Na CPI, ministro da Saúde compara Bolsonaro a fumante incorrigível

Marcelo Queiroga, ministro da Saúde (Jefferson Rudy/Agência Senado)

Em seu segundo depoimento à CPI da Pandemia, nesta terça-feira (08/06), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, insistiu na tecla de que tem autonomia em sua pasta, mas que isso não significa “carta branca” e que ele não atua como um “censor” do presidente Jair Bolsonaro.

A questão da autonomia de Queiroga se tornou central para os senadores na CPI em meio às suspeitas de que haja um “gabinete paralelo”, uma espécie de centro de aconselhamento para temas da pandemia à parte da estrutura do Ministério da Saúde.  

Nesse contexto, Queiroga foi seguidas vezes indagado, por exemplo, a explicar por que Bolsonaro continua a se recusar a usar máscaras e a evitar aglomerações, embora tratem-se de medidas simples, segundo infectologistas e o próprio ministro, para evitar a propagação do vírus.

Queiroga, então, disse que não é “um censor do presidente e que “as recomendações sanitárias estão postas, cabe a todos aderir”a elas. Depois, comparou o presidente a um fumante incorrigível.  

“Tem paciente, como cardiologista, que eu já orientei o sujeito a parar de fumar de maneira reiterada. E o camarada não deixa de fumar. Ele morre fumando e eu não abandono ele. Então eu vou ficar insistindo até o final do meu mandato”, afirmou.

Questionado se faz orientações a Bolsonaro, o ministro disse que já falou com ele sobre o assunto, mas que a forma como ele age é “individual”. “As imagens falam por si só”, afirmou, após assistir a imagens de Bolsonaro, sem máscara, gerando aglomeração.

Um ministério sem infectologistas

Os senadores também interrogaram Queiroga sobre a demissão da médica Luana Araújo, apenas dez dias após ser anunciada como secretária de enfrentamento à pandemia.

Queiroga admitiu não ter médicos infectologistas na sua equipe direta, mas alegou que isso vem de gestões anteriores. 

Ele disse, então, que não nomeou Luana Araújo porque suas posições não contribuíam para “harmonizar” as diferenças na classe médica sobre medicamentos sem eficácia comprovada para a covid-19.

Na semana passada, também à CPI, Araújo havia dito que Queiroga vetou seu nome porque ele não seria aprovado no governo. Nesta terça, Queiroga afirmou que a decisão foi totalmente sua.

“Eu entendi que, naquele momento, a despeito da qualificação que a dra. Luana tem, não seria importante a presença dela para contribuir para harmonização desse contexto. Então, no ato discricionário do ministro, decidi não efetivar a sua nomeação”, afirmou.

Em 26 de maio, na Câmara dos Deputados, Queiroga também havia se manifestado obre a dispensa de Luana Araújo. Na ocasião, ele disse que para uma pessoa ser efetivada eram necessárias a validação “técnica” e a “política”.

Ministro admite ineficácia da cloroquina

Queiroga afirmou que remédios como hidroxicloroquina e ivermectina “não têm eficácia comprovada” no tratamento da covid-19.

O relator da CPI, Renan Calheiros, perguntou então por que uma nota de 2020 que orienta sobre doses de cloroquina a serem usadas nos pacientes que contraíram o coronavírus não é retirada do ar.

“A nota informativa perdeu o objeto”, afirmou Queiroga, que, no primeiro depoimento, havia evitado se posicionar sobre o uso da cloroquina.

“Essas medicações não têm eficácia comprovada”, afirmou o ministro. “Se eu ficar discutindo a discussão do ano passado, eu não vou em frente”.

Apesar de vários estudos terem apontado sua ineficácia contra o coronavírus, a cloroquina foi não só defendida, como também promovida por Bolsonaro desde o início da pandemia.

Defesa da Copa América

O ministro da Saúde afirmou que as práticas esportivas estão liberadas no Brasil e que não existe provas que ele aumenta o risco de contaminação pela covid-19. Por isso, completou, não vê problemas na realização da Copa América do Brasil, decisão que foi criticada por epidemiologistas, políticos e que gerou mal-estar entre os próprios jogadores brasileiros.

