Após dia com céu embaçado, moradores reclamam da poluição

Após mais um dia quente em São Paulo e na região metropolitana da Capital, moradores chamaram a atenção para o céu, que estava embaçado.

“Parece neblina, mas é fumaça”, escreveu um deles, em uma rede social.

Fotos tiradas hoje (19), de diferentes pontos do Estado, mostraram a metrópole e regiões do Interior encobertas por uma camada incomum de fuligem. Para piorar, o calor derrubou a umidade do ar. Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), os termômetros na Capital passaram de 31ºC durante a tarde, com umidade relativa do ar perto de 30%.

Segundo a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), no fim da tarde deste sábado a qualidade do ar era “muito ruim” na região metropolitana. As regiões com piores índices eram Itaim Paulista, Ibirapuera, Cidade Universitária, em São Paulo, e São Caetano do Sul, na Grande SP.

O único ponto que apresentava boa qualidade do ar era Santo Amaro, na zona sul.

Previsão do Tempo

Na noite deste sábado e madrugada de domingo (20) são esperadas pancadas isoladas de chuva, segundo o CGE, por causa da passagem de uma frente fria pelo litoral paulista. Essa chuva pode trazer para o solo a poluição que está no ar, provocando a chamada chuva de cor preta.

A mesma frente fria deve provocar mudança no tempo no começo da próxima semana, com temperaturas mais amenas.

Temperaturas

Domingo – mínima 15ºC / máxima 19ºC

Segunda-Feira – mínima 15ºC / máxima 18ºC

*Com informações do CGE

Bombeiros mortos em incêndio vão ser enterrados hoje

Por Douglas Corrêa

(Tomaz Silva/Agência Brasil)


Os três militares do Corpo de Bombeiros que morreram ontem (18) por inalação de fumaça, no combate ao incêndio que destruiu uma whiskeria na Rua Buenos Aires, no centro da cidade, serão enterrados hoje (19).

O corpo do sargento Geraldo Ribeiro será enterrado às 16h, no mausoléu da corporação, no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju, zona portuária do Rio. O velório do militar começa às 11h, na capela E do cemitério.

O corpo do cabo Klérton de Araújo será enterrado às 16h15, no Cemitério Jardim da Saudade, na Sulacap, zona oeste da cidade. O velório começa às 11h45, na Capela 2. No mesmo cemitério será enterrado também o corpo do cabo José Pereira Neto. O velório começará às 13h30 na capela 7.

Três militares do Corpo de Bombeiros foram internados no hospital central Aristarcho Pessoa, no Rio Comprido. O hospital pertence à corporação, e um deles O hospital pertence à corporação e um deles, o capitão Thiago Agostinho Dias, já recebeu alta hospitalar.

Dois bombeiros permanecem internados: o capitão David Mont’serrat da Cunha e o sargento Rafael Magalhães Alves. A corporação informou que um deles está em estado grave e o outro em observação, mas não forneceu mais detalhes.

Investigação

(Tomaz Silva/Agência Brasil)

O comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Rio, Roberto Robadei, disse ontem (18), que os soldados usavam equipamentos modernos, incluindo cilindros de oxigênio. Ele informou que as circunstâncias das mortes, causadas por inalação de fumaça, serão investigadas.

“É um momento muito triste para nós do Corpo de Bombeiros. Perdemos três companheiros e há três militares em observação. Nós nos solidarizamos com as famílias desses guerreiros, heróis, que tinham mais de dez anos de serviço, experientes”, lamentou Robadei.

De acordo com o comandante, a primeira avaliação era que se tratava de um incêndio simples, sem nenhuma complicação. “Estava sob controle e fomos surpreendidos. Era uma casa antiga, com muitas divisórias. Eles tiveram dificuldade em sair e foram surpreendidos pela fumaça. O problema foi inalação de fumaça”, explicou.

O coronel Robadei reafirmou que o Rio dispõe de excelentes equipamentos, em nível internacional. “Eles estavam com os melhores equipamentos e nós estamos instaurando uma sindicância para apurar o que aconteceu, para que não ser repita. Não teve desabamento nem explosão” acrescentou.

