Xepa de vacinas infantis contra covid-19 será aplicada em crianças sem comorbidades

frascos de vacina contra covid-19 para crianças, com tampa cor laranja, enfileiradas na máquina de envazamento.

Famílias com crianças de 5 a 11 anos de idade sem comorbidades podem cadastrar os filhos para que recebam as doses remanescentes da vacina contra a covid-19 em São Paulo, capital. As inscrições devem ser feitas nas unidades básicas de saúde do bairro de residência.

Com o cadastro, as crianças poderão ser chamadas caso haja sobra de vacinas após o horário de vacinação para o público-alvo, crianças com comorbidades ou deficiência, além de indígenas e quilombolas. Assim, as pessoas que estiverem na lista serão chamadas por telefone para receberem a imunização.

frascos de vacina contra covid-19 para crianças, com tampa cor laranja, enfileiradas na máquina de envazamento.
(Pfizer/Divulgação)

A medida tem como objetivo evitar o desperdício de vacinas após os frascos dos imunizantes serem abertos. No entanto, segundo o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, o total de doses disponibilizado até o momento ainda é menor do que o necessário para atender todo o público-alvo. 

“Como a gente recebeu um lote pequeno de vacinas e tem-se praticamente o dobro de crianças para serem vacinadas, vai acabar sobrando pouco. Mas, mesmo assim, não podemos correr o risco de perder qualquer dose”, disse.

Vacinação

Na capital paulista, a vacinação será realizada nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs). Os endereços podem ser localizados no sistema Busca Saúde. A imunização é das 7h às 19h.  

A disponibilidade das doses pediátricas pode ser verificada na página De Olho na Fila, que mostra ainda o tamanho das filas de espera nos pontos de vacinação

As crianças devem estar acompanhadas por um responsável com mais de 18 anos e apresentar documento de identificação (preferencialmente o Cadastro de Pessoas Físicas – CPF), carteira de vacinação e comprovante de condição de risco ou comprovante de deficiência permanente.

Para se inscrever para receber as doses remanescentes, é preciso apresentar um comprovante de residência e deixar um número telefônico para contato.

Por Agência Brasil

Novas doses de vacina para crianças chegam ao Brasil

Caixa de vacina, com nome do imunizante e fabricante, sendo segurada por duas mãos usando luvas coloridas.

O Ministério da Saúde confirmou que uma segunda remessa de vacinas pediátricas contra covid-19 chegou hoje (16) ao aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP). Desta vez, foram recebidas 1,2 milhão de doses da Pfizer, a única autorizada até agora pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária ( Anvisa) para aplicação em crianças entre 5 e 11 anos. 

De acordo com o secretário executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz, a remessa mais recente estava prevista para chegar ao país apenas em 20 de janeiro, mas foi antecipada. No próximo dia 27, está prevista a chegada de mais 1,8 milhão de doses. 

Caixa de vacina, com nome do imunizante e fabricante, sendo segurada por duas mãos usando luvas coloridas.
(Myke Sena/Min. da Saúde)

A primeira remessa de doses da vacina foi descarregada na madrugada da última quinta-feira (13), também em Viracopos. No dia seguinte, o estado de São Paulo aplicou a primeira vacina pediátrica contra covid-19 da Pfizer em uma criança. 

“Para a imunização desse público [entre 5 e 11 anos] será necessária a autorização dos pais. No caso da presença dos responsáveis no ato da vacinação, haverá dispensa do termo por escrito. A orientação da pasta é que os pais ou responsáveis procurem a recomendação prévia de um médico antes da imunização”, disse o Ministério da Saúde.

Por Agência Brasil

Vacinas para crianças são aplicadas em oito Estados

Ao fundo, aeronave com portas abertas aguarda embarque de doses de vacina para crianças. Agentes empurram carrinho de mão com caixas térmicas.

Com mais de um mês de atraso em relação a outros países, pelo menos oito estados brasileiros começaram neste sábado (15/01) a imunização de crianças de 5 a 11 anos contra a covid-19. As demais unidades da federação devem iniciar a vacinação entre este domingo e a semana que vem.

Na sexta-feira, São Paulo aplicou as primeiras doses, em uma cerimônia simbólica. A primeira criança vacinada contra o coronavírus no Brasil foi Davi Seremramiwe Xavante, um menino indígena de 8 anos, que é natural do Mato Grosso e hoje vive em São Paulo, onde faz um tratamento de saúde no Hospital das Clínicas da USP.

A maioria das capitais seguiu a orientação do governo federal e iniciou a imunização por crianças com comorbidades, síndromes e doenças crônicas, além de indígenas e quilombolas.

Ao fundo, aeronave com portas abertas aguarda embarque de doses de vacina para crianças. Agentes empurram carrinho de mão com caixas térmicas.
Aeronave é usada no Pará para transportar vacinas para crianças (Jader Paes/Agência Para)

Em Recife (PE), a primeira criança a receber o imunizante foi Maria Antônia de Oliveira, de 11 anos, que tem Síndrome de Down.

“Estou feliz porque chegou a vez dela e graças a Deus todos nós já estamos vacinados, eu já estou com a terceira dose. A expectativa era muito grande, a ansiedade era enorme, então eu vim o mais rápido possível, não me importei com o tempo. Eu costumo dizer que o melhor para ela é o melhor para nós”, disse o pai da menina em entrevista ao jornal Diário de Pernambuco.

Outras capitais que também iniciaram a campanha de vacinação em crianças neste sábado foram: Belo Horizonte (MG), São Luís (MA), Vitória (ES), Fortaleza (CE), Salvador (BA), Campo Grande (MS) e Aracaju (SE).

Imunizante da Pfizer-BioNTech

Frasco de vacina contra covid-19 para crianças traz tampa na cor laranja. Na foto, aparece sendo segurado pela mão de uma pessoa.
(Gov. do Estado de SP)

A vacinação ocorre com o imunizante da Pfizer-BioNTech, o único aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para esta faixa etária e o mesmo utilizado nos EUA e na União Europeia, por exemplo.

O governo federal encomendou 20 milhões de doses de vacina, que é diferente da aplicada em pessoas a partir de 12 anos. Por essa razão, os frascos também têm cores distintas, para evitar erros na aplicação. A embalagem do imunizante para crianças tem a cor laranja e para adultos, roxa.

De acordo com o Ministério da Saúde, o intervalo entre as duas doses deve ser de oito semanas para o púbico infantil. Os pais ou responsáveis devem estar presentes na imunização dos filhos e, se isso não for possível, a aplicação deve ser autorizada em termo de consentimento assinado por eles.

Distribuição das doses

As doses começaram a ser distribuídas nesta sexta-feira, de forma proporcional entre os estados e o Distrito Federal, de acordo com a população-alvo. Até a próxima semana, deve estar concluída a entrega das primeiras 1,2 milhão de doses. Caberá, então, às secretarias estaduais de Saúde fazer a distribuição das vacinas para os municípios.

A previsão é que chegue ao Brasil em janeiro um total de 4,3 milhões de doses da vacina. Em fevereiro, devem ser entregues mais 7,2 milhões, e em março, 8,4 milhões.

Recomendações da Anvisa

A Anvisa sugere que a imunização ocorra em sala separada da de adultos e que a vacina não seja administrada no mesmo período de outras do calendário. Por precaução, é recomendado um intervalo de 15 dias.

O órgão também recomenda que seja evitada a vacinação de crianças no esquema drive-thru; que elas fiquem em observação no local por 20 minutos após receber a dose; e que os profissionais de saúde informem os pais sobre possíveis efeitos adversos do imunizante, como dor, inchaço no local da aplicação e febre.

 A agência havia autorizado o uso do imunizante da Pfizer-BioNTech em crianças de 5 a 11 anos no dia 16 de dezembro. No entanto, o governo federal, incluindo o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, se mostraram resistentes à vacinação desta faixa etária, chegando a dizer que o número de crianças vítimas da doença no Brasil não justificava pressa na vacinação.

Antes da decisão final,tomada em 5 de janeiro, o governo fez uma consulta pública que mostrou que a maioria das pessoas consultadas se manifestou contrária à exigência de prescrição médica para a imunização de crianças nessa faixa etária  – algo que vinha sendo defendido pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e também pelo presidente Jair Bolsonaro. 

Segurança do Imunizante

À DW Brasil, o coordenador do Comitê de Infectologia Pediátrica da SBI, Marcelo Otsuka, apontou que o imunizante já foi aplicado em milhares de crianças pequenas em países que têm um rígido controle de avaliação de segurança de medicamentos, como o Reino Unido.

“Esta é uma vacina que já está em uso em crianças em outros países e que já observamos resultados positivos em relação à proteção contra o vírus e segurança. É uma vacina que nos dá um background importante”, diz Otsuka.

Em outubro, a vacina da Pfizer foi aprovada para uso em crianças a partir de 5 anos nos Estados Unidos. Em novembro, foi a vez de Canadá, Israel e União Europeia darem o aval.

“Não podemos esquecer que 2,5 mil crianças já morreram de covid-19 no Brasil. Também precisamos protegê-las da infecção”, orienta o infectologista.

A Anvisa registrou o uso do imunizante em adultos no Brasil em 23 de fevereiro de 2021. Já em adolescentes de 12 a 16 anos de idade ele é aplicado desde junho de 2021.

Dados sobre a aplicação em crianças

Em setembro, a Pfizer informou que a vacina é segura e induz resposta imune em crianças com idades entre 5 e 12 anos. Os estudos foram conduzidos em mais de 4 mil crianças dos EUA, Espanha, Finlândia e Polônia.

Em outubro, o laboratório publicou novos dados, dessa vez mostrando que a vacina se mostrou 90,7% eficaz na prevenção da covid-19 em voluntários dessa faixa etária.

“A vacina da Pfizer passou por todas as fases obrigatórias dos testes em crianças pequenas, ou seja, passou pelas fases 1, 2 e 3, assim como aconteceu nos testes com os adultos”, explica Otsuka.

O que diz a OMS

Em outubro de 2021, o Comitê Consultivo Global sobre Segurança de Vacinas da Organização Mundial da Saúde (OMS) concluiu que, para todas as faixas etárias, os benefícios das vacinas de mRNA (como as produzidas pela Moderna e Pfizer) superam os riscos, reduzindo hospitalizações e mortes pela covid-19.

Em 24 de novembro de 2021, a OMS publicou um documento orientando a vacinação de crianças.

“Existem benefícios em vacinar crianças e adolescentes que vão além do direito à saúde. A vacinação diminui a transmissão de covid nessa faixa etária e pode reduzir a transmissão de crianças e adolescentes para adultos mais velhos, o que pode ajudar a reduzir a necessidade de medidas de mitigação nas escolas”, diz o documento.

O que dizem outros órgãos internacionais de saúde

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês) orienta que crianças entre 5 e 11 anos sejam vacinadas com a vacina da Pfizer.

“Existem aproximadamente 28 milhões de crianças entre 5 e 11 anos nos Estados Unidos, e houve quase 2 milhões de casos de covid-19 nessa faixa etária durante a pandemia”, esclarece uma nota do CDC sobre a importância de vacinar as crianças. Segundo o órgão, a covid-19 é uma das dez principais causas de morte de crianças nessa faixa etária.

A Universidade Johns Hopkins publicou uma nota logo após a aprovação do órgão americano, em outubro, afirmando que “incentiva todas as famílias com crianças elegíveis a receberem a vacina”.

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) publicou, no momento da aprovação do imunizante para o público infantil, que os “benefícios superam os riscos, especialmente em crianças com condições que aumentam o risco de covid-19 grave”.

Por Deutsche Welle
le (Agência Brasil, ots)

Veja quais crianças têm prioridade na vacina contra covid-19

Frasco de vacina contra covid-19 para crianças traz tampa na cor laranja. Na foto, aparece sendo segurado pela mão de uma pessoa.

A vacinação de crianças contra covid-19 teve início nesta sexta-feira (14) no estado de São Paulo. O início da campanha foi simbólico, com apenas oito crianças vacinadas hoje na capital paulista. Como os imunizante chegaram ontem (13) de manhã ao Brasil, só na tarde de hoje as doses começaram a ser distribuídas aos 645 municípios paulistas.

Com isso, a vacinação infantil no estado só terá início de fato na próxima segunda-feira (17).
primeiro lote de vacinas da Pfizer/BioNTech, específicos para crianças de 5 a 11 anos, chegou ontem (13) ao Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), contendo 1,2 milhão de doses.

Desse lote, que está sendo distribuído para todo o país, foram enviadas ao estado de São Paulo 234 mil doses. O imunizante é um pouco diferente do que está sendo aplicado atualmente no país, e a dose para crianças é menor.

Frasco de vacina contra covid-19 para crianças traz tampa na cor laranja. Na foto, aparece sendo segurado pela mão de uma pessoa.
(Gov. do Estado de SP)

Na primeira etapa de vacinação em São Paulo, terão prioridade crianças de 5 a 11 anos com comorbidades ou deficiências, indígenas e quilombolas. Estima-se que sejam vacinadas no estado 850 mil pessoas nessas condições.

“Com esse quantitativo que o Ministério da Saúde sinaliza encaminhar, nossa projeção é que a vacinação dessas 850 mil crianças se dê no período de 14 de janeiro até de 10 fevereiro. Dependendo da quantidade [de doses] que o ministério encaminhar, será possível a abertura por faixa etária a partir da segunda semana de fevereiro”, disse o secretário executivo da Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo, Eduardo Ribeiro.

A projeção pode ser antecipada se a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovar a vacina da CoronaVac para crianças, produzida pelo Instituto Butantan e pelo laboratório chinês Sinovac. O governo paulista já pediu autorização para uso dessa vacina em crianças com mais de 3 anos e espera que o pedido seja aprovado na próxima semana. Caso isso aconteça, São Paulo tem estoque suficiente dessa vacina para imunizar, em três semana, todas as crianças do estado.

Se tivesse as doses necessárias, o estado diz que poderia vacinar 250 mil crianças por dia. “Desde 16 de dezembro, São Paulo está preparado para vacinar crianças em seus 645 municípios. Claro que dependemos do envio de doses. Se tivéssemos o quantitativo de doses da Pfizer, faríamos isso em três semanas. Se, na semana que vem, a Anvisa tiver posicionamento sobre a vacina do Butantan, teremos capacidade de vacinar [nesse prazo]”, disse a coordenadora do Programa Estadual de Imunização, Regiane de Paula.

Xavante é o primeiro

Davi Seremramiwe Xavante, sentado, usando máscara, recebe a vacina contra a covid-19 no braço esquerdo. Ao lado, além da da enfermeira que aplica a vacina, está o governador do Estado João Doria, homem de pele branca e vestindo roupa preta. Na camiseta do governador está estrito vacine já.
(Gov. do Estado de São Paulo)

A primeira criança vacinada contra a covid-19 no Brasil é Davi Seremramiwe Xavante, de 8 anos. Ele mora em Piracicaba, no interior paulista, e vem periodicamente à capital para tratamento de saúde no Hospital das Clínicas (HC) da Universidade de São Paulo (USP).

Nascido em uma tribo Xavante no estado de Mato Grosso, Davi tem problema nas pernas e precisa de uma órtese para andar. Durante nove meses, Davi e o pai, o cacique Jurandir Siridiwe, fizeram viagens periódicas à capital para tratamento no Instituto da Criança do Hospital das Clínicas.

O caso de Davi vem sendo estudado por especialistas que tentam identificar o que motivou a perda parcial de movimentos do menino. Como há outras crianças da mesma tribo com sintomas similares aos de Davi, os cientistas da USP estão conduzindo um estudo genético completo para apontar possíveis causas do problema.

Desde o início do ano passado, Davi passou a morar com uma tutora na cidade de Piracicaba, na região de Campinas. Ela o acompanha nas consultas rotineiras que garoto faz no HC com médicos das áreas de reabilitação e neurologia.

Comorbidades

A lista das comorbidades é definida pelo Ministério da Saúde. Pais e responsáveis precisam pelas crianças têm que apresentar nos postos de vacinação comprovantes como exames ou qualquer prescrição médica. Os cadastros já existentes nas unidades básicas de saúde também poderão ser utilizados para a vacinação.

A lista das comorbidades é a seguinte:

Insuficiência cardíaca
Cor-pulmonale e hipertensão pulmonar
Cardiopatia hipertensiva
Síndromes coronarianas
Valvopatias
Miocardiopatias e pericardiopatias
Doenças da aorta, grandes vasos e fístulas arteriovenosas
Arritmias cardíacas
Cardiopatias congênitas
Próteses e implantes cardíacos
Talassemia
Síndrome de Down
Diabetes mellitus
Pneumopatias crônicas graves
Hipertensão arterial resistente e de artéria estágio 3
Hipertensão estágios 1 e 2 com lesão e órgão alvo
Doença cerebrovascular
Doença renal crônica
Imunossuprimidos (incluindo pacientes oncológicos)
Anemia falciforme
Obesidade mórbida
Cirrose hepática
HIV

Por Agência Brasil

Menino de oito anos é a primeira criança vacinada contra covid-19 no Brasil

Davi Xavante, menino de cabelos lisos, olho levemente puxado, sentado e sorrindo.

Um menino de oito anos, que mora no interior de São Paulo, foi a primeira criança vacinada do Brasil. A dose foi aplicada no Hospital das Clínicas, na região central, em evento que contou com a participação do governador do Estado João Doria.

Davi Xavante é de origem indígena e faz tratamento contra doença genética. O menino mora em Piracicaba.

Davi Xavante, menino de cabelos lisos, olho levemente puxado, sentado e sorrindo.
(Reprodução)

A expectativa do governo paulista é vacinar 4,3 milhões de crianças no período de três semanas. Na cerimônia, transmitida ao vivo, outras sete crianças que fazem tratamento também receberam dose da vacina.

Covid-19: Pais que não vacinarem filhos podem perder guarda da criança

Carteira de vacinação sobre a mesa. Material de papel traz escrito "Vacinação contra covid-19". Na linha de baixo está escrito "Infantil" em letras grandes.

O juiz titular da Vara da Infância e Juventude de Guarulhos (SP) se pronunciou sobre a vacinação infantil contra a Covid-19 através de suas redes sociais. Para Iberê de Castro Dias, a imunização do grupo é obrigatória, “ainda que contrarie convicção filosófica de mães e pais.”

A Constituição Federal prevê que os pequenos têm o direito à vacina garantido pela lei. “É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde”, destaca o Artigo 277.

Pais que recusarem vacinar seus filhos contra o coronavírus podem ser multados ou até mesmo perder a guarda da criança. O juiz destacou que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) não é flexível com relação a discordâncias sobre o assunto.

“STF (Supremo Tribunal federal), reafirmando entendimento do TJSP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo), reconheceu obrigatoriedade de vacinação de crianças e adolescentes”, apontou Castro Dias.

Durante o último Fórum Nacional da Justiça Protetiva (FONAJUP), foi aprovado o Enunciado 26, que reforça as punições aos infratores.

“Os pais ou responsáveis legais das crianças e dos adolescentes que não imunizarem seus filhos, por meio de vacina, nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias, inclusive contra COVID 19, podem responder pela infração administrativa do art. 249 do ECA (multa de 3 a 20 salários mínimos e/ou estarem sujeitos à aplicação de uma ou mais medidas previstas no art. 129 do ECA)”, ressalta o texto.

Por TV Cultura

Primeiras vacinas para crianças chegam ao Brasil

Ao fundo, o avião, com o compartimento de cargas aberto, e o lote de vacinas sendo retirado.

Chegaram ao Brasil, às 4h45 desta quinta-feira (13), as primeiras vacinas contra covid-19 destinadas a crianças de 5 a 11 anos. Remessa com 1,2 milhão de doses do imunizante da Pfizer foi descarregada no Aeroporto de Viracopos, em Campinas (São Paulo).

O lote será distribuído a estados e municípios para iniciar a aplicação. A previsão é que o Brasil receba em janeiro um total de 4,3 milhões de doses da vacina. A remessa é a primeira de três que serão enviadas ao país.

Segundo o Ministério da Saúde, durante o primeiro trimestre devem chegar ao Brasil quase 20 milhões de doses pediátricas, destinadas ao público-alvo de 20,5 milhões de crianças. Em fevereiro, a previsão é que sejam entregues mais 7,2 milhões, e em março, 8,4 milhões.

No canto direito da imagem, cinegrafista grava com uma câmera profissional o desembarque das vacinas. Ao fundo, o avião, com o compartimento de cargas aberto, e o lote de vacinas sendo retirado.
(TV Brasil/Reprodução)

Na semana passada, o ministério anunciou a inclusão dos imunizantes pediátricos no plano de operacionalização do Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Segundo a pasta, a criança deve ir aos postos de vacinação acompanhada dos pais ou responsáveis ou levar uma autorização por escrito. O esquema vacinal será de duas doses, com intervalo de oito semanas entre as aplicações.

A distribuição será feita na seguinte proporção (confira o percentual da população de 5 a 11 anos por estado):

Região Centro-Oeste (8,17%)

Distrito Federal – 1,30%

Goiás – 3,55%

Mato Grosso do Sul – 1,47%

Mato Grosso – 1,85%

Região Sudeste (39,18%)

Espírito Santo – 1,93%

Minas Gerais – 9,02%

Rio de Janeiro – 7,49%

São Paulo – 20,73%

Região Sul (13,17%)

Paraná – 5,25%

Rio Grande do Sul – 4,73%

Santa Catarina – 3,19%

Região Nordeste (28,43%)

Alagoas – 1,77%

Bahia – 7,07%

Ceará – 4,42%

Maranhão – 4,02%

Paraíba – 1,89%

Pernambuco – 4,80%

Piauí – 1,62%

Rio Grande do Norte – 1,67%

Sergipe – 1,17%

Região Norte (11,05%)

Acre – 0,57%

Amazonas – 2,77%

Amapá – 0,55%

Pará – 4,99%

Rondônia – 0,93%

Roraima – 0,38%

Tocantins – 0,86%

Por Agência Brasil

Meninas obesas têm mais chances de doenças cardiovasculares na vida adulta

(Marcos Santos/USP Imagens)

Estudo feito com 92 adolescentes sugere que as meninas são mais propensas do que os meninos a desenvolver alterações metabólicas associadas à obesidade, entre elas hipertensão e dislipidemia – como é chamada a elevação dos níveis de colesterol e triglicerídeos no sangue.

A pesquisa foi conduzida com apoio da FAPESP por cientistas do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) e da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Os resultados foram divulgados em artigo na revista Frontiers in Nutrition.

Segundo os autores, os dados revelam um padrão de alterações no perfil lipídico associado às meninas obesas, quando comparadas a meninas sem sobrepeso. A conclusão é que as garotas do primeiro grupo têm mais predisposição a sofrer de doenças cardiovasculares na vida adulta.

“Observamos que as meninas são muito mais propensas às alterações típicas da obesidade, como hipertensão e dislipidemia. Elas apresentaram níveis aumentados de triglicerídeos e LDL, o chamado colesterol ‘ruim’, enquanto o HDL, o colesterol ‘bom’, foi menor em comparação às meninas eutróficas [sem sobrepeso]”, revela a bióloga Estefania Simoes, primeira autora do trabalho.

O perfil lipídico dos meninos obesos não apresentou diferenças significativas quando comparado com o dos meninos eutróficos, segundo os cientistas.

A obesidade infantil é uma preocupação crescente de autoridades sanitárias e estudiosos da área da saúde. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 340 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos estavam com sobrepeso ou obesos em 2016. É bem sabido que a obesidade na infância pode acarretar distúrbios metabólicos e doenças cardiovasculares na vida adulta.

Embora a questão venha ocupando cientistas e grupos de pesquisa há algum tempo, a ocorrência da obesidade na adolescência sob o ponto de vista das diferenças entre os sexos ainda é um tema pouco explorado.

“Nós comparamos adolescentes obesos e não obesos entre 11 e 18 anos de ambos os sexos abordando, simultaneamente, medidas antropométricas, perfil lipídico e lipoproteico, concentração de hormônios e neuropeptídeos, com foco especial nas respostas dependentes do sexo. Até onde sabemos, trata-se do primeiro estudo com essa abordagem multifatorial.”

O trabalho recebeu financiamento por meio de dois projetos: “Avaliação de anatomia cerebral, mediadores inflamatórios e hormônios reguladores do apetite de pacientes pediátricos obesos: um estudo sobre a neurobiologia da obesidade” e “Inflamação sistêmica em pacientes com caquexia associada ao câncer: mecanismos e estratégias terapêuticas, uma abordagem em medicina translacional”.

Colaborações

A pesquisa foi realizada em colaboração com o neurologista e psiquiatra Ricardo Riyoiti Uchida, pesquisador que lidera o trabalho e responsável pelo recrutamento dos 92 adolescentes que participaram do levantamento, no Ambulatório de Endocrinopediatria da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Uchida vem tentando entender, por meio de neuroimagens, se existe alguma alteração nas regiões do cérebro relacionadas à saciedade e ao apetite.

“É outro trabalho que está prestes a sair. O objetivo é caracterizar o sistema nervoso central dos pacientes obesos. Ele estuda obesidade adolescente há muitos anos”, adianta Simoes.

Além da coleta de sangue dos pacientes e da aferição da pressão sanguínea, foram mensuradas as concentrações plasmáticas (em jejum) de colesterol total (TC), colesterol de lipoproteína de alta densidade (HDL), colesterol de lipoproteína de baixa densidade (LDL), colesterol de lipoproteína de densidade muito baixa (VLDL) e triglicerídeos (TG). Esse trabalho foi feito pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Adicionalmente, foram aplicados vários questionários desenvolvidos para identificar os padrões alimentares que exibem sinais de dependência de alimentos ricos em gordura e/ou açúcar, assim como distúrbios alimentares.

Os cientistas mediram, ainda, os neuropeptídeos ligados a alterações neuro-humorais e descobriram que eles estão bastante alterados nos indivíduos obesos. Os neuropeptídeos são liberados em resposta a sinais periféricos (tais como hormônios) para regular o apetite e o equilíbrio energético.

“Além disso, a leptina e a insulina interagem com os neuropeptídeos NPY, MCH e α-MSH, não apenas regulando o apetite, mas também ativando o sistema nervoso simpático, possivelmente contribuindo para a hipertensão relacionada à obesidade”, revela Simoes.

De acordo com ela, esses novos dados relativos às diferenças observadas entre meninos e meninas no padrão de hormônio, citocinas e neuropeptídeos apontam a necessidade de uma terapia mais direcionada e específica.

“Por mais que se queira fazer um tratamento único, no que diz respeito a fármacos ou suplementação alimentar, o que os dados mostram é que talvez não se deva tratar do mesmo modo meninos e meninas, mesmo que eles tenham o mesmo peso e idade. Porque o organismo vai reagir de maneira diferente.”

Links

Joanna Correia-Lima, segunda autora do artigo, esclarece que com os dados coletados no mesmo grupo de voluntários foram desenvolvidos dois artigos. O primeiro, já publicado no International Journal of Obesity, focou a caracterização do processo inflamatório dos pacientes, tendo em vista ser a inflamação um processo biológico marcante na obesidade.

“No laboratório da professora Marília Seelaender, que também assina este segundo artigo na Frontiers in Nutrition conosco, sempre estudamos algo que é o oposto da obesidade: a caquexia [em pacientes com enfermidades como câncer e Aids, que perdem muito peso e, principalmente, massa muscular]. Essas duas doenças têm em comum o papel central da inflamação sistêmica. Então, inicialmente, focamos o trabalho na inflamação e, depois, avaliamos e caracterizamos essa outra parte hormonal e como isso está relacionado com a predisposição de desenvolver doenças cardiovasculares.”

De acordo com Correia-Lima, os inúmeros trabalhos já publicados sobre o tema obesidade adolescente/infantil geralmente abordam um fator específico que se encontra alterado no obeso (a inflamação ou um determinado hormônio, por exemplo), ou ainda uma consequência específica da obesidade, como hipertensão. “Mas nós conseguimos conectar esses dados todos. Como tínhamos uma coorte grande e uma boa quantidade de dados coletados, fomos capazes de caracterizar os links existentes em uma mesma população, ou seja, como se interligam todas as alterações observadas no organismo obeso. Isso é o mais importante desse trabalho: mostrar esses links”, diz.

Segundo Simoes, após a coleta de dados, quando foram realizadas as análises de correlação estatística, as pesquisadoras notaram que as ocorrências observadas nos organismos obesos estavam conectadas umas às outras. “Níveis elevados de hormônios como insulina e leptina [o hormônio da saciedade] poderiam ser os causadores da hipertensão, por exemplo. E essas informações deveriam ser levadas em conta no tratamento da obesidade. É muito comum o uso de anti-inflamatórios, que podem minimizar um aspecto da doença, mas é interessante saber que há outros fatores colaborando para que o problema ocorra, pois assim se tem a chance de complementar e melhorar o tratamento.”

Ela lembra que a obesidade é uma doença multifatorial e, por isso, não possui um único tratamento. Além de dieta e atividade física, os tratamentos podem incluir o uso de medicamentos, a intervenção cirúrgica e o cuidado psicológico.

“Nas avaliações feitas por meio do questionário, já se percebe que existe, naqueles meninos e meninas obesos, um distúrbio da alimentação em nível psicológico. Por mais que possamos mostrar que existem alterações nos neuropeptídeos, nos hormônios, na hipertensão ou na inflamação, no fundo, a criança não tem apenas um problema orgânico, mas psicológico. Daí a importância de estudos sobre a obesidade infantil: diagnosticar a tempo e tratar, para que não vire uma complicação maior na vida adulta”, alerta Simoes.

O artigo Sex-Dependent Dyslipidemia and Neuro-Humoral Alterations Leading to Further Cardiovascular Risk in Juvenile Obesity pode ser lido em: www.frontiersin.org/articles/10.3389/fnut.2020.613301/full.
 

Por Karina Ninni, da Agência Fapesp

Polícia encontra outra criança que era mantida em tambor

Policiais Militares do 29° batalhão de São Paulo junto com o Conselho Tutelar localizaram, na noite de ontem (25), uma criança de três anos presa em um tambor no bairro do Itaim Paulista, Zona Leste da capital.

De acordo com a PM, os policiais prenderam em flagrante a mãe e salvaram a criança. O menino estava nu e apresentava sinais de maus-tratos. Os Policiais providenciaram água e alimentação para a criança.

A mãe do menino, uma jovem de 20 anos, foi atuada por maus-tratos. Segundo nota da PM, a ocorrência foi encaminhada ao 67º Distrito Policial, onde o caso será investigado. 

No início de fevereiro, uma criança de dois anos foi encontrada pela PM em situação semelhante no bairro Cidade Líder, também na Zona Leste de São Paulo. 

*Com TV Cultura

Criança de 3 anos era mantida amarrada com fios

Criança recebe o carinho de policial na delegacia (PMESP/Reprodução)

Uma criança de três anos estava sendo mantida amarrada por fios, em Cidade Líder, na zona leste de São Paulo. Ela estava sozinha na casa quando a Polícia Militar chegou ao local.

A PM descobriu que a menina estava amarrada após uma denúncia anônima feita ao 190. Vizinhos estranharam o choro constante da criança e ligaram para a PM.

Quando os policiais entraram na casa e encontraram a vítima amarrada, ela estava com um brinquedo. Nenhum adulto foi encontrado no local.

A criança recebeu os cuidados dos policiais e passou por atendimento médico. Segundo nota divulgada pela PM, os responsáveis pela menina ainda não foram encontrados.

“Faça a diferença na segurança do seu bairro. Denuncie! Disque Denúncia 181 ou telefone de emergência 190”, reforçou a PM em comunicado.

Brinquedo que estava com a criança amarrada (PMESP/Reprodução)