Organização promove debates sobre o cotidiano do negro

O grupo de dança Asili Coletiva realiza a partir deste mês uma série de encontros para discussão sobre o universo do homem negro, suas vivências e desafios. Ao promover conversas sobre os cotidianos e subjetividades masculinas, considerando aspectos de caráter étnico-racial, o grupo objetiva a criação de um espaço coletivo que estimule a troca de saberes, autoconhecimento, maior condição de acesso a direitos e exercício pleno da cidadania, além de proteção e cuidado da saúde mental.

Intitulada ‘Homem Preto’, a série de encontros ocorrerá às sextas-feiras, a partir do dia 24 de janeiro. A ação é gratuita.

Segundo o bailarino e educador Felipe Cirilo, um dos organizadores do evento, cada dia terá um eixo temático, contudo a construção do conteúdo ocorrerá de modo coletivo e horizontalizado. As informações compartilhadas surgirão a partir das dúvidas, relatos e inquietações trazidos pelos próprios participantes. Os assuntos propostos para direcionar as conversas são Sexualidade, Meninos Pretos, Homens Pretos mais Velhos, e Homem Preto e Comunidade.

Orientador Felipe Cirilo (Naaya Lelis)

“É urgente debater assuntos que atingem diretamente a população preta nas periferias (no nosso caso, a de São Paulo), posto que a sociedade em que vivemos, mata um jovem negro a cada 23 minutos por arma de fogo. Assim como são homens negros os que mais cometem suicídio, no país. É preciso trazer para o centro do debate nossa vida diária, nossas experiências em casa, na rua, no trabalho, nas relações, enquanto homens pretos. Esse evento é sobre essas ideias trocadas e as que não são trocadas diariamente”, comenta Cirilo. 

A ação de discutir aspectos da masculinidade nasce após ações anteriores focadas na saúde psicológica da população negra e no Mulherismo Africana (práticas de sociabilidades construídas a partir de conhecimentos ancestrais de mulheres negras africanas). Todas elas integram o projeto ‘Asili – Cultivo de Dança’, contemplado pelo edital VAI 2019.

Os dois primeiros encontros da série ‘Homem Preto’ ocorrerão nos dias 24 e 31 de janeiro, no espaço cultural Independente Casa no Meio do Mundo, às 19h. As datas e locais dos eventos posteriores serão divulgados no perfil do grupo no Instagram: @asilicoletiva. 

A Asili Coletiva

Formada em 2017, a Asili Coletiva é uma organização artística voltada à pesquisa e criação em dança, além da promoção de espaços de convivência e fortalecimento da população negra. Coletivamente, o grupo desenvolveu uma série de treinamentos, jogos e procedimentos criativos denominada Dança de Atake que norteia as criações artísticas do coletivo.

Serviço

Série de Encontros: Homem Preto

  • Datas: 24 e 31/dez (sextas-feiras) – 19h
  • Local: Casa no Meio do Mundo
  • Endereço: Rua Itamonte, 2008 – Vila Medeiros – São Paulo/SP
  • Entrada gratuita
  • Mediação: Felipe Cirilo
  • Realização: Asili Coletiva

Datafolha: 73% dos eleitores querem Bolsonaro no debate

Alex Rodrigues/Agência Brasil

Candidatos à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).
Candidatos à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) (Tânia Rêgo e Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Pesquisa do Instituto Datafolha aponta que 67% dos eleitores brasileiros consideram que o debate entre os dois candidatos à Presidência da República, Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL), é muito importante.

Para 73% dos entrevistados, Bolsonaro deveria comparecer aos debates. Dos 9.137 eleitores ouvidos em 341 cidades, 23% disseram que o capitão reformado não deve participar de debates e 4% não souberam responder à pergunta.

Enquanto sete em cada dez entrevistados consideram o confronto de ideias e propostas frente a frente muito importante, 19% dizem que o debate com os dois candidatos não é nada importante. Além disso, 13% disseram que o encontro seria pouco importante e 2% não souberam responder.

Questionados se o debate poderia levá-los a escolher outro candidato e mudar a intenção de voto, 76% dos entrevistados responderam que não; 8% que a chance disso acontecer é pequena; 8% que é média e 6% que haveria grande chance de isso ocorrer.

Entre os que manifestam intenção de votar em Bolsonaro, 84% afirmam que o debate não os levaria a alterar seu voto. Já entre os que pretendem votar em Haddad, 76% afirmaram que não mudariam de opinião. Registrada na Justiça Eleitoral, a pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais.

Poucas horas após a divulgação da pesquisa Datafolha, o candidato do PSL afirmou, durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, que não tem participado de debates e tem limitado os atos públicos de campanha por temer por sua segurança pessoal após ter sido esfaqueado durante um evento em Juiz de Fora (MG), no dia 6 de setembro.

Submetido a duas cirurgias, Bolsonaro foi desaconselhado pela equipe médica a participar de debates durante todo o primeiro turno. Ontem, no entanto, médicos do Hospital Israelita Albert Einstein que o examinaram afirmaram que o candidato apresenta boa evolução clínica e que pode participar dos próximos debates, desde que sejam rápidos.

“Eu posso ter um problema com a bolsa de colostomia. Posso ter que voltar ao hospital”, declarou Bolsonaro, horas depois, na transmissão pelas redes sociais.

Já o candidato do PT, Fernando Haddad, tem repetido que gostaria de participar de debates com Bolsonaro e, pelas redes sociais, colocou-se à disposição para se reunir com o adversário em qualquer local. “Faço o que ele [Bolsonaro] quiser para ele falar o que pensa e debater o país. Com assistência médica, enfermaria, em qualquer ambiente.”

TSE nega novo pedido para Lula participar de debate na TV

André Richter/Agência Brasil

(Arquivo/Rovena Rosa/Agência Brasil)

O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Sérgio Banhos decidiu há pouco rejeitar novo pedido do PT para autorizar a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no debate que será realizado hoje (17), na Rede TV, às 22h, com candidatos à Presidência da República nas eleições de outubro.

Ontem (16), a participação de Lula foi vetada pelo ministro, mas a defesa recorreu da decisão por entender que o ex-presidente poderia participar por meio de videoconferência ou vídeos gravados antecipadamente.

Na nova decisão, o ministro reafirmou que a prisão de Lula está relacionada a questões criminais, que não podem ser analisadas pela Justiça Eleitoral.

Lula está preso desde 7 de abril, na sede da Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba, em função de sua condenação a 12 anos e um mês de prisão na ação penal do caso do triplex em Guarujá (SP). Para o PT, como candidato registrado no TSE, Lula tem direito de participar do debate.

Na quarta-feira (15), o partido registrou no TSE a candidatura de Lula à Presidência e o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad como vice na chapa.

Em tese, o ex-presidente estaria enquadrado no artigo da Lei da Ficha Limpa que impede a candidatura de condenados por órgãos colegiados. No entanto, o pedido de registro e a possível inelegibilidade precisam ser analisados pelo TSE. O pedido funciona como o primeiro passo para que a Justiça Eleitoral analise o caso.