Teste do pezinho: Dia nacional reforça importância do exame

(Edilson Rodrigues/Agência Senado)

O Dia Nacional do Teste do Pezinho, celebrado em 6 de junho, foi criado no Brasil para conscientizar a população sobre a importância da realização do exame capaz de diagnosticar inúmeras doenças a partir de gotas de sangue colhidas do calcanhar do bebê entre o 3º e o 5º dia de vida.

O Teste do Pezinho é um dos exames mais importantes para detectar doenças em recém-nascidos. Ele foi inserido em 2001 quando o Ministério da Saúde criou o Programa Nacional de Triagem Neonatal.

A data chama a atenção para as doenças raras, como as Mucopolissacaridoses (MPS) e outras tantas enfermidades que podem ser diagnosticadas com o teste do pezinho ampliado, versão do exame cuja lei de implementação no Sistema Único de Saúde (SUS) foi sancionada pelo presidente da República no dia 26 de maio e agora espera a prazo de 365 dias para entrar em vigor.

Atualmente, o exame realizado no Sistema Público detecta apenas seis doenças, enquanto a versão ampliada, já disponível no sistema privado, diagnostica cerca 50 doenças, todas patologias raras. As doenças raras atingem em seu conjunto cerca de 13 milhões de pessoas no Brasil, são de difícil diagnóstico e podem afetar o desenvolvimento neurológico, físico e motor. 

A implementação do teste com a versão ampliada no SUS, que só começará a partir de maio de 2022, um ano depois da sanção do presidente, será feita de forma escalonada. Isso quer dizer que levaremos ainda alguns anos até que o exame ganhe abrangência nacional no sistema público.

A geneticista, professora da Unifesp e membro da Sociedade Brasileira de Triagem Neonatal e Erros Inatos do Metabolismo (SBTEIM), Dra. Ana Maria Martins, explica que o objetivo do teste do pezinho é detectar doenças antes delas se manifestarem, e prevenir suas graves consequências se não tratadas precocemente, por isso é feito logo no início da vida. 

Hoje o maior desafio das patologias raras é o diagnóstico, que pode tardar anos após o aparecimento dos primeiros sintomas. Já com o teste ampliando em recém-nascidos, é possível alterar o curso da doença.  

Além de influenciar no tratamento das patologias, a médica acredita que o teste do pezinho ampliado no SUS propiciará a criação de um programa escalonado e sustentável de triagem de doenças raras no Brasil, incluindo as MPS, o que pode beneficiar a aplicação de políticas públicas que atendam a esses pacientes e suas famílias.

A Casa Hunter – ONG dedicada a apoiar pacientes que possuem doenças raras, em especial a MPS Tipo II – promoverá algumas atividades para marcar o Dia Nacional do Pezinho. 

Com o apoio da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida (SMPED), a Casa Hunter fará divulgação nos relógios da cidade de São Paulo. Para ampliar o alcance da mensagem, os cartazes também estarão nos painéis digitais dos pontos de ônibus, em parceria com a empresa de Mobiliário Urbano, Ótima. 

Sarampo mata mais duas pessoas no Estado

Por Camila Bohem

(Reprodução)

Mais duas mortes por sarampo foram confirmadas hoje (25) na capital paulista, de acordo com a Secretaria de Saúde de São Paulo. As vítimas são uma mulher de 31 anos sem histórico de vacinação e um bebê do sexo masculino de 26 dias.

Até o momento, foram confirmadas cinco mortes provocadas doença no estado. No final de agosto, foram confirmadas três vítimas: um homem de 42 anos, da capital, sem histórico de imunização contra a doença, e dois bebês – uma menina de 4 meses, de Osasco, e um garoto de 9 meses, também da cidade de São Paulo.

O Centro de Vigilância Epidemiológica estadual monitora a circulação do vírus. Este ano, até o momento, 5.139 casos foram confirmados em São Paulo, sendo que, desses, 56,3% se concentram na capital, onde foram contabilizados 2.897 casos.

Segundo a secretaria, o Programa Estadual de Imunização prevê que crianças e adultos com idade entre 1 ano e 29 anos recebam duas doses da vacina contra o sarampo. Acima dessa faixa etária, até 59 anos, é preciso receber uma dose. Não há indicação para pessoas com mais de 60 anos porque considera-se que esse público potencialmente teve contato com o vírus no passado.

A recomendação para mães de crianças com idade inferior a 6 meses é evitar exposição a aglomerações, manter a higienização adequada e a ventilação de ambientes e que procurem imediatamente um serviço de saúde diante de qualquer sintoma da doença, como manchas vermelhas pelo corpo, febre, coriza, conjuntivite e manchas brancas na mucosa bucal.

Garoto vê pela 1ª vez irmão que está na UTI desde o nascimento

Por Aretha Fernandes, via Agência Pará

Igor conversa com o irmão Pedro, internado na UTI desde que nasceu (HRSP/via Agência Pará)

Foi uma longa espera até chegar o dia em que Igor, de cinco anos, conhecesse o irmão Pedro, que nasceu de 37 semanas no Hospital Regional do Sudeste do Pará – Dr. Geraldo Veloso (HRSP), em Marabá. Ainda sem previsão de alta do bebê, a unidade facilitou o encontro dos irmãos, tornando ainda mais humanizado o acolhimento dos familiares.

Ao primeiro som da voz de Igor, o caçula reagiu como se estivesse procurando o irmão que costumava conversar com ele durante a gravidez. A cena emocionou as pessoas que estavam próximas ao leito de Pedro na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica do Hospital Regional.

“O Igor estava muito ansioso para visitar o irmão, mas tínhamos a expectativa de que o Pedro recebesse logo alta. Porém, os médicos disseram que ainda não era o momento. Foi quando a equipe se mobilizou para que eles se conhecessem. O Igor não entende muito o fato de que não pode estar o tempo todo aqui no Hospital, cuidando do irmão, mas uma coisa que o deixou bem tranquilo é que ele viu que é grande e dedicada a equipe que cuida do Pedro”, afirmou a mãe do paciente, Taynara Marinho. 

Em geral, familiares menores de 12 anos não têm acesso à UTI devido à baixa imunidade, a fim de preservar a saúde do visitante. No entanto, exceções podem ocorrer para fortalecer o vínculo familiar e reduzir a ansiedade de quem está em casa à espera do paciente, como foi o caso dos irmãos Pedro e Igor, obedecendo à Política Nacional de Humanização do Sistema Único de Saúde (SUS). No Hospital Regional de Marabá, esse processo é conduzido pelas equipes do Serviço Psicossocial e da Enfermagem que avaliam fatores clínicos do paciente e o estado emocional do visitante.

A assistente social Valdejane Barros foi quem acompanhou Igor antes e depois da visita na UTI Pediátrica.

“Foi um momento único para aquela família, devido à complexidade do quadro clínico da criança internada. Então, fiz um atendimento social a fim de prepará-lo emocionalmente para aquele momento, pelo fato de ser tão pequeno, não entender a realidade com a qual ia se deparar, como máquinas, macas, barulhos e outras crianças doentes. De forma lúdica expliquei sobre a importância da higiene das mãos e o uso de equipamentos como capote e máscara, pois este é um ambiente diferenciado e que possui regras para garantir a segurança do paciente”, explicou a colaboradora. 

Sobre a Unidade – Referência em atendimento de média e alta complexidades para 22 municípios paraenses, o Hospital Regional de Marabá tem 115 leitos, sendo 77 de Unidades de Internação e 38 de Unidades de Terapia Intensiva. Possui perfil cirúrgico e habilitação em Traumato-ortopedia pelo Ministério da Saúde, oferecendo atendimento gratuito nas especialidades de Cardiologia, Cirurgia Buco-maxilo-facial,Cirurgia Plástica Reparadora, Cirurgia Pediátrica, Cirurgia Geral, Cirurgia Vascular, Clínica Médica, Fisioterapia, Infectologia, Medicina Intensiva adulto, pediátrica e neonatal, Nutrição, Obstetrícia de Alto Risco, Oftalmologia, Otorrinolaringologia, Urologia, Neurocirurgia, Terapia Ocupacional, Traumato-ortopedia, Nefrologia e Anestesiologia.

Bebês morrem vítimas de Sarampo

Por Bruno Bocchini

(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo confirmou hoje (30) mais duas mortes causadas por sarampo no estado. As vítimas foram dois bebês: uma menina de 4 meses, residente de Barueri (SP), e um garoto de 9 meses, residente da capital paulista. Em ambos os casos, os bebês começaram a apresentar sintomas de sarampo no mês de julho e desenvolveram quadro de pneumonia, uma das complicações vinculadas à doença. 

A faixa etária dos menores de um ano não faz parte do calendário nacional de vacinação e corresponde ao grupo mais vulnerável ao sarampo. A situação levou o Ministério da Saúde a passar a recomendar, desde a última semana, uma dose extra para bebês a partir de seis meses. 

De acordo com a secretaria, as mães de crianças com idade inferior a seis meses devem evitar a exposição da criança a aglomerações, manter higienização e ventilação adequada nos ambientes. “Sobretudo devem procurar imediatamente um serviço de saúde diante de qualquer sintoma da doença, como manchas vermelhas pelo corpo, febre, coriza, conjuntivite, manchas brancas na mucosa bucal”, informou a secretaria em nota.

Segundo a diretora-técnica da Divisão de Imunizações da secretaria, Helena Sato, bebês são considerados mais suscetíveis a complicações que, embora não sejam frequentes, podem estar relacionadas ao sarampo. Além da pneumonia, outra complicação possível é a encefalite.

“É fundamental que as crianças a partir dos seis [meses] já tomem a vacina contra o sarampo. Também é importante que essas crianças retornem ao posto de vacinação com um ano e ao completar um ano e três meses para garantir a proteção”, disse.

Com a confirmação da morte dos bebês, são três as mortes por sarampo em São Paulo neste ano. O primeiro óbito foi confirmado na terça-feira (28).  A vítima foi um homem de 42 anos, sem histórico de vacinação e que havia passado por uma cirurgia para retirada do baço, órgão que faz parte do sistema linfático e ajuda na defesa do organismo.

Neste ano, até o momento, houve 2.457 casos confirmados de sarampo no estado; destes, 66,6% se concentram na capital, com 1.637 casos.

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Bebês expostos ao Zica desenvolvem o cérebro após o parto, diz pesquisa

Por Akemi Nitahara

(TV Brasil/Reprodução)

Um estudo, publicado esta semana na revista científica Nature Medicin, relatou dois casos de bebês que nasceram com microcefalia associada à exposição das mães ao zika vírus durante a gravidez e que apresentaram desenvolvimento normal do cérebro após o parto.

Com 28 autores, a pesquisa, desenvolvida em parceria do Instituto Fernandes Figueira, da Fundação Oswaldo Cruz (IFF/Fiocruz) com a Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, foi publicada em forma de artigo com o título “Neurodesenvolvimento infantil tardio e alterações neurossensoriais no segundo ano de vida em um grupo de crianças expostas ao Zika vírus”, em tradução livre do inglês.

Uma das autoras do estudo, a pediatra Maria Elizabeth Moreira, pesquisadora do IFF/Fiocruz, explica que foram acompanhadas 216 mulheres grávidas que apresentaram os sintomas do zika vírus em 2016, quando o Rio de Janeiro teve surto da doença.

“As crianças são acompanhadas desde a exposição da mãe ao zika, mães que tiveram os sintomas de rash cutânea, febre. Elas fizeram o exame PCR, que detecta a patologia na fase adulta da doença. Aí, desde a gravidez, essas mães foram sendo seguidas, passando pelo nascimento dos bebês e pelo desenvolvimento dos bebês até o terceiro ano de vida, que eles estão chegando agora”.

Pesquisa

De acordo com a pesquisadora, a microcefalia associada ao zika resulta da destruição do parênquima cerebral, ou seja, da massa encefálica. “Por isso que a tábua óssea, que define o tamanho do perímetro cefálico, colapsa e a cabeça fica pequena”, explica. Entre as 216 mães que entraram no grupo do estudo, oito tiveram filhos com microcefalia.

Segundo Elizabeth Moreira, os dois bebês que apresentaram recuperação após o nascimento não tinham a destruição do parênquima cerebral, ou seja, eram casos menos graves da doença, filhos de mães que tiveram zika no final da gravidez.

“Um dos bebês era todo pequeno, tinha perímetro cefálico, peso e comprimento pequenos, porque havia uma insuficiência placentária e o bebê tinha uma restrição de crescimento intra-útero. Quando o bebê nasce e começa a receber nutrientes e estimulação adequadas, o perímetro cefálico volta a crescer, porque ele não tinha a destruição do parênquima, ele só tinha a cabeça pequenininha e era todo pequenininho”, disse.

O segundo bebê nasceu com a moleira fechada, patologia conhecida como craniosinostose, mas com o cérebro normal. “A gente sabe que o cérebro da criança cresce até mais ou menos os 3 anos de vida, por isso que a moleira nasce aberta. Se ela fecha antes do tempo, vai impedir o crescimento do cérebro embaixo. Então esse tem que passar por uma cirurgia para liberar o crescimento do cérebro e foi o que aconteceu. O bebê fez a cirurgia, abriu a tábua óssea e o cérebro, que estava normal embaixo voltou a crescer normalmente”, explica Elizabeth Moreira.

A pesquisa também mostrou que em 31,5% dos casos (68 crianças) tiveram efeitos negativos no desenvolvimento neurológico entre 7 e 32 meses de idade. Exceto as afetadas por alterações de parênquima cerebral, de 49 crianças com anormalidades logo após o nascimento, 24 delas, ou 49%, tiveram avaliações normais no segundo e terceiro anos de vida. Complicações em exames oculares foram detectados em nove de 137 crianças que fizeram o teste e dificuldades auditivas ocorreram em 13 de 114 crianças avaliadas.

Acompanhamento

De acordo com a pesquisadora, o resultado do estudo mostra a importância de fazer o acompanhamento neurológico precoce de todos os bebês, mesmo os que não apresentam microcefalia.

“A grande questão que esse estudo traz é que os bebês sem microcefalia também podem apresentar atraso no desenvolvimento, 30% deles podem apresentar isso. E o diagnóstico tem que ser feito a tempo de você poder fazer algum tipo de estimulação precoce para minimizar os problemas relacionados a atraso no desenvolvimento. Então esses bebês precisam ser seguidos periodicamente, com testes de desenvolvimento, para que você possa encaminhar precocemente à estimulação”, disse.

O IFF/Fiocruz acompanha, atualmente, um total de 87 crianças com microcefalia associada a problemas como toxoplasmose, citomegalovírus e questões genéticas, além do zika vírus.

5 museus para visitar junto com bebê e crianças pequenas

Um grande desafio para quem tem filhos, principalmente bebês ou crianças pequenas, é escolher um passeio que, além do entretenimento, também ofereça estrutura adequada, como trocadores de fraldas, acessibilidade e bancos para descanso e amamentação.

Para a administradora Roberta Magoga, levar os filhos em um passeio sempre foi um desafio. “Adoro exposições, filmes e artes, mas muitas vezes fica difícil ir com as crianças, pois nunca sei se a estrutura é adequada para eles”, conta.

Já a aposentada Ana Guimarães gosta de levar os netos para brincar e também aproveita a diversão. “Eles amam o Museu Catavento. Eu acho maravilhoso porque todos nós nos divertimos juntos”, afirma.

Para ajudar, selecionamos cinco museus que oferecem atividades especiais para famílias e também facilidades que garantem o conforto tanto dos pequenos quanto dos papais.

Confira a lista abaixo:

Museu Catavento Cultural e Educacional

(Governo do Estado de SP/Reprodução)

O Museu Catavento é um espaço educativo e interativo com diversas atrações e atividades para todas as idades. Bebês com seus pais podem participar e se divertir em espaços como a sala “Engenho”, o Borboletário e o jardim do local.

O museu tem acesso para carrinhos de bebês e também oferece bancos para descanso, trocadores para bebês nos banheiros masculinos e femininos e ambulatório para atendimento de emergências.

Museu do Futebol

(Rovena Rosa/Agência Brasil)

O Museu do Futebol possui acessibilidade em todos os espaços. Com rampas de acesso, elevadores e escadas rolantes, é possível entrar com o carrinho de bebê nas salas do Museu. O espaço também possui trocadores de fraldas nos banheiros femininos e no banheiro unissex, permitindo um passeio mais confortável e divertido com a família toda.

Pinacoteca de São Paulo

Fachada do prédio da Pinacoteca (Governo de SP/Reprodução)

A Pinacoteca de São Paulo possui o projeto PinaFamília, que é realizado sempre no segundo domingo do mês. O objetivo é estimular a visita de famílias ao museu e a apreciação artística com atividades e visitas guiadas. A Pinacoteca conta com bancos distribuídos por todo o museu, trocadores para bebês nos banheiros masculinos e femininos, acesso para carrinho de bebê e elevadores. O estacionamento é gratuito.

Museu da Casa Brasileira

Com bancos espalhados por todo o jardim, onde é possível sentar para descansar e também amamentar, o Museu da Casa Brasileira oferece acesso para carrinho de bebê e uma programação de oficinas educativas voltadas para crianças e famílias. O espaço também possui trocadores para bebês nos banheiros masculinos e femininos.

Museu da Imagem e do Som (MIS)

(Arquivo/Divulgação)

No último domingo do mês, o MIS realiza a Maratona Infantil, um dia repleto de atividades voltadas para crianças e famílias. Os visitantes podem aproveitar inúmeras atrações, como oficinas, espetáculos, contação de histórias e shows. O espaço possui trocadores para bebês nos banheiros masculinos e femininos, elevador para acesso com carrinho de bebê e bancos para descanso.

Seguradora vai dar R$ 2 mil para bebês que nascerem na virada

Por Alana Gandra, da Agência Brasil

(Arquivo/SP Agora)

Os bebês que nascerem de parto normal nas primeiras duas horas de 2019 vão receber um plano de previdência com R$ 2.019 investidos. A ação Bebês da Vidada é uma iniciativa da Icatu Seguros, e tem o objetivo de despertar a população para a importância do planejamento do futuro financeiro desde cedo.  

“A ideia é conscientizar desde o nascimento e não conscientizar só os jovens, mas as pessoas que estão voltadas ao sustento de outras que não são diretas da linha sucessória, como avós e tios, e assim por diante”, explica o superintendente da Icatu em São Paulo, Alexandre Malho.

Esse será o quinto ano consecutivo do projeto. Nos quatro primeiros anos, mais de 100 famílias foram beneficiadas. Para participar, basta a família entrar em contato com a Icatu Seguros e apresentar a certidão de nascimento do bebê.



Na virada de 2017 para 2018, 30 crianças de oito estados brasileiros foram contempladas com o plano de previdência privada gratuito com R$ 2.018 investidos.

Burocracia pode deixar bebês afetados pelo zika vírus sem remédio

Paula Laboissière/Agência Brasil

(TV Brasil/Reprodução)

A falta de definição sobre quem pagará pela aquisição do medicamento Levetiracetam está atrasando o fornecimento do remédio, indicado para o tratamento de bebês com síndrome congênita do Zika e pessoas com epilepsia. A droga foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) no final de 2017 com a proposta de melhorar a qualidade de vida de pacientes que dependem de anticonvulsivantes para inibir e controlar crises convulsivas.

Por meio de nota, o Ministério da Saúde informou que, para a oferta de medicamento aos usuários, além de definição de Protocolo Clínicos de Diretrizes Terapêuticas, é preciso que haja pactuação de financiamento na Comissão Intergestores Tripartite, onde é decidido de quem será a responsabilidade da compra. O item, segundo a pasta, está na pauta da próxima reunião, prevista para o fim do mês.

“É preciso esclarecer que o SUS já oferta medicamentos anticonvulsivantes, como o carbamazepina e o ácido valpróico, para auxiliar no tratamento da microcefalia. A aquisição desses medicamentos é de responsabilidade do gestor municipal, já que faz parte do Componente Básico da Assistência Farmacêutica”, destacou o ministério.


Pediatras brasileiros criticam investida dos EUA contra amamentação

Após investida dos Estados Unidos para mudar uma resolução da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre defesa e promoção do aleitamento materno, pediatras e entidades brasileiras criticaram a ação dos norte-americanos e sugerem posicionamento do Brasil nos fóruns internacionais em defesa da amamentação.

Na última terça-feira (10), a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou nota pública criticando a posição da delegação dos Estados Unidos na reunião de maio da OMS, em Genebra, na Suíça.

“A gente entende que a cidadania saudável começa no início da vida e o aleitamento materno faz parte dessa saúde” (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Em entrevista à Agência Brasil, o 1º vice-presidente da SBP, Clóvis Constantino, propôs reuniões entre representantes da entidade e especialistas com representantes dos ministérios da Saúde, das Relações Exteriores e do Trabalho para formular propostas que possam ser apresentadas pelo governo brasileiro nos fóruns internacionais.

“Cidadãos saudáveis significa segurança de uma nação. A gente entende que a cidadania saudável começa no início da vida e o aleitamento materno faz parte dessa saúde”, disse.

Na promoção do aleitamento materno no país, o médico defende a licença-maternidade de seis meses para trabalhadoras públicas e do setor privado, aumento no número de locais de amamentação e a ampliação da licença-paternidade.

Durante reunião, em maio, da Assembleia Mundial da Saúde, promovida pela OMS, representantes dos Estados Unidos tentaram retirar trecho de uma resolução que prevê que os países devem proteger e promover a amamentação. O texto recomenda ainda que os governos coíbam propaganda e campanhas para uso de fórmulas industrializadas em substituição ao leite materno.

De acordo com reportagem do jornal The New York Times, a investida seria a favor dos fabricantes de fórmulas infantis. Apesar da ação, os EUA não conseguiram eliminar o trecho do texto final.

A recomendação da OMS, órgão das Nações Unidas, se baseou em estudos de décadas que comprovaram que o leite materno é o alimento mais saudável para as crianças.

Brasil e aleitamento materno

A política brasileira de aleitamento materno é referência em outras partes do mundo. Segundo a gerente do Banco de Leite Humano (BLH) do Instituto Fernandes Figueira da Fundação Oswaldo Cruz (IFF/Fiocruz), Danielle Aparecida da Silva, o modelo, adotado desde os anos 80 e atualizado com frequência, é seguido por 23 países, que compõem a rede internacional de bancos de leite na América Latina, Península Ibérica, no Caribe e na África.

Nos últimos anos, técnicos da Fiocruz têm recebido estrangeiros que querem conhecer o trabalho e também foram aos países para a formação de equipes e auxiliar na implantação de bancos de leite.

Conforme a engenheira de alimentos, uma mudança que fortaleceu o aleitamento no país foi “trazer a mulher para o centro da cena”, ao deixar de ser vista apenas como a que produz o leite, mas também a que precisa de apoio e atenção, especialmente, para aquelas com filho prematuro.

O Brasil é o país com o maior número de bancos de leite (220) e de postos de coleta (195). “Os bancos de leite, mais do que tudo, são centros de promoção e apoio ao aleitamento materno, independente se for uma mãe de bebê a termo [que nasce no prazo previsto] ou de um bebê que nasceu prematuro”, afirmou Danielle Silva à Agência Brasil.

Nos bancos, o leite doado é analisado individualmente e não há mistura do alimento, o que permite oferecer diferentes tipos de leite e atender as necessidades específicas dos recém-nascidos.

Dúvidas

A especialista reconheceu que as mães ainda têm dúvidas com relação ao aleitamento materno, especialmente as de primeira viagem. “É um período em que elas têm muitas dúvidas, em que não sabem se o bebê está pegando o seio, se produz leite suficiente, se ele está satisfeito, se está chorando porque tem fome. Elas buscam a gente para solucionar estas dúvidas. A amamentação é um período em que podem existir algumas intercorrências como rachaduras no bico do seio, empedramento de leite, as mastites. As mães procuram os bancos de leite e postos de coleta justamente para solucionar esses problemas”, disse.

A Organização Mundial da Saúde preconiza que o aleitamento materno deve ser mantido, exclusivamente, por seis meses, sem dar água ou chá aos bebês, e de forma continuada até dois anos e meio. “A mãe não tem necessidade de dar outro líquido, porque o leite humano também mata a sede e a fome, além de ajudar na nutrição e no crescimento das crianças”.