Meninas obesas têm mais chances de doenças cardiovasculares na vida adulta

(Marcos Santos/USP Imagens)

Estudo feito com 92 adolescentes sugere que as meninas são mais propensas do que os meninos a desenvolver alterações metabólicas associadas à obesidade, entre elas hipertensão e dislipidemia – como é chamada a elevação dos níveis de colesterol e triglicerídeos no sangue.

A pesquisa foi conduzida com apoio da FAPESP por cientistas do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) e da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Os resultados foram divulgados em artigo na revista Frontiers in Nutrition.

Segundo os autores, os dados revelam um padrão de alterações no perfil lipídico associado às meninas obesas, quando comparadas a meninas sem sobrepeso. A conclusão é que as garotas do primeiro grupo têm mais predisposição a sofrer de doenças cardiovasculares na vida adulta.

“Observamos que as meninas são muito mais propensas às alterações típicas da obesidade, como hipertensão e dislipidemia. Elas apresentaram níveis aumentados de triglicerídeos e LDL, o chamado colesterol ‘ruim’, enquanto o HDL, o colesterol ‘bom’, foi menor em comparação às meninas eutróficas [sem sobrepeso]”, revela a bióloga Estefania Simoes, primeira autora do trabalho.

O perfil lipídico dos meninos obesos não apresentou diferenças significativas quando comparado com o dos meninos eutróficos, segundo os cientistas.

A obesidade infantil é uma preocupação crescente de autoridades sanitárias e estudiosos da área da saúde. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 340 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos estavam com sobrepeso ou obesos em 2016. É bem sabido que a obesidade na infância pode acarretar distúrbios metabólicos e doenças cardiovasculares na vida adulta.

Embora a questão venha ocupando cientistas e grupos de pesquisa há algum tempo, a ocorrência da obesidade na adolescência sob o ponto de vista das diferenças entre os sexos ainda é um tema pouco explorado.

“Nós comparamos adolescentes obesos e não obesos entre 11 e 18 anos de ambos os sexos abordando, simultaneamente, medidas antropométricas, perfil lipídico e lipoproteico, concentração de hormônios e neuropeptídeos, com foco especial nas respostas dependentes do sexo. Até onde sabemos, trata-se do primeiro estudo com essa abordagem multifatorial.”

O trabalho recebeu financiamento por meio de dois projetos: “Avaliação de anatomia cerebral, mediadores inflamatórios e hormônios reguladores do apetite de pacientes pediátricos obesos: um estudo sobre a neurobiologia da obesidade” e “Inflamação sistêmica em pacientes com caquexia associada ao câncer: mecanismos e estratégias terapêuticas, uma abordagem em medicina translacional”.

Colaborações

A pesquisa foi realizada em colaboração com o neurologista e psiquiatra Ricardo Riyoiti Uchida, pesquisador que lidera o trabalho e responsável pelo recrutamento dos 92 adolescentes que participaram do levantamento, no Ambulatório de Endocrinopediatria da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Uchida vem tentando entender, por meio de neuroimagens, se existe alguma alteração nas regiões do cérebro relacionadas à saciedade e ao apetite.

“É outro trabalho que está prestes a sair. O objetivo é caracterizar o sistema nervoso central dos pacientes obesos. Ele estuda obesidade adolescente há muitos anos”, adianta Simoes.

Além da coleta de sangue dos pacientes e da aferição da pressão sanguínea, foram mensuradas as concentrações plasmáticas (em jejum) de colesterol total (TC), colesterol de lipoproteína de alta densidade (HDL), colesterol de lipoproteína de baixa densidade (LDL), colesterol de lipoproteína de densidade muito baixa (VLDL) e triglicerídeos (TG). Esse trabalho foi feito pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Adicionalmente, foram aplicados vários questionários desenvolvidos para identificar os padrões alimentares que exibem sinais de dependência de alimentos ricos em gordura e/ou açúcar, assim como distúrbios alimentares.

Os cientistas mediram, ainda, os neuropeptídeos ligados a alterações neuro-humorais e descobriram que eles estão bastante alterados nos indivíduos obesos. Os neuropeptídeos são liberados em resposta a sinais periféricos (tais como hormônios) para regular o apetite e o equilíbrio energético.

“Além disso, a leptina e a insulina interagem com os neuropeptídeos NPY, MCH e α-MSH, não apenas regulando o apetite, mas também ativando o sistema nervoso simpático, possivelmente contribuindo para a hipertensão relacionada à obesidade”, revela Simoes.

De acordo com ela, esses novos dados relativos às diferenças observadas entre meninos e meninas no padrão de hormônio, citocinas e neuropeptídeos apontam a necessidade de uma terapia mais direcionada e específica.

“Por mais que se queira fazer um tratamento único, no que diz respeito a fármacos ou suplementação alimentar, o que os dados mostram é que talvez não se deva tratar do mesmo modo meninos e meninas, mesmo que eles tenham o mesmo peso e idade. Porque o organismo vai reagir de maneira diferente.”

Links

Joanna Correia-Lima, segunda autora do artigo, esclarece que com os dados coletados no mesmo grupo de voluntários foram desenvolvidos dois artigos. O primeiro, já publicado no International Journal of Obesity, focou a caracterização do processo inflamatório dos pacientes, tendo em vista ser a inflamação um processo biológico marcante na obesidade.

“No laboratório da professora Marília Seelaender, que também assina este segundo artigo na Frontiers in Nutrition conosco, sempre estudamos algo que é o oposto da obesidade: a caquexia [em pacientes com enfermidades como câncer e Aids, que perdem muito peso e, principalmente, massa muscular]. Essas duas doenças têm em comum o papel central da inflamação sistêmica. Então, inicialmente, focamos o trabalho na inflamação e, depois, avaliamos e caracterizamos essa outra parte hormonal e como isso está relacionado com a predisposição de desenvolver doenças cardiovasculares.”

De acordo com Correia-Lima, os inúmeros trabalhos já publicados sobre o tema obesidade adolescente/infantil geralmente abordam um fator específico que se encontra alterado no obeso (a inflamação ou um determinado hormônio, por exemplo), ou ainda uma consequência específica da obesidade, como hipertensão. “Mas nós conseguimos conectar esses dados todos. Como tínhamos uma coorte grande e uma boa quantidade de dados coletados, fomos capazes de caracterizar os links existentes em uma mesma população, ou seja, como se interligam todas as alterações observadas no organismo obeso. Isso é o mais importante desse trabalho: mostrar esses links”, diz.

Segundo Simoes, após a coleta de dados, quando foram realizadas as análises de correlação estatística, as pesquisadoras notaram que as ocorrências observadas nos organismos obesos estavam conectadas umas às outras. “Níveis elevados de hormônios como insulina e leptina [o hormônio da saciedade] poderiam ser os causadores da hipertensão, por exemplo. E essas informações deveriam ser levadas em conta no tratamento da obesidade. É muito comum o uso de anti-inflamatórios, que podem minimizar um aspecto da doença, mas é interessante saber que há outros fatores colaborando para que o problema ocorra, pois assim se tem a chance de complementar e melhorar o tratamento.”

Ela lembra que a obesidade é uma doença multifatorial e, por isso, não possui um único tratamento. Além de dieta e atividade física, os tratamentos podem incluir o uso de medicamentos, a intervenção cirúrgica e o cuidado psicológico.

“Nas avaliações feitas por meio do questionário, já se percebe que existe, naqueles meninos e meninas obesos, um distúrbio da alimentação em nível psicológico. Por mais que possamos mostrar que existem alterações nos neuropeptídeos, nos hormônios, na hipertensão ou na inflamação, no fundo, a criança não tem apenas um problema orgânico, mas psicológico. Daí a importância de estudos sobre a obesidade infantil: diagnosticar a tempo e tratar, para que não vire uma complicação maior na vida adulta”, alerta Simoes.

O artigo Sex-Dependent Dyslipidemia and Neuro-Humoral Alterations Leading to Further Cardiovascular Risk in Juvenile Obesity pode ser lido em: www.frontiersin.org/articles/10.3389/fnut.2020.613301/full.
 

Por Karina Ninni, da Agência Fapesp

Polícia encontra outra criança que era mantida em tambor

Policiais Militares do 29° batalhão de São Paulo junto com o Conselho Tutelar localizaram, na noite de ontem (25), uma criança de três anos presa em um tambor no bairro do Itaim Paulista, Zona Leste da capital.

De acordo com a PM, os policiais prenderam em flagrante a mãe e salvaram a criança. O menino estava nu e apresentava sinais de maus-tratos. Os Policiais providenciaram água e alimentação para a criança.

A mãe do menino, uma jovem de 20 anos, foi atuada por maus-tratos. Segundo nota da PM, a ocorrência foi encaminhada ao 67º Distrito Policial, onde o caso será investigado. 

No início de fevereiro, uma criança de dois anos foi encontrada pela PM em situação semelhante no bairro Cidade Líder, também na Zona Leste de São Paulo. 

*Com TV Cultura

Criança de 3 anos era mantida amarrada com fios

Criança recebe o carinho de policial na delegacia (PMESP/Reprodução)

Uma criança de três anos estava sendo mantida amarrada por fios, em Cidade Líder, na zona leste de São Paulo. Ela estava sozinha na casa quando a Polícia Militar chegou ao local.

A PM descobriu que a menina estava amarrada após uma denúncia anônima feita ao 190. Vizinhos estranharam o choro constante da criança e ligaram para a PM.

Quando os policiais entraram na casa e encontraram a vítima amarrada, ela estava com um brinquedo. Nenhum adulto foi encontrado no local.

A criança recebeu os cuidados dos policiais e passou por atendimento médico. Segundo nota divulgada pela PM, os responsáveis pela menina ainda não foram encontrados.

“Faça a diferença na segurança do seu bairro. Denuncie! Disque Denúncia 181 ou telefone de emergência 190”, reforçou a PM em comunicado.

Brinquedo que estava com a criança amarrada (PMESP/Reprodução)

Justiça condena empresa por estratégias abusivas de propaganda para crianças

Atendendo a pedido do Ministério Público, a Justiça proibiu uma empresa de realizar publicidade indireta de seus produtos voltados ao público infanto-juvenil. A empresa foi condenada ainda a pagar indenização de R$ 200 mil por danos morais coletivos por ter adotado estratégias abusivas de propaganda dirigida às crianças. Entre elas estavam uma campanha veiculada no Youtube e o envio de produtos gratuitos a youtubers mirins para fins de publicidade indireta.

A ação do MPSP, de autoria de Eduardo Dias, relata que foram veiculados 12 vídeos no canal de uma youtuber com desafios para seus seguidores. As atividades tinham ligação com uma linha de bonecas. A cada desafio, era escolhida uma vencedora e, ao final, as vencedoras dos 12 desafios foram convidadas para um evento com a participação da youtuber na sede da empresa. Em parecer juntado ao processo, atestou-se que a campanha, embora não ofertasse diretamente as bonecas como produto a ser adquirido, a todo o momento as utilizava como tema dos vídeos, gerando e reforçando a adesão e identificação no público-alvo da companha. Embora contratada pela empresa, nos vídeos da campanha a informação de que se tratava de promoção paga e de que o patrocínio era daquela companhia aparece de forma não destacada.

Quanto ao envio de produtos para crianças influenciadoras, a Promotoria levou em conta o fato de a empresa ter escolhido os presenteados de modo a impactar o seu mercado consumidor, razão pela qual os youtubers mirins eram escolhidos, já que eles têm o condão de gerar publicidade indireta em seus canais.

Condenada em primeira instância, a empresa recorreu, mas o pedido para nulidade da sentença foi negado após contrarrazões apresentadas pelo promotor Luis Gustavo Castoldi e parecer do procurador de Justiça Dimitrios Bueri. Para a Câmara Especial do Tribunal de Justiça, a empresa violou direitos da criança, notadamente a dignidade e o respeito à condição peculiar de pessoas em desenvolvimento.

Por MP-SP

Estudo mostra relação do coronavírus com síndrome em crianças

Após analisar o caso de uma menina de 11 anos de idade que contraiu covid-19 e foi a óbito, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) descobriram que o Sars-CoV-2, nome científico do novo coronavírus,  chegou a atingir células cardíacas. O resultado do estudo foi publicado no periódico The Lancet Child & Adolescent Health, associando, pela primeira vez, a infecção pelo vírus ao quadro de síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (SIM-P), que pode acometer vários órgãos, tanto em crianças como em adolescentes.

Conforme relatam os cientistas, integrantes do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP, a criança não tinha doenças preexistentes e, mesmo assim, desenvolveu um quadro grave de saúde. Apenas 28 horas depois de ter sido internada em um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), apresentou disfunção cardíaca e choque cardiogênico, precisando de ventilação mecânica pulmonar e medicações para estabilizar seu sistema cardiovascular. A situação, classifica a médica Juliana Ferranti, que participou do estudo, é “muito rara dentro da pediatria”.

A equipe médica que atendeu a paciente realizou exames de sangue, radiografia, tomografia de tórax, eletrocardiograma e ecocardiograma, que confirmaram a presença de um processo inflamatório e o comprometimento severo do coração. Após o falecimento da criança, foram feitas uma análise microscópica de tecidos de diversos órgãos do corpo e uma pesquisa de RNA viral em pulmões e coração. Essa segunda bateria de exames confirmou a relação entre covid-19 e a SIM-P, revelando que a menina teve de fato um quadro leve de pneumonia, causada pelo vírus Sars-CoV-2, e a presença de microtrombose pulmonar. Concluiu-se também que a causa de morte foi a inflamação [miocardite] do coração, que chegou ao estágio de necrose e perda de fibras cardíacas.

Segundo a professora Marisa Dolhnikoff, uma das autoras do artigo, o que se observa por outras pesquisas é que a maioria das crianças com SIM-P consegue se recuperar da doença, se tiverem o devido tratamento. Ela acrescenta, porém, que o trabalho alerta para a possibilidade de que sequelas cardíacas remanesçam, ainda que recebam cuidados.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já vem alertando sobre a possibilidade de haver ligação entre a covid-19 e a SIM-P, tema que chegou a ser tratado em seminários, por especialistas da Espanha. No início deste mês, o Ministério da Saúde emitiu nota em que destaca o aviso da OMS e informa que tem monitorado casos da síndrome em crianças e adolescentes com idade entre 7 meses e 16 anos. Até julho, 71 casos foram registrados em quatro estados, sendo 29 no Ceará, 22 no Rio de Janeiro, 18 no Pará e 2 no Piauí, além de três óbitos no Rio de Janeiro.

*Com informações do Jornal da USP.

Após expor criança estuprada, ‘Sara Winter’ pode pagar indenização de R$ 1,32 milhão

O Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio da Promotoria de Justiça da Infância e Juventude de São Mateus, propôs uma Ação Civil Pública (ACP) em face de Sara Fernanda Giromini, vulgo Sara Winter. Ela teve acesso, de forma ilegal, a detalhes do caso de uma criança vítima de violência sexual que corre em segredo de justiça.

Sara Geromini, conhecida como Sara Winter, extremista (Redes Sociais/Reprodução)

Além do acesso ilegal, Sara Winter veiculou vídeo nas redes sociais, por meio do perfil do Instagram, nomeado _sarawinter (Sara Winter), bem como na página do Twitter, divulgando expressamente o nome da criança e tornando público o endereço do hospital onde ela passaria por um procedimento de interrupção da gestação indesejada. No vídeo veiculado, que obteve aproximadamente 66 mil visualizações, a requerida expõe a criança e a família dela e conclama os seguidores a se manifestarem, em frontal ofensa à legislação protetiva da criança e do adolescente.

O principal pedido da ACP é para que Sara Winter seja condenada a pagar uma indenização a título de dano moral coletivo, em valor a ser arbitrado pelo juízo. Esse valor deve ser revertido ao Fundo Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente. Foi dado o valor de R$ 1,32 milhão (um milhão, 320 mil reais) para a causa.

A atitude ilícita teve como consequência uma manifestação em frente ao hospital pernambucano onde foi realizado o procedimento médico, quando a família da criança e os profissionais de saúde foram hostilizados. Essa conduta, conforme a ACP, está incluída em uma estratégia midiática de viés político-sensacionalista, que expõe a triste condição da criança de apenas 10 anos de idade.

A proteção das crianças e adolescentes, prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei no 8.069/90), visa colocar a infância e juventude a salvo de toda e qualquer forma de negligência, discriminação, violência, crueldade, exploração e opressão, cumprindo o mandamento constitucional no sentido de ser dever da família, da sociedade e do Estado assegurar às crianças e adolescentes, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, de acordo com o artigo 227, da Constituição Federal.

Neste contexto, a conduta de Sara Winter no ambiente cibernético violou o dever, previsto constitucionalmente, “da sociedade assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito […] à dignidade, ao respeito, […], além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”, conforme o caput do artigo 227.

Além disso, por força de norma supralegal, crianças e adolescentes não podem ser “objeto de interferências arbitrárias ou ilegais em sua vida particular, sua família, seu domicílio ou sua correspondência, nem de atentados ilegais a sua honra e a sua reputação” (art. 16, 1, da Convenção sobre os Direitos da Criança, promulgada pelo Decreto nº 99.710/1989) e “têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais garantidos na Constituição e nas leis” (art. 15 do Estatuto da Criança e do Adolescente).

O direito fundamental ao respeito inclui a “inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem” (art. 17 do Estatuto da Criança e do Adolescente), tanto que a Lei nº 13.431/2017, ao estabelecer o específico sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente, exige que eles devem “ter a intimidade e as condições pessoais protegidas quando vítima ou testemunha de violência” (art. 5º, III, destacado).

Nesse caso específico, vítima e toda a coletividade também são tuteladas pela Lei nº 12.965/2014 (Marco Civil da Internet), que tem o uso fundado no dever de respeitar “os direitos humanos, o desenvolvimento da personalidade e o exercício da cidadania em meios digitais”, além da “finalidade social da rede” (art. 2º, II e VI). Ao dar publicidade, por meio da rede social Twitter, ao endereço do hospital onde se encontrava a criança vítima de violência sexual, Sara Winter desrespeitou a Constituição Federal, que tem foco na dignidade da pessoa humana.

A ACP também destaca que não existe vedação legal à publicação de notícia jornalística que trate de atos violentos praticados contra crianças ou adolescentes. O que não se permite é explorar a imagem com o intuito de obter ganhos políticos a partir da grande audiência gerada pela mensagem sensacionalista.

*conteúdo do MP-ES

SP registrou 13 mil acidentes com crianças no trabalho em 10 anos

Nos últimos dez anos, de 2009 a 2019, 13.591 crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos sofreram acidentes de trabalho graves no estado de São Paulo e outros 35 morreram trabalhando. Os dados são do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde. No mesmo período, o Ministério Público do Trabalho (MPT) no estado recebeu 9.260 denúncias de trabalho infantil e ajuizou 500 ações civis públicas sobre a questão.

(Arquivo/Agência Brasil)

O levantamento com base no Sinan revelou que a maioria das vítimas dos acidentes trabalhavam na informalidade, na construção civil, na agricultura, como empregados domésticos e como açougueiros, entre outras atividades. Conforme o MPT em São Paulo, essas atividades são definidas pelo Decreto 6.481/2008 como piores formas de trabalho infantil, sendo proibidas para pessoas com menos de 18 anos.

“Há necessidade de efetiva proteção às crianças e adolescentes trabalhadores, com o investimento em medidas de prevenção e de combate ao trabalho infantil em aproximação com os demais atores sociais da rede de proteção”, disse a procuradora Ana Elisa Alves Brito Segatti, chefe da Coordenadoria Nacional de Combate à Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescente (Coordinfância) do MPT-SP.

O órgão faz um chamado para que a sociedade participe da campanha nacional lançada em 3 de junho contra o trabalho infantil realizada pelo MPT, Justiça do Trabalho, Organização Internacional do Trabalho (OIT) e Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI). A iniciativa Covid-19: agora mais do que nunca, protejam crianças e adolescentes do trabalho infantil alerta para o risco de crescimento da exploração do trabalho infantil diante dos impactos da pandemia.

O advogado Ariel de Castro Alves, especialista em direitos da infância e juventude e conselheiro do Conselho Estadual de Direitos Humanos de São Paulo (Condepe), avalia que esses são números muito expressivos dos riscos à integridade física e a vida das crianças e adolescentes. “O trabalho infantil, além de prejudicar o desenvolvimento físico, psicológico, moral e educacional das crianças e adolescentes, gera graves riscos à vida delas.”

“E muitas vezes o trabalho infantil, principalmente nas ruas, como engraxates, pedintes, vendedores ambulantes, acaba se tornando porta de entrada para o uso e tráfico de drogas, exploração sexual e até o envolvimento com a criminalidade, o que contraria a frase ‘melhor estar trabalhando do que roubando’”, acrescentou.

Trabalho infantil na pandemia

Para Alves, o trabalho infantil deve aumentar diante do contexto de pandemia, crise econômica e social, além de mortes e desemprego de pais, mães e responsáveis. “Nesse período em que as crianças e adolescentes estão fora da escola e sem outras atividades e apoios sociais, a situação também se agrava. Com o aumento do desemprego, subemprego, diminuição de renda dos informais e autônomos aumentará a exploração do trabalho infantil, em decorrência da pandemia”, disse.

Outro alerta importante diz respeito à orfandade. Segundo o advogado, a maioria das famílias no Brasil são mantidas por mulheres e idosos. “Com a morte de pais, mães, avós e avôs e responsáveis legais, teremos uma geração de órfãos da pandemia, gerando também trabalho infantil.”

Entre os obstáculos para o enfrentamento do problema, Alvers citou o fato de o estado de São Paulo ser o único que não tem delegacias especializadas de proteção de crianças e adolescentes no país, as quais poderiam apurar essas situações de exploração do trabalho infantil, que podem ser configuradas como crime de maus tratos.

“Falta na legislação brasileira – e o ECA [Estatuto da Criança e do Adolescente] completa 30 anos em julho – o crime específico de exploração do trabalho infantil, que ajudaria a coibir essas práticas. Ajudaria também a combater a exploração do trabalho infantil e, por consequência, a evitar os acidentes e mortes”, ressaltou.

Ações da campanha

Na última terça-feira (9) os rappers Emicida e Drik Barbosa lançaram uma música inédita sobre o tema, intitulada Sementes, nos aplicativos de streaming, como uma das ações da campanha do MPT. Além disso, serão exibidos 12 vídeos nas redes sociais com histórias reais de vítimas, que integram a série 12 Motivos para a Eliminação do Trabalho Infantil. Está prevista a veiculação de podcasts semanais para reforçar a necessidade aprimoramento das ações de proteção a crianças e adolescentes, neste momento crítico.

Para marcar o Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil, 12 de junho, haverá um webinarnacional – um seminário virtual – que será transmitido pelo canal do Tribunal Superior do Trabalho no Youtube. O evento vai debater questões como o racismo no Brasil, os aspectos históricos, mitos, o trabalho infantil no contexto da covid-19 e os desafios da temática pós-pandemia.

Cirurgias pediátricas de cardiopatia congênita têm déficit de 50%

Hoje (12) comemora-se o Dia Nacional de Conscientização da Cardiopatia Congênita, mas, segundo o presidente do Departamento de Cirurgia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (SBCCV), Andrey Monteiro, a situação é de preocupação em função da pandemia do novo coronavirus.

(Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Segundo Monteiro existe um déficit acumulado de cirurgias cardíacas pediátricas não realizadas no país, que já era de 50% antes da pandemia. “Existe um número de cirurgias que é realizado mensalmente e só contempla 50% dos casos. Esse número foi reduzido entre 70% e 80%, em todo o país [com a crise da covid-19]”. A queda ocorreu tanto no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), como na rede privada. O cardiologista imagina que, a curto prazo, o déficit acumulado poderá aumentar ainda mais. “Quanto mais tempo isso [pandemia] durar, maior será o déficit”, conclui.

Protocolos de segurança

De maneira geral, no Brasil, só têm sido feitos casos de urgência, quando há risco iminente. A situação varia de acordo com o porte do hospital, observou Monteiro. No Hospital Pro Criança Cardíaca, instituição médico-social fundada há 23 anos para cuidar da criança cardíaca carente, o atendimento dos pacientes vem sendo mantido, operando-se casos com maior risco de morte e com cuidados redobrados, seguindo todos os protocolos clínicos de segurança, como a testagem do paciente, familiares e equipe médica, destacou Andrey Monteiro. Por ser um hospital pediátrico, não há tanta pressão de adultos internando no local, como ocorre em um hospital geral, por exemplo, que teve de ceder leitos pediátricos para internar adultos, explicou.

O cardiologista admitiu, entretanto, que houve uma redução no movimento de cirurgias cardíacas pediátricas para todos os hospitais, em média entre 70% e 80%. “Uns reduziram menos, outros mais, outros até pararam o movimento cirúrgico. Cada centro tem um cenário”. Segundo o especialista, o déficit é maior nas regiões Norte e Nordeste e menor no Sul e Sudeste brasileiro. Deixou claro, porém, que em relação à queda do movimento de cirurgias pediátricas, a perda ocorreu em todo o país.

Gravidade da situação

Andrey Monteiro afirmou que o Dia Nacional de Conscientização da Cardiopatia Congênita é um motivo a mais para que a população e os profissionais de saúde compreendam a gravidade da situação para a população infantil. “O problema não é só da rede assistencial. Neste momento, por conta da preocupação em não se contaminar, a verdade é que as pessoas sequer estão buscando tratamento para outros problemas de saúde. As famílias, muitas vezes, não querem levar o paciente para tratamento porque acham que vão se expor”.

Monteiro destacou o número crescente de enfartes registrado dentro das casas, desde o início da pandemia, porque as pessoas sequer procuram o hospital. “Passa a haver uma série de problemas e não só por causa da rede assistencial. Isso também passa pela preocupação das pessoas e, de certa forma, pela desinformação”. É preciso, disse Monteiro, que outros centros pediátricos voltem a operar, priorizando os pacientes mais graves.

A data nacional de conscientização é oportuna para divulgar o número que já era deficitário antes da pandemia, mas também para incentivar os profissionais e os familiares que a assistência tem que continuar e que se deve ir retomando a vida normal com os protocolos clínicos e as cidades mantendo as orientações de segurança, recomendou.

Sequelas

A cardiopatia congênita envolve desde uma apresentação simples, que pode ser notada como um sopro cardíaco, até alterações externas, como a criança ficar arroxeada, com baixa oxigenação no sangue. Essas cardiopatias podem provocar sequelas nas crianças, dependendo do nível de gravidade do caso. Andrey Monteiro esclareceu que o não tratamento no momento adequado aumenta a chance de deixar sequelas mesmo nos pacientes tratados. “Isso vai variar de acordo com o nível da cardiopatia, com o nível de comprometimento do coração, até se o momento em que houve o tratamento foi adequado ou não”. As cardiopatias mais complexas, em casos extremos, têm chance de gerar problemas em outros órgãos além do coração, como pulmão, fígado e rins.

Andrey Monteiro informou que os procedimentos eletivos de baixo risco não têm sido realizados no Hospital Pro Criança Cardíaca. O volume global de cirurgias para pacientes de convênios de planos de saúde foi bastante reduzido desde março, quando teve início o isolamento social decretado para evitar a disseminação da covid-19. Por outro lado, não houve interrupção nas cirurgias efetuadas nas crianças com cardiopatia congênita atendidas pela instituição tradicionalmente, que se mantiveram no volume histórico de quatro procedimentos mensais.

Subnotificação

Apesar de estudos iniciais demonstrarem que as crianças são menos suscetíveis à covid-19, com uma incidência em torno de 4%, acredita-se que há uma subnotificação da doença na população pediátrica, já que a maioria é assintomática ou pouco sintomática.

A diretora médica do Hospital Pro Criança Cardíaca, Isabela Rangel, ressaltou que, recentemente, foi evidenciada uma nova apresentação clínica em crianças e adolescentes associada à covid-19, denominada Síndrome Inflamatória Multissistêmica, com manifestação clínica e alterações laboratoriais similares às observadas na Síndrome de Kawasaki (doença infantil rara que causa inflamação nas paredes de alguns vasos sanguíneos do corpo) ou na Síndrome de Choque Tóxico (complicação rara e potencialmente fatal de certas infecções bacterianas).

O Hospital Pro Criança Cardíaca foi fundado pela cardiologista pediátrica Rosa Célia. No ano passado, a médica recebeu o Prêmio de Personalidade do Ano na Área da Saúde, concedido pela Hospitalar, plataforma que gera negócios e promove o desenvolvimento do setor.

Por Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil

Covid-19 mata segunda criança em 48 horas no Estado

Em apenas 48 horas, foi registrada a morte de mais uma criança da capital vítima do novo coronavírus. Ela tinha apenas três anos e é a sexta vítima infantil no estado, a terceira nesta semana. Até este sábado (16), 4.688 pessoas morreram com COVID-19 em São Paulo. Nas últimas 24 horas, foram 2.936 novos casos e 187 óbitos.

Outras cinco crianças faleceram com a doença em menos de um mês. A primeira e a segunda foram da capital e tinham 7 meses e um ano de idade.  A terceira era de Penápolis, com 9 anos. Nesta semana, foram mais duas: uma de 4 anos, de Francisco Morato, e um bebê de um ano, da cidade de São Paulo.

Neste sábado (16), também foram confirmados 61.183 casos, com pelo menos uma pessoa infectada em 461 cidades. Já os registros de vítimas fatais estão em 212 municípios.

Passa de 10,1 mil o número de pessoas internadas em São Paulo, suspeitas ou confirmadas, sendo 3.922 em UTI e 6.231 em enfermaria. A taxa de ocupação dos leitos de UTI reservados para atendimento a COVID-19 é de 68,5% no estado de São Paulo e 83,9% na Grande São Paulo. 

Perfil da mortalidade

Entre as vítimas fatais, estão 2.779 homens e 1.909 mulheres. Os óbitos continuam concentrados em pacientes com 60 anos ou mais, totalizando 72,9% das mortes. Observando faixas etárias subdividas a cada dez anos, nota-se que a mortalidade é maior entre 70 e 79 anos (1.137 do total), seguida por 60-69 anos (1.075) e 80-89 (902).

Também faleceram 303 pessoas com mais de 90 anos. Fora desse grupo de idosos, há também alta mortalidade entre pessoas de 50 a 59 anos (670 do total), seguida pelas faixas de 40 a 49 (347), 30 a 39 (197), 20 a 29 (39) e 10 a 19 (12), e seis com menos de dez anos.

Os principais fatores de risco associados à mortalidade são cardiopatia (58,6% dos óbitos), diabetes mellitus (43,7%), doença neurológica (11,4%), doença renal (10,8%) e pneumopatia (9,7%). Outros fatores identificados são imunodepressão, obesidade, asma e doenças hematológica e hepática.

Esses fatores de risco foram identificados em risco: 3.785 pessoas que faleceram por COVID-19 (80,7%) do total. A relação de casos e óbitos confirmados por cidade pode ser consultada em: https://www.saopaulo.sp.gov.br/coronavirus/

*com informações da Sec. Est. de Saúde de SP

Cidade do Lego é atração gratuita para crianças

Espaço gratuito está montado no Shopping Eldorado, em São Paulo (Divulgação)


Com atividades totalmente interativas, a ‘Lego City’ promete aguçar a curiosidade das crianças, além de incentivá-las a usar cada vez mais a criatividade.  Montada no Shopping Eldorado, em São Paulo, a atração prevê duração de 25 minutos e pode abrigar até 46 crianças por vez, com idades entre 18 meses até os 12 anos. A atividade é gratuita. 

Localizado no 1º andar, na Praça de Eventos, o espaço conta com cinco estações, todas com atividades didáticas para usar as pecinhas de montar.

“Para as férias buscamos atividades inéditas que encantem as crianças e incentivem a criatividade, deixando fluir a imaginação e a diversão dos pequenos junto com seus pais aqui no espaço que o Eldorado reservou para eles”, relata Lilian Piva, gerente de Marketing do Shopping Eldorado. 

Para participar, os pais ou responsáveis deverão fazer o download do aplicativo do Shopping Eldorado e capturar o cupom que dá direito a uma criança participar. Ao chegar no Shopping para o dia agendado para a brincadeira, basta apresentar o comprovante no balcão do evento, com 25 minutos de antecedência, para a realização do cadastro presencial obrigatório e liberação para desfrutar do espaço.

Espaço reúne atrações para todas as idades (Divulgação)

LEGO® Park Duplo (18 meses a 3 anos)

Em um lago cheio de peças as crianças poderão brincar dentro dele ou simplesmente se acomodar em uma linda mesa de piquenique. Neste cenário, é recomendável a participação dos responsáveis, além de ser um momento ótimo para brincar com os pequenos é uma oportunidade de incentivá-los a descobrir cores, contar ou simplesmente aproveitar a interação com as crianças. Total de 8 participantes por sessão, junto com seus acompanhantes.

LEGO®Estação de Polícia (4 a 12 anos)

As crianças terão ao alcance das mãos uma infinidade de peças LEGO® para construir o que quiser, e para completar a diversão elas poderão dar vida aos bonecos LEGO® em um cenário de polícia. Para isso, basta soltar a imaginação. Total de 6 participantes por sessão.

LEGO® Galeria de Arte (4 a 12 anos)

Esse é um convite aos artistas. Neste espaço as crianças criam um quadro ou uma escultura feita com peças LEGO®. Elas recebem uma base de construção e terão ao alcance das mãos diferentes tipos de peças LEGO® para produzirem um quadro ou uma linda escultura. Total de 12 participantes por sessão.

LEGO® Car Race (4 a 12 anos)

Para os apaixonados por carros, esse espaço será o preferido.  As crianças serão incentivadas a construir seu próprio carro e depois levá-lo para pista de teste da Lego.

Total de 12 participantes por sessão.

LEGO® Friends Cafeteria (4 a 12 anos)

Espaço inspirado em uma linda cafeteria. Acomodados em uma mesa personalizada e toda rosa, os participantes poderão construir várias coisas usando peças da linha Friends. Total de 8 participantes por sessão.

Serviço

LEGO® City nas férias de janeiro 2020 do Shopping Eldorado

  • Período: 15 de janeiro à 09 de fevereiro/2020
  • Local: Praça de eventos – 1° piso – Shopping Eldorado
  • Horário: 12h às 20h
  • Faixa etária: de 18 meses até 12 anos 
  • Evento gratuito, mediante resgate de cupom no aplicativo do Shopping, que pode ser baixado sem custo nas plataformas  IOS  e  Android
  • Duração: 25 minutos por sessão, 46 crianças por turma, divididos de acordo com a faixa etária