Região é evacuada após vazamento de barragem no Ceará

O Ministério do Desenvolvimento Regional informou ter detectado um vazamento na barragem de Jati (CE), localizada no Eixo Norte do Projeto São Francisco. De acordo com a pasta, o vazamento ocorreu em um dos condutos da estrutura, no final da tarde de ontem (20). Segundo a assessoria de imprensa, não há registro de vítimas.

(Darlene Barbosa/SVM/via G1)

Equipes técnicas da Defesa Civil Nacional – entre eles especialistas em segurança de barragens e em gestão de riscos – já se encontram no local para avaliar a estrutura, dando início aos trabalhos de manutenção. Em nota, o ministério informou que, apesar de o vazamento ter sido contido poucas horas após a ocorrência, “existia a dificuldade de avaliação técnica da estrutura, por conta da falta de iluminação naquele momento”.

Cerca de 2 mil pessoas residentes no raio de dois quilômetros da barragem de Jati já foram evacuadas desde a noite de ontem, seguindo o Plano de Ação Emergencial (PAE) elaborado para a estrutura. As famílias foram levadas para alojamentos na região ou para casas de parentes e amigos até que sejam feitas todas as avaliações técnicas das estruturas do reservatório.

Por Pedro Peduzzi – Repórter da Agência Brasil

PMs matam garoto inocente dentro de casa, denuncia família

Tia de Mizael Fernandes da Silva, 13 anos, morto dentro de casa na região metropolitana de Fortaleza (CE), afirma que PM disparou e disse: “fiz merda, fiz merda”

Mizael Fernandes da Silva, 13 anos, foi morto dentro de casa enquanto dormia | Foto: Arquivo pessoal

Mizael Fernandes da Silva, 13 anos, sonhava em ser vaqueiro. Há pouco tempo havia ganhado seu primeiro cavalo, mas não teve a chance sequer de se fotografado com ele. Na madrugada de quarta-feira (1/7), Mizael foi executado por policiais do Cotar (Comando Tático Rural), pertencente à Polícia Militar, coordenada nesta gestão por Camilo Santana (PT), dentro de casa, em Triângulo, no Chorozinho, região metropolitana de Fortaleza. 

Em entrevista à Ponte, Lizangela Rodrigues Fernandes da Silva Nascimento, tia de Mizael, detalhou como foi a execução do menino. Ela conta que o sobrinho foi passar uns dias em sua casa para fazer um tratamento dermatológico. Tinha chegado no dia 30 de junho e depois voltaria para o interior, onde morava com o pai.

Assim que chegou em Triângulo, Mizael trocou as cascas de castanha que havia juntado para conseguir comprar seu primeiro celular. Pagou cerca de R$ 200 no aparelho. Estava animado, tirando fotos de si e da família. 

Na noite anterior, Mizael foi dormir cedo, como era de costume, já que sempre acordava às 4h da manhã para ajudar o pai na pequena fazenda. Lizangela ficou assistindo televisão, acompanhada do marido, de dois filhos, um de 12 e um de 22 anos, e um tio. 

“Mizael jantou, tomou o remédio do tratamento e foi para o quarto assistindo vídeo no YouTube no celular que ele tinha acabado de comprar. Às 19h30 passei pelo quarto e ele dormiu com o celular na mão. Continuamos assistindo TV”, relatou a tia. 

A tia conta que nunca tranca a porta da sala da casa, apenas o portão. Por volta da 1h, ouviu alguém bater com muita força no portão. Imediatamente levantou e falou que já abriria abrir. “É a polícia”, ouviu de volta. Saiu, então, acompanhada por todos que estavam acordados.

“Quando estávamos na área, que é mais ou menos a 6 metros da sala, eles já foram tirando a gente de casa. Não imaginei que precisava acordar o Mizael, porque ele estava dormindo. Perguntei o que estava acontecendo e falaram ‘você sabe já’. Meu marido respondeu que não, não sabíamos”.

“Nisso a gente pensou que eles estavam fazendo alguma abordagem na rua e alguém poderia ter pulado no nosso quintal. Mas não foi. Eles expulsaram a gente de casa e mandaram a gente ficar na calçada”, narrou Lizangela. 

Dois policiais entraram na casa, um mais alto e outro de média estatura. A tia falou que, se eles iriam revistar a casa, ela deveria entrar junto. O policial mais alto gritou “eu já não mandei você ficar lá fora, sua vagabunda?”, conta Lizangela. O policial menor disse que ela poderia entrar junto.

“Quando eu pisei na sala, eu só vi o clarão no quarto e o tiro. Aí eu falei ‘moço, você matou a criança que tava dormindo aí no quarto?’. O policial maior, que atirou, não respondeu e veio correndo, falando ‘fiz merda, fiz merda’. E me empurrou para fora. Mandaram a gente ficar mais afastado, mais ou menos 200 metros da minha casa”, descreveu.

O policial, então saiu da casa, e chamou mais três viaturas. “Ouvimos ele falando para uma das viaturas, que parecia ser um chefe dele, que ele tinha feito merda e que queria que eles colocassem outra pessoa no local, esse outro policial disse que era para ele limpar a merda dele. Três policiais ficaram apontando o fuzil para a gente na esquina da rua”.

“O policial que matou Mizael entrou de novo, limpou alguma coisa, tirou a colcha lilás da cama. Ele também levou o travesseiro e o telefone do Mizael. Até então a gente não sabia que o Mizael estava morto. Eu pensei que alguém tinha entrado no quarto e tinha matado esse bandido. Eles entraram e ficaram mais de 1 hora lá”, continuou. 

“Embolaram o corpo do Mizael, igual um porco, e colocaram dentro da viatura. Voltaram e pegaram um pano que tinha dentro do carro para limpar o sangue. Não ficou nem um tiro de sangue no chão. Levaram o edredom da cama”, detalhou. 

Depois de um tempo, os dois PMs chamaram Lizangela novamente. “O [policial] de média estatura perguntou se eu sabia da arma, que se encontrava com a pessoa, porque ele nem sabia o nome. Aí eu falei que na minha casa não tinha arma”, relata, destacando que o sobrinho não estava armado.

“Também disse que, mesmo que tivessem chamado ele, o que não aconteceu, ele não teria uma arma. O policial não disse nada, simplesmente atirou”, denunciou a tia. 

Ela conta que pediu, junto com o marido, que os policiais mostrassem a arma. “Aí eles deram uma resposta brusca e não mostraram nada. Perguntei se eles tinham tirado foto dele segurando essa arma, porque se tinha uma arma deveriam ter feito isso. Entraram sem dar explicação, mataram sem dar explicação e acabou a história”.

Os policiais, então, foram embora em alta velocidade. Não disseram para os familiares para onde levariam o corpo de Mizael. A tia decidiu ligar para a Polícia Militar e contar o que aconteceu: que havia ocorrido um homicídio dentro da casa e que a vítima era seu sobrinho, que estava dormindo.

Os policiais chegaram e Lizangela conta que pediram para ver a cena do crime. “Perguntaram por que eles tinham levado o travesseiro e a colcha da cama. Perguntaram se eu tinha limpado lá e eu falei que só tava entrando agora com ele. Não acharam nenhum vestígio de bala”, relata.

Lizangela conta que, nesse momento, um dos PMs identificou que a cena do crime havia sido adulterada. “Eu nem sabia para onde tinham levado o Mizael. Eles foram para o Hospital de Chorozinho. Nisso eu já tinha ligado para minha mãe e minha irmã e elas foram para o hospital. O PM disse que tinha acontecido um erro e uma negligência, mas que eles, da Militar, não poderiam pagar por algo que não fizeram”. 

A morte de Mizael causou diversas manifestações na região, com carreatas e queima de pneus. Em um dos atos por justiça para Mizael, um PM perguntou para a população se queriam que ele matasse mais um.

“Agora a polícia apareceu com uma arma, falaram que o Mizael já tinha feito vários homicídios, assaltos. Um menino medroso, que a gente falava que era o mais medroso da família. Mizael era uma criança muito carinhosa, brincalhona. Ele alegrava todo mundo quando chegava. Só brigávamos com ele para ele parar de ficar abraçando e beijando a gente o tempo todo”, lamentou a tia. 

‘O assassinato do Mizael não é um caso isolado’ 

À Ponte, Ana Letícia Lins, pesquisadora da Rede de Observatórios da Segurança do Ceará, argumenta que, para entender a execução de Mizael, é preciso entender o panorama que o Ceará está vivendo. A pesquisadora menciona a nota pública do Fórum Popular de Segurança Pública do Ceará, que traz dados sobre a violência no estado. Confira a nota completaBaixar

A pesquisadora destaca que houve um aumento das mortes por intervenção policial no Ceará em 2020. “De janeiro a maio, tivemos 78 mortes por intervenção policial, esse número representa 57,3% do total de mortes por intervenção policial registrado em todo o ano de 2019”.

“Apesar do isolamento social, temos vivenciado essa crescente de homicídios. Os territórios, as comunidades, as periferias em Fortaleza, região metropolitana e interior continuaram vivenciando contextos muito graves de violência, tanto pelos grupos de facção quanto pelas forças estatais. Esses acontecimentos continuaram acontecendo em paralelo com a grave crise sanitária que vivemos”, explica Lins.

Dos 1.880 assassinatos registrados de janeiro a maio de 2020, aponta a pesquisadora, 798 foram de adolescentes e jovens de 12 a 22 anos. “Esse número representa 42% do total de mortes violentas registradas durante esse período. O assassinado do Mizael não é um caso isolado”.

Lins lembra do assassinato de Juan Ferreira dos Santos, 14 anos, em setembro de 2019 quando estava dançando com amigos em uma praça no bairro Vicente Pinzón, em Fortaleza. “Na versão do PM, o tiro foi para o chão, mas a bala acertou na nuca do Juan. Esse caso não pode cair no esquecimento, essas mortes não podem sumir de vista”. 

A pesquisadora lamenta que, no caso de Mizael, o local onde mais deveria ser seguro durante o isolamento social foi o cenário de sua morte.”Ver um adolescente assassinado enquanto dormia, por um agente público, torna tudo ainda mais inaceitável”, pontua a pesquisadora. “Isso não pode ser um incidente. Não foi um erro, não foi um ponto fora da curva, a polícia tem agido com truculência nas periferias e nas comunidades. Esse caso é um exemplo disso”, afirma.

Lins critica a atuação do governo de Camilo Santana que, segundo ela, tem adotado como política de segurança pública um investimento grandioso na militarização. “É um projeto de militarização das cidades, das comunidades, da vida das pessoas, com mais controle no espaço urbano. É por isso que esse caso não é uma exceção”, critica.

“Os assassinatos do Juan e do Mizael não geraram constrangimento do poder público. Você não tem um posicionamento público do governador. Não existe um constrangimento mesmo com o relato dos familiares. O que também não existe é uma comoção social em cima desses casos”, finaliza.

Outro lado

Segundo informações do jornal Diário do Nordeste, a polícia relatou que o adolescente estava armado e foi baleado por não obedecer a ordem para soltar o revólver. Os policiais da Cotar que estiveram na ocorrência informaram que estavam atrás de uma “pessoa responsável por vários crimes na região, como furto, homicídio e assaltos”.

De acordo com a polícia, eles teriam recebido informações da suposta localização do suspeito e, então, os agentes foram até a casa onde estava Mizael. Os agentes teriam, então, sido recebidos na porta por um casal e dois jovens que negaram haver mais alguém dentro do imóvel. Entretanto, ao entrar no local e realizar buscas, os PMs encontraram o adolescente com um revólver dentro do quarto. 

Ainda de acordo como jornal local, a SSPDS (Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social) informou, por meio de nota, que Mizael Fernandes da Silva, sem antecedentes criminais, foi morto a tiros por intervenção da polícia e que inquérito foi instaurado na Delegacia Municipal de Eusébio, unidade plantonista, e transferido pra Chorozinho, que apura as circunstâncias do homicídio. 

Ponte acionou as assessorias da SSPDS, da Polícia Civil e da Polícia Militar para questionar se havia mandado de busca para a ação, como o caso foi registrado na delegacia e se o caso está sendo investigado, mas não obteve retorno até o momento de publicação.

Por Caê Vasconcelos – Repórter da Ponte

Covid-19: Norte e Nordeste vão receber respiradores e outros insumos

Equipamentos são carregados na Base Aérea de São Paulo (FAB/Reprodução)

A Força Aérea Brasileira (FAB) transporta hoje (10) 30 respiradores para Fortaleza. Segundo a FAB, a aeronave C-105 leva 1,5 tonelada em equipamentos. A previsão é que a aeronave, que parte de Guarulhos (SP), chegue à capital do Ceará às 20h50. Mais 20 respiradores serão entregues em Manaus (AM) e dez em Macapá (AP).

Segundo o Ministério da Saúde, as três capitais têm necessidade de ampliar urgentemente o número de leitos de tratamento intensivo para atender os infectados pelo novo coronavírus. O respirador é um equipamento essencial para tratar pessoas infectadas com o vírus e que apresentam o sintoma mais grave da doença, a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).

De acordo com o ministério, o Ceará é um dos quatro estados que podem estar entrando numa fase de aceleração descontrolada da pandemia. O Amazonas também está nessa lista. Os outros estados são Rio de Janeiro e São Paulo, além do Distrito Federal.

No boletim divulgado ontem (9) pela pasta, o Ceará é o estado da Região Nordeste com mais casos registrados. São 1.291 contaminações confirmadas e 43 mortes. O segundo estado da região com mais contaminações é a Bahia, com 497 casos. Na Região Norte, o Amazonas também se destaca em número de infecções. São 899 casos confirmados e 40 óbitos.



Os respiradores que seguem para Manaus ficarão instalados em leitos do Hospital Delphina Abdel Aziz, na zona norte da cidade. Na capital do Amapá, os equipamentos irão para a Maternidade Dra. Euclélia Américo, também na zona norte.

O Brasil tem encontrado dificuldades para importar respiradores. Segundo informou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, nesta semana, uma empresa chinesa que estaria responsável pela entrega de 15 mil unidades de respiradores mecânicos não deu garantias de que fará a entrega. No início do mês, o governo da Bahia acusou os Estados Unidos de reter em Miami um carregamento de respiradores que haviam sido comprados pelo estado de uma empresa chinesa. A empresa cancelou a venda.

Por Marcelo Brandão – Repórter da Agência Brasil 

Governo prorroga presença do Exército no Ceará

Juazeiro do Norte: Exército patrulha região do Cariri, no Ceará (Exército/Reprodução)


O governo federal decidiu prorrogar por mais setes dias a presença dos militares das Forças Armadas no Ceará para reforçar a segurança pública no estado. No último dia 20, o presidente Jair Bolsonaro decretou a operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) pelo período de 20 a 28 de fevereiro.

A extensão desse prazo foi definida hoje (28) em reunião no Palácio do Planalto entre o presidente e os ministros da Casa Civil, Walter Braga Netto; da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro; da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos; do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno; e da Advocacia-Geral da União, André Medonça.

Em nota, o presidente Jair Bolsonaro disse esperar que o impasse entre a Polícia Militar do Ceará e o governo do estado seja resolvido. Ele também voltou a defender a aprovação do projeto de lei que flexibiliza o conceito de excludente de ilicitude para agentes de segurança durante operações desse tipo. 

“O governo federal, por sua vez, autoriza a prorrogação e entende que, no prazo de até o dia 6 de março, a situação deva ser normalizada, prevalecendo o bom senso. O governo federal avalia que se trata de uma negociação do estado, entretanto, continua prestando seus esforços de ajuda à população. Ressalta-se a importância de que o Congresso Nacional reconheça que, o emprego da GLO, dada a necessidade de segurança aos integrantes das forças, muitos deles jovens soldados com cerca de 20 anos de idade, discuta e vote o excludente de ilicitude”, publicou.

Na segunda-feira (24), uma comitiva integrada pelos ministros Sergio Moro, Fernando Azevedo e André Mendonça visitou o estado e se reuniu com diversas autoridades locais . Além dos militares, policiais rodoviários federais e a Força Nacional também atuam na segurança ostensiva no estado, a pedido do governo cearense.

As medidas foram adotadas após a paralisação de policiais militares, que estão amotinados em quartéis e batalhões reivindicando melhores condições de trabalho e reajuste salarial. O motim começou no dia 18 e, desde então, ao menos 170 pessoas foram assassinadas no Ceará, entre homicídios dolosos (quando há intenção de matar), feminicídios e latrocínios (furto seguido de morte).

Legalmente, policiais militares são proibidos de fazer greve, motivo pelo qual os protestos da categoria são classificados como motim.

Ontem (27), durante sua live semanal no Facebook , Bolsonaro disse que cabe ao governador do Ceará resolver o impasse com a Polícia Militar do estado e ressaltou que o uso da GLO deve ser apenas emergencial.

Na quarta-feira (26), o Ministério Público do Ceará (MP-CE) sugeriu e foi criada uma comissãopara buscar uma solução que ponha fim à paralisação dos policiais. O grupo é formado por integrantes de cada um dos três poderes do estado, com a participação do MP-CE e acompanhamento do Exército Brasileiro.


*Colaborou Pedro Rafael Vilela

Bolsonaro pede serenidade e diz respeitar Poderes

Presidente da República, Jair Bolsonaro (Reprodução)


O presidente Jair Bolsonaro afirmou hoje (27), durante sua live semanal no Facebook, que não está estimulando protestos contra o Congresso Nacional e o Judiciário, e pediu “serenidade” e “responsabilidade”. Ele refutou informações, veiculadas nos últimos dias, pela imprensa, de que estaria apoiando atos previstos para o próximo dia 15 de março, e que teriam, entre as pautas anunciadas, de acordo com as notícias, pedidos de fechamento do Legislativo e do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Eu não vi nenhum presidente de Poder falar sobre essa questão do dia 15, que eu estaria estimulando um movimento contra o Congresso e contra o Judiciário, não existe isso. Não falaram porque não existe isso. Agora, nós não podemos nos envenenar com essa mídia podre que nós temos aí, em grande parte, podre que nós temos ai. Eu apelo a todo mundo, serenidade, patriotismo, responsabilidade, verdade. Nós podemos mudar o destino do Brasil. Não vou falar bem do meu governo, você que julga na ponta da linha. Pode ter certeza que, cada vez mais, os chefes de Poderes vão se ajustando, porque a nossa união, são quatro homens, quanto mais ajustados nós tivermos, nós juntos podemos fazer um Brasil melhor para 210 milhões de pessoas”, afirmou.

Bolsonaro disse que respeita os Poderes e que quer ver os projetos enviados pelo governo sendo votados no Congresso Nacional. Segundo ele, como boa parte das suas iniciativas depende do Legislativo, ele acaba sendo cobrado pela população mais do que os parlamentares. “Não existe qualquer crítica a Poderes, agora eu tenho que dar uma satisfação porque na ponta da linha o povo cobra muito mais de mim do que do Legislativo ou do Judiciário”.

GLO no Ceará

Militares fazem patrulhamento em ruas da capital do Estado (Exército/Reprodução)

Sobre o decreto de Garantia da Lei e da Ordem no Ceará, que expira amanhã (28), Bolsonaro afirmou que cabe ao governador do estado resolver o impasse com a Polícia Militar cearense, e ressaltou que o uso da medida deve ser apenas emergencial. Ele aproveitou para pedir apoio de governadores e do Congresso na aprovação do projeto de lei que flexibiliza o conceito de excludente de ilicitude para agentes de segurança durante operações desse tipo. “O que eu pretendo do Parlamento brasileiro, para eu poder ter tranquilidade para assinar GLO, porque nesse momento eu não tenho tranquilidade, nós queremos atender os governadores, mas os governadores tem que ter ciência de que precisam nos apoiar para que o parlamento vote o excludente de ilicitude.”

Na segunda-feira (24), uma comitiva integrada pelos ministros da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro,  da Defesa, Fernando Azevedo, e da Advocacia-Geral da União, André Mendonça, visitou o estado e se reuniu com diversas autoridades locais. Além dos militares, policiais rodoviários federais e a Força Nacional também atuam na segurança ostensiva no estado, a pedido do governo cearense.

As medidas foram adotadas após a paralisação de policiais militares, que estão amotinados em quartéis e batalhões reivindicando melhores condições de trabalho e reajuste salarial. O motim começou no dia 18 e, desde então, ao menos 170 pessoas foram assassinadas no Ceará, entre homicídios dolosos (quando há intenção de matar), feminicídios e latrocínios (furto seguido de morte).

Legalmente, policiais militares são proibidos de fazer greve, motivo pelo qual os protestos da categoria são classificados como motim. No dia 21, o governo cearense instaurou inquéritos e afastou por 120 dias 167 policiais militares que participam da paralisação. Os agentes devem entregar identificações funcionais, distintivos, armas, algemas, além de quaisquer outros itens que os caracterizem nas suas unidades e ficarão fora da folha de pagamento a partir deste mês de fevereiro.

Por Pedro Rafael Vilela – Repórter da Agência Brasil 

Dois apostadores vão dividir prêmio da Mega-sena

Mega-Sena: brasileiros contam com a sorte para ganhar R$ 170 milhões


Duas apostas acertaram as seis dezenas do Concurso 2.237 da Mega-Sena e vão dividir um prêmio de R$ 200 milhões. É a primeira vez que a Mega tem um vencedor em 2020. Um dos acertadores fez a aposta em Rio Branco (AC) e o outro em Fortaleza (CE).

Os números sorteados foram 11, 20, 27, 28, 53 e 60. A quina teve 263 apostas ganhadoras e cada uma vai receber R$ 44.509,85. A quadra 15.054 teve ganhadores, sendo que cada aposta receberá R$ 1.110,86.

O próximo concurso será sorteado no sábado (29), com um prêmio estimado de R$ 3 milhões.

As apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília) em qualquer casa lotérica credenciada pela Caixa, em todo o país. A cartela, com seis dezenas marcadas, custa R$ 4,50.

Comissão vai intermediar fim do motim de PMs no Ceará

Militares fazem patrulhamento em ruas da capital do Estado (Exército/Reprodução)


Uma comissão para buscar uma solução que ponha fim à paralisação de parte dos policiais militares do Ceará foi definida nesta quarta-feira (26). Os nomes foram definidos após uma reunião na sede do Ministério Público do Estado (MPCE), que sugeriu a criação do grupo. Além do procurador-geral do estado, Juvêncio Viana, farão parte da comissão, o deputado estadual Evandro Leitão (PDT), o corregedor-geral, desembargador Teodoro Silva Santos e o procurador-geral de Justiça, Manuel Pinheiro.

Conversa

Pelo twitter, o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, deputado José Sarto (PDT-CE), afirmou que “a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-CE) buscará interlocutores com o movimento”. A avaliação das autoridades é de que há necessidade de abrir canal de conversa com os policiais, mas sem recuar de punições já determinadas pelo comando da Polícia Militar. 

A comissão também não deverá negociar os termos da proposta de reajuste que já havia apresentada pelo governo do estado e, segundo o governador Camilo Santana, havia sido negociada e aceita por dirigentes de associações de militares e parlamentares ligados à categoria. O soldo de um soldado, hoje de R$3,2 mil, passaria a ser R$ 4,5 mil até o final de 2022.

Assassinatos

Até a meia-noite às 23h59 de segunda-feira (24), ao menos 170 pessoas foram assassinadas no Ceará desde o início do motim, no último dia 19. Os registros abrangem homicídios dolosos (quando o assassino age com a intenção de matar), feminicídios e latrocínios (furto seguido de morte).

Procurada pela Agência Brasil, a assessoria da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Ceará disse que, por uma questão de “estratégia de segurança”, não divulgará mais balanços de mortes durante o motim que hoje completa nove dias.

Com mais 23 mortes, Ceará tem 170 assassinatos durante greve de PMs

(Aline Freires/Governo do Ceará)

Ao menos 170 pessoas foram assassinadas em apenas uma semana, no Ceará. Dados divulgados hoje (25), pela secretaria estadual da Segurança Pública e Defesa Social, revelam que o número de homicídios dolosos (quando o assassino age com a intenção de matar), feminicídios e latrocínios (furto seguido de morte) deu um salto depois que parte dos policiais militares cearenses deflagaram um motim que entra hoje em seu oitavo dia. A categoria, incluindo policiais que continuam trabalhando normalmente, rejeita a proposta de reajuste salarial apresentada pelo governo estadual e cobra melhores condições de trabalho.

Só ontem (24), foram registrados 23 Crimes Violentos Letais Intencionais no estado. Número quase sete vezes maior que os três assassinatos registrados na segunda-feira (17) anterior, véspera do início do motim que já produziu cenas de PMs ocupando unidades militares, homens mascarados esvaziando pneus de viaturas e determinando que comerciantes fechassem estabelecimentos comerciais. Em Sobral, o senador licenciado Cid Gomes (PDT-CE) foi baleado na última quarta-feira (19), ao usar uma retroescavadeira para tentar desocupar um batalhão da PM tomado por policiais.

A secretaria vem divulgando o número de crimes registrados dia após dia, ao longo da última semana, para demonstrar o impacto do motim policial. Na terça-feira (18), dia em que teve início os protestos militares, foram registrados cinco assassinatos – dois a mais que na véspera. Já na quarta-feira (19), o número de ocorrências saltou para 29. Na quinta-feira (20) foram 22 registros. Na sexta-feira (21), houve o maior número de vítimas até o momento: 37. A partir daí, os ocorrências diárias passaram a cair: no sábado (22) foram 34; no domingo (23), 25, e, ontem, 23 casos.

Legalmente, policiais militares são proibidos de fazer greve, motivo pelo qual os protestos da categoria são classificados como motim. Na sexta-feira (21), o governo cearense afastou por 120 dias 167 policiais militares que participam da paralisação. Os agentes deverão entregar identificações funcionais, distintivos, armas, algemas, além de quaisquer outros itens que os caracterizem nas suas unidades e ficarão fora da folha de pagamento a partir deste mês de fevereiro.

Os inquéritos militares instaurados contra os agentes afastados serão julgados pela Justiça Militar. Já os procedimentos administrativos disciplinares serão realizados pela Controladoria-Geral de Disciplina (CGD) da própria Polícia Militar.

A pedido do governo cearense, mais de uma centena de policiais da Força Nacional desembarcaram em Fortaleza na última quinta-feira para reforçar a segurança. No mesmo dia, o presidente Jair Bolsonaro autorizou o emprego de até 2,5 mil militares das Forças Armadas no estado. O decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União e vale pelo período de 20 a 28 de fevereiro, prazo que pode ser prorrogado. Policiais rodoviários federais também reforçarão o patrulhamento ostensivo.

Ontem, uma comitiva integrada pelos ministros da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, da Defesa, Fernando Azevedo, e da Advocacia-Geral da União (AGU), André Mendonça, visitou o estado. Ao conversar com jornalistas, Moro disse que a situação está sob controle e que espera que a paralisação de parte dos policiais militares do estado seja resolvida brevemente.

Por Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil

Após levar dois tiros, Cid Gomes deixa hospital

Cid Gomes ao lado do médico que o atendeu em Sobral, interior do Ceará, onde os tiros aconteceram (Rede Social/Reprodução)

O senador licenciado Cid Gomes (PDT-CE) deixou o Hospital Klinikum, em Fortaleza, na manhã de hoje (23). Gomes foi baleado na última quarta-feira (19), ao usar uma retroescavadeira para tentar entrar em um batalhão da Polícia Militar ocupado por PMs amotinados.

Em nota divulgada nas redes sociais, assessores informam que Gomes deixou o hospital no fim da manhã e foi para sua residência, na capital cearense, onde continuará realizando fisioterapia respiratória. O senador licenciado também terá que continuar tomando os medicamentos recomendados para evitar uma infecção bacteriana e auxiliar no reestabelecimento da função pulmonar.

Ainda na nota, os assessores informam que os exames clínicos confirmaram dois projéteis alojados em seu tórax, um ao lado de uma costela e outro no pulmão esquerdo. A princípio, Gomes não deve ser submetido a novos procedimentos cirúrgicos para a retirada desses projéteis.

O Núcleo de Homicídios da Delegacia Regional de Sobral instaurou inquérito para investigar os tiros disparados contra o senador licenciado. De acordo com a secretaria estadual de Segurança Pública, a Polícia Civil vai atuar em conjunto com a Polícia Federal (PF) na investigação.

Logo após ser baleado, Gomes foi levado para o Hospital do Coração de Sobral, instituição filantrópica administrada pela Santa Casa de Misericórdia de Sobral, onde foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e submetido a exames de tomografia que apontaram que os tiros não causaram nenhuma alteração neurológica ou cardíaca na vítima. Na quinta-feira (20), Gomes recebeu alta da UTI e foi transferido para o hospital particular Klinikum.

Cid Gomes está licenciado do Senado, sem pagamento de salário, desde o início de dezembro, para resolver assuntos particulares. A licença do senador do PDT do Ceará é de 120 dias. Durante esse período, Prisco Bezerra (PDT-CE) o substitui no Senado.

Por Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil

Greve da PM: Forças Armadas patrulham capital do Ceará

Forças Armadas foram enviadas pelo Presidente Jair Bolsonaro para policiamento das ruas (Aline Freires/Governo do Ceará)

Os militares das Forças Armadas já atuam no policiamento nas ruas e avenidas de Fortaleza. A presença de tropas federais foi uma solicitação do governador Camilo Santana ao governo federal, que decretou a Garantia da Lei e da Ordem (GLO) no Ceará.

“Acabo de receber telefonema do ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República, general Luiz Eduardo Ramos, informando que o presidente acaba de atender a nossa solicitação autorizando o emprego das Forças Armadas para a Garantia da Lei e da Ordem (GLO) no Estado do Ceará”, publicou em suas redes sociais o governador.

Segundo Camilo Santana, a solicitação foi feita por meio do ofício nº 58/2020. “Já havia sido autorizada também a presença da Força Nacional, aqui no estado, para atuar em conjunto com nossas forças de segurança. Todo o esforço será feito para garantir a proteção dos nossos irmãos e irmãs cearenses. Agradeço ao presidente Jair Bolsonaro pelo apoio do governo federal neste momento”.

A GLO foi estabelecida em cumprimento ao Decreto nº 10.251, de 20 de fevereiro de 2020, envolvendo o emprego de efetivos das Forças Armadas e dos órgãos de segurança pública federais, estaduais e municipais, segundo nota do Ministério da Defesa.

“A operação tem por finalidade a preservação da ordem pública e a incolumidade das pessoas e do patrimônio, contribuindo para o restabelecimento das condições de normalidade no Estado do Ceará, com foco no município de Fortaleza. Por meio de atividades de patrulhamento ostensivo, com revista de veículos e pessoas, e utilização das medidas necessárias para o êxito da operação”, informou o ministério.

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Ceará disse, por meio de nota, que tem priorizado as ações na proteção da população cearense para “restabelecer a ordem pública evitando atos de vandalismo e outras condutas de insubordinação por parte de militares no Ceará”. Até o momento, quatro policiais militares estão presos e vão responder por atos criminosos.

Inquéritos

A Polícia Civil informou que até essa quinta-feira (20), pelo menos 300 Inquéritos Policial Militar (IPM) haviam sindo instaurados na Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário para investigar atos de indisciplina e vandalismo. “Todos os investigados sofrerão as punições previstas em lei e serão excluídos da folha de pagamento deste mês pela Secretaria de Planejamento e Gestão. Os militares que abandonarem o serviço sofrerão as mesmas sanções”.

Carnaval

Algumas cidades do ceará, entre elas, Milagres, Forquilha, Canindé e Paracuru, as prefeituras anunciaram a suspensão dos eventos carnavalescos. Os prefeitos alegam a falta de segurança por causa da paralisação dos policiais militares.