Irmãos, de 8 e 16 anos, ficam três dias perdidos na mata

Irmão mais novo recebe atendimento dos Bombeiros (Igor Luz/CB do Pará/via Agência Pará)

O Corpo de Bombeiros Militar do Pará e a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, por meio do 4° Grupamento Bombeiro Militar (4° GBM), sediado em Santarém, na região oeste, atenderam dois irmãos que estavam desaparecidos havia três dias na comunidade Fé em Deus, região Arapiuns-Maró. Segundo familiares, o menino de 8 anos e o adolescente de 16 anos saíram para caçar no último dia 7 (quinta-feira), em uma área de mata fechada na região do Alto Arapiuns, e não retornaram.

Militares do 4º GBM foram acionados no dia seguinte, mas devido à dificuldade de comunicação e transporte para a região, o deslocamento só foi possível na manhã de sábado (09). A guarnição enfrentou cerca de 4h30 de deslocamento por balsa até o Porto do Aninduba, e mais de 200 km de estradas e ramais com atoleiros para chegar ao local conhecido como Piçarreira, que serviu de base para as buscas na área da comunidade Fé em Deus. Moradores de áreas próximas também foram mobilizados nas primeiras buscas.

Ao chegar ao local, a guarnição foi informada que, por volta de 11h35, os jovens haviam sido localizados por moradores e já estavam em deslocamento para a base. Com a chegada dos irmãos, os militares fizeram uma avaliação geral sobre as condições em que estavam e os primeiros atendimentos. Apesar de passarem três dias na mata, eles apresentaram apenas escoriações leves devido à densa vegetação, pequena desidratação e câimbras nas pernas e abdômen.

Conforme relatos de moradores, apesar de acostumados com atividades na área, foi a primeira vez que os irmãos entraram na mata para caçar, por isso desconheciam o local e acabaram não encontrando o caminho de volta.

Após a avaliação, os militares conduziram o menino e o adolescente à comunidade onde residem e os entregaram aos cuidados dos pais.

Por Igor Luz, da Agência Pará

Garoto vê pela 1ª vez irmão que está na UTI desde o nascimento

Por Aretha Fernandes, via Agência Pará

Igor conversa com o irmão Pedro, internado na UTI desde que nasceu (HRSP/via Agência Pará)

Foi uma longa espera até chegar o dia em que Igor, de cinco anos, conhecesse o irmão Pedro, que nasceu de 37 semanas no Hospital Regional do Sudeste do Pará – Dr. Geraldo Veloso (HRSP), em Marabá. Ainda sem previsão de alta do bebê, a unidade facilitou o encontro dos irmãos, tornando ainda mais humanizado o acolhimento dos familiares.

Ao primeiro som da voz de Igor, o caçula reagiu como se estivesse procurando o irmão que costumava conversar com ele durante a gravidez. A cena emocionou as pessoas que estavam próximas ao leito de Pedro na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica do Hospital Regional.

“O Igor estava muito ansioso para visitar o irmão, mas tínhamos a expectativa de que o Pedro recebesse logo alta. Porém, os médicos disseram que ainda não era o momento. Foi quando a equipe se mobilizou para que eles se conhecessem. O Igor não entende muito o fato de que não pode estar o tempo todo aqui no Hospital, cuidando do irmão, mas uma coisa que o deixou bem tranquilo é que ele viu que é grande e dedicada a equipe que cuida do Pedro”, afirmou a mãe do paciente, Taynara Marinho. 

Em geral, familiares menores de 12 anos não têm acesso à UTI devido à baixa imunidade, a fim de preservar a saúde do visitante. No entanto, exceções podem ocorrer para fortalecer o vínculo familiar e reduzir a ansiedade de quem está em casa à espera do paciente, como foi o caso dos irmãos Pedro e Igor, obedecendo à Política Nacional de Humanização do Sistema Único de Saúde (SUS). No Hospital Regional de Marabá, esse processo é conduzido pelas equipes do Serviço Psicossocial e da Enfermagem que avaliam fatores clínicos do paciente e o estado emocional do visitante.

A assistente social Valdejane Barros foi quem acompanhou Igor antes e depois da visita na UTI Pediátrica.

“Foi um momento único para aquela família, devido à complexidade do quadro clínico da criança internada. Então, fiz um atendimento social a fim de prepará-lo emocionalmente para aquele momento, pelo fato de ser tão pequeno, não entender a realidade com a qual ia se deparar, como máquinas, macas, barulhos e outras crianças doentes. De forma lúdica expliquei sobre a importância da higiene das mãos e o uso de equipamentos como capote e máscara, pois este é um ambiente diferenciado e que possui regras para garantir a segurança do paciente”, explicou a colaboradora. 

Sobre a Unidade – Referência em atendimento de média e alta complexidades para 22 municípios paraenses, o Hospital Regional de Marabá tem 115 leitos, sendo 77 de Unidades de Internação e 38 de Unidades de Terapia Intensiva. Possui perfil cirúrgico e habilitação em Traumato-ortopedia pelo Ministério da Saúde, oferecendo atendimento gratuito nas especialidades de Cardiologia, Cirurgia Buco-maxilo-facial,Cirurgia Plástica Reparadora, Cirurgia Pediátrica, Cirurgia Geral, Cirurgia Vascular, Clínica Médica, Fisioterapia, Infectologia, Medicina Intensiva adulto, pediátrica e neonatal, Nutrição, Obstetrícia de Alto Risco, Oftalmologia, Otorrinolaringologia, Urologia, Neurocirurgia, Terapia Ocupacional, Traumato-ortopedia, Nefrologia e Anestesiologia.