Polícia busca 24 suspeitos de homicídio em São Paulo

A Polícia Civil faz uma ação na manhã de hoje (16) para cumprir 24 mandados de prisão e 38 de busca e apreensão contra autores de homicídios. Não foram fornecidos mais detalhes sobre os crimes investigados ou os autores.

A ação é coordenada pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa. Estão empenhados nos trabalhos 90 policiais e 53 viaturas.

Por Daniel Mello – Repórter da Agência Brasil 

Justiça decreta prisão de PM suspeito de matar Guilherme

Adriano Fernandes de Campos ingressou na PM paulista em 1999 e já respondeu por outros homicídios; ele é um dos suspeitos de matar Guilherme Guedes, 15 anos

PM Adriano Fernandes de Campos, 41 anos, é suspeito de participar da morte de Guilherme | Foto: reprodução

O sargento da PM paulista Adriano Fernandes de Campos, 41 anos, foi preso na noite desta quarta-feira (17/6) suspeito de participar do assassinato do estudante negro Guilherme Guedes, 15 anos. O adolescente foi sequestrado na Vila Clara, zona sul da cidade de São Paulo, e encontrado morto em Diadema, Grande São Paulo. Adriano está no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo.

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, que encabeça as investigações, pediu a prisão temporária ( por 30 dias, podendo ser prorrogável) nesta quarta-feira e a Justiça acatou. A Corregedoria da PM acompanha as investigações junto ao DHPP.

O sargento Adriano ingressou na PM paulista em 9 de agosto de 1999 e já respondeu por 6 homicídios, todos na Justiça comum. O último caso, de 2014, foi arquivado. Adriano integra o Batalhão de Operações Especiais da PM, o Baep, de São Bernardo do Campo.

A prisão foi um pedido do delegado Fábio Pinheiro, responsável pela investigação. A promotora Luciana Jordão Dias remeteu o pedido ao 1º Tribunal do Júri da Capital, que determinou a prisão.

Guilherme Silva Guedes, executado após rapto na zona sul (Arquivo familiar/via Ponte)

No pedido do Ministério Público, há confirmação da informação de que a família tem se sentido ameaçada. “A prisão é imprescindível às investigações do gravíssimo crime praticado, para a realização de interrogatório e apuração de outras testemunhas, que não se apresentam em razão do medo apresentado de represálias. Referido medo é reforçado pela presença de policiais militares próximos da residência da vítima logo após o homicídio”, escreveu a promotora.

“Até então, para nós, o autor do crime é o Adriano e mais um segundo”, definiu Pinheiro. O policial civil explica que há mais um suspeito pelo crime, ainda não identificado. O carro do filho de Adriano foi visto pelo sistema Detecta trafegando pelo local bem próximo da hora do desparecimento de Guilherme.

No local onde Guilherme foi sequestrado, um pedaço de tecido com a inscrição “SD PM Paulo” foi encontrado. Segundo o delegado, o homem foi ouvido, liberado e qualquer possível participação descartada, porque apresentou um “forte álibi”. A promotoria destaca no pedido de prisão que policiais estiveram na casa da família de Guilherme “exigindo a entrega de tarjeta de identificação de PM localizada por familiares da vítima”.

Para o pedido de prisão, o departamento se baseou em imagens de câmera de segurança em que dois homens aparecem no beco ao lado da casa de Guilherme no dia de seu sequestro e morte. Um deles seria Adriano, conforme explicou o delegado.

Até o momento, a linha principal da investigação sobre o que motivou o crime seria uma suposta tentativa de furto de um galpão na região da Vila Clara, cuja segurança era feita pela empresa de propriedade do policial militar.

Adriano e o pai dele, PM aposentado, Sebastião Campos, têm juntos uma empresa chamada Campos Forte Portaria Ldta. Conforme revelou reportagem exclusiva da Ponte, a empresa tem como registro as atividade de zeladoria e limpeza, além de outros serviços administrativos, mas não tem permissão para realizar segurança privada. Além disso, o regulamento interno da PM paulista proíbe que policiais da ativa tenham empresa com esse fim.

A reportagem procurou nesta quarta-feira a empresa de Adriano para tentar saber se ele queria se pronunciar sobre o caso, mas não conseguiu contato até o momento. A última nota enviada pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo sobre o caso não confirmava que havia um PM sendo investigado pelo crime e dizia apenas que tudo estava sendo apurado.

Por Maria Teresa Cruz e Paulo Eduardo Dias – Repórteres da Ponte

Polícia pede prisão de PM suspeito de matar garoto

Adolescente de 15 anos foi morto com tiro na cabeça; sargento Adriano Fernandes de Campos é dono de empresa que fazia segurança privada irregularmente 

Um dos suspeitos de sequestrar e matar Guilherme aparece na gravação de câmeras de rua | Foto: reprodução

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa da Polícia Civil de São Paulo pediu à Justiça a prisão do policial militar Adriano Fernandes de Campos. Ele é investigado pelo sequestro e morte de Guilherme Guedes, 15 anos, na Vila Clara, zona sul da cidade de São Paulo, no domingo (14/6).

A prisão foi um pedido do delegado Fábio Pinheiro, responsável pela investigação. A promotora Luciana Jordão Dias remeteu o pedido de prisão temporária (de 30 dias) ao 1º Tribunal do Júri da Capital e aguarda a decisão da Justiça. 

No pedido do Ministério Público, há confirmação da informação de que a família tem se sentido ameaçada. “A prisão é imprescindível às investigações do gravíssimo crime praticado, para a realização de interrogatório e apuração de outras testemunhas, que não se apresentam em razão do medo apresentado de represálias. Referido medo é reforçado pela presença de policiais militares próximos da residência da vítima logo após o homicídio”, escreveu a promotora. Íntegra pedido do MP de prisão de Adriano Campos Baixar

Guilherme Silva Guedes, executado após rapto na zona sul (Arquivo familiar/via Ponte)

“Uma questão de horas”, afirmou o delegado à Ponte. “Até então, para nós, o autor do crime é o Adriano e mais um segundo”, define Pinheiro. O policial civil explica que há mais um suspeito pelo crime, ainda não identificado. 

O carro do filho de Adriano foi visto pelo sistema Detecta trafegando pelo local bem próximo da hora do desparecimento de Guilherme. 

Ao lado do corpo de Guilherme um pedaço de tecido com a inscrição “SD PM Paulo” foi encontrado. Segundo o delegado, o homem foi ouvido, liberado e qualquer possível participação descartada, porque apresentou um “forte álibi”. A promotoria destaca no pedido de prisão que policiais estiveram na casa da família de Guilherme “exigindo a entrega de tarjeta de identificação de PM localizada por familiares da vítima”.

Para o pedido de prisão, o departamento se baseia em imagens de câmera de segurança em que dois homens aparecem no beco ao lado da casa de Guilherme no dia de seu sequestro e morte. Um deles seria Adriano, conforme explica o delegado.

Adriano e o pai dele, PM aposentado, Sebastião Campos, têm juntos uma empresa chamada Campos Forte Portaria Ldta. Conforme revelou reportagem exclusiva da Ponte, a empresa tem como registro as atividade de zeladoria e limpeza, além de outros serviços administrativos, mas não tem permissão para realizar segurança privada. Além disso, o regulamento interno da PM paulista proíbe que policiais da ativa tenham empresa com esse fim.

“Desconfiávamos que fosse esse soldado Paulo, mas o soldado Paulo não foi. Ele tem um álibi para o dia, muito forte”, explica. “Acreditamos que seja ou o Fábio, funcionário do Adriano, ou uma outra pessoa que o Adriano levou com ele. Pode ser até um outro policial militar”, prossegue. 

Adriano está na Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo onde espera a decisão da Justiça para o pedido de prisão. Caso acatado, ele será transferido para o Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital paulista. 

Enquanto o DHPP confirma que um policial está envolvido no sequestro e morte de Guilherme Guedes, até o momento, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, liderada pelo coronel João Camilo Pires de Campos neste governo de João Doria (PSDB), omite a informação.

Avó de Guilherme, dona Antônia vestia camisa com foto do neto | Foto: Arthur Stabile/Ponte

Secretário-executivo da PM, o coronel Álvaro Camilo negou na terça-feira(16/6) que existisse qualquer suspeita de participação de policiais militares no desaparecimento e morte. 

“Não teve operação policial, não tem nenhum indicativo de que aquilo tenha sido cometido por policiais militares”, disse, em entrevista à TV Globo naquela manhã.

Sobre a identificação de um PM encontrada no beco em que o adolescente desapareceu, disse que “não tinha naquele momento nenhuma operação policial sendo realizada naquela região”.

Quando ainda era deputado estadual pelo PSD, Camilo homenageou Adriano Campos em 2018, segundo informou o Uol. Então integrante da cavalaria da PM, Adriano foi um dos 26 homenageados numa sessão solene de duas horas, que reuniu cerca de 200 pessoas na Assembleia Legislativa de São Paulo, na manhã de 16 de abril de 2018. Na ocasião, os presentes na cerimônia entoaram a “canção da Cavalaria” e Camilo (PSD) discursou que “sempre haverá uma Cavalaria”, diz a reportagem. 

Por pelo menos quatro vezes a assessoria de imprensa terceirizada da pasta, a InPress, mesmo questionada, deixou de informar que poderia haver policiais militares ligados ao caso, conforme solicitado pela Ponte.

A primeira omissão ocorreu em e-mail enviado às 19h28 de terça-feira (16/6), quando a reportagem perguntou sobre essa possibilidade e foi ignorada. Na mesma hora, veículos como o G1 e a TV Bandeirantes indicavam a suspeita de que dois PMs estariam ligados ao sequestro e morte.

O mesmo correu em três contatos feitos ao longo desta quarta-feira (17/6): às 13h26, 14h04 e 16h42. Em todas as mensagens, a Ponte questionou se policiais militares eram investigados e chegou a solicitar um posicionamento da PM sobre a suposta participação de Adriano Campos. 

Durante a tarde desta quarta, a Corregedoria da PM esteve na casa da família de Guilherme ouvindo testemunhas, entre elas a avó que morava com o garoto, suas tias e demais parentes.

Ao longo desta terça-feira, a mãe do jovem, Joyce da Silva dos Santos, depôs na sede da Corregedoria. Ela permaneceu entre 15h e 22h no local, segundo apurado pela reportagem.

Ainda na noite de terça-feira, a família de Guilherme notou que um viatura do Rocam ficou parada por algum tempo na frente do local onde ele foi sequestrado. Informaram também que policiais à paisana rondaram a região. 

De acordo com a avó do garoto, Antônia Arcanjo, a ação da Corregedoria é positiva. “Mostra que estão fazendo algo. Espero que tudo isso acabe logo. Que eu esqueça disso, mas que nunca me esqueça do Guilherme”, disse, vestindo uma camiseta com o rosto do rapaz. 

Na quarta-feira, a Corregedoria da PM foi novamente ao bairro e ouviu mais uma vez as possíveis testemunhas e os familiares. Procurado pela reportagem, o Tribunal de Justiça afirmou que “o caso está sob segredo de Justiça e, neste momento, não podemos fornecer informações.”

Por Arthur Stabile e Paulo Eduardo Dias – Repórteres da Ponte

Adolescente morto e deixado em carro foi sequestrado

Quatro pessoas armadas teriam gritado “polícia” antes de levar a vítima, Gustavo Oliveira Tavera, encontrado em carro com outros dois corpos

Gustavo tinha 16 anos e foi reconhecido pela camisa que dormia: um uniforme do Palmeiras | Foto: Arquivo pessoal

Quatro homens armados sequestraram um jovem na madrugada desta quinta-feira (6/2) em Paraisópolis, favela localizada na zona sul da cidade de São Paulo. Segundo relatos, o grupo se identificou como “polícia” antes de entrar na casa e levar Gustavo Oliveira Tavera, 16 anos. Horas mais tarde, o pai da vítima esteve no local em que três corpos foram encontrados em um carro na região de Santo Amaro, também na zona sul, e reconheceu seu filho como um dos mortos.

Gustavo estava na casa em que mora com a mãe e o irmão quando foi sequestrado. Segundo relato de uma familiar, homens bateram na porta, acordando a família. Disseram que eram “a polícia” e que entrariam de “qualquer jeito”. Eles buscavam um homem apelidado de Orelha, segundo os familiares. Um dos homens apontou uma arma para o rosto da mãe de Gustavo antes de levá-lo.

“Os caras se identificaram como policiais, estavam em um carro preto”, afirmou o parente de Gustavo, em entrevista para a Ponte, pedindo para não ser identificado, com medo de represálias.

O pai do adolescente, Thiago Tavera, afirmou que reconheceu o corpo do filho pela roupa que ele vestia: uma camisa do Palmeiras. “Eu estava trabalhando na hora, trabalho em posto de gasolina. O Gustavo não era de sair, era da escola para casa e igreja. Pegaram meu filho de forma errada”, lamentou à Ponte.

Além de Gustavo, o veículo tinha outros dois corpos, de um jovem de 18 anos, de nome Edinaldo, e uma outra pessoa ainda não identificada, segundo informação da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo.

Thiago contou que o corpo do filho estava em um carro, junto de outros dois jovens mortos. O pai está no DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), da Polícia Civil, responsável pelas investigações do caso.

A Ponte questionou a Secretaria da Segurança Pública, comandada pelo general João Camilo Pires de Campos no governo de João Doria (PSDB), sobre o sequestro do jovem e aguarda um posicionamento oficial.

Por Arthur Stabile – Repórter da Ponte