Insumos da vacina Oxford chegam hoje à Fiocruz

O primeiro lote do ingrediente farmacêutico ativo (IFA) para a produção das vacinas Oxford/AstraZeneca na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) tem chegada prevista para as 17h50 deste sábado (5) no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. O IFA possibilitará a produção de mais 2,8 milhões de doses da vacina contra a covid-19, que já começou a ser aplicada no país a partir de 2 milhões de doses prontas importadas da Índia no mês passado.

O insumo foi fabricado no laboratório Wuxi Biologics, na China, de onde partiu às 20h35 da última quinta-feira (horário de Brasília). O laboratório chinês foi vistoriado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no fim do ano passado e é parceiro da farmacêutica europeia AstraZeneca, que desenvolveu a vacina com a Universidade de Oxford, do Reino Unido. 

Depois do desembarque, o IFA será transportado para o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), na zona norte do Rio de Janeiro. Lá, após checagens de controle de qualidade, o insumo deve ser liberado na próxima quarta-feira (10) para descongelamento, já que precisa ser transportado a -55 graus Celsius. O degelo precisa ser feito lentamente, e somente na sexta-feira (12), deve ter início a formulação do lote de pré-validação, necessário para garantir que o processo de produção da vacina está adequado. 

Na formulação, o IFA é diluído em outros componentes da vacina, que, entre outras funções, garantem que a armazenagem possa ser feita em refrigeradores comuns, com 2 a 8 graus Celsius. Após a formulação, uma série de outros procedimentos como o envase e a rotulagem preparam a vacina para distribuição. Tal processo conta com rigorosos testes de qualidade, e a previsão é que o primeiro lote de pré-validação da vacina seja liberado para aprovação da Anvisa no dia 18 deste mês.

A Fiocruz esperava inicialmente o envio de 14 remessas de IFA ao longo do primeiro semestre, cada uma com insumo suficiente para produzir 7,5 milhões de doses. As duas primeiras remessas deveriam ter chegado em janeiro, e o contrato prevê que a fundação receba o suficiente para produzir 100,4 milhões de doses até julho. Apesar dos atrasos na chegada do insumo, a Fiocruz afirma que é possível manter o compromisso de entregar a mesma quantidade de doses.

Em fevereiro, em vez de dois lotes, cada um para 7,5 milhões de doses de vacina, a Fiocruz receberá três lotes, que, somados, terão o IFA necessário para produzir as mesmas 15 milhões de doses previstas inicialmente. A chegada dos dois próximos lotes de IFA está programada para os dias 23 e 28 de fevereiro, e a Fiocruz prevê entregar o primeiro milhão de doses prontas entre 15 e 19 de março, e mais 14 milhões de doses até o fim do mês que vem.

No fim de março, a escala de produção da vacina em Bio-Manguinhos deve aumentar de 700 mil doses por dia para 1,3 milhão de doses por dia, o que permitirá entregas maiores: 27 milhões de doses em abril, 28 milhões em maio e 28 milhões em junho. As 2,4 milhões de doses que completam o compromisso de 100,4 milhões devem ser entregues em julho.

Os termos do acordo entre a Fiocruz, a AstraZeneca e a Universidade de Oxford preveem que, inicialmente, o Brasil vai produzir a vacina com IFA importado. Posteriormente, Bio-Manguinhos vai nacionalizar a produção do insumo, o que deve ocorrer no segundo semestre, a partir de um processo de transferência de tecnologia.

Após a nacionalização do IFA, a Fiocruz prevê produzir mais 110 milhões de doses até o fim deste ano, chegando a um total de mais de 210,4 milhões de doses, o que faz da vacina Oxford/AstraZeneca a que tem mais doses programadas para serem aplicadas na população brasileira até o momento.

Segura e eficaz

A aplicação dos primeiros 2 milhões de doses que chegaram da Índia recebeu autorização de uso emergencial da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e o pedido definitivo de registro da vacina no país está em avaliação, depois de ter sido concluído no mês passado. 

A vacina já foi autorizada pela autoridade sanitária do Reino Unido (MNRA) e também recebeu sinal verde da agência reguladora de medicamentos da União Europeia (EMA). Além do Brasil, outros países como Reino Unido e Índia já iniciaram a aplicação das doses.

A vacina de Oxford tem eficácia geral de 76% 22 dias após a aplicação da primeira dose, e de 82% após a segunda dose, que deve ser aplicada três meses após a primeira. Os dados foram publicados na revista científica The Lancet, uma das mais respeitadas do mundo.

Além de prevenir a doença em mais de 80% dos casos, a vacina apresentou 100% de eficácia contra casos graves e hospitalizações. Isso significa que, durante os estudos clínicos, ninguém que foi vacinado precisou ser internado.

Por Vinícius Lisboa, da Agência Brasil

Pfizer solicita à Anvisa registro definitivo de vacina contra covid-19

A farmacêutica americana Pfizer solicitou neste sábado (06/02) o registro definitivo da sua vacina contra a covid-19 à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Se o órgão conceder o registro, o imunizante poderá ser distribuído e comercializado no país.

Este é o segundo pedido de registro definitivo de uma vacina enviado para a agência. No final de janeiro, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) já havia solicitado um pedido desses para a vacina desenvolvida pela Universidade e o laboratório AstraZeneca. Até o momento, a Anvisa só concedeu autorizações de uso emergencial.

O prazo estimado pela Anvisa para analisar os dados é de 60 dias. No momento, a Pfizer conduz estudos de fase 3 da sua vacina no Brasil, com 2.900 voluntários, o que deve facilitar e acelerar o registro definitivo antes do prazo.

Já autorizada para uso em outros países, como Alemanha e Estados Unidos, onde vem sendo aplicada, a vacina da Pfizer, desenvolvida com a empresa BioNTech, apresentou eficácia global de 95% em estudos.

Briga com laboratório

Apesar dos números robustos, a vacina ainda não foi adquirida pelo governo brasileiro. O imunizante está no centro de uma briga pública entre a Pfizer e o Planalto. O laboratório informou que no segundo semestre de 2020 fez diferentes propostas para o Ministério da Saúde, que previam a entrega de 70 milhões de doses, com início do envio de uma primeira carga em dezembro, mas a pasta não manifestou interesse. À época, o governo preferiu apostar todas as suas fichas em apenas na vacina da AstraZeneca, a ser produzida em solo brasileiro, ignorando opções de importação de doses prontas de outros laboratórios.

Em dezembro, as negociações voltaram a andar e o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, chegou a afirmar que a imunização poderia começar ainda naquele mês, caso a Pfizer andiantasse alguma entrega. À época, o ministério passou finalmente a correr atrás de vacinas diante da intenção do governador de São Paulo, João Doria, de iniciar a vacinação no estado em janeiro. Mas nessa altura a Pfizer havia informado que não poderia mais entregar doses antes da virada do ano. Ainda assim, o governo chegou a incluir uma oferta da empresa no seu plano vago de imunização.

No entanto, as negociações logo voltaram à estaca zero, diante da contrariedade de condições impostas pela empresa. O governo afirmou que a Pfizer insistia em uma cláusula de isenção de responsabilidade em relação a possíveis efeitos colaterais da vacina contra a covid-19. No final de dezembro, o presidente Jair Bolsonaro chegou a reclamar publicamente da farmacêutica ao afirmar que não havia garantia de que a vacina não transformaria quem a tomasse em “um jacaré”. Sem um contrato com o governo, a Pfizer anunciou em dezembro que não pretendia mais solicitar uma autorização de uso emergencial junto à Anvisa.

Troca de acusações

Em janeiro, a disputa voltou a esquentar quando o governo divulgou uma nota incendiária afirmando que a Pfizer estabeleceu “cláusulas leoninas” em seus contratos e que a empresa só previa uma pequena entrega inicial de vacinas para como “conquista de marketing” e que a chegada de poucas doses “causaria frustração em todos os brasileiros”, sugerindo que era melhor não receber nada do que um pouco. Por fim, o governo ainda insinuou que a Pfizer estava tentando sabotar a campanha de imunização no Brasil por ter supostamente ficado frustrada com o governo adquirindo doses da AstraZeneca e da Coronavac promovida pelo governo de São Paulo.

Já a Pfizer afirmou que os contratos oferecidos ao governo brasileiro eram idênticos aos que foram submetidos em dezenas de países que já fazem uso do imunizante. Na nota, o governo ainda evitou mencionar que as ofertas da Pfizer incluíam um total de 70 milhões de vacinas.

Além disso, em dezembro, Pazuello vinha insistindo numa entrega inicial mesmo que pequena, quando o ministério estava sob pressão para alcançar a iniciativa paralela de vacinação do governo paulista. O tom da nota do governo gerou espanto entre especialistas em saúde pública, já que até o momento o Ministério da Saúde ainda não conseguiu implantar um plano efetivo de vacinação, tendo assegurado até o momento, por conta própria, apenas dois milhões de doses da vacina da AstraZeneca, adquiridas numa atrapalhada operação de importação da Índia.

Por Deutsche Welle,

jps (ots)

Butantan entrega mais 1,1 milhão de vacinas

Novo desenho do Plano São Paulo atualizado em 05/02/2021 (Reprodução)

O Instituto Butantan entrega hoje (5) mais 1,1 milhão de doses da Coronavac para o Ministério da Saúde. Desse lote disponível a partir de hoje, 248 mil ficarão no Estado de São Paulo.

“Aumentamos ainda mais a participação da vacina do Butantan no Programa Nacional de Imunizações. Ainda sem este lote, nove a cada dez vacinas contra a COVID-19 que são aplicadas no Brasil são vacinas de São Paulo, do Instituto Butantan, para ajudar a salvar milhões de brasileiros”, disse João Doria, governador de São Paulo.

Até 31 de janeiro, conforme cronograma estabelecido com o contrato com o Ministério da Saúde, foram entregues 8,7 milhões de vacinas do Butantan para imunização dos brasileiros, das quais 6 milhões foram enviadas em 17 de janeiro, 900 mil no dia 22 e 1,8 milhão em 29 do mesmo mês. Com a nova remessa desta sexta-feira, o total de doses liberadas soma 9,8 milhões.

O lote entregue hoje contempla doses que foram processadas no Instituto Butatan a partir de matéria-prima encaminhada em dezembro pela Sinovac, na China. Este IFA (Insumo Farmacêutico Ativo) foi envasado, rotulado, embalado e passou por criteriosas inspeções de qualidade antes de ser disponibilizado para a população.

Na quarta-feira (3) chegaram ao país mais 5,4 mil litros de insumos para envase no Butantan, correspondentes a 8,6 milhões de novas doses a serem produzidas.

Na próxima semana o Instituto receberá mais 5,6 mil litros de IFA que corresponderão à produção de mais 8,7 milhões de doses. Essas novas remessas que serão envasadas passam a ser entregues ao Ministério da Saúde a partir do dia 23 de fevereiro.

Plano São Paulo

O governador anunciou também que nove regiões do Estado melhoraram de fase no Plano São Paulo, incluindo a Capital Paulista, que passa a integrar a fase amarela. Nas últimas três semanas, segundo Doria, houve redução no número de internações.

Capital antecipa vacinação de idosos a partir de 90 anos

A prefeitura de São Paulo antecipou para hoje (5) a vacinação de idosos a partir de 90 anos contra a covid-19. O início da imunização dessa faixa etária estava previsto para segunda-feira (8). Para receber a dose, o idoso deve ir até a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de sua residência e apresentar o Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) e a carteira de vacinação e o Cartão SUS, se tiver.  As pessoas que tiverem restrição de mobilidade serão vacinadas em casa. 

A prefeitura recomenda que o idoso seja acompanhado por apenas uma pessoa para evitar aglomerações. Deverão ser seguidos todos os protocolos sanitários vigentes, como distanciamento físico, uso de máscara e higienização com álcool em gel. Para encontrar a UBS mais próxima acesse a página Busca Saúde da prefeitura.

Na terça-feira (11), terá início a vacinação dos profissionais de saúde autônomos com idade acima de 60 anos.

Drive-thru

Além dos postos da rede municipal de saúde, a partir de segunda-feira (8) serão disponibilizados cinco locais em que os idosos poderão ser vacinados sem sair do carro, no sistema drive-thru, e em quatro centros-escolas do município. A vacinação nos drive-thruocorrerá de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Nas UBSs e nos centros-escolas, das 7h às 19h.

Na capital, os postos de drive-thru serão montados na Praça Charles Miller – Estádio do Pacaembu (zona oeste); Neo Química Arena Corinthians (zona leste); Autódromo de Interlagos – rua Jacinto Júlio, Portão EHN (zona sul); Centro de Exposições do Anhembi – rua Olavo Fontoura, portão 38 (zona norte); Igreja Boas Novas – rua Marechal Malet, 611, Parque da Vila Prudente (zona leste).

Os quatro centros-escolas são o da Barra Funda, na Av. Dr. Abrahão Ribeiro, 283; da Vila Mariana, na Rua Ambrosina de Macedo, 94; o Centro-Escola Geraldo de Paula Souza, na Av. Dr. Arnaldo, 925; Centro-Escola Samuel Barnsley Pessoa – Butantã, na Av. Vital Brasil, 1.490.

Pré-cadastro

Para agilizar o atendimento e evitar aglomerações no momento da vacinação, os idosos, seus familiares ou qualquer pessoa que integre o público previsto na campanha podem realizar o pré-cadastramento para a vacinação contra a covid-19 no site Vacina Já.

“Não é um agendamento e o uso não é obrigatório para receber a vacina, mas contribui para melhorar a dinâmica dos serviços e a rotina do próprio cidadão. O pré-cadastro economiza 90% no tempo de atendimento para imunização, evitando aglomeração nos locais”, explica a prefeitura.

Segundo a prefeitura, já foram vacinados 24.171 idosos, sendo 14.371 nas Instituições de Longa Permanência para Idosos e 9.800 institucionalizados em outros locais.

Por Flávia Albuquerque – Repórter da Agência Brasil 

Hospital Albert Einstein vai testar vacina Covaxin, da Índia

O Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa do Hospital Albert Einstein deve começar em março, por um período de 45 a 90 dias, o teste da fase 3 da vacina Covaxin, com previsão para o resultado em maio. Serão em torno de 3 mil voluntários testados em cinco centros de referência. A vacina é desenvolvida na Índia pelo laboratório Bharat Biotech.

De acordo com a imunologista e pesquisadora do instituto Glaucia Vespa, a Coxavin é uma vacina de vírus inteiro inativado e apresenta efeitos colaterais comuns. “Os efeitos colaterais serão determinados no estudo clínico de fase 3. Os dados observados até agora indicam que a vacina é bem tolerada e segura, apresentando apenas efeitos colaterais comuns às vacinas inativadas utilizadas rotineiramente”.

Os locais em que a vacina será testada ainda não foram determinados. “Estamos em processo de finalização de contrato com cinco centros de referência pelo Brasil. Serão 3 mil voluntários, com inclusão competitiva. Ou seja, vai depender da seletividade no processo de recrutamento e inclusão dos centros”, disse. 

Os voluntários não precisam ser profissionais de saúde, apenas maiores de 18 anos de idade, sem histórico da covid-19. Serão aplicadas duas doses da vacina, com intervalo de 28 dias.

Mesmo com a decisão de ontem (3) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de não exigir estudos da fase 3 em andamento no Brasil para autorização emergencial no país, a pesquisadora Glaucia Vespa disse que o objetivo do instituto é consolidar o país como referência no segmento, além de aumentar o acesso às vacinas. 

“O Einstein acredita que a realização de estudos clínicos com vacinas candidatas confere maior expertise aos centros de pesquisas clínicas brasileiros, consolidando o país como referência no segmento, e apresenta vantagens aos participantes, que receberão a vacina imediatamente após a conclusão pela sua eficácia. Além de aumentar o acesso à vacinas nesse momento pandêmico tão crítico para a população”, disse a pesquisadora.

Por Ludmilla Souza – Repórter da Agência Brasil 

Insumos para produção da Coronavac já estão em SP

Insumos chegam ao Aeroporto de Viracopos, em Campinas (Gov. do Estado de SP)

Já está em São Paulo o quarto lote de insumos para produção da vacina do Instituto Butantan contra o coronavírus. A carga foi recebida no fim da noite de ontem (3), no Aeroporto de Viracopos, em Campinas. Segundo o Governo do Estado, essa é o maior carregamento remetido da China para o Brasil até agora e vai permitir a produção de mais 8,6 milhões de doses do imunizante na capital paulista.

“Quanto mais rápido vacinarmos, mais rápido sairemos da crise, mais rápido a economia retoma. E voltaremos a ter felicidade e alegria, a possibilidade de reencontrar nossos amigos, nossos familiares e participarmos de atividades que hoje não podemos fazer, porque temos que nos proteger, com a máscara, o álcool em gel, o distanciamento, evitando aglomerações”, afirmou o Governador João Doria, que foi ao aeroporto acompanhar o desembarque dos insumos.

O lote com 5,4 mil litros de IFA (Insumo Farmacêutico Ativo) foi enviado pela biofarmacêutica Sinovac, com sede em Pequim e parceira internacional do Butantan no desenvolvimento da vacina. Em São Paulo, as 8,6 milhões de doses serão envasadas, embaladas e rotuladas para integração ao PNI (Plano Nacional de Imunizações). Elas começarão a ser entregues ao Ministério da Saúde no próximo dia 23.

Para a próxima semana, está prevista nova remessa de 5,6 mil litros de matéria-prima para a produção de cerca de 8,7 milhões de doses. Com isso, as vacinas prontas e insumos adquiridos pelo Butantan irão corresponder a mais de 27 milhões de doses para imunizar a população brasileira.

Além disso, já existe outro pedido do Butantan à Sinovac para mais uma carga de 8 mil litros de IFA, o que permitirá acelerar ainda mais a produção local de novas vacinas. Em janeiro, o Butantan entregou 8,7 milhões de vacinas ao Ministério da Saúde, com 6 milhões no dia 17, outras 900 mil no dia 22 e mais 1,8 milhão no dia 29.

Processo de envase

A área produtiva da fábrica do Butantan tem 1,8 mil metros quadrados e conta com 370 profissionais, dos quais 120 foram contratados em janeiro para reforçar a produção da vacina contra o coronavírus. A capacidade de envase diário pode alcançar até um milhão de doses.

Assim que chega ao Butantan, a matéria-prima é acondicionada em um contêiner de aço inox e armazenada em uma câmara fria. Para o processo de envase, esse contêiner é encaminhado para a sala de tanques, onde o IFA será transferido para uma bolsa de agitação e depois para o tanque pulmão em que as vacinas são armazenadas em frascos.

As ampolas são lavadas e esterilizadas com ar seco quente, passam para a máquina envasadora e, por meio de esteiras automáticas, são posicionadas em agulhas que despejam o produto com o auxílio de uma bomba dosadora. Já com a vacina, os frascos seguem por uma esteira automática a uma máquina recravadora para a colocação de selos de alumínio.

Os frascos passam por uma inspeção e checagem dos rótulos antes da embalagem final. Com as vacinas envasadas, o Butantan promove testes de qualidade por amostragem, incluindo aspecto, pH, volume extraível, volume médio, teor de alumínio, teste de vedação, osmolalidade, identidade, conteúdo antigênico, toxicidade, esterilidade e endotoxina.

Com Gov. de São Paulo

Fase Vermelha aos fins de semana é suspensa

O governo de São Paulo decidiu hoje (03) revogar o decreto que colocava o estado paulista na Fase 1-Vermelha aos finais de semana e também após as 20h nos dias úteis. Isso ocorreu após ter ocorrido nesta semana uma leve queda nas internações e óbitos provocados pelo novo coronavírus. 

A medida, que fechava as atividades não essenciais no período, passou a vigorar no dia 25 de janeiro. A princípio, valeria até o dia 7 de fevereiro, mas agora a restrição noturna está suspensa e o comércio pode reabrir nas cidades paulistas que estão classificadas a partir da Fase Laranja do Plano São Paulo já neste final de semana. 

A classificação das regiões dentro do Plano São Paulo não sofreu alteração. 

Regiões 

Atualmente, o estado de São Paulo tem seis regiões na Fase 1-Vermelha: Barretos, Franca, Ribeirão Preto, Marília, Bauru e Taubaté. Nesta fase, essas regiões só podem abrir os serviços considerados essenciais de logística, saúde, segurança e abastecimento. 

O restante do estado, que inclui a capital paulista e a Grande São Paulo, está na Fase 2-Laranja, onde academias, salões de beleza, restaurantes, cinemas, teatros, shoppings, concessionárias, escritórios e parques estaduais podem funcionar por oito horas diárias, com atendimento presencial limitado a 40% e encerramento às 20h. O consumo local em bares está proibido na Fase Laranja.

O Plano São Paulo é dividido em cinco fases que vão do nível máximo de restrição de atividades não essenciais (vermelho) a etapas identificadas como controle (laranja), flexibilização (amarelo), abertura parcial (verde) e normal controlado (azul).

O plano divide o estado em 17 regiões e cada uma delas é classificada em uma fase do plano, dependendo de fatores com capacidade do sistema de saúde e a evolução da epidemia.

Por Elaine Patrícia Cruz – Repórter da Agência Brasil 

Capital terá cinco pontos de vacinação drive-thru

Estádio do Pacaembú é um dos locais com ponto de vacinação (Prefeitura de São Paulo/ Divulgação)

O Governador João Doria anunciou nesta quarta-feira (3) ação conjunta do Governo do Estado e da Prefeitura de São Paulo para vacinação dos idosos na capital em sistema drive-thru. Serão criados cinco pontos para garantir conforto ao público acima de 90 anos que começa a ser imunizado a partir da próxima segunda-feira (8).

“Vamos intensificar o programa de vacinação dos idosos de forma segura, organizada e planejada em todo o Estado. Os idosos que não puderem se deslocar para os locais de vacinação, receberão a vacina contra COVID-19 em suas casas”, afirmou Doria.

Na capital, os postos serão localizados no Estádio do Pacaembu, na Arena Corinthians, no Autódromo de Interlagos, no Anhembi e na Igreja Boas Novas, na Vila Prudente. Além destes locais, a Prefeitura de São Paulo vai garantir a vacinação dos idosos em uma rede de 468 Unidades Básicas de Saúde espalhadas em todas as regiões da cidade e em 4 Centros Escola do município.

O horário de funcionamento nos drive-thrus será das 8 às 17h. Já nas UBSs, a vacinação será realizada das 7 às 19h. Apenas na capital, a previsão é de imunizar mais de 32 mil idosos acima de 90 anos de um total de 206 mil em todo o Estado.

“Os 644 municípios estão também vendo suas estratégias de vacinação, seja pelo drive-thru ou casa a casa, principalmente para os pacientes acamados. Cada município tem a capacidade de olhar para o seu território e de adotar a estratégia que for melhor para atender a sua população”, destacou Regiane de Paula, Coordenadora de Controle de Doenças e Coordenadora do Plano Estadual de Imunização.

Pré-cadastro no site “Vacina Já”

O pré-cadastramento na campanha de vacinação contra a COVID-19 no site “Vacina Já” (www.vacinaja.sp.gov.br) economiza 90% no tempo de atendimento para imunização: leva cerca de 1 minuto para quem preencheu o formulário. Presencialmente, em média, a coleta de informações leva cerca de 10 minutos.

A ferramenta ajuda a agilizar o atendimento e a evitar aglomerações. Não é um agendamento e o uso não é obrigatório para receber a vacina, mas utilizá-la contribui para melhorar a dinâmica dos serviços e a rotina do próprio cidadão. O pré-cadastro pode ser feito por familiares de idosos ou de qualquer pessoa que participe dos públicos previstos na campanha.

Nova remessa

As 587,1 mil doses da Vacina do Butantan que serão utilizadas nesta nova etapa de imunização estão sendo enviadas até hoje (3) do CDL (Centro de Distribuição e Logística), localizado na capital, para os GVE (Grupos de Vigilância Epidemiológica), onde os municípios deverão retirar os respectivos quantitativos. Estas entregas acontecem desde a última segunda-feira (1).

Com esta nova remessa, será possível que a totalidade do público-alvo da fase 1 da campanha, que contempla os trabalhadores da saúde, indígenas, quilombolas, idosos com mais de 60 anos e pessoas com deficiência com mais de 18 anos institucionalizados, seja imunizada. Estas novas doses permitirão que na próxima segunda-feira (8), os idosos acima de 90 anos também possam ser vacinados.

A campanha de imunização contra a COVID-19 em São Paulo tem se desenvolvido conforme a disponibilidade das remessas do Ministério da Saúde. À medida que o governo federal viabilizar mais doses, as novas etapas do cronograma e públicos-alvo da campanha de vacinação contra a COVID-19 serão divulgadas pelo Governo de São Paulo.

Por Gov. do Estado de SP

Avião com insumos para vacinas decola da China

(FlightRadar24/Reprodução)

O avião da Latam que traz novas doses da vacina Coronavac para São Paulo decolou na noite desta terça-feira (2), em Pequim, na China. O voo JJ-9555 tem previsão de chegar nesta quarta-feira, em Campinas, interior de São Paulo.

Segundo o Governo do Estado, que transmite a viagem no site oficial, em tempo real, a bordo do Boeing 777-W (ER) está o material necessário para produzir 8,6 milhões de doses da vacina contra a covid-19. São 5,4 mil litros de IFA (Insumo Farmacêutico Ativo) da fábrica da biofarmacêutica Sinovac Life Sciences. Aqui no Brasil, cabe ao Instituto Butantan produzir as doses que serão destinadas aos brasileiros.

Segundo o último dado confirmado, de todas as vacinas disponíveis no país até o momento, 80% foram fornecidas pelo Instituto Butantan. 

De acordo com o Diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, as vacinas produzidas com o lote de matéria-prima que chega nesta semana começarão a ser entregues ao Ministério da Saúde no próximo dia 25. Outra carga com 5,6 mil litros de IFA também chegará ao Brasil até o próximo dia 10, viabilizando a produção de mais 8,7 milhões de doses em São Paulo.

As novas cargas permitem que mais 17,3 milhões de doses sejam entregues a partir do final deste mês. Em janeiro, o Butantan entregou 8,7 milhões de vacinas ao Ministério da Saúde. Foram 6 milhões de doses no dia 17, outras 900 mil no dia 22 e mais 1,8 milhão no dia 29, em cumprimento ao contrato que incluiu o imunizante no PNI (Plano Nacional de Imunizações).

Aeronave que traz as vacinas para o Brasil antes da decolagem (Reprodução)

A previsão do Butantan é que a produção local de vacinas contra a COVID-19 alcance até 600 mil doses diárias com as duas novas remessas de matéria-prima. O instituto ainda negocia o recebimento de mais 8 mil litros de IFA para cumprir o contrato com o Ministério da Saúde.

São 46 milhões de doses previstas até o final de abril e um adicional de 54 milhões de vacinas com prazo a definir.

*Erramos: Ao contrário do que informamos, o avião pousará em Campinas e não em Guarulhos; o texto foi atualizado

Sputnik V: Vacina russa tem eficácia superior a 90%, diz estudo

A vacina russa Sputnik V tem eficácia de 91,6% para evitar casos sintomáticos de covid-19, segundo um estudo divulgado nesta terça-feira (02/02) na revista médica The Lancet.

Os resultados do estudo se baseiam em dados de quase 20 mil voluntários. Eles foram vacinados em 25 hospitais e clínicas em Moscou, de setembro a novembro de 2020.

Os participantes receberam uma injeção inicial da vacina ou de um placebo e, 21 dias depois, uma injeção de reforço. Das 14.964 pessoas do grupo da vacina, apenas 16 desenvolveram casos sintomáticos de covid-19 tendo recebido uma segunda dose.

Os testes PCR para o coronavírus foram realizados na triagem, no dia em que os participantes receberam a injeção de reforço e se eles relataram sintomas de uma infecção respiratória.

Interesse do Brasil

O imunizante russo, que tem o nome técnico de Gam-covid-vac, começou a ser usado antes mesmo de o resultado da última fase de testes ser publicado. Ele já está sendo aplicado em vários países, como a Argentina e a Rússia.

No Brasil, os governos do Paraná e da Bahia assinaram convênios de compra com Moscou, independentemente do governo federal. Um aval da Anvisa foi solicitado, mas a entidade disse que não poderia dá-lo antes que os resultados da fase 3 fossem apresentados.

No último sábado (30/01), o presidente Jair Bolsonaro disse que, se a Anvisa aprovar, comprará a Sputnik V. Ele afirmou a repórteres, sem dar detalhes, que assinou “um cheque de R$ 20 bilhões”  para a aquisição do imunizante. 

Além disso, a farmacêutica União Química disse que pretende iniciar imediatamente os testes da fase 3 da vacina Sputnik V no Brasil após a liberação da Anvisa.

Os testes da fase 3 no Brasil são pré-requisito para solicitar a autorização do uso emergencial no país. 

O laboratório tem acordo com os desenvolvedores da vacina russa para importação e produção do imunizante no país. O acordo prevê ainda a exportação para outros países da América Latina.

Sem reações graves

Os pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya da Rússia, onde a Sputnik V foi desenvolvida, dizem estar satisfeitos com os resultados.

“Nossa análise interina do ensaio aleatório, controlado, da fase 3 da Gam-covid-vac na Rússia mostrou alta eficácia, imunogenicidade e um bom perfil de tolerabilidade em participantes com 18 anos ou mais”, diz Inna Dolzhikova, do Instituto Gamaleya, colíder do estudo publicado na Lancet.

Os pesquisadores não encontraram consequências negativas graves da vacinação. Os efeitos colaterais relatados incluíram sintomas semelhantes aos da gripe, além de dor no local da injeção.

A Sputnik V foi a primeira vacina contra o coronavírus a ser lançada no mundo inteiro. A iniciativa da Rússia de começar a usá-la em larga escala no ano passado, antes de todos os testes terem sido concluídos e de os resultados serem analisados, foi criticada pela comunidade internacional. Outro ponto de discórdia: o centro de pesquisa Gamaleya não apenas desenvolveu a vacina, mas também se encarregou de autorizar seu uso na Rússia.

Na União Europeia (UE) ou nos EUA, a autorização não é tratada pelas empresas que desenvolvem a vacina, mas por entidades separadas: a agência europeia EMA e a americana FDA. A liberação dos resultados da fase 3 provavelmente aumentará a confiança na vacina russa.

“O desenvolvimento da vacina Sputnik V tem sido criticado pela pressa inapropriada e pela ausência de transparência. Mas o resultado relatado aqui é claro, e o princípio científico da vacinação ficou demonstrado”, afirmaram o professor Ian Jones, da Universidade de Reading, e a professora Polly Roy, da Faculdade de Medicina Tropical de Londres, que não estavam envolvidos no estudo, em um comentário sobre as novas descobertas.

Eficiente também em idosos

O ensaio mais recente do Sputnik V incluiu 2.144 participantes com mais de 60 anos, e a eficácia da vacina neste grupo foi de 91,8%. A vacina britânica contra o coronavírus desenvolvida pela AstraZeneca, por exemplo, foi criticada por não testar um número suficiente de pessoas deste grupo de risco.

Os autores do estudo observam que, como os casos de covid-19 só foram detectados quando os próprios participantes relataram sintomas, a análise de eficácia só inclui casos sintomáticos de covid-19. São necessárias mais pesquisas para entender o quão eficaz a vacina é quando se trata de casos assintomáticos e sua transmissão.

Por Deutsche Welle

rpr/lf (dw, afp)