Desenvolvido pelo Inpe, satélite brasileiro já está em órbita

(ISRO/via Fotos Públicas)

A Índia lançou neste domingo (28/02) com sucesso o Amazônia 1, o primeiro satélite de monitoramento da Terra completamente desenvolvido e produzido pelo Brasil. O lançamento ocorreu às 10h24 (horário local) da base indiana em Sriharikota, localizada no estado de Andhra Pradesh.

Em apenas 17 minutos após o lançamento, o satélite alcançou seu destino, a 752 quilômetros de altitude da Terra, e se separou do foguete PSLV-C51. O Amazônia 1 abriu então o painel solar, verificou os sistemas e iniciou o ajuste da câmara. As primeiras imagens devem ser produzidas em cinco dias.

“Este momento representa o ápice desse esforço feito por tantas pessoas. Esse satélite tem uma missão muito importante para o Brasil”, afirmou o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcos Pontes, que acompanhou o lançamento da base indiana. Com quatro metros de altura, esse é o primeiro satélite totalmente brasileiro.

Ao final da operação, o presidente da agência espacial indiana, K. Sivan, parabenizou o Brasil e afirmou que a Índia se sente honrada em participar desta missão. “Minhas sinceras congratulações ao time brasileiro por essa conquista. O satélite está em órbita, os painéis solares se abriram e está tudo funcionando muito bem”, acrescentou.

Desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB), o satélite enviará imagens de alta resolução para auxiliar diferentes programas de monitoramento, incluindo a fiscalização do desmatamento na Amazônia, juntando-se assim aos outros dois equipamentos que fazem parte do sistema Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter).

O lançamento faz parte uma parceira nos programas espaciais do Brasil e Índia. O foguete PSLV-C51 levou ainda outros 18 satélites secundários, entre eles três de institutos indianos e dois americanos.

Por Deutsche Welle

*cn (EFE, Lusa, Agência Brasil, ots)

Satélite brasileiro será lançado na madrugada de domingo

Lançamento vai ocorrer na índia (Reprodução)

Será lançado no início da madrugada deste domingo (28) o foguete que levará, consigo, o Amazonia 1 – o primeiro satélite de observação da Terra totalmente projetado, integrado, testado e operado pelo Brasil. O lançamento, previsto para ocorrer à 1h54 (horário de Brasília), será transmitido ao vivo pela Agência Brasil e pela TV Brasil.

O Amazonia 1 será colocado em órbita pela missão PSLV-C51, da agência espacial indiana Indian Space Research Organisation (ISRO). Com seis quilômetros de fios e 14 mil conexões elétricas, o satélite integra a Missão Amazonia 1, que tem, por objetivo, fornecer dados de sensoriamento remoto para observar e monitorar o desmatamento, especialmente na região amazônica, além de monitorar a agricultura no país.

“O satélite Amazonia 1, que é de sensoriamento remoto óptico, vai dar autonomia ao Brasil para melhor monitorar seus diversos biomas, seus mares e todos os alvos de interesses que temos, porque é um satélite que estará sob domínio completo do Brasil”, explica o presidente da Agência Espacial Brasileira, Carlos Moura, que acompanha comitiva na Índia. “O momento de um lançamento como esse é o coroamento de esforços que duram muitos anos, às vezes dezenas de anos. Para alguns profissionais, é o desafio da carreira. O Amazonia 1 coroa esse esforço do Brasil que vem lá de 1979, 1980, com a Missão Espacial Brasileira, de o país ser capaz de desenvolver o satélite próprio de sensoriamento remoto óptico”, disse Carlos Moura.

O Amazonia 1 é o primeiro satélite de Observação da Terra completamente projetado, integrado, testado e operado pelo Brasil (Inpe/via Agência Brasil)

O Amazonia 1 vai gerar imagens do planeta a cada 5 dias. Sob demanda, poderá fornecer dados de um ponto específico em 2 dias – o que, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ajudará na fiscalização de áreas que estejam sendo desmatadas, bem como na captura de imagens onde haja maior ocorrência de nuvens. De acordo com o instituto, o novo satélite possibilitará também o monitoramento da região costeira, de reservatórios de água e de florestas (naturais e cultivadas). Há, ainda, a possibilidade de uso para observações de possíveis desastres ambientais.

Olhar para dentro

Segundo o presidente da Agência Espacial Brasileira, tanto as missões que miram o ambiente terrestre como as que miram outros corpos celestes são de grande importância. “Os sistemas espaciais – os satélites que observam a Terra a partir de um ponto de vista privilegiado – nos permitem conhecer melhor os nossos oceanos, os nossos biomas, a nossa atmosfera, compreender melhor esse conjunto de fatores que fazem com que este planeta, até onde se saiba, seja o que contém as melhores condições de vida na forma como nós a conhecemos”, disse. “[Também é importante] se projetar para outros corpos celestes, tentando entender melhor como eles evoluíram e o que acontece com eles. Existem missões que procuram entender como ocorreu a evolução de outros corpos, se houve vida ou não, se eles têm componentes materiais que podem ser úteis para humanidade ou não”, acrescentou.

Missão Amazonia e Plataforma Multimissão

A Missão Amazonia pretende lançar, em data a ser definida, mais dois satélites de sensoriamento remoto: o Amazonia 1B e o Amazonia 2. “Os satélites da série Amazonia serão formados por dois módulos independentes: um módulo de serviço – que é a Plataforma Multimissão (PMM) – e um módulo de carga útil, que abriga câmeras e equipamentos de gravação e transmissão de dados de imagens”, detalha o Inpe.

Além de ajudar no monitoramento do meio ambiente, a missão ajudará na validação da Plataforma Multimissão como base modular para diversos tipos de satélites. Essa plataforma representa, segundo o Inpe, “um conceito moderno de arquitetura de satélites, que tem o propósito de reunir em uma única plataforma todos os equipamentos que desempenham funções necessárias à sobrevivência de um satélite, independentemente do tipo de órbita.”

Entre as funções executadas pela plataforma estão as de geração de energia, controle térmico, gerenciamento de dados e telecomunicação de serviço – o que possibilitará a adaptação a diferentes cargas úteis, além de reduzir custos e prazos no desenvolvimento de novas missões.

“Essa competência global em engenharia de sistemas e em gerenciamento de projetos coloca o país em um novo patamar científico e tecnológico para missões espaciais. A partir do lançamento do satélite Amazonia 1 e da validação em voo da PMM, o Brasil terá dominado o ciclo de vida de fabricação de sistemas espaciais para satélites estabilizados em três eixos”, informa o Inpe.

Entre os ganhos tecnológicos que a missão deverá render ao país, o Inpe destaca, além da validação da PMM, a consolidação do conhecimento do país no ciclo completo de desenvolvimento de satélites; o desenvolvimento da indústria nacional dos mecanismos de abertura de painéis solares, o desenvolvimento da propulsão do subsistema de controle de atitude e órbita na indústria nacional e a consolidação de conhecimentos na campanha de lançamento de satélites de maior complexidade.

Por Pedro Peduzzi e Adrielen Alves – Repórteres da Agência Brasil e da Rádio Nacional 

Isolamento reduz incidência de raios na capital, diz Inpe

Estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) concluiu que os raios – aquelas descargas elétricas que vêm para o chão e podem causar prejuízos e mortes – tiveram redução significativa na capital paulista com queda da poluição no período de isolamento social, uma das medidas tomadas para conter a pandemia de covid-19.

(Arquivo/Marcos Ozanan/Fotos Públicas)

Os pesquisadores analisaram dados de descargas atmosféricas de 20 de março a 2 de abril de 2020, período em que houve queda de cerca de 20% da poluição na cidade de São Paulo, de acordo com observações feitas em diversas estações pelo projeto World Air Quality.

“O que nós encontramos foram resultados muito surpreendentes: enquanto, nos três anos anteriores em que houve raios nesse período, a percentagem das descargas que atingiam o solo [variou] de 40% a 63%, neste ano, só 4% das descargas atingiram o solo, e 96% ficaram dentro das nuvens. Então houve uma diminuição dramática de valores”, disse o coordenador do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Inpe, Osmar Pinto Junior.

Segundo o Elat, o estudo confirma que as chamadas “supertempestades, com mais de 3 mil raios, que têm ocorrido em São Paulo nos últimos anos são consequência não somente do aumento local da temperatura, conhecido como ‘ilhas de calor’, mas também do aumento da poluição na cidade”.

O estudo comparou os anos de 2015, 2016 e 2018, quando houve tempestades no mesmo período que o analisado em 2020. “Em 2017 e 2019, não houve raios nesse período, então esses anos não foram usados. Não teve tempestade [no período], porque já é final de verão, as tempestades já não são tão comuns em São Paulo”, explicou o pesquisador.

Para Osmar Pinto Junior, o resultado confirma as evidências que já existiam de que a poluição afeta a ocorrência de raios, e este é um alerta para que os cientistas continuem a pesquisar como a poluição e os raios estão associados. “A variação foi muito grande na quantidade de raios que atingiram o solo, o que reforça a ideia de que realmente, para que se possa compreender esse fenômeno dos raios nas grandes cidades, é preciso investigar o papel da poluição. A gente sabe um pouquinho a respeito de como a poluição afeta os raios, mas existem ainda detalhes que a gente não sabe.”

O pesquisador explicou que, em linhas gerais, os raios são formados a partir do choque de partículas de gelo dentro das nuvens de tempestade. Ele disse que as partículas de gelo são alteradas em conseqência dos níveis de poluição. “A gente sabe que existe uma conexão entre essas coisas. Agora, como essa conexão ocorre, os detalhes dessa conexão, é uma coisa que a ciência ainda precisa estudar”.

Por Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil