“Vamos caçá-los e fazê-los pagar”, diz Biden após ataques

Joe Biden, Presidente dos Estados Unidos (Rede Social/Reprodução)

O Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, prometeu nesta quinta-feira (26/08) caçar os responsáveis pelas duas explosões ocorridas no aeroporto de Cabul e disse que pediu ao Pentágono que desenvolva planos de ataque aos militantes islâmicos responsáveis pela ação.

“Não vamos perdoar, não vamos esquecer. Vamos caçá-los e fazê-los pagar”, afirmou Biden visivelmente abalado em pronunciamento na Casa Branca.

“Os terroristas não vão vencer”, acrescentou presidente americano. 

Mais cedo, o Pentágono confirmou que 12 soldados americanos morreram e 15 ficaram feridos. Os ataques também provocaram a morte de cerca de 60 civis afegãos e deixaram pelo menos 150 feridos, incluindo crianças.

Segundo o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, os ataques foram cometidos por pelo menos dois homens-bomba do Estado Islâmico. Eles detonaram os explosivos perto da entrada Abbey do aeroporto da capital afegã e nas proximidades do Hotel Baron, na mesma região.

O ramo do grupo terrorista Estado Islâmico no Afeganistão, que é inimigo do Talibã, reivindicou a autoria dos atentados. A informação foi divulgada em comunicado pela agência de notícias da organização radical islâmica, “Amaq”, em seus canais de propaganda na internet.

O autodenominado Estado Islâmico de Khorasan afirmou que um de seus integrantes conseguiu cometer o ataque depois de passar despercebido pelos postos de segurança “das forças dos EUA e das milícias talibãs em torno da capital, Cabul”.

Biden confirma continuidade da operação 

Apesar do ataque, Biden afirmou que os EUA continuarão até 31 de agosto com sua missão de evacuação em Cabul e prometeu que, após a retirada das tropas, seu governo encontrará outros meios de tirar os cidadãos americanos e seus aliados do país asiático.

O chefe do Comando Central dos EUA, general Kenneth McKenzie, disse em entrevista que há atualmente 5 mil pessoas dentro do aeroporto à espera do embarque em algum dos aviões de evacuação. Outras dezenas de milhares se aglomeram do lado de fora dos portões, na esperança de fugirem do país em um dos voos.

Até agora, os Estados Unidos e os países aliados já retiraram mais de 100 mil pessoas do Afeganistão, entre cidadãos estrangeiros e afegãos que colaboraram com as tropas americanas nos últimos 20 anos, além de suas famílias.

EUA compartilham informações com o Talibã

Para seguir com a missão de evacuação, as Forças Armadas dos EUA estão compartilhando informações com o Talibã, para evitar que ocorram mais atentados como os desta quinta-feira.

“Eles [os talibãs] têm uma razão prática para nos quererem fora até 31 de agosto. Eles querem retomar o controle do aeroporto. Também queremos partir até essa data, se for possível. Portanto, compartilhamos um objetivo em comum”, justificou McKenzie.

Segundo o general, a colaboração está sendo “útil” e o Talibã tem evitado “alguns ataques” ao aeroporto.

De acordo com McKenzie, ainda existem “várias ameaças ativas” contra o local e o próximo atentado pode vir sob a forma de um ataque com foguetes ou um carro-bomba.

Por essa razão, as forças americanas pediram que o grupo rebelde feche algumas ruas perto do aeroporto, a fim de impedir a aproximação de veículos que poderiam transportar uma bomba.

Vítimas em estado crítico

Muitas das vítimas dos atentados da tarde desta quinta-feira faziam parte da multidão que tenta embarcar nos voos para fugir do domínio do Talibã, que assumiu o poder no país em meados de agosto. 

Grande parte dos feridos que recebem atendimento médico após o ataque estão em estado crítico, de modo que o número de mortos pode aumentar. O total de vítimas permanece incerto, com novos pacientes e corpos ainda sendo transferidos para hospitais em Cabul.

A ONG italiana Emergency, que tem um hospital em Cabul, informou via Twitter logo após o atentado que tinha recebido pelo menos 60 pessoas feridas.

“As pessoas que chegaram não conseguiam falar, muitos estavam aterrorizados, seus olhos totalmente perdidos no vazio, seu olhar em branco. Raramente vimos tal situação”, descreveu a ONG nas mídias sociais.

Na véspera, Estados Unidos e aliados haviam apelado para que cidadãos saíssem do aeroporto de Cabul devido a ameaças de ataque do “Estado Islâmico”.

Avisos quase idênticos foram emitidos por Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Austrália e Nova Zelândia sobre “ameaças de segurança”. 

Muitos países europeus, como a Alemanha, anunciaram nesta quinta-feira suas últimas operações de evacuação saindo de Cabul, devido à deterioração da segurança no aeroporto, com o medo de ataques iminentes como fator determinante.

Por Deutsche Welle
le (reuters, efe, afp, ap, ots)

Líder do Estado Islâmico é morto, diz Trump

Por Jonas Valente

Donald J. Trump, presidente dos Estados Unidos
(Shealah Craighead/Casa Branca/Fotos Públicas)


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em entrevista coletiva hoje (27) que o líder do Estado Islâmico (Isis), Abu Bakr Al-Bhagdadi, foi morto ontem (26). Ele foi emboscado por uma operação do governo do país no noroeste da Síria.

“Ele foi o fundador do Isis, a mais impiedosa e violenta organização do mundo. Os EUA estavam procurando Bhagdadi por muitos anos. Capturar ou matar Bhagdadi se tornou a prioridade em segurança nacional da minha administração”, declarou Trump.

O governante estadunidense relatou que o líder da organização terrorista tentou escapar mas entrou em um túnel sem saída. Diante da situação, ele teria matado três crianças e depois se suicidado. Outras 11 crianças teriam sido retiradas sem ferimentos do local onde o líder do Isis foi encontrado, acrescentou Trump.

O presidente informou que nenhum agente envolvido na operação conduzida pelas forças de segurança estadunidenses foi morto. Já “uma grande quantidade de lutadores de Bhagdadi” morreu junto com o líder do Isis.

Ataque em casamento mata mais de 60 pessoas em Cabul

Por  Deutsche Welle

(Reprodução)

Ao menos 63 pessoas morreram e 182 ficaram feridas num atentado perpetrado por um homem-bomba durante a celebração de um casamento em Cabul, no Afeganistão, informaram autoridades locais neste domingo (18). Foi o ataque mais violento deste ano na capital afegã.

O grupo jihadista “Estado Islâmico” (EI) reivindicou a autoria neste domingo. Em comunicado divulgado pela rede social Telegram, cuja veracidade não pôde ser comprovada independentemente, a milícia disse que um suicida identificado como Abu Asem al Pakistani detonou os explosivos que carregava.

O atentado ocorrido no sábado à noite acontece num momento em que o Talibã e os Estados Unidos tentam negociar um acordo sobre a retirada das forças americanas do país, em troca de um compromisso por parte dos talibãs com a segurança e conversas de paz com o governo afegão, apoiado por Washington.

O Talibã negou rapidamente responsabilidade pela explosão e condenou o atentado – realizado num salão de festas no oeste de Cabul, em um bairro da minoria xiita – como “proibido e injustificável”.

O presidente Ashraf Ghani havia afirmado, porém, que os talibãs não podem escapar da culpa por esse ataque “bárbaro”. “O Talibã não pode se absolver de culpa porque eles fornecem plataforma para os terroristas”, escreveu ele no Twitter.

O noivo, que se identificou apenas como Mirwais, disse à emissora local Tolo Newsque o ataque “transformou sua felicidade em tristeza”. “Minha família e minha noiva estão em choque. Eles não conseguem falar. Minha noiva continua desmaiando”, contou. “Perdi meu irmão, perdi meus amigos, perdi meus parentes. Nunca verei felicidade em minha vida novamente.”

Mulheres e crianças estavam entre as vítimas, informou neste domingo o porta-voz do Ministério do Interior do país, Nasrat Rahimi.

Casamentos afegãos costumam ser festas épicas, com centenas ou milhares de convidados celebrando por horas dentro de salões de festa gigantescos, onde mulheres e crianças geralmente ficam separadas dos homens. Ahmad Omid, um dos sobreviventes, disse que cerca de 1.200 pessoas haviam sido convidadas para o casamento da prima de seu pai.

“Os convidados estavam dançando e comemorando a festa quando a explosão aconteceu”, lembrou Munir Ahmad, de 23 anos, que ficou gravemente e ferido e perdeu uma prima no ataque.

“Após a explosão, foi caos total. Todo mundo estava gritando e chorando por seus entes queridos”, afirmou ele à agência de notícias AFP na cama de um hospital, onde está sendo tratado por ferimentos causados por estilhaços.

Acredita-se que o casamento era uma união xiita. Muçulmanos xiitas são frequentemente alvejados no Afeganistão de maioria sunita, principalmente pelo “Estado Islâmico”, também ativo em Cabul.

Em 7 de agosto, um carro-bomba do Talibã visando forças de segurança afegãs foi detonado na mesma avenida do salão de festas, matando 14 pessoas e ferindo 145, a maioria mulheres, crianças e outros civis.