BA: não há risco de outra barragem se romper, diz Defesa Civil

Por Gilberto Costa

Neste domingo, o governador Rui Costa sobrevoou e visitou as cidades de Pedro Alexandre e Coronel João Sá depois do rompimento de barragem (Governo da Bahia/Fotos Públicas)

A Defesa Civil na Bahia informou que estudos feitos na barragem Lagoa Grande, no município de Pedro Alexandre, atestam que não há risco de rompimento no local. Na última quinta-feira (11), a cidade vizinha Coronel João Sá foi invadida pelas águas do Rio do Peixe após o transbordamento e o rompimento da barragem Quati, também localizada em Pedro Alexandre.

Em entrevista à Agência Brasil, o coordenador da Defesa Civil em Coronel João Sá, Diego Santos, explicou que uma vistoria realizada na barragem Lagoa Grande indica que o local “está sem risco” de também romper, provocando nova cheia do Rio do Peixe e, consequentemente, outra inundação no município.

Casas interditadas

(Governo da Bahia/Fotos Públicas)

A expectativa, de acordo com o coordenador, é que mais de uma centena de residências particulares sigam interditadas em Coronel João Sá. Segundo ele, após o escoamento da água que inundava a cidade, foi verificado que há muitas casas que aparentam risco por causa de rachaduras e precisam ser avaliadas.

Santos destacou que moradores que tiverem voltado para residências consideradas sob risco terão de retornar aos abrigos, onde estão sendo fornecidos colchões, mantimentos em geral e refeições.

“A alimentação é preparada pelas cozinheiras das escolas, que estão servindo de abrigo. As aulas estão suspensas”, informou. De acordo com ele, além da supervisão das casas e do atendimento das pessoas desalojadas, a defesa civil e o corpo de bombeiros trabalham na remoção de entulho e lixo provocados pelo alagamento.

Com rompimento de barragem, água invade cidades

Água da barragem passou por cima da BR 235, no interior da Bahia (PRF/Reprodução)

Duas rachaduras na Barragem do Quati, no curso do Rio do Peixe, no povoado de Pedro Alexandre, na divisa da Bahia com Sergipe, estão causando inundações de áreas e bairros do município de Coronel João Sá, a 30 km da barragem.

De acordo com o superintendente da Defesa Civil da Bahia, Paulo Luz, de ontem para hoje a região foi afetada por chuva de mais de 100 mililitros. “Isso causou rompimentos de pequenas barragens que acabaram por afetar a Barragem do Quati”, explicou o superintende à EBC.

Segundo Paulo Luz, o volume de água provocou rachaduras no sangradouro e em uma extremidade da ombreira. “A preocupação é que não venha provocar rompimento total da barragem”. A defesa civil já iniciou a retirada de famílias das áreas mais próximas da barragem.

“Uma rua inteira está sendo evacuada, provavelmente será atingida, pois praticamente será o percurso da água”, confirmou nota da Guarnição da unidade do 15° Batalhão do Corpo de Bombeiros de Paulo Afonso.  Segundo os bombeiros e a defesa, não há até o momento registro de vítimas.

O prefeito de Coronel João Sá, Carlinhos Cabral, fez apelo pelas redes sociais para que as pessoas que vivem em áreas que podem ser afetadas deixem urgentemente suas residências. “Eu peço que saiam de suas casas, peguem seus documentos pessoais, peguem objetos de valor (…) A gente ainda não sabe as consequências, é melhor prevenir”, disse em vídeo postado em rede social.

O prefeito divulgou número de emergência para mensagens de WhatsApp: (75) 999 873 419.

Em nota, a Agência Nacional de Águas (ANA), informou que a barragem é “de usos múltiplos de água”, e que o açude e a represa estão sob responsabilidade de fiscalização do Instituto de Meio Ambiente e Recursos hídricos (Inema) do Governo da Bahia. A assessoria de imprensa do órgão não soube prestar nenhuma informação à Agência Brasil.

O Ministério do Desenvolvimento Regional emitiu nota informando que às 13h59 de hoje foi enviado alerta pelas equipes do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad) via SMS para a população do local, reportando o risco de atingimento do município e recomendando a evacuação das áreas próximas ao rio. O Corpo de Bombeiros de Paulo Afonso e as equipes da defesa civil estão sendo deslocadas para a região. Além disso, as equipes de Monitoramento e Operações do Cenad estão em contato com os agentes locais para avaliar a necessidade de apoio complementar por parte do governo federal. 

As equipes estaduais estão preocupadas com o risco de chegada da onda de cheia na barragem do Gasparino, que possui grande reservatório de água e que já está com todas as comportas abertas.

*Colaborou Mariana Tokarnia