Jair Bolsonaro sentado ao lado de Shinzo Abe, durante encontro na Suíça. No centro, entre os dois, uma mesa tem bandeiras pequenas dos dois países.

Baleado em comício, morre Shinzo Abe

O ex-primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, morreu aos 67 anos após ter sido baleado durante um evento de campanha para eleições parlamentares nesta sexta-feira (08/07), confirmou o hospital onde ele foi admitido.

“Shinzo Abe foi transportado para o hospital às 12h20. Ele estava num estado de parada cardíaca ao chegar. Foi feita reanimação, mas, infelizmente, ele morreu às 17h03”, disse a repórteres Hidetada Fukushima, professor de medicina emergencial no Hospital Universitário de Nara.

Abe, que foi o mais longevo primeiro-ministro da história do Japão, estava fazendo um discurso em prol do atual premiê japonês, Fumio Kishida, favorito nas pesquisas para as eleições deste ano, diante de uma estação de trem em Nara, no oeste do país, quando dois tiros foram disparados contra ele, por volta das 11h30 (hora local).

Michel Temer, ex-presidente da República, cumprimenta Shinzo Abe durante visita ao Japão. Os dois sorriem enquanto dão as mãos. Ao fundo, bandeiras do Brasil e do Japão.
Michel Temer, ex-presidente da República, cumprimenta Shinzo Abe durante visita ao Japão (Arquivo/Beto Barata/PR)

Segundo a imprensa do país, um homem que estava atrás de Abe abriu fogo com uma arma aparentemente caseira. Ele foi detido por forças de segurança em seguida.

Os serviços de emergência de Nara afirmaram que Abe foi ferido no lado direito do pescoço e na clavícula esquerda. Abe foi transportado para o hospital de helicóptero e, segundo Fukushima, morreu em decorrência da perda de sangue, apesar de ter recebido transfusões.

Kishida condenou o ataque, e líderes internacionais expressaram choque diante do atentado em um país no qual a violência política é rara e armas de fogo são rigidamente controladas.

“Este ataque é um ato de brutalidade que aconteceu no âmbito das eleições – o fundamento da nossa democracia – e é absolutamente imperdoável”, disse Kishida, acrescentando ainda não ter informações sobre a motivação do atentado.

A polícia afirmou que um homem de 41 anos, residente em Nara, suspeito de executar o ataque foi detido. A emissora NHK noticiou que o suspeito, identificado como Tetsuya Yamagami, disse à polícia que estava insatisfeito com Abe e queria matá-lo. Segundo a mídia, o homem serviu ao Exército japonês por três anos, até 2005.

“Houve um barulho alto e depois fumaça”, disse o empresário Makoto Ichikawa, que estava no local do ataque, à agência de notícias Reuters, apontando que a arma tinha o tamanho de uma câmera de televisão.

A agência de notícia Kyodo publicou uma foto de Abe deitado de barriga para cima na rua, com sangue em sua camisa branca. Uma multidão o rodeava, e uma pessoa realizava massagem cardíaca.

Após dois mandatos como premiê, a partir de 2012, Abe renunciou em 2020, citando motivos de saúde. Mas ele se manteve uma figura influente no Partido Liberal Democrata. Kishida, apadrinhado político de Abe, suspendeu sua campanha eleitoral após o atentado contra o ex-premiê. Todos os principais partidos do país condenaram o ataque.

Leis rígidas sobre armas

O ataque chocou muitos japoneses. Airo Hino, professor de Ciências Políticas na Universidade Waseda, afirmou que um ataque a tiros desse tipo é algo sem precedentes no Japão. “Nunca ocorreu algo assim”, disse.

Políticos japoneses de alto escalão são acompanhados por agentes de segurança armados, mas frequentemente chegam perto do público, especialmente durante campanhas políticas, quando fazem discursos e dão a mão para cidadãos.

Jair Bolsonaro sentado ao lado de Shinzo Abe, durante encontro na Suíça. No centro, entre os dois, uma mesa tem bandeiras pequenas dos dois países.
(Davos – Suíça, 23/01/2019) Presidente da República, Jair Bolsonaro, durante reunião Bilateral como o então Primeiro-Ministro do Japão, Shinzo Abe. (Alan Santos/PR)

A legislação japonesa não permite que cidadãos comuns tenham armas, e caçadores licenciados só podem ter um fuzil. Proprietários de armas precisam frequentar aulas, passar em uma prova escrita e ser submetidos a uma avaliação de saúde mental e checagem de antecedentes criminais.

Ataques a tiros geralmente envolvem gângsteres “yakuza” usando armas ilegais. Massacres, como o que matou 19 pessoas numa instituição para pessoas com problemas mentais em 2016, costumam ser perpetrados com facas.

Ataques contra políticos também são incomuns. Houve poucos incidentes do tipo nos últimos 50 anos, o mais notável deles em 2007, quando o prefeito de Nagasaki foi morto a tiros por um gângster. O atentado levou a um endurecimento ainda maior das leis de armas.

A última vez que um primeiro-ministro foi morto no Japão foi em 1936, durante o radical militarismo japonês pré-guerra.

Condenação internacional

Líderes internacionais manifestaram choque e solidariedade ao povo japonês após o ataque a Shinzo Abe.

O atual premiê japonês se disse sem palavras, após saber da morte do antecessor e colega de partido. “É realmente lamentável. Estou sem palavras. Eu ofereço minhas sinceras condolências e orações para que sua alma descanse em paz”, disse Fumio Kishida a repórteres.

Após a confirmação da morte de Abe, o chanceler federal alemão, Olaf Scholz, disse estar “perplexo e profundamente triste”. “Estamos ao lado do Japão também neste momento difícil”, tuitou.

A ministra do Exterior da Alemanha, Annalena Baerbock, afirmou estar “chocada com a notícia de que Shinzo Abe foi baleado”, antes de saber da morte do político. “Meus pensamentos estão com ele e sua família”, escreveu ela no Twitter. Baerbock está atualmente em Bali, na Indonésia, para a cúpula do G20.

O presidente francês, Emmanuel Macron, se disse “profundamente chocado com o hediondo ataque a Shinzo Abe”. “Nossos pensamentos estão com a família e os amigos de um grande primeiro-ministro. A França está ao lado do povo japonês”, escreveu no Twitter.

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, chamou Abe de “líder de grande visão”, classificando seu assassinato de um evento “chocante” e “profundamente perturbador”.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o “assassinato brutal e covarde” de Abe choca o mundo.

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, lamentou o “assassinato brutal de um grande homem”. “Japão, a Europa está de luto com vocês”, afirmou.

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, se disse “profundamente triste com o odioso assassinato” de Abe. Stoltenberg afirmou que o ex-premiê foi um “defensor da democracia” e expressou condolências à família de Abe, ao premiê Fumio Kishida e “ao povo do Japão, parceiro da Otan, nesse momento difícil”.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse estar “chocado e entristecido” com o que chamou de “ataque deplorável”. Mais tarde, ao saber que Abe não sobreviveu ao ataque, ele disse que a morte do ex-premiê japonês é uma “notícia incrivelmente triste”.

lf/rw (Reuters, AFP, Lusa)

Homem atravessa a rua sobre a faixa de pedestres durante a noite enquanto carros aguardam. No letreiro, no canto direito da imagem, é possível ver o nome de uma loja escrito no idioma do Japão.

Após dois anos, Japão volta a receber turistas brasileiros

O Japão está se preparando para permitir a entrada de turistas no país pela primeira vez desde que a pandemia eclodiu, dois anos atrás. Mas somente estrangeiros que chegam em grupos turísticos organizados por agências registradas no Japão serão permitidos durante a primeira fase da reabertura, que vigora a partir desta sexta-feira, como anunciou nesta terça-feira (07/06) o Ministério do Turismo japonês.

Os estrangeiros em visita de turismo devem ser acompanhados por um guia em todos os momentos a partir da entrada no país, segundo as diretrizes publicadas pelo governo japonês. Os turistas também terão que fazer um teste de PCR para covid-19 antes de entrar no país e usar máscara durante todo o tempo da viagem.

Homem atravessa a rua sobre a faixa de pedestres durante a noite enquanto carros aguardam. No letreiro, no canto direito da imagem, é possível ver o nome de uma loja escrito no idioma do Japão.
Pedestre atravessa rua em Osaka, no Japão (Arquivo/Masashi Wakui/Pixabay)

Inicialmente, turistas de 98 países, incluindo o Brasil, podem viajar para o Japão.

As agências de viagens devem garantir que os turistas concordem em usar máscaras e tenham seguro que cubram quaisquer despesas médicas relacionadas à covid-19. Os visitantes também devem concordar em evitar espaços fechados e lugares lotados e manter o distanciamento social.

Registros de itinerários

As diretrizes de 16 páginas também exigem que as agências de viagens garantam que os guias turísticos mantenham registros precisos de seus itinerários e de contatos dos participantes. Quem não cumprir os requisitos corre o risco de ter sua excursão em grupo encerrada.

As orientações baseiam-se na experiência de visitas teste realizadas no mês passado com turistas dos EUA, Tailândia, Cingapura e Austrália, a maioria deles, agentes de viagens. Mas um dos participantes de um grupo de quatro da Tailândia testou positivo para a covid-19 e teve sua viagem cancelada.

James Jang, um agente de viagens da Austrália que participou de um dos tours de teste, disse que as regras provavelmente afastarão algumas pessoas por enquanto. “Os clientes concordarão em usar uma máscara dentro de locais fechados, mas usá-la 24 horas é um incômodo”, disse Jang à agência de notícias Reuters. “O custo de ter um guia turístico o tempo todo pode desencorajar os clientes até um momento em que eles tiverem mais flexibilidade.”

Eleição

O primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, está tentando evitar uma onda de turistas que viajam para o país, provocando um surto de covid-19 antes das eleições de julho para a câmara alta do Parlamento. As regras provavelmente serão flexibilizadas para permitir que turistas individuais entrem no Japão após essa data.

O turismo é um setor econômico importante para o Japão, que esperava 40 milhões de visitantes estrangeiros em 2020. No entanto, o país fechou suas fronteiras completamente para estrangeiros em abril de 2020. Em 2019, o Japão recebeu 31,9 milhões de visitantes so exterior.

No início deste mês, o Japão elevou o limite máximo de entradas para 20 mil por dia, após críticas à política de restrições determinada pelo governo.

md/cn (Reuters, DPA, EFE)

Japão congela bens das filhas de Putin e quase 400 russos

O Japão anunciou hoje (12) a imposição de novas sanções à Rússia devido à invasão da Ucrânia, com o congelamento dos bens de 398 russos no país, incluindo as filhas do presidente Vladimir Putin.

“Para evitar que a situação se agrave ainda mais e se possa chegar a um cessar-fogo para pôr fim à invasão o mais rápidamente possível, é necessário adotar sanções severas”, disse, em entrevista, o porta-voz do governo japonês, Hirokazu Matsuno.

“Atos hediondos e desumanos estão sendo revelados não apenas em Bucha, mas em muitos outros lugares. A morte de civis inocentes viola o direito internacional e é crime de guerra”, disse Matsuno.

O Japão adicionou Ekaterina Tikhonova e Maria Vorontsova, filhas de Putin, e Maria Lavrova e Ekaterina Lavrova, mulher e filha, respetivamente, do ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, a uma lista que já conta com 499 pessoas.

A maioria dos indivíduos incluídos na lista está ligado à Duma, câmara baixa do Parlamento, e às forças militares da Federação Russa.

Tóquio decidiu também adotar sanções adicionais contra 28 empresas e organizações russas, incluindo os bancos Sberbank e Alfa Bank. As sanções nipônicas abrangem atualmente um total de 47 entidades.

Desde o início do conflito que o Japão tem imposto sanções a entidades e cidadãos russos e bielorrussos, incluindo o presidente da Bielorrússia, Alexandre Lukashenko.

As medidas punitivas também afetam as exportações de produtos japoneses, com potencial uso militar, ou de artigos de luxo para a Rússia, as importações russas de certos produtos e as transações com moedas virtuais.

Em 8 de abril, o primeiro-ministro nipônico, Fumio Kishida, anunciou que Japão iria renunciar à compra de carvão russo e expulsar oito diplomatas daquele país, após denúncias de massacres de civis por tropas russas, na região de Kiev.

Também os Estados Unidos, o Reino Unido e a União Europeia já tinham anunciado, na semana passada, sanções contra as duas filhas de Putin.

A Rússia lançou, em 24 de fevereiro, ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.842 civis, incluindo 148 crianças, e feriu 2.493, entre eles 233 menores, segundo  dados recentes da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra já causou número indeterminado de baixas militares e a fuga de mais de 11 milhões de pessoas, das quais 4,5 milhões para países vizinhos.

Esta é a pior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). As Nações Unidas calculam que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária.

A invasão russa foi condenada pela comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento à Ucrânia e o reforço de sanções econômicas e políticas a Moscou.

Fachada do teatro ópera e balé diante da praça onde é possível ver uma fonte lançando água para o alto e pessoas caminhando pela praça em Lviv, na Ucrânia.

Japão, Coreia do Sul e Holanda pedem para seus cidadãos deixarem a Ucrânia

Após Joe Biden pedir para os cidadãos norte-americanos que estão na Ucrânia saírem do país diante de ameaças sobre uma possível invasão russa, Japão, Coreia do Sul e Holanda também solicitaram que as pessoas saiam do local.

“Os cidadãos americanos deveriam sair agora. As coisas podem acelerar rapidamente”, declarou o presidente dos Estados Unidos. Ele também descartou a ideia de enviar tropas à fronteira do país com a Rússia.

Para Biden, o cenário seria “uma guerra mundial. Quando os americanos e os russos começam a atirar uns nos outros, entramos num mundo muito diferente.”

Viatura de polícia no japão estacionada na rua

Japão executa pena de morte contra três presos

O Japão executou nesta terça-feira (21/12) três presos, nas primeiras sentenças de morte aplicadas desde 2019, segundo a agência de notícias Kyodo. Estas foram também as primeiras execuções realizadas durante o governo do primeiro-ministro Fumio Kishida, que assumiu o cargo em outubro.

O Japão é uma das poucas economias industrializadas, além dos Estados Unidos, que ainda aplicam a pena de morte. Atualmente, mais de 100 presos se encontram no chamado “corredor da morte“ japonês.

A última execução realizada no Japão foi em 26 de dezembro de 2019, de um chinês condenado pelos assassinatos de quatro membros da mesma família no sudoeste do país, em 2003.

Viatura de polícia no japão estacionada na rua
(djedj/Pixabay)

Segundo a agência Kyodo, um dos executados nesta terça era um homem de 65 anos, condenado por matar seus parentes a facadas.

Três execuções em 2019 e 15 em 2018

O Japão executou três condenados em 2019 e 15 em 2018, incluindo 13 membros da seita Aum, que esteve envolvida num ataque de gás sarin ao metrô de Tóquio em 1995.

Apesar das críticas de grupos de direitos humanos, o apoio à pena de morte continua alto entre os japoneses. As penas são executadas por enforcamento no Japão e os condenados geralmente são informados apenas horas antes da execução.

Essa prática tem sido condenada por organizações de direitos humanos, pela quantidade de estresse que exerce sobre o presidiário.

Por Deutsche Welle
md (AFP, Lusa, Reuters)

Escada de combate a incêndio dos bombeiros, com homem do corpo de bombeiros no alto, lança água no local do incêndio. Ao fundo, muita fumaça que sai do edifício.

Incêndio em prédio mata 27 pessoas

Equipes de socorro japonesas retiraram 27 pessoas mortas de um edifício no centro de Osaka, principal cidade do oeste do Japão, após um incêndio.

O alerta de incêndio foi dado aproximadamente às 10h20 (horário local) e as chamas foram apagadas em meia hora, tendo os bombeiros encontrado 28 feridos, 27 deles com parada cardiorrespiratória, informou um porta-voz dos bombeiros, recorrendo a uma expressão usada no Japão para falar de mortes ainda não confirmadas oficialmente por um médico.

Escada de combate a incêndio dos bombeiros, com homem do corpo de bombeiros no alto, lança água no local do incêndio. Ao fundo, muita fumaça que sai do edifício.
(NHK/Reprodução)

Mais de 30 carros dos bombeiros estiveram presentes no local, onde continuam a ocorrer operações de busca e de rescaldo.

A polícia investiga as causas do incêndio, ocorrido no quarto andar de um edifício de oito pisos, perto da estação de comboios JR Kitashinchi, e onde aparentemente funcionava uma clínica, de acordo com a agência pública japonesa NHK.

Por RTP

A 5 meses das Olimpíadas, Japão aprova 1ª vacina contra covid-19

A cinco meses do início dos Jogos Olímpicos de Tóquio, o Japão aprovou formalmente neste domingo (14/02) o uso no país da primeira vacina contra a covid-19, o imunizante da Pfizer-Biontech. A campanha de vacinação deve começar na quarta-feira e tem como objetivo imunizar a maior parte da população até julho, antes do começo do evento esportivo.

