Ex-policial que sequestrou sobrinho de Marcola teme a morte

Augusto Peña foi responsável por sequestro apontado como estopim para os ataques de maio de 2006; resgate de enteado de Marcola custou R$ 300 mil 

Ex-policial civil Peña e uma das entradas do CDP de Pinheiros (Arquivo/Ponte)

O ex-policial civil Augusto Peña, acostumado a morar em apartamentos luxuosos nos bairros de Moema e Aclimação, áreas ricas da zona sul paulistana, está sentindo na própria pele o drama enfrentado por milhares de presos no cotidiano carcerário.

A apertada cela 310 do pavilhão 3 do superlotado CDP 3 (Centro de Detenção Provisória) de Pinheiros, zona oeste, é onde vive Peña, condenado a 22 anos pelo sequestro do enteado de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC (Primeiro Comando da Capital).

Peña não está nada satisfeito com o novo endereço. Ele reclama que é obrigado a dormir diariamente no chão frio da cela superlotada e infestada de muquiranas e percevejos.

Também se queixa que a cela é suja, ocupada por presos enfermos, doentes mentais e detentos comuns condenados pelos mais variados crimes, todos misturados a ex-policiais civis e militares, guardas de muralha, agentes de segurança e demais servidores públicos.

Ex-policial civil Peña | Foto: Arquivo/Ponte

Mas o maior medo de Peña é o de morrer na prisão por ter sequestrado Rodrigo Olivatto de Morais, enteado de Marcola, em março de 2005. O ex-policial trabalhava em Suzano, na Grande São Paulo. Ele usou a delegacia como cativeiro e recebeu do PCC o resgate de R$ 300 mil.

Um relatório elaborado pela International Humans Rights Clinic, da Universidade de Harvard, em parceria com a Justiça Global concluiu que o sequestro de Rodrigo foi um dos estopins para os ataques de maio de 2006, protagonizado pelo PCC. O período ficou conhecido como “Maio Sangrento”. O PCC paralisou São Paulo, matando agentes das forças de segurança nas ruas e se rebelando em ao menos 74 presídios paulistas. Simultaneamente, policiais militares mataram centenas de pessoas no estado, no chamado “Crimes de Maio”.

Preocupado com a integridade física de seu cliente, o advogado Norberto de Almeida Ribeiro entrou com vários pedidos na Justiça solicitando a transferência de Peña para a Penitenciária 2 de Tremembé, no Vale do Paraíba. Todos foram negados.

A P2 de Tremembé, chamada de presídio “vip”, é conhecida por abrigar presos autores de crimes de grande repercussão, além de advogados, policiais e ex-policiais.

A SAP-SP (Secretaria Estadual da Administração Penitenciária de São Paulo), subordinada ao governo João Doria (PSDB), informou à Justiça que Peña “está em ala própria para ex-policiais, com a integridade física garantida, não sendo possível a sua transferência para penitenciária de sua escolha”.

O CDP 3 de Pinheiros é o mais lotado dos 48 Centros de Detenção Provisória do Estado de São Paulo, conforme mostrou reportagem da Ponte no dia 25 de março deste ano. A unidade prisional tem vagas para  572 detentos, mas abriga hoje, segundo dados da SAP, 1.589 presos, o que representa 277% acima da capacidade de ocupação.

Peña divide o xadrez com ao menos outros 50 presos. Geralmente, em cada cela cabem apenas 12. Em relatório recente enviado à SAP, o diretor do CDP 3 de Pinheiros, Roberto Wagner dos Santos Júnior, informou que não há presos com casos confirmados de Covid-19 na unidade.

No documento consta, porém, que no dia 23 de abril o detento Antonio Alves de Paiva, de idade avançada, sentiu febre e foi medicado no Hospital da Lapa. Houve coleta de material biológico, enviado ao Instituto Adolfo Lutz para teste de Coronavírus. O exame não ficou pronto ainda.

Augusto Peña foi medicado no CDP 3 de Pinheiros em 30 de junho de  2019, 27 dias depois de chegar na unidade. No relatório médico é mencionado que ele tem boa aceitação alimentar, pressão arterial de 16 x 9 e frequência cardíaca de 97 batimentos por minuto.

Ficha de atendimento médico de Peña | Foto: reprodução

Ele informou ao médico que faz uso de medicação psicotrópica, como Diazepan. Na consulta, foi solicitado para o detento uma avaliação psiquiátrica e prescritos remédios para transtornos de ansiedade e depressão.

Augusto Peña foi preso em 30 de abril de 2008 pelo sequestro de Rodrigo. Em 5 de janeiro de 2010, ele foi solto por determinação da 15ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça.

Em 7 de abril de 2015, a Vara Criminal de Suzano o condenou a 22 anos de prisão. Ele ficou foragido, mas acabou capturado em 10 de abril do ano passado na cidade de Ibaté, a 270 km da capital paulista.

Em 3 de junho de 2019,  Peña foi removido para o CDP 3 de Pinheiros. O ex-policial define a unidade prisional superlotada como “uma espécie de bomba relógio prestes a explodir”.

Por Josmar Jozino – Repórter da Ponte

PCC: Parceiro de Marcola, Fuminho é trazido ao Brasil

Preso em Moçambique, na África, no último dia 13, Fuminho saiu do aeroporto de Maputo na madrugada deste domingo (19/4)

Fuminho é extraditado para o Brasil | Foto: Arquivo Ponte

O megatraficante Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, 49 anos, preso no último dia 13 em Moçambique, na África, foi extraditado hoje para o Brasil.

Ele embarcou 1h30 (horário local) da madrugada deste domingo (19/4) no aeroporto de Maputo, capital moçambicana, em um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) e estava algemado e com correntes nos pés.

TRAFICANTE FUMINHO SEGUE PARA O BRASIL

FUMINHO EXTRADITADO PARA O BRASIL Procurado pela justiça brasileira há 21 anos, Gilberto Aparecido dos Santos, ou simplesmente Fuminho, já está a caminho do Brasil. O presumível traficante de droga foi expulso administrativamente do território nacional por ordens do Ministro do Interior, Amade Miquidade que fundamenta a expulsão com “ imigração ilegal”. O processo foi gerido de forma ultra secreta, até a confirmação da saída de Fuminho do território nacional, através de uma aeronave da Força Aérea Brasileira. A Miramar sabe que Fuminho saiu da Penitenciária de Máxima Segurança, vulgo BO durante a madrugada de hoje e foi conduzido ao Aeroporto Internacional de Mavalane, donde partiu para o Brasil.Fuminho chegou no aeroporto com uma corrente que isolava as mãos e os pés, tudo para evitar a fuga. Um esquema de segurança desenhado ao detalhe para garantir a expulsão de Moçambique.O Ministro do Interior diz que aquando da entrada no território nacional, o cidadão Luiz Gomes de Jesus, também conhecido por Gilberto Aparecido dos Santos, não obedeceu os procedimentos migratórios e a entrada irregular é fundamento para expulsão administrativa.Alguns juristas esperavam ver o indiciado julgado e condenado em Moçambique e depois expulso, dado que se aventava a possibilidade de ter cometido crimes no território nacional.Fuminho foi detido na tarde da última terça-feira, em Maputo, num hotel de luxo, no bairro Sommerchield.O Ministro da Justiça do Brasil, Sérgio Moro, afirmou que a prisão do traficante, que estava há 21 anos foragido, foi um “golpe poderoso” na organização criminosa que ele fazia parte.A operação da prisão de Fuminho foi uma acção de cooperação policial internacional entre o Serviço Nacional de Investigação Criminal (Moçambique), a Polícia Federal (Brasil) e a DEA (Drug Enforcement Administration), órgão do Departamento de Justiça dos Estados Unidos responsável pelo combate às drogas.Fuminho é apontado como responsável pelo fluxo de dinheiro e da logística necessária para o tráfico internacional de drogas na região da Bolívia e Paraguai.A carreira no crime ganhou relevância quando fugiu da prisão, no Carandiru, em São Paulo em janeiro de 1999. Desde então, era procurado pela polícia brasileira.Em abril de 2019, Fuminho teria dado o aval para membros da facção criminosa fazer o resgate de Marcola , líder máximo da facção criminosa, do Presídio Federal de Brasília. Dois aviões e um helicóptero, que seriam caracterizados como da Polícia Militar de São Paulo, seriam usados no plano.Aos órgãos de comunicação assegurou não conhecer Marcola.Posted by TV Miramar on Sunday, April 19, 2020

Considerado o maior traficante de cocaína do Brasil e o principal fornecedor de drogas para o PCC (Primeiro Comando da Capital), Fuminho acabou preso em um hotel de luxo quando estava com dois nigerianos.

Há suspeitas de que os nigerianos não eram amigos de Fuminho, mas homens infiltrados pela DEA (Drug Enforcement Administration), a Polícia Federal dos Estados Unidos, responsável pela prisão do brasileiro.

Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, 49 anos, é apontado como braço direito de Marcola, líder do PCC (Reprodução)

Ainda não se sabe para qual presídio Fuminho será removido. A expectativa é de que ele seja encaminhado para uma das cinco penitenciárias federais do país: Brasília (DF), Porto Velho (RO), Mossoró (RN), Catanduvas (PR) ou Campo Grande (MS).

Fuminho estava foragido desde janeiro de 1999, quando escapou da Casa de Detenção, no Carandiru, zona norte de São Paulo, junto com Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder máximo do PCC.

O advogado de Fuminho, Eduardo Dias Durante, contratou dois escritórios de advocacia para auxiliá-lo na defesa de seu cliente em Moçambique. Um deles é ligado à Sara Mandela, filha do ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, que acompanhou todo o processo desde a prisão de Fuminho até a extradição dele.

Em Maputo, Fuminho ficou preso em uma cela monitorada por diversas câmeras de segurança. Ele permaneceu o tempo todo vigiado por agentes da DEA.

Os policiais norte-americanos caçavam Fuminho desde 2014, período em que ele morou na Flórida, nos EUA, com o parceiro do PCC Wilson José Lima de Oliveira, o Neno, 42 anos. Ambos escaparam de um cerco e conseguiram fugir para o Panamá.

No Brasil há dois mandados de prisão contra Fuminho. Um deles foi expedido pela Justiça do Ceará, em fevereiro de 2018. Ele foi acusado de comandar os assassinatos de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e Fabiano Alves de Souza, o Paca.

Ambos eram homens fortes do PCC, apenas abaixo de Marcola e foram executados sob a acusação de desviar dinheiro da facção criminosa. Os dois adquiriram imóveis de luxo no valor de R$ 8 milhões e veículos importados avaliados em R$ 2 milhões no Ceará.

O outro mandado de prisão refere-se a uma ocorrência de tráfico de drogas. Fuminho foi acusado pela Polícia Federal de guardar ao menos 18 armas de grosso calibre, como fuzis e submetralhadoras, e 470 kg de cocaína em um sítio em Juquitiba, na Grande São Paulo.

A droga e o armamento estavam escondidos em um bunker, um poço com mais de 30 metros de profundidade que contava até com um elevador hidráulico.

Além de Fuminho, foram acusados pelo crime Antonio Farias da Costa, Charles do Reis Araújo, Dirnei de Jesus Ramos, e Vanderlei José Ramos e Ailton José Oliveira, todos considerados megatraficantes.

Dirnei, Charles e Ailton foram condenados a 21 anos de prisão. Charles foi apontado como o dono do sítio de Juquitiba. Antonio recebeu uma pena de 24 anos e Vanderlei de 25 anos.

A Polícia Federal monitorava Fuminho há meses naquela época. Agentes o seguiram e o filmaram em diversas ocasiões, como na Favela Heliópolis, zona sul da cidade de SP, na Favela Pantanal, zona leste, e num posto de gasolina na região de Capivari, interior de São Paulo.

Os agentes federais já tinham montado um plano para prender Fuminho e sua quadrilha, mas policiais da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), invadiram o sítio de Juquitiba em março de 2013 e o bando conseguiu fugir.

A Rota alegou na época que havia recebido denúncia anônima sobre a existência do sítio, das armas e da droga apreendidos. Porém, a invasão ocorreu graças às escutas telefônicas feitas com autorização judicial por policiais militares do 18º Batalhão do Interior, em Presidente Prudente.

Segundo o advogado Eduardo Dias Durante, não há nada que comprove a participação de Fuminho com o tráfico de drogas e com o envolvimento dos assassinatos de Gegê do Mangue e de Paca.

Penitenciária federal de segurança máxima de Brasília (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Caso Fuminho seja mandado para a Penitenciária de Brasília, ele ficará mais perto de Marcola e de outros homens da cúpula do PCC, como Roberto Soriano, o Tiriça, Abel Pachedo de Andrade, o Vida Loka, Anderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, e Paulo Cesar Souza do Nascimento Júnior, o Neblina.

Histórico de Fuminho

Desses líderes do PCC, Fuminho cumpriu pena somente com Marcola, na Casa de Detenção do Carandiru. Esse presídio, palco do massacre de 111 preso pela PM em outubro de 1992, foi a “principal escola, a faculdade do crime” para Fuminho.

Ele foi preso pela primeira vez em 9 de abril de 1990, por uma simples contravenção penal. Foi condenado a pagar uma multa equivalente a 10 dias do salário mínimo da época.

Em 3 de julho de 1991 foi preso novamente, dessa vez por roubo, e pisou pela primeira vez na Casa de Detenção. Acabou condenado a quatro anos. Sobreviveu ao maior massacre da história prisional do país.

Em maio de 1993, três meses antes da fundação do PCC, Fuminho foi mandado para o regime semiaberto em Bauru, no interior paulista. Ele fugiu em 4 de janeiro de 1994.

Nas ruas voltou a roubar. Por um assalto realizado em dezembro de 1993 ele foi condenado a seis anos e oito meses. Em maio de 1998 foi preso e condenado a quatro anos e oito meses por tráfico.

Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola (Reprodução)

Em janeiro do ano seguinte, Fuminho escapou da Detenção com Marcola e não parou mais de traficar drogas. Ele é apontado pela Polícia Federal e Ministério Público Estadual como responsável pela exportação de ao menos uma tonelada de cocaína para a Europa por mês.

Agentes federais já interceptaram vários carregamentos de droga atribuídos a Fuminho, com apreensões inclusive de aeronaves. O advogado Eduardo Dias Durante ressalta que seu cliente jamais foi um narcotraficante.

Por Josmar Jozino – Repórter da Ponte

STF nega transferência de Marcola e outros chefes do PCC

Penitenciária Federal de Brasília (Marcelo Camargo/Ponte Jornalismo)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso negou, hoje (20), o pedido do governo do Distrito Federal para proibir a transferência de líderes de facções criminosas para o Presídio Federal de Brasília.

O pedido foi feito na semana passada pelo governador Ibaneis Rocha. No dia 22 de março de 2019, quatro líderes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) foram transferidos da Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia, para a Penitenciária Federal em Brasília, perto do Presídio da Papuda. Além de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, integram o grupo Cláudio Barbará da Silva, Patrik Wellinton Salomão, e Pedro Luiz da Silva Moraes, o Chacal.

O governo do DF argumentou que a manutenção de líderes de facções em Brasília prejudica a segurança da população local e coloca em risco “as mais altas autoridades da República e as representações diplomáticas estrangeiras”.

Ao analisar a questão, Barroso entendeu que não há ilegalidade na transferência de presos para presídios federais. Além disso, uma nova transferência do líder do PCC para outro presídio poderia fomentar uma operação de resgate e colocar em risco agentes de segurança e a população.

O ministro disse que há risco de danos econômicos com a transferência. “Como aponta a União, a transferência de presos, sobretudo daqueles que possuem alta periculosidade, pressupõe logística especial. Realizar a retirada dos presos para, eventualmente, trazê-los de volta ao fim da ação implicará um alto custo econômico”, entendeu o ministro.

Em 7 de fevereiro, militares das Forças Armadas reforçaram a segurança do Presídio Federal em Brasília. O emprego das Forças Armadas, na operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), para proteger o perímetro do presídio de segurança máxima foi pedido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e autorizado por meio do Decreto nº 10.233.

Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a ação tem caráter preventivo e se soma a uma série de medidas conjuntas que vêm sendo adotadas para “manter elevado nível de segurança do local onde estão isolados integrantes de organizações criminosas”. A medida terá validade até 6 de maio.

Por André Richter – Repórter da Agência Brasil

Pena de Marcola cresceu quase 10 vezes durante prisão

Preso por roubar carros e bancos, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, acumula pena hoje de 330 anos de reclusão

Marcola também participou de um dos conhecidos assaltos cinematográficos planejados pela facção no início dos anos 2000 | Foto: reprodução

A pena de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado pelo Ministério Público Estadual de São Paulo como líder máximo do PCC (Primeiro Comando da Capital), aumentou quase dez vezes quando ele já estava atrás das grades, sob custódia do Estado.

Ele foi preso por roubos a carros no final da adolescência, em 1986, e por assaltos a bancos e transportadoras de valores nos anos 1990. Antes de ser apontado como líder do PCC, em 2003, Marcola estava condenado a 39 anos de prisão. A pena dele hoje é de 330 anos.

Em maio de 2006, o PCC promoveu ataques que mataram 59 agentes públicos, a maioria policiais militares. A resposta do braço armado do Estado foi a morte de mais de 505 civis. O episódio ficou conhecido como Crimes de Maio. Marcola foi acusado de ser o mandante da série de ataques, como mostram os documentos abaixo. 

Em 11 de setembro de 2009, a Justiça o condenou a 29 anos pelo assassinato do juiz-corregedor de Presidente Prudente, Antônio José Machado Dias, executado a tiros em 14 de março de 2003. Até hoje Marcola nega ter sido o mandante da morte do magistrado. 

Em 6 de março de 2013, Marcola foi condenado a 158 anos de prisão pelas mortes de 10 presos, ocorridas nos dias 13 e 14 de fevereiro de 2001 na Casa de Detenção, no Carandiru, zona norte de São Paulo.

As mortes em série aconteceram na véspera da primeira megarrebelião protagonizada pelo PCC, em protesto contra a reinternação de alguns de seus líderes na Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, no Vale do Paraíba.

Na época da matança, Marcola cumpria pena na vizinha Penitenciária do Estado e disse ser inocente, alegando que não estava no presídio onde ocorreram as mortes e que, por isso, não podia ter envolvimento nos crimes.

No dia 11 de fevereiro de 2014, o homem apontado como número 1 do PCC foi condenado a 61 anos de prisão pelas mortes de agentes de segurança, executados a tiros durante os ataques de maio de 2006.

Os atentados foram em protesto contra o isolamento de 765 presos do PCC na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, no interior de SP. Ao mesmo tempo detentos se amotinaram em 74 presídios. Foi a maior rebelião da história do País. 

Em 21 de fevereiro de 2018, quando ainda cumpria pena na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, Marcola recebeu outro duro golpe da Justiça: uma condenação a mais 30 anos de reclusão.

Dessa vez, foi acusado de comandar a criação da célula “sintonia dos gravatas”, o núcleo jurídico do PCC, que contava com a participação de 40 advogados.  

Segundo o Ministério Público Estadual, os advogados, presos durante a deflagração da Operação Ethos, em novembro de 2015, eram “pombos-correio” e levavam e traziam recados de interesse dos líderes da facção.

Marcola já passou por 26 presídios em todo o Brasil, sete deles em outros estados longe de São Paulo. Atualmente cumpre pena na Penitenciária Federal de Brasília.

Em 15 de fevereiro do ano passado, a Justiça de São Paulo transferiu Marcola e outros 14 principais líderes do Primeiro Comando da Capital para presídios federais.

O juiz Paulo Eduardo de Almeida Sorci, da 5ª Vara das Execuções da Capital,  determinou nos últimos dias a prorrogação por mais um ano do prazo de internação de 11 desses 15 presos para unidades federais.

O prazo de internação pelo período de um ano termina na próxima sexta-feira (07/02). Um dos quatro presos que ainda não tiveram o pedido analisado pela Justiça é justamente Marcola.

Por Josmar Jozino – Repórter da Ponte

Homem mais procurado do país reaparece e constitui advogado

Gilberto Aparecido dos Santos, 49 anos, o criminoso mais procurado do Brasil, assinou uma procuração em setembro de 2019 oficializando um advogado para ser seu defensor

Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho | Foto: Arquivo Ponte Jornalismo 

O criminoso mais procurado do país, Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, apareceu. Atualmente com 49 anos, ele assinou uma procuração (confira o documento completo aqui) constituindo o advogado Eduardo Dias Durante como seu defensor. O documento é de Santos, litoral de São Paulo, e é datado como 17 de setembro de 2019.

Pelo menos é o que consta na procuração anexada pelo próprio Durante em processo judicial no Ceará, onde o advogado defende Fuminho da acusação de duplo homicídio. Outros nove réus envolvidos no duplo homicídio também foram denunciados à Justiça cearense. O processo continua tramitando e tem quase quatro mil páginas. 

Fuminho foi denunciado como o mentor dos assassinatos de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e Fabiano Alves de Souza, o Paca, mortos em fevereiro de 2018 na região metropolitana de Fortaleza.

Ambos eram homens da cúpula do PCC (Primeiro Comando da Capital) e, segundo o Ministério Público do Estado de São Paulo, foram executados sob a acusação de desvio de dinheiro da facção criminosa.

Segundo as forças de segurança, Fuminho é o maior traficante de drogas do Brasil e braço direito de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como o líder máximo do PCC.

Histórico criminal de Fuminho | Foto: reprodução SAP

Desde 12 de janeiro de 1999, quando escapou da Casa de Detenção, no Carandiru, zona norte de São Paulo, as polícias do Brasil não conseguiam recapturar Fuminho. A fuga dele completa mais um aniversário neste domingo (12/1).

Um documento da SAP (Secretaria Estadual da Administração Penitenciária) diz que Fuminho planejava resgatar Marcola da Penitenciária Federal de Brasília, para onde ele foi transferido em março de 2019 (confira o documento completo aqui).

Consta no documento que o plano de resgate de Marcola foi descoberto em abril de 2019, quando agentes encontraram um bilhete decodificado em uma cela no raio 2 da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau.

A P2 de Venceslau, no Oeste do Estado de São Paulo, abrigava os 15 principais líderes do PCC, inclusive Marcola, até fevereiro do ano passado, quando eles foram transferidos para prisões federais.

No mês passado, o Exército cercou a Penitenciária Federal de Brasília por causa dos rumores do possível resgate de Marcola e de outros líderes do PCC recolhidos na mesma unidade.

Defensores de Marcola afirmaram à Ponte que ele não pertence a nenhuma facção criminosa e que não há qualquer prova material sobre planos para resgatá-lo.

Já em relação a Fuminho, o Ministério Público Estadual sabe que, antes das mortes de Gegê do Mangue e Paca, ele comandava o transporte de ao menos uma tonelada de cocaína por mês para a Europa.

O documento da SAP adverte que Fuminho é um dos mais importantes fornecedores de drogas do PCC, na Bolívia e no Paraguai, e tem sob seu controle, guerrilheiros treinados com armas de precisão.

Segundo o documento da SAP, Fuminho distribui cocaína para países da Europa pelos portos de Fortaleza, no Ceará; Suape, em Pernambuco; Itajaí, em Santa Catarina; e Santos, na Baixada Santista.

Na procuração assinada por Fuminho em setembro do ano passado consta que o endereço dele é Rua Independência, 246, bairro do Cambuci, na região central da capital paulista.

Até hoje, passados 21 anos de sua fuga do então maior presídio da América Latina, Fuminho continua driblando as Polícias Civil, Militar e Federal e as Forças Armadas brasileiras.

Por Josmar Jozino – Repórter da Ponte

*Esta reportagem foi publicada originalmente pela Ponte