Solidariedade

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro soltou nota de pesar diante das mortes. O órgão presta solidariedade aos colegas de corporação e aos parentes das vítimas, “que tiveram suas vidas ceifadas em pleno cumprimento do dever”.

Pesquisadores falam do ‘rio de fumaça’ que escureceu SP

Karina Toledo | Agência FAPESP

Imagens de satélite mostram deslocamento da fumaça (Aqua/Nasa/via Fotos Públicas)

Dois sistemas que permitem o monitoramento de poluentes atmosféricos – desenvolvidos nas últimas duas décadas com apoio da FAPESP – estão ajudando cientistas a entender fenômenos raros observados na cidade de São Paulo na última segunda-feira (19/08): o escurecimento repentino do céu no meio da tarde e a chuva acinzentada observada logo depois em algumas partes da Região Metropolitana.

Ainda no domingo (18/08), uma intensa pluma de material particulado com mais de 3 mil metros de altitude foi detectada por uma equipe do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) por meio do sistema Lidar, do Centro de Lasers e Aplicações (CLA). Posteriormente, com auxílio de imagens de satélites da Nasa – a agência espacial norte-americana – e de um modelo que prevê a trajetória percorrida por massas de ar, os pesquisadores concluíram se tratar de partículas provenientes de queimadas ocorridas nas regiões Centro-Oeste e Norte, entre Paraguai e Mato Grosso, abrangendo trechos da Bolívia, Mato Grosso do Sul e Rondônia.

Acrônimo para light detection and ranging (detecção de luz e medida de distância), o Lidar é um radar de laser que permite o sensoriamento remoto ativo da atmosfera para a detecção de poluentes. Vem sendo desenvolvido desde 1998 por Eduardo Landulfo, por meio de vários projetos financiados pela FAPESP.

“O sistema ilumina o céu e as partículas presentes na atmosfera refletem a luz, que captamos com um telescópio. Ao analisar esse sinal, conseguimos identificar o tipo de partícula e a distância da superfície em que ela se encontra”, explicou Landulfo.

Segundo o pesquisador, a pluma de poluição começou a pairar sobre a Região Metropolitana de São Paulo entre 4 e 5 horas da tarde de domingo – resultado de queimadas que ocorreram muito provavelmente de quatro a sete dias antes.

Como explicou Saulo Ribeiro de Freitas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a massa de ar poluído gerada pelas queimadas nas regiões Norte e Centro-Oeste geralmente é empurrada a 5 mil metros de altitude por ventos que sopram do Atlântico para o Pacífico (de leste para oeste), até esbarrar na Cordilheira dos Andes. A fumaça começa então a se acumular sobre o leste do Amazonas, Acre, Venezuela, Colômbia e Paraguai – até que o chamado sistema anticiclone, com ventos que circulam a 3 mil metros de altitude no sentido anti-horário, começa a transportar a massa poluída na direção sul, margeando os Andes.

“O que ocorreu no início desta semana foi a convergência dessa massa de ar poluído que vinha do norte com uma frente fria vinda do sul. Os ventos convergiram e fizeram o rio de fumaça se curvar em direção à região Sudeste. Além da fuligem, outros poluentes presentes na atmosfera – como monóxido de carbono, dióxido de carbono, ozônio, óxido nitroso e metano – interagiram com as nuvens trazidas pela frente fria e potencializaram a formação de smog [termo em inglês que representa a mistura entre fumaça e neblina]”, disse.

O transporte atmosférico de emissões de queimada sobre a América do Sul vem sendo monitorado no Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Inpe desde 2003, por meio do sistema CATT-BRAMS (Coupled Aerosol and Tracer Transport model to the Brazilian developments on the Regional Atmospheric Modelling System), desenvolvido por Freitas em colaboração com Karla Longo e Luiz Flávio Rodrigues (ambos do Inpe) e com apoio da FAPESP.

“Trata-se de um produto pioneiro que faz previsão para até três dias da qualidade do ar e que tem sido adotado em vários centros do mundo, entre eles o National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), dos Estados Unidos”, contou o pesquisador. As previsões da qualidade do ar feitas no CPTEC podem ser consultadas diariamente pelo endereço http://meioambiente.cptec.inpe.br.

Nas imagens obtidas pelo modelo BRAMS (foto) é possível ver que no dia 16 de agosto o “rio de fumaça” descia no sentido sul, atingindo Porto Alegre (RS) e parte da Argentina. Aos poucos, vai sendo desviado para o Sudeste e, no dia 20 de agosto, já cobre boa parte do Estado de São Paulo.

De acordo com o professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) Paulo Artaxo, durante sua trajetória rumo à região Sudeste, a pluma das queimadas interagiu com o vapor d’água na atmosfera, alterando as propriedades das nuvens.

“As partículas funcionam como núcleo de condensação da água. Assim, gotículas de chuva menores são formadas, mas em grande quantidade e isso faz com que uma maior parte da radiação solar seja refletida de volta para o espaço, a ponto de escurecer o solo, como aconteceu no último domingo”, disse.

Segundo Freitas, a chuva de cor acinzentada também foi resultado dessa interação da fuligem com as nuvens. “A fumaça entranhou nas gotículas de chuva, sendo depois depositada na superfície da cidade de São Paulo”, disse.

Trata-se de um fenômeno esperado do ponto de vista da química atmosférica, afirmou Artaxo, e não deve causar alarde. “Essa chuva não faz mal para as pessoas. Apenas caiu de uma nuvem com alta influência de queimadas”, disse.

Análises feitas com uma amostra da água turva colhida na Zona Leste da capital pela bióloga Marta Marcondes, professora da Universidade Municipal de São Caetano (USCS), revelaram uma quantidade de sulfetos 10 vezes maior que a média normalmente observada em águas pluviais. “Essas substâncias normalmente estão relacionadas com a queima de biomassa e de combustíveis fósseis. Também chamou a atenção a grande quantidade de material particulado que ficou presa no filtro e a turbidez sete vezes maior que o normal”, disse.

Pesquisadores do Instituto de Química da USP identificaram na água da chuva a presença de reteno, substância proveniente da queima de biomassa e considerada um marcador de queimadas. O estudo foi coordenado pela professora Pérola de Castro Vasconcellos.

A boa notícia, segundo os especialistas, é que, como a pluma de poluição estava a mais de 3 mil metros da superfície, não chegou a comprometer a qualidade do ar na capital paulista. De fato, monitores da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) indicaram boas condições na última semana.

“As cidades mais próximas da região onde ocorrem as queimadas, como Cuiabá, Manaus e Porto Velho, são as que mais sofrem com a degradação da qualidade do ar”, disse Freitas.

Tanto o pesquisador do Inpe quanto Landulfo, do Ipen, afirmam que a chegada das emissões de queimadas na Região Sudeste é relativamente comum no período de seca, entre julho e setembro.

“Mas para ter causado todos esses efeitos observados nos últimos dias deve ter sido uma quantidade de fumaça muito grande. Ainda não sabemos distinguir se é um fogo provocado ou acidental, que também é comum no período da seca”, afirmou Landulfo.

Em nota técnica divulgada no dia 20 de agosto, porém, cientistas do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) afirmaram que “a Amazônia está queimando mais em 2019 e o período seco, por si só, não explica este aumento”.

Segundo o texto, o número de focos de incêndios para a maioria dos estados já é o maior dos últimos quatro anos – até 14 de agosto eram 32.728 focos registrados, número 60% superior à média dos três anos anteriores. A estiagem, por outro lado, está mais branda. Tal fato, afirma a nota, indica que “o desmatamento possa ser um fator de impulsionamento às chamas”. “Os 10 municípios amazônicos que mais registraram focos de incêndios foram também os que tiveram maiores taxas de desmatamento”, diz o texto. Os pesquisadores se basearam em dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon, do sistema de detecção de focos de calor do satélite AQUA, da Nasa, e dados de precipitação do CHIRPS (Climate Hazards Group Infrared Precipitation and Station Data).

Dados do Sistema Deter, do Inpe, que emite alertas diários de áreas desmatadas para ajudar na fiscalização, indicam que o desmatamento na Amazônia cresceu 50% em 2019. Julho foi o pior mês da série histórica, com 2.254 quilômetros quadrados (km²) de alertas – alta de 278% em relação a julho do ano passado. De agosto de 2018 a julho de 2019, o Deter apontou 6.833 km² desmatados, contra 4.572 km² no ano passado (agosto de 2017 a julho de 2018). A taxa oficial da destruição será dada no fim do ano pelo sistema Prodes, também do Inpe.

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

Fumaça: Cetesb fiscaliza veículos a diesel

Por  Flavia Albuquerque

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) fiscalizou hoje (14) 42 pontos distribuídos em rodovias e avenidas de grande circulação no estado para verificar a fumaça preta emitida por veículos a diesel. A ação integra a Operação Inverno 2019, período em que as condições meteorológicas são desfavoráveis para a dispersão dos poluentes atmosféricos. 

Foram abordados caminhões em dois pontos: Rodoanel Km 13,5 Trecho Oeste, sentido Norte e na Rodovia SP 79, Km 71, Bairro Éden, em Sorocaba. Nesses locais foi utilizado o opacímetro, um aparelho portátil que analisa a opacidade da fumaça que sai pelo escapamento do veículo. Nos outros pontos a avaliação foi feita com os veículos em movimento, com base em uma escala de cores que classifica a cor da fumaça. 

O veículo autuado recebe multa de R$ 1.591,80, que pode dobrar em caso de reincidência. Não se tratando de reincidência, o proprietário do veículo autuado pode solicitar a redução ou restituição de 70% do valor da multa, condicionado à comprovação da reparação do veículo. 

A primeira ação semelhante do ano foi feita em 11 de junho e resultou em 1.108 veículos multados. No ano anterior, as ações totalizaram 151.349 caminhões e ônibus a diesel fiscalizados e 2.930 penalidades aplicadas. 

Dia de Combate à Poluição

A blitz ocorre no mesmo dia em que é celebrado o Dia de Combate à Poluição. A organização não governamental Greenpeace chama a atenção para a necessidade de alertar a população para os perigos escondidos no ar respirado na capital paulista, ameaçando não só a saúde, mas o ambiente das cidades e do planeta. Um dos principais causadores dessa poluição, destaca o Greenpeace, são os ônibus movidos a diesel. 

Segundo informações da Organização Mundial de Saúde (OMS), a poluição do ar mata 17 mil pessoas por ano na capital paulista, sendo que a fumaça dos ônibus é responsável por 4.700 dessas mortes. No Brasil, esse número de mortes sobe para 50 mil e, no mundo, são 7 milhões de pessoas. Hoje, os 15 mil ônibus que circulam no espaço urbano são responsáveis por 47% do material particulado (fuligem) e 13% das emissões de CO2 que poluem o ar da capital paulista e que afetam a saúde de seus 12 milhões de moradores.

Para tentar reverter esse quadro na capital paulista, a Lei Municipal 16.802/2018 exige que os ônibus a diesel sejam transformados em veículos não poluentes, movidos a combustíveis 100% renováveis. O objetivo é que a cidade reduza em 50% a emissão de CO2 do transporte público municipal até 2028.

“Essa lei estabelece um marco regulatório importante quando coloca não só um prazo de transição como a porcentagem que terá que ser reduzido para chegar a zero CO2 emitido por combustível fóssil dos ônibus assim como outros veículos da prefeitura. Por isso, ela é uma lei bastante robusta e de potência fenomenal para o país e um passo importante até mesmo para o mundo. Estamos falando sobre salvar vidas”, disse o especialista em mobilidade urbana do Greenpeace Brasil, Davi Martins. 

Segundo ele, apesar de a lei estar em vigor há mais de um ano ainda há atrasos na transição do transporte público municipal para uma matriz limpa. “Temos hoje uma situação de urgência climática. Não existem motivos técnicos nem econômicos que impeçam a adoção de ônibus menos poluentes”, avaliou Martins.

“Temos um comitê gestor [Comitê Gestor do Programa de Acompanhamento da Substituição de Frota por Alternativas Mais Limpas – Comfrota] dessa questão que já está trabalhando há seis meses e apenas hoje, na sua terceira reunião, iniciou essa discussão. Estamos alongando o tempo de condução e isso vai ter impacto direto na população e no bolso das operadoras de ônibus”.  

A prefeitura foi procurada, mas não respondeu à solicitação até a publicação desta matéria.