Governo quer reduzir isolamento de pessoas com covid-19

Marcelo Queiroga, ministro da saúde, fala ao microfone diante de duas fotos do zé gotinha. Ze gotinha traz estampado na roupa a marca do Sistema Único de Saúde (sus)

O governo pode reduzir de 10 para cinco dias o prazo de quarentena de casos positivos assintomáticos, contaminados pela variante Ômicron do novo coronavírus. A informação foi dada na manhã desta sexta-feira (7) pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em entrevista na chegada ao Ministério.

Segundo Queiroga, ainda hoje ele vai se reunir com os chefes da Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 (Secovid) e da Secretaria de Vigilância Sanitária para tratar desse assunto. Eles também analisarão a possibilidade de permitir que servidores da área de saúde que tiveram diagnóstico positivo para a variante, mas que também não apresentem sintomas, possam fazer parte da linha de frente no atendimento aos pacientes com covid-19.

Marcelo Queiroga, ministro da saúde, fala ao microfone diante de duas fotos do zé gotinha. Ze gotinha traz estampado na roupa a marca do Sistema Único de Saúde (sus)
Marcelo Queiroga, ministro da Saúde (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

“Se eu não me engano, o CDC [Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos] já deu essa recomendação [reduzir o isolamento dos pacientes assintomáticos com Ômicron]. O governo francês está, inclusive, autorizando profissionais de saúde que estão positivos a atender na linha de frente, por conta do número de casos. Então, isso está sendo analisado”, adiantou.

Aos jornalistas, Queiroga ressaltou que há relatos na comunidade científica sobre a segurança de se adotar a redução da quarentena e a colocação de servidores assintomáticos no atendimento direto aos pacientes com covid-19. “Possivelmente [o Brasil vai seguir essas medidas], porque isso está sendo adotado em outros países e tem assento em evidências científicas. E aí é possível que nós adotemos a mesma conduta. Isso naturalmente que está em estudo na área técnica, na Secretaria de Vigilância em Saúde, na Secovid. Hoje eu tenho uma reunião com os secretários justamente para tratar sobre esses temas”, acrescentou.

Testagem

O ministro da Saúde disse ainda que a pasta pretende aumentar a testagem da população. “É necessário fazer a testagem para identificar o aumento no número de casos e fazer o isolamento das pessoas que estão positivas, não é só testar por testar”, avaliou Queiroga.

Ômicron

Queiroga estimou que em até 30 dias o governo terá informações mais claras sobre os perigos relacionados à variante Ômicron. “Vamos esperar mais três ou quatro semanas para se ter uma ideia mais definitiva com relação ao potencial de letalidade”, disse o ministro.

Região Norte

Na visão do ministro, o combate ao crescimento de covid-19 e influenza devem priorizar a região Norte. “O que nos preocupa mais é a região Norte porque as coberturas vacinais são cronicamente mais baixas, e porque o sistema de saúde é mais frágil”, justificou.

Carnaval

Queiroga comentou o cancelamento do carnaval de rua em várias cidades pelo Brasil. Ele ressaltou que “o Ministério nunca estimulou” a realização de grandes eventos ao longo da pandemia.

Estados e municípios

Marcelo Queiroga cobrou uma melhor gestão de estados e municípios para ações de combate à pandemia e disse que os entes também devem empregar parte dos orçamentos no controle do crescimento dos casos de covid-19 no país, assim como para o aumento da disseminação do influenza. “O SUS é tripartite, e estados e municípios também devem alocar parte dos seus orçamentos para enfrentamento da pandemia de covid-19. Não é só o tempo inteiro cobrar do Ministério da Saúde e lá na ponta adotar medidas de acordo com a sua ideia”, criticou.

Vazamento

Sobre o vazamento de dados de médicos pró-vacina que participaram da audiência pública sobre vacinação de crianças, organizada pelo Ministério na última terça-feira (4), o ministro afirmou que o vazamento não é de responsabilidade da pasta.

Ele insistiu que questionamentos devem ser feitos à deputada federal Bia Kicis (PSL-DF), que teria compartilhado