Na véspera da decisão, Bolsonaro fica no Rio e Haddad em SP

A apenas um dia do segundo turno das eleições, os candidatos à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) buscam apoio e votos. Bolsonaro ficará no Rio de Janeiro e Haddad, em São Paulo.

No Rio de Janeiro, Bolsonaro deve permanecer em sua casa, na Barra da Tijuca, como fez ao longo da campanha, quando recebe correligionários e simpatizantes. Nas redes sociais, também é intensa sua participação.

Haddad está em São Paulo onde faz a chamada Caminhada pela Paz, em Heliópolis. Ele retornou à capital paulista, depois de passar por Recife, João Pessoa e Salvador nos últimos dias. 

Ontem (26) os dois candidatos trocaram acusações e intensificaram as críticas mútuas. A polêmica em torno das fake news (notícias falsas) e sua e sua disseminação na internet e aplicativos ainda é intensa.

Bolsonaro cai e Haddad sobe, segundo o Datafolha

Candidatos à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) (Tânia Rêgo e Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O Instituto Datafolha divulgou nova pesquisa hoje (25) de intenção de voto para presidente da República. O candidato Jair Bolsonaro (PSL) continua à frente, mas a diferença diminuiu. Entre os votos válidos (excluindo brancos, nulos e as pessoas que se manifestaram indecisas), o presidenciável ficou com 56% das intenções, contra 44% de Fernando Haddad (PT). No levantamento anterior, realizado no dia 18 de outubro, o ex-capitão do Exército havia registrado 59% e o ex-prefeito de São Paulo, 41% dos votos válidos.

Na contagem das intenções de votos totais, Bolsonaro marcou 48% e Haddad, 38%. Brancos e nulos somaram 8% e indecisos, 6%. Destes, 22% expressaram abertura para mudar de posição até o dia da eleição. Há uma semana, a medição das intenções de votos totais registrou 50% para o candidato do PSL, 35% para o concorrente do PT, 10% brancos ou nulos e 5% indecisos.

Segundo o Datafolha, Bolsonaro perdeu apoio em todas as regiões do país, mas permanece na frente. No Sudeste, a vantagem é de 53%, contra 31%. A única região em que Haddad está na frente é no Nordeste, onde tem 56% das intenções de voto, contra 30% do ex-capitão.

Rejeição

Na análise da rejeição, a de Haddad caiu de 54% para 52% dos entrevistados que não votariam de jeito nenhum no candidato. Já a de Bolsonaro cresceu três pontos, de 41% a 44%.

Em relação à certeza do voto, 94% dos que manifestaram intenção de voto no candidato do PSL garantiram que estão decididos. No caso do presidenciável do PT, a certeza foi declarada por 91%.

A pesquisa entrevistou 9.173 pessoas em 341 cidades ontem (24) e hoje (25). A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento foi encomendado pelo jornal Folha de S. Paulo e pela Rede Globo.

Gênero, idade e renda

Bolsonaro segue o preferido entre os homens, com 55% contra 35% de Haddad.

Entre as mulheres, a diferença caiu para um empate técnico: 42% a 41%.

No recorte por idade, o petista cresceu entre os mais jovens atingindo 45% e ultrapassou o candidato do PSL, que caiu de 48% para 42%.

No quesito renda, Bolsonaro manteve a liderança no grupo das pessoas que recebem mais de dez salários mínimos, com 61% a 32%. Já na faixa dos que recebem até dois salários mínimos, Haddad está na frente, com 47% a 37%.

*Atualizado às 20h13

Haddad diz que, se fake news forem contidas, eleição “vira”

Daniel Mello/Agência Brasil

O candidato à Presidência da República, Fernando Haddad (PT), fala à imprensa após reunião com a chefe da missão de observação eleitoral da OEA (Organização dos Estados Americanos), Laura Chinchilla. (Rovena Rosa/Agência Brasil)

O candidato à Presidência pelo PT, Fernando Haddad, disse hoje (25) que espera que a contenção da difusão de notícias falsas o favoreça no próximo dia 28. Em encontro com a presidente da missão de observadores da Organização de Estados Americanos (OEA) para as eleições brasileiras, Laura Chinchilla, o candidato entregou material que, segundo ele, comprova a disseminação de informações falsas contra sua candidatura e o PT.

“Nós levamos ao conhecimento deles todo o material que comprova a utilização ilegal das redes sociais, em especial o WhatsApp, na campanha eleitoral no primeiro turno”, ressaltou Haddad, enfatizando que pediu o acompanhamento da movimentação nos dias que antecedem o segundo turno para impedir que informações falsas influenciem o resultado da votação.



“O que nós pedimos a eles é que para nessa reta final tentar observar com bastante atenção o que pode acontecer de hoje para domingo. Nós queremos evitar o que aconteceu no final do primeiro turno.”

Confiança

Para o candidato, sem a difusão maciça de fake news, ele tem maiores chances de reverter a vantagem do adversário Jair Bolsonaro (PSL), segundo as pesquisas de intenções de voto. “Se a gente conseguir evitar aquela avalanche de notícias falsas que circularam entre sexta e domingo do primeiro turno, eu acho que essa onda de virada que o Brasil está vivendo, que vivemos na cidade de São Paulo, pode chegar a um bom resultado eleitoral.”

Haddad classificou uma possível vitória de Bolsonaro como um “salto no abismo” e disse que a comunidade internacional percebeu a ameaça à democracia que ele representa. “O Brasil nunca abraçou os valores que o Bolsonaro representa.”

Nas redes sociais, o candidato alerta sobre eventuais ameaças em um futuro governo de seu adversário. “O mundo inteiro observa com apreensão os rumos da democracia no Brasil’, afirmou. “Temos até domingo pra fazer valer a verdade. Vamos juntos.”

Sem precedentes

A presidente da missão de observadores da Organização de Estados Americanos (OEA) para as eleições brasileiras, Laura Chinchilla, disse, após o encontro com Haddad, que o Brasil enfrenta um fenômeno “sem precedentes” em relação a difusão de notícias falsas. Segundo ela, o fato preocupa o grupo de especialistas que deu o alerta já no primeiro turno das eleições.

“Outro fator que tem nos preocupado, e isso alertamos desde o primeiro turno, e que se intensificou neste segundo, foi o uso de notícias falsas para mobilizar vontades dos cidadãos. O fenômeno que estamos vendo no Brasil talvez não tenha precedentes, fundamentalmente, porque é diferente de outras campanhas eleitorais em outros países do mundo.”

A presidente da missão afirmou que recebeu por escrito as denúncias sobre o esquema supostamente financiado por empresários para o envio em massa de notícias anti-PT utilizando o WhatsApp. Ela disse que repassou as informações para as autoridades eleitorais e policiais brasileiras.

Haddad: “fonte fidedigna” motivou declaração sobre Mourão

Léo Rodrigues/Agência Brasil

No Rio de Janeiro, o candidato pelo PT à Presidência da República Fernando Haddad justificou hoje (23) ter chamado o candidato a vice presidente pelo PSL general Hamilton Mourão de “torturador”, ao dizer que se baseou em uma declaração equivocada do cantor Geraldo Azevedo. Ele disse que achou que sua fonte de informação era “fidedigna” e que estava prestando solidariedade ao artista que foi preso e torturado durante a ditadura.

“Dei ao público uma informação que chegou a mim de uma fonte fidedigna. Geraldo Azevedo realmente foi torturado e realmente disse que tinha sido torturado pelo Mourão. Eu me solidarizo com ele porque todas as pessoas que foram torturadas estão sujeitas a ter esse tipo de confusão mental. Ele foi vítima de violência extrema. Mas o esclarecimento dele também tem que ser dado ao público”, disse Haddad.

No sábado (20), durante show em Jacobina, na Bahia, Azevedo fez a acusação contra Mourão. “É uma coisa indignante, cara. Eu fui preso duas vezes na ditadura. Fui torturado. Você não sabe o que é tortura, não. Esse Mourão era um dos torturadores lá. Eu fico impressionado com o brasileiro não prestar atenção nas evoluções humanas”. Hoje Azevedo pediu desculpas e disse que havia se equivocado.



Haddad disse que levar ao público o desmentido é uma prova de boa fé. “Eu dei a fonte. Eu não peguei empresários corruptos com dinheiro sujo para soltar essas afirmações na internet. Falei com a cara limpa em um programa e foi esclarecido. Isso não tira o fato de que o Mourão, quando passou para a reserva, disse com todas as letras que o torturador Ustra era uma de suas referências.”

Mentira

O candidato do PT acusou o adversário Jair Bolsonaro (PSL) de insistir na veiculação de mentiras a seu respeito. Segundo ele, após a denúncia sobre a existência de um esquema financiado por empresários para o envio em massa via Whatsapp de notícias falsas anti-PT, houve uma redução na circulação de fake news nas redes sociais.

“Agora ele [Bolsonaro] está usando o próprio programa de TV para mentir. Ele está dizendo, por exemplo, que eu sou ateu, sendo que eu casei na Igreja e meus dois filhos são batizados. É a prática dele e ninguém cobra,” disse o candidato.

Reuniões

Haddad passa esta terça-feira no Rio de Janeiro onde tem encontros com evangélicos, católicos e judeus. Inicialmente, a reunião foi com líderes evangélicos no hotel Porto Bay, em Copacabana. Ele também vai conversar com o cardeal arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, no Palácio São Joaquim, na Glória e, em seguida, irá à comunidade judaica no Association Sholem Aleichem, em Botafogo. À noite, ele participa de ato político nos Arcos da Lapa.

“Serei o presidente dos cristãos, dos judeus, dos ateus, porque não tenho nenhum preconceito contra outras crenças. Mas mentira é algo intolerável. Como diz a bíblia, a mentira é coisa do diabo.”

Venezuela

Haddad demonstrou preocupação sobre um vídeo que circula nas redes sociais em que um dos filhos de Bolsonaro mencionaria uma ação armada entre Brasil e Venezuela. “Recebi um vídeo de um discurso, que precisa ser checado, mas supostamente do filho do Bolsonaro dizendo que uma das primeiras providências seria derrubar o governo Maduro. Pela hostilidade que ele manifesta em relação a este vizinho particular, quero crer que possa ter algum fundamento. O Brasil está a 140 anos sem conflito com seus vizinhos. O último foi no século 19.”.

Segundo o petista, as preocupações com uma possível escalada armamentista na região contrasta com a tradição do Brasil de apostar na cooperação e rejeitar posturas imperialistas. “Deveríamos estar pensando em ajudar a Venezuela a sair da crise. Não pensando em tomar lado e derrubar governos.”

Haddad afirmou que confia na sua vitória no próximo dia 28. “Para quem está em campanha a apenas 45 dias, os resultados são extraordinários. Estamos no segundo turno e todas as pesquisas me dão mais de 40% das intenções de voto. Entre 42% e 47%, portanto temos chance de criar uma onda favorável até domingo, que é o que pretendemos fazer.”

Bolsonaro e Haddad divergem sobre Mais Médicos e SUS

Paula Laboissière/Agência Brasil

Apesar de figurar como um dos problemas mais citados por brasileiros em pesquisas recentes feitas pelo Ibope e Instituto Datafolha, a saúde parece ter perdido espaço nas entrevistas e discursos dos presidenciáveis. 

Em seu plano de governo, Jair Bolsonaro (PSL) afirma que o Sistema Único de Saúde (SUS) não precisa de mais recursos e propõe mudanças no Programa Mais Médicos. Já Fernando Haddad (PT) defende maior financiamento público da saúde e o reforço do Mais Médicos. O único ponto em comum na plataforma de ambos é a adoção de um prontuário eletrônico que permita reunir o histórico do paciente, incluindo consultas realizadas, medicamentos prescritos e resultados de exames.

Jair Bolsonaro (PSL)

O candidato diz que, se eleito, a saúde será uma das três áreas consideradas prioritárias, acompanhada de educação e segurança. Bolsonaro avalia a situação atual do setor como “à beira do colapso” e diz que as ações planejadas terão como foco “eficiência, gestão e respeito com a vida das pessoas”. A bandeira defendida pelo partido é a de que é possível fazer mais com os recursos atualmente disponíveis.

“Abandonando qualquer questão ideológica, chega-se facilmente à conclusão de que a população brasileira deveria ter um atendimento melhor, tendo em vista o montante de recursos destinados à saúde”, destaca o plnao de governo do candidato, disponível no Tirbunal Superior Eleitoral (TSE). “Mesmo quando observamos apenas os gastos do setor público, os números ainda seriam compatíveis com um nível de bem-estar muito superior ao que vemos na rede pública.”

Prontuário Eletrônico

O chamado Prontuário Eletrônico Nacional Interligado, de acordo com o plano de governo, será o pilar da saúde. A proposta é que postos, ambulatórios e hospitais sejam informatizados com todos os dados de atendimento e que registrem o grau de satisfação do paciente ou responsável. O cadastro do paciente, segundo Bolsonaro, reduz os custos ao facilitar o atendimento futuro por outros médicos em diferentes unidades de saúde, além de permitir cobrar maior desempenho dos gestores locais.

Credenciamento de médicos

O candidato também propõe o credenciamento universal de médicos que, segundo ele, abriria caminho para que toda força de trabalho da saúde possa ser utilizada pelo SUS, “garantindo acesso e evitando a judicialização”. A estratégia permitiria às pessoas maior poder de escolha, compartilhando esforços da área pública com o setor privado. “Todo médico brasileiro poderá atender a qualquer plano de saúde”, cita o documento.

Mais Médicos e carreira de médico de Estado

Em relação ao Mais Médicos, o plano de governo prevê que “nossos irmãos cubanos serão libertados” e que suas famílias poderiam imigrar para o Brasil desde que os profissionais sejam aprovados no Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituições de Educação Superior Estrangeira (Revalida). Os médicos cubanos, segundo o candidato, passariam a receber integralmente o valor pago pelo governo brasileiro e que, atualmente, é redirecionado, via convênio com a Organização Pan-americana da Saúde (Opas), para o governo de Cuba.

Bolsonaro se compromete a criar o que chama de carreira de médico de Estado, no intuito de atender áreas remotas e com carência de profissionais – demanda antiga da classe médica e defendida fortemente por entidades como o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Médica Brasileira (AMB). Agentes comunitários de saúde, de acordo com o plano de governo, seriam treinados para se tornarem técnicos de saúde preventiva numa tentativa de auxiliar o controle de doenças como diabetes e hipertensão.

Gestantes

Há ainda a previsão de estabelecer, em programas neonatais, a visita de gestantes ao dentista, como alternativa para a redução de partos prematuros; e a inclusão de profissionais de educação física no programa Saúde da Família no intuito de ativar as academias ao ar livre como forma de combater o sedentarismo e a obesidade.

(Arquivo/Agência Brasil)


Fernando Haddad (PT)


Caso seja eleito, o candidato do PT diz que terá compromisso com o SUS e sua implantação total para assegurar a universalização do direito à saúde, fortalecendo a regionalização e a humanização do atendimento. Em seu plano de governo, Haddad cita diretrizes como aumento imediato e progressivo do financiamento da saúde; valorização dos trabalhadores; investimento no complexo econômico-industrial; e articulação federativa entre municípios, estados e União.

“O país deve aumentar progressivamente o investimento público em saúde, de modo a atingir a meta de 6% em relação ao PIB [Produto Interno Bruto]. Novas regras fiscais, reforma tributária, retorno do Fundo Social do Pré-Sal, dentre outras medidas, contribuirão para a superação do subfinanciamento crônico da saúde pública”, destaca o plano de governo, apresentado à Justiça Eleitoral.

Mais Médicos

Além do Mais Médicos, programas como Saúde da Família, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e Farmácia Popular teriam, de acordo com o PT, “novamente” o apoio da União. O partido propõe também a criação de uma rede de Clínicas de Especialidades Médicas que articularia a atenção básica com cuidados especializados para atender a demanda de consultas, exames e cirurgias de média complexidade.

Em relação ao Mais Médicos, citado pelo partido como “ousada iniciativa para garantir a atenção básica a dezenas de milhões de brasileiros”, Haddad defende que o programa norteie novas ações de ordenação da formação e especialização de profissionais de saúde, considerado o interesse social, a organização e o funcionamento do SUS.

Regionalização

O candidato defende a regionalização dos serviços de saúde que, segundo ele, deve se pautar pela gestão da saúde interfederativa, “racionalizando recursos financeiros e compartilhando a responsabilidade com o cuidado em saúde”. Além disso, o partido propõe explorar ao máximo a potencialidade econômica e tecnológica do complexo industrial da saúde, de forma a atender as necessidades e especificidades do setor, reduzindo custos e aumentando eficiência.

Há ainda a previsão de integrar serviços básicos e especializados já existentes e criar novos, além de qualificar o cuidado multiprofissional e ampliar a resolutividade no setor. “Será implantado um eficiente sistema de regulação das filas para gerenciar o acesso a consultas, exames e procedimentos especializados, em cogestão com estados e municípios”, destaca o plano de governo.

Prontuário eletrônico

O candidato também se compromete a investir na implantação do prontuário eletrônico de forma universal e no aperfeiçoamento da governança da saúde. A proposta é estimular a inovação na saúde, ampliando o uso da internet e de aplicativos na promoção, na prevenção, no diagnóstico e na educação em saúde. 

Apoio a Haddad reúne 69 torcidas organizadas e religiosos

Bruno Bocchini/Agência Brasil

Fernando Haddad, em São Paulo (Rovena Rosa/Agência Brasil)

No Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (Tuca), o candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, recebeu nesta segunda-feira (22) à noite o apoio de 69 torcidas organizadas de clubes de futebol, unindo Corinthians e Palmeiras, Flamengo e Vasco, Internacional e Grêmio, entre outros rivais. Também participaram líderes religiosos de diversos credos, artistas e intelectuais.

Os torcedores subiram ao palco, onde estava Haddad, para defender o que chamaram de Manifesto das Torcidas pelo Brasil. No documento, assinado por representantes do Corinthians, Internacional, Grêmio, Vasco, Palmeiras, Flamengo, Santa Cruz, Sport, Náutico, Cruzeiro, São Paulo, CSA, entre outros, os esportistas destacam a importância do diálogo.

“É imensamente importante que tenhamos clareza e diálogo para nos posicionarmos nesse momento em nome da democracia e da liberdade. Caso contrário, todos os nossos sonhos e lutas terão sido em vão”, diz o documento.

Religiosos católicos, evangélicos, budistas e de matrizes africanas também subiram no palco para fazer uma oração pela candidatura de Haddad. Intelectuais e artistas ressaltaram a importância de defender a democracia e o Estado de Direito.

Alerta



Durante o evento, Haddad agradeceu o apoio divulgado hoje pela candidata derrotada da Rede, Marina Silva. “Esse reencontro democrático me enche de orgulho”, afirmou o presidenciável, que mais cedo, nas redes sociais, lembrou da convivência harmônica e respeitosa com Marina Silva quando ambos eram ministros.

Haddad acrescentou que as propostas do adversário Jair Bolsonaro (PSL) podem até serem aceitas em um momento de “delírio”, mas jamais prevalecerão. “A humanidade jamais vai concordar com o arbítrio. Pode até, em um momento de delírio, de perturbação, de raiva, de ódio, ela pode até querer abraçar um projeto que ele representa.”

Em seguida, o candidato acrescentou: “Mas a gente acorda desse pesadelo e realiza a humanidade que todo mundo tem dentro de si. Ele é o antisser humano, é tudo que precisa ser varrido da face da Terra”, afirmou. 

Reações

Haddad reiterou a rejeição pelo tom adotado pelo adversário, que pregou a exclusão dos “vermelhos” durante ato na Avenida Paulista. “Ontem [21] ele fez um vídeo muito grave, que eu nunca tinha visto uma pessoa ter coragem de fazer: que é ameaçar de morte um adversário, ameaçar a integridade física dos seus opositores, dizendo que não terão lugar no Brasil, ou a cadeia ou o exílio. Disse com todas as letras, está gravado, registrado para a posteridade”.

Mais cedo, o candidato do PT disse, ao comentar o mesmo episódio, que as instituições não estão reagindo às ameaças à democracia.

O candidato do PT ressaltou que, até o dia 28 (data do segundo turno), o país vai perceber o verdadeiro projeto político de Bolsonaro. “É uma pessoa que saiu das trevas da ditadura, dos porões da ditadura e, sem que as pessoas consigam perceber o que ele representa, ainda, porque nós temos até domingo para demonstrar, ele vem galgando degraus e agora parece como um paladino da restauração de uma ordem que ninguém quer mais.” 


Instituições não estão reagindo a ameaças à democracia, diz Haddad

Daniel Mello/Agência Brasil

(Rovena Rosa/Agência Brasil)

O candidato à Presidência do PT, Fernando Haddad, disse hoje (22) que as instituições brasileiras não estão reagindo à altura das ameaças contra a democracia proferidas pelo seu adversário Jair Bolsonaro (PSL) e seus apoiadores. Ele se referiu a afirmação do adversário de “varrer do mapa os bandidos vermelhos do Brasil”.

“Ontem, o discurso dele transmitido na [Avenida] Paulista é um absurdo. Ele ameaça a sobrevivência física da oposição a ele, ameaça a imprensa, e as instituições demoram a reagir”, disse o candidato referindo-se à mensagem de Bolsonaro transmitida a simpatizantes durante ato político.

No vídeo, Bolsonaro diz que vai “varrer do mapa os bandidos vermelhos do Brasil”. “Essa turma, se quiser ficar aqui, vai ter que se colocar sob a lei de todos nós. Ou vão para fora ou vão para a cadeia”, enfatiza na transmissão feita para os apoiadores e exibida em um telão.



Supremo

Haddad mencionou ainda a afirmação de Eduardo Bolsonaro, eleito deputado federal por São Paulo, de que bastam um soldado e um cabo para fechar o Supremo Tribunal Federal (STF). Preocupado com os impactos do comentário, o candidato do PT fez o alerta sobre os efeitos de tal manifestação, durante visita a uma cooperativa de catadores de material reciclável em Pinheiros, zona oeste paulistana.

“Nós vamos correr riscos inclusive físicos se nós não alertamos o país que a oposição, jornalistas, juízes, estão sendo ameaçados antes do pleito terminar. Se ele tem a coragem de ameaçar a democracia antes das eleições, o que ele fará com o apoio dos eleitores?.”

Haddad reafirmou que espera uma posição mais firme da Justiça Eleitoral diante das denúncias de pagamentos não declarados por empresas para disparos em massa de mensagens através do WhatsApp. “Se todo mundo sabe que houve fraude no primeiro turno com dinheiro sujo de caixa 2 para bombardear as redes sociais com mensagens falsas, o que está se esperando? “, questionou.

TSE

Para Haddad, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está coagido e por isso não tem respondido à altura os problemas enfrentados nas eleições. “As instituições estão se sentindo ameaçadas, inclusive pela linha dura de parte das Forças Armadas. O que o Etchegoyen tinha que dar entrevista ao lado da Rosa Weber? Quem é ele? Que autoridade ele tem no Tribunal Superior Eleitoral? Ele foi se colocar como uma ameaça? Tutelar? Isso nunca aconteceu”, criticou sobre a presença do ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Sérgio Etchegoyen, na coletiva de imprensa realizada ontem pelo TSE.

Na entrevista de ontem, a presidente do TSE, Rosa Weber, disse que vai combater de forma constitucional qualquer tentativa de desacreditar ou deslegitimar o processo eleitoral brasileiro. Ela negou falhas por parte do tribunal, mas reconheceu que não esperava que a onda de desinformação se voltasse contra a própria instituição.

Reciclagem

Haddad defendeu investimentos federais para acabar com os lixões no país e prometeu mudar o sistema atual. “Nós vamos expandir a experiência de São Paulo, que é tida como das mais exitosas do Brasil para todo o país, inclusive com estímulos federais para a instalação desses equipamentos”, disse.

No projeto por ele proposto, os catadores terão como fazer o reaproveitamento dos materiais descartados. “Essa política, se somar tecnologia com a disposição dessa força de trabalho para a reciclagem, nós vamos poder acabar com os lixões que ainda são um problema muito grande no Brasil. Nem toda a cidade está conseguindo cumprir a lei que prevê a instalação de aterros sanitários. Nós somos contra a incineração.”


Haddad promete limitar o preço do gás de cozinha

Luiza Damé/Agência Brasil

O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad,  em São Luís, capital do Maranhão.
O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, em São Luís, capital do Maranhão (Ricardo Stuckert/Imprensa Fernando Haddad/Agência Brasil)

O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, disse hoje (21) em São Luís, capital do Maranhão, que se eleito, vai editar uma medida estabelecendo o preço máximo do gás de cozinha em R$ 49. Ele também afirmou que aumentará o valor do Bolsa Família em 20%.

Segundo o candidato, as medidas estão entre as suas prioridades e devem ser colocadas em prática logo em janeiro. De acordo com Haddad, com o aumento do preço do gás de cozinha, famílias pobres têm optado por usar o álcool – o que não é recomendado para uso doméstico e tem causado diversos acidentes. O anúncio foi feito após caminhada pelas ruas do Anil, bairro popular localizado na região central da capital maranhense.



Acompanhado por aliados e simpatizantes, Haddad caminhou ao lado do governador reeleito Flávio Dino (PC do B). O petista conversou com as pessoas que o paravam. Em seguida, ele seguiu para um hotel, no centro da capital maranhense para conceder uma entrevista à imprensa.

Haddad encerra em São Luís a viagem ao Nordeste que começou na sexta-feira (19), quando desembarcou em Fortaleza. Ele passou pelas capitais do Ceará e Maranhão, foi também a Picos, no Piauí, Crato e Juazeiro do Norte, no interior cearense.

Bolsonaro e Haddad adotam novo estilo na reta final da campanha

Na última semana antes do segundo turno, os candidatos à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) adotam novo estilo. Bolsonaro demonstra estar mais aberto a entrevistas coletivas, enquanto Haddad eleva o tom de críticas ao adversário, encerrando hoje (21) sua visita ao Nordeste.

Neste domingo, pela manhã, o candidato do PT faz caminhada e ato de campanha na Praça do Coreto, no bairro do Anil, em São Luís, capital do Maranhão. Ontem (20), ele se revezou entre cidades do Ceará e Piauí. Criticou duramente o adversário que classificou como “soldadinho de araque” e “aberração”.



Após gravar nesse sábado participação no horário eleitoral, Bolsonaro concedeu entrevista coletiva à imprensa. Ele disse que quer da mais autonomia ao Banco Central (BC), indicou que pretende manter o atual presidente do BC, Ilan Goldfajn. Também defendeu o fim da reeleição e a redução do número de parlamentares. “Acabar com o instituto da reeleição e reduzir de 15% a 20% a quantidade de parlamentares.” 

Haddad deve retornar hoje para São Paulo onde fica até amanhã (22), mas novamente irá intensificar as viagens. É possível que ele vá ao Rio de Janeiro, na terça-feira (23). Bolsonaro deve passar o dia em casa, na Barra da Tijuca, na capital fluminense, onde recebe correligionários e apoiadores da campanha.

Programa de Haddad prevê revogação de medidas de Temer

Kelly Oliveira e Pedro Rafael Vilela/Agência Brasil

O programa do candidato Fernando Haddad (PT), que teve sua versão atualizada neste segundo turno, têm um total de 62 páginas e dedica ao menos 18 para diversos temas relacionados à economia, incluindo a revisão de reformas aprovadas nos últimos anos e a mudança no modelo tributário do país. 

A principal diretriz apresentada no programa é o que a candidatura chama de um “novo projeto nacional de desenvolvimento”. Para isso, Haddad defende, primeiramente, a revogação a Emenda Constitucional 95. Essa emenda determina que até 2036 as despesas federais não poderão crescer acima da inflação de 12 meses, calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).



Outra proposta desse projeto de desenvolvimento é a revogação da reforma trabalhista, substituindo pelo Estatuto do Trabalho, produzido de forma negociada. A campanha diz que a “terceirização irrestrita” e a reforma trabalhista aprovadas pela atual governo impôs um “cardápio de contratos precários de trabalho”, desequilibrando as relações entre capital e trabalho, em favor dos empresários, e precarizando ainda mais o trabalho.

O novo estatuto do trabalho prevê “a reformulação e ampliação do sistema de formação ao longo da vida laboral dos trabalhadores, capaz de integrar no novo sistema de formação e aprendizagem das distintas linhas atualmente existentes. “Ao mesmo tempo, a sua operacionalização contará com a valorização de sindicatos e associações de trabalhadores e empresários na orientação da preparação para a qualificação profissional. Também fará parte a reorganização dos fundos sociais existentes para criar uma nova política de proteção durante a vida laboral dos trabalhadores”, diz o plano de governo.

A revogação das reformas depende de aprovação do Congresso Nacional. 

Recuperação do emprego

Ainda na área do mercado de trabalho, a proposta de Haddad prevê a criação do Programa Meu Emprego de Novo. Para isso, serão necessárias várias medidas para elevar a renda, ampliar o crédito e gerar novas oportunidades, como prioridade para a juventude e retomada de obras.

Salário Mínimo

O plano de governo de Haddad prevê o Programa Salário Mínimo Forte, com a manutenção da atual política de reajuste, ou seja, definido por meio da fórmula que garante variação da inflação do ano anterior medida pelo INPC, acrescida da variação do PIB de dois anos antes, desde que ela seja positiva. “Haverá ganho real do salário mínimo em todos os anos, mesmo que o crescimento do PIB seja negativo. Isso porque aumentar o poder de compra do trabalhador é uma das maneiras mais eficazes de fazer a economia crescer”, diz o plano de governo.

carteira de trabalho
Carteira de Trabalho (Arquivo/Agência Brasil)

Privatizações e pré-sal

Haddad também propõe suspender, caso eleito, a política de privatização de empresas estratégicas para o desenvolvimento nacional e a venda de terras, água e recursos naturais para estrangeiros. Além de “recuperar o pré-sal para servir ao futuro do povo brasileiro, não aos interesses de empresas internacionais”. A campanha do PT critica as mudanças nas regras para leilões de áreas de petróleo e gás realizadas pelo governo Michel Temer, que permitiu maior participação de companhias estrangeiras nos certames sob regime de partilha no pré-sal.

Câmbio

O plano de governo de Haddad prevê “regulações que reduzam os movimentos puramente especulativo de curto prazo sobre o mercado interbancário e sobre o mercado de derivativos”. “Dessa forma, a volatilidade da taxa de câmbio, causada pela especulação financeira, deverá ser fortemente inibida”.

Para isso, a proposta é que o imposto de exportações incidente sobre ascommodities (produtos primários com cotação internacional) poderá ser usado para estimular a elevação do valor agregado das exportações e minimizar a variação cambial. “Esse imposto deve acompanhar a variação dos preços e formar um fundo de estabilização cambial que beneficiará os exportadores no longo prazo”, diz a proposta.

Inflação, juros e crédito

Em eventual governo de Haddad, o Banco Central (BC) terá a autonomia mantida e o mandato de controlar a inflação, “permanecendo atento a temas como a estabilidade do sistema financeiro e o nível de emprego”. A proposta prevê a redução do custo do crédito, com aprofundamento da competição bancária estimulada pelos bancos públicos e pela difusão de novas instituições de poupança e crédito. “Daí porque torna-se fundamental revitalizar os bancos públicos, especialmente BNDES [Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social], BB [Banco do Brasil] e CEF [Caixa Econômica Federal], e os mecanismos de financiamento ao desenvolvimento nacional. O Brasil precisa superar a estrutura oligopolista que controla o sistema financeiro e bancário privado. Tudo isso para a retomada da bancarização, ampliação dos serviços bancários e difusão do crédito aos pequenos negócios e à população de baixa renda”, diz a proposta. Simultaneamente, propõe a adoção de uma tributação progressiva sobre os bancos, com alíquotas reduzidas para os que oferecerem crédito a custo menor e com prazos mais longos

O programa de governo de Haddad também propõe alteração da Taxa de Longo Prazo (TLP), “visando filtrar a volatilidade excessiva típica dos títulos públicos de longo prazo e dar incentivo a setores e atividades de alta externalidade e retorno social”.

Dívidas estaduais e reforma tributária

Um eventual governo Haddad pretende fazer renegociação das dívidas e da situação de guerra fiscal entre estados e municípios. O outro tema considerado central é a realização da reforma tributária voltada para alteração na composição dos tributos, estabilizando, ao longo do mandato, a carga tributária líquida no patamar do último período, assegurando as transferências para as políticas sociais sem perda de receita real dos entes federados.

A reforma tributária compreenderá, entre outras medidas, a tributação direta sobre lucros e dividendos e a criação e implementação gradual de Imposto sobre Valor Agregado (IVA), que substitua a atual estrutura de impostos indiretos. No âmbito da reforma tributária, o plano de governo prevê uma reestruturação da tabela do Imposto de Pessoa Física, para isentar quem ganha até cinco salários mínimos (R$ 4.770), condicionado ao aumento das alíquotas para os “super-ricos”.