Festival defende liberdade e critica censura em projetos culturais

Intervenção artística em referência aos projetos culturais censurados, em crítica ao Governo Federal, em frente ao Theatro Municipal de São Paulo (Redação/SP Agora)

Montagens teatrais, intervenções urbanas e mostras de cinema fazem parte da segunda edição do Festival São Paulo Sem Censura, realizado pela Secretaria Municipal de Cultura até o próximo domingo (6). Além de ações em ruas e avenidas, da Paulista até Itaquera, na Zona Leste, o evento conta com atividades sediadas por equipamentos culturais da cidade como o Theatro Municipal, o Centro Cultural São Paulo (CCSP) e o Centro Cultural da Juventude (CCJ). Todas as apresentações respeitam os protocolos sanitários do Plano São Paulo.

As performances abordam a ação orquestrada de cerceamento de manifestações artísticas, a censura institucional com paralisações de projetos na Lei Rouanet e Ancine, as sistemáticas investidas contra a imprensa e o silenciamento de grupos marginalizados.

De acordo com o secretário de cultura da cidade, Alê Youssef, o evento se consolida como um marco do calendário cultural da cidade e é um contraponto às políticas baseadas no ódio, na criminalização do artista e no cerceamento da liberdade de expressão, por meio de um tipo de censura prévia.

“O festival é um reforço da ideia de que a cultura é uma saída justa, próspera e democrática para a crise humanitária que vivemos e precisa ser valorizada e não censurada.”, afirmou o secretário.

Programação

A grade de atividades é dividida em quatro eixos:

  1. Excluídos da Fundação Palmares;
  2. Censura Prévia na Rouanet e Ancine;
  3. Liberdade de Imprensa e de Expressão;
  4. Políticas de Silenciamento.

Entre os destaques encontram-se a leitura dramatúrgica da peça Santo Inquérito, dirigida por Bete Coelho, que será realizada no Teatro Municipal.  A história, escrita por Dias Gomes, narra o julgamento de Branca Dias pela Santa Inquisição, denunciada por Padre Bernardo. A Cia. BR116 entrou com projeto para montagem do espetáculo pela lei de incentivo federal este ano e teve seu projeto arquivado sem motivo expresso pelo Governo Federal.

Quem quiser acompanhar as atrações pelo YouTube pode conferir os encontros que serão promovidos pela Biblioteca Mário de Andrade. Serão quatro debates – sobre artes, direitos humanos em tempos de restrição, o papel da imprensa na defesa da democracia, as dificuldades de artistas e autores de diversos campos de criar e produzir  – sempre às 11h.

Uma série, curtas e longas-metragens com temáticas variadas, que envolvem desde a política até a diversidade sexual e racial, em pontos diferentes do Brasil, farão parte da programação on-line na Spcine Play e uma presencial no Centro Cultural São Paulo.

Confira a programação completa no site da Secretaria Municipal de Cultura.

Por Pref. de São Paulo

Pinacoteca reabre hoje com exposição de dupla de artistas brasileiros

Fechada desde março deste ano por causa da pandemia do novo coronavírus, a Pinacoteca de São Paulo reabre nesta quinta-feira (15) com a exposição OSGEMEOS: Segredos. É a primeira exposição panorâmica da dupla de artistas brasileiros formada pelos irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo.

O uso de máscara será obrigatório. Não será permitida a retirada de máscaras, nem mesmo para selfies ou fotografias(Divulgação/Governo do Estado de São Paulo)

A mostra apresenta 60 trabalhos da dupla, 50 deles inéditos ou nunca exibidos no Brasil, e mais de 100 itens. OSGEMEOS são conhecidos por estampar espaços públicos em diversos países do mundo. Seus grafites, com os personagens amarelos, estão espalhados pelo Brasil, Suécia, Alemanha, Portugal, Austrália e Cuba. Suas obras foram destaque nos telões eletrônicos da Times Square, em Nova York, e na fachada da Tate Modern, em Londres, no Reino Unido. Mas eles também já participaram de mostras internacionais na Alemanha, Canadá, Japão, Itália e no Reino Unido.

A carreira da dupla começou na década de 80, com a chegada da cultura hip hop no país. Os trabalhos contam histórias que envolvem fantasia, relações afetivas, questionamentos, sonhos e experiências de vida. A partir da década de 90, suas experimentações – não só em grafite, mas também pintura em telas e esculturas estáticas e cinéticas – ultrapassaram os limites bidimensionais, culminando na construção de um universo próprio que opera entre o sonho e a realidade.

Na Pinacoteca, o duo vai apresentar pinturas, instalações imersivas e sonoras, esculturas, intervenções, desenhos e cadernos de anotações. As obras ocupam as sete salas de exposições temporárias do primeiro andar, além de um dos pátios e do Octógano, onde foi concebida uma instalação especialmente para o espaço. Além disso, o tradicional letreiro na fachada, com o nome da instituição, vai ser substituído temporariamente por um luminoso desenhado especialmente pela dupla.

A exposição vai até 22 de fevereiro de 2021 e tem entrada gratuita até o dia 23 de outubro. Para isso, no entanto, é necessário marcar data e horário de visita pelo site do museu. A bilheteria física da Pinacoteca permanecerá fechada neste período da exposição. Por isso, os ingressos só podem ser adquiridos com antecedência pela internet.

Protocolo de acesso
Para entrar na Pinacoteca, o visitante terá a sua temperatura aferida. Quem estiver com temperatura superior a 37,2o C ou tiver sintomas de gripe ou resfriado não poderá entrar. O uso de máscara será obrigatório. Não será permitida a retirada de máscaras, nem mesmo para selfies ou fotografias. A exposição terá também indicação de sentido de circulação. O museu vai funcionar em horário reduzido, das 14h as 20h. O tempo de permanência no prédio será de, no máximo, uma hora.

*Com informações da Agência Brasil

Com temática LGBTQ+, Secreto LX está disponível no Youtube

Já está disponível no Youtube, a websérie SECRETO LX, produzida totalmente de forma independente por Patrick D’Orlando e Mariana Marques.  O programa, com temática LGBTQ+, aborda temas como HIV e o preconceito velado que ainda existe com os portadores do vírus.

(Divulgação)

Discute também temas como identidade de gênero, a diferença entre ser transexual e Drag queen, descobertas pessoais sobre a sexualidade, amores e ex-amores gays e um amor lésbico.  “SECRETO LX traz segredos que todos nós temos e que muitas vezes não contamos por estarmos inseridos em uma sociedade machista e preconceituosa. É uma websérie que traz dramas importantes para serem discutidos, e o mais importante, sobre o respeito e a liberdade de cada um”, ressalta o idealizador e diretor, Patrick D’Orlando.

SECRETO LX é um Spin-off da premiada websérie brasileira SECRETO, que conta com 3 temporadas gravadas no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro que conta a história do casal gay Rodrigo e David e toda o drama da rede de amizade entre eles. Devido ao sucesso no YouTube, a websérie contou com 3 temporadas e recebeu indicações no Festival Internacional de Webséries do Brasil- Rio WebFest: melhor websérie brasileira, melhor elenco drama, melhor ator drama (Allan Ralph) e melhor atriz drama (Thais Muller).

“A websérie SECRETO LX é uma temporada totalmente a parte e sem ligações com as temporadas anteriores de SECRETO”, explica.

SECRETO LX, conta com 5 capítulos e tem no elenco 11 atores portugueses e 5 brasileiros. Entre os atores brasileiros, está Thiago Rodrigues, que em 2019 estava em Portugal gravando a novela, A Prisioneira, da TVI, uma estação de televisão de Portugal. Thiago é Fred, ex namorado de Marina (Etiene Mascarenhas), quando ele reaparece causa conflito entre Marina e Filipa (Nadia Lopes), que são atualmente um casal. O projeto é apoiado pela Universidade Lusófona, do CheckPoint LX edo Grupo de Ativistas em Tratamento – GAT. Para assistir, basta acessar a partir do dia 20 de agosto, às 16h, no canal da websérie no YouTube. A websérie conta com legendas em português para os deficientes auditivos e para quem tem dificuldade em entender o português de Portugal.

 Sinopse:

Pedro e Lucas vão no mesmo dia fazer o teste de rastreio rápido no CheckPoint LX e descobrem serem soropositivos. O que parecia ser um dia normal acaba por mudar totalmente a vida dos dois depois do resultado reagente. Lucas decide contar para todos sobre sua sorologia, já Pedro tem um desafio um pouco mais complicado; contar para o seu atual parceiro que o resultado deu positivo. Depois de uma abordagem negativa e agressiva de seu namorado, Pedro decide esconder e não contar a mais ninguém que tem o vírus.
 Serão dois caminhos diferentes, o de Pedro e Lucas, que a série irá percorrer, caminhos que se cruzarão com as histórias de seus amigos, trazendo discussões importantes para serem debatidas: o preconceito sobre a sorologia positiva para o HIV e a importância em se fazer o teste de rastreio rápido, como também o tratamento e as confusões sobre a identidade de gênero. Descobertas pessoais da sexualidade, amores e ex-amores gays e um amor lésbico entre uma portuguesa e uma brasileira.

Serviço

Onde: YouTube – Canal da Websérie Secreto LX
Faixa etária: Recomendado para acima de 16 anos por conter beijos e nudez parcial.
Capítulo 1: Tudo o que se vê não é
Capítulo 2: Não adianta mentir pra si mesmo
Capítulo 3: Nada do que foi será
Capítulo 4: O depois que nunca volta
Capítulo 5: Há tanta vida lá fora (final)

Orquestra do Theatro São Pedro celebra 10 anos com programação online

O Theatro São Pedro preparou uma programação online especial no mês de agosto em comemoração aos 10 anos de sua Orquestra.

(Divulgação)

Toda terça-feira, às 18h, dentro da série #FalandoDeOrquestra, Ricardo Appezzato, gestor artístico da Santa Marcelina Cultura, recebe músicos da Orquestra do Theatro São Pedro para falar sobre a trajetória do grupo, os desafios, as perspectivas.

Além disso, serão veiculados pelas redes sociais do Theatro São Pedro (Instagram, Facebook e Youtube), depoimentos de profissionais que marcaram a história da Orquestra como Roberto Duarte, Emiliano Patarra, Ligia Amadio, Luis Otavio Santos, Valentina Peleggi e André dos Santos.

Já na sexta-feira, dia 28 de agosto, às 18h, acontece a estreia do concerto especial da Orquestra do Theatro São Pedro. Em comemoração aos seus 10 anos, o grupo leva o público de volta ao teatro para um passeio virtual musical. O concerto online comemorativo tem ainda participação do maestro Cláudio Cruz, da soprano Marina Considera, e do tenor Fernando Portari.

O repertório escolhido contempla a Abertura de As Bodas de Fígaro, de Mozart, Vissi d’art, da ópera Tosca, e Nessun Dorma, de Turandot, ambas do compositor italiano Giacomo Puccini, e ainda Melodia Sentimental, de A Floresta do Amazonas, de Villa-Lobos. Para encerrar, a famosa canção napolitana ‘O Sole Mio, de Eduardo Di Capua e Alfredo Mazzucchi.

Antes da estreia do concerto, às 17h, o maestro Cláudio Cruz e os músicos Renan Gonçalves, Clarissa Oropallo e Rafael Schmidt realizam uma live pelo facebook do teatro (facebook.com/TheatroSaoPedro). A programação completa está disponível no site: http://theatrosaopedro.org.br/.

Theatro São Pedro

O Theatro São Pedro completa 100 anos com uma das histórias mais ricas e surpreendentes da música nacional. Inaugurado em uma época de florescimento cultural, o teatro se insere tanto na tradição dos teatros de ópera criados na virada do século 19 para o 20 como na proliferação de casas de espetáculo por bairros de São Paulo.

Ele é o único remanescente dessa época em que a cultura estava espalhada pelas ruas da cidade, promovendo concertos, galas, vesperais, óperas e operetas.

*com informações do Gov. do Estado de SP

Série alemã na Netflix brinca de Deus

Silenciosamente, o trem de alta velocidade percorre uma paisagem montanhosa de verão, uma tranquilidade agradável toma conta do grande vagão. É então que, de repente, uma mulher ofegante se esforça para respirar, abre os olhos em estado de choque e desaba inconsciente. Enquanto os outros passageiros tentam reanimá-la, mais e mais pessoas com falta de ar caem no chão. Uma doença mortal e contagiosa se espalhou despercebida pelo vagão.

Um futuro ameaçador: cena da nova série alemã da Netflix “Biohackers”

Sem revelar demais: a série alemã Biohackers não é sobre uma pandemia. Mas cenas como essa fizeram com que a Netflix e a equipe de produção adiassem seu lançamento, previsto para o final de abril, auge da pandemia, para esta quinta-feira (20/08).

“Não queríamos provocar pânico ou mesmo encorajar teorias de conspiração”, disse Christian Ditter, diretor da série. “Por isso decidimos lançá-la numa data posterior, quando o público estivesse um pouco mais esclarecido e pudesse distinguir claramente entre fato e ficção.”

A série da Netflix, no entanto, fornece importantes motivos para reflexão – algo que, neste momento de batalha social contra o coronavírus, não poderia ser mais crucial. “O que acontece quando pessoas normais, como eu e você, nos deparamos com coisas que são maiores do que nós?”, resume Ditter, que também escreveu o roteiro.

A atriz Jessica Schwarzer no papel da professora Tanja Lorenz durante uma palestra na série Biohackers
Jessica Schwarzer interpreta a professora de biotecnologia Tanja Lorenz em “Biohackers”

Até onde podem ir os cientistas e onde terminam os limites? É isso que é explorado rapidamente pela série dividida em seis partes. Biohackers conta a história da estudante de medicina Mia, interpretada por Luna Wedler, e da fria professora Tanja Lorenz, interpretada por Jessica Schwarz.

“Nós tornamos Deus obsoleto”, proclama a idolatrada professora celebridade a seus alunos, de forma quase megalomaníaca. Graças à biologia sintética, ela declara guerra às doenças genéticas e pretende eliminá-las ainda no útero.

Lorenz faz experimentos não apenas na universidade, mas também num laboratório particular cerrado e a aluna Mia parece saber que algo de errado se passa por lá. As duas são unidas por um segredo, o qual é revelado episódio por episódio sob grande tensão.

Otimização genética?

A ideia da trama ocorreu a Christian Ditter após ele ter perguntado a outros cientistas “o que não os deixava dormir à noite”. Ele achava que ouviria coisas como inteligência artificial ou mudança climática. Mas eles responderam: biologia sintética. E Ditter começou a pesquisar.

Os seres humanos, na verdade, estão se tornando criadores: com a ajuda da biologia sintética, que combina campos como biologia molecular, química orgânica e engenharia, células são construídas com novas propriedades e funções. “É como usar blocos de Lego”, diz Ditter, que já filmou outras séries para a Netflix nos EUA, como Girlboss.

Estudantes em laboratório ilegal em cena da série Biohackers
A aluna Mia descobre sobre o laboratório ilegal de seu colega

Isso pode ser útil no futuro para o desenvolvimento de novos medicamentos, biocombustíveis e materiais feitos sob medida – a biologia sintética pode produzir produtos completamente novos. Ou simplificar e acelerar de forma expressiva processos já existentes, como o de multiplicação de vacinas.

No entanto, aqui também se pode provocar um grande estrago, especialmente quando se trata do genoma humano. Afinal, engenharia genética sempre vai significar também experimentação: que consequências indesejáveis pode haver quando um gene é alterado? O genoma humano até já foi decifrado, mas está longe de ser compreendido.

Ratos luminosos e dedos magnéticos

O próprio título da série já deixa claro que não são só os cientistas que atuam neste campo:Biohackers. Graças a uma tesoura genética descoberta em 2012, pessoas comuns também podem remover ou adicionar genes – e a série tem um número surpreendente deles.

Um exemplo é Jasper, assistente da professora Lorenz, que tenta se curar ele mesmo de uma doença hereditária incurável num trailer de construção. Já a colega de quarto de Mia faz plantas brilharem e adiciona sabor de carne aos legumes. O outro morador da república, entretanto, não é um biohacker, mas um bodyhacker e implanta em si próprio diversas ferramentas voltadas para a auto-otimização, como ímãs nos dedos.

O diretor Christian Ditters durante as filmagens da série Biohackers
Christian Ditters já dirigiu a série americana “Girlboss”, também da Netflix

Isso pode soar um pouco exagerado, mas ainda nos leva a pensar: será que tudo isso está realmente acontecendo na realidade de hoje? Iremos permitir que nossos corpos sejam otimizados dessa forma? Afinal, ainda que os personagens pareçam um tanto exorbitantes, os atores passam segurança ao manipular sequenciadores e pipetas.

Os criadores da série, assim como seus atores, foram orientados por médicos e cientistas, área com a qual o diretor Ditter também tem uma relação pessoal: sua esposa é médica. “Quanto mais medo eu tinha de uma determinada situação, como um acidente, por exemplo, mais segurança ela demonstrava. Outros cientistas que eu conheço também reagiam de forma mais sóbria e objetiva quanto algo era muito dramático. E eu queria muito mostrar isso.”

Cartaz da série Biohackers, da Netflix
Série estreia no dia 20 de agosto na Netflix

 

Cientistas nas filmagens

Entre os consultores científicos estava Ole Pless, biólogo molecular do renomado Instituto Fraunhofer. Em entrevista ao portal de imprensa da Netflix, ele se disse satisfeito com a série ficional. “Eu me reconheci em muitos momentos, alguns dos quais surgiram inteiramente da minha caneta. Isso também é cientificamente correto”, afirmou Pless.

Apesar de Biohackers se tratar sobre experimentos humanos criminosos e ilegais, o diretor Ditter ainda tem grande respeito pela pesquisa. Para ele, “os cientistas são os novos super-heróis”. Sua série, afinal de contas, também aborda o lado bom da biologia sintética, que também salva vidas no final da primeira temporada.

Isso tudo não é apenas ficção para Ditter, que, no decorrer de suas pesquisas e filmagens, conheceu muitos cientistas dedicados: “Quando a covid-19 surgiu, ficou imediatamente claro para mim que as pessoas mais inteligentes que temos no planeta iriam procurar se concentrar em resolvê-la de alguma forma. E eles irão conseguir isso. “

Por Nadine Wojcik

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Exposição drive thru com painéis gigantes é atração em SP

A capital paulista recebe uma exposição de arte gigante para ser vista de dentro dos carros. São 18 painéis, com dez metros de largura e cinco de altura, que reúnem pintura, arte digital e fotos, montados em um galpão para que o público possa retomar a visitação a exposições neste momento de isolamento social.

(Divulgação)

“É uma exposição muito importante para a cidade e para o momento, está trazendo uma certa esperança, um frescor e reflexões, há também questionamentos”, disse o curador Luis Maluf. “É uma exposição diferente até para nós, estávamos ansiosos, porque é um formato que não tinha, então não sabíamos como ia ser uma exposição com o carro”.

Ele conta que, desde a abertura, o público já gostou do que viu na mostra Drivethrtu.art, uma parceria da Luis Maluf Art Gallery e da Arca. O curador chamou a atenção para a interatividade: a visita ocorre por meio de um circuito e a orientação é feita por um guia virtual, encontrado no QR code do bilhete de entrada. 

Maluf acredita que, não apenas o formato drive thru da exposição, mas o contexto da pandemia pode atrair novos espectadores para a arte e a cultura. “Por ser uma das únicas coisas que a gente tem para fazer hoje, além dos drive-in de filme, uma exposição de arte atrai um público que teoricamente não iria a uma exposição convencional. Esse visitante, a partir do momento em que vai, eu acredito que há uma grande possibilidade de ele ter certo interesse, ir pesquisar e querer consumir arte, não no sentido de comprar, mas de buscar os artistas”.

Entre os temas abordados pelos artistas estão as questões indígenas, as emancipações raciais, de gênero, de sexualidade, a preservação ambiental, que já faziam parte da trajetória de cada um deles. “Aconteceu em três semanas, a minha preocupação foi chamar artistas que, de alguma forma, já dialogavam com essas questões, mas eu não sabia qual seria o trabalho que eles iam fazer, então peguei pelo processo e pesquisa do artista, do envolvimento poético que ele tinha na trajetória e nas séries que vinha produzindo. E acabou que bateu bastante coisa”.

Um dos artistas convidados é o grafiteiro Cranio, que tem como identidade visual o personagem indígena azul. “No painel que ele pintou, o índio está de máscara dentro de uma floresta, com olhar de proteção. É um artista que, nas suas pesquisas, traz discussões e críticas a questões ambientais, sociais, culturais”, disse o curador.

Parte dos artistas produziu as obras no próprio local da exposição, no galpão da Arca, respeitando as normas de segurança. Para Maluf, a exposição representa uma retomada dos trabalhos para os artistas, após a interrupção de diversas atividades relacionadas à cultura por causa da pandemia. “Todos eles entraram no projeto querendo entregar isso para a cidade. Parte deles falou: ‘estou me sentindo vivo de novo’. A gente está lançando paralelamente uma exposição online, com obras desses artistas, para tentar reverter e ajudar na parte comercial do trabalho deles”.

A exposição vai até 9 de agosto, com visitação de quarta-feira a domingo, das 13h às 21h, no espaço da Arca (Avenida Manuel Bandeira, 360). Os ingressos custam de R$ 30 a 40, e a duração do circuito é de cerca de 50 minutos.

Para quem não tem carro, vai de transporte público ou de bicicleta, a organização disponibiliza carros do evento, que são higienizados a cada viagem e com motoristas protegidos por equipamentos.

Por Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil 

Prefeitura vai destinar R$ 103 milhões para artistas

A Prefeitura de São Paulo vai destinar R$ 103 milhões para apoiar os artistas da cidade em meio à crise causada pelo novo coronavírus. As medidas para restringir o contágio pela doença atingiram fortemente o setor cultural, com o cancelamento de apresentações e o fechamento de espaços culturais públicos e privados.

Festival nas janelas

Entre as ações de apoio, será criado o festival Janelas de São Paulo, inspirado nas manifestações artísticas feitas na Itália durante o período de quarentena. As apresentações feitas em varandas, sacadas ou janelas serão transmitidas pela internet.

Novos prazos

A prefeitura também adiou o prazo de todas as contratações artísticas do Executivo municipal, fazendo com que os shows impedidos no momento possam ser realizados em outras datas, garantindo o pagamento dos cachês.

A prefeitura administra, através da Secretaria Municipal de Cultura, 11 centros culturais, 18 casas de cultura e oito teatros, além do Theatro Municipal. Fora isso, há ainda a programação que acontece nas bibliotecas e museus.

O calendário de editais será antecipado. A ideia é que os grupos artísticos possam realizar a pesquisa e pré-produção durante o período de quarentena. As chamadas públicas oferecem verbas para os produtores que têm os projetos selecionados.

O prazo do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promac), que permite o apoio a iniciativas culturais a partir de incentivos fiscais será prorrogado até o dia 27 de maio.

Por Daniel Mello – Repórter da Agência Brasil 

Premiada, peça chilena será encenada na Capital

(Marcuse Xaverius)


Nos dias 7 e 8 de março, o Teatro Porto Seguro recebe o espetáculo internacional Tu Amarás, do grupo chileno Bonobo. A produção integra a programação da sétima edição da MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, que acontece de 5 a 15 de março, em diversos espaços da cidade de São Paulo e traz artistas de vários países como Alemanha, Chile, França, Portugal, Reino Unido, Suíça, entre outros.

Com o espetáculo Tu Amarás, o grupo chileno Bonobo dá continuidade a sua pesquisa sobre a violência cometida contra os “outros” em uma sociedade democrática – o título alude aos mandamentos cristãos. Nesta comédia irônica, um grupo de médicos chilenos se prepara para uma conferência internacional sobre o preconceito na medicina. O debate se torna mais complexo devido à recente chegada dos Amenitas, extraterrestres que se estabeleceram na Terra.

Incompreendidos, marginalizados e temidos, esses seres oferecem a oportunidade para que o grupo reflita sobre o amor, a violência e o ódio implícitos na relação com os “forasteiros”. A peça, que recebeu prêmios no Chile e no Japão, foi desenvolvida em residências no Espacio Checoeslovaquia, em Santiago, e no Baryshnikov Arts Center, em Nova York.

A sétima edição da MITsp tem apresentação do Ministério da Cidadania, Itaú, Secretaria Municipal de Cultura e Sesc São Paulo, realização da Olhares Instituto Cultural, ECUM Central de Produção, Itaú Cultural e correalização Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, British Council, Sesi-SP, Consulado Geral da França de São Paulo, Institut Français Paris, Pro Helvetia, Consulado Geral da República Federal da Alemanha em São Paulo, Goethe-Institut São Paulo, Cultura Inglesa, Istituto Italiano di Cultura di San Paolo; copatrocínio Porto Seguro e Veolia.

Sobre o Grupo Bonobo

Companhia de teatro fundada em 2012 pelos artistas Pablo Manzi e Andreina Olivari com o objetivo de levar ao palco novas obras que estimulem a reflexão crítica do espectador. Através de uma metodologia de criação coletiva com ênfase em pesquisa e improvisação, eles se tornaram um dos mais conceituados grupos jovens do teatro chileno. Integram seu repertório os espetáculos Amansadura (2012), Donde Viven los Bárbaros (2015) e Tu Amarás (2018), que participaram de festivais em países como Alemanha, Bélgica, Holanda, Espanha, Itália, Suécia, Japão, México, Brasil, Peru e Chile.

Serviço

TU AMARÁS (Chile)

  • Dias 7 e 8 de março – Sábado às 21h. Domingo às 20h.
  • Ingressos: Plateia: R$ 40,00 / Balcão e frisas: R$ 30,00.
  • Classificação: 16 anos.
  • Duração: 75 minutos.
  • Gênero: Drama.
  • TEATRO PORTO SEGURO
  • Al. Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos – São Paulo.

Peça ‘Café’ é atração no Centro Cultural da Diversidade

Espetáculo terá preços populares (Vinicius Santos)


Criada a partir de um poema escrito pelo dramaturgo Herácliton Caleb, “CAFÉ” é uma peça jovem que aborda as expectativas e rituais de passagem dos romances juvenis para a fase adulta, com verdade e empatia, convidando o público de todas as idades para um momento de aproximação com o universo juvenil.  

A montagem que tem direção e dramaturgia de Bruna Vilaça, e atuação de Gabriel Galante e Weslley Nascimento, busca dialogar com o público jovem de forma sincera. 

Através de uma conexão verdadeira com suas verdades e inverdades, fugindo de estereótipos e formas caricatas de se retratar a juventude, o espetáculo valoriza o jovem como protagonista de sua própria história, já que uma fatia expressiva deste público, por muito tempo, se viu pouco representada em espetáculos teatrais.

A obra adentra a vida de dois garotos que vivenciam uma trajetória romântica permeada somente por assuntos sobre café. Conflitos, inseguranças, paixões, fantasias, um misto de sensações que permeiam o período da juventude, retratadas com sensibilidade, cuidado e empatia.

“Como é se perceber e perceber o outro, em meio a este grande período de transição que a juventude representa a cada um de nós?” é uma das reflexões propostas por esta montagem cuja encenação transpassa o convencional teatro realista, misturando linguagens como artes plásticas, dança-teatro e musicalidades, facilitando a aproximação e a conexão entre a obra e o público jovem.  

CAFÉ é um convite para jovens e adultos refletirem sobre a passagem do tempo e sobre como cada um de nós lida com as mudanças inerentes a ela. A montagem marca a estreia da Companhia dos Solilóquios, que busca através do Teatro Jovem, se aproximar de temas e reflexões muito importantes e necessárias. 

Idealizada em 2018, a Companhia dos Solilóquios tem como proposta a montagem de obras inéditas, afim de contribuir com a propagação de dramaturgias exclusivamente brasileiras e de novos formatos cênicos que possuam um grande poder de comunicação com o público, partindo sempre das temáticas sociais referentes ao nosso tempo.

A montagem CAFÉ estreou no Centro Cultural São Paulo em Janeiro de 2019, onde realizou uma temporada de grande sucesso de público e repercussão na mídia. A convite da SP Escola de Teatro, realizou sua segunda temporada de Abril a Maio. Em Agosto de 2019, a Companhia dos Solilóquios arrebatou o público em uma temporada de muito sucesso no SESC 24 de Maio, encerrando sua programação do ano uma temporada de circulação pelo Programa Biblioteca Viva. Agora, o grupo realiza uma nova temporada em um dos mais novos espaços culturais da cidade: o Centro Cultural da Diversidade. 

Serviço

  • Quando: 13, 14, 15 e 16 de fevereiro de 2020 
  • Horários: Quinta-feira, sexta-feira, sábado às 21h00 / Domingo às 19h00.
  • Onde: Centro Cultural da Diversidade
  • Endereço: Rua Lopes Neto, 206 (Itaim Bibi). Próximo à estação Cidade Jardim da CPTM
  • Ingressos: R$20 (inteira) R$10 (meia)

Confira a programação do Aniversário de SP

A cidade de São Paulo completa 466 anos no dia 25 de janeiro. Para comemorar a data, a Prefeitura oferece uma grande programação cultural.

Karol Conka (Danilo Borges/Reprodução)

O Aniversário de São Paulo celebra a fundação da maior cidade da América Latina promovendo uma reflexão sobre a sua história por meio das atividades programadas para o 25 de janeiro. Estão programadas mais de 300 atividades entre shows, palestras, cinema, dança, circo, teatro, programação infantil, debates e roteiros de memória distribuídos por cerca de 150 pontos em todas as regiões da cidade. A programação de aniversário integra o Agendão, do programa São Paulo Capital da Cultura, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Entre as atividades programadas na região central, o destaque é o Grande Cortejo Modernista. Na festa da cidade cabem todos os ritmos e gêneros: da cultura indígena, passando pelo forró, pelo hip hop, pelo samba, erudito e rock, até atrações de música brasileira e carnaval.

Participam desse espetáculo itinerante a céu aberto artistas como Elba Ramalho com Bixiga 70, Karol Conka, Rashid, Ney Matogrosso, Skank, Demônios da Garoa e a bateria da escola de samba Vai-Vai. Para dar vida a personagens históricos, foram convidados atores como Pascoal da Conceição, interpretando o escritor Mário de Andrade. A Orquestra Sinfônica Municipal, o Coro Lírico, o Balé da Cidade de São Paulo e o Coral Indígena Guarani Amba Vera também integram a apresentação.

Ney Matogrosso, Elba Ramalho, Emicida e Demônios da Garoa são algumas das atrações da festa (Facebook/Reprodução)

A abertura do cortejo será no Pátio do Colégio, às 14h, e o itinerário inclui o Largo São Bento, Rua Líbero Badaró, Avenida São João, Viaduto do Chá, Praça Ramos de Azevedo – onde fica o Theatro Municipal de São Paulo -, Largo do Paiçandu, esquina das avenidas Ipiranga e São João e Praça da República. O público é convidado a percorrer pontos históricos e lugares de memória que se relacionam com a cultura brasileira em todas as suas formas.

Zona Leste

Emicida (Julia Rodrigues)

Entre as atividades descentralizadas, que acontecem nas cinco regiões da cidade, está o show de Emicida, no Palco Praça Brasil, na Zona Leste. Depois de duas apresentações que lotaram o Theatro Municipal, no ano passado, para a gravação do DVD “AmarElo”, o cantor retorna para uma apresentação ao ar livre durante o aniversário de São Paulo. O espetáculo foi o vencedor da categoria melhor show do prêmio APCA 2019. O rapper concebeu este trabalho “como quem manda cartas de amor”. No repertório, a faixa-título “Eminência Parda”, entre outras canções, além de músicas que marcam seus dez anos de carreira.

Zona Norte

Na Freguesia do Ó, Zona Norte, o tradicional grupo de forró paulistano Falamansa se apresenta às 19h com diversos sucessos que marcaram o início dos anos 2000, entre eles, “Rindo à Toa” e “Xote da Alegria”. O grupo faz ainda versões de canções conhecidas nas vozes de Luiz Gonzaga e Alceu Valença. Na sequência, sobe ao palco o grupo de forró Rastapé. Com 20 anos de carreira, a banda Rastapé, o grupo lançou recentemente as canções “Contando as Horas” e a regravação de “Vou te Levar”, música do rapper Fábio Brazza e Vulto.

Outro espaço que recebe programação neste dia é o Centro Cultural da Juventude. Um grande encontro de talentos da nova geração do rap com Drik Barbosa, Kamau e Rashid. A carreira da MC, que participou, em 2015, da música “Mandume” de Emicida, começou na Batalha do Santa Cruz, na qual desenvolveu suas habilidades no freestyle, método baseado na improvisação. Da mesma fonte, vieram também Rashid, Projota e o próprio Emicida. Uma das principais referências entre o rap clássico e o contemporâneo, Kamau é um dos principais nomes do gênero no Brasil. Rashid, que significa “justo” e “corretamente guiado” em árabe é um rapper que tem uma carreira musical recente, mas já muito sólida. Seu primeiro álbum foi lançado em 2016, mas o rapper já se tornou referência no segmento, principalmente em São Paulo, onde nasceu. Seu mais recente trabalho, “Tão Real”, é multiplataforma, com conteúdos disponíveis em podcast e também como documentários, além das faixas musicais.

Zona Oeste

No Butantã, Zona Oeste, a programação começa às 14h com o grupo Samba Rock Santo Amaro formado por alunos de uma oficina realizada na própria Casa de Cultura. Na sequência, às 15h20, o grupo “Eu soul sambarock” relembra os bailes das periferias de São Paulo desde a década de 1960. Às 16h, a banda Sandália de Prata apresenta seu novo disco, “Maloqueiro e Elegante”. O encerramento fica com a cantora Paula Lima, às 18h. Com foco no samba-rock, o repertório traz canções como “Mil estrelas” e “Meu guarda-chuva”.

Ainda na Zona Oeste, no Centro Cultural Tendal da Lapa, às 19h, o cantor Marcelo Jeneci apresenta seu novo disco, “Guaia”, voltando às origens ao homenagear o bairro em que cresceu, Guaianazes. Para apresentar o terceiro álbum, Marcelo Jeneci (voz, sanfona e teclados) sobe no palco acompanhado por Rafa Cunha (bateria e samplers). No repertório, seus maiores sucessos e as novas canções “Aí Sim”, “Oxente” e “Redenção”, entre outras.

Zona Sul

O samba dá o tom da programação do M’Boi Mirim, na Zona Sul. A partir das 18h, a programação começa com a Equipe Black Mad, grupo fundado por Mauricio Black Mad e que traz uma apresentação de dança e música em ritmos como soul music e funk. Na sequência, às 20h, será a vez de Rodriguinho, ex-vocalista do grupo Travessos, que apresenta a turnê “30 anos, 30 sucessos”. Neste show, ele relembra canções que fizeram sucesso no grupo como “Tô te filmando (Sorria)” e “Quando a gente ama”. Quem encerra as apresentações neste palco é o grupo de samba Art Popular, às 21h. Músicas como “Pimpolho” e “Fricote” estarão no repertório.