Preso no interior acusado de matar Dorothy Stang

(Arquivo/Tomaz Silva/Agência Brasil)

A Polícia Militar de São Paulo informou que prendeu em Itapetininga, interior do estado, um dos acusados de envolvimento no assassinato da missionária Dorothy Stang. O crime contra a religiosa norte-americana ocorreu em 2005 em Anapu, no oeste do Pará.

Segundo a corporação, a prisão foi feita após o recebimento de uma denúncia de que o suspeito tinha sido visto no bairro de Vila Nova. De acordo com os policiais, ele estava em frente a uma casa e tentou fugir quando percebeu a presença das viaturas. No interior da residência foram encontrados documentos falsos.

Na delegacia foi confirmado que havia um mandado de prisão contra o acusado emitido em 2013, em Marabá, no Pará. A reportagem da Agência Brasil entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo que não divulgou o nome do preso. 

O crime



Dorothy Stang foi assassinada com seis tiros, em uma estrada rural de Anapu. Conhecida por defender, junto com representantes de sindicatos rurais e da Pastoral da Terra, melhores condições de vida e de trabalho para a população da região, a missionária estava a caminho do Projeto de Desenvolvimento Sustentável Esperança, do qual era considerada uma das principais líderes, quando foi morta.

Por Daniel Mello – Repórter da Agência Brasil

Testemunha de sucessor de Dorothy Stang é assassinada

Por Letycia Bond 

Marcio tinha 33 anos e quatro filhos (Comissão Pastoral da Terra/Reprodução)


A principal testemunha de defesa de padre José Amaro Lopes de Sousa, considerado o sucessor da missionária Dorothy Stang, foi assassinada na noite da última quarta-feira (4). A informação foi confirmada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), em comunicado divulgado hoje (6).

Representantes da CPT relataram que a vítima, Márcio Rodrigues dos Reis, de 33 anos, já havia sido ameaçado de morte e foi encurralado em uma emboscada. Em nota, a comissão contou que a vítima trabalhava como mototaxista e recebeu um chamado para transportar um passageiro em uma estrada que liga os municípios paraenses de Anapu e Pacajá. Antes de chegar ao destino indicado, o passageiro o atacou com um golpe de faca. O corpo foi localizado por pessoas que transitavam pelo local e acionaram a polícia.

“Em liberdade, mas ameaçado de morte, Márcio foi aconselhado a sair de Anapu. Passou então quase um ano residindo fora do município, mas, devido às relações familiares construídas em Anapu e para manter sua profissão de mototaxista, decidiu retornar alguns meses atrás. Achava que não corria mais risco. Mas acabou sendo assassinado”, escreveram representantes da CPT.

Para a comissão, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup) deveria conduzir a apuração do assassinato de Marcio.

“Com o assassinato de Marcio, completam 15 assassinatos de trabalhadores ocorridos em Anapu, desde o ano de 2015. Após intensa pressão, a Polícia Civil de Anapu instaurou inquéritos para apurar os 14 homicídios até então ocorridos. Até o início de 2019, apenas dois casos tinham resultado em uma ação penal, e em outros três houve apenas indiciamento de algum acusado. Nos nove restantes, os inquéritos sequer foram concluídos. Em todos eles, apenas um caso teve mandante identificado e preso”, complementa a CPT na nota.

A Agência Brasil solicitou à Polícia Civil do Pará informações sobre o caso e aguarda retorno. A Segup também foi procurada, mas não respondeu até o momento da publicação desta reportagem.

Caso

De acordo com a pastoral, Sousa era um dos integrantes de um acampamento sem-terra que ocupou uma área disputada com Silvério Albano Fernandes, um fazendeiro da região. Na versão da CPT, Fernandes apontava o religioso como liderança do grupo. A propriedade em questão é objeto de um processo que tramita, atualmente, no Tribunal Regional Federal 1, em Brasília.

Sousa chegou a ser preso acusado de esbulho (quando alguém toma algo de outra pessoa forçadamente) e posse de arma. Ele foi absolvido do crime em setembro de 2018, mas considerado culpado por porte de arma.

Fazendeiro que mandou matar Dorothy Stang vai à hospital

(Tomaz Silva/Agência Brasil)

O fazendeiro Regivaldo Pereira Galvão, de 48 anos, conhecido como “Taradão”, condenado como mandante do assassinato da missionária norte-americana Dorothy Stang e cumprindo pena no Centro de Recuperação Regional de Altamira desde o dia 16 de abril deste ano, foi transferido nessa quarta-feira (12) para um hospital particular em Altamira, no Pará.

De acordo com a Superintendência do Sistema Penitenciário (Susipe), Regivaldo vinha sendo atendido na Unidade de Saúde Penitenciária devido uma ferida infeccionada na região tíbia. Mas, com agravamento da infecção, com o preso apresentando quadro de febre, foi necessária a transferência hospitalar.

A Susipe informou que Regivaldo foi conduzido sob escolta policial para o Hospital Santo Agostinho. “Não há informações sobre como o condenado adquiriu a ferida, pois o mesmo só informou a direção da unidade quando já apresentava estágio avançado de infecção”, diz o órgão.

A missionária Dorothy Stang foi assassinada em fevereiro de 2005, em Anapu, no Pará. Ela lutava pela implantação de um assentamento de trabalhadores rurais numa área de terra reivindicada por madeireiros e fazendeiros, na região oeste do estado.