A aprovação da vacina é vista como um fator fundamental para que o país realize os Jogos Olímpicos, que estão marcados para ocorrer de 23 de julho a 8 agosto. Originalmente, eles deveriam ter sido realizados no ano passado, mas foram adiados devido à pandemia. 

Na sexta-feira, o país recebeu a primeira remessa de 400 mil doses do imunizante. Os primeiros a serem vacinados serão um grupo de 20 mil médicos e enfermeiras que se ofereceram para avaliar os possíveis efeitos das duas doses necessárias.

Em seguida, no mês de março, cerca de 3,7 milhões de profissionais da saúde e aproximadamente 36 milhões de idosos com mais de 65 anos serão vacinados.

Embora muitos países já estejam usando a vacina da Pfizer-Biontech desde o final do ano passado, o Japão optou por fazer testes no país antes de aprovar o imunizante. Por isso, o anúncio deste domingo foi feito depois que um painel do governo confirmou na sexta-feira que os resultados finais dos testes clínicos realizados no Japão mostraram que a vacina tinha uma eficácia semelhante à de outros países.

Processo lento

A aprovação pode parecer demorada, visto que a vacinação já está transcorrendo em dezenas de países. No entanto, ela foi considerada rápida para os padrões do Japão, conhecido por seus processos cautelosos e lentos.

A aprovação foi concedida em um processo especial acelerado para uso emergencial e demorou apenas dois meses – normalmente, isso levaria cerca de um ano.

No Japão, muitas pessoas são céticas em relação às vacinas, motivo pelo qual o país realizou testes adicionais. No entanto, eles foram conduzidos em apenas 160 pessoas – o que leva a questionamentos sobre se o atraso na vacinação realmente valeu a pena.

Até o final desse ano, o Japão deve receber 144 milhões de doses da vacina da Pfizer-Biontech, 120 milhões da AstraZeneca e cerca de 50 milhões da Moderna, o suficiente para cobrir sua população de cerca de 126 milhões de habitantes.

As vacinas que estão sendo desenvolvidas pelo Japão ainda estão em estágios iniciais, por isso, o país ainda depende das importações. 

Embora pesquisas de opinião mostrem que grande parte da população é contra a realização dos Jogos Olímpicos, o governo insiste em realizá-los, como uma demonstração de triunfo sobre o coronavírus.

Um guia foi distribuído aos atletas, com as diretrizes para evitar a propagação da covid-19. Os organizadores dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio pediram que os atletas contenham a efusividade das comemorações e limitem os deslocamentos entre as instalações.

Segundo o guia, os atletas serão obrigados a fazer um teste PCR para covid-19, pelo menos, de quatro em quatro dias.  Quem apresentar resultado positivo poderá ser isolado em uma instalação designada pelas autoridades governamentais japonesas e não será autorizado a competir.

Os atletas olímpicos não terão de passar pela quarentena de 14 dias atualmente exigida pelo governo japonês para qualquer pessoa que entre no país, mas terão seus deslocamentos restringidos. 

Desta forma, entre as medidas do guia, também está a proibição de os atletas deixarem a Vila Olímpica ou o alojamento, exceto para competir ou para alguma das atividades incluídas em um plano detalhado de 14 dias que deve ser apresentado às autoridades japonesas.

Por Deutsche Welle

le (ap,efe,dpa,afp,ots)

Primeiro-ministro japonês renuncia por problemas de saúde

Jair Bolsonaro, Presidente do Brasil, e Shinzo Abe, primeiro-ministro do Japão, durante encontro em Davos, na Suíça, em 2019
(Alan Santos/PR)

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, anunciou nesta sexta-feira (28/08) sua renúncia ao cargo devido a problemas de saúde. Abe ocupa a chefia do governo japonês há sete anos e oito meses.

“Agora que não posso cumprir o mandato do povo com confiança, decidi que não devo mais ocupar o cargo de primeiro-ministro”, disse Abe em coletiva de imprensa, justificando a decisão com a recorrência de uma colite ulcerativa – doença crônica que causa inflamação e úlceras no cólon e no reto – que o atormenta há muitos anos. O premiê de 65 anos afirmou que voltou a se sentir fadigado em meados de julho.

“As minhas condições de saúde não são perfeitas. Uma saúde fraca pode resultar em decisões políticas errôneas”, acrescentou Abe, destacando que, “em política, o mais importante é gerar resultados”. Questionado por jornalistas, ele se recusou a falar sobre nomes de um eventual sucessor.

Sua decisão desencadeará, provavelmente ao longo das próximas duas ou três semanas, uma corrida pela liderança do Partido Liberal Democrata. O escolhido manterá o cargo de primeiro-ministro do Japão até o final do mandato de Abe, em setembro de 2021.

Idas ao hospital

As especulações sobre uma possível renúncia de Abe devido a problemas de saúde atingiram o auge nos últimos dias, depois que o premiê japonês realizou num hospital dois exames médicos não especificados.

Abe, um conservador de direita, assumiu o posto de primeiro-ministro pela segunda vez em 2012. Antes disso, ele ocupou o cargo de 2006 a 2007, mas renunciou após apenas um ano no posto. Na época, Abe também citou motivos de saúde, mas sua renúncia veio após uma série de escândalos de corrupção, gafes de subordinados em seu gabinete e uma significativa derrota eleitoral de seu partido.

Na última segunda-feira, Abe se tornou o mais longevo chefe de governo japonês ao bater o recorde estabelecido por seu próprio tio-avô, Eisaku Sato, que se manteve no cargo por sete anos e 240 dias.

Projetos polêmicos e queda de popularidade

No entanto, Abe tem visto recentemente sua popularidade despencar para os níveis mais baixos registrados em sua gestão. Parte do descontentamento está relacionada à resposta do primeiro-ministro à pandemia de coronavírus – muitos sentem que ele priorizou a economia em detrimento da saúde e mostrou falta de liderança.

A prisão de um ex-ministro da Justiça e de sua esposa, suspeitos de terem comprado votos, também afetou as taxas de popularidade de Abe.

Sua política econômica de defender um afrouxamento monetário ousado e gastos fiscais, apelidado de “Abenomics”, encontrou obstáculos em meio à queda nas exportações devido à guerra comercial entre Estados Unidos e China. A pandemia também afetou negativamente a economia – o Japão fechou um terceiro trimestre consecutivo de declínios.

Abe ainda é conhecido por sua intenção de revisar a Constituição pacifista do Japão, algo que preocupava muitos japoneses que creditam ao documento décadas de paz no período pós-guerra. As suspeitas de que ele defende um certo militarismo foram reforçadas por sua visita em 2013 ao Santuário Yasukuni de Tóquio, um memorial aos japoneses mortos em guerra, com centenas de criminosos de guerra condenados entre os homenageados.

Nos anos seguintes, Abe não visitou o controverso santuário pessoalmente, mas enviou oferendas ao local no tradicional 15 de agosto, quando o Japão celebra o fim da Segunda Guerra Mundial.

Embora não tenha conseguido levar adiante seu plano de revisão da Constituição japonesa, Abe cumpriu as promessas de aumentar os gastos com as Forças Armadas. Seu governo também reinterpretou a Constituição para permitir que as tropas japonesas participem de batalhas no exterior pela primeira vez desde a Segunda Guerra.

PV/afp/rtr


*Deutsche Welle é a emissora pública da Alemanha

Japão lembra 75 anos do fim da Segunda Guerra Mundial

O Japão recordou neste sábado (15/08) os 75 anos da rendição do país na Segunda Guerra Mundial em uma reduzida cerimônia em Tóquio, devido à pandemia de covid-19, com a presença do primeiro-ministro Shinzo Abe e do imperador Naruhito.

(NHK)

Em meio aos temores do coronavírus e preocupações com o desvanecimento das memórias da geração que viveu a guerra e está envelhecendo, cerca de 500 pessoas – em comparação com as 6.200 no ano passado – homenagearam os japoneses mortos no conflito com um minuto de silêncio. Máscaras eram obrigatórias, e não se cantou o tradicional Kimigayo, hino nacional do Japão.

Enquanto o imperador expressou “profundo remorso” pelo papel de seu país no conflito, não foram ouvidas palavras de desculpas por parte de Abe, que agradeceu os sacrifícios dos japoneses mortos na guerra, mas não mencionou o sofrimento que afligiu países vizinhos.

Em breve discurso durante a cerimônia na capital japonesa, Naruhito destacou a importância de se refletir sobre os eventos da Segunda Guerra para que a tragédia não se repita. “Olhando para o longo período de paz do pós-guerra, refletindo sobre nosso passado e tendo em mente os sentimentos de remorso profundo, espero sinceramente que as devastações da guerra nunca se repitam”, disse o imperador.

Ele ainda prometeu seguir os passos de seu pai, o antigo imperador Akihito, que dedicou seu reinado de 30 anos para reparar uma guerra travada em nome de Hirohito, avô do atual imperador. Foi Hirohito quem anunciou a rendição do Japão em 15 de agosto de 1945, em um discurso sem precedentes na rádio, que marcou a primeira vez em que os cidadãos do país ouviram a voz do então monarca.

Abe, por sua vez, tem evitado trazer à tona o passado sombrio do Japão desde que assumiu o cargo em dezembro de 2012. O premiê não reconheceu as hostilidades japonesas em nenhum de seus discursos anuais de 15 de agosto – uma antiga tradição por parte de chefes de governo, iniciada com o pedido de desculpas do ex-primeiro-ministro socialista Tomiichi Murayama em 1995.

Em um discurso amplamente focado em assuntos domésticos, Abe afirmou que a paz que o Japão desfruta hoje foi construída com o sacrifício daqueles que morreram no conflito. Assim como Naruhito, ele também afirmou que o país deve refletir sobre as lições da história para não repetir a devastação da guerra.

O premiê ainda listou os danos infligidos ao Japão e seu povo durante a Segunda Guerra, como as bombas atômicas lançadas em Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945, o bombardeamento de Tóquio, entre 1942 e 1945, e a Batalha de Okinawa, em 1945, uma das maiores da história.

Neste sábado, Abe enviou uma oferenda ao polêmico Santuário Yasukuni, em Tóquio, em homenagem aos mortos na guerra, mas não visitou o local pessoalmente.

O controverso santuário homenageia 2,46 milhões de pessoas mortas no conflito, mas também 14 líderes militares japoneses que foram condenados por crimes de guerra por um tribunal aliado. Por esse motivo, China e Coreia do Sul consideram o Yasukuni um símbolo da agressão japonesa. A última visita de Abe ao local, em dezembro de 2013, gerou clamor internacional.

Enquanto o primeiro-ministro se manteve distante neste ano, ao menos quatro de seus ministros foram ao santuário neste sábado, marcando a primeira visita ministerial ao local em quatro anos.

O ministro japonês do Meio Ambiente, Shinjiro Koizumi, filho do ex-premiê Junichiro Koizumi, foi o primeiro membro do gabinete a visitar o memorial em 15 de agosto desde 2016. Em seguida, três outros ministros e alguns parlamentares conservadores também foram ao santuário.

A visita dos ministros levou o Ministério do Exterior sul-coreano a emitir uma declaração expressando “profunda decepção e preocupação” e pedindo aos líderes políticos japoneses que mostrem sincero remorso pelo passado, informou a agência de notícias japonesa Kyodo News.

A ministra japonesa do Interior, Sanae Takaichi, uma das que estiveram no santuário neste sábado, disse a repórteres: “Somos nós quem decidimos como queremos homenagear os mortos na guerra. Isso não deveria ser um problema diplomático.”

Também neste sábado, o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, afirmou que seu governo está disposto a dialogar com o Japão para resolver disputas de longa data relacionadas à guerra. Os laços entre os dois países estão estremecidos devido ao impasse sobre uma compensação a coreanos forçados a trabalhar em fábricas e minas durante a ocupação japonesa na guerra.

“Estamos prontos para nos sentar frente a frente com o governo japonês a qualquer momento”, disse o chefe de Estado sul-coreano, que adiantou esperar que “os esforços conjuntos do Japão e da Coreia do Sul para respeitar os direitos humanos individuais possam se converter numa ponte para a amizade e a cooperação no futuro”.

EK/afp/ap/dpa/dw

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A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. 

Tóquio confirma 131 novos casos de Coronavírus

Abe Shinzo, primeiro-ministro do Japão (NHK/Reprodução)

Fontes no governo metropolitano de Tóquio informam que foram confirmados 131 novos casos de coronavírus no sábado (4). Trata-se do número mais alto desde a suspensão do estado de emergência em 25 de maio.

É o terceiro dia consecutivo que a contagem em Tóquio ultrapassa os 100 novos registros diários, elevando o total de diagnósticos positivos na capital japonesa para 6.654.

Autoridades estão alertando as pessoas que visitam locais de entretenimento noturno onde as infecções pelo coronavírus estão aumentando. A recomendação para estas pessoas é que escolham bares e casa noturnas onde medidas preventivas estão sendo praticadas.

Por NHK – Emissora Pública do Japão