Polícia mata jovem com deficiência intelectual após postagem sobre Lázaro

Morto com três tiros, Hamilton Cesar Lima Bandeira, 23 anos, era conhecido por ser engraçado na comunidade (Arquivo Pessoal/via Ponte)

Crueldade foi a palavra utilizada por Ana Maria Lima Dias, 41 anos, para definir a morte de seu filho Hamilton Cesar Lima Bandeira, de 23 anos. O jovem foi morto, no início da tarde de quinta-feira (17/06), com três tiros disparados por policiais civis no povoado de Calumbi, perto de Presidente Dutra, no interior do Maranhão, distante cerca de 350 km da capital São Luís. “Foi uma crueldade, ele nunca fez mal a ninguém, mataram ele na frente de um idoso de 99 anos”, disse Ana Maria à Ponte.

Hamilton tinha deficiência intelectual e tomava remédios controlados. Ele passou a ser alvo da polícia de Presidente Dutra depois de postar uma imagem na rede social Instagram na qual estava escrito: “Eu sou teu ídolo, Lázaro. Boa sorte, Lázaro (sic)”. Lázaro Barbosa, 32 anos, é procurado pela polícia em Goiás há 12 dias sob suspeita ter matador ao menos cinco pessoas _um caseiro, em 5 de junho; um casal e os dois filhos, no dia 12. Os crimes foram em Cocalzinho de Goiás.

“Ele tinha 23 anos, mas tinha mentalidade de um rapaz de 12 anos porque tinha um distúrbio mental. Ele nunca matou, nunca roubou, nunca estuprou, apenas postava essas coisas porque ele tinha problemas mentais, tenho laudos que provam isso”, disse Ana Maria, atendente em uma loja de conveniência em um posto de combustíveis. 

De acordo com a mãe, três dias antes de ser morto pela Polícia Civil, Hamilton tentava conseguir os medicamentos controlados que tomava. “Ele ligou para a mulher trazer os remédios dele, inclusive uma assistente social vinha conversar com ele, com a gente, para nos orientar, mas felizmente não deu tempo”. 

O jovem tomava remédios controlados por conta de problemas mentais, disse a mãe | Foto: Arquivo Pessoal

Ana Maria conta que, na manhã da morte do filho, ela estava trabalhando e Hamilton, que vivia com o avô, estava arrumando a casa e fazendo o almoço para o idoso. “Eu não estava no local, fiquei sabendo por uma ligação da minha vizinha. Por volta das 10h, ele [Hamilton] ficou jogando bola com crianças na casa de um vizinho. Às 11h, ele foi para casa tomar banho, limpou a casa, lavou a louça, almoçou e deu almoço para o avô, para quem disse iria descansar”. 

Instantes depois, o avô de Hamilton foi surpreendido com a chegada de três policiais, contou Ana Maria. “Meu filho entrou no quarto e deitou na cama. Quando o avô dele sentou para comer, os policiais chegaram e perguntaram se tinha mais alguém na casa. Foi quando o avô levantou da cadeira e falou: ‘estou só eu e o meu neto’. Nesse momento, Hamilton se levantou da cama, abriu a cortina [o quarto não tem porta] e, sem poder dizer nada, tomou três tiros seguidos, sem ele poder nem se defender”. 

No segundo tiro, Hamilton caiu e falou para o avô [a quem chamava de pai]: “Pai, está doendo demais!”. “Os policiais pegaram ele pelas pernas e pelos braços e o jogaram na viatura como se fosse um animal. Ele até machucou o rosto porque bateu nos ferros da viatura. Levaram imediatamente para o Socorrão [Hospital Regional de Urgência e Emergência de Presidente Dutra], mas ele já chegou lá sem vida”, contou Ana Maria.

Assim que soube da morte do filho, Ana foi ao hospital e, depois foi à delegacia da Polícia Civil do Maranhão em Presidente Dutra, onde tentou registrar um boletim de ocorrência com a versão dos familiares sobre o que se passou dentro de sua casa, mas o delegado César Ferro, segundo a mãe, se negou a registrar o documento. 

O delegado disse apenas que Hamilton havia sido “pego em flagrante”. “O delegado se recusou a fazer o BO. Disse que o Hamilton foi para cima dos policiais com uma faca. Só que como é que uma pessoa vai para cima de três policiais com uma faca? Quando eu perguntei se ele sabia que o meu filho tomava remédios para os problemas mentais, o delegado ficou quieto”. 

Segundo Ana Maria, o delegado não mostrou a suposta arma branca à família e nem disponibilizou nenhum mandado de prisão ou de busca e apreensão que justificasse a ida dos policiais civis até a casa da família. Além disso, o corpo de Hamilton logo foi retirado da casa e nenhuma perícia foi feita, de acordo com a mãe do rapaz. “Não mandaram ninguém fazer a perícia, mandaram outros policiais retirarem as cápsulas das armas. Eles não me deram a declaração de óbito”.

Hamilton morava com o avô, de 99 anos. Segundo a mãe do jovem, idoso viu a morte do neto, dentro da casa da família | Foto: Arquivo pessoal

No entendimento da mãe, seu filho deveria ter sido encaminhado a delegacia e não morto. “Poderiam ter chegado em casa, com mandado de prisão e levado à delegacia. Por que o meu filho não pode ter a defesa dele? Cadê a arma do crime? Cadê a faca? Qual foi o flagrante? Estar mexendo no celular na cama?”, questionou Ana Maria. 

Outro lado

Ponte procurou a Polícia Civil, por meio da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, mas não recebeu respostas sobre a morte de Hamilton, ao menos até a publicação desta reportagem.

A reportagem enviou as seguintes perguntas à Polícia Civil do Maranhão: 

Por que os policiais atiraram três vezes em Hamilton?

Quem são os policiais que atiraram em Hamilton?

Quais eram as denúncias anônimas contra Hamilton?

Por que o delegado se recusou a registrar boletim de ocorrência com a versão da família sobre a morte de Hamilton?

Também foi solicitada uma entrevista com o delegado César Ferro, mas ela não aconteceu.

Em nota publicada no Instagram, a Delegacia de Presidente Dutra informou que teve conhecimento, por meio de várias denúncias encaminhadas à polícia, “que Hamilton teria feito várias postagens nas mídias sociais, ameaçadoras, enaltecendo o criminoso Lázaro”.

“Teria publicado fotos segurando uma faca, dando a entender que faria algo semelhante, levando parte da população ao desespero. Foi determinado aos investigadores que fossem até o local e averiguassem a situação, já que, em tese, estaria praticando apologia ao crime, a princípio”.

Ainda segundo a nota, “quando os policiais civis chegaram à casa de Hamilton, o rapaz estava na companhia apenas de um senhor de 90 anos e não atendeu a ordem policial, tentando atacar os policiais, os quais, diante da situação apresentada, tiveram que efetuar disparos de arma de fogo contra o rapaz”. 

“Imediatamente, o rapaz foi socorrido pelos policiais ao Hospital Socorrão de Presidente Dutra, onde chegou com vida, mas, infelizmente, não resistiu aos ferimentos e veio ao óbito”, seguiu a Polícia Civil do Maranhão, no texto. 

“Lamentamos profundamente o falecimento do jovem, ao passo em que também nos solidarizamos com a família. Foi instaurado inquérito policial para apurar as circunstâncias da morte”, finaliza o texto da Polícia Civil maranhense. Na manhã desta segunda-feira (21/06), a postagem havia sido excluída da rede social da Delegacia.

Em sua conta no Instagram a Delegacia Regional de Presidente Dutra admitiu que invadiu a casa de Hamilton | Foto: Reprodução Instagram

A reportagem pediu esclarecimentos ao governador Flávio Dino, do Maranhão por e-mail e ligação telefônica, mas não houve respostas até o momento.

Trabalhador e querido no bairro

A morte de Hamilton, enterrado na sexta-feira (18/06), revoltou os moradores da região de Presidente Dutra. No sábado (19/06), vizinhos do jovem queimaram pneus na cidade. A família organiza uma nova manifestação para a próxima quarta-feira (23/06), na mesma cidade. 

Moradores de Presidente Dutra, no interior do Maranhão, atearam fogo em pneus em protesto contra a morte de Hamilton | Foto: Arquivo pessoal

Segundo Ana, Hamilton era muito querido entre os vizinhos e, apesar do déficit intelectual, trabalhava e estudava. “Ele era muito prestativo, muito trabalhador, era ajudante de pedreiro, pintava, capinava, todo mundo aqui viu ele crescer, ele respeitava as crianças, os mais velhos e estava acabando o ensino médio. Quando estava agitado, ele passava o dia na casa dos vizinhos. Ele era conhecido, fazia muita ‘macacada’, todo mundo gostava dele”.

A última vez que Ana viu o filho foi na terça-feira (15/06). “Estávamos almoçando na casa da minha mãe, ele estava brincando falando para o meu pai que tinha visto moças bonitas”, conta a mãe que agora quer justiça pela morte de seu filho. “Eu quero justiça, quero lutar pela memória do meu filho, sei que não vai trazer ele de volta. Eu sei que a batalha vai ser difícil, mas não vou desistir. Enquanto estiver viva, vou lutar pela memória do meu filho”. 

Por Beatriz Drague Ramos, da Ponte

Passageiros do Maranhão passarão por triagem a partir desta terça-feira

São Paulo começa nesta terça-feira (25) a triagem de passageiros vindos do Maranhão, estado onde foi detectada a variante indiana da covid-19. A barreira sanitária incluirá verificação de temperatura, busca por sintomas respiratórios, cadastro dos viajantes e monitoramento por até 14 dias.

De acordo com a prefeitura, a medida foi definida após reunião entre o município, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), governo do estado, e concessionárias que administram rodovias que dão acesso à capital. A prefeitura de Guarulhos, onde fica o aeroporto internacional, também participou.

O governo municipal apontou ainda que seguirá informe técnico orientando as estratégias, a ser divulgado pela Anvisa. A Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo destacou ainda que, nos aeroportos, “as diretrizes e coordenação das ações serão definidas pela Anvisa”.

“As medidas são essenciais no controle da população que chega à cidade de São Paulo, principalmente para evitar a entrada de novas cepas e aumentar o risco de um novo aumento de casos na capital”, informou a prefeitura em nota.

Ainda de acordo com o governo municipal, até o momento, não há evidência da circulação das cepas indianas no município.

Rodovias

Na Rodoviária do Tietê, equipes farão a triagem dos passageiros das 8h às 15h. Quem apresentar sintomas será encaminhado em ambulância da prefeitura para serviços de pronto atendimento municipais para fazer o teste RT-PCR.

A prefeitura oferecerá 30 vagas em hotéis próximos ao terminal rodoviário para isolamento das pessoas em risco social. Além disso, uma cartilha vai orientar os cuidados necessários para o isolamento domiciliar.

Nas rodovias, haverá distribuição de materiais informativos de prevenção e alertas nos painéis digitais das estradas. Será feita triagem nos postos de pesagem por onde passam os caminhoneiros. Os sintomáticos também serão testados. Além disso, será distribuído material informativo sobre cuidados e modos de prevenção.

Estado e Anvisa

Procurado pela Agência Brasil, o governo paulista informou que a Vigilância Epidemiológica do Estado e o Instituto Adolfo Lutz, em parceria com as prefeituras de São Paulo e Guarulhos, intensificaram as medidas de rastreamento de casos procedentes das regiões que têm registros da nova variante.

A reportagem também aguarda informações da Anvisa para detalhamento do plano nos aeroportos.

Por Camila Maciel, da Agência Brasil

Variante indiana: Paciente internado no Maranhão está em estado grave

(TV Mirante/Reprodução)

O paciente internado em São Luís infectado com a variante indiana do novo coronavírus, chamada de variante B.1.617.2, apresentou piora e precisou ser intubado. A Secretaria de Estado da Saúde (SES) do Maranhão confirmou a informação na noite de ontem (22).

O paciente indiano é tripulante do navio MV Shandong da Zhi, que está na área de fundeio, em alto mar, e não atracou no porto de São Luís. Ele está internado em um hospital da rede privada desde o dia 14. Já a confirmação da variante indiana ocorreu na quinta-feira (20), pelo Instituto Evandro Chagas (IEC), em Belém.

“Quanto ao único tripulante internado em Unidade de Terapia Intensiva no hospital da rede privada, em São Luís, o último boletim confirma que permanece com quadro clínico grave”, informo a SES em nota. Três tripulantes do navio chegaram a ser internados com sintomas da covid-19, mas dois tiveram alta no dia 18 e retornaram à embarcação.

Segundo a secretaria, o Laboratório Central de Saúde Pública do Maranhão (Lacen/MA) recebeu 102 amostras dos profissionais em contato direto e indireto com os tripulantes do navio e, após processar todas as amostras, encaminhará o material para IEC, para que seja feito o sequenciamento genômico.

Dos 23 tripulantes embarcados no MV Shandong da Zhi, 15 testaram positivo para a covid-19, mas estão assintomáticos e seguem em quarentena no próprio navio, isolados em cabines individuais. A secretaria continua monitorando todos os contactantes, por meio do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde.

Até o momento, não há confirmação de transmissão local da variante B.1.617.2 no Brasil. Ontem (22), o Ministério da Saúde anunciou o envio de 600 mil testes rápidos para identificar possíveis casos da variante indiana de covid-19 na capital maranhense.

Por Akemi Nitahara – Repórter da Agência Brasil

Maranhão começa vacinar trabalhadores do Porto do Itaqui

Lincoln Lisboa foi o primeiro funcionário da EMAP a ser vacinado (Foto: Divulgação) 

Começou, na manhã desta quinta-feira (20), a vacinação contra a Covid-19 para os trabalhadores do Porto do Itaqui. O secretário adjunto de Assistência em Saúde da Secretaria de Estado da Saúde (SES), Carlos Vinícius Quadros Ribeiro, participou do início da ação ao lado do presidente do Porto do Itaqui, Ted Lago. Neste primeiro dia foram convocados trabalhadores da Autoridade Portuária e do OGMO – Órgão Gestor de Mão de Obra do Itaqui.

Após a inclusão desse grupo como prioritário no Plano Nacional de Imunização (PNI), o Governo do Maranhão garantiu as doses. São profissionais que não pararam um só dia durante toda a pandemia, garantindo o abastecimento da população do Maranhão e da região e o equilíbrio da economia com as exportações.

A partir de segunda-feira (24) serão atendidos os trabalhadores das empresas e instituições com sede na poligonal do Porto do Itaqui, conforme chamada organizada pelas equipes da SES e representantes das empresas, com apoio do serviço médico da Empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP). Importante lembrar que há vacina para todos esses trabalhadores, que devem aguardar orientação de sua empresa sobre local, data e horário para receber a primeira dose.

“Hoje nós iniciamos com 120 doses em uma espécie de teste de como será a operação nos próximos dias. É de extrema importância vacinar as pessoas que estão ligadas à atividade portuária, que é um serviço essencial para a comunidade. Estamos aqui trazendo esperança e um pouco mais de segurança para esse grupo”, afirmou o secretário adjunto. 

“Conforme anunciou o governador Flávio Dino, estamos cumprindo mais uma etapa do PNI, com os trabalhadores portuários. Esse é também um reconhecimento a esses trabalhadores que seguiram em atividade, mesmo nos piores dias da pandemia, para que o porto não parasse, garantindo o abastecimento de insumos para o próprio combate a essa doença, como materiais de limpeza e higiene, alimentos, etc.”, disse Ted Lago.

Jouberth Mendes, representante do Sindicato dos Estivadores, foi o primeiro trabalhador portuário a receber a vacina nessa ação no Porto do Itaqui. “É muito significativo estar aqui agora porque eu represento uma categoria que atua no cais e nas embarcações. Ter essa proteção para nós e abrangendo toda a área portuária, as pessoas da área administrativa também e os demais trabalhadores, é uma honra!”, declarou.

Pela EMAP, o guarda portuário John Lincoln Pereira Lisboa foi o primeiro trabalhador a tomar a vacina. “Estou muito feliz agora. Minha esposa teve Covid-19 duas vezes e eu estava muito preocupado, mas graças a Deus ela também é trabalhadora portuária e vai chegar até ela a vacina. A gente está na linha de frente, todo dia, então é uma grande alegria receber essa dose”, contou aliviado.

Por Gov. do Estado do MA

Base de Alcântara: foguete pega fogo após interrupção de lançamento

Instalações do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão
(Arquivo/Agência Brasil)

Um foguete de treinamento sofreu um incêndio hoje (13) logo após ter seu lançamento interrompido na Base de Alcântara, no Maranhão. Segundo a Aeronáutica, o fogo foi controlado de imediato, evitando riscos aos profissionais envolvidos.

“Todos os procedimentos de segurança foram adotados e não houve riscos a nenhum dos profissionais envolvidos. Após a interrupção do lançamento, houve um pequeno incêndio, que foi prontamente controlado pelo pelotão contra incêndio. Uma comissão será designada para apurar as causas da ocorrência”, informou, por meio de nota, a Aeronáutica.

O Foguete de Treinamento Intermediário (FTI) faz parte da Operação Águia, iniciada no dia 9 de novembro, tendo por objetivo treinar equipes e testar equipamentos no Centro de Lançamento de Alcântara.

Foto mostra foguete lançado este ano (Arquivo/Reprodução)

 Por Pedro Peduzzi – Repórter da Agência Brasil 

Garotos vão à delegacia reclamar ‘apreensão’ de bola por vizinha

Garotos na sala do delegado com a bola nova que receberam dos policiais (Instagram/Reprodução)


Cinco garotos decidiram pedir ajuda da Polícia Civil após uma vizinha ter ‘apreendido’ a bola usada por eles para brincar na rua. O caso aconteceu em Presidente Dutra, interior do Maranhão, e ganhou visibilidade nas redes sociais e foi repercutido pelo UOL.

No perfil da delegacia no Instagram, o delegado Cesar Ferro contou o que havia acontecido. “Hoje essa turma procurou a Polícia Civil e informou que estava jogando bola na rua, oportunidade em que a vizinha pegou a bola por ter batido em sua porta”.

Os quatro garotos estavam inconformados por ter perdido a bola.

“Assim, pediram providência policial em razão da Subtração rsrsrsrs”, brincou no post o delegado.

Para resolver o problema, o delegado e os investigadores pediram para que as crianças descrevessem como era a bola que a vizinha havia ‘apreendido’.

“Relataram, ainda, que a bola estava bastante velha e murcha, mas era a única que tinham”.

Apesar de não ter havido um registro de ocorrência, os policiais compraram uma bola nova e a delegacia “intimou a vizinha para que não subtraia mais a bola”.

A publicação recebeu milhares de curtidas e você pode conferir abaixo.

https://www.instagram.com/p/B7HQrI-AZY4/

Após escapar de emboscada, indígena conta como foi ataque

Por Thiago Domenici e Vasconcelo Quadros

“A luta continua, não vamos parar. Mesmo que ele [Paulo Paulino] tenha morrido, mesmo que outros morram, enquanto tiver indígenas, enquanto tiver guerreiros, a luta vai continuar”, disse Laércio Guajajara ao cineasta Taciano Brito e à liderança indígena, Fabiana Guajajara.

Ambos estiveram com ele entre sexta e sábado, após o indígena receber alta do hospital na cidade de Imperatriz do Maranhão.

Laércio disse, ‘hoje caiu uma semente chamada Paulo mas vai germinar mais guerreiros’ (Patrick Raynaud/via Agência Pública/Reprodução)


À Pública eles contaram que Laércio, ferido, correu 10 quilômetros para escapar da emboscada que, na última sexta-feira à tarde, matou o indígena Paulo Paulino Guajajara, 26 anos, conhecido como “Lobo mau”. Os dois indígenas foram emboscados por cinco madeireiros dentro do território indígena Araribóia, no Maranhão.

Eles haviam partido da aldeia Lagoa Comprida, norte da TI, na região de Bom Jesus das Selvas, a 100 km do município de Amarante, para caçar. Naquele dia, eles não estavam fazendo o trabalho de guardiões da floresta, um grupo formado por mais de uma centena de indígenas que monitora o território Araribóia, onde vivem também os povos Awa-Guajá, para combater a retirada ilegal de madeira e focos de incêndio.

Segundo Laércio, a caça era para que eles próprios pudessem se alimentar e levar para a família. “Paulino tem um filho pequeno”, diz o cineasta, que está finalizando o documentário Iwazayzar – Guardiões da Natureza, sobre a batalha dos Guajajara para proteger seu povo, a terra sagrada, e seus parentes, os Awá Guajá.

Antes da caça, os dois indígenas buscaram água num lago — “a água deles tinha acabado e eles foram limpar uma cacimba para vir uma água nova. E foram tirando bota, tirando colete, essas coisas para depois ir caçar”, conta Taciano.

“Eles já estavam nesse processo e o Laércio ouviu um barulho no mato, algo se mexendo, que ele achou que fosse alguma caça, um porcão do mato”.

Foi quando cinco homens armados saíram da mata. “Começaram a atirar, numa distância não muito longe, e aí ele [Laércio] foi tentando se esconder, mas foi atingido no braço e, quando se deu conta, que olhou pro lado, o Paulino já tinha sido alvejado no rosto e já estava no chão”, diz Taciano.

“Ele ainda tentou puxar o Paulino pra perto dele mas viu que ele já estava morto. Ele ainda ficou mais um tempo ali tentando se esconder, e o pessoal atirando até que ele correu para tentar fugir e foi atingido nas costas”.

Segundo informações obtidas pela Pública, não há confirmação de que um dos não-indígenas foi baleado e nem de que seu corpo está desaparecido como foi divulgado ontem. A avaliação inicial da Polícia Militar de Amarante do Maranhão é de que houve uma emboscada, sem indício de confronto.

“Muita gente pensou que eles estavam fazendo uma ação e houve um desentendimento e houve troca tiros. Não foi. Eles estavam no nosso território, na nossa casa e o ódio dos madeireiros, dos invasores, é tão grande e estão tão incomodados com esse trabalho de proteção dos guardiões, que eles já estão chegando a esse ponto de fazer emboscada, de mandar pistoleiros. Laércio hoje é um milagre. Ele nasceu de novo nessa situação. Era para ele estar morto. Por que foram cinco pistoleiros para executar”, diz Fabiana Guajajara, liderança do território Araribóia de Laércio e Paulino.

Laércio, que sobreviveu ao ataque, vai ingressar no programa de proteção do governo do Maranhão. Desde que o programa entrou em vigência, em 2016, outros 14 índios, de diferentes etnias do Maranhão, estão sob proteção, segundo a Secretaria de Direitos Humanos.

Laércio foi ferido com dois tiros, um no braço e outro nas costas. “Ele ainda está se recuperando, mas está fora de perigo, de vez enquanto sangrava a ferida, está um buraco mas eles costuraram, com pontos. Mas sente muitas dores, o braço inchado”, contou Taciano, antes de avisar que ficaria sem sinal de celular — após o encontro com Laércio, o cineasta voltou ao território Arariboia para o funeral de Paulino.

Fabiana Guajajara afirma que apesar das graves ameaças, os guardiões não vão se intimidar. “Recentemente eles tinham queimado muitos caminhões, tratores de madeireiros, principalmente naquela região que é próxima a Buriticupu”, diz. Ainda segundo ela, Paulino “não foi primeiro, nem o segundo, nem o terceiro, mas é o quinto guardião que foi assassinado”. Ela pede justiça. “A gente não quer que a morte dele seja em vão. Mais um que se foi e fizeram pouco caso. A gente quer que tenha repercussão, sim. Que a luta dele valeu a pena e vale a pena”, afirma.

A TI onde houve o ataque foi homologada e registrada em 1990 com 413 mil hectares, onde vivem cerca de 6 mil indígenas Guajajara, ou Tenetehar, e Awá-Guajá livres, ou seja, em situação de isolamento voluntário.

Guardiões da floresta

As terras dos Guajajaras são vigiadas e protegidas pelos Guardiões da Floresta desde 2016 — papel que caberia ao Estado brasileiro. Em contato direto com invasores os “guardiões” se tornam alvo de criminosos.

O secretário de Direitos Humanos e Participação Popular do Maranhão, Francisco Gonçalves afirma que o agravamento dos conflitos que resultaram na morte de Paulo Paulino é resultado a postura adotada pelo governo Jair Bolsonaro. “Os conflitos são de décadas, mas se agravou este ano com o desmonte dos órgãos federais e o abandono das políticas de proteção aos povos indígenas. O discurso beligerante e de ódio que o governo Bolsonaro passa para os grupos criminosos funciona como um salvo-conduto para entrar em terras indígenas”, disse Gonçalves à Pública.

A região em que os índios foram emboscados, segundo ele, vem sendo invadida por pecuaristas, madeireiros e garimpeiros. Na floresta densa entre Amarantes e Bom Jesus da Selva vivem também grupos de índios isolados, que perambulam livremente sob o risco de serem encontrados por invasores. No sábado, a bordo de um helicóptero, o secretário percorreu a região do conflito, conversou com o sobrevivente, Laércio Souza Silva [nome oficial do Guajajara], e acompanhou o resgate do corpo de Paulo Paulino, o que, segundo Fabiana, levou mais de 10 horas devido ao difícil acesso.

“A gente pediu intervenção da polícia do Estado para fazer a atuação direta de buscar o corpo, porque se a gente fosse esperar a PF, o corpo ainda estaria lá”, diz a liderança indígena.

O secretário disse à reportagem que o clima é tenso nas comunidades indígenas e que há riscos de novos conflitos. “Nos preocupa muito a ausência de órgãos federais na proteção das comunidades”, avalia Gonçalves.

Em nota, a Polícia Federal informou que investigará a morte do líder indígena e que uma equipe de policiais da Superintendência Regional da PF no MA está se deslocando para a localidade para apurar as circunstâncias do fato. Até a tarde de ontem, porém, o secretário não tinha notícias desse deslocamento, mesmo depois do contato feito pelo secretário de Segurança do Maranhão, Jefferson Portela, com a Superintendência da PF em São Luiz e, mais tarde, com a delegacia de Imperatriz.

Embora a responsabilidade pela proteção das terras e comunidades seja atribuição da Polícia Federal, Francisco Gonçalves disse que os órgãos de direitos humanos e de segurança do Maranhão vão colaborar com os esforços e estão atuando conjuntamente para ampliar a estrutura de segurança nos limites da TI Araribóia. O governador do Maranhão, Flávio Dino, reiterou esse compromisso nas suas redes sociais.

A Secretaria de Segurança Pública também anunciou a criação de um núcleo de proteção indígena, que será formado por policiais treinados para atuar junto às comunidades indígenas, mas fora dos territórios e, segundo Gonçalves, respeitando as atribuições federais. O novo serviço será uma ampliação das atribuições atualmente exercidas pelo Batalhão Ambiental da Polícia Militar e pelo Corpo de Bombeiros.

“Vamos colaborar com os órgãos federais com o que for necessário”, afirmou o secretário. Segundo ele, o silêncio do governo federal diante da provável proliferação de conflitos deve, no entanto, resultar na intensificação das denúncias internacionais sobre a situação dos indígenas para aplicação das recomendações do Sínodo da Amazônia, encerrado com apelos de respeito à integridade e tradição das comunidades indígenas.

Entre janeiro e setembro de 2019, o Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, do Cimi, contabilizou 160 casos de invasão a 153 terras indígenas de 19 estados.


Reações de pesar e indignação

A liderança indígena Sônia Guajajara, da mesma TI de Paulino, está na Alemanha em reunião com lideranças e parlamentares de países europeus justamente para denunciar as mortes de indígenas no Brasil, sob a campanha “Sangue Indígena, nenhuma gota a mais”.

Sônia faz parte da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), que também publicou uma nota de repúdio e pesar pelo assassinato do guardião Guajajara. “Nossas terras estão sendo invadidas, nossas lideranças assassinadas, atacadas e criminalizadas e o Estado Brasileiro está deixando os povos abandonados a todo tipo de sorte com o desmonte em curso das políticas ambientais e indigenistas”, diz trecho da nota.

Organizações não governamentais como o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Instituto Socioambiental (ISA), entre outros, publicaram notas de pesar e repúdio ao Estado. O CIMI disse que a responsabilidade pela morte do indígena é do Estado e do governo federal. “As recorrentes falas do presidente da República contra a demarcação e regularização dos territórios, seguidas de um ambiente regional preconceituoso contra os indígenas, têm sido o principal vetor para invasões e violência contra os povos indígenas no Brasil”, diz a nota do CIMI.

A promessa de seguir vigiando o território feita por Laércio foi reforçada à Pública por Fabiana Guajajara. “Esse recado é nosso. Aqui dentro do nosso território todos somos guardiões. As mulheres, as crianças, os idosos. Laércio falou. Eu estou falando. O que eles querem é nos intimidar, é nos calar é fazer ter medo. E o que a gente precisa dar como resposta é dizer que, independente de quem morra, independente do que aconteça a gente vai dar continuidade a luta. E que hoje morreu um Paulino mas é uma semente. Laércio disse, ‘hoje caiu uma semente chamada Paulo mas vai germinar mais guerreiros’. Isso não vai nos enfraquecer”, afirmou.

*Reportagem publicada originalmente neste link: https://apublica.org/2019/11/sobrevivente-da-emboscada-indigena-guajajara-relata-o-que-viu/

Ex-aluno fatura R$ 360 mil com microfranquia de ‘inglês delivery’

João Marinho, franqueado da Top English, de 28 anos (Divulgação)

O interesse em aprender um novo idioma mudou completamente a vida de João Marinho. Em 2014, o jovem que trabalhava em uma multinacional de suprimentos, se matriculou em uma escola de inglês da Top English, rede de franquias de idiomas com mais de 30 unidades pelo país. Em pouco tempo, ele comprovou que o método de ensino funciona.

“Um dos grandes diferenciais da marca, é o seu método de ensino. Na Top English a conversação é desde o primeiro dia de aula. Além disso, praticamos o ‘inglês delivery’, isso é, o professor que vai até o aluno e não o contrário. Isso possibilita que os alunos tenham uma maior versatilidade de tempo para as aulas”, comenta João Marinho, administrador da franquia da Top English de São Luis, no Maranhao.

Aos poucos João fez das aulas mais do que algo de crescimento profissional individual. Ele decidiu deixar o posto de aluno para investir em uma franquia da Top English. Hoje, aos 28 anos de idade, com dois anos de atuação na cidade de São Luís, capital do Maranhão, mais de 200 alunos já passaram por sua escola –com um faturamento anual de mais de R$ 350 mil.

“Toda a estrutura dinâmica das aulas, com foco total nos resultados me fez ter a vontade de investir em uma de suas franquias. O objetivo é levar todo esse método de ensino para outras pessoas. A ideia deu certo e aquilo que começou com um professor hoje virou uma equipe composta por dez profissionais”, comenta João Marinho.

Na prática, para ser um franqueado da marca, não é necessário saber falar inglês. O primordial é que o investidor atue na coordenação da equipe de professores e também na prospecção de novos clientes.

“Investir em uma franquia da Top English foi uma decisão totalmente planejada e pensada. Além de ser uma área da qual gosto de atuar. Hoje tenho uma maior versatilidade de horário, caso comparado a trabalhar em franquias de outros segmentos. O objetivo agora é em um ano dobrar o faturamento”, conclui João.

O investimento inicial de uma franquia da Top English é de R$ 35 mil, com faturamento médio de R$ 20 mil por mês e a previsão média de retorno em 18 meses.

Apostador leva sozinho prêmio acumulado da Mega-Sena

Um apostador de São Luís, no Maranhão, acertou sozinho o concurso 2.062 da Mega-Sena e vai receber um prêmio de R$ 72 milhões. As dezenas sorteadas hoje (25) em Pouso Redondo (SC), foram: 08, 10, 15, 23, 25 e 34.

Se aplicado na poupança, o prêmio renderia quase R$ 268 mil por mês.

De acordo com a Caixa, o valor do prêmio acumulado é o segundo maior deste ano. O primeiro, de R$ 104,54 milhões, foi sorteado em 17 de fevereiro.

(Marcello Casal Jr./Agência Brasil)