Coronel da PM é afastado após sugerir uso de “tanques”

O coronel da Polícia Militar do Estado de São Paulo Aleksander Lacerda foi afastado das funções, de forma preliminar, após reportagem mostrar que ele usava as redes sociais para sugerir “tanques” nas ruas. A decisão pelo afastamento por indisciplina é do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e foi anunciada na manhã de hoje (23) pelo jornal O Estado de São Paulo, que traz uma nota divulgada pela Polícia Militar.

Segundo o Estadão, este mês o coronel havia postado que “liberdade não se ganha, se toma. Dia 7/9 eu vou”. O oficial da PM também escreveu, segundo a reportagem, que “nenhum liberal de talco no bumbum” consegue “derrubar a hegemonia esquerdista no Brasil”. “Precisamos de um tanque, não de um carrinho de sorvete”.

Nas publicações, printadas pelo Estadão, há ainda críticas aos adversários do Presidente Jair Bolsonaro e também ataque o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Corregedoria encontra drogas dentro de batalhão da Polícia Militar no litoral de São Paulo

Corregedoria faz apreensão de drogas dentro de batalhão da Polícia Militar no litoral de SP

A Corregedoria da Polícia Militar apreendeu mais de 10 kg de drogas no 2º Batalhão de Ações Especiais da Polícia Militar (Baep) de Santos, no litoral paulista, nesta terça-feira (10). A informação foi confirmada pela comunicação do Batalhão da PM.

A operação aconteceu no prédio em que também funciona a Sede do 6º Comando do Policiamento do Interior (CPI-6) localizado na Ponta da Praia. As equipes contaram com apoio de dois cães farejadores do 5º Batalhão de Choque. Os animais teriam sentido o cheiro próximo a um armário sem identificação no corredor de acesso aos alojamentos.

Foram apreendidas maconha, cocaína e crack. Segundo informações da polícia, a maconha foi encontrada em invólucros, potes de acrílico e saco a granel, somando cerca de 1,25 kg. A cocaína foi encontrada em eppendorfs, invólucros de plástico e a granel, somando 8,6 kg ao todo. Por fim, encontraram pedras de crack, que totalizam 400 gramas.

Também foram apreendidos outros objetos no Batalhão, entre eles estavam dois simulacros de pistola, uma espingarda, quatro cartuchos, três granadas, dois telefones e duas balanças de precisão.

Corregedoria faz apreensão de drogas dentro de batalhão da Polícia Militar no litoral de SP
Droga foi encontrada em um armário sem identificação no corredor de acesso aos alojamentos do Batalhão(Reprodução/Google)

Nota à imprensa

Em nota, a Polícia Militar informa que, por meio de sua Corregedoria, investiga e protege os agentes. Explica que ações de fiscalização são rotineiras e são um instrumento importante para garantir a eficiência do policiamento ostensivo e de preservação da ordem pública.

A corporação afirma que, no intuito de fortalecimento da disciplina e visando o controle interno, as dependências do 2º Baep foram vistoriadas com cães farejadores, sendo localizada significativa quantidade de drogas e diversos outros materiais proibidos.

A PM ainda destaca que embora a operação ainda esteja em andamento, eventuais irregularidades encontradas serão documentadas e os que as cometerem serão responsabilizados.

Justiça manda prender terceiro PM suspeito de executar jovens

(Reprodução)

A Justiça comum acatou pedido do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) da Polícia Civil e decretou a prisão temporária do cabo Jorge Baptista Silva Filho, 43 anos. O policial militar é o terceiro integrante da corporação preso pela execução dos jovens negros Vinícius Alves Procópio, 19, e Felipe Barbosa da Silva, 23, na noite de 9 de junho.

Os homens foram mortos por tiros disparados à queima-roupa pelo sargento André Chaves da Silva, 46, e pelo soldado Danilton Silveira da Silva, 28, ambos da Força Tática do 1º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano, no cruzamento das ruas Doutor Rubens Gomes Bueno e Castro Verde, em Santo Amaro, na zona sul da capital paulista.

Um vídeo, feito pelo celular de uma testemunha, mostra parte dos tiros desferidos pela dupla de policiais militares sobre os rapazes, e foi decisivo para a Corregedoria da PM pedir a prisão dos atiradores, que já haviam sido conduzidos ao presídio no domingo (13/6), após decisão da Justiça Militar.

Jorge Baptista Silva Filho era quem dirigia a viatura M-01018, que também trazia o sargento André e o soldado Silveira. Os integrantes da Força Tática chegaram ao local após serem acionados por uma outra equipe, que havia localizado o veículo em que os jovens estavam. Segundo a polícia, Vinícius e Felipe estariam armados e roubando na região, o que justificaria a ação policial. No entanto, os próprios policiais alegam que ambos não atiraram contra eles.

Segundo o DHPP, o pedido de prisão se deu para entender se houve participação indireta na ação e se houve fraude processual. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, o cabo Jorge foi conduzido na noite de segunda-feira (14/6) ao Presídio Militar Romão Gomes, no Tremembé, na zona norte, mesma unidade em que já estavam presos seus colegas de farda. Em nota, a defesa do soldado Danilton Silveira da Silva sustentou que tentará sua liberdade através de um habeas corpus. A reportagem não conseguiu localizar a defesa do sargento André e do cabo Jorge.

Para Ariel de Castro Alves, advogado, especialista em direitos humanos e segurança pública e Membro do Grupo Tortura Nunca Mais, “os jovens foram fuzilados”. “O papel dos PMs nesse caso deveria ser de abordá-los e prendê-los e não executá-los sumariamente e à queima-roupa. Não existe pena de morte na legislação brasileira”, disse à Ponte.

O advogado aponta que “as informações do IML (Instituto Médico Legal) são de que o Felipe tinha 27 perfurações geradas pelos disparos dos PMs e o Vinícius tinha 23 perfurações. Essas informações já indicam um fuzilamento”.

Na tarde de segunda-feira (14/6), Ariel acompanhou os familiares dos mortos até a sede da Ouvidoria da Polícia, na Bela Vista, região central. Ao ouvidor Elizeu Lopes Soares a mãe e o irmão de Vinícius e a esposa de Felipe contaram o que sabiam sobre os últimos minutos de vida dos rapazes. A reportagem teve acesso ao documento, que possui duas páginas.

A esposa de Felipe disse em seu depoimento que o marido trabalhava como motoboy e que, na noite de 9 de junho, recebeu uma ligação do esposo por volta das 19h20, em que foi possível ouvir “moiô, moiô, eles vão matar a gente”. Segundo ela, o marido contou onde estava e se despediu, dizendo que amava a esposa e a filha. Ele ainda teve tempo de pedir para que ela avisasse a família do amigo sobre o que estava ocorrendo.

Durante o depoimento, a mãe de Vinícius Alves Procópio disse que o modo que os policiais militares mataram seu filho e Felipe “parecia um treinamento e não uma ação com vidas”.

A mãe de Vinícius contou que, naquela noite, recebeu um telefonema de uma pessoa conhecida afirmando que seu filho havia sido preso. Instantes depois, uma outra ligação informou que ele havia morrido. Como ela não teve coragem de ir até o local, seu marido e o irmão do jovem executado seguiram até o endereço mencionado na ligação. Segundo a mulher, seu filho “trabalhava com o pai com transporte escolar e que, em razão da pandemia de Covid-19, por não haver aulas presenciais, estava parado”.

Os familiares das vítimas também apontaram durante o depoimento na Ouvidoria que o vídeo que registrou as execuções foi visto por eles na página no Instagram da própria Força Tática, em que ele foi exibido “como seu fosse um mérito da polícia”. Ainda segundo os familiares, o vídeo foi apagado pouco após a postagem.

Histórico do chefe da ação

Encarregado da equipe e com mais de 20 anos na PM, a ocorrência que resultou no assassinato dos dois jovens não foi a primeira com resultado morte em que se envolveu o sargento André Chaves da Silva. Em 24 de maio de 2011, o sargento, que à época era cabo, estava junto a um soldado quando receberam via rádio a informação sobre caminhão roubado. Ao chegarem à Rua Carloforte, no Capão Redondo, se depararam com dois homens ao lado do veículo. De acordo com documento do Tribunal Militar, “um deles ao visualizar a viatura se evadiu, porém o outro veio de encontro à viatura, momento em que o PM André tentou abordar o indivíduo este começou a correr, mas, virou-se efetuando um disparo de arma de fogo contra a guarnição que foi revidada pelos policiais militares. O agressor continuou a correr, no entanto, depois, de alguns metros caiu alvejado, sendo socorrido ao PS do Campo Limpo”. O homem morto naquele dia foi identificado como Elton da Silva Reis. A dupla de PMs foi absolvida.

Mais recentemente, em agosto de 2018, o sargento André foi condenado a quatro meses de detenção em regime aberto por ameaça. Durante as buscas por suspeitos de um roubo de moto em Santo Amaro, zona sul da capital, ele e um soldado decidiram abordar um homem que estava em uma rua. Na abordagem, o homem teria chamado o soldado de “você”, e o policial o agrediu com um soco no rosto, dizendo que deveria ser chamado de “senhor”.

Após as agressões, o sargento André ameaçou a vítima, conforme indicam as investigações. Segundo consta no processo, o PM disse o seguinte à vítima: “Tem alguma queixa para fazer de nós? A hora é agora de você denunciar”. Em seguida, tirou fotos do documento, do rosto e da residência do homem agredido, e disse que voltaria caso os policiais fossem denunciados. Em sua defesa, o policial negou a ameaça e usou como prova o sinal de GPS da viatura, num possível indicativo que ela estava em movimento durante o período relatado pela vítima.

Sindicato dos Delegados critica Justiça Militar

Na tarde desta terça-feira (15/6) o Sindicato dos Delegados do Estado de São Paulo divulgou um nota técnica em que critica a Polícia Militar e o Tribunal de Justiça Militar. Para a entidade que reúne policiais civis, a “Polícia Militar instaurou ilegalmente Inquérito Policial para apurar o delito”, investigação que deveria ser tocada pela Polícia Civil, seguindo o que determina a lei.

O entendimento é que a a atitude da PM “investigando crimes praticados pelos próprios integrantes da corporação, além de usurpar as funções constitucionais da Polícia Civil, compromete a persecução criminal, pela falta de imparcialidade, em detrimento da segurança da população”.

A critica ao TJM é devido ao veto do juiz militar Ronaldo João Roth em repassar as investigações iniciais para a Justiça comum, como havia pedido Ministério Público e como determina o Código de Processo Penal, de que crimes dolosos contra a vida são de atribuição do Júri.

Em seu despacho, o juiz Roth justificou sua decisão que “cabe a Polícia Judiciária Militar realizar o IPM, nos termos do parágrafo 2º do artigo 82 do CPPM”. O magistrado também pontuou que o Inquérito Polícia Militar que apura a ocorrência “ainda não está concluído”.

Para o sindicato, tal posição de Roth “contraria entendimento do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, no sentido de que: a Polícia Militar e a Justiça Militar estadual não têm atribuição para investigar e apurar crimes dolosos contra a vida de civil, ainda que praticados por policial militar em serviço”.

O que diz a Secretaria da Segurança Pública

Por meio de nota enviada nesta terça (15/6) a Secretaria da Segurança Pública confirma a prisão do terceiro policial: “O Comando da Polícia Militar prendeu preventivamente os policiais envolvidos na ocorrência. A corporação havia solicitado a prisão à Justiça Militar, que atendeu ao pedido nesta segunda-feira (14). O DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa) também pediu a detenção temporária do terceiro agente, que foi decretada. Os agentes foram encaminhados ao Presídio Militar Romão Gomes. As investigações prosseguem pela Corregedoria da PM e pelo DHPP. A Polícia Militar não compactua com desvios de comportamento e se mantém diligente em relação às denúncias ou indícios de transgressões ou crimes cometidos por seus agentes”.

Por Paulo Eduardo Dias, da Ponte

Policiais militares são presos suspeitos de executar homens após perseguição

PMs são presos suspeitos de executar homens com 30 tiros dentro de carro em SP

Dois policiais militares foram presos neste domingo (13), por decisão da Justiça Militar, por suspeita de perseguirem e executarem dois homens, com aproximadamente 30 tiros, dentro de um carro parado na Zona Sul de São Paulo. As vítimas eram suspeitas de assalto. Elas não atiraram contra os policiais, mas foram encontradas mortas com 50 perfurações de balas pelos corpos.

O caso ocorreu na última quarta-feira (9), mas o crime só chegou ao conhecimento das autoridades após um vídeo, gravado por uma testemunha e que circula nas redes sociais, mostrar os agentes da Polícia Militar (PM) atirando contra os dois rapazes suspeitos dentro do Onix branco da Chevrolet. O veículo havia sido roubado juntamente com os pertences dos proprietários.

O sargento André Chaves da Silva e o soldado Danilton Silveira da Silva, ambos do 1º Batalhão da Polícia Militar (BPM) foram presos e estão detidos no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital. As prisões preventivas deles foram decretadas pelo juiz Ronaldo João Roth, do Tribunal de Justiça Militar (TJM), a pedido do Ministério Público Militar (MPM) e da Corregedoria da PM.

O vídeo que circula nas redes sociais mostra dois policiais militares atirando dentro de um carro em Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo, na noite de quarta-feira (9).

Histórico
Essa não foi a primeira vez em que o sargento André, que está na PM há mais de duas décadas, teve de encarar o Tribunal de Justiça Militar de São Paulo. Em agosto de 2018, ele foi condenado a quatro meses de detenção em regime aberto por ameaça.

Conforme as investigações, em julho de 2017, o sargento estava acompanhado de um soldado do 1º Batalhão da PM Metropolitano, em patrulhamento também na região de Santo Amaro, atrás de suspeitos de roubarem uma motocicleta.

Durante as buscas, a dupla de PMs decidiu abordar um homem que estava em uma rua. Na abordagem, o homem teria chamado o soldado de “você”, e o policial o agrediu com um soco no rosto, dizendo que deveria ser chamado de “senhor”.

Após as agressões, o sargento André ameaçou a vítima, conforme indicam as investigações. Segundo consta no processo, o PM disse o seguinte à vítima: “Tem alguma queixa para fazer de nós? A hora é agora de você denunciar”. Em seguida, tirou fotos do documento, do rosto e da residência do homem agredido, e disse que voltaria caso os policiais fossem denunciados.

Na ocasião, a defesa do sargento disse que ele não cometeu o crime de ameaça, e usou o GPS da viatura que ele ocupava para mostrar que o carro estava em movimento durante o período relatado pela vítima. Mas os argumentos da defesa foram rejeitados pela Justiça Militar.

O sargento também já havia participado de uma outra ocorrência que resultou na morte de uma pessoa. Tal fato ocorreu em 24 de maio de 2011. Naquele dia, segundo documento obtido pela reportagem da Ponte, André Chaves da Silva ainda era cabo e estava encarregado por uma viatura, sentando ao lado do soldado Ailton Reis da Silva. Em determinado momento, receberem via rádio do carro policial sobre roubo de carga. Após alguns minutos, localizaram um caminhão que havia sido roubado, no final da Rua Carloforte, Capão Redondo, também na zona sul, parado com dois homens.

De acordo com o documento, “um deles ao visualizar a viatura se evadiu, porém o outro veio de encontro à viatura, momento em que o PM André tentou abordar o indivíduo este começou a correr, mas, virou-se efetuando um disparo de arma de fogo contra a guarnição que foi revidada pelos policiais militares. O agressor continuou a correr, no entanto, depois, de alguns metros caiu alvejado, sendo socorrido ao PS do Campo Limpo”. O homem morto naquele dia foi identificado como Elton da Silva Reis. A dupla de PMs foi absolvida.

Outro lado
A reportagem não conseguiu contato com a defesa do sargento André Chagas. Procurada, a Secretaria de Segurança Pública não se pronunciou.

A defesa do soldado Danilton Silveira da Silva encaminhou nota em que sustentou que irá pedir um habeas corpus:

“Participamos hoje da audiência de custódia dos policiais envolvidos, cujo objetivo era avaliar as formalidades da prisão preventiva. O próprio juiz que havia determinado a prisão conduziu a audiência. Por não haver novos elementos de ontem para hoje, decidiu-se manter a prisão dos policiais. Vamos trabalhar na interposição de habeas corpus atacando esse pedido de prisão preventiva. Não existem elementos processuais para que a prisão seja mantida. Sobre o mérito, ainda não traçamos uma linha de defesa porque não sabemos ainda como eles serão denunciados. Se for considerado um crime doloso o julgamento vai para Vara do Júri e não haverá mais trâmite do caso na Justiça Militar. Teremos que aguardar, portanto. Nossa preocupação agora é fazer com que respondam o caso em liberdade”.

*As informações são do portal A Ponte

Policiais são presos por consumo de álcool dentro da viatura

Fachada da 1ª Cia do 43º BPM/M onde policiais detidos estão lotados, na Rua Michel Ouchana, 150 | Foto: Reprodução/Google Street View

Os soldados Vitor Clímaco Sacramento e Guinters Lemos de Oliveira foram presos em flagrante por consumo de bebida alcoólica dentro da viatura durante horário de serviço, na noite de sábado (26/9), a pouco mais de 100 metros do 43º Batalhão da PM, na região do Jaçanã, na zona norte da capital paulista.

Segundo o registro da ocorrência, uma patrulha da Corregedoria da corporação recebeu a denúncia de que a dupla estaria fazendo o consumo de bebidas na altura do número 94 da Rua Michel Ouchana e foi até o local. Os policiais foram submetidos a exames no Hospital da PM e tiveram a embriaguez identificada.

O soldado Vitor foi autuado por prevaricação, que é quando o funcionário público deixa de exercer sua função, cuja pena no Código Penal Militar varia de detenção de seis meses a dois anos. Já Guinters foi autuado por conduzir a viatura sob efeito de álcool, crime no Código Brasileiro de Trânsito que prevê pena de prisão de seis meses a três anos, além de multa e suspensão da carteira de habilitação. Também responderá na esfera militar por comportamento contra os valores da corporação.

Há duas semanas (13/09), a Ponte revelou que policiais civis do Denarc (Departamento Estadual de Investigações sobre Entorpecentes), especializados no combate às drogas, foram flagrados dirigindo bêbados após saírem de um churrasco em uma delegacia.

O policial civil Afonso Ariovaldo Beviani Junior foi parado em uma blitz da PM, na Ponte das Bandeiras, próximo ao Terminal Rodoviário do Tietê, na zona norte da cidade, e estaria dirigindo embriagado. Na ocasião, conforme depoimento dos policiais militares, Beviani Junior tentou apresentar uma carteira de habilitação em nome de seu pai, já morto e vencida havia 10 anos. Em outro veículo, o policial civil Renato do Nascimento Prado, parado no local, também apresentava sinais de embriaguez.

O que diz a PM

Ponte tentou localizar advogados dos soldados, mas não teve resposta. O tio de Vitor disse que mora no interior do estado e soube do ocorrido pela reportagem, não sabendo informar quem poderia ser o defensor do sobrinho nesse caso.

A reportagem também procurou as assessorias de imprensa da PM e da Secretaria de Segurança Pública e solicitou entrevista com os policiais.

A Inpress, assessoria terceirizada da SSP, informou que responderia por meio de nota. A pasta confirmou as prisões em flagrante e declarou que “a corporação não compactua com desvios de conduta de seus agentes e apura com rigor todas as denúncias”. Já o caso dos policiais do Denarc, segundo a secretaria, segue em apuração na Corregedoria.

Por Jeniffer Mendonça, da Ponte

PMs usaram sistema de inteligência da polícia para extorquir traficantes

PMs usariam fardas e sistema da corporação para praticar crimes | Foto: Reprodução/Facebook

Policiais militares de Sorocaba encontraram uma forma de aumentar seus ganhos: extorquir suspeitos e traficantes. A tarefa se baseava em chegar em biqueiras, onde havia a venda de drogas, e ameaçar pessoas suspeitas ou condenados na Justiça com mandados de prisão em aberto. Como se não bastasse, a gangue ainda se apropriava de drogas “apreendidas”.

As ações aconteciam com base nos sistemas de inteligência da própria corporação. O grupo se dividia em PM de serviço pelo 7º Batalhão de PM do interior e outros de folga. Civis, sem ligação com a segurança pública paulista, também participavam.

Dois cidadãos comuns contribuíram para desvendar a atuação do grupo. Ambos foram pegos com armas, coletes balísticos e fardas similares aos usados pela PM, o que abriu uma investigação mais detalhada.

Mensagens no WhatsApp demonstraram ser um caso maior do que apenas civis se passando por policiais. Em seus celulares havia conversas, vídeos e fotos comprovando a ligação de PMs na extorsão.

Antes de abordarem as biqueiras, os policiais vigiavam e observavam as bocas de fumo. Utilizaram até rastreador em veículos de forma clandestina. Depois de identificarem seus alvos, acessavam os sistemas para terem informações criminais e ameaçá-los.

Todas as ações eram feitas de forma extraoficial, sem constar nenhum registro no sistema da corporação. Em alguns casos, aponta a investigação, os registros eram feitos parcialmente, com uma parcela dos objetos encontrados com as pessoas.

O grupo é composto por pelo menos dez PMs, que tiveram a prisão preventiva expedida pela Justiça. Eles estão presos no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da cidade de São Paulo. Todos são praças, policiais de baixa patente: seis cabos e quatro soldados.

Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, há “fortes indícios” de que os PMs cometeram os crimes de associação criminosa, concussão (quando um funcionário público exige vantagens pessoais por meio de sua profissão), prevaricação (deixar de denunciar um crime ao presenciá-lo) e violação de sigilo funcional.

Estão presos os policiais Daniel Pires Braatz, José Carlos Correa Filho, Ricardo Cordeiro da Silva, José Luiz Ribeiro Ismerim, Carlos Vaz Júnior, Peterson Rogério Fernandes, Ewerton Luiz Favoretto, Danilo Proença de Melo, Anderson Colonesi e Jonatas Tadeu Caricati.

“Os militares estaduais e civis utilizavam dos Sistemas Inteligentes da PMESP, viaturas de serviço para apoio em ações, abordagens e consultas de documentos, tudo para identificar infratores, localizá-los e exigir vantagem indevida ou subtrair objetos ilícitos de sua posse”, detalha o juiz militar Ronaldo Roth.

O magistrado determinou ainda a busca e apreensão na casa dos dez PMs. Também fez o mesmo pedido para outros dois PMs que não estão entre os presos: os cabos Márcio Matrigani e Sandro William Almeida. Há suspeita de que mais três cidadãos sem ligações com a PM participavam do grupo criminoso.

Base do 7 Batalhão do interior, onde os PMs trabalhavam | Foto: Reprodução/Google Street View

Segundo o juiz Roth, deixar os policiais em liberdade comprometeria as investigações “uma vez que eles poderão colocar obstáculos à instrução criminal”, sustenta ao determinar suas prisões.

“Nota-se que o envolvimento de policiais militares nos crimes gravíssimos apurados é incompatível para aqueles que têm o dever de proteger a sociedade, o que causa grave abalo aos princípios de hierarquia e disciplina militares”, defende Roth.

O tenente-coronel Adilson Paes de Souza explica nunca ter visto uma ação deste tipo em seus anos como policial. No entanto, afirma “não ser raro” a população denunciar situações similares.

“Algumas pessoas , que vivem nos bairros, nas periferias, relatam casos de PMs que vão nas bocas de fumo, descem e saem tranquilamente. Vai para buscar dinheiro, há relato de pessoas”, afirma.

Adilson considera extremamente grave a existência de crimes como os supostamente cometidos pelos policiais de Sorocaba. Para ele, é um caminho para a “falência do sistema”.

“Contribui para o descrédito na polícia, na sedimentação das organizações criminosas e para a falência do sistema de segurança pública e de Justiça”, resume, citando que, se por um lado há policiais que liberam suspeitos de crimes, por outro há PMs que forjam flagrantes “em outras pessoas para mostrar eficiência do sistema”.

A extorsão se baseava justamente em sistema da PM. “Precisa verificar quem são as pessoas que tiveram acesso, pesquisar os perfis e, nesse caso, punir exemplarmente e divulgar com transparência à sociedade”, diz o tenente-coronel.

Segundo o policial e pesquisador, há formas de aumentar a proteção para o InfroCrim e InfoSeg, nome dos sistemas aos quais os PMs em rua têm acesso.

“Talvez, desenvolver outra ferramenta no sistema que permita maior controle. De se saber como é o controle do acesso e desenvolver uma medida para tornar mais seletivo e mais controlado”, sugere.

A Ponte questionou a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, comandada pelo general João Camilo Pires de Campos neste governo João Doria (PSDB), sobre a prisão dos PMs.

Em nota, a secretaria confirmou que os dez policiais estão presos no Romão Gomes desde a quarta-feria (9/9) em ação da Corregedoria da PM.

“A operação faz parte de ações decorrentes de depuração interna realizada pelo comando dos batalhões, visando à manutenção da transparência, qualidade e legitimidade na prestação de serviços”, afirma a assessoria de imprensa terceirizada da pasta, a InPress.

Por Arthur Stabile, da Ponte

Motoboy agredido por PM tem a prisão revogada e deve ser solto hoje

Entregador foi preso por ‘tentativa de roubo’ apesar de não estar armado; juíza pediu à Corregedoria que investigue acusação de agressão pelo policial influencer Felipe da Silva Joaquim

O motoboy André Andrade Mezzette, que foi agredido pelo PM Felipe da Silva Joaquim | Foto: Arquivo Pessoal

O entregador André Andrade Mezzette, 29, preso neste sábado (29/8) após ser agredido pelo policial militar Felipe da Silva Joaquim, 30 anos na zona norte da capital paulista, teve sua prisão preventiva revogada na noite desta terça-feira (1/9) e deve ser solto nesta quarta (2/9). 

Um PM havia acusado André de tentar assalta-lo, apesar de o motoboy não portar nenhuma arma no momento da agressão. Imagens obtidas pela Ponte mostram André gritando por socorro sendo agredido pelo PM armado e à paisana. Leia a íntegra da decisão de soltura de André Baixar

Em sua decisão, a juíza Tania da Silva Amorim Fiuza reverteu a prisão preventiva dada no domingo (29/8) por outra magistrada, Vivian Brenner de Oliveira. Vivian considerou que André não tinha residência fixa. 

Em nova análise, Tania da Silva diz que “não é cabível a manutenção da prisão do averiguado, visto que há fundadas duvidas sobre a materialidade da suposta tentativa de roubo”, uma vez que o motoboy tem emprego, endereço fixo e que não portava arma ou simulacro na ocasião da suposta tentativa de roubo – importante notar também a importância dos vídeos de denúncia, que a juíza afirma ter visto e que influenciaram a decisão.

Além disso, a segunda decisão, a favor da liberdade, termina com um pedido de que a Corregedoria da Polícia Militar apure o caso da agressão de Felipe contra o entregador. 

“É uma notícia maravilhosa”, diz Paschoal Caruso Junior, 43 anos, advogado do motoboy. “A revogação dá indícios de que a Justiça está prestando atenção no caso e que ela será efetivamente aplicada”, comemora.

André estava preso desde o dia em que foi agredido pelo policial. Segundo sua família, o homem havia acabado de entregar uma pizza quando deu uma pausa no serviço. Ele acendeu um cigarro de maconha, quando o policial Felipe da Silva Joaquim o abordou.

Soldado usa seu perfil nas redes sociais para publicar fotos fardado e ações policiais | Foto: Reprodução/Instagram

Felipe, que estava sem farda, aparece em imagens arrastando André. Ele o leva parede e o chama de “verme”, “arrombado” e “noia”. O policial sustentou à Polícia Civil que André havia tentado assaltá-lo ao fazer menção de sacar uma arma, mesmo sem ter nenhum armamento com ele. 

O delegado André César Pereira Leocata, do 73º DP (Jaçanã) acatou a versão do policial e determinou a prisão em flagrante do motoboy. Não consta no Boletim de Ocorrência a versão dos fatos do ponto de vista de André, que no momento da elaboração do documento era atendido na UPA (Unidade de Pronto atendimento) do Jaçanã por causa de uma coronhada na cabeça.

A prisão do entregador gerou um protesto na noite de domingo (30/8) em frente ao 72º DP, na zona norte de São Paulo, com amigos levantando cartazes pedindo justiça, e foi bastante divulgada pela imprensa. 

Com quase 100 mil seguidores no Instagram, o policial Felipe da Silva Joaquim utiliza suas redes sociais para exaltar a corporação e compartilhar perseguições e abordagens feitas pela Rocam (Rondas Ostensivas Com Apoio de Motocicletas).

Por Arthur Stabile e Amauri Gonzo, da Ponte

PM agride entregador e família contesta prisão na corregedoria

Em vídeo, policial arrasta rapaz e o chama de “verme”; irmã afirma que motoboy foi fazer entrega de pizza e parou para fumar em rua próxima na zona norte de SP

Jovem levou coronhada na cabeça por policial à paisana, denuncia família | Foto: Reprodução e Arquivo pessoal

“Você é hipócrita, eu só estava fumando um baseado aqui”, grita um jovem negro rendido enquanto um policial militar branco à paisana o arrasta até a parede e o chama de “verme”, “arrombado” e “noia” na região do Tremembé, na zona norte da capital paulista, na noite desta sexta-feira (28/8).

O rapaz é o motoboy André Andrade Mezzette, 29, que aparece nas imagens ao lado da mochila que usou, segundo a família, para fazer uma entrega de pizza na Rua Capinzal. “Ele tinha feito a entrega e parou numa outra rua para fumar um cigarro de maconha e nisso o policial passou de moto, perguntando ‘o que você tá fazendo aqui?’ e ele disse que estava trabalhando e o policial partiu para cima dele”, conta a irmã de André, a estudante Vitoria Andrade Mezzette, 21. “O policial deu uma coronhada na cabeça dele, ele tomou dois pontos”, denuncia.

Segundo o boletim de ocorrência, o policial à paisana é o soldado Felipe da Silva Joaquim, e mora no bairro. Ele alegou que estava retornando para sua casa quando “percebeu um indivíduo estranho parado em frente a uma motocicleta” e que ele “teria feito menção de sacar uma arma”. Nesse momento, o PM afirma que parou sua moto e sacou uma arma se identificando como policial e que André teria corrido a pé e, ao alcançá-lo, teriam “entrado em luta corporal” e que por isso o motoboy teria se machucado.

Ao ser rendido, o PM disse que André teria o ameaçado, dizendo que “era da quebrada” e que “iria voltar”. Outros dois policiais militares foram acionados e levaram o motoboy à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jaçanã, onde ficou internado para a realização de uma tomografia.

Vitória mostra comprovante de entrega de pizza que teria sido feita por André na sexta-feira (28/8) | Foto: Reprodução

No documento, não há a versão do rapaz. O delegado André Cesar Pereira Leocata, do 73 DP (Jaçanã), indiciou André por roubo tentado, “tendo em vista o agente ter usado de grave ameaça (simular estar armado) para subtrair coisa alheia móvel, só não alcançando seu intento por circunstâncias alheias à sua vontade”, escreveu.

No momento em que atendeu a reportagem, Vitória estava na Corregedoria da PM. “Vou mostrar os vídeos e dar meu depoimento porque ele não estava assaltando”, disse à Ponte. Os vídeos são de vizinhos que gravaram a abordagem do policial. “Eu tentei ir atrás das testemunhas, mas o pessoal tem medo porque o PM mora ali no bairro”, apontou.

Vitória organizou com familiares e amigos um ato em frente ao 72 DP (Vila Penteado) na noite deste domingo (30/8), onde André esteve preso, para pressionar pela apuração da agressão.

Familiares e amigos de André protestam em frente a delegacia. | Foto: Arquivo pessoal

Convidado a analisar as imagens pela Ponte, o advogado Ariel de Castro Alves, especialista em direitos humanos e segurança pública pela PUC- SP e conselheiro do Condepe (Conselho Estadual de Direitos Humanos), diz que “pelas imagens o pm pode ser investigado por abuso de autoridade, ameaça, calúnia, injúria e difamação e até tortura por manter o rapaz sob uma arma apontada pra cabeça e ter praticado agressões”.

Castro também aponta irregularidades no procedimento da polícia civil: “a polícia civil deveria ter ouvido o rapaz, um investigador deveria ter ido a unidade de saúde”.

Outro lado

Procurado pela Ponte, o soldado Felipe da Silva Joaquim disse que “minha versão é do B.O. (boletim de ocorrência) na polícia civil. No vídeo que estão me acusando não houve nada. Apenas esperei chegar o apoio e deram prosseguimento dos fatos”. Sobre os xingamentos, Felipe afirou que “isso é vocês que estão falando”.

A reportagem procurou a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública, que informou em nota que “um homem, de 29 anos, foi preso em flagrante após tentativa de assalto a um policial militar de folga na noite da última sexta-feira (28), no Tremembé, zona norte da capital. O caso foi registrado como tentativa de roubo de veículo no 73°DP. A Corregedoria da PM acompanhará o caso”.

Por Jeniffer Mendonça

Tiroteio entre PMs envolveu dois policiais assaltantes

Segundo Boletim de Ocorrência, Josimar Lima da Silva morreu após reagir a assalto praticado pelos também PMs André Monteiro Malfati e João Paulo de Araújo Silva, em Diadema (SP); Araújo nega e afirma ser inocente

PM Josimar foi morto após reagir a um assalto que teria sido anunciado por dois PMs | Foto: Arquivo Ponte

O tiroteio entre três PMs, que terminou com dois mortos e um detido em Diadema (Grande SP), na manhã do último domingo (23/8), na verdade teria sido uma tentativa de roubo. O crime aconteceu na avenida das Nações, no Jardim das Nações.

Segundo o Boletim de Ocorrência registrado no 3º DP de Diadema, o PM André Monteiro Malfati, 33 anos, acompanhado do o cabo João Paulo de Araújo Silva, 28 anos, anunciou um assalto para algumas pessoas na rua. Uma das vítimas seria o PM Josimar Lima da Silva, 32 anos, que revidou, efetuando disparos de arma de fogo que atingiram “o policial que anunciara o roubo”, como descreveu o delegado Luciano Galvão Elias. Josimar estava com outras pessoas na porta da casa do sobrinho, que comemorava seu aniversário, quando foram surpreendidos pelos assaltantes.

João Paulo, segundo as testemunhas, parentes e amigos de Josimar, relataram na delegacia, estaria acompanhando André no roubo e seria quem efetuou disparos contra o PM Josimar. Os disparos atribuídos a João Paulo também teriam atingido a namorada de Josimar, que permanece internada.

Ponte ouviu uma das seis testemunhas do caso, sob a condição de anonimato. A familiar disse que os policiais assaltantes chegaram pedindo para as pessoas levantarem as blusas e dar tudo o que tinham com elas.

“Eles não se identificaram como policiais nesse momento. O Josimar conseguiu balear o policial André e o policial João Paulo baleou o Josimar. Ele estava desnorteado, aparentemente drogado. Depois que atirou, ficou falando que era policial, para ninguém chegar perto dele”

O PM João Paulo, lotado 24º Batalhão da PM paulista (Diadema) foi preso em flagrante por latrocínio (roubo seguido de morte), que tem pena de quinze a trinta anos de prisão, e organização de grupo para prática de violência, que tem pena de quatro a oito anos – ambos os crimes fazem parte do Código Penal Militar, que rege o caso uma vez que o enfrentamento ocorreu entre militares. Em depoimento na delegacia, definiu o caso como “entrei em uma furada”.

Todos os policiais estavam fora do horário de trabalho e usavam roupas comuns. André, também lotado no 24º Batalhão, e Josimar, do 6º Batalhão de PM, foram socorridos no Hospital Municipal de Diadema, onde foram constatados os óbitos.

No primeiro semestre de 2020, 24 policiais militares paulistas foram mortos, sendo 12 deles em serviço e 12 de folga. No mesmo período, sob o comando de João Doria (PSDB), PMs mataram, em serviço, 435 pessoas, enquanto 63 pessoas foram mortas por PMs de folga. Esse é maior número já registrado em um primeiro semestre desde que a Secretaria da Segurança Pública passou a disponibilizar esses dados, em 1996.

João Paulo foi preso no CPA (Comando de Policiamento de Área
Metropolitano), onde alegou que agiu em legítima defesa de terceiro. Posteriormente, foi encaminhado para o Presídio Militar Romão Gomes, na Vila Albertina, zona norte da cidade de SP.

Outro lado

Procurada pela Ponte, a advogada Flávia Artilheiro, que cuida da defesa do PM João Paulo, afirmou por WhatsApp que “o Cabo Araújo é inocente e a legitimidade de sua conduta restará demonstrada ao final das investigações”.

A reportagem também questionou a Secretaria da Segurança Pública e a Polícia Militar sobre o caso, perguntando também sobre a permanência de João Paulo na corporação.

Em nota, a SSP informou se limitou a dizer que o caso havia sido registrado no 3º DP da cidade, “que instaurou inquérito policial para apurar todas as circunstâncias do fato”. “A ocorrência também é investigada pela Polícia Militar meio de IPM. O policial militar segue detido no Presídio Romão Gomes”, finalizou a pasta.

Por Caê Vasconcelos – Repórter da Ponte

PMs são presos suspeitos de furtar R$ 53 mil em abordagem

Soldados atuavam no mesmo batalhão em que 42 PMs foram presos e condenados por envolvimento com o PCC, no ano passado

Batalhão onde PMs suspeitos de furto atuavam | Foto: Divulgação/Polícia Militar

Dois soldados da Polícia Militar de São Paulo foram presos, na noite da última sexta-feira (21/8), suspeitos de terem furtado R$ 53 mil durante uma abordagem em Americanópolis, na zona sul da cidade de São Paulo.

Segundo informações da própria PM, a Corregedoria da corporação foi acionada ontem, por volta das 21h, para investigar uma denúncia na 3ª Companhia do 22º Batalhão Metropolitano, local de trabalho dos dois policiais militares, que fica na Cidade Ademar, bairro vizinho de onde teria acontecido a abordagem criminosa. Ali, localizaram o dinheiro furtado.

O batalhão é o mesmo que, no ano passado, deu origem ao maior julgamento coletivo da história da Justiça militar brasileira, no ano passado. Na ocasião, 42 PMs da unidade foram condenados em primeira instância por envolvimento com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) e outros 11 foram absolvidos. 

Antes de chegar à unidade policial, a Corregedoria acionou o PM responsável pelo curso de formação de praças do Batalhão para fazer as buscas iniciais. Durante vistoria na viatura policial usada pela dupla de soldados, os superiores não localizaram nada de ilícito. 

Os policiais militares, então, foram até a Companhia de atuação dos suspeitos. A vistoria no alojamento também não localizou nada, mas a busca no carro pessoal de uma soldado que realizou a abordagem localizou o dinheiro, em espécie. Não está claro como a Corregedoria chegou aos suspeitos.

A policial dona do veículo e seu companheiro de patrulhamento foram presos em flagrante por peculato-furto, quando o criminoso usa seu trabalho de servidor público para tirar dinheiro de outra pessoa. Com o agravante de envolver valor superior a 20 vezes o salário mínimo, a pena prevista no Código Penal Militar é de 4 a 20 anos de reclusão.

Os dois soldados foram levados para o Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo, destinado a policiais acusados e condenados por crimes. Foi instaurado um Inquérito Policial Militar para apurar o caso.

A PM não deu detalhes sobre como ocorreu o furto, nem quem foram suas vítimas. A Ponte Jornalismo não conseguiu identificar os policiais suspeitos nem falar com seus advogados.

Por Fausto Salvadori – Repórter da Ponte