Guarda Nacional posicionada na frente do prédio do Capitólio

Homem que invadiu Capitólio é condenado a sete anos de prisão

Um membro de uma milícia de extrema direita nos Estados Unidos que participou da invasão do Capitólio em janeiro de 2021 – quando uma turba de apoiadores do ex-presidente Donald Trump tentou interromper a confirmação da vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais – foi condenado nesta segunda-feira (02/08) a sete anos e três meses de prisão.

Guy Reffitt, da cidade de Wylie, no Texas, tomou parte na invasão na sede do Congresso americano usando capacete, colete à prova de balas e portando uma pistola e algemas de plástico. Em março, ele fora condenado por um júri em cinco acusações, entre estas, porte não autorizado de armas no Capitólio e obstrução de procedimento oficial.   

Guarda Nacional posicionada na frente do prédio do Capitólio
(Arquivo/Bryan Myhr/Guarda Nacional dos EUA/via Fotos Públicas)

A sentença de Reffitt, que tinha 49 anos quando foi condenado em março, foi a mais longa imposta até o momento para acusados de envolvimento na invasão do Congresso, mas foi menos da metade dos 15 anos de prisão pedidos por um dos promotores que qualificou o extremista de direita como um terrorista doméstico.

Reffitt não chegou a entrar no Capitólio, mas imagens de vídeo o mostraram em meio à multidão e conduzindo outros extremistas por uma escadaria na parte lateral do edifício. Antes de se dirigir ao Capitólio, ele esteve no comício realizado por Trump, no qual o ex-presidente insuflou seus apoiadores a se deslocarem até a sede do Congresso.

Até agora, as punições mais pesadas associadas à invasão tinham sido de 5 anos e 3 meses, mas os dois réus que receberam essas penas aceitaram fazer acordos com a Justiça. Dos 13 julgamentos que já ocorreram de casos associados ao dia 6 de janeiro de 2021, os promotores federais somente tiveram negada uma das condenações.

“Caótico e confuso”

Segundo os promotores Reffitt, que integrava a milícia Texas Three Percenters (“Os três por cento do Texas”), disse a seus companheiros que planejava arrastar pelos tornozelos a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, para fora do Capitólio “com sua cabeça batendo em cada degrau” das escadarias.

Ele foi o primeiro a ser levado a julgamento por crimes cometidos naquele 6 de janeiro, quando os apoiadores de Trump conseguiram interromper a certificação da vitória democrata nas eleições. O juiz do caso ainda o condenou a três anos de liberdade vigiada após a prisão e impôs uma multa de dois mil dólares em restituições.

Reffitt, que já cumpriu 19 meses de prisão, recusou-se inicialmente a testemunhar perante o juiz, mas acabou mudando de ideia. Ele pediu desculpas aos policiais, mas não soube explicar o motivo pelo qual tomou parte nos eventos, dizendo que tudo estava “caótico e confuso”.

Ameaças ao próprio filho

A juíza do caso, no entanto, questionou a sinceridade Reffitt e lembrou que ele publicou declarações depois de preso onde se pintou, juntamente com outros detidos, como um patriota que se rebelou contra a “tirania” do governo americano. Ele disse que fez essas declarações para conseguir angariar dinheiro para sua família.

“A relutância do senhor Reffitt em admitir mais cedo que seu comportamento é ilegal é preocupante. E quero ser muito clara: não há qualquer definição legítima do termo ‘patriota’ que englobe o comportamento do senhor Refitt no dia 6 de janeiro ou nos seus arredores. É a antítese desta palavra”, disse a magistrada Dabney Friedrich.

Reffitt vivia com sua esposa e filhos, um dos quais relatou durante o julgamento que foi ameaçado pelo pai caso o delatasse. “Ele me disse: ‘se você me entregar, você é um traidor, e traidores são baleados’.”

rc (AP, Reuters)

Trump é alvo de apuração do Departamento de Justiça por contestar eleição

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos, órgão equivalente à Procuradoria-Geral da República no Brasil, está colhendo depoimentos e provas sobre as ações do ex-presidente Donald Trump para tentar reverter o resultado da eleição de 2020, na qual ele foi derrotado pelo democrata Joe Biden.

Segundo o jornal The Washington Post, procuradores federais estão questionando testemunhas sobre as conversas que tiveram com Trump, seus advogados e outros aliados do ex-presidente. Eles também buscam detalhes sobre reuniões realizadas com Trump em dezembro de 2020 e janeiro de 2021, a pressão feita sobre o então vice-presidente Mike Pence para que ele não certificasse o resultado da eleição, e um suposto plano para instalar falsos eleitores no Colégio Eleitoral americano como parte de uma estratégia para obstruir a certificação do resultado eleitoral.

Em abril, o Departamento de Justiça também recebeu extratos de ligações telefônicas de assessores da Casa Branca durante o governo Trump, segundo o Washington Post, citando fontes próximas do caso que falaram sob anonimato.

Entre as testemunhas já ouvidas pelo Departamento de Justiça, está o ex-chefe de gabinete de Pence, Marc Short, que confirmou nesta segunda-feira (25/07) à rede CNN ter prestado depoimento sobre o caso. Outra testemunha já ouvida seria o ex-chefe de gabinete da Casa Branca, Mark Meadows, segundo fonte não identificada.

O jornal New York Times também reportou que procuradores federais têm colhido depoimentos de testemunhas sobre o envolvimento de Trump em esforços para reverter o resultado das eleições. Segundo o veículo, o Departamento de Justiça apreendeu nas últimas semanas os telefones de duas figuras-chaves no caso: John Eastman, advogado que teria ajudado a desenvolver e promover o plano para reverter a certificação do resultado pelo Colégio Eleitoral, e Jeffrey Clark, ex-funcionário do Departamento de Justiça que teria participado da pressão nesse caso.

O Departamento de Justiça recusou-se a comentar o caso. Na terça-feira, numa entrevista à rede NBC, indagado sobre críticas de que a investigação andaria a passos lentos, o procurador-geral dos EUA, Merrick Garland, afirmou: “O Departamento de Justiça está desde o início se movendo com urgência para se informar o máximo possível sobre esse período, e para levar à Justiça todos que foram criminalmente responsáveis por interferir com a transferência pacífica de poder de uma administração para outra, que é um elemento fundamental da nossa democracia.”

A coleta de depoimentos e provas pelo Departamento de Justiça não significa que já foi aberta uma investigação criminal formal contra Trump.

Congresso também investiga ex-presidente

Trump também está sendo investigado por uma Comissão Parlamentar de Inquérito do Congresso americano, que apura a participação do ex-presidente na invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021.

A comissão ainda prepara o relatório final, mas já afirmou que Trump “colocou um plano em prática” ao conclamar apoiadores a marcharem rumo ao Capitólio.

“As evidências confirmam que não se tratou de uma chamada espontânea à ação, mas sim de uma estratégia deliberada que o presidente decidira antecipadamente”, declarou a deputada democrata e membro do comitê Stephanie Murphy.

Em junho, a comissão também já havia responsabilizado Trump pelo ataque, classificando os acontecimentos como uma “tentativa de golpe”. Os investigadores argumentaram que a invasão foi resultado de repetidas e infundadas acusações de fraude feitas pelo ex-presidente após as eleições.

Longe de terminar seus trabalhos, a comissão deve retomar as audiências em setembro. Trump criticou a investigação do painel, o qual acusou de propagar “muitas mentiras e deturpações”.

Trump indica que pretende concorrer em 2024

O ex-presidente americano voltou a Washington nesta semana pela primeira vez, desde que deixou a Casa Branca em 2021, e deu sinais claros de que pretende concorrer ao cargo novamente em 2024.

Num discurso nesta terça-feira, no instituto America First Policy, uma organização de direita criada em 2017, ele afirmou: “Sempre digo que eu concorri pela primeira vez e venci, e então concorri pela segunda vez e fui muito melhor.”

Em 2020, Trump recebeu 10 milhões de votos a mais do que em 2016, mas perdeu para Biden devido a um maior comparecimento dos eleitores às urnas.

“Podemos ter que fazer isso novamente. Temos que arrumar nosso país. Espero apresentar muitos mais detalhes nas próximas semanas e nos próximos meses.” Trump também voltou a fazer afirmações falsas sobre fraude eleitoral, que motivaram a insurreição que levou à invasão do Capitólio.

Também na terça-feira, Pence, que era um aliado próximo de Trump mas depois distanciou-se dele, fez um discurso na fundação Young America no qual afirmou: “Há gente que pode escolher focar no passado, mas as eleições são sobre o futuro.”

Trump segue popular entre o eleitorado conservador dos Estados Unidos, enquanto Pence e outros republicanos estão muito atrás nas pesquisas de opinião.

bl/av (AP, AFP, Reuters, ots)

Foto mostra dedo apontado para a tecla confirma da urna eletrônica. No visor do urna aparece escrito a palavra "Fim"

Eleições: ONGs pedem que Estados Unidos reconheçam vencedor rapidamente

Representantes de ONGs brasileiras se reuniram nesta terça-feira (26/07) com diplomatas do Departamento de Estado dos EUA e membros do Congresso americano para pedir que Washington reconheça rapidamente o vencedor das eleições presidenciais brasileiras em outubro. O pedido ocorre em meio ao aumento da tensão eleitoral no país sul-americano e ao temor de que o presidente Jair Bolsonaro, que concorre à reeleição, não reconheça uma eventual derrota no pleito.

“A atenção internacional é fundamental neste momento”, disse Paulo Abrão, diretor executivo do Washington Brazil Office (WBO), o think tank que organizou o encontro.

Em um comunicado, delegações de 19 organizações instaram o governo de Joe Biden a “reconhecer imediatamente o resultado” das eleições “tão logo a Justiça Eleitoral divulgue a contagem dos votos, seja quem for o vencedor do pleito”.

“Proteger a integridade do sistema eleitoral brasileiro e do processo eleitoral é urgente e vital para a sobrevivência da democracia”, afirmou Flávia Pellegrino, da ONG Pacto pela Democracia. “Não é apenas bravata ou especulação. Estamos diante de um processo golpista em curso no Brasil. Queremos que os resultados das eleições sejam reconhecidos e respeitados, ganhe quem ganhar”, acrescentou.

Nos últimos meses, Bolsonaro tem multiplicado ataques contra as autoridades eleitorais e frequentemente tenta minar a confiança no sistema de votação eletrônico do país, afirmando, sem provas, que ele é passível de fraude.

As acusações infundadas de Bolsonaro crescem conforme seu nome aparece em desvantagem nas pesquisas eleitorais. Segundo o último Datafolha, Bolsonaro pode perder para seu principal adversário, o petista Luiz Inácio Lula da Silva, já no primeiro turno.

A comitiva das ONGs que foi aos EUA incluiu representantes do Instituto Vladimir Herzog, da Transparência Internacional, da Comissão Arns e de organizações do movimento negro, ambientalistas e grupos LGTBQ, que apontam que houve um “aumento da perseguição” no Brasil nos últimos anos. As ONGs também afirmaram temer que “a situação piore se as eleições de outubro não forem realizadas de maneira livre”.

O Departamento de Estado dos EUA confirmou a reunião. “O Brasil tem um forte histórico de eleições livres e justas, com transparência e altos níveis de participação dos eleitores”, disse um porta-voz da pasta responsável pela diplomacia americana. Rejeitando implicitamente as alegações de fraude de Bolsonaro, o porta-voz completou: “Estamos confiantes de que a eleição de 2022 no Brasil refletirá a vontade do eleitorado.”

Sanders traça paralelo com Trump

Os representantes brasileiros também realizaram encontros com o deputado Mark Takano e com os senadores Bob Menéndez e Bernie Sanders, todos do Partido Democrata, o mesmo do presidente americano Joe Biden.

Em um vídeo divulgado pelo Brazil Office, Sanders falou sobre o encontro e traçou um paralelo entre a situação no Brasil e as ações do ex-presidente Donald Trump em janeiro de 2021, quando o republicano não aceitou a derrota para Joe Biden nas eleições presidenciais americanas e instigou uma turba de extremistas a invadir a sede do Congresso dos EUA.

“Infelizmente, isso tudo soa muito familiar para mim por causa dos esforços de Trump e seus amigos para minar a democracia dos Estados Unidos, então eu não estou surpreso que Bolsonaro tente fazer o mesmo no Brasil”, disse o senador.

EUA pedem respeito à democracia no Brasil

Nos últimos dias, diante dos ataques de Bolsonaro ao sistema eleitoral, o governo dos EUA tem divulgado comunicados pedindo respeito à democracia no país sul-americano.

Um dia depois de Bolsonaro organizar um encontro com embaixadores para atacar o sistema eleitoral, a embaixada dos EUA em Brasília, como contraponto às falas do presidente brasileiro, afirmou que as eleições brasileiras são um modelo para o mundo e que os americanos confiam na força das instituições do Brasil.

Nesta terça-feira, em viagem ao Brasil, o secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, enfatizou a necessidade de os militares estarem sob firme controle civil.

As relações entre o governo Joe Biden e Bolsonaro são frias, apesar de algumas tentativas recentes de reaproximação. Bolsonaro torceu abertamente na última eleição americana para Donald Trump, o rival de Biden. Depois da derrota do republicano, Bolsonaro chegou a endossar falsas acusações de fraude no pleito dos EUA. O Brasil também acabou sendo o último país do G20 a reconhecer a vitória de Biden. Até mesmo adversários dos EUA, como Rússia e China, foram mais rápidos que o governo brasileiro em reconhecer o resultado das eleições americanas.

jps/lf (AFP, ots)

Trump planejou ato que precedeu invasão do Capitólio, aponta CPI

A comissão parlamentar que investiga a invasão do Capitólio, em Washington, por uma turba de extremistas de direita, divulgou um veredicto bastante incisivo sobre o caso nesta terça-feira (12/07): “O presidente Trump colocou seu plano em prática, a partir do seu discurso, conclamando apoiadores a marcharem rumo ao Capitólio”, afirmou a deputada democrata e membro do comitê Stephanie Murphy.

“As evidências confirmam que [o episódio] não se tratou de uma chamada espontânea à ação, mas sim de uma estratégia deliberada que o presidente havia decidido de maneira antecipada”, complementou Murphy.

Uma das evidências é um tuíte de Trump, publicado em 19 de dezembro de 2020, no qual ele diz: “Grande protesto em [Washington] D.C. em 6 de janeiro. Estejam lá! Será selvagem!”

Jair Bolsonaro e Donald Trump (Alan Santos/PR/Fotos Públicas)

Em junho, a comissão já havia responsabilizado Trump pelo ataque, classificando os acontecimentos como uma “tentativa de golpe”. Os investigadores argumentaram que a invasão foi resultado de repetidas e infundadas acusações – feitas pelo ex-presidente – de fraude após as eleições presidenciais.

Cassidy Hutchinson, antiga assessora da Casa Branca, já tinha revelado numa audiência anterior que o então presidente dos EUA sabia que os manifestantes estavam armados.

Hutchinson disse ainda que foi informada de que Trump interpelou furiosamente seu motorista do Serviço Secreto e agarrou o volante de sua limusine na tentativa de se juntar à multidão que marchava para o Capitólio.

A audiência de terça-feira, de portas abertas, refletiu como grupos de extrema direita, como Oath Keepers e Proud Boys, que lideraram esse protesto, se coordenaram e como pessoas de confiança de Trump estiveram em contato com eles. 

Dias antes de o assessor de Segurança Nacional Michael Flynn ter participado de uma reunião no Salão Oval que discutiu como inverter o resultado das eleições, ele foi fotografado fora do Capitólio com membros dos Oath Keepers. 

Da mesma forma, o ex-colaborador trumpista e amigo Roger Stone utilizou um chat criptografado para coordenar esforços contra a contagem dos votos dois dias após o encerramento da votação. O chat, chamado de “Amigos de Stone”, envolvia membros de ambas as organizações. 

Após um discurso incendiário de Trump, que não aceitava a derrota no pleito de novembro de 2020, uma turba de extremistas de direita invadiu, ocupou e depredou a sede do Congresso dos EUA, considerado o coração da democracia americana, deixando um saldo de cinco mortos e dezenas de feridos.

Na ocasião, dia 6 de janeiro de 2021, políticos que compõem o Congresso estavam reunidos para oficializar a vitória do democrata Joe Biden nas eleições presidenciais.

A comissão que investiga a invasão do Capitólio também advertiu o ex-presidente contra tentativas de influenciar testemunhas. A republicana Liz Cheney afirmou que Trump havia tentado contatar uma testemunha que ainda não havia prestado depoimento publicamente.

“Preciso dizer novamente que levaremos muito a sério qualquer tentativa de influenciar o depoimento de uma testemunha”, reforçou Cheney.

Bolsonaro ameaça: “Sabemos o que temos que fazer”

Assumidamente fã de Trump, o presidente Jair Bolsonaro tem dado uma série de declarações contra instituições democráticas e o sistema eleitoral brasileiro. Em uma live no dia 7 de julho, ele fez críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e às auditorias das urnas eletrônicas executadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Devido a isso, Bolsonaro fez uma alusão dúbia ligando as eleições presidenciais deste ano no Brasil com a invasão do Capitólio nos Estados Unidos. Em tom de ameaça, disse que não espera um episódio semelhante, mas que “sabe o que fazer antes das eleições”.

“Não preciso dizer o que estou pensando, ou o que está em jogo. Você sabe como você deve se preparar, não para um novo Capitólio, ninguém quer invadir nada. Mas sabemos o que temos que fazer antes das eleições”, afirmou Bolsonaro, durante a live.

A declaração ocorreu exatamente um dia depois de o ministro do STF, Edson Fachin, ter alertado para os riscos que a eleição presidencial deste ano pode gerar no Brasil, inclusive com uma situação ainda mais grave do que a que ocorreu em Washington.

Exército americano não apoiou Trump

Enquanto nos Estados Unidos o exército americano excluiu qualquer possibilidade de apoiar a empreitada de Trump, no Brasil militares têm se manifestado de maneira similar a Bolsonaro quanto à possibilidade de fraudes – até hoje, nunca comprovadas – em eleições passadas e também nas que acontecerão em outubro.

Alguns integrantes do exército brasileiro cobram mudanças no sistema eleitoral e, inclusive, estariam preparando uma fiscalização paralela para as eleições deste ano, com lacração de urnas, testes de autenticidade e verificação da totalização dos votos. Em maio, por exemplo, Bolsonaro disse que o seu partido, o PL, contrataria uma auditoria privada para atuar no processo de conferência dos votos eletrônicos.

No fim de junho, as Forças Armadas solicitaram arquivos das eleições de 2014 e 2018, pleitos nos quais Bolsonaro alega ter ocorrido fraude. É o mais recente episódio de alinhamento ao discurso do presidente de desacreditar o sistema eleitoral e também as urnas eletrônicas.

gb (dpa, AFP, ots, EFE)

Presidente Joe Biden, de terno e gravata, diante de um microfone, aponta os dedos indicadores para baixo, tocando o púlpito de onde discursa

Ditadores devem pagar o preço, diz Biden sobre Putin

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, enviou uma mensagem clara ao presidente russo, Vladimir Putin, nesta terça-feira (01/03), em seu primeiro Discurso do Estado da União. Perante o Congresso, Biden afirmou que a “liberdade sempre triunfará sobre a tirania”, defendeu as duras sanções contra a Rússia e afirmou que a pressão sobre o país só aumentará.

O democrata disse que Putin está mais isolado do que nunca e que a economia da Rússia já começa a sentir os efeitos das duras medidas punitivas aplicadas pelos EUA em conjunto com a União Europeia e outros aliados ocidentais.

“Em nossa história, aprendemos esta lição: quando ditadores invadem um país, eles têm que pagar por isso”, afirmou Biden. 

Presidente Joe Biden, de terno e gravata, diante de um microfone, aponta os dedos indicadores para baixo, tocando o púlpito de onde discursa
Joe Biden, presidente dos EUA, durante discurso (Casa Branca/Reprodução)

O presidente americano também disse em seu discurso que Putin pensou que poderia dividir o Ocidente e que a Otan não reagiria. No entanto, segundo Biden, Putin cometeu um grave erro de cálculo. “Estávamos prontos”, disse o democrata. “A guerra de Putin foi premeditada e não provocada”, advertiu Biden. 

Como gesto simbólico de apoio, a embaixadora ucraniana nos Estados Unidos, Oksana Markarova, foi convidada para o discurso do presidente e permaneceu ao lado da primeira-dama Jill.

EUA não enviará tropas à Ucrânia

Biden lembrou que os EUA já deram à Ucrânia mais de 1 bilhão de dólares em assistência direta nos últimos tempos e que Washington vai continuar a apoiar o povo ucraniano.

No entanto, o presidente reafirmou que os EUA não enviarão tropas à Ucrânia. Todavia, ele garantiu que, no caso de Putin decidir continuar a mover-se para oeste, “os Estados Unidos e os aliados vão defender cada centímetro de território dos países da Otan”.

Biden confirmou a mobilização de tropas, aviões de combate e navios militares para proteger os países da Aliança Atlântica, incluindo Polônia, Romênia, Letônia, Lituânia e Estônia,  vizinhos da Ucrânia.

Fechamento do espaço aéreo

O presidente americano aproveitou o discurso para anunciar que os Estados Unidos vão fechar o espaço aéreo a aeronaves e companhias aéreas russas, incluindo jatinhos particulares de oligarcas russos.

 “Vamos juntar-nos aos nossos aliados, isolando ainda mais a Rússia e colocando pressão adicional na economia”, disse.

Um total de 37 países, incluindo todos os membros da UE, além de Reino Unido e Canadá, já haviam anunciado o fechamento do espaço aéreo aos russos.

Na segunda-feira, a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, afirmou que essa não seria uma decisão fácil, já que poderia levar a Rússia a tomar uma medida semelhante.

Biden também afirmou que o país perseguirá os crimes de oligarcas russos, e que o Departamento de Justiça americano está formando um grupo de trabalho para esta finalidade.

“Estamos nos unindo aos nossos aliados europeus para encontrar e apreender iates, apartamentos de luxo e aviões particulares deles”, anunciou Biden

le (lusa, efe, ots)

Volodimyr Zelensky, presidente da Ucrânia, fala ao telefone sentado à mesa. A mão esquerda está estendida sobre a mesa, onde há folhas de papeis.

Por que Ucrânia pede armas se ataque russo não é iminente?

Há semanas, o mundo acompanha o desenrolar das tensões entre a Ucrânia e a Rússia. Os Estados Unidos chegaram a classificar um ataque de Moscou a Kiev como “iminente”. O governo ucraniano tentou colocar panos quentes e acalmar a população, mas, ao mesmo tempo, recebe líderes ocidentais e pede o envio de armas. Se um ataque russo não é provável em curto prazo, por que a Ucrânia está pedindo ajuda e recebendo armas?

Moscou estacionou cerca de 100.000 soldados próximos às fronteiras com a Ucrânia, aumentando as especulações de que poderia invadir o país vizinho. Em 2014, a Rússia anexou a península ucraniana da Crimeia ao seu território.

O governo dos EUA alerta que esse número de soldados pode rapidamente aumentar para 175.000. Analistas de inteligência ocidentais dizem que as tropas estão cada vez mais de posse da logística necessária para lançar um ataque, incluindo suprimentos de sangue para hospitais de campanha russos perto da fronteira com a Ucrânia. Ao mesmo tempo, a Rússia está realizando exercícios conjuntos em Belarus, envolvendo 30.000 soldados, estima a Otan.

Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, fala ao telefone sentado à mesa. A mão esquerda está estendida sobre a mesa, onde há folhas de papeis.
Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia (Rede Social)

Em resposta, a Ucrânia solicitou e começou a receber armas de países ocidentais nas últimas semanas: sistemas antitanque dos EUA e do Reino Unido, além de munições e mísseis antiaéreos dos Estados Bálticos. A União Europeia (UE) prometeu mais de 1 bilhão de euros em assistência.

A questão central é se isso é apenas uma atitude precipitada do presidente russo, Vladimir Putin, em uma tentativa de chamar a atenção do Ocidente para sua exigência de que a Ucrânia nunca seja autorizada a ingressar na Otan ou se o líder da Rússia realmente pretende lançar um ataque à Ucrânia. E se houver de fato um ataque, se isso tomaria a forma de uma intervenção localizada ou uma invasão em grande escala.

Críticas da Ucrânia aos EUA

Em 2 de fevereiro, a secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, anunciou que o termo “iminente” não seria mais usado para descrever a ameaça de uma intervenção russa. Não porque a avaliação objetiva da inteligência americana tenha mudado, mas porque o termo pode inadvertidamente sugerir certeza dos EUA sobre as intenções de Putin. O uso do termo e a retórica dura do governo de Joe Biden também causaram atritos significativos com o governo ucraniano.

“Sou o presidente da Ucrânia e estou aqui no terreno, acho que entendo os detalhes melhor do que qualquer outro presidente”, foi a mensagem do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a jornalistas estrangeiros que lhe pediram para explicar a lacuna entre as mensagens dos EUA e a linha mais cautelosa de seu governo.

Enquanto Washington alertava sobre a ameaça aguda de invasão russa, Zelensky disse aos ucranianos que os riscos não eram maiores do que antes. Tudo o que mudou, afirmou Zelensky, foi o aumento repentino da atenção da mídia internacional.

A declaração do presidente ucraniano foi ainda mais surpreendente porque os líderes do país, incluindo o próprio Zelensky, passaram anos pedindo ao Ocidente que não subestimasse a ameaça representada pela Rússia à independência da Ucrânia. Não apenas isso: Kiev reuniu uma impressionante lista de desejos de sistemas de armas ocidentais que diz precisar para impedir que a Rússia ataque.

As diferenças entre Kiev e Washington são mais sobre “a estilística e a ênfase” do que qualquer outra coisa, argumentou o cientista político Volodymyr Fesenko. Ele destacou que, desde a anexação da Crimeia pela Rússia em 2014, Moscou aumentou sua presença militar permanente ao longo das fronteiras da Ucrânia e realizou exercícios em larga escala toda primavera e verão europeus. Como resultado, os ucranianos, explica Fesenko, aprenderam a conviver com o risco constante de escalada.

Toda a conversa atual sobre um ataque já teve um impacto muito real na Ucrânia. “A guerra ainda não estourou, mas a guerra já está sendo travada na mídia, e isso está tendo um impacto negativo na economia ucraniana”, disse Fesenko à DW.

Como as escaladas anteriores foram resolvidas?

Esta não é a primeira vez que a Rússia usa movimentação de tropas para aumentar as tensões com a Ucrânia. Em março e abril de 2021, a Rússia reuniu dezenas de milhares de soldados nas fronteiras ucranianas e realizou exercícios da Marinha no Mar Negro.

A movimentação causou preocupação internacional, mas os temores de um conflito iminente eram menos agudos do que no momento. Naquela época, as forças russas não tinham a logística para lançar um ataque em grande escala e a Rússia não havia formulado nenhuma demanda concreta.

Na primavera de 2021, a oferta de Biden de uma cúpula individual com Putin, o qual ele havia chamado de “assassino” apenas algumas semanas antes, bastou para a Rússia encerrar as manobras.

Agora, a mera oferta de diálogo dificilmente será suficiente para resolver as tensões. A cúpula Biden-Putin em Genebra em junho de 2021 pouco serviu para a Rússia avançar em seus objetivos.

Desta vez, Moscou emitiu uma lista de demandas, incluindo a proibição de a Ucrânia ingressar na Otan e um compromisso da Aliança Atlântica de retirar tropas e equipamentos militares dos estados membros no Leste Europeu. A Otan já descartou atender a qualquer uma dessas exigências.

Isso deixa as conversas sobre o controle de mísseis de alcance intermediário na Europa como a única parte das demandas da Rússia com alguma chance de progresso.

Observadores esperam que qualquer acordo desse tipo sobre controle de armas, mesmo que seja alcançado, provavelmente não seja uma vitória diplomática suficiente para o Kremlin estar disposto a diminuir a escalada.

Quanto a escalada está custando à Ucrânia?

Mesmo sem um único tiro disparado, falar de guerra iminente na Ucrânia já está prejudicando a confiança dos investidores internacionais no país. Essa é parte da razão pela qual o presidente Zelensky está tão interessado em diminuir a retórica.

Compartimento de avião de carga cheio de caixas com suprimentos para a Ucrânia.
Estados Unidos enviou para a Ucrânia, dia 3 de fevereiro, “equipamentos e suprimentos críticos”, segundo publicação em rede social (Rede Social)

Até agora, a moeda da Ucrânia, a hryvnia, resistiu bem, perdendo menos de 10% de seu valor em relação ao euro nas últimas semanas – embora isso não tenha acontecido sem a ajuda do banco central, que gastou mais de um bilhão de euros para deter a queda da moeda.

O efeito indireto mais relevante para a economia até agora, diz o analista Sergey Fursa, tem sido a capacidade da Ucrânia de tomar dinheiro emprestado nos mercados internacionais. Na situação atual, os leilões de títulos estariam fadados ao fracasso, explica Fursa.

Evidências estão aumentando de que empresas internacionais estariam deixando de lado planos de investimento na Ucrânia, já que algumas empresas no país estão seguindo o exemplo de algumas embaixadas ocidentais e evacuando funcionários da capital ucraniana.

Quantificar o valor de tais investimentos perdidos é difícil. No entanto, à medida que a escalada atual se desenrola, analistas alertam que a incerteza constante sobre a segurança da Ucrânia pode vir a ser um freio permanente no desenvolvimento econômico do país.

Existe uma vantagem para a Ucrânia?

Em apenas uma semana, os líderes da Turquia, Reino Unido e Holanda visitaram Kiev, com promessas de suprimentos militares. Foi uma demonstração de apoio sem precedentes e algo que a Ucrânia, em tempos normais, celebraria como uma vitória diplomática.

A Ucrânia está verdadeiramente na agenda da Europa e da Otan – por isso, teme que as exigências da Rússia sejam levadas a sério.

A Ucrânia recebeu armas e promessas de entregas futuras não apenas dos Estados Unidos, mas também de outros países da Otan, como o Reino Unido, que anteriormente não fornecera armas letais.

Mas isso não muda o fato de que o valor do equipamento ofertado à Ucrânia ainda é modesto em comparação com o apoio dos EUA para Israel ou para o Afeganistão antes da tomada do Talibã no ano passado.

Quanto à adesão à Otan, a aliança recusou-se a excluir a entrada da Ucrânia, mas também não deu esperanças de uma adesão a curto prazo.

Soldados descem de uma aeronave miliar. Todos usam farda. Desembarque acontece à noite.

Tropas americanas desembarcam na Polônia

O primeiro grupo de soldados dos Estados Unidos para reforçar o contingente da Otan no Leste Europeu chegou neste sábado (05/02) à Polônia, informou o major do exército polonês Przemyslaw Lipczynski.

Ele também disse que a maior parte dos 1.700 soldados americanos que serão enviados ao país chegará “em breve”. Na sexta-feira, também desembarcaram na Alemanha os primeiros militares americanos enviados como reforços.

O envio dos soldados ocorre em meio a temores de que a Rússia possa invadir a Ucrânia, já que Moscou estacionou mais de 100.000 militares próximo à fronteira com o país sem uma justificativa clara.

Soldados descem de uma aeronave miliar. Todos usam farda. Desembarque acontece à noite.
Desembarque de soldados na Europa (Stephen Perez/US Army)

A Rússia nega planos de invadir a Ucrânia, mas diz que pode tomar medidas militares não especificadas se suas exigências não forem atendidas. Entre outras coisas, o Kremlin quer que a Otan se comprometa a nunca admitir a Ucrânia como membro. A Aliança Atlântica disse que não aceitará.

Reforço no flanco leste da Otan

Os EUA já têm cerca de 4.500 soldados na Polônia. Na semana passada, Washington disse que enviaria mais 3.000 soldados para a Europa Central e Oriental para defender os membros da Otan contra qualquer “agressão”.

Isso inclui 2.000 soldados sendo transferidos dos EUA para a Polônia e a Alemanha. Outros 1.000 soldados americanos que já estão na Alemanha serão remanejados para a Romênia.

“A situação atual torna necessário que reforcemos a postura de dissuasão e defesa no flanco leste da Otan”, disse o porta-voz do Pentágono, John Kirby.

Os EUA  e a Otan já deixaram claro que não enviarão contingentes diretamente para Ucrânia, mas para países aliados da Aliança Atlântica.

O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Alexander Grushko, advertiu que o envio das tropas americanas tornaria mais difícil um compromisso entre os lados.

Espera-se que os ministros da Defesa da Otan discutam mais reforços para os países da aliança em sua próxima reunião, nos dias 16 e 17 de fevereiro.

Scholz viaja para os EUA

O chanceler federal da Alemanha, Olaf Scholz, deve discutir a questão da Ucrânia em sua primeira reunião com o presidente dos EUA, Joe Biden, na segunda-feira.

A recusa de Berlim em enviar armas para a Ucrânia, as mensagens muitas vezes confusas sobre possíveis sanções e, acima de tudo, a resistência em abandonar o projeto do gasoduto Nord Stream 2 para fornecer gás russo à Alemanha irritaram Washington. Scholz também deve visitar Moscou no final deste mês.

Caças russos em Belarus

Poucos dias antes do início de uma manobra militar russa em Belarus, caças Sukhoi Su-25SM foram trazidos a mais de 7.000 quilômetros da região de Primorye, no Mar do Japão, para aeródromos militares na área de Brest, perto da fronteira polonesa, informou o Ministério da Defesa russo.

Os líderes militares de Belarus e Rússia enfatizaram repetidamente que o envio de tropas é puramente para fins de treinamento, não representa ameaça e está de acordo com o direito internacional. Moscou e Minsk rejeitaram as acusações do Ocidente de que o exercício militar está em preparação para uma invasão à vizinha Ucrânia. A manobra está prevista para ocorrer de 10 a 20 de fevereiro.

Em vista das preocupações com uma possível invasão russa, militares ucranianos iniciaram um treinamento de guerra na zona radioativa ao redor da antiga usina nuclear de Chernobyl.

O ministro do Interior, Denys Monastyrskyj, disse que trata-se do primeiro exercício em grande escala na zona de exclusão. Imagens mostram os militares treinando com morteiros e avançando com veículos blindados na cidade evacuada de Pripyat. O resgate de feridos e o desarmamento de minas também foi praticado.

Caças dinamarqueses chegam na Lituânia

Não apenas os EUA enviaram reforços à região. Quatro caças F-16 da Força Aérea Dinamarquesa já chegaram à Lituânia para fortalecer a vigilância aérea da Otan sobre os Estados Bálticos. Juntamente com quatro aeronaves polonesas, eles devem controlar os céus sobre a União Europeia (UE) e a Estônia, Letônia e Lituânia, estados membros da Otan, a partir do aeroporto militar de Siauliai. 

Os três países bálticos que fazem fronteira com a Rússia não têm seus próprios aviões de combate. Por isso, aliados têm assegurado o espaço aéreo do Báltico em rotação regular desde 2004.

A Dinamarca também enviará uma fragata para o Mar Báltico. De acordo com o exército estoniano, seis caças F-15C Eagle pousaram na base militar de Ämari na quarta-feira para fins de treinamento. O principal objetivo do esquadrão é apoiar a Força Aérea Belga no patrulhamento do espaço aéreo do Báltico.

le (AFP, DPA, Reuters)

Vladimir Putin, homem branco e cabelos claros, ao lado de Xi Jinpin, homem de pele clara, olhos puxados. Os dois usam terno e gravata e posam para foto tendo bandeiras dos dois países ao fundo.

Rússia e China pedem fim da expansão da Otan

Após encontro nesta sexta-feira (04/02), em Pequim, o presidente russo, Vladimir Putin, e seu homólogo chinês, Xi Jinping, demonstraram união frente ao Ocidente e contra uma expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), desafiando a influência global dos Estados Unidos.

Numa declaração conjunta, os dois países afirmaram que sua nova relação é superior a qualquer aliança militar da era da Guerra Fria e pediram o fim da expansão da Otan para o Leste Europeu.

“Ambas as partes se opõem a uma expansão da Otan e pedem que a aliança do Atlântico Norte abandone suas abordagens ideológicas da Guerra Fria”, diz a declaração conjunta. O documento também pede que a Otan respeite a “soberania, segurança e interesses de outros países”.

Vladimir Putin, homem branco e cabelos claros, ao lado de Xi Jinpin, homem de pele clara, olhos puxados. Os dois usam terno e gravata e posam para foto tendo bandeiras dos dois países ao fundo.
Vladimir Putin com o presidente da República Popular da China, Xi Jinping (Kremlin/Reprodução)

Os EUA e a Otan estimam que mais de 100 mil soldados russos estejam estacionados perto da fronteira com a Ucrânia, o que gerou temores de uma invasão. A Rússia nega ter a intenção de investir contra o país vizinho, mas exige “garantias de segurança” da Otan.

Mais especificamente, Moscou pede que a Ucrânia não seja incluída entre os países que formam a aliança e que esta reduza sua presença militar no Leste Europeu – demandas que EUA e Otan rejeitaram.

Fundada em 1949 em Bruxelas, a Otan é uma aliança intergovernamental comandada pelos Estados Unidos e composta por 30 países, a maioria europeus. A principal prerrogativa do grupo é defender os territórios parceiros em caso de agressões militares causadas por terceiros.

Aproximação “sem precedentes”

Os dois líderes se encontraram pela primeira vez em dois anos, e sua reunião foi pautada pelas rixas crescentes dos dois países com os Estados Unidos.

Em meio à crise envolvendo Rússia e Ucrânia e as tensões relativas a Taiwan – cuja soberania é reclamada pela China –, Xi sublinhou que China e Rússia vão aprofundar sua coordenação estratégica “sem descanso”, e que também enfrentarão juntos o que chamou de “ingerências externas” e “ameaças à segurança regional”.

Putin, que chegou nesta sexta-feira a Pequim para comparecer à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim, destacou que as relações bilaterais vivem uma aproximação “sem precedentes”, dizendo também que o país asiático é o parceiro estratégico “mais importante” da Rússia.

Um inimigo em comum

Ainda que a declaração conjunta não cite explicitamente os Estados Unidos ou a crise na fronteira russa com a Ucrânia, o texto denuncia que “um pequeno número de forças na comunidade internacional continua obstinada em promover o unilateralismo e em interferir nos assuntos de outros países”.

“O que eles estão fazendo é minar os direitos e interesses legítimos de outros países, bem como criar atritos e confrontos, o que impede o desenvolvimento. A comunidade internacional não aceitará mais isso”, diz a declaração.

Além da oposição à expansão da Otan, o texto mostra a preocupação do líder chinês com o acordo de defesa tripartidario Aukus, firmado por EUA, Austrália e Reino Unido e cujo foco é a região indo-pacífica. 

Putin afirmou que o aprofundamento das relações entre China e Rússia tem como objetivo “defender seus interesses comuns”, mas que também é importante pela segurança “em todo o mundo”.

“Nenhum país deveria garantir sua segurança isolado da segurança global e à custa da segurança de outros países”, diz a declaração divulgada pelo Kremlin.

Cooperação econômica

Os dois mandatários também concordaram em traçar planos para conseguir “alta qualidade” no comércio bilateral, que atingiu o nível recorde de 150 milhões de dólares, assim como aumentar a cooperação em áreas como agricultura, economia digital e saúde.

“A cooperação energética aumentará com um maior fornecimento de gás natural da Rússia para a China”, disse Putin.

Os planos de Pequim de aumentar as importações de gás da Rússia acontecem em meio a preocupações de uma dependência excessiva da Europa do gás de Moscou.

O governo russo espera atualmente que a entrada em operação do gasoduto Nord Stream 2 seja aprovada para fornecer gás à Alemanha. O governo alemão, por seu lado, alertou que o gasoduto poderá nunca entrar em operação se a Rússia decidir invadir a Ucrânia.

Boicote diplomático aos Jogos de Inverno

A viagem de Putin à cerimônia de abertura dos Jogos de Inverno de Pequim é simbólica. Ele é considerado o convidado político mais importante da noite, com direito a uma homenagem como “amigo da China”.

Devido a tensões com Pequim por causa de violações de direitos humanos no país, países incluindo Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Austrália impuseram um boicote diplomático do evento. As equipes esportivas dos países participam dos Jogos, mas não haverá representantes políticos presentes.

rk/lf (Reuters, AFP, EFE, DPA)

Moro diz ter recebido R$ 3,7 milhões de consultoria dos EUA

Depois de semanas de especulações, o ex-juiz e ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro, Sergio Moro, finalmente revelou a quantia que recebeu por serviços prestados para a consultoria americana Alvarez & Marsal.

Em uma transmissão ao vivo na internet nesta sexta-feira (28/01), o pré-candidato à presidência pelo Podemos disse que recebeu aproximadamente 3,7 milhões de reais para trabalhar como consultor do braço investigativo da empresa.

Moro disse que seu pagamento mensal era de 45 mil dólares (cerca de 241 mil reais), o que, com os descontos, daria 24 mil dólares (128 mil reais), além de um bônus de contratação de 150 mil dólares. Segundo afirmou, ele devolveu 67 mil reais à empresa por ter encerrado o contrato antes do tempo.

(Arquivo/Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O contrato com a Alvarez & Marsal foi assinado sete meses depois de Moro ter deixado o Ministério da Justiça, após uma série de desavenças com o presidente Jair Bolsonaro, a quem acusou de interferir na Polícia Federal.

Ele trabalhou para consultoria americana até em 31 de outubro de 2021, antes de se filiar ao Podemos e se lançar como pré-candidato à presidência da República.

Suspeita de conflito de interesses

A polêmica em torna da contratação, e pelo alto valor pago ao ex-juiz conhecido por sua atuação na operação Lava Jato, é justamente o fato de a Alvarez & Marsal ter sido nomeada para administrar a recuperação judicial de empresas que foram alvos dessa mesma operação, através de sentenças assinadas pelo próprio Moro.

O Tribunal de Contas da União (TCU) instaurou, em dezembro do ano passado, um procedimento para averiguar um possível conflito de interesse.

O subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado busca esclarecer possíveis prejuízos aos cofres públicos, em razão de suspeitas de que tivesse ocorrido a prática conhecida como revolving door (porta giratória), ou seja, quando um servidor público atua na iniciativa privada na mesma área em que trabalhava anteriormente.

A consultoria americana se recusou a divulgar os valores pagos a Moro e tentou lançar mão de precedentes no Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir que o TCU obtivesse as informações.

Ex-juiz se diz “perseguido”

Mais tarde, a empresa enviou documentos ao TCU onde consta o recebimento de 42,5 milhões de reais em honorários de empreiteiras investigadas na operação Lava Jato no desenrolar dos processos de recuperação judicial. Essas empresas eram a OAS, o grupo Odebrecht e a Galvão Engenharia.

Em meio à suspeita de uma promiscuidade entre o juiz da Lava Jato e a consultoria encarregada da recuperação judicial das empresas, Moro assegurou que seus serviços não eram relacionados à atuação da ramificação brasileira do grupo americano e, portanto, não teriam ligação com os processos que coordenou quando juiz. Ele, porém, não revelou quais serviços teria prestado.

O pré-candidato, já em clima de campanha eleitoral, passou a dizer que estava sendo perseguido por ter liderado o combate à corrupção.

Na quarta-feira, Moro tentou minimizar a polêmica gerada em torno do valor recebido junto à Alvarez & Marsal, ao afirmar ao jornal Folha de S. Paulo que as somas “não chegavam nem perto” dos milhões de reais que vinham sendo especulados na imprensa.

rc (ots)

Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, discursa ao microfone.

Ucrânia: Biden diz que enviará tropas ao Leste Europeu

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou nesta sexta-feira (28/01) que deslocará “no curto prazo” tropas americanas ao Leste Europeu devido ao aumento das tensões entre Rússia e Ucrânia. No entanto, ele antecipou que não serão “muitas”.

Os comentários de Biden vieram dias depois de o Pentágono ter anunciado que colocou 8.500 militares, atualmente em solo americano, em “alerta máximo” para um possível destacamento para países aliados no Leste Europeu.

“No curto prazo, deslocarei as tropas dos EUA para o Leste Europeu e países da Otan. Não serão muitas”, disse Biden a repórteres em Washington, após visitar Pittsburgh, na Pensilvânia.

Biden não deu mais detalhes, e os seus comentários vieram horas após o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Mark Milley, ter insistido para que “a Rússia se retire e procure uma resolução através da diplomacia”.

As tensões aumentaram entre Rússia, EUA e os aliados por causa da mobilização de 100.000 militares russos na fronteira ucraniana, gerando receios de um possível ataque russo ao território ucraniano, como o que ocorreu em 2014, resultado na anexação da península da Crimeia para a Rússia.

Washington acredita que um ataque russo à Ucrânia é “iminente” e pode ocorrer já em fevereiro. Moscou nega repetidamente que invadirá a Ucrânia.

Tropas não irão para Ucrânia

O Pentágono reiterou que não enviará tropas para o solo ucraniano e insistiu que, se ocorrer, a maioria dos soldados que estão em “alerta máximo” atuará em países da Otan. A entidade também não excluiu a utilização dos militares já mobilizados em bases na Europa.

A Ucrânia não faz parte da Otan e, justamente uma das exigências do Kremlin nas negociações diplomáticas é que a aliança militar não aceite o país como membro.

Dezenas de milhares de soldados americanos estão regularmente estacionados na Europa, incluindo cerca de 35.000 na Alemanha, mesmo fora dos tempos de crise.

No contexto de tensões na fronteira ucraniana-russa, a Otan anunciou no início desta semana que aumentaria sua presença na Europa Oriental . Vários estados membros da aliança militar ocidental querem enviar navios adicionais para o Mar Báltico e aviões de combate para países como Lituânia, Romênia e Bulgária.

Caças dinamarqueses chegam à Lituânia

Quatro caças F-16 da Força Aérea Dinamarquesa já chegaram à Lituânia para fortalecer a vigilância aérea da Otan sobre os Estados Bálticos. Juntamente com quatro aeronaves polonesas, eles devem controlar os céus sobre a União Europeia (UE) e a Estônia, Letônia e Lituânia, estados membros da Otan, a partir do aeroporto militar de Siauliai. “Hoje estamos testemunhando um grande exemplo de unidade e solidariedade dos aliados”, disse o presidente lituano Gitanas Nauseda ao dar as boas-vindas aos pilotos dinamarqueses em Siauliai.

Os três países bálticos que fazem fronteira com a Rússia não têm seus próprios aviões de combate. Por isso, aliados têm assegurado o espaço aéreo do Báltico em rotação regular desde 2004.

A Dinamarca também enviará uma fragata para o Mar Báltico. Os Estados Unidos já haviam implantado caças na região. De acordo com o exército estoniano, seis caças F-15C Eagle pousaram na base militar de Ämari na quarta-feira para fins de treinamento. O principal objetivo do esquadrão é apoiar a Força Aérea Belga no patrulhamento do espaço aéreo do Báltico.

Em fevereiro e março, a Força Aérea Alemã participará da segurança do espaço aéreo da Otan na Romênia com três Eurofighters. O objetivo é estar pronto no caso de um alarme para voos de proteção conjuntos por Eurofighters alemães e italianos.

Putin tem completa gama de opções militares

O secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, disse na sexta-feira que o acúmulo de forças russas perto da fronteira com a Ucrânia chegou ao ponto em que o presidente russo, Vladimir Putin, tem uma gama completa de opções militares .

“Embora não acreditemos que o presidente Putin tenha tomado a decisão final de usar essas forças contra a Ucrânia, ele claramente agora tem capacidade”, disse Austin em entrevista coletiva no Pentágono.

Austin acrescentou que Putin poderia usar qualquer parte de sua força para tomar cidades ucranianas e “territórios significativos” ou realizar “atos coercitivos ou atos políticos provocativos”, como o reconhecimento dos estados separatistas pró-Rússia do leste da Ucrânia.

le (efe, dpa, ap, afp, rtr)