada até 2012, segundo estimativas da União Internacional de Telecomunicações. Após a desregulamentação do setor, o preço dos planos de internet despencaram e um novo mercado se abriu no país.

O Facebook agiu com rapidez para se beneficiar dessas mudanças, e logo se tornou um feramente essencial de comunicação entre agências do governo, assim como comerciantes. Para muitos, a rede social é a própria internet.

Nos últimos anos, a plataforma se envolveu com ativistas pelos direitos humanos e partidos políticos democráticos no país do Sudeste Asiático. O Facebook decidiu agora após críticas internacionais ao fracasso da rede social em controlar campanhas de ódio online.

Por Deutsche Welle

rc (Reuters,AP)

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