“O esporte está liberado no Brasil e não existe provas de que essa prática aumenta o nível de contaminação dos atletas”, afirmou. “Não vejo do ponto de vista epidemiológico uma justificativa contrária à realização do evento. O risco de a pessoa contrair covid-19 será o mesmo com o jogo ou sem o jogo”, completou

Quando foi confirmada para o Brasil, a realização da Copa América foi amplamente criticada por epidemiologistas. Eles consideram que o risco de transmissão não está ligado diretamente aos atletas em campo, que são submetidos a testagem frequente, mas ao cenário em que mais pessoas estarão circulando nas ruas. E isso no momento em que deveria estar ocorrendo o contrário. A vacinação avança com dificuldade, e o próprio ministro Queiroga admitiu que o país pode estar diante de uma nova onda de infecções.

Por Deutsche Welle
rpr (ots)

CPI da covid-19 ouve Marcelo Queiroga, ministro da Saúde

Marcelo Queiroga, ministro da Saúde (Marcos Oliveira/Agência Senado)

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, prestou depoimento nesta quinta-feira (06/05) à Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga a gestão governamental da pandemia de covid-19. Ele tentou evitar responder perguntas sobre a responsabilidade do presidente Jair Bolsonaro e irritou os senadores da CPI.

Queiroga foi pressionado para que se posicionasse sobre o uso da cloroquina no combate ao coronavírus, mas ele se recusou, afirmando se tratar de uma questão técnica. Ele, porém, disse que não autorizou a distribuição do tratamento ineficaz.

O ministro assumiu o cargo no dia 23 de março, após a demissão do general Eduardo Pazuello, Ao contrário de seu antecessor, Queiroga tem currículo na área médica. É presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e diretor do Departamento de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista de um hospital em João Pessoa.

Ele apoiou a candidatura de Jair Bolsonaro em 2018 e integrou a equipe de transição do então presidente eleito. Antes de assumir o ministério, Queiroga chegou a fazer declarações pró-ciência, mas nas últimas semanas tem alinhado o discurso com Bolsonaro.

A CPI da Pandemia já ouviu os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta  e Nelson Teich. O depoimento de Pazuello, cuja gestão foi marcada por entraves à vacinação e recorde de mortes e casos, será no dia 19 de maio.

O depoimento do presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa),que estava marcado para esta quinta-feira, foi adiado para a próxima terça.

Abaixo, os principais pontos do depoimento de Queiroga:

Cloroquina

Queiroga foi pressionado para esclarecer seu posicionamento em relação à cloroquina, o medicamento promovido pelo presidente Jair Bolsonaro no combate à covid-19, embora não haja evidências científicas que comprovem sua eficácia.

O ministro disse que não sofreu pressão de Bolsonaro para ampliar o uso da cloroquina ou hidroxicloroquina.

Ao ser perguntado se compartilhava da opinião do presidente sobre o medicamento, ele se recusou a responder. “Essa é uma questão técnica que tem que ser enfrentada pela Conitec [Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias] no SUS. O ministro é a última instância na Conitec, então eu vou precisar me manifestar tecnicamente.”

O presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), e o relator Renan Calheiros (MDB-AL) se irritaram com a resposta do ministro. “Até minha filha de 12 anos falaria sim ou não”, disse Aziz. No entanto, Queiroga não respondeu à pergunta e pediu que os senadores compreendessem sua posição como gestor sanitário.

O ministro disse que não sabe se seu ministério realiza a distribuição de hidroxicloroquina para estados e municípios. “Não autorizei distribuição de cloroquina na minha gestão”, afirmou. “Não tenho conhecimento de que está havendo distribuição de cloroquina na nossa gestão.”

Isolamento social

O ministro evitou comentar a fala de Bolsonaro, na qual o presidente sugeriu um novo decreto contra políticas de isolamento social. “Não vou fazer juízo de valor”, disse após a insistência de Renan Calheiros.

Queiroga disse apenas que o presidente se preocupa com a liberdade das pessoas, e que concordaria com isso, e que não foi consultado sobre o assunto.

Polêmicas com a China

Queiroga foi questionado pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) sobre a fala de Bolsonaro, que insinuou que a China teria criado o coronavírus. O ministro disse que desconhece “indícios de guerra química na China”.

“É um vírus novo, ninguém sabe se nasceu em laboratório ou por algum ser humano que ingeriu um animal inadequado. Mas está aí. Os militares sabem que é guerra química, bacteriológica e radiológica. Será que não estamos enfrentando uma nova guerra?”, disse Bolsonaro nesta quarta-feira. “Qual o país que mais cresceu seu PIB? Não vou dizer para vocês”, afirmou a repórteres.

Queiroga tentou suavizar a questão, ao dizer que espera que as relações com o país asiático sejam boas. “Eu espero que essas relações continuem de forma positiva e não tenhamos impacto para nossa campanha de vacinação.”

Tratamento precoce x vacina

O ministro minimizou o chamado tratamento precoce contra a covid-19, defendido pelo presidente e seus aliados, e ressaltou a importância da vacinação e medidas como o distanciamento e uso de máscaras.

“Há um agrupamento de colegas que defendem fortemente esse chamado tratamento precoce com esses fármacos e há outros colegas que se posicionam contrariamente, e o Ministério da Saúde quer acolher todos para que cheguemos a um consenso. Essa questão do tratamento precoce não é decisiva no enfrentamento a pandemia, o que é decisivo é justamente a vacinação e as medidas não farmacológicas”, afirmou.

“Temos que orientar a população a aderir às medidas não-farmacológicas que parecem simples, e são simples. É necessário reforçar de forma reiterada, por exemplo, o uso da máscara”, disse o ministro em outro momento do depoimento.

As medidas não farmacológicas incluem o uso de máscaras e o distanciamento social, práticas recomendadas pelos profissionais de saúde, mas desprezadas por Bolsonaro e seu círculo.

Em relação ao uso de medicamentos off label [não prescritos em bula] como o antiparasitário ivermectina, Queiroga repetiu a resposta sobre o uso de cloroquina, afirmando que há duas correntes, uma favor e outra contra, a aplicação de medicamentos não comprovados.

“A solução que o Ministério da Saúde tem para resolver essa questão é a elaboração de um protocolo clínico e diretrizes terapêuticas”, disse Queiroga. Ele afirmou que essas questões devem ser discutidas colocadas para consulta pública.

Por Deutsche Welle

rc (OTS)

Pandemia: Ministério da Saúde diz que vai fazer testes na população

Marcelo Queiroga, ministro da Saúde (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse hoje (28) que o governo federal lançará um programa de testagem da população para covid-19. O anúncio foi feito em pronunciamento após a terceira reunião do Comitê de Coordenação Nacional para Enfrentamento da Pandemia da Covid-19, no Palácio do Planalto. Ainda não há data para início do programa.

Segundo Queiroga, o objetivo é conseguir identificar os casos positivos e seus contactantes para que se possa adotar uma política mais efetiva de quarentena para os indivíduos afetados pela covid-19 e, assim, reduzir a transmissão da doença. Ele explicou que o programa usará testes antígenos para detecção do vírus, que têm resultados mais rápidos do que o teste de RT-PCR.

O teste de antígeno é um exame imunológico rápido, que avalia a proteína viral do SARS-CoV-2 no organismo. O resultado demora, em média, 30 minutos e pode diagnosticar a infecção viral atual, mas não detecta os anticorpos adquiridos. A utilização desse teste é indicada nos primeiros 7 dias de sintomas, com sensibilidade mais elevada do primeiro até o terceiro dia de sintomas. O teste é coletado diretamente com amostras de swab (cotonete) de nasofaringe.

Queiroga também reiterou as recomendações de uso de máscaras e do distanciamento social – chamadas de medidas não farmacológicas. “As medidas não farmacológicas, associadas a uma ampla campanha de vacinação são as duas armas que temos para pôr fim a essa pandemia. Nesse sentido, é importante a adesão da nossa população. Não adianta ficar esperando só pelos governos federal, estaduais e municipais, todos nós temos que nos comprometer com essa iniciativa”, disse.

Reunião com a OMS

Na próxima sexta-feira (30), o ministro da Saúde também vai participar de uma reunião com o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom. Para ele, é importante essa relação multilateral com outros organismos da saúde, “seja pela troca de conhecimento científico, seja pela possibilidade de ajuda dessas instituições na busca por insumos estratégicos, seja em relação a pesquisas”.

Nesse sentido, ele informou que a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) aprovou uma pesquisa, a ser realizada no Brasil, sobre a efetividade da vacina Covishield, desenvolvida pela Universidade de Oxford, em parceria com a farmacêutica britânica AstraZeneca, e produzida no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A pesquisa será conduzida pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), Fiocruz e Oxford, com apoio do Ministério da Saúde e da Embaixada do Reino Unido no Brasil.

“Então, vamos avançar na pesquisa, na aplicação de condutas baseadas na ciência, na procura do diálogo com as sociedades científicas e com a sociedade civil brasileira e com apoio da imprensa, levando informações que sejam úteis para nossa sociedade”, completou o ministro.

Questionado sobre a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, que foi instalada ontem (28) no Senado, Queiroga disse que, quando for convocado, prestará todas as informações solicitadas, como vem fazendo. O primeiro a ser ouvido pelo colegiado, na semana que vem, será o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que comandava a pasta no início da crise sanitária.

Vacinação

O Ministério da Saúde também anunciou a antecipação da entrega de 2 milhões de doses de vacinas do consórcio Covax Facility de junho para maio, totalizando, então, 4 milhões de doses do consórcio no próximo mês. De acordo com o contrato de adesão do Brasil à iniciativa, firmado em 25 de setembro de 2020, o país terá acesso a 42,5 milhões de doses de vacinas contra a covid-19.

A Covax Facility é uma aliança internacional da OMS que tem como principal objetivo acelerar o desenvolvimento e a fabricação de vacinas contra a covid-19 e garantir acesso igualitário à imunização. A projeção é que sejam enviadas 330 milhões de doses das vacinas da Pfizer/BioNTech e Oxford/AstraZeneca na primeira metade de 2021 para 145 países integrantes da aliança, que reúne mais de 150 nações.

Segundo Queiroga, o Ministério da Saúde também atualizará semanalmente o cronograma da vacinação, com as doses confirmadas e as que devem ser entregues ao longo do ano.

Pressão no sistema

O ministro da Saúde avalia ainda que o Brasil já está assistindo a uma queda no número de casos por covid-19 e, consequentemente, de óbitos pela doença, apesar de ainda ser um número elevado. “Mas a queda tem causado menor pressão sobre o nosso sistema de saúde e diversos estados já têm uma situação mais confortável de disponibilidade de leitos de terapia intensiva”, disse.

Da mesma forma, segundo ele, há uma menor pressão por insumos estratégicos como oxigênio e kits de intubação no sistema público de saúde (SUS). Ainda assim, o governo federal continua trabalhando para manter em dia os estoques e a distribuição desses produtos.

Protocolos clínicos

O governo federal também espera a aprovação do Projeto de Lei nº 415/2015, que trata do aprimoramento das avaliações econômicas realizadas no âmbito da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). Segundo Queiroga, o projeto será importante para a elaboração de protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas que sejam úteis, na prática. Nesse sentido, o governo quer aprovar um protocolo para o tratamento da covid-19.

Enquanto o projeto não é aprovado, o Ministério da Saúde está editando notas técnicas de recomendação acerca do tratamento, uma parceria com técnicos da pasta e as sociedades científicas com liderança do pneumologista e professor da Universidade de São Paulo (USP), Carlos Carvalho. Dois textos já foram editados.

O primeiro trata da otimização do uso do oxigênio e da intubação orotraqueal. Queiroga explica que a intubação é um procedimento rotineiro em paciente com insuficiência respiratório, mas que, nos pacientes com covid-19, requer algumas peculiaridades. “O paciente pode perder a vida durante a intubação, de tal maneira que resolvemos dar uma padronização em relação a essa conduta”, disse.

A outra nota técnica diz respeito à segunda dose da vacina CoronaVac, produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, em parceria com o laboratório chinês Sinovac. Segundo o ministro, devido a atrasos no cronograma de entrega em razão de problemas com os insumos de fabricação vindo da China, muitas pessoas fizeram a primeira dose, mas não conseguiram a segunda no prazo de até um mês, como recomendado. A nova nota indica que, independentemente do prazo, a segunda dose do imunizante deve ser aplicada, assim que estiver disponível. “Esperamos que na semana que vem sejam distribuídas doses de CoronaVac suficientes para que haja a regularização nacional da segunda dose”, disse.

Doenças prevalentes

O ministro garantiu que o governo está atento ao aumento de óbitos por outras doenças prevalentes na população, como as cardiovasculares, e está trabalhando em estratégias para garantir assistência à população para tratamento dessas enfermidades.

Segundo Queiroga, todos os anos, mais de 380 mil pessoas morrem de doenças cardiovasculares, sobretudo infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC). Entretanto, na primeira onda de covid-19, no ano passado, houve uma redução nas notificações desses óbitos no âmbito do sistema de saúde e um aumento de óbitos por doenças inespecíficas fora do ambiente hospitalar. “Esse fenômeno pode ser repetir em 2021, até com frequência maior”, alertou sobre a importância da continuidade da atenção à saúde.

Por Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil 

Marcelo Queiroga é empossado como ministro da Saúde

Marcelo Queiroga, novo ministro da Saúde, e o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello
(Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O cardiologista Marcelo Queiroga foi empossado no Palácio do Planalto como novo ministro da Saúde em uma cerimônia discreta nesta terça-feira (23/03), sem a presença de convidados ou jornalistas. O evento não constava na agenda oficial da Presidência.

Seu nome fora anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro há mais de uma semana. O vácuo deixado no ministério nos últimos dias, período em que a pasta ficou sem comando após a saída do general Eduardo Pazuello, vinha gerando fortes críticas ao governo federal.

Quarto ministro da Saúde do governo Jair Bolsonaro, Queiroga assume o cargo em um momento em que o Brasil caminha a passos largos para a marca de 300 mil mortes por covid-19, e passou a ser visto como uma ameaça internacional devido à forma como lida com a pandemia.

A situação de seu antecessor, Pazuello, ficou insustentável após as inúmeras falhas do governo federal em organizar uma distribuição eficiente das vacinas pelo país e com o agravamento da falta de medicamentos e recursos essenciais no combate ao coronavírus.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, a cerimônia de posse foi realizada nesta manhã desta terça-feira após pressão do bloco parlamentar do chamado Centrão, do qual o presidente depende para o avanço de algumas de suas principais bandeiras políticas no Congresso.

A nomeação de Queiroga deve ser publicada em edição extra do Diário Oficial da União, que deve também confirmar a indicação de Pazuello para a chefia do Programa de Parcerias e Investimentos (PPI).

Sai um general, entra um médico

Ao contrário de Pazuello, Queiroga tem currículo na área médica. É presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e diretor do Departamento de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista de um hospital em João Pessoa.

Mas o fator determinante para sua escolha foi mesmo a proximidade com o clã Bolsonaro. Seu padrinho na indicação foi Flávio Bolsonaro, filho mais velho do presidente. Queiroga é amigo da família da mulher do senador. Ele é ainda próximo de políticos paraibanos.

O médico também é bolsonarista. Ele apoiou a candidatura de Jair Bolsonaro em 2018 e integrou a equipe de transição do então presidente eleito. Por outro lado, sua postura ao longo da pandemia contrasta à primeira vista com os adeptos mais radicais do bolsonarismo.

Não há sinais de negacionismo em suas falas públicas nos últimos 12 meses. Ele defendeu o uso de máscaras, a vacinação e o isolamento social, e disse após ser indicado que seu ministério será pautado pela ciência.

Na terça-feira da semana passada, um dia após a sua indicação, Queiroga afirmou ser preciso “união da nação” para enfrentar a “nova onda” da pandemia de covid-19.

Em pronunciamento, o médico cardiologista defendeu o Sistema Único de Saúde (SUS) e citou a importância das “evidências científicas” em futuras ações da pasta.

A SBC, sociedade que ele preside, também já publicou notas em que não recomenda o uso da cloroquina contra a covid-19. A droga ineficaz é desde março de 2020 a principal aposta de Bolsonaro para lidar com a pandemia. Na gestão Pazuello, sob ordens de Bolsonaro, a cloroquina foi distribuída em largas quantidades.

“A política é de Bolsonaro, não do ministro”

O histórico da Saúde sob o governo Bolsonaro não é favorável para ministros que vêm da área médica: dois dos três antecessores de Queiroga, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, também eram médicos e entraram em choque com a postura negacionista e anticiência de Bolsonaro.

Mandetta durou apenas um mês e meio no cargo após a detecção do primeiro caso de covid-19 no Brasil. Teich ficou 29 dias. Não médico, porém obediente ao chefe, Pazuello ficou dez meses.

Ao anunciar Queiroga, Bolsonaro disse que o médico vai dar “prosseguimento em tudo o que Pazuello fez até hoje”. A fala foi imediatamente criticada por adversários do presidente, que lembraram o avanço dramático da pandemia durante a gestão do general e episódios trágicos como a falta de oxigênio em Manaus.

O próprio Queiroga, em falas após o anúncio, declarou que “a política é do governo Bolsonaro, não do ministro da Saúde”. “A Saúde executa a política do governo”, disse, parecendo ecoar uma declaração de Pazuello em outubro passado: “Senhores, é simples assim: um manda e o outro obedece”.

Também há dúvidas se Queiroga vai ter autonomia para montar sua equipe no ministério. No momento, dezenas de postos-chave da pasta estão ocupados por militares sem experiência em saúde, vários deles negacionistas e adeptos de tratamentos ineficazes.

Por Deutsche Welle

rc/ek (DW, ots)

Ao lado de Pazuello, novo ministro da saúde defende distanciamento social

Marcelo Queiroga, indicado para ser o novo ministro da Saúde, e o atual ministro da Saúde, Eduardo Pazuello (Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O médico Marcelo Queiroga, indicado para assumir o Ministério da Saúde, disse hoje (17) que sua gestão vai trabalhar para conseguir homogeneizar a conduta assistencial no tratamento da covid-19 no país.

Ao participar ao lado do ministro Eduardo Pazuello da cerimônia de entrega das vacinas Oxford/AstraZeneca fabricadas em Bio-Manguinhos/Fiocruz, no Rio de Janeiro, Queiroga defendeu que é preciso haver protocolos uniformizados de assistência nas unidades de terapia intensiva (UTIs) no Brasil.

“Temos que transferir as expertises dos grandes centros para as unidades de terapia intensiva nas cidades que estão mais distantes, nos estados menores, de tal sorte a utilizar recursos de tecnologia de informação e comunicação como a telemedicina para que a gente consiga melhorar os resultados. É preciso garantir um atendimento mais rápido ao paciente para evitar que a doença progrida”, disse Queiroga.

De acordo com o sucessor de Eduardo Pazuello, o país vai conseguir reduzir as mortes provocadas pela covid-19 com políticas de distanciamento social, que permitam diminuir a circulação do novo coronavírus, e com a melhora da capacidade assistencial dos serviços hospitalares.

Queiroga voltou a destacar a importância de a população aderir às medidas de enfrentamento ao novo coronavírus. “Não adianta só o governo ficar recomendando o uso de máscaras, se as pessoas não são capazes de aderir a esse tipo de medida simples, que não demanda grande esforço. O governo recomenda, por exemplo, redução de aglomerações fúteis e as pessoas ficarem fazendo festas nos finais de semana, contribuindo para a circulação do vírus”, afirmou o médico.

Fiocruz

Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) entregou hoje ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) um lote de 500 mil doses da vacina Oxford/AstraZeneca contra a covid-19, fabricadas em Bio-Manguinhos, no Rio de Janeiro. O lote foi produzido a partir do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) importado.

Mais 580 mil doses serão disponibilizadas até sexta-feira (19), totalizando um lote com 1,080 milhão de doses de vacina produzidas no Brasil.

Por Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil 

Queiroga: “A política é do governo Bolsonaro. A política não é do ministro”

Ao chegar para a primeira reunião no Ministério da Saúde na manhã desta terça-feira (16), o ministro indicado para a pasta, o médico cardiologista Marcelo Queiroga, disse que vai executar a política definida pelo governo do presidente Jair Bolsonaro.

“O governo está trabalhando. As políticas públicas estão sendo colocadas em prática. O ministro Pazuello anunciou todo o cronograma da vacinação. A política é do governo Bolsonaro. A política não é do ministro da Saúde. O ministro da Saúde executa a política do governo. O ministro Pazuello tem trabalhado arduamente para melhorar as condições sanitárias do Brasil e eu fui convocado pelo presidente Bolsonaro para dar continuidade a esse trabalho”, disse Queiroga.

Queiroga está reunido com Pazuello e ainda não teve sua nomeação publicada no Diário Oficial da União. Segundo o presidente Jair Bolsonaro, a transição deve durar cerca de duas semanas.

Por Karine Melo – Repórter Agência Brasil 

Pazuello cai e Marcelo Queiroga será novo ministro da Saúde

Marcelo Queiroga, novo ministro da Saúde (Record TV/Reprodução)

O presidente Jair Bolsonaro anunciou na noite desta segunda-feira (15), nas redes sociais, ter acertado a nomeação do médico Marcelo Queiroga como ministro da Saúde. Os dois se reuniram ao longo da tarde no Palácio do Planalto para discutir a troca no comando da pasta. O anúncio também foi feito pelo presidente durante conversa com apoiadores na porta do Palácio do Alvorada.

“Foi decidido agora a tarde a indicação do médico Marcelo Queiroga para o Ministério da Saúde. Ele é presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia. A conversa foi excelente, já o conhecia há alguns anos então não é uma pessoa que tomei conhecimento há poucos dias, e tem, no meu entender, tudo para fazer um bom trabalho dando prosseguimento em tudo que Pazuello fez até hoje”, afirmou Bolsonaro na conversa transmitida pelo site Foco do Brasil, mantido por apoiadores do presidente.

Ministro Eduardo Pazuello

Mais cedo, o ministro Eduardo Pazuello, deu uma coletiva de imprensa para atualizar informações sobre o combate à pandemia de covid-19 e confirmou que o presidente mantinha tratativas para a sua substituição na pasta .

A nomeação de Queiroga será publicada na edição de amanhã (16) do Diário Oficial da União e o processo de transição no ministério deve durar entre uma e duas semanas, disse o presidente.

Nas redes sociais, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, também comentou a indicação de Queiroga, classificando o Ministério da Saúde como “uma das pastas mais desafiadoras e relevantes” do governo.

Perfil

Marcelo Queiroga é natural de João Pessoal e se formou em medicina pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Ele fez especialização em cardiologia no Hospital Adventista Silvestre, no Rio de Janeiro. Sua área de atuação é em hemodinâmica e cardiologia intervencionista e atualmente Queiroga é presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Com a indicação, Queiroga será o quarto ministro da Saúde desde o começo da pandemia de Covid, há exatamente um ano. Passaram pela pasta, neste período, os médicos Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, seguido depois pelo general Eduardo Pazuello, do Exército.

O principal desafio do novo ministro será acelerar o processo de vacinação em massa da população. Até agora, o país vacinou cerca de 4,59% da população com a primeira dose de imunizantes, percentual que corresponde a 9,7 milhões de pessoas. O Brasil acumula, até o momento, mais de 279 mil mortes por covid-19.

*Com informações da Agência Brasil