Policial que matou George Floyd é considerado culpado

Derek Chauvin, o policial acusado pelo homicídio de George Floyd, foi condenado nesta terça-feira (20/04) pelas três acusações que pesavam contra ele, após o julgamento considerado o mais importante envolvendo um caso de violência policial nos Estados Unidos nos últimos tempos.

A morte de Floyd, asfixiado enquanto era imobilizado pelo policial, desencadeou uma série de protestos em todo o país e se tornou o símbolo da luta contra o racismo após décadas de excessos cometidos pela polícia contra as minorias.

Durante o julgamento, os 12 jurados ouviram depoimentos de 45 testemunhas, incluindo pessoas que estavam no local quando Chauvin deteve Floyd em uma rua de Mineápolis,  de policiais, especialistas médicos, além de horas de evidências em vídeo.

Durante o julgamento, os parentes de Floyd, muitos dos quais vieram do Texas para acompanhar o processo, se revezavam no único assento reservado para eles no tribunal. Antes da decisão do júri, o presidente dos EUA, Joe Biden, conversou com membros da família por telefone. “Rezo para que o veredito seja o veredito correto”, disse o presidente.

Após dois dias de deliberações, os jurados decidiram que Chauvin era culpado pelas três acusações que pesavam contra ele.

No julgamento, com o tribunal em Mineápolis cercado por barricadas e soldados da Guarda Nacional, Chauvin se declarou inocente das acusações de homicídio culposo em segundo grau, homicídio em terceiro grau e assassinato em segundo grau.

As três acusações requerem que os jurados considerem as ações de Chauvin como “fator causal substancial” da morte de Floyd, mas nenhuma delas implica que ele teria tido a intenção de mata-lo.

O júri era composto por quatro mulheres brancas, uma negra e duas multirraciais, além de dois homens brancos e três negros, de acordo com registro do tribunal. Suas identidades serão mantidas em sigilo.

Nas imagens de vídeo registradas por testemunhas, Chauvin aparece forçando seu joelho sobre o pescoço de Floyd, de 46 anos, por mais de nove minutos, enquanto ele estava algemado e deitado de bruços na rua.

“Não consigo respirar”, repetiu Floyd diversas vezes. A frase se tornou um símbolo de resistência contra a violência policial em todo o país.

Ele foi detido por suspeita de tentar comprar cigarros em um mercado com uma nota falsa de 20 dólares, em maio do ano passado.

A defesa afirma que Chauvin teria agido como “um oficial de polícia sensato”. Os advogados tentaram gerar dúvidas quanto às causas da morte de Floyd, ao afirmarem que suas condições no momento da detenção teriam sido agravadas por problemas cardíacos ou até pela fumaça do escapamento da viatura policial, da qual estava próximo.

Mas, um médico pneumologista afirmou durante o julgamento que Floyd morreu sufocado devido aos baixos níveis de oxigênio no sangue. O especialista rejeitou enfaticamente a teoria da defesa de Chauvin de que o uso de drogas e problemas de saúde de Floyd teriam sido a causa de sua morte. “Uma pessoa saudável submetida ao que Floyd foi submetido teria morrido”, disse o médico, que é testemunha de acusação e analisou os registros do caso.

Ele disse ao júri que a respiração de Floyd foi severamente enfraquecida pela posição em que estava e com Chauvin e outros policiais de Mineápolis pressionando seu pescoço e costas.

Tensão e protestos

Chauvin foi afastado da força policial junto com os outros três agentes envolvidos na ação que resultou na morte de Floyd, em 25 de maio de 2020, quando detiveram o afro-americano por supostamente tentar fazer compras numa loja com uma nota falsa de 20 dólares.

Os outros policiais envolvidos – Tou Thao, Thomas Lane e J. Alexander Kueng – também enfrentam acusações em conexão com a morte de Floyd e serão julgados separadamente no fim de 2021.

Mineápolis viveu um clima de forte tensão nos dias que antecederam o anúncio do veredito. Muitas lojas e edifícios no centro da cidade cobriram suas fachadas com tapumes, temendo a repetição de violentos protestos de rua ocorridos no ano passado após a morte de Floyd, quando ocorreram vários confrontos entre manifestantes e a tropa de choque da polícia.

Na semana passada, novos protestos ocorreram em Brooklyn Center, um subúrbio de Mineápolis, após uma policial matar a tiros o jovem negro Daunte Wright, durante uma fiscalização de trânsito. Ela teria confundido seu taser – arma de descarga elétrica – com sua arma de fogo, e atirou no jovem enquanto ele tentava fugir dos policiais.

Por Deutsche Welle

EUA desaconselham viagens a 80% dos países do mundo

O Departamento de Estado dos EUA informou na segunda-feira (19/04) que ampliará significativamente a lista de locais para os quais não recomenda viagens aos americanos, que passará a incluir cerca de 80% dos países do mundo.

Hoje há 34 países no nível 4, para os quais a recomendação é não viajar, incluindo Brasil, Argentina, Haiti, Rússia, Moçambique, Tanzânia, Quênia e Kosovo. Para chegar a 80% dos países do mundo, mais cerca de 130 países serão acrescentados à lista.

O governo americano afirmou haver um risco “sem precedentes” para os viajantes devido à pandemia de covid-19, mas disse que a mudança não significa uma reavaliação da situação sanitária de países específicos.

Segundo o Departamento do Estado, a ampliação ocorrerá na próxima semana e “reflete um ajuste” no seu sistema, que dará mais peso às avaliações epidemiológicas feitas pelo Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Além da taxa de infecção, é considerada a disponibilidade local de testes e tratamento.

O órgão também pediu que os americanos que tenham feito planos de viagens internacionais reconsiderem sua decisão, mesmo que para países fora do nível 4.

A maioria dos americanos já está impedida de viajar para a maioria dos países da Europa devido a restrições ligadas à pandemia. O governo dos EUA também impede a entrada de praticamente todos os não cidadãos americanos que estiveram recentemente na maior parte da Europa, no Brasil, na China, na África do Sul e no Irã.

Viagens domésticas desestimuladas

No início de abril, o CDC disse que pessoas que concluíram sua vacinação contra a covid-19 poderiam viajar dentro dos Estados Unidos expostos a um “baixo risco”, mas a diretora do órgão Rochelle Walensky desestimulou os americanos a fazerem isso por causa do ainda alto número de casos pelo país.

“Sabemos que neste momento temos um aumento no número de casos. Minha orientação é contrária a viagens em geral”, afirmou Walensky. “Não estamos recomendando viagens neste momento, especialmente para indivíduos ainda não vacinados.”

Vacinação acelerada

Os Estados Unidos são um dos países cuja campanha de vacinação avança com mais rapidez. No domingo, o CDC informou que quase 130 milhões de pessoas com 18 anos ou mais foram vacinadas com pelo menos uma dose até o momento, o que representa 50,4% de todos os adultos do país.

Cerca de 84 milhões, ou 32,5% da população adulta, já estão completamente imunizados – seja com as duas doses das vacinas que requerem duas aplicações, seja com uma dose única do imunizante da farmacêutica Johnson & Johnson.

Ao todo, os EUA aplicaram 109 milhões de doses da vacina da Pfizer-Biontech, 92 milhões de doses do imunizante da Moderna e 7,9 milhões da vacina de dose única da Johnson & Johnson.

Por Deutsche Welle
bl/cn (Reuters, AP)

Feridos na invasão ao Capitólio, policiais processam Trump

(Bryan Myhr/Guarda Nacional dos EUA/via Fotos Públicas)

Dois policiais que trabalham no Capitólio abriram um processo contra o ex-presidente Donald Trump nesta terça-feira (30/03), por incitar a invasão à sede do Congresso americano, em 6 de janeiro. Ambos alegam que tiveram ferimentos “físicos e emocionais” durante o ataque, que culminou com a morte de cinco pessoas, entre elas um policial.

James Blassingame e Sidney Hemby pedem uma indenização de, ao menos, 75 mil dólares cada um.

“Os insurgentes foram incitados pelo comportamento de Trump, que por vários meses fez seus seguidores acreditarem que ele estava prestes a ser removido à força da Casa Branca por fraude eleitoral em massa”, diz o processo movido na corte federal em Washington.

“A turba de insurgentes que Trump inflamou, encorajou, estimulou, dirigiu e incitou, entrou à força e passou por cima dos demandantes e seus colegas, perseguindo-os e atacando-os”, afirma o documento.

Blassingame, um afroamericano que trabalha há 17 anos no Capitólio, disse que teve ferimentos na cabeça e nas costas e sofre emocionalmente com o evento. Ele também alega ter sofrido ataques racistas pelos simpatizantes de Trump.

Hemby, que trabalha há 11 anos no local, teve ferimentos nas mãos e nos joelhos, depois de ser esmagado contra as portas do prédio e foi borrifado no rosto e no corpo com spray químico. “O oficial Hemby normalmente tem uma atitude calma, mas tem lutado para controlar as consequências emocionais de ser atacado implacavelmente”, diz o processo, que compila vários exemplos de ocasiões em que Trump encorajou a insurreição.

Na época, o ex-presidente negou responsabilidade pelos distúrbios.

O processo também afirma que Trump alimentou a violência durante a campanha presidencial de 2020, vencida pelo democrata Joe Biden, e disseminou a falsa afirmação de que a eleição havia sido fraudada.

“Durante sua campanha de 2016, e durante sua presidência, Trump ameaçou usar violência contra seus oponentes, encorajou seus seguidores a cometer atos de violência e tolerou atos de violência por parte de seus seguidores, incluindo supremacistas brancos e grupos de ódio de extrema direita”, diz o documento.

O processo também cita momentos em que Trump incentivou seus apoiadores a marcharem até o Capitólio, incluindo um tweet de 19 de dezembro: “Grande protesto em DC em 6 de janeiro. Esteja lá, será selvagem”.

“O tweet de Trump em 19 de dezembro sobre o comício de 6 de janeiro foi considerado por muitos de seus apoiadores como um apelo literal às armas”, consta no processo.

Em 6 de janeiro, apoiadores de Trump descontentes com a vitória de Biden invadiram o Capitólio durante a sessão conjunta do Congresso que certificaria a vitória do democrata nas eleições presidenciais, forçando a saída abrupta de parlamentares e a interrupção da cerimônia.

Militantes que defendem Trump conseguiram romper diversas barreiras erguidas pela polícia, invadiram o prédio do Congresso e foram vistos em diversos locais do edifício. Um dos manifestantes sentou-se na cadeira da presidência do Senado e passou a gritar “Trump venceu essa eleição!”

Por incentivar a insurreição, Trump sofreu um processo de impeachment. No entanto, ele foi absolvido no Senado

Por Deutsche Welle
le (reuters, afp)

Com ajuda dos Estados Unidos, PF faz operação contra pedofilia

A Polícia Federal deflagrou hoje (23) a Operação Athoótita, com o objetivo de combater “possível prática de estupro de vulnerável”, além de crimes de compartilhamento e posse e produção de pornografia infantil no Tocantins.

Cerca de dez policiais federais estão cumprindo mandados de busca e apreensão, bem como de prisão preventiva, no município de Tabocão – todos expedidos pela 4ª Vara Federal da Seção Judiciária no Tocantins.

De acordo com a PF no Tocantins, a investigação teve início após cooperação jurídica internacional com os Estados Unidos, que encaminhou o material, à Polícia Federal, material compartilhado contendo pornografia infantojuvenil.

“No endereço da pessoa relacionada aos fatos, houve reporte de pornografia infantil por meio da Interpol em razão do upload de vídeo pedopornográfico em site de conteúdo adulto”, informou a PF.

O nome dado à operação – Athoótita – significa “inocência” em grego.

Por Pedro Peduzzi – Repórter da Agência Brasil 

Tiroteio em mercado deixa ao menos dez mortos nos Estados Unidos

(Reprodução)

Um tiroteio na cidade de Boulder, no estado do Colorado, nos Estados Unidos, deixou pelo menos 10 mortos, ontem (22). Uma das vítimas é o policial Eric Talley, o primeiro que chegou ao supermercado King Soopers, de acordo com a chefe da polícia de Boulder, Maris Herold. 

Segundo Kerry Yamaguchi, comandante da polícia local, uma pessoa considerada suspeita pelo crime foi presa. As motivações do acontecimento ainda não foram reveladas. As investigações continuam no local, com a ajuda do FBI e da SWAT. 

A polícia de Boulder prestou uma homenagem ao policial morto, em uma postagem no Twitter. Veja abaixo:

“Descanse em paz oficial Eric Talley. Seu serviço nunca será esquecido.”

https://twitter.com/boulderpolice/status/1374200720350580741/photo/1

O governador do estado do Colorado, Jared Polis, também se pronunciou:

“Meu coração está partido enquanto observamos este evento indescritível se desenrolar em nossa comunidade de Boulder. Estamos disponibilizando todos os recursos de segurança pública para auxiliar o Departamento do Xerife do Condado de Boulder enquanto eles trabalham para proteger o mercado.”

Por TV Cultura

Biden bate meta de vacinar 100 milhões em 100 dias de governo

(Kevin P. C/via Fotos Públicas)

Os Estados Unidos atingiram nesta sexta-feira (19/03) a meta do presidente Joe Biden de superar a marca de 100 milhões de pessoas vacinadas contra a covid-19 em seus primeiros 100 dias de governo. A cifra foi alcançada mais de um mês antes do previsto, no 58º dia de mandato do presidente.

Com o país agora administrando cerca de 2,5 milhões de doses por dia, Biden prometeu estabelecer uma nova meta na próxima semana, que pode chegar a 200 milhões de doses até seu centésimo dia no cargo. “Podemos conseguir dobrar [a meta]”, disse ele a repórteres antes de deixar a Casa Branca.

A meta de 100 milhões de doses foi anunciada em 8 de dezembro, antes do início da vacinação nos EUA. Quando Biden tomou posse, em 20 de janeiro, 20 milhões de doses haviam sido aplicadas.

Até agora, os EUA distribuíram 34,6 doses de vacinas contra a covid-19 para cada 100 pessoas, de acordo com números do site Our World in Data, da Universidade de Oxford. Em comparação, na União Europeia esse número é de 12,29 doses, e no Brasil, de 6,12.

Mesmo diante do sucesso da campanha de vacinação, Biden disse na quinta-feira que “não é momento de relaxar” e pediu que os americanos continuem seguindo as regras de distanciamento social e uso de máscara. “Os cientistas deixaram claro que as coisas podem piorar à medida que novas variantes desse vírus se espalham”, afirmou.

Envio de vacinas a outros países

Enquanto a vacinação avança rapidamente no país, a Casa Branca disse que pretende enviar vacinas a países vizinhos. O coordenador das ações contra o coronavírus, Jeff Zients, afirmou nesta sexta-feira que 2,5 milhões de doses da vacina da AstraZeneca-Oxford devem ser enviadas ao México e 1,5 milhão, ao Canadá. Ele enfatizou que, como a vacina da AstraZeneca ainda não foi autorizada para uso nos EUA, “o empréstimo não reduzirá o fornecimento de vacina aos americanos”.

No dia anterior, a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, já havia afirmado que a prioridade é vacinar a população dos EUA, mas observou que garantir que os países vizinhos também possam conter o coronavírus é uma “missão crítica” para acabar com a pandemia.

A vacina da AstraZeneca é aprovada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e já está sendo aplicada na União Europeia, no Brasil e em outros países. Mesmo sem a aprovação nos EUA, milhões de doses estão armazenadas no país, aguardando a liberação para uso.

O estoque – de 7 milhões de doses prontas para uso, segundo a Casa Branca – virou motivo de críticas da comunidade internacional, que argumenta que essas vacinas poderiam estar salvando vidas. Assim, o governo Biden passou a receber apelos de aliados em todo o mundo para liberar as vacinas da AstraZeneca.

No começo do mês, o jornal Financial Times informou que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pediu a Washington que considerasse o envio de doses para a Europa em meio a uma discussão com a AstraZeneca. A gigante farmacêutica anglo-sueca disse que fornecerá menos da metade do número planejado de vacinas à UE no segundo trimestre deste ano.

Aliado inesperado

Na terça-feira, a campanha de vacinação americana ganhou um aliado inesperado. Em entrevista em rede nacional, o ex-presidente Donald Trump recomendou que os americanos ainda relutantes, sobretudo seus apoiadores, se vacinem contra a covid-19. A declaração marcou uma guinada na postura do ex-presidente, que sempre foi relutante em endossar a vacina de forma mais incisiva em público. Trump e sua esposa, Melania, foram vacinados em segredo em janeiro.

“É uma vacina segura, e é algo que funciona”, disse Trump ao canal Fox News.

Os Estados Unidos são o país com mais casos e mortes por covid-19 no mundo. No total, mais de 29,7 milhões de pessoas contraíram o coronavírus nos EUA e mais de 540 mil morreram em razão da doença. 

Por Deutsche Welle

le/ek (AP, AFP, DPA, Reuters)

Lula pede a Biden reunião urgente do G20 sobre vacinas

Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República (Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

Em entrevista à emissora CNN Internacional, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao presidente americano, Joe Biden, que os Estados Unidos convoquem uma reunião emergencial do G20 para discutir a distribuição de vacinas contra a covid-19 para o Brasil e países mais pobres. 

“Estou sabendo que os Estados Unidos têm vacina que não estão usando. Essa vacina poderia ser, quem sabe, doada ao Brasil ou a outros países mais pobres que o Brasil que não podem comprar”, afirmou Lula à jornalista Christiane Amanpour em trecho da entrevista divulgado nesta quarta-feira (17/03).

“Uma sugestão que eu queria fazer a Biden é que é muito importante convocar uma reunião do G20 urgentemente. É importante convocar os principais líderes do mundo e colocar na mesa um único tema: vacina, vacina, vacina”, enfatizou o ex-presidente sobre a necessidade de unir os esforços do grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo, inclusive o Brasil.

Lula ainda afirmou que a responsabilidade de líderes internacionais é “tremenda” e lançou críticas diretas ao ex-presidente americano Donald Trump e ao presidente Jair Bolsonaro, indicando que não confiaria neles para liderar o esforço internacional para garantir mais vacinas para o Brasil. 

“Estou pedindo para Biden fazer isso porque não acredito no meu governo. E se fosse Trump eu também não pediria porque também não acreditava nele, mas o Biden é o sonho de um novo respiro para a democracia”, disse.

Com recorde diários de mortes e infecções por coronavírus, o Brasil vive o momento mais grave da pandemia. Além disso, segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o país passa pelo maior colapso sanitário e hospitalar de sua história e, de acordo com um epidemiologista, é uma ameaça à humanidade. Até o momento, apenas 10 milhões de brasileiros receberam uma primeira dose da vacina, ou menos de 5% da população.

Ao longo da pandemia, Bolsonaro minimizou frequentemente os riscos do coronavírus, além de promover curas sem eficácia, criticar as vacinas e tentar sabotar iniciativas paralelas de vacinação e combate à doença lançadas por governadores em resposta à inércia do seu governo na área.

Eleições 2022

A íntegra da entrevista de Lula à CNN Internacional irá ao ar nesta quinta-feira. Esta foi a primeira entrevista exclusiva concedida pelo ex-presidente desde que o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou as condenações do petista no âmbito da Operação Lava Jato, na semana passada. A decisão restabeleceu a possibilidade de Lula concorrer a eleições, abrindo o caminho para uma disputa com Bolsonaro nas urnas em 2022.

Na entrevista à CNN, Lula admitiu a possibilidade de concorrer à Presidência no ano que vem. “Se quando chegar o momento de disputar as eleições, se o meu partido e os outros partidos aliados entenderem que eu posso ser o candidato, e se eu estiver bem de saúde, eu asseguro que eu não vou negar o convite”, afirmou.

O ex-presidente, porém, destacou que essa não é a prioridade dele no momento. “A minha maior prioridade agora é salvar este país”, disse.

Em sua decisão, Fachin permitiu que as provas colhidas contra Lula sejam aproveitadas por um novo juiz. Mas a possibilidade de prescrição dos crimes e o tempo de tramitação dos processos tornam as chances de que o petista seja impedido de disputar as eleições do ano que vem remotas, segundo especialistas ouvidos pela DW Brasil

Em discurso feito na semana passada, Lula já havia criticado as políticas do governo Bolsonaro para lidar com a pandemia. Ele afirmou que muitos dos óbitos pela doença no Brasil poderiam ter sido evitados, defendeu veementemente a vacina e pediu que os brasileiros não sigam “nenhuma decisão imbecil” do presidente. Ele também prestou “solidariedade” aos governadores que tentam “lutar para dar vacina”, apesar da “incompetência” do governo federal e do Ministério da Saúde.

Por Deutsche Welle

lf/as (Efe, ots)

Biden ordena ataque a aliados do Irã na Síria

Aeronave americana durante treinamento (Força Aérea Americana/Reprodução)

Os EUA executaram um ataque aéreo no leste da Síria contra supostas instalações usadas por milícias apoiadas pelo Irã. O bombardeio ocorreu na quinta-feira (25/02) e foi a primeira ação militar ordenada pelo presidente Joe Biden desde que assumiu o cargo.

“Sob instruções do presidente Biden, as forças militares americanas realizaram nesta noite ataques aéreos contra a infraestrutura utilizada por grupos militantes apoiados pelo Irã no leste da Síria”, declarou o Pentágono em comunicado.

Os EUA afirmaram que os ataques aéreos destruíram várias instalações localizadas num posto de controle fronteiriço próximo ao Iraque e utilizado pelo Kata’ib Hisbolá e outras milícias pró-iranianas.

As autoridades americanas não revelaram se houve vítimas. No entanto, o Observatório Sírio para os Direitos Humanos relatou que 22 radicais foram mortos no bombardeio.

Rami Abdel Rahmane, diretor da organização não governamental com sede no Reino Unido, afirmou que “os ataques destruíram três caminhões com munições”. O bombardeio também teria destruído um carregamento de armas que tinha acabado de cruzar a fronteira da Síria com o Iraque na província síria de Deir Zor. 

Segundo o Pentágono, a ação representa uma resposta aos recentes ataques contra tropas americanas e instalações diplomáticas no Iraque. Os EUA comunicaram ainda ter consultado os parceiros da coalizão militar ativa na região antes de executar o ataque. 

“Esta operação envia uma mensagem inequívoca: o presidente Biden agirá para proteger o pessoal americano e da coalizão”, frisou o Departamento de Defesa dos EUA. “Agimos de maneira deliberada com o objetivo de atenuar a situação em geral tanto no leste da Síria quanto no Iraque”.

Aumento de ataques depois de morte de general iraniano

Em meados de fevereiro, mais de dez foguetes foram disparados contra uma base militar americana localizada no Aeroporto Internacional de Irbil, na região curda no norte do Iraque.

O ataque matou um civil estrangeiro contratado pelas Forças Armadas americanas e feriu um militar americano e alguns soldados da coalizão.

Na última segunda-feira, um outro ataque com foguetes teve como alvo a altamente fortificada Zona Verde na capital iraquiana de Bagdá, que abriga a Embaixada dos EUA e outras missões diplomáticas estrangeiras.

Embora o Kait’ib Hisbolá não tenha assumido a responsabilidade pelos ataques com foguetes, o secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, disse que Washington “está confiante” de que a organização pró-iraniana está por trás deles.

Os ataques contra instalações americanas no Iraque aumentaram desde que os EUA mataram em janeiro de 2020 general iraniano Qassim Soleimani, que era líder da poderosa Força Quds, e um comandante iraquiano de milícias pró-iranianas num ataque aéreo no aeroporto de Bagdá. 

Por Deutsche Welle

pv/rpr (efe, lusa, rtr, ap, afp, dpa)

Governo Biden quer fortalecer laços com Brasil, diz porta-voz

O governo do novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, está acompanhando de perto os acontecimentos no Brasil relacionados aos direitos humanos e à preservação ambiental, mas pretende continuar fortalecendo os laços econômicos e comerciais com o país sul-americano, afirmou a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, nesta segunda-feira (08/02).

Ao ser questionada sobre pedidos de entidades e membros do Partido Democrata para que negociações comerciais com o Brasil fossem suspensas devido a preocupações com os direitos humanos e o meio ambiente, Psaki disse que o governo Biden não vai se abster de levantar preocupações quando houver diferenças com o do presidente Jair Bolsonaro.

“Não vamos nos abster em áreas em que discordarmos, seja quanto ao clima, os direitos humanos ou outra questão”, disse Psaki. Ela afirmou, no entanto, que “obviamente há uma relação econômica significativa” entre os dois países e que os EUA seguirão buscando oportunidades de cooperação.

A porta-voz destacou que o governo Biden anunciou, em 5 de fevereiro, uma ajuda adicional, proveniente da Agência para Desenvolvimento Internacional americana, para a resposta emergencial do Brasil à covid-19.

“Somos de longe o maior investidor no Brasil, inclusive em muitas das empresas brasileiras mais inovadoras e focadas no crescimento, e continuaremos a fortalecer nossos laços econômicos e aumentar nosso grande e crescente relacionamento comercial nos próximos meses”, afirmou.

O embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Nestor Forster, saudou os comentários de Psaki e disse que o Brasil espera expandir os laços comerciais e está “totalmente a bordo” para abordar preocupações com o desenvolvimento sustentável e as mudanças climáticas.

“O que nós queremos é continuar trabalhando com o Estados Unidos”, disse o embaixador numa conferência organizada pela Associação Comercial Internacional de Washington, destacando que o investimento brasileiro teve forte aumento na última década.

Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), em 2018, último ano para o qual há dados disponíveis, os EUA foram o maior investidor direto no Brasil, com 134,1 bilhões de dólares. Já os investimentos brasileiros nos EUA cresceram 356% entre 2008 e 2017, alcançando 42,8 bilhões de dólares em 2017.

Laços fortalecidos sob Trump

O governo do ex-presidente americano Donald Trump buscou fortalecer os laços com o Brasil, a maior economia da América Latina, e fazer um contrapeso em relação à China, que se tornou o maior parceiro comercial do Brasil.

Em outubro passado, o Brasil e os Estados Unidos assinaram três acordos para garantir boas práticas comerciais e combater a corrupção, além de estabelecer uma meta para a duplicação do comércio bilateral nos próximos cinco anos.

Após apoiar abertamente a reeleição de Trump, repetir alegações sem provas de fraude eleitoral feitas pelo ex-presidente americano e demorar mais de um mês para reconhecer a vitória do democrata, Bolsonaro escreveu a Biden no dia da posse, 20 de janeiro, e disse que esperava que os dois países buscassem um amplo acordo de livre comércio.

Atritos envolvendo Amazônia

Durante a campanha eleitoral, Biden mencionou a destruição da Amazônia e disse que, caso fosse eleito, pretendia organizar um pacote de ajuda de 20 bilhões de dólares (R$ 107 bilhões) para que o Brasil preservasse a floresta. O democrata advertiu que, se os brasileiros persistissem com o desmatamento, o país poderia vir a sofrer “consequências econômicas significativas”.

Bolsonaro reagiu. Mencionando os 20 bilhões de dólares previstos por Biden, o presidente brasileiro afirmou que o Brasil não aceita suborno. “Nossa soberania é inegociável”, escreveu no Twitter. Bolsonaro ainda afirmou que seu governo realiza “ações sem precedentes para proteger a Amazônia” e declarou que a “cobiça de alguns países sobre a Amazônia é uma realidade”.

Pressão sobre o governo Biden

No ano passado, uma comissão da Câmara dos Representantes dos EUA, controlada pelos democratas, já havia criticado o governo Trump por se aproximar do Brasil. A comissão argumentou, numa carta apresentada em junho, que o governo Bolsonaro havia demonstrado “um completo desrespeito aos direitos humanos básicos” e que a expansão dos laços prejudicaria os esforços de defensores brasileiros dos diretos humanos e do meio ambiente.

Após a posse de Biden, sete ex-negociadores de reuniões do clima e membros de ex-governos republicanos e democratas encaminharam ao novo governo uma lista de recomendações. O chamado Plano de Proteção da Amazônia sugere como os EUA deveriam investir os 20 bilhões de dólares que Biden prometeu mobilizar para conservar a maior floresta tropical do mundo. 

“Entendemos que Bolsonaro não amou imediatamente o plano de Biden. Por isso é preciso trabalhar com a sociedade brasileira, empresas, governadores e políticos que estejam interessados em fazer parcerias com os Estados Unidos”, afirmou em entrevista à DW Brasil Nigel Purvis, ex-negociador do clima do governo americano que prestou assessoria para a elaboração do Plano de Proteção da Amazônia.

Na semana passada, a Rede dos Estados Unidos para Democracia no Brasil – apoiada por mais de 150 acadêmicos das principais universidades dos EUA, ONGs e entidades – fez chegar a Biden um dossiê de 31 páginas que pede a suspensão de acordos comerciais e políticos com o governo Bolsonaro.

Entre outras medidas, o documento pleiteia que o novo governo dos EUA encerre o apoio financeiro a atividades relacionadas ao desmatamento da Floresta Amazônica. O objetivo do grupo é pleitear a criação de uma CPI da Amazônia no Congresso dos EUA.

Por Deutsche Welle

lf/as (Reuters, DW, ots)

Plano dos EUA para Amazônia desafia Bolsonaro

Entre as próximas decisões do governo do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, está o caminho a ser seguido para cumprir uma de suas promessas de campanha que tem a ver com o Brasil: incentivar a conservação da Floresta Amazônica.

Uma lista de recomendações elaborada por sete ex-negociadores de reuniões do clima e membros de ex-governos republicanos e democratas já está nas mãos do novo governo americano. Chamado de Plano de Proteção da Amazônia, o documento está sob análise de congressistas e de John Kerry, ex-secretário de Estado no governo de Barack Obama nomeado por Biden para cuidar da política de mudanças climáticas.

O plano sugere como os Estados Unidos deveriam investir os 20 bilhões de dólares que Biden prometeu mobilizar para conservar a maior floresta tropical do mundo. A estratégia foi construída em cima de quatro pilares: financiamento público e privado; comércio sustentável; transparência das cadeias de suprimento; e diplomacia.

Embora demonstrem otimismo, os autores do plano consideram que podem encontrar resistência do lado brasileiro. Ainda durante a campanha eleitoral, quando Biden falou sobre a intenção de priorizar a Amazônia, Bolsonaro reagiu mal.

“Entendemos que Bolsonaro não amou imediatamente o plano de Biden. Por isso é preciso trabalhar com a sociedade brasileira, empresas, governadores e políticos que estejam interessados em fazer parcerias com os Estados Unidos”, comenta, em entrevista à DW Brasil, Nigel Purvis, ex-negociador do clima do governo americano e que prestou assessoria para a elaboração do Plano de Proteção da Amazônia.

Perda da floresta para o crime

Quando outro país fala sobre a Amazônia, é comum Bolsonaro questionar o interesse internacional na região. A resposta do presidente costuma seguir uma linha única: trata-se de uma violação à soberania.

O interesse externo, porém, muitas vezes está ancorado na ciência. Para além do impacto regional, o desmatamento na Amazônia tem implicações globais. Modelos de simulação climática desenvolvidos por cientistas no Brasil e nos Estados Unidos, por exemplo, apontam que a destruição dessa floresta influencia o aumento da temperatura em regiões como a Califórnia, destaca Izabella Teixeira, ex-ministra do Meio Ambiente.

“O Brasil tem que parar com retrocessos e desmatamento da Amazônia. Isso é imperativo global. Estamos perdendo a floresta para o crime”, comenta Teixeira. Nesse sentido, ela pontua a importância da colaboração regional. “Combater o crime ambiental na Amazônia é lidar com crime organizado, tráfico de drogas, ouro, armas, madeira.”

Em 2020, o desmatamento na região atingiu o maior patamar em mais de uma década. Foram 11.088 km² de devastação, a maior taxa registrada desde 2008, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O enfrentamento ao crime ambiental é citado no plano entregue a Biden. Além de propor o apoio do governo dos EUA ao combate ao desmatamento e à compensação financeira de projetos que diminuam as taxas de devastação, a proposta abarca fortemente o setor privado.

Os 20 bilhões de dólares previstos, valor 20 vezes maior ao que os Estados Unidos prometeram para proteção de florestas no mundo todo durante a Conferência do Clima de 2009, viriam também de compromissos assumidos por empresas, esclarece Nigel Purvis.

“Existem empresas de diferentes setores interessadas. Nós vamos reunir essas intenções”, detalha Purvis, citando companhias aéreas. “Além das companhias de tecnologia, como Microsoft, Apple, Google, que querem neutralizar suas emissões de carbono num prazo curto”, adiciona.

Mais direitos indígenas, zero commodity ilegal

Entre as recomendações feitas a Biden estão o fortalecimento da agricultura familiar e dos direitos das populações indígenas – temas que nunca foram prioritários para Bolsonaro.

“A ciência é clara: territórios indígenas têm as florestas mais conservadas do mundo. Ou seja, é uma tremenda solução contra as mudanças climáticas. Os autores [do plano] reconhecem o sucesso de indígenas em gerenciar e proteger a floresta”, explica Purvis.

Para os Estados Unidos, assegurar que produtos importados do Brasil não venham de áreas desmatadas ilegalmente, ao que tudo indica, será uma prioridade. “O povo brasileiro é que decide o que é desmatamento legal ou ilegal. É nossa responsabilidade apoiar o Brasil e não nos tornarmos um mercado para produtos ilegais, não criar incentivos para desmatamento”, adiciona o ex-negociador.

A estratégia aumenta a responsabilidade das grandes empresas americanas que negociam commodities agrícolas que exercem grande pressão sobre a floresta, como carne e soja.

“Essas empresas têm uma relevância no mercado global, como Cargil e Bunge. Não adianta propor politicas de clima sem participação do setor privado. Elas também estão de olho nas novas demandas de consumidores, que não querem comprar nada ligado a desmatamento”, comenta Teixeira.

A falta da pessoa certa

O Plano de Proteção da Amazônia não se resume apenas ao Brasil, detentor de 60% do bioma. “Muitos dos países da região entendem que a ação climática promoverá seu próprio desenvolvimento sustentável e provavelmente cooperarão com o governo Biden para aumentar a ambição climática”, afirma o documento, ressaltando, por outro lado, que o envolvimento construtivo com o Brasil é vital.

A aproximação dos outros sete países amazônicos com os Estados Unidos poderia pressionar Bolsonaro a seguir a mesma direção, acredita Mercedes Bustamante, pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB). O problema, pontua, é a definição de quem seria o interlocutor brasileiro.

“Os dois ministros naturais para essa função, o do Meio Ambiente [Ricardo Salles] e o das Relações Exteriores [Ernesto Araújo], não têm condições internas de levar esse diálogo. Se cair para o da Economia [Paulo Guedes], pode ser que tenha mais peso dentro do governo Bolsonaro”, analisa. Como o governo Bolsonaro é composto por “negacionistas climáticos e críticos ao multilateralismo”, acrescenta Teixeira, isso é motivo de tensão.

Há preocupação sobre os canais por onde o dinheiro iria escoar. “Se o financiamento chegar via governo federal ou instituições como Banco Mundial, há risco de o dinheiro entrar num governo [Bolsonaro] que não dialoga com a sociedade. É preciso ver se há portas para esse financiamento entrar menos pelo governo e mais pela sociedade civil”, analisa Bustamante.

O temor vem da experiência recente com o Fundo Amazônia, paralisado desde o início do governo Bolsonaro. As verbas, doadas principalmente por Noruega e Alemanha  e destinadas a projetos que combatem o desmatamento, estão bloqueadas, já que Salles praticamente destituiu o conselho que analisava as propostas e era composto também por entidades da sociedade civil.

“O foco na Amazônia é relevante, mas um outro ponto não deveria ser esquecido: mais pressões sobre sustentabilidade na Amazônia não podem implicar pressões de desmatamento em outros biomas. É preciso coerência, principalmente do setor privado. Uma sustentabilidade que seja válida para todas as áreas”, finaliza Bustamante.

Por Nádia Pontes, da Deutsche Welle