Governo cria procedimento para importar produto agropecuário

Portaria do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estabelece procedimentos que deverão ser observados para a avaliação do impacto da abertura do mercado brasileiro para a importação de produtos agropecuários. 

De acordo com a portaria nº133, publicada no Diário Oficial de hoje (24), ficará a cargo da Secretaria de Defesa Agropecuária fixar os requisitos sanitários, fitossanitários e de segurança exigidos para a importação de produtos agropecuários. 

Já a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais será o órgão competente para avaliar os impactos econômicos e comerciais, bem como os impactos nas relações internacionais, decorrentes da abertura do mercado brasileiro para esses produtos.

Mercado brasileiro

A portaria detalha, ainda, a tramitação dos processos que tratam da “potencial abertura” do mercado brasileiro para produtos agropecuários. Ela prevê que a Secretaria de Defesa Agropecuária encaminhe à Secretaria de Comércio e Relações Internacionais – por meio do Sistema Eletrônico de Informações ou outro sistema eletrônico oficial em vigor – os processos com a conclusão das discussões técnicas e a decisão sobre requisitos sanitários, fitossanitários e de segurança que serão estabelecidos para abertura do mercado do Brasil para produtos agropecuários importados.

A Secretaria de Comércio e Relações Internacionais promoverá a avaliação dos impactos econômicos e comerciais e nas relações internacionais dos processos encaminhados pela Secretaria de Defesa Agropecuária.

Após a manifestação da Secretaria de Comércio, a Secretaria de Defesa Agropecuária dará sequência à publicação dos atos de definição dos requisitos sanitários, fitossanitários e de segurança a serem estabelecidos para abertura do mercado de produtos agropecuários para importação para o Brasil.

Por Agência Brasil

Governo rebate Macron: “Soja brasileira não exporta desmatamento”

O governo brasileiro rebateu nesta quarta-feira (13/01) uma declaração feita pelo presidente da França, Emmanuel Macron, criticando a produção de soja em áreas desmatadas no Brasil.

Na terça-feira, Macron escreveu no Twitter que “continuar dependendo da soja brasileira é endossar o desmatamento na Amazônia”. “Somos coerentes com as nossas ambições ecológicas, estamos lutando para produzir soja na Europa!”, completou.

O texto acompanha um vídeo de 30 segundos, em que o presidente francês destaca que, “quando importamos a soja produzida a um ritmo rápido a partir da floresta destruída no Brasil, nós não somos coerentes” com as ambições ecológicas europeias.

“Nós precisamos da soja brasileira para viver? Então nós vamos produzir soja europeia ou equivalente”, acrescenta ele no vídeo.



Nesta quarta-feira, o Ministério da Agricultura divulgou uma nota negando que a soja brasileira seja cultivada em terras desmatadas e alegando que a produção local é sustentável.

“A declaração do presidente francês, Emmanuel Macron, sobre a soja brasileira mostra completo desconhecimento sobre o processo de cultivo do produto importado pelos franceses e leva desinformação a seus compatriotas”, disse a pasta no texto.

“O Brasil é o maior produtor e exportador de soja do mundo, abastecendo mais de 50 países com grãos, farelo e óleo. Detém domínio tecnológico para dobrar a atual produção com sustentabilidade, seja em áreas já utilizadas, seja recuperando pastagens degradadas, não necessitando de novas áreas. Toda a produção nacional tem controle de origem. A soja brasileira, portanto, não exporta desmatamento”, completou.

Mais cedo, o vice-presidente Hamilton Mourão – que é presidente do Conselho da Amazônia – já havia reagido às críticas de Macron, afirmando que o Brasil cultiva pouca soja na Amazônia e que a França não tem como competir com o Brasil em termos de produção agrícola.

Monsieur Macron n’est pas bien [Senhor Macron não está bem]”, disse Mourão, em francês, após ser questionado por jornalistas sobre o caso.

“Macron desconhece a produção de soja do Brasil, nossa produção de soja é feita no Cerrado e no sul do país. A produção agrícola na Amazônia é ínfima. Por outro lado, nossa capacidade de produção é imbatível, vamos colocar assim, nossa competição neste ramo aí está muito acima dos demais concorrentes”, acrescentou o vice-presidente.

Segundo Mourão, a França “não tem condições de competir com a gente”. “Em outros aspectos, onde a indústria francesa, por exemplo, é melhor. Agora, nesse aspecto aí, na questão da produção agrícola, nós damos de 10 a 0 neles”, completou.

Soja importada pela Europa

A Europa é uma grande importadora de soja da América Latina, principalmente do Brasil. O cultivo em território brasileiro e a importação de soja para ser usada, por exemplo, como ração para pecuária e biocombustível têm sido fortemente criticados por impulsionar o desflorestamento.

Um relatório apresentado na semana passada em Berlim, intitulado Fleischatlas 2021 (“Atlas da carne 2021”), apontou que 50% dos produtos agrícolas enviados do Brasil à União Europeia, especialmente soja, carne bovina e café, são produto do desmatamento.

Já entre os países europeus, a França é o maior produtor de soja. Em 2020, o governo francês anunciou um plano para aumentar a produção local do grão, visando reduzir a dependência das importações, uma vez que o país continua comprando soja de outros países, sobretudo do Brasil – o que já gerou protestos de organizações ambientalistas como o Greenpeace, justamente por conta da associação entre a produção de soja e o desmatamento.

Varejistas franceses também anunciaram que, a partir de 2021, não mais comprariam soja brasileira que tivesse sido cultivada em áreas desmatadas.

Críticas à política ambiental

O aumento do desmatamento na Amazônia e em outros biomas brasileiros nos últimos dois anos gerou uma onda de indignação internacional, com Macron sendo uma das vozes mais críticas à política ambiental do presidente Jair Bolsonaro.

Os líderes francês e brasileiro chegaram a trocar farpas públicas. Em 2019, Macron disse que as queimadas no Brasil – cujas imagens correram o mundo e aumentaram a pressão sobre o governo brasileiro – eram uma “crise global” e precisavam ser discutidas “com urgência” pelo G7.

À época, a posição de Macron irritou Bolsonaro, que reagiu afirmando que a postura do francês evocava “mentalidade colonialista descabida no século 21”. Membros do governo Bolsonaro e filhos do presidente chegaram a xingar Macron nas redes sociais, e o próprio presidente fez um insulto machista à primeira-dama francesa, Brigitte Macron.

A situação do meio ambiente no Brasil levou inclusive alguns países europeus a ameaçarem não ratificar o acordo de livre-comércio assinado entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, que ainda precisa ser confirmado pelos parlamentos de ambas as partes.

Em agosto de 2020, a chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, se uniu a Macron como voz crítica ao acordo. Por meio de seu porta-voz, ela disse ter “sérias dúvidas” sobre a implementação do pacto comercial devido ao aumento do desmatamento na Amazônia.

Em 2019, primeiro ano do governo Bolsonaro, o desmatamento na Amazônia cresceu 85%, atingindo 9.165 quilômetros quadrados, o maior nível registrado no bioma desde 2016, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Por Deutsche Welle

EK/dpa/lusa/ots

Hong Kong veta importação de frango de frigorífico brasileiro

Hong Kong vetou a importação de frango do frigorífico brasileiro Aurora, localizado em Santa Catarina. O Ministério da Agricultura divulgou que recebeu o comunicado oficial confirmando a medida.

Ainda de acordo com o Ministério, a suspensão tem caráter temporário. Não foi informado, entretanto, qual será o tempo de vigência. Por meio de sua assessoria, a pasta informou à Agência Brasil que irá responder aos questionamentos das autoridades de Hong Kong.

A medida ocorreu após um lote de frango do frigorífico Aurora ser apontado por chineses como contaminado pelo coronavírus. A alegação foi feita pela prefeitura de Shenzhen, na província de Guandong.

No dia 14, as Filipinas anunciaram a suspensão da importação de frango brasileiro. De acordo com o Departamento de Agricultura das Filipinas, a medida é transitória, mas não foi estabelecido prazo fixo ou limite para a vigência da proibição.

O Ministério da Agricultura anunciou no dia 13 que pediria explicações à China sobre o episódio. Em nota, o órgão afirmou que não há comprovação científica de transmissão da covid-19 por alimentos congelados.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) também divulgou nota informando estar analisando a alegação de identificação “de traços de vírus em embalagem de produto de origem brasileira”.  No texto, a entidade argumentou que ainda não está claro em que momento teria havido a eventual contaminação.   

Agência Brasil entrou em contato com o frigorífico Aurora, cuja assessoria respondeu que não se pronunciaria no momento.

Por Jonas Valente – Repórter da Agência Brasil

Agricultura declara emergência por causa de gafanhotos

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento declarou estado de emergência fitossanitária no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina devido ao risco de surto da praga Schistocerca cancellata nas áreas produtoras dos dois estados. A portaria com a medida está publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (25).

(Gov. da Provincia de Córdoba/via Fotos Públicas)

O estado de emergência tem por objetivo permitir a implementação de plano de supressão da praga e adoção de medidas emergenciais. De acordo com o ministério, a emergência fitossanitária é por um prazo de 1 ano.

A nuvem de gafanhotos está a cerca de 250 quilômetros da fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina. A preocupação das autoridades do setor agropecuário e de produtores rurais é o dano que os insetos possam causar às lavouras e pastagens, se houver infestação.

A dieta do inseto varia, conforme a espécie, entre folhas, cereais, capins e outras gramíneas. Segundo informações repassadas à Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul, a nuvem é originária do Paraguai, das províncias de Formosa e Chaco, onde há culturas de cana-de-açúcar, mandioca e milho.

Em nota, o minstério informou que está acompanhando o fenômeno em tempo real e que “emitiu alerta para as superintendências federais de Agricultura e aos órgãos estaduais de Defesa Agropecuária para que sejam tomadas medidas cabíveis de monitoramento e orientação aos agricultores da região.

De acordo com a pasta, especialistas argentinos estimam que os insetos sigam em direção ao Uruguai. A ocorrência e o deslocamento da nuvem de gafanhotos são influenciados pela temperatura e circulação dos ventos.

O fenômeno é mais comum com temperatura elevada. Segundo o setor de Meteorologia da secretaria gaúcha, há expectativa de aproximação de uma frente fria pelo sul do estado, que deve intensificar os ventos de norte e noroeste, “potencializando o deslocamento do massivo para a Fronteira Oeste, Missões e Médio e Alto Vale do Rio Uruguai”.

A nota diz ainda que o gafanhoto está presente no Brasil desde o século 19 e que causou grandes perdas às lavouras de arroz na Região Sul no período de 1930 a 1940. “No entanto, desde então, tem permanecido na sua fase ‘isolada’, que não causa danos às lavouras.”

O ministério informa que especialistas estão avaliando “os fatores que levaram ao ressurgimento desta praga em sua fase mais agressiva” e que o fenômeno pode estar relacionado a uma conjunção de fatores climáticos.

A Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul orienta os produtores rurais gaúchos a informar a Inspetoria de Defesa Agropecuária da sua localidade se identificar a presença de tais insetos em grande quantidade.

Morre sétima vítima de cerveja contaminada em Minas

Mais uma pessoa hospitalizada após ingerir cervejas da empresa mineira Backer morreu em Belo Horizonte (MG). O nome da vítima, que morreu neste domingo (8), ainda não foi confirmado pelas autoridades mineiras. Mas a Polícia Civil informou que se trata do sétimo óbito após internação por síndrome nefroneural atribuída à intoxicação por dietilenoglicol.

Substância tóxica usada em sistemas de refrigeração devido a suas propriedades anticongelantes, o dietilenoglicol foi encontrado em dezenas de lotes de diferentes rótulos de cervejas produzidas pela cervejaria mineira Backer. Todas as pessoas que apresentaram sintomas da síndrome nefroneural tinham consumido a bebida pouco tempo antes – o que levou as autoridades a investigarem a fábrica e as cervejas da Backer.

As pessoas hospitalizadas apresentaram sintomas semelhantes – insuficiência renal aguda de evolução rápida (ou seja, que levou a pessoa a ser internada em até 72 horas após o surgimento dos primeiros sintomas) e alterações neurológicas centrais e periféricas que podem ter provocado paralisia facial, embaçamento ou perda da visão, alteração sensório, paralisia, entre outros sintomas.



Até a publicação desta reportagem, a Secretaria de Saúde de Minas Gerais ainda estava verificando detalhes sobre este sétimo caso. Já a Polícia Civil confirmou que o corpo está passando por necrópsia no Instituto Médico-Legal (IML).

Há mais de um mês não se registrava uma morte associada ao consumo da bebida. O sexto óbito confirmado pela secretaria estadual ocorreu no dia 3 de fevereiro, e a identidade da vítima não foi confirmada. A quinta morte por intoxicação ocorreu no mesmo dia 3 de fevereiro. A vítima foi o juiz titular da 28ª Vara do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), João Roberto Borges, 74 anos. Na ocasião, ao menos 29 pessoas tinham apresentado os sintomas de intoxicação por dietilenoglicol

Até o dia 7 de fevereiro, data em que a Secretaria de Saúde divulgou o último boletim sobre o caso, 31 casos suspeitos de intoxicação por dietilenoglicol já tinham sido notificados. Desses, 26 pessoas eram do sexo masculino e cinco, do sexo feminino; 22 eram moradores de Belo Horizonte e os demais casos estavam distribuídos pelas cidades de Capelinha, Contagem, Nova Lima, Pompéu, Ribeirão das Neves, São João Del-Rei, São Lourenço, Ubá e Viçosa.

Por Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil

Já são 6 as mortes suspeitas de ligação com cerveja contaminada

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) divulgou hoje (3) boletim atualizando para seis o número de mortos que podem ter se intoxicado por dietilenoglicol. A suspeita é de que as vítimas tenham ingerido a substância ao consumir cervejas da marca Backer.

Até sexta-feira (31), quando foi divulgado o último boletim, quatro mortes estavam confirmadas. Das duas novas vítimas, apenas uma teve a identidade revelada. Trata-se do juiz João Roberto Borges, de 74 anos, cujo falecimento já havia sido informado oficialmente nesta manhã pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT-MG), onde ele trabalhava.

Por enquanto, só houve confirmação laboratorial da intoxicação por dietilenoglicol em uma morte: a vítima era um homem que morreu em 7 de janeiro. Os outros casos que resultaram em óbito ainda estão sendo examinados e são tratados oficialmente como suspeitos. No entanto, todos estão associados a sinais e sintomas compatíveis com o quadro de intoxicação por dietilenoglicol. Além dos seis casos que resultaram em mortes, há 21 suspeitos e três com confirmação laboratorial. São 30 casos ao todo, dos quais 26 em pacientes do sexo masculino e quatro do sexo feminino.

As ocorrências ganharam notoriedade na primeira semana de janeiro, quando houve uma busca por serviço médico de pacientes relatando náusea, vômito e dor abdominal. Em alguns casos, houve rápida evolução para um quadro de insuficiência renal e alterações neurológicas, como paralisia facial e borramento visual.

Nas redes sociais de moradores de Belo Horizonte, começaram a circular mensagens associando o problema de saúde ao consumo da cerveja Belorizontina, um dos rótulos produzidos pela Backer. A empresa chegou a afirmar que se tratava de informação inverídica e ameaçou entrar com ação judicial contra os responsáveis por sua disseminação. No entanto, em 9 de janeiro, a Polícia Civil encontrou amostras de dietilenoglicol em dois lotes da Belorizontina. Quatro dias depois, foi identificado o terceiro lote contaminado.

A Backer nega o uso da substância em sua produção e diz que colabora com as investigações. De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, já se confirmou a contaminação em 41 lotes de 10 rótulos distintos da cervejaria. A pasta interditou preventivamente a fábrica em 10 de janeiro. A comercialização de todos os produtos da Backer está suspensa.

O dietilenoglicol costuma ser usado em sistemas de refrigeração, devido a suas propriedades anticongelantes. Sua toxidade é conhecida desde 1937, quando foi incluído na fórmula de um xarope e levou mais de 100 pessoas à morte nos Estados Unidos. O químico responsável pelo produto, Harold Watkins, acabou se suicidando. O episódio acabou contribuindo para que a Congresso norte-americano aprovasse uma lei dando autoridade para a Food and Drug Administration (FDA) fiscalizar de forma mais rígida os processos de produção de alimentos, medicamentos e cosméticos.

Casos de intoxicação já foram relatados em outros países, como África do Sul, China, Espanha e Nigéria. Este último registrou o episódio mais recente: em 2008 o dietilenoglicol matou 84 crianças nigerianas. As investigações revelaram que todas elas consumiram um medicamento chamado My Pikin Baby, contaminado com a substância.

Por  Léo Rodrigues – Repórter da Agência Brasil 

Juiz é a quinta vítima fatal de contaminação por cerveja

Mais uma vítima internada com a suspeita de ter sido intoxicada após ingerir cervejas da empresa mineira Backer morreu, aumentando para cinco o total de mortes decorrentes da contaminação do produto por substâncias tóxicas.

A vítima é o juiz titular da 28ª Vara do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em Belo Horizonte, João Roberto Borges, 74 anos. Ele estava internado no hospital Madre Tereza, também na capital mineira. Seu corpo será necropsiado no Instituto Médico Legal (IML). Em comunicado interno, a presidência do TRT-MG manifestou condolências à família de Borges, e aos servidores das varas onde ele atuou.

Ao menos 29 pessoas apresentaram os sintomas de intoxicação por dietilenoglicol, o produto encontrado em amostras de cervejas Backer analisadas por peritos da Polícia Civil de Minas Gerais. Tóxico, o dietilenoglicol costuma ser usado em sistemas de refrigeração, devido a suas propriedades anticongelantes. Exames realizados pelo Instituto de Criminalística da Polícia Civil também apontaram a presença de monoetilenoglicol na linha de produção.

Todos os pacientes apresentaram sintomas semelhantes: insuficiência renal aguda de evolução rápida (ou seja, que levou a pessoa a ser internada em até 72 horas após o surgimento dos primeiros sintomas) e alterações neurológicas centrais e periféricas que podem ter provocado paralisia facial, borramento visual ou perda da visão, alteração sensorial ou paralisia, entre outros sintomas. Exames acusaram a presença da substância dietilenoglicol no sangue de ao menos três pacientes internados.

Desde que seus produtos passaram a ser apontados como prováveis causadores do que, inicialmente, foi tratado como uma síndrome nefroneural de origem desconhecida, a Backer nega usar dietilenoglicol ou monoetilenoglicol em seus produtos.

Devido às suspeitas, a cervejaria foi interditada e a comercialização de seus produtos está suspensa. Até o último dia 28, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento já havia identificado 41 lotes de diferentes rótulos de cervejas produzidas pela Backer com a presença de monoetilenoglicol e dietilenoglicol.

gráfico da cerveja Backer

A Polícia Civil de Minas Gerais instaurou um inquérito para investigar eventual responsabilidade criminal pelo caso. Além disso, o Ministério da Agricultura e órgãos estaduais apuram a responsabilidade administrativa da empresa pela contaminação de seus produtos.

Em relação às mortes ocorridas por suspeitas de intoxicação por dietilenoglicol, a Backer compartilha da dor dos familiares das vítimas e, ainda que inconclusas as investigações sobre o acontecido, continua prestando o suporte necessário a todos os atingidos. A cervejaria tem acolhido essas pessoas e prestado atendimento psicossocial. Inclusive, na semana passada, por iniciativa própria, a empresa recorreu ao Ministério Público para ampliar ainda mais o suporte prestado às famílias dos atingidos. A Backer, como a maior interessada em saber o que de fato aconteceu, está tomando todas as providências para elucidar a questão e, embora não se tenha chegado a uma conclusão definitiva sobre o ocorrido, jamais deixou de colaborar com as investigações.

Por Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil

Perícia contratada pela Backer nega contaminação

Resultados divulgados nesta terça-feira (21) pela cervejaria Backer apontam que, ao contrário de parecer do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), não foi encontrado dietilenoglicol na água usada na produção de cervejas da marca. A análise, contratada pela empresa, foi feita pelo departamento de química da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

As amostras de água analisadas pela UFMG são as mesmas usadas pelo Mapa. Os testes foram realizados com a permissão do ministério. 

A perícia contratada pela Backer também aponta que a presença de dietilenoglicol nas cervejas foi “eventual”. As amostras analisadas mostram um declínio na contaminação dos lotes, em vez de um quadro de contaminação constante, o que sugeriria uma falha no processo de produção da cerveja.

Segundo o parecer da universidade, o lote L2 1348 da cerveja Belorizontina, produzido em 11 de novembro, é o que apresenta a maior quantidade da substância tóxica, 0,83 gramas (g) por 100 mililitros (ml). Nos lotes subsequentes o índice de contaminação é menor. O lote de 24 de dezembro tem 0,41g por 100ml e o lote de 3 de janeiro, 0,21ml. Os resultados foram apresentados hoje em entrevista coletiva.

“São dados que apontam um pico de contaminação em novembro, mas que não persistiu ao longo das semanas. No caso de um problema no processo, o mais provável é que a concentração inicial fosse mais constante, e não decrescente”, afirmou o professor do departamento da UFMG, mestre em ciências dos alimentos e doutor em química, Bruno Botelho, contratado pela Backer para realizar uma análise independente da já realizada pela Polícia Civil e pelo Mapa.

Toxicidade

Botelho também trouxe dados sobre o poder de toxicidade do dietilenoglicol. Segundo ele, a literatura médica sobre o assunto traz um consenso de que a intoxicação pela substância ocorre quando a ingestão dela se dá em uma proporção de 1,1g para cada quilo corpóreo.

Os dados trazidos pelo professor trazem questionamentos sobre o poder de toxicidade das cervejas contaminadas. “Pela proporção, um adulto de 70 kg teria que consumir por volta de 80g dessa substância. Se eu falei que uma garrafa de 600 ml tem 4,8g, a pessoa precisaria beber 16 delas, cujo volume final seria em torno de 9,6 litros de cerveja”.

A Secretaria de Saúde de Minas Gerais confirmou nesta segunda-feira (20) que foram notificados 21 casos suspeitos de intoxicação por dietilenoglicol. Segundo a secrearia, quatro casos tiveram a intoxicação confirmada e 17 estão sob investigação. Até agora, quatro pessoas morreram. Três dessas mortes estão entre os 17 casos sob investigação.

A ingestão de dietilenoglicol pode provocar a síndrome nefroneural, que pode provocar insuficiência renal aguda e alterações neurológicas, como paralisia facial, embaçamento ou perda da visão, entre outros sintomas.

Por  Marcelo Brandão – Repórter da Agência Brasil

Anvisa proíbe venda de cervejas Backer

(Arquivo/Agência Brasil)


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) interditou todas as cervejas produzidas pela Backer cuja data de validade seja igual ou posterior a agosto de 2020. A medida foi anunciada ontem (17) pela autarquia. A decisão foi tomada após os resultados laboratoriais divulgados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento revelarem a presença das substâncias dietilenoglicol e monoetilenoglicol em seis outras marcas de cervejas produzidas pela Backer, além da marca Belorizontina.

Inicialmente, as duas substâncias foram encontradas na Belorizontina, que é vendida como Capixaba no Espírito Santo. Quatro mortes por intoxicação após o consumo da cerveja foram confirmadas. Mais 14 pessoas estão internadas.

Segundo a Anvisa, exames podem mostrar que a fonte de contaminação nas cervejas da marca pode ser sistêmica e não apenas pontual. Considerando que outros lotes de produtos da Backer podem estar comprometidos, a agência decidiu pela medida, em caráter cautelar.

Assim, os lotes de cerveja da empresa Backer com validade igual ou posterior a agosto de 2020 não podem ser entregues ao consumidor. A orientação é para que estas cervejas não sejam consumidas caso já tenham sido adquiridas. Os comerciantes devem retirar o produto das prateleiras. No início da semana, o Ministério da Agricultura havia determinado o recolhimento de todas as cervejas da Backer das prateleiras.

O dietilenoglicol é uma substância tóxica e que não pode entrar em contato com alimentos e bebidas. A presença da substância na cerveja está associada à ocorrência de óbitos e intoxicações em Minas Gerais. O monoetilenoglicol, embora de menor toxicidade, também tem a presença em bebidas vedada por não fazer parte da composição destas.

O monoetilenoglicol é usado para refrigerar a água usada no preparo da cerveja, mas não deve entrar em contato direto com ela. A Polícia Civil de Minas Gerais e o Ministério da Agricultura investigam como a contaminação ocorreu.

Por  Marcelo Brandão – Repórter da Agência Brasil

Vídeo é analisado por investigadores do caso Backer

A Polícia Civil de Minas Gerais está analisando o conteúdo de um vídeo entregue pela cervejaria mineira Backer e que pode reforçar a hipótese de que a empresa tenha sido alvo de sabotagem.

A corporação disse que não pode dar detalhes sobre o vídeo para não atrapalhar as investigações sobre a contaminação de 22 lotes de oito diferentes rótulos de cervejas produzidas pelas Backer: Belorizontina, Capixaba, Capitão Senra, Pele Vermelha, Fargo 46, Backer Pilsen, Brown e Backer D2.

A cervejaria, no entanto, confirma que teve acesso e repassou imediatamente à Polícia Civil “um vídeo cujo conteúdo pode estar relacionado com as investigações em curso”. O vídeo, de acordo com a empresa, foi entregue às autoridades nesta quinta-feira (16).

Ontem (16), policiais mineiros cumpriram mandados de busca e apreensão em uma empresa distribuidora que fornece a Backer insumos usados na produção de cerveja. A distribuidora, cujo nome não foi divulgado, fica em Contagem, na região metropolitana da capital mineira.

Depoimentos

Na quinta-feira (16) mais duas pessoas prestaram depoimento na 4ª Delegacia de Polícia, em Belo Horizonte, onde um inquérito policial foi instaurado para apurar a suposta contaminação das cervejas da Backer por duas substâncias tóxicas usadas em sistemas de refrigeração por suas propriedades anticongelantes, o monoetilenoglicol e o dietilenoglicol.

De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, exames periciais demonstram a presença das duas substâncias nos 22 lotes dos oito rótulos de cerveja considerados contaminados. No último dia 13, quando a contaminação pelos anticongelantes ainda era uma suspeita, o ministério intimou a empresa a recolher dos estabelecimentos comerciais toda a bebida produzida a partir de outubro de 2019. Além disso, lacrou tanques e demais equipamentos de produção e determinou a apreensão de 139 mil litros de cerveja engarrafada e 8.480 litros de chope.

Até o momento, quatro mortes estão sendo atribuídas à intoxicação pelo consumo da cerveja Backer, particularmente da Belorizontina. A primeira morte, de uma mulher, ocorreu em Pompéu, a cerca de 170 quilômetros da capital mineira. Embora a vítima tenha falecido em 28 de dezembro, só ontem (16) a Secretaria estadual de Saúde confirmou que o caso pode estar associado à síndrome nefroneural provocado pela intoxicação. As outras três vítimas fatais são do sexo masculino e vieram a óbito em 7, 15 e 16 de janeiro, em Juiz de Fora e Belo Horizonte, respectivamente.

Outros 14 pacientes continuam internados em estabelecimentos de saúde mineiros. Dos 18 casos registrados até hoje, apenas quatro já têm laudos atestando a presença de dietilenoglicol no sangue, incluído o homem que faleceu no último dia 7. Doze das vítimas residem ou residiam em Belo Horizonte e seis moram ou moravam em Nova Lima, Pompéu, São João Del Rei, São Lourenço, Ubá e Viçosa.

Todas as pessoas internadas devido à suspeita de terem desenvolvido a síndrome nefroneural apresentaram sintomas semelhantes – insuficiência renal aguda de evolução rápida (ou seja, que levou a pessoa a ser internada em até 72 horas após o surgimento dos primeiros sintomas) e alterações neurológicas centrais e periféricas que podem ter provocado paralisia facial, embaçamento ou perda da visão, alteração sensório, paralisia, entre outros sintomas.

Em nota, a Backer diz que contribui com as autoridades sem restrições e reforça que é a principal interessada na apuração e elucidação dos fatos.

Por Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil