Operação policial no Rio deixa pelo menos 25 mortos

Pelo menos 25 pessoas foram mortas na manhã de hoje (6) durante a Operação Exceptis, da Polícia Civil, na favela do Jacarezinho, na zona norte do Rio de Janeiro. Entre os mortos, um seria policial. A operação visava combater grupos armados de traficantes de drogas que estariam aliciando crianças para o crime.

De acordo com a Polícia Civil, a região do Jacarezinho é um dos quartéis-generais da facção Comando Vermelho na zona norte e abriga “uma quantidade relevante de armamentos” protegidos por barricadas e táticas de guerrilha adotadas pelo grupo criminoso.

A corporação vai divulgar o balanço da Operação Exceptis em coletiva de imprensa na tarde de hoje.

Durante o tiroteio pela manhã, dois passageiros do metrô foram feridos dentro de um trem da Linha 2, na altura da estação Triagem, na zona norte. Segundo o MetrôRio, o acidente ocorreu “após o vidro de uma das composições aparentemente ser atingido por projétil vindo da área externa”. Um passageiro foi atingido de raspão no braço e o outro por estilhaços de vidro. Ambos foram socorridos para hospitais municipais.

Por Akemi Nitahara – Repórter da Agência Brasil 

Bandidos fogem com corpo de vítima do tribunal do crime no banco de trás

Após uma perseguição, a Polícia Militar prendeu dois suspeitos e encontrou, no banco de trás do carro em que eles estavam, o corpo de uma vítima de tribunal do crime. Durante patrulhamento, na madrugada de hoje (16), na Marginal do Tietê, policiais militares foram alertados pelo rádio sobre um veículo com queixa de roubo que havia sido flagrado ao passar por um radar inteligente.

O carro, um Ford Ka preto, foi localizado e passou a ser perseguido. O suspeito acessou a Rodovia Presidente Dutra e, depois, a Rodovia Fernão Dias, no sentido Minas Gerais.

No acesso da rodovia para a Avenida Coronel Sezefredo Fagundes, no Jardim das Pedras, região do Tremembé, o motorista perdeu o controle da direção do carro, que rodou na pista. Alcançados, eles ainda tentaram escapar a pé, mas acabaram detidos.

Com um dos suspeitos foi apreendido um revólver calibre 38, e, no interior do automóvel, no banco de trás, os policiais encontraram o corpo de um homem, decapitado, envolto em um cobertor. A vítima, ainda não identificada, teria sido morta em uma sessão do tribunal do crime a mando da organização criminosa Comando Vermelho, que atua no Rio de Janeiro.

A dupla foi encaminhada ao Distrito Policial do Jaçanã e autuada em flagrante. Segundo a PM,  o carro usado pelos suspeitos havia sido roubado de uma motorista no último sábado.

*Com Paulo Édson Fiore, da Jovem Pan

Traficante do CV é achado morto em presídio federal

Paulo Rogério dos Santos é apontado como membro do CV e chefe do tráfico na Penha, no Rio de Janeiro; suspeita é que Mica tenha cometido suicídio 

Mica chegou a ser um dos traficantes mais procurados do RJ | Foto: reprodução

O traficante Paulo Rogerio de Souza Paz, o Mica, 42 anos, foi encontrado morto em sua cela neste domingo (12/4), durante a entrega do café da manhã no Presídio Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Segundo seus advogados, é possível que Mica tenha cometido suicídio.

Ponte entrou em contato com a unidade prisional e o diretor Milton Azevedo confirmou, por telefone, a morte. “O caso vai ser investigado, mas tudo indica que tenha sido suicídio pela forma como foi encontrado”.

De acordo com a defesa de Mica, estão sendo realizados os preparativos para o traslado do corpo até o Rio de Janeiro, onde os familiares moram e onde Paulo será enterrado.

O Depen (Departamento Penitenciário Nacional) suspendeu as visitas aos presídios federais, tanto para familiares quanto para defensores dos presos, desde o dia 16 de março por causa da pandemia da Covid-19. 

“A gente não tem conhecimento se ele tinha alguma depressão porque era uma pessoa muito fechada, mas imagina que não só para ele, como para os outros presos, deve bater o desespero por ficar 22h numa cela sozinho, duas horas para banho de sol, sem contato com o mundo exterior”, declarou um dos advogados do traficante, que não quis ser identificado. 

Mica foi preso em 2012, em Maricá, no Paraná. Antes disso, a polícia do Rio chegou a oferecer R$ 5 mil pela sua captura. Integrante do CV (Comando Vermelho), ele é considerado o chefe do tráfico do Complexo da Penha no Rio de Janeiro, além de atuar no Morro da Fé e Sereno. Ele já esteve na Penitenciária Laércio da Costa Pelegrino, Bangu I, no Rio, e na Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia.

Desde 2017, estava preso na Penitenciária Federal de Mossoró. Ele é apontado como o responsável por ordenar a queima de cinco ônibus no Rio de Janeiro, em novembro de 2005, onde morreram cinco pessoas, em retaliação à morte de um comparsa em confronto com policiais militares.

Ponte procurou a assessoria de imprensa do Ministério da Justiça e da Segurança Pública, que responde pelo Depen, mas não obteve retorno até a publicação.

Por Jeniffer Mendonça e Maria Teresa Cruz – Repórteres da Ponte

Facções como PCC operam em todo país, diz promotor

Por Vinícius Lisboa

(Marco Gomes/Via Agência Brasil)

Mais de 90 pessoas foram presas hoje (15) na operação contra facções criminosas que reuniu ministérios públicos de nove estados, em diferentes regiões.

“O crime, infelizmente, se nacionalizou. É uma realidade nacional, as facções se espalharam e se transformaram em grandes empresas que têm esses vinculos em todos os estados da federação”, disse o presidente do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), Alfredo Gaspar, em entrevista coletiva, na sede do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

Segundo Gaspar, que também é o procurador-geral do Ministério Público de Alagoas, o combate ao crime precisa acompanhar o grau de integração e capilaridade das facções no território nacional.

“As facções se fortaleceram demais no Norte e no Nordeste, mas deixaram tentáculos e o coração financeiro no Centro-Sul. Tem que se ter um olhar globalizado, se não, não vai conseguir combater.”

A operação cumpriu 305 mandados, sendo cerca de 190 de busca e apreensão e os demais de prisão. As ações ocorreram em Alagoas, Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Rio de Janeiro.

Pelo menos 25 pessoas foram presas no Ceará; 21 em Alagoas; 20 em flagrante no Amapá; 12 detidas na Bahia; 5 no Rio de Janeiro; 5 em Mato Grosso do Sul e uma no Amazonas. Os números devem ser atualizados ao longo do dia.

De acordo com Gaspar, a operação promove a integração entre os procuradores de cada estado e prestigia a independência dos ministérios públicos. “Demonstra também a necessidade de se manter nacionalmente o poder de investigação do Ministério Público.”

Associação ao tráfico

Uma das três operações em curso no Rio cumpriu mandados de busca e apreensão contra nove policiais denunciados por participar de esquema de recebimento de propina de traficantes de drogas. A ação se dá com apoio da Polícia Federal e da Corregedoria da Polícia Militar. O MP-RJ chegou a pedir a prisão dos militares, mas o pleito foi rejeitado pela Justiça.

Segundo o Ministério Público, os PMs recebiam vantagens indevidas para deixar de combater o tráfico na área do 9º Batalhão (Rocha Miranda) e também forneciam aos criminosos informações sobre operações policiais na região. As investigações apontaram que um policial vendia armas e drogas apreendidas em outras operações para traficantes da região do 9º Batalhão.

Sem detalhar valores, o promotor de Justiça Lúcio Pereira afirmou que as investigações chegaram a captar a movimentação de dezenas de milhares de reais por semana, em pagamentos aos policiais.

No grupo denunciado, há sete oficiais da PM, incluindo integrantes do Estado Maior do batalhão. Segundo o MP, foram cumpridos mandados de busca contra outros policiais que ainda não foram denunciados.

A denúncia contra os nove PMs já foi recebida pela Auditoria Militar, que deferiu o afastamento dos agentes públicos de suas funções, apesar de ter rejeitado a prisão dos acusados. Eles também responderão a processos administrativos que podem resultar em expulsão.

Até lá, os policiais não poderão andar armados nem entrar em quartéis, mas continuam a receber salários.

O porta-voz da Secretaria Estadual de Polícia Militar, Mauro Fleiss, disse que bons e maus profissionais existem em quaisquer profissões. “Reafirmamos nossa total intolerância contra qualquer desvio de conduta. A corporação vem se sacrificando a cada dia buscando resultados melhores, é um esforço muito grande, e não podemos permitir ações dessa natureza”.

Madureira

O MP-RJ também realizou hoje operações contra traficantes que atuam em favelas de Madureira, na zona norte do Rio, região dentro da área de atuação do 9º Batalhão. O grupo, da facção Terceiro Comando Puro, comercializava grande quantidade de armas e drogas, e disputava o controle de territórios na capital por meio de homicídios e corrupção policial.

Entre os denunciados que tiveram a prisão preventiva decretada pela 2ª Vara Criminal de Madureira está o acusado de chefiar o grupo, Wallace de Brito Trindade, conhecido como Lacoste.

A terceira ação deflagrada hoje no Rio de Janeiro mirou pessoas acusadas de atuar como laranjas que ocultavam recursos para a facção Comando Vermelho. As contas dos seis acusados teriam recebido, em um ano e 11 meses, 3.357 depósitos que somam mais de R$ 1 milhão. Os recursos seriam originados de diversos municípios fluminenses, o que, para o MP, evidencia que a ocultação se dava a favor de toda a facção criminosa.

Operação atinge PCC e outras facções criminosas

Por  Vinícius Lisboa 

(Arquivo/Bruno Cecim/ Agência Pará)

A operação conjunta de nove Grupos de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaecos) de Ministérios Públicos estaduais do país efetuou 89 prisões até as 9h30 de hoje (15).

A ação cumpre 300 mandados judiciais contra integrantes de organizações criminosas, incluindo mandados de prisão e de busca e apreensão. Entre os alvos estão integrantes das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) Família do Norte e Comando Vermelho, além de policiais militares.

Articulada pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), a operação ocorre simultaneamente no Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Rio de Janeiro.

Até as 9h30, 25 pessoas tinham sido presas no Ceará; 21 em Alagoas; 20 em flagrante no Amapá; 12 detidas na Bahia; 5 no Rio de Janeiro; 5 em Mato Grosso do Sul e uma no Amazonas.

Atuação dos MPs em cada estado

Acre – O Ministério Público faz uma grande revista na Penitenciária Francisco de Oliveira Conde, em Rio Branco, com foco em pavilhões dominados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), facção paulista que tem atuação nacional. Também foram denunciados à Justiça 69 pessoas suspeitas de integrar o Comando Vermelho, outra facção criminosa com atuação nacional, mas que tem base no Rio de Janeiro.

Alagoas – Estão sendo cumpridos 37 mandados de busca e apreensão e 42 de prisão contra integrantes do PCC.

Amapá – A operação tem foco em uma facção criminosa local: Família Terror do Amapá.

Amazonas – São cumpridos três mandados de prisão e sete mandados de busca e apreensão, e, entre os alvos estão suspeitos de liderar a Família do Norte, considerada pelo MP a terceira maior facção do Brasil.

Bahia – São 19 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão, contra suspeitos de integrar uma facção ligada ao PCC que atua com tráfico de drogas e é responsável por diversos homicídios no estado.

Ceará – São duas operações para cumprir 35 mandados de prisão e 29 mandados de busca e apreensão contra integrantes do PCC.

Mato Grosso do Sul – São 15 mandados de prisão contra suspeitos de integrar o PCC no estado.

Pernambuco – A ação cumpre um mandado de prisão e busca e apreensão  em apoio a operação que combate à lavagem de dinheiro no Rio de Janeiro.

Rio de Janeiro – três operações simultâneas estão em andamento. A primeira cumpre 41 mandados de busca e apreensão contra policiais militares afastados de suas funções por terem sido denunciados por crimes como associação criminosa e corrupção passiva. A segunda mira sete traficantes de comunidades de Madureira, na zona norte, e a terceira busca acusados de lavagem de dinheiro que atuavam como laranjas do Comando Vermelho.