Marcelo Queiroga, ministro da saúde, fala ao microfone diante de duas fotos do zé gotinha. Ze gotinha traz estampado na roupa a marca do Sistema Único de Saúde (sus)

Governo quer reduzir isolamento de pessoas com covid-19

O governo pode reduzir de 10 para cinco dias o prazo de quarentena de casos positivos assintomáticos, contaminados pela variante Ômicron do novo coronavírus. A informação foi dada na manhã desta sexta-feira (7) pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em entrevista na chegada ao Ministério.

Segundo Queiroga, ainda hoje ele vai se reunir com os chefes da Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 (Secovid) e da Secretaria de Vigilância Sanitária para tratar desse assunto. Eles também analisarão a possibilidade de permitir que servidores da área de saúde que tiveram diagnóstico positivo para a variante, mas que também não apresentem sintomas, possam fazer parte da linha de frente no atendimento aos pacientes com covid-19.

Marcelo Queiroga, ministro da saúde, fala ao microfone diante de duas fotos do zé gotinha. Ze gotinha traz estampado na roupa a marca do Sistema Único de Saúde (sus)
Marcelo Queiroga, ministro da Saúde (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

“Se eu não me engano, o CDC [Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos] já deu essa recomendação [reduzir o isolamento dos pacientes assintomáticos com Ômicron]. O governo francês está, inclusive, autorizando profissionais de saúde que estão positivos a atender na linha de frente, por conta do número de casos. Então, isso está sendo analisado”, adiantou.

Aos jornalistas, Queiroga ressaltou que há relatos na comunidade científica sobre a segurança de se adotar a redução da quarentena e a colocação de servidores assintomáticos no atendimento direto aos pacientes com covid-19. “Possivelmente [o Brasil vai seguir essas medidas], porque isso está sendo adotado em outros países e tem assento em evidências científicas. E aí é possível que nós adotemos a mesma conduta. Isso naturalmente que está em estudo na área técnica, na Secretaria de Vigilância em Saúde, na Secovid. Hoje eu tenho uma reunião com os secretários justamente para tratar sobre esses temas”, acrescentou.

Testagem

O ministro da Saúde disse ainda que a pasta pretende aumentar a testagem da população. “É necessário fazer a testagem para identificar o aumento no número de casos e fazer o isolamento das pessoas que estão positivas, não é só testar por testar”, avaliou Queiroga.

Ômicron

Queiroga estimou que em até 30 dias o governo terá informações mais claras sobre os perigos relacionados à variante Ômicron. “Vamos esperar mais três ou quatro semanas para se ter uma ideia mais definitiva com relação ao potencial de letalidade”, disse o ministro.

Região Norte

Na visão do ministro, o combate ao crescimento de covid-19 e influenza devem priorizar a região Norte. “O que nos preocupa mais é a região Norte porque as coberturas vacinais são cronicamente mais baixas, e porque o sistema de saúde é mais frágil”, justificou.

Carnaval

Queiroga comentou o cancelamento do carnaval de rua em várias cidades pelo Brasil. Ele ressaltou que “o Ministério nunca estimulou” a realização de grandes eventos ao longo da pandemia.

Estados e municípios

Marcelo Queiroga cobrou uma melhor gestão de estados e municípios para ações de combate à pandemia e disse que os entes também devem empregar parte dos orçamentos no controle do crescimento dos casos de covid-19 no país, assim como para o aumento da disseminação do influenza. “O SUS é tripartite, e estados e municípios também devem alocar parte dos seus orçamentos para enfrentamento da pandemia de covid-19. Não é só o tempo inteiro cobrar do Ministério da Saúde e lá na ponta adotar medidas de acordo com a sua ideia”, criticou.

Vazamento

Sobre o vazamento de dados de médicos pró-vacina que participaram da audiência pública sobre vacinação de crianças, organizada pelo Ministério na última terça-feira (4), o ministro afirmou que o vazamento não é de responsabilidade da pasta.

Ele insistiu que questionamentos devem ser feitos à deputada federal Bia Kicis (PSL-DF), que teria compartilhado os dados dos médicos, como números de telefone celular, e-mail e CPF. “Eu não estava na audiência pública. Você tem que questionar a deputada Bia Kicis. A audiência pública não aconteceu no ministério, então não saiu de dentro ministério. A audiência aconteceu na Opas”, disse Queiroga acrescentando que é ministro da Saúde, e não “fiscal de dados do ministério”.

Pelo Twitter, a deputada ironizou as críticas sobre o vazamento. “Tanto interesse em saber quem vai se responsabilizar por um suposto vazamento de dados de um documento de médicos e nenhum interesse em saber quem vai se responsabilizar por eventuais danos por efeitos colaterais das vacinas em nossas crianças”, disse.

Por Karine Melo, da Agência Brasil

Marcelo Queiroga, ministro da saúde, fala ao microfone diante de duas fotos do zé gotinha. Ze gotinha traz estampado na roupa a marca do Sistema Único de Saúde (sus)

Ministério da Saúde sofre segundo ataque hacker

O Ministério da Saúde sofreu o segundo ataque hacker em três dias, afirmou o chefe da pasta, Marcelo Queiroga. O ataque ocorreu entre domingo (12/12) e segunda-feira (13/12), e parte dos sistemas internos está indisponível, segundo o ministro.

Após a Saúde inicialmente negar o ocorrido ao longo do dia, afirmando apenas que o sistema DataSUS estava em manutenção, Queiroga admitiu o ataque, mas afirmou que este teve menor impacto que o da última sexta-feira.

“Em relação a esse [segundo ataque], foi algo de menor monta e estamos trabalhando para recuperar isso o mais rápido possível”, disse o ministro.

Marcelo Queiroga, ministro da saúde, fala ao microfone diante de duas fotos do zé gotinha. Ze gotinha traz estampado na roupa a marca do Sistema Único de Saúde (sus)
Marcelo Queiroga, ministro da Saúde (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Após as declarações de Queiroga, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) divulgou uma nota informando que “incidentes cibernéticos contra órgãos de governo em ambiente de nuvem” ocorreram na sexta-feira. Segundo o GSI, o governo está atuando “de forma coordenada para a retomada dos serviços, que estão sendo reativados à medida em que o tratamento ocorre”.

Além da Saúde, a Controladoria Geral da União, a Polícia Rodoviária Federal e o Instituto Federal do Paraná confirmaram que tiveram seus sistemas invadidos.

No domingo, o Ministério da Saúde informou que finalizou com sucesso o processo para recuperação dos registros dos brasileiros vacinados contra a covid-19. Segundo nota divulgada pela pasta, não houve perda das informações, e todos os dados foram recuperados.

O sistema havia sido alvo de supostos hackers na madrugada de sexta-feira. Os invasores chegaram a publicar uma mensagem que afirmava que os “dados internos dos sistemas” haviam sido “copiados e excluídos”. Com isso, plataformas como DataSUS, Painel Coronavírus e Conecte SUS ficaram fora do ar.

Um grupo que autointitula “Lapsus$ Group” assumiu a autoria do “ransomware”, uma modalidade de ataque cibernético em que um site ou sistema é “sequestrado” ou paralisado até o pagamento de um pedido de resgate. A Polícia Federal abriu inquérito para apurar o caso e avaliar o alcance do ataque cibernético.

Nesta segunda, dados sobre vacinação continuavam indisponíveis pelo quarto dia no aplicativo ConecteSUS, usado para emitir comprovantes de imunização. Outras plataformas, incluindo o Painel Coronavírus, que apresenta números de mortes e casos da covid-19 no Brasil, também continuavam fora do ar.

Queiroga indicou que o novo ataque pode atrasar os planos de restabelecer os sistemas nesta terça. “Falei que até amanhã. Aí houve esse outro ataque. Infelizmente somos vítimas dessas figuras”, disse.

Ataque em meio a ofensiva do governo contra passaporte

Os ataques ocorreram num momento em que o governo de Jair Bolsonaro tentava contornar medidas delineadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para conter a pandemia, entre elas a instituição de um passaporte da vacina para viajantes.

Em vez de adotar uma obrigatoriedade exclusiva do passaporte de vacinação, o governo Bolsonaro tentou emplacar como alternativa uma quarentena de meros cinco dias para viajantes que ingressassem no país sem comprovante de vacinação, uma medida encarada pela comunidade científica como pouco séria, já que seria difícil fiscalizar milhares de pessoas que teriam que ficar em isolamento.

Mas até mesmo essa medida considerada pouco eficiente acabou sendo deixada de lado após o ataque ao site do Ministério da Saúde, e a pasta decidiu inicialmente adiar para o próximo sábado (18/12) a exigência da quarentena para viajantes que não apresentassem comprovante.

No entanto, no último sábado o Supremo Tribunal Federal (STF) entrou em cena e determinou que passageiros internacionais que cheguem ao Brasil apresentem comprovante de vacinação contra o coronavírus – enterrando por enquanto o plano do governo em oferecer a quarentena como alternativa. Dessa forma, estrangeiros sem comprovante vacinal não poderão entrar no Brasil – salvo algumas exceções.

Nesta segunda, a Anvisa notificou os postos dela nas fronteiras para que exijam o passaporte de vacinação contra a covid-19 dos viajantes que quiserem entrar no Brasil.

No mesmo dia, a Advocacia-Geral da União (AGU) pediu ao STF para que brasileiros vindos do exterior que não tenham o passaporte de vacinação possam entrar no Brasil após cinco dias de quarentena e testagens.

A AGU argumentou que a determinação do STF não foi clara em relação aos brasileiros que residem no exterior, e também pediu a Barroso que altere a decisão para garantir que residentes no Brasil possam retornar ao país desde que cumpram a quarentena prevista. O governo pediu ainda que o comprovante de recuperação da covid-19 seja aceito como alternativa para entrar no país.

Por Deutsche Welle
lf (ABR, ots)

Marcelo Queiroga, ministro da saúde, fala ao microfone diante de duas fotos do zé gotinha. Ze gotinha traz estampado na roupa a marca do Sistema Único de Saúde (sus)

Dose de reforço contra covid-19 será aplicada em todos os adultos

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou nesta terça-feira (16/11) que o governo brasileiro vai oferecer a dose de reforço – a terceira no processo de imunização contra o coronavírus Sars-CoV-2 – a todos os adultos maiores de 18 anos no país. 

Até o momento, a dose de reforço estava disponível apenas para idosos com mais de 60 anos, profissionais da área de saúde e imunossuprimidos (pacientes que obtiveram um transplante ou portadores de HIV, por exemplo). 

Marcelo Queiroga, ministro da saúde, fala ao microfone diante de duas fotos do zé gotinha. Ze gotinha traz estampado na roupa a marca do Sistema Único de Saúde (sus)
Marcelo Queiroga, ministro da Saúde (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Durante o lançamento da campanha Mega Vacinação, a qual deve ocorrer entre 20 e 26 de novembro a fim de estimular ainda mais a imunização contra a covid-19, a pasta também anunciou que o intervalo entre a segunda e a terceira doses será reduzido de seis para cinco meses, e que há vacinas suficientes para atender à demanda.

O ministro destacou ainda a importância de se completar o ciclo vacinal com a segunda dose. Conforme a pasta, mais de 21 milhões de brasileiros precisam retornar aos postos de saúde para tomar a dose complementar porque não voltaram para tomar a segunda injeção na data prevista.

Também segundo o governo, mais de 12 milhões de pessoas estão aptas a tomar a dose de reforço (a terceira).

Vacina da Janssen também deverá ter reforço

Outra mudança anunciada pela pasta diz respeito à vacina da Janssen que era aplicada em dose única e passará a ter duas doses.

“No início, a recomendação era de que esta vacina fosse de dose única. Hoje, sabemos que é necessária esta proteção adicional. Então, quem já tomou a Janssen, agora vai tomar a segunda dose do mesmo imunizante. E, lá adiante, cinco meses após [a segunda dose], um reforço com imunizante diferente”, disse Queiroga. A segunda dose da Janssen deverá ser ministrada a partir de dois meses da primeira aplicação. 

Brasil ultrapassa EUA em imunização

Nesta semana, o Brasil atingiu a marca de quase 60% da população totalmente vacinada contra a covid-19, ultrapassando, assim, os Estados Unidos – que têm quase 58% – no esquema completo de vacinação. Os dados são do site Our World in Data, criado em 2011 sob tutela da Universidade de Oxford. 

No mais recente balanço, divulgado nesta segunda-feira (15/11), o Brasil registrou 63 mortes por covid-19 e 2.799 novos casos da doença. Com mais de 600 mil óbitos, o país já contabiliza quase 22 milhões de infectados desde o início da pandemia.

Por Deutsche Welle
gb/rk (Reuters, Abr, ots)

Queiroga volta ao Brasil após isolamento nos Estados Unidos

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, desembarcou na manhã desta segunda-feira (04/10) no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, seguindo viagem para Brasília. Ele retornou ao Brasil após receber resultado negativo em novo teste para covid-19 realizado nos Estados Unidos, onde ficou em isolamento durante mais de dez dias.

Queiroga foi diagnosticado com covid-19 em 21 de agosto. Ele integrou a comitiva brasileira que foi aos EUA acompanhando a participação do presidente Jair Bolsonaro na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), mas acabou não voltando ao Brasil com o restante da delegação, devido ao diagnóstico, permanecendo isolado no hotel onde Bolsonaro também esteve hospedado. Mais tarde, ele trocou de hospedagem para um lugar de preço mais barato.  

Neste domingo, o ministro já havia indicado que estava próximo de voltar ao país. “Meu novo exame de RT-PCR deu negativo para a covid-19. Em breve retorno ao BR! Agradeço a todos que enviaram boas vibrações. Vamos em frente!”, escreveu Queiroga em uma rede social. Este foi o terceiro teste feito por Queiroga. Os dois primeiros haviam dado positivo.

Quatro infectados na comitiva

Queiroga já tinha sido imunizado com duas doses de vacina contra a covid-19. Na chegada a Guarulhos, Queiroga falou brevemente com jornalistas e disse que teve sintomas da doença apenas no início da infecção, afirmando que sua agenda nesta segunda-feira “é dormir”.

Um total de quatro dos 18 membros da comitiva de Bolsonaro aos EUA testaram positivo. Além de Queiroga, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, e um diplomata que ajudou a organizar a viagem também contraíram a doença.

Os ministros Bruno Bianco, da Advocacia-Geral da União (AGU), e Tereza Cristina, da Agricultura, que não foram aos EUA mas que estiveram em ambientes por onde passaram membros da comitiva, também testaram positivo para o coronavírus.

Por Deutsche Welle
md/lf (ots)

Ministro da Saúde está com covid-19

Marcelo Queiroga, ministro da Saúde, é o único que aparece de máscara durante encontro de Bolsonaro com Boris Johnson, um dia antes de testar positivo para covid-19 (Alan Santos/PR)

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou, por meio de suas redes sociais, que testou positivo para a covid-19. Queiroga fez parte da comitiva do presidente Jair Bolsonaro que esteve em Nova York (EUA) para a a 76ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). O ministro disse que “ficará em quarentena nos EUA, seguindo todos os protocolos de segurança sanitária”. “Enquanto isso, o Ministério da Saúde seguirá firme nas ações de enfrentamento à pandemia no Brasil.”

Em nota, a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) informou que os demais integrantes da comitiva realizaram o exame e testaram negativo para a doença e que o ministro passa bem.

Bolsonaro e o restante de sua comitiva embarcaram na noite desta terça-feira (21) para o Brasil. O presidente fez o discurso de abertura da sessão de debates da 76ª Assembleia Geral da ONU. Em seu discurso, Bolsonaro disse que o Brasil está trabalhando na atração de investimentos da iniciativa privada e que possui “tudo o que investidor procura: um grande mercado consumidor, excelentes ativos, tradição de respeito a contratos e confiança no nosso governo”. 

Além de fazer o discurso de abertura, o presidente também se encontrou com o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Boris Johnson, para tratar com  as relações comerciais entre os dois países e o fortalecimento da parceria bilateral, e com o presidente da Polônia, Andrzej Duda, para tratar, entre outros temas, do acordo Mercosul-União Europeia.

Por Agência Brasil

Na CPI, ministro da Saúde compara Bolsonaro a fumante incorrigível

Marcelo Queiroga, ministro da Saúde (Jefferson Rudy/Agência Senado)

Em seu segundo depoimento à CPI da Pandemia, nesta terça-feira (08/06), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, insistiu na tecla de que tem autonomia em sua pasta, mas que isso não significa “carta branca” e que ele não atua como um “censor” do presidente Jair Bolsonaro.

A questão da autonomia de Queiroga se tornou central para os senadores na CPI em meio às suspeitas de que haja um “gabinete paralelo”, uma espécie de centro de aconselhamento para temas da pandemia à parte da estrutura do Ministério da Saúde.  

Nesse contexto, Queiroga foi seguidas vezes indagado, por exemplo, a explicar por que Bolsonaro continua a se recusar a usar máscaras e a evitar aglomerações, embora tratem-se de medidas simples, segundo infectologistas e o próprio ministro, para evitar a propagação do vírus.

Queiroga, então, disse que não é “um censor do presidente e que “as recomendações sanitárias estão postas, cabe a todos aderir”a elas. Depois, comparou o presidente a um fumante incorrigível.  

“Tem paciente, como cardiologista, que eu já orientei o sujeito a parar de fumar de maneira reiterada. E o camarada não deixa de fumar. Ele morre fumando e eu não abandono ele. Então eu vou ficar insistindo até o final do meu mandato”, afirmou.

Questionado se faz orientações a Bolsonaro, o ministro disse que já falou com ele sobre o assunto, mas que a forma como ele age é “individual”. “As imagens falam por si só”, afirmou, após assistir a imagens de Bolsonaro, sem máscara, gerando aglomeração.

Um ministério sem infectologistas

Os senadores também interrogaram Queiroga sobre a demissão da médica Luana Araújo, apenas dez dias após ser anunciada como secretária de enfrentamento à pandemia.

Queiroga admitiu não ter médicos infectologistas na sua equipe direta, mas alegou que isso vem de gestões anteriores. 

Ele disse, então, que não nomeou Luana Araújo porque suas posições não contribuíam para “harmonizar” as diferenças na classe médica sobre medicamentos sem eficácia comprovada para a covid-19.

Na semana passada, também à CPI, Araújo havia dito que Queiroga vetou seu nome porque ele não seria aprovado no governo. Nesta terça, Queiroga afirmou que a decisão foi totalmente sua.

“Eu entendi que, naquele momento, a despeito da qualificação que a dra. Luana tem, não seria importante a presença dela para contribuir para harmonização desse contexto. Então, no ato discricionário do ministro, decidi não efetivar a sua nomeação”, afirmou.

Em 26 de maio, na Câmara dos Deputados, Queiroga também havia se manifestado obre a dispensa de Luana Araújo. Na ocasião, ele disse que para uma pessoa ser efetivada eram necessárias a validação “técnica” e a “política”.

Ministro admite ineficácia da cloroquina

Queiroga afirmou que remédios como hidroxicloroquina e ivermectina “não têm eficácia comprovada” no tratamento da covid-19.

O relator da CPI, Renan Calheiros, perguntou então por que uma nota de 2020 que orienta sobre doses de cloroquina a serem usadas nos pacientes que contraíram o coronavírus não é retirada do ar.

“A nota informativa perdeu o objeto”, afirmou Queiroga, que, no primeiro depoimento, havia evitado se posicionar sobre o uso da cloroquina.

“Essas medicações não têm eficácia comprovada”, afirmou o ministro. “Se eu ficar discutindo a discussão do ano passado, eu não vou em frente”.

Apesar de vários estudos terem apontado sua ineficácia contra o coronavírus, a cloroquina foi não só defendida, como também promovida por Bolsonaro desde o início da pandemia.

Defesa da Copa América

O ministro da Saúde afirmou que as práticas esportivas estão liberadas no Brasil e que não existe provas que ele aumenta o risco de contaminação pela covid-19. Por isso, completou, não vê problemas na realização da Copa América do Brasil, decisão que foi criticada por epidemiologistas, políticos e que gerou mal-estar entre os próprios jogadores brasileiros.

“O esporte está liberado no Brasil e não existe provas de que essa prática aumenta o nível de contaminação dos atletas”, afirmou. “Não vejo do ponto de vista epidemiológico uma justificativa contrária à realização do evento. O risco de a pessoa contrair covid-19 será o mesmo com o jogo ou sem o jogo”, completou

Quando foi confirmada para o Brasil, a realização da Copa América foi amplamente criticada por epidemiologistas. Eles consideram que o risco de transmissão não está ligado diretamente aos atletas em campo, que são submetidos a testagem frequente, mas ao cenário em que mais pessoas estarão circulando nas ruas. E isso no momento em que deveria estar ocorrendo o contrário. A vacinação avança com dificuldade, e o próprio ministro Queiroga admitiu que o país pode estar diante de uma nova onda de infecções.

Por Deutsche Welle
rpr (ots)

CPI da covid-19 ouve Marcelo Queiroga, ministro da Saúde

Marcelo Queiroga, ministro da Saúde (Marcos Oliveira/Agência Senado)

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, prestou depoimento nesta quinta-feira (06/05) à Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga a gestão governamental da pandemia de covid-19. Ele tentou evitar responder perguntas sobre a responsabilidade do presidente Jair Bolsonaro e irritou os senadores da CPI.

Queiroga foi pressionado para que se posicionasse sobre o uso da cloroquina no combate ao coronavírus, mas ele se recusou, afirmando se tratar de uma questão técnica. Ele, porém, disse que não autorizou a distribuição do tratamento ineficaz.

O ministro assumiu o cargo no dia 23 de março, após a demissão do general Eduardo Pazuello, Ao contrário de seu antecessor, Queiroga tem currículo na área médica. É presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e diretor do Departamento de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista de um hospital em João Pessoa.

Ele apoiou a candidatura de Jair Bolsonaro em 2018 e integrou a equipe de transição do então presidente eleito. Antes de assumir o ministério, Queiroga chegou a fazer declarações pró-ciência, mas nas últimas semanas tem alinhado o discurso com Bolsonaro.

A CPI da Pandemia já ouviu os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta  e Nelson Teich. O depoimento de Pazuello, cuja gestão foi marcada por entraves à vacinação e recorde de mortes e casos, será no dia 19 de maio.

O depoimento do presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa),que estava marcado para esta quinta-feira, foi adiado para a próxima terça.

Abaixo, os principais pontos do depoimento de Queiroga:

Cloroquina

Queiroga foi pressionado para esclarecer seu posicionamento em relação à cloroquina, o medicamento promovido pelo presidente Jair Bolsonaro no combate à covid-19, embora não haja evidências científicas que comprovem sua eficácia.

O ministro disse que não sofreu pressão de Bolsonaro para ampliar o uso da cloroquina ou hidroxicloroquina.

Ao ser perguntado se compartilhava da opinião do presidente sobre o medicamento, ele se recusou a responder. “Essa é uma questão técnica que tem que ser enfrentada pela Conitec [Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias] no SUS. O ministro é a última instância na Conitec, então eu vou precisar me manifestar tecnicamente.”

O presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), e o relator Renan Calheiros (MDB-AL) se irritaram com a resposta do ministro. “Até minha filha de 12 anos falaria sim ou não”, disse Aziz. No entanto, Queiroga não respondeu à pergunta e pediu que os senadores compreendessem sua posição como gestor sanitário.

O ministro disse que não sabe se seu ministério realiza a distribuição de hidroxicloroquina para estados e municípios. “Não autorizei distribuição de cloroquina na minha gestão”, afirmou. “Não tenho conhecimento de que está havendo distribuição de cloroquina na nossa gestão.”

Isolamento social

O ministro evitou comentar a fala de Bolsonaro, na qual o presidente sugeriu um novo decreto contra políticas de isolamento social. “Não vou fazer juízo de valor”, disse após a insistência de Renan Calheiros.

Queiroga disse apenas que o presidente se preocupa com a liberdade das pessoas, e que concordaria com isso, e que não foi consultado sobre o assunto.

Polêmicas com a China

Queiroga foi questionado pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) sobre a fala de Bolsonaro, que insinuou que a China teria criado o coronavírus. O ministro disse que desconhece “indícios de guerra química na China”.

“É um vírus novo, ninguém sabe se nasceu em laboratório ou por algum ser humano que ingeriu um animal inadequado. Mas está aí. Os militares sabem que é guerra química, bacteriológica e radiológica. Será que não estamos enfrentando uma nova guerra?”, disse Bolsonaro nesta quarta-feira. “Qual o país que mais cresceu seu PIB? Não vou dizer para vocês”, afirmou a repórteres.

Queiroga tentou suavizar a questão, ao dizer que espera que as relações com o país asiático sejam boas. “Eu espero que essas relações continuem de forma positiva e não tenhamos impacto para nossa campanha de vacinação.”

Tratamento precoce x vacina

O ministro minimizou o chamado tratamento precoce contra a covid-19, defendido pelo presidente e seus aliados, e ressaltou a importância da vacinação e medidas como o distanciamento e uso de máscaras.

“Há um agrupamento de colegas que defendem fortemente esse chamado tratamento precoce com esses fármacos e há outros colegas que se posicionam contrariamente, e o Ministério da Saúde quer acolher todos para que cheguemos a um consenso. Essa questão do tratamento precoce não é decisiva no enfrentamento a pandemia, o que é decisivo é justamente a vacinação e as medidas não farmacológicas”, afirmou.

“Temos que orientar a população a aderir às medidas não-farmacológicas que parecem simples, e são simples. É necessário reforçar de forma reiterada, por exemplo, o uso da máscara”, disse o ministro em outro momento do depoimento.

As medidas não farmacológicas incluem o uso de máscaras e o distanciamento social, práticas recomendadas pelos profissionais de saúde, mas desprezadas por Bolsonaro e seu círculo.

Em relação ao uso de medicamentos off label [não prescritos em bula] como o antiparasitário ivermectina, Queiroga repetiu a resposta sobre o uso de cloroquina, afirmando que há duas correntes, uma favor e outra contra, a aplicação de medicamentos não comprovados.

“A solução que o Ministério da Saúde tem para resolver essa questão é a elaboração de um protocolo clínico e diretrizes terapêuticas”, disse Queiroga. Ele afirmou que essas questões devem ser discutidas colocadas para consulta pública.

Por Deutsche Welle

rc (OTS)

Pandemia: Ministério da Saúde diz que vai fazer testes na população

Marcelo Queiroga, ministro da Saúde (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse hoje (28) que o governo federal lançará um programa de testagem da população para covid-19. O anúncio foi feito em pronunciamento após a terceira reunião do Comitê de Coordenação Nacional para Enfrentamento da Pandemia da Covid-19, no Palácio do Planalto. Ainda não há data para início do programa.

Segundo Queiroga, o objetivo é conseguir identificar os casos positivos e seus contactantes para que se possa adotar uma política mais efetiva de quarentena para os indivíduos afetados pela covid-19 e, assim, reduzir a transmissão da doença. Ele explicou que o programa usará testes antígenos para detecção do vírus, que têm resultados mais rápidos do que o teste de RT-PCR.

O teste de antígeno é um exame imunológico rápido, que avalia a proteína viral do SARS-CoV-2 no organismo. O resultado demora, em média, 30 minutos e pode diagnosticar a infecção viral atual, mas não detecta os anticorpos adquiridos. A utilização desse teste é indicada nos primeiros 7 dias de sintomas, com sensibilidade mais elevada do primeiro até o terceiro dia de sintomas. O teste é coletado diretamente com amostras de swab (cotonete) de nasofaringe.

Queiroga também reiterou as recomendações de uso de máscaras e do distanciamento social – chamadas de medidas não farmacológicas. “As medidas não farmacológicas, associadas a uma ampla campanha de vacinação são as duas armas que temos para pôr fim a essa pandemia. Nesse sentido, é importante a adesão da nossa população. Não adianta ficar esperando só pelos governos federal, estaduais e municipais, todos nós temos que nos comprometer com essa iniciativa”, disse.

Reunião com a OMS

Na próxima sexta-feira (30), o ministro da Saúde também vai participar de uma reunião com o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom. Para ele, é importante essa relação multilateral com outros organismos da saúde, “seja pela troca de conhecimento científico, seja pela possibilidade de ajuda dessas instituições na busca por insumos estratégicos, seja em relação a pesquisas”.

Nesse sentido, ele informou que a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) aprovou uma pesquisa, a ser realizada no Brasil, sobre a efetividade da vacina Covishield, desenvolvida pela Universidade de Oxford, em parceria com a farmacêutica britânica AstraZeneca, e produzida no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A pesquisa será conduzida pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), Fiocruz e Oxford, com apoio do Ministério da Saúde e da Embaixada do Reino Unido no Brasil.

“Então, vamos avançar na pesquisa, na aplicação de condutas baseadas na ciência, na procura do diálogo com as sociedades científicas e com a sociedade civil brasileira e com apoio da imprensa, levando informações que sejam úteis para nossa sociedade”, completou o ministro.

Questionado sobre a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, que foi instalada ontem (28) no Senado, Queiroga disse que, quando for convocado, prestará todas as informações solicitadas, como vem fazendo. O primeiro a ser ouvido pelo colegiado, na semana que vem, será o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que comandava a pasta no início da crise sanitária.

Vacinação

O Ministério da Saúde também anunciou a antecipação da entrega de 2 milhões de doses de vacinas do consórcio Covax Facility de junho para maio, totalizando, então, 4 milhões de doses do consórcio no próximo mês. De acordo com o contrato de adesão do Brasil à iniciativa, firmado em 25 de setembro de 2020, o país terá acesso a 42,5 milhões de doses de vacinas contra a covid-19.

A Covax Facility é uma aliança internacional da OMS que tem como principal objetivo acelerar o desenvolvimento e a fabricação de vacinas contra a covid-19 e garantir acesso igualitário à imunização. A projeção é que sejam enviadas 330 milhões de doses das vacinas da Pfizer/BioNTech e Oxford/AstraZeneca na primeira metade de 2021 para 145 países integrantes da aliança, que reúne mais de 150 nações.

Segundo Queiroga, o Ministério da Saúde também atualizará semanalmente o cronograma da vacinação, com as doses confirmadas e as que devem ser entregues ao longo do ano.

Pressão no sistema

O ministro da Saúde avalia ainda que o Brasil já está assistindo a uma queda no número de casos por covid-19 e, consequentemente, de óbitos pela doença, apesar de ainda ser um número elevado. “Mas a queda tem causado menor pressão sobre o nosso sistema de saúde e diversos estados já têm uma situação mais confortável de disponibilidade de leitos de terapia intensiva”, disse.

Da mesma forma, segundo ele, há uma menor pressão por insumos estratégicos como oxigênio e kits de intubação no sistema público de saúde (SUS). Ainda assim, o governo federal continua trabalhando para manter em dia os estoques e a distribuição desses produtos.

Protocolos clínicos

O governo federal também espera a aprovação do Projeto de Lei nº 415/2015, que trata do aprimoramento das avaliações econômicas realizadas no âmbito da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). Segundo Queiroga, o projeto será importante para a elaboração de protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas que sejam úteis, na prática. Nesse sentido, o governo quer aprovar um protocolo para o tratamento da covid-19.

Enquanto o projeto não é aprovado, o Ministério da Saúde está editando notas técnicas de recomendação acerca do tratamento, uma parceria com técnicos da pasta e as sociedades científicas com liderança do pneumologista e professor da Universidade de São Paulo (USP), Carlos Carvalho. Dois textos já foram editados.

O primeiro trata da otimização do uso do oxigênio e da intubação orotraqueal. Queiroga explica que a intubação é um procedimento rotineiro em paciente com insuficiência respiratório, mas que, nos pacientes com covid-19, requer algumas peculiaridades. “O paciente pode perder a vida durante a intubação, de tal maneira que resolvemos dar uma padronização em relação a essa conduta”, disse.

A outra nota técnica diz respeito à segunda dose da vacina CoronaVac, produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, em parceria com o laboratório chinês Sinovac. Segundo o ministro, devido a atrasos no cronograma de entrega em razão de problemas com os insumos de fabricação vindo da China, muitas pessoas fizeram a primeira dose, mas não conseguiram a segunda no prazo de até um mês, como recomendado. A nova nota indica que, independentemente do prazo, a segunda dose do imunizante deve ser aplicada, assim que estiver disponível. “Esperamos que na semana que vem sejam distribuídas doses de CoronaVac suficientes para que haja a regularização nacional da segunda dose”, disse.

Doenças prevalentes

O ministro garantiu que o governo está atento ao aumento de óbitos por outras doenças prevalentes na população, como as cardiovasculares, e está trabalhando em estratégias para garantir assistência à população para tratamento dessas enfermidades.

Segundo Queiroga, todos os anos, mais de 380 mil pessoas morrem de doenças cardiovasculares, sobretudo infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC). Entretanto, na primeira onda de covid-19, no ano passado, houve uma redução nas notificações desses óbitos no âmbito do sistema de saúde e um aumento de óbitos por doenças inespecíficas fora do ambiente hospitalar. “Esse fenômeno pode ser repetir em 2021, até com frequência maior”, alertou sobre a importância da continuidade da atenção à saúde.

Por Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil