Acusados são absolvidos de chacina em Osasco e Barueri

Ex-PM e ex-GCM eram acusados por 17 mortes

Os sete integrantes do júri popular absolveram hoje (26) o ex-policial militar Victor Cristilder dos Santos e o guarda civil Sérgio Manhanhã da acusação de participar, em 13 de agosto de 2015, da chacina de Osasco e Barueri, em que 17 pessoas foram assassinadas. Um mandado de soltura já foi emitido pela juíza Élia Kinosita Bulman.

O julgamento, que começou na segunda-feira (22), terminou hoje (26), por volta das 15h20, depois que o Conselho de Sentença, formado por sete jurados, decidiu pela absolvição dos réus.

Esta foi a segunda vez que os dois réus foram julgados pela chacina. No primeiro julgamento, eles foram condenados, recorreram da decisão e solicitaram novo júri.O pedido foi atendido, mas a prisão de ambos foi mantida. Agora, com a absolvição, os dois serão soltos.

Ontem (25), os dois réus foram interrogados individualmente. Logo depois, foram realizados os debates: a acusação, formada pelo Ministério Público e a Defensoria Pública, e o advogado de defesa tiveram prazo de duas horas e meia para apresentar suas argumentações.

Na manhã de hoje, em réplica, os representantes do Ministério Público e da Defensoria falaram por mais duas horas, e o advogado de defesa teve duas horas para a tréplica. Só então o Conselho de Sentença se reuniu para dar o veredito.

A decisão dos sete jurados pela absolvição dos dois acusados de participar da chacina não pode mais ser revista, informou o promotor Marcelo Oliveira, responsável pela acusação. Em entrevista a jornalistas, após o julgamento, o promotor disse que não cabe recurso à decisão. “Não cabe recurso. O ordenamento jurídico nosso não permite esse tipo de apelação por uma segunda vez. Está acabado, terminou”, disse ele, lamentando o resultado.

Acusação

(Reprodução)

O Ministério Público sustentou que as 17 mortes foram uma vingança pelo assassinato de um policial militar e de um guarda civil, dias antes. De acordo com a acusação, os agentes de segurança se reuniram e decidiram fazer uma chacina para vingar as mortes.

Para a acusação, por meio de mensagens no celular, Cristilder combinou com Manhanhã o início do horário da chacina, dirigiu um dos carros usados na chacina e disparou contra as vítimas.

Histórico

No primeiro julgamento, ocorrido em setembro de 2017, Manhanhã e mais dois ex-policiais militares, Fabrício Emmanuel Eleutério e Thiago Barbosa Henklain, foram condenados pelo crime.

Eleutério foi condenado à pena de 255 anos, 7 meses e 10 dias de prisão. A sentença de Henklain foi de 247 anos, 7 meses e 10 dias e de Sérgio Manhanhã , de 100 anos e 10 meses. Segundo a acusação, Manhanhã agiu para desviar viaturas dos locais onde os crimes ocorreram. Ele foi denunciado por 11 mortes.

Já Cristilder foi julgado à parte, em março de 2018. Ele foi acusado por oito mortes e também por tentativa de homicídio. O tribunal do júri,naquela ocasião, condenou o ex-policial a 119 anos, 4 meses e 4 dias de reclusão, em regime inicialmente fechado.

Por Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil 

Chacina em Osasco e Barueri: Júri de ex-PM e ex-GCM entra no segundo dia

O júri popular do ex-policial militar Victor Cristilder dos Santos e o guarda-civil municipal Sérgio Manhanhã, acusados de participar da chacina de Osasco e Barueri, em 2015, entra hoje (23) no segundo dia. Ontem (22), seis testemunhas foram ouvidas, no primeiro dia de julgamento. Os dois réus já foram condenados no primeiro julgamento do caso, mas recorreram e solicitaram novo júri.

Tanto acusação quanto defesa solicitaram ouvir em depoimento 40 testemunhas do caso. A acusação, feita pelo Ministério Público e pela Defensoria Pública, encaminhou uma lista de 20 testemunhas ao júri popular, enquanto a defesa requisitou 16. Além disso, tanto acusação quanto defesa pediram a presença de quatro testemunhas comuns. No primeiro dia de julgamento, porém, acusação e defesa abriram mão do depoimento de 16 testemunhas. Portanto, ao todo, serão ouvidas 24 pessoas.

Entre as seis testemunhas ouvidas ontem estão dois delegados, dois sobreviventes da chacina, o filho de uma vítima e um capitão da Polícia Militar.

O julgamento

Sete jurados vão decidir se os dois réus são culpados da acusação de participar das 17 mortes ocorridas no dia 13 de agosto de 2015 nas chacinas de Osasco e de Barueri.

A previsão é que o julgamento dure cerca de cinco dias.

Por causa da pandemia do novo coronavírus, o julgamento não terá presença de público. Apesar disso, na manhã de ontem, parentes e amigos das vítimas fizeram uma vigília e levaram faixas com fotos dos mortos nas chacinas à porta do Fórum para clamar por justiça.

A acusação

(Reprodução)

Segundo o Ministério Público, as 17 mortes teriam sido uma vingança pelo assassinato, dias antes, de um policial militar e de um guarda-civil. De acordo com a acusação, os agentes de segurança se reuniram e decidiram fazer uma chacina para vingar as mortes.

Para a acusação, o policial Cristilder, como é mais conhecido, teria combinado com o guarda municipal o início do horário da chacina por meio de mensagens no celular. Além disso, ele teria dirigido um dos carros usados na chacina e feito disparos com armas de fogo contra as vítimas. Ele foi acusado por oito mortes e também por tentativa de homicídio.

Histórico

Cristilder e Manhanhã foram condenados no primeiro julgamento do caso, mas os advogados recorreram, e três desembargadores do Tribunal de Justiça decidiram por um novo julgamento, que começou hoje. Os acusados continuam presos.

O primeiro julgamento foi desmembrado em duas partes. Em setembro de 2017, os sete sorteados para o júri popular condenaram Fabrício Emmanuel Eleutério e Thiago Barbosa Henklain, além do guarda-civil Sérgio Manhanhã.

Eleutério foi condenado à pena de 255 anos, 7 meses e 10 dias de prisão e Henklain, a 247 anos, 7 meses e 10 dias. Manhanhã foi condenado a 100 anos e 10 meses.

Os dois policiais foram acusados de atirar nas vítimas e respondiam por todas as mortes e tentativas de assassinato. O guarda-civil, segundo a acusação, atuou para desviar viaturas dos locais onde os crimes ocorreriam e foi denunciado por 11 mortes.

Na segunda parte do julgamento, ocorrida em março de 2018, Cristilder foi acusado por oito mortes e também por tentativa de homicídio. O tribunal do júri condenou o ex-policial a 119 anos, 4 meses e 4 dias em reclusão em regime inicialmente fechado.

*com Agência Brasil

Réus da chacina de Osasco e Barueri voltam a ser julgados

(Reprodução)

O julgamento de dois réus acusados de terem participado das chacinas de Osasco e Barueri, na Grande São Paulo, tem início às 10h de amanhã (22). Dezessete pessoas foram assassinadas e sete ficaram feridas nas chacinas, ocorridas no dia 13 de agosto de 2015. Os assassinatos teriam ocorrido, segundo a acusação, para vingar as mortes de um policial militar e de um guarda civil metropolitano, que haviam sido assassinados dias antes.

Serão julgados o ex-policial militar Victor Cristilder e o guarda civil municipal Sérgio Manhanhã, que estão presos. Eles foram julgados e condenados no primeiro julgamento do caso, mas suas defesas recorreram e três desembargadores do Tribunal de Justiça decidiram, então, determinar um novo julgamento. Os acusados seguem presos. 

A previsão do Tribunal de Justiça é de que o julgamento dure cerca de cinco dias.  Ele será realizado no Fórum de Osasco e será fechado ao público. Do lado de fora, às 9h30 da manhã, as famílias das vítimas da chacina vão fazer uma vigília pedindo por justiça.

Histórico

A acusação do Ministério Público diz que o ex-policial Cristilder, como é mais conhecido, teria combinado com o guarda municipal Sérgio Manhanhã sobre o início do horário da chacina por meio de mensagens no celular. Além disso, ele teria dirigido um dos carros utilizados no evento e efetuado disparos com armas de fogo contra as vítimas. Ele foi acusado por oito mortes e também por tentativa de homicídio. Em março de 2018, em um julgamento separado, o tribunal do júri condenou Cristilder a 119 anos, 4 meses e 4 dias em reclusão em regime inicialmente fechado. 

Já Manhanhã foi julgado em setembro de 2017, junto com os ex-policiais militares Fabrício Emmanuel Eleutério e Thiago Barbosa Henklain. Nesse julgamento, Fabrício Emmanuel Eleutério foi condenado a pena de 255 anos, 7 meses e 10 dias de prisão. Thiago Barbosa Henklain recebeu sentença de 247 anos, 7 meses e 10 dias. Já o guarda-civil Sérgio Manhanhã foi condenado a 100 anos e 10 meses.

Eleutério e Henklain foram acusados de terem disparado contra as vítimas e respondiam por todas as mortes e tentativas de assassinato. Já o guarda-civil, segundo a acusação, teria atuado para desviar viaturas dos locais onde os crimes ocorreriam e foi denunciado por 11 mortes. Eles responderam por homicídio qualificado, por motivo torpe, com emprego de recurso que dificulta as perdas das vítimas e praticado por grupo de extermínio, além de responderem pelo crime de formação de quadrilha.

Expulsão

Cristilder foi expulso da Polícia Militar em julho de 2019, junto com Henklain e Eleutério. Segundo o Diário Oficial de São Paulo, publicado no dia 20 de julho de 2019, os três policias cometeram “atos atentatórios à instituição, ao estado, aos direitos humanos fundamentais e desonrosos, consubstanciando transgressão disciplinar de natureza grave”. A corporação não confirmou se a expulsão teve relação com a participação nas chacinas de Osasco e de Barueri.

Por Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil 

Polícia prende dois suspeitos de envolvimento em chacina

A Polícia Civil de São Paulo prendeu dois homens suspeitos de participação em uma chacina ocorrida em julho em uma oficina na zona leste da capital paulista. Foram presos, na tarde desta quarta-feira (2), um empresário, de 56 anos, e um funileiro, de 54 anos. 

Na noite de 15 de julho, quatro homens que trabalhavam em uma funilaria na zona leste da cidade foram mortos por disparos de armas de fogo. As vítimas eram dois sócios da oficina e dois sobrinhos de um dos sócios, todos com idade entre 30 e 45 anos.

Segundo a apuração da polícia, os homicídios foram motivados por disputas relacionadas a indenizações trabalhistas.

O empresário e o funileiro tiveram prisão temporária de 30 dias decretada pelo Poder Judiciário e deverão responder por homicídio qualificado.

Por Bruno Bocchini – Repórter da Agência Brasil 

Antes de matar três, homens se identificam como policiais

Vítimas estavam em volta de fogueira em Embu Guaçu (SP): três foram mortos e dois ficaram feridos; um suspeito foi preso

Edilson (à esq.), Vinícius (meio) e Ricardo (à dir.) morreram na chacina | Foto: Reprodução/Facebook

Em frente a um terreno gramado, com duas construções antigas abandonadas, um grupo de oito a dez pessoas conversava. Estavam em frente a uma fogueira por volta das 23h30 de segunda-feira (29/6). Ali, na rua Pedro de Moraes, em Embu Guaçu, na Grande SP, dois homens armados chegaram e atiraram. Três pessoas morreram e duas ficaram feridas na chacina. Um suspeito de participar do ataque foi preso no final da tarde desta terça-feira (30/6), mas a motivação do crime ainda é desconhecida.

É comum os moradores de uma comunidade do outro lado da rua permanecerem no local. Naquela noite, os amigos Edilson da Silva Rosa, 21 anos, Vinícius Fernando Correia Inocêncio, 20, e Ricardo Davi Correia Inocêncio, todos negros, os dois últimos irmãos, conversavam quando a dupla armada chegou e anunciou. “Polícia! Para o chão!”. Edilson duvidou: “Você não é polícia nada”. Em resposta, levou um tiro na cabeça. 

Segundo o boletim de ocorrência, testemunhas descreveram o atirador como um homem branco, forte, com 1,75 m de altura, barba clara, cabelo enrolado e curto, vestindo camisa social branca e calça azul moletom. Ele usava uma arma curta, estilo pistola.

O ataque continuou e, além dos tiros de pistola, uma arma de cano longo, não identificada pelos sobreviventes, foi utilizada na ação. O outro homem, descrito como magro, com cerca de 1,80 m, cabelo liso, olho claro e bigode, que usava touca, também atirou.

Local exato da chacina ainda tinha cinzas da fogueira | Foto: Arthur Stabile/Ponte Jornalismo

Além de Edilson, Fernando e Ricardo, os atiradores acertaram outras duas pessoas. Uma delas está em estado grave após passar por cirurgia e a outra teve alta nesta terça-feira (30/6). Apenas a última vítima é branca. A Pontenão vai informar para onde os feridos foram levados por questão de segurança. Os três mortos foram socorridos ao Pronto Socorro de Embu.

“Todo dia tem fogueira, muita criança fica em volta”, conta um morador da comunidade, sob a condição de não ser identificado. Para ele, a chacina foi muito bem planejada. “Não foi à toa que não tinham crianças quando atacaram. É comum estarem lá nessa hora”, afirma. Ele disse que entre 15 e 20 tiros foram disparados.

Uma caminhada de 600 metros separa o local da chacina e a delegacia de Embu Guaçu. São terrenos com mato alto, sem habitação e galpões de empresas pelo caminho. Há poucas câmeras viradas para a rua.

A Polícia Civil não detalhou como andam as investigações e a Ponte esteve na delegacia, mas não foi atendida. No dia 26 de junho, o corpo de um Guarda Civil Municipal de Diadema, cidade na Grande SP, foi encontrado carbonizado em Embu Guaçu. Hernani Lima tinha 41 anos. 

A reportagem conversou com policiais civis, que inicialmente não vêem nenhuma relação da chacina com a morte do guarda. 

Delegacia da cidade fica na mesma rua da chacina | Foto: Arthur Stabile/Ponte Jornalismo

Pai de uma das vítimas, que pediu para não ser identificado, diz que nunca houve “esculacho” da polícia na comunidade. Questionado se teme morar no local, nem hesitou: “Não. Se tiver que acontecer algo comigo, vai acontecer aqui ou em qualquer outro lugar”.

Questionada pela Ponte, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, comandada pelo general João Camilo Pires de Campos no governo de João Doria (PSDB), sobre a chacina, a InPress, assessoria de imprensa terceirizada da pasta, respondeu que a delegacia de Embu investiga o caso em parceria com o Setor de Homicídios e de Proteção à Pessoa da Seccional de Taboão da Serra.

“Testemunhas foram ouvidas. Diligências estão em andamento para identificar e prender os autores e esclarecer a motivação do crime. Até o momento, não indícios de participação de policiais na ação”, resume a secretaria.

Por Arthur Stabile – Repórter da Ponte

Quatro pessoas são mortas em chacina na Zona Leste de SP

O crime teria sido praticado por ocupantes de um automóvel cujas características não foram anotadas(Foto:Nivaldo Lima/SP AGORA)

O crime ocorreu dentro de uma oficina de funilaria localizada na altura do número 3.976 da Avenida Águia de Haia.

Segundo a Polícia Militar, um cliente foi retirar o veículo que havia deixado para o conserto e encontrou a oficina aberta, mas sem ninguém no local.

Desconfiado, o rapaz ligou para um amigo, policial civil, que, ao chegar no local, encontrou quatro pessoas atingidas por disparos de arma de fogo nos fundos do estabelecimento.

Policiais militares que faziam o patrulhamento na região e equipes do Corpo de Bombeiros foram acionados, mas quando elas chegaram constataram que as vítimas já estavam mortas.

Morreram os proprietários do estabelecimento, identificados como Jairo Cordeiro, de 37 anos, e Antônio Carlos, e dois funcionários.

O crime teria sido praticado por ocupantes de um automóvel cujas características não foram anotadas.

Peritos que estiveram no local encontraram os celulares dos outros dois funcionários e do sócio Antônio Carlos, mas o aparelho de Cordeiro não foi encontrado.

Os técnicos recolheram também a CPU que armazena as imagens das câmeras de segurança da oficina.

O caso foi registrado no 63° Distrito Policial, da Via Jacuí, e vai ser investigado pela equipe da 3ª Delegacia de Polícia de Repressão a Homicídios Múltiplos, do DHPP.

Com esta já são quatro chacinas registradas este ano na Capital e Grande São Paulo, com um total de 13 mortos.

Os outros crimes ocorreram no Capão Redondo e Chácara Santo Antônio, na Zona Sul da Capital, e na Vila Guiomar, em Santo André, no ABC.

*Com informações de Paulo Édson

Adolescente morto e deixado em carro foi sequestrado

Quatro pessoas armadas teriam gritado “polícia” antes de levar a vítima, Gustavo Oliveira Tavera, encontrado em carro com outros dois corpos

Gustavo tinha 16 anos e foi reconhecido pela camisa que dormia: um uniforme do Palmeiras | Foto: Arquivo pessoal

Quatro homens armados sequestraram um jovem na madrugada desta quinta-feira (6/2) em Paraisópolis, favela localizada na zona sul da cidade de São Paulo. Segundo relatos, o grupo se identificou como “polícia” antes de entrar na casa e levar Gustavo Oliveira Tavera, 16 anos. Horas mais tarde, o pai da vítima esteve no local em que três corpos foram encontrados em um carro na região de Santo Amaro, também na zona sul, e reconheceu seu filho como um dos mortos.

Gustavo estava na casa em que mora com a mãe e o irmão quando foi sequestrado. Segundo relato de uma familiar, homens bateram na porta, acordando a família. Disseram que eram “a polícia” e que entrariam de “qualquer jeito”. Eles buscavam um homem apelidado de Orelha, segundo os familiares. Um dos homens apontou uma arma para o rosto da mãe de Gustavo antes de levá-lo.

“Os caras se identificaram como policiais, estavam em um carro preto”, afirmou o parente de Gustavo, em entrevista para a Ponte, pedindo para não ser identificado, com medo de represálias.

O pai do adolescente, Thiago Tavera, afirmou que reconheceu o corpo do filho pela roupa que ele vestia: uma camisa do Palmeiras. “Eu estava trabalhando na hora, trabalho em posto de gasolina. O Gustavo não era de sair, era da escola para casa e igreja. Pegaram meu filho de forma errada”, lamentou à Ponte.

Além de Gustavo, o veículo tinha outros dois corpos, de um jovem de 18 anos, de nome Edinaldo, e uma outra pessoa ainda não identificada, segundo informação da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo.

Thiago contou que o corpo do filho estava em um carro, junto de outros dois jovens mortos. O pai está no DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), da Polícia Civil, responsável pelas investigações do caso.

A Ponte questionou a Secretaria da Segurança Pública, comandada pelo general João Camilo Pires de Campos no governo de João Doria (PSDB), sobre o sequestro do jovem e aguarda um posicionamento oficial.

Por Arthur Stabile – Repórter da Ponte

Caminhoneiros e dono de bar são as vítimas da chacina no Capão

Quatro homens passaram uma vez em frente ao bar no Jardim Germânia antes de ataque que vitimou dono do estabelecimento; outras três pessoas sobreviveram 



João (Negão), Alessandro (Dandinho) e Eduardo (PC) morreram em chacina | Foto: Arquivo pessoal

Um veículo Chevrolet Meriva, de cor branca, passa com a porta aberta em frente ao bar localizado na esquina da rua Calil Jorge Calixto com a rua Doutor Nério Nunes, no Jardim Germânia, zona sul da cidade de São Paulo. Esse foi o carro usado por atiradores em chacina com três mortos e três feridos no começo da noite de domingo (26/1), segundo relato contado por testemunhas para moradores do entorno.

Minutos depois, o mesmo carro volta ao local. Dessa vez, o ataque acontece. Quatro homens encapuzados, com luvas e coletes à prova de balas de cor preta descem e entram no bar. Dois deles têm pistolas, um carrega uma calibre 12 e outro um revólver, conforme contam os vizinhos do bar sobre o que ouviram de seus amigos presentes na hora do ataque. 

Algumas pessoas correm e os disparos são dados apenas dentro do local, depois de passarem por uma pequena sacada na entrada. Dois caminhoneiros, Eduardo Sousa dos Santos, 44 anos, e Alessandro Santos Pedroso, 39, morreram na hora. 

Local estava fechado por luto na tarde desta segunda-feira (27/1) | Foto: Arthur Stabile/Ponte Jornalismo

João Ferreira de Moraes Neto, 48, dono do estabelecimento, morreu após ser atendido no Hospital Municipal do Campo Limpo. Outras três pessoas baleadas seguem internadas, sem informação sobre seu estado de saúde.

“Os caras vieram para atacar, isso estava claro”, conta um morador sob condição de anonimato. Ele e três amigos estavam em frente ao bar no começo da tarde desta segunda-feira (27/1). O homem conta que frequenta o local “desde sempre” por ser criado no bairro. Nunca viu ou ouviu sobre nada parecido na região.

“Coisas assim não acontecem aqui, é mais lá para baixo. Por ser do lado do Capão Redondo, o pessoal acha que aqui é violento, mas não é. É um lugar calmo”, explica. Segundo ele, um dos caminhoneiros tinha acabado de fazer um carreto e estava no bar jogando baralho para ganhar um dinheiro extra apostando com amigos.

Resquício de cápsula encontrada no local do ataque a tiros | Foto: Arthur Stabile/Ponte Jornalismo 

Investigadores do DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa) estiveram no local duas vezes investigando o bar e seu entorno. Primeiro, logo em seguida às mortes, na noite do domingo. Depois, buscaram imagens de câmeras de segurança nas ruas que dão ao bar para descobrir de onde veio o veículo Meriva.

Em conversa com a reportagem, um dos policiais civis disse estranhar o uso de uma espingarda calibre 12 em chacina. “É incomum”, afirmou. Outro investigador destacou que esse não costuma ser um armamento usando por integrantes do crime organizado. “Preferem submetralhadora, pistola, revólver, até fuzil. Calibre 12? Não”, afirma. Os policiais não detalharam, no entanto, se algum estojo do calibre citado pelos moradores foi encontrado e, portanto, não há confirmação da arma usada no ataque.

De acordo com o boletim de ocorrência registrado no 47º DP (Capão Redondo), uma testemunha afirma que outro veículo, modelo Toytota Corolla branco, também teria sido usado no ataque. “Quatro indivíduos encapuzados, todos armados […] entraram no bar e, sem nada dizerem, começaram a atirar em todos que ali se encontravam”, detalha o documento, corroborando com a versão dada pelos vizinhos.

Garrafas e latas de cerveja seguiam jogadas do lado de fora do bar alvo dos disparos | Foto: Arthur Stabile/Ponte Jornalismo 

“Eu estava no bar 40 minutos antes dos tiros. Tomei duas catuabas e fiquei devendo R$ 25 para o Negão [apelido de João Ferreira]”, relembra um frequentador do bar, de aproximadamente 50 anos, também com medo de se identificar por conta de represálias. “Era uma pessoa muito boa. Estou sem palavras até agora”, prossegue.

Ponte questionou a SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo), comandada pelo general João Camilo Pires de Campos neste governo de João Doria (PSDB), sobre as investigações da chacina e aguarda um posicionamento oficial.

Por Arthur Stabile – Repórter da Ponte

Homens invadem bar, atiram em 6 pessoas e 3 morrem

Segundo a Polícia Militar, três homens entraram no estabelecimento e atiraram. Dois homens morreram no local e outro no hospital do Campo Limpo

Rua de bar onde seis pessoas foram baleadas | Foto: Google Street View


Seis pessoas foram baleadas em um bar no Jardim Germânia, na região do Capão Redondo, zona sul da cidade de São Paulo, no final da tarde deste domingo (26/01).

De acordo com a Polícia Militar, dois homens morreram no local e outras quatro pessoas foram socorridas por populares e conduzidas ao Hospital Municipal do Campo Limpo. 

Ainda segundo a Polícia Militar, três homens armados entraram no estabelecimento e abriram fogo.

A reportagem apurou que das vítimas levadas para o hospital, um homem de 48 anos não resistiu aos ferimentos e morreu. Seguem na unidade hospitalar uma mulher de 32 anos e outros dois homens, de 37 e 40 anos. 

Outro rapaz, de 19 anos, já havia dado entrada no mesmo hospital na madrugada deste domingo. Todos chegaram por meios próprios.

A Polícia Militar disse que o local está sendo preservado para perícia e o caso deve ser registrado no 47º DP (Capão Redondo).

Por Kaique Dalapola e Thiago Felix – Repórteres da Ponte

Promotores lamentam novo julgamento de chacina em Osasco

Por  Elaine Patricia Cruz 

O procurador de Justiça Marcelo de Oliveira lamentou hoje (24) o resultado do julgamento do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo que anulou os julgamentos do ex-policial militar Victor Cristilder Silva dos Santos, mais conhecido como Cristilder, e do guarda civil Sérgio Manhanhã, que foram condenados na primeira instância por participação nas chacinas de Osasco e Barueri, ocorridas em agosto de 2015. Dezessete pessoas foram assassinadas nessas chacinas e sete ficaram feridas.

Nesta quarta-feira, por unanimidade, os três desembargadores da 7ª  Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça, Otávio Rocha, Reinaldo Cintra e Fernando Simão, votaram favoravelmente pelo recurso dos advogados de defesa do policial militar Victor Cristilder e do guarda civil municipal Sérgio Manhanhã, para que eles sejam submetidos a novo julgamento, embora mantendo a pena e a prisão dos dois.  Ainda não há data para ocorrer este novo julgamento.

“Saio frustrado com o resultado, mas respeito à decisão do Tribunal de Justiça”, disse Oliveira a jornalistas, após o julgamento. O Ministério Público deverá analisar se pretende recorrer da decisão do Tribunal. “Estudarei os recursos com o setor próprio, nesse sentido”, disse o procurador. Segundo Oliveira,  essa decisão não caberá a ele, mas à Procuradoria-Geral do Estado.

Defesa

Os advogados de defesa de Manhanhã e Cristilder comemoraram o resultado. “Vi a decisão com absoluta tranquilidade. Aquilo que eu disse antes do julgamento foi totalmente confirmado. Hoje tivemos um julgamento técnico, de pessoas que consultaram os autos e conheceram as provas, julgando com imparcialidade. Penso que, nessa tarde, foi restaurada a justiça”, disse Abelardo Julio da Rocha, defensor do guarda-civil. 

Rocha disse que o Tribunal de Justiça não pode absolver seu cliente porque a competência constitucional é do Tribunal de Júri, que é formado por sete jurados escolhidos entre cidadãos brasileiros. “Mas o Tribunal [de Justiça] reconheceu que esse julgamento [do Tribunal de Júri] não observou normas mínimas do processo penal brasileiro”, disse.

Para o advogado João Carlos Campanini, que defende Cristilder, a “justiça finalmente foi feita”. “As pessoas leram o que a gente vem pregando no deserto há quase quatro anos. Só precisava ler. Eram 30 mil folhas. Ninguém queria ver. E graças a Deus eles leram, entenderam e anularam essa injusta condenação de mais de 100 anos”, disse.

Ambos os advogados disseram que vão recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para que seus clientes, que estão presos, respondam ao processo em liberdade. 

No primeiro julgamento do caso, realizado em setembro de 2017, os sete jurados decidiram condenar os policiais militares Victor Cristilder, Fabrício Emmanuel Eleutério e Thiago Barbosa Henklain, além do guarda civil Sérgio Manhanhã.  Eleutério foi condenado a pena de 255 anos, 7 meses e 10 dias de prisão. Henklain recebeu sentença de 247 anos, 7 meses e 10 dias e Cristilder teve uma pena de 119 anos, 4 meses e 4 dias.  Manhanhã foi condenado a 100 anos e 10 meses. 

Nesta semana, os três policiais, que se encontram presos no Presídio Militar Romão Gomes, foram expulsos da Polícia Militar. Segundo o Diário Oficial de São Paulo, publicado no sábado (20), eles cometeram “atos atentatórios à instituição, ao estado, aos direitos humanos fundamentais e desonrosos, consubstanciando transgressão disciplinar de natureza grave”. A corporação não confirma se a expulsão tem relação com a participação nas chacinas, mas os advogados dos réus alegam que a condenação deles em primeira instância pelos crimes foi o que motivou a decisão da corporação.

Familiares

O pai de Thiago, Roberto Tavares Henklain, disse lamentar muito o resultado, que manteve a condenação de seu filho, a quem considera inocente. “Meu filho deixou quatro filhos pequenos para criar e está na cadeia. Essa é a nossa Justiça brasileira”, disse ele à Agência Brasil. “Espero por uma Justiça limpa e que os culpados paguem pelo que fizeram. Não os inocentes que estão lá dentro [na cadeia]”.

Os familiares das vítimas também lamentaram o resultado do julgamento. Após os votos dos desembargadores, mães de vítimas protestaram em frente ao Tribunal de Justiça, na Praça da Sé, levantando um cartaz com as fotos de seus filhos mortos na chacina. Zilda Maria de Paula, mãe de Fernando Luis de Paula, que foi assassinado na ocasião, disse que as mães acabam tendo que aceitar a decisão de hoje.

“Pior seria se saíssem todos de uma vez. Mas a gente tem que aceitar. Para nós é importante que eles perderam a farda porque eles se escondem atrás da farda. Eles, à paisana, não vão a lugar algum. Infelizmente eles sujam a farda. Mas esse é um poder que tiraram da mão deles”, disse. “São quatro anos em que estamos na corda bamba. A vida da gente acabou”, disse, emocionada. 

Recorrer ao STJ

Os advogados dos outros dois ex-policiais, cujos julgamentos em primeira instância foram mantidos pelo Tribunal de Justiça, disseram que pretendem recorrer da decisão ao STJ. Nilton Vivan Nunes e Flávia Artilheiro, advogados de Fabrício, disseram que vão entrar com recurso nas instâncias superiores. “Não vamos abrir mão de nenhum [dos tribunais]. Vamos até Brasília, ao STJ e ao STF [Supremo Tribunal Federal] porque é impossível que a acusação tenha se iniciado dizendo que Cristilder, junto com Manhanhã, eram supostamente as pessoas que teriam organizado e orquestrado tudo e eles são submetidos a novo júri e os outros dois, que supostamente teriam sido cooptados, a decisão é mantida. Isso é absurdo”, disse.

Quanto à expulsão de seu cliente da corporação, a advogada disse que a decisão foi política, “com a intenção de interferir no resultado do julgamento de hoje” e que pretende entrar, “oportunamente”, com medidas judiciais questionando a expulsão.

Fernando Capano, defensor de Henklain, disse que não esperava pelo resultado do julgamento. “Continuo entendendo que há argumentos mais do que suficientes para anular o júri. Mas confesso que saio hoje encorajado, com uma luz no fim do túnel. A verdade já está surgindo no horizonte. A mim me parece que o tribunal reconheceu que, de fato, existe um problema gravíssimo de legalidade que ocorreu nos dois júris”, disse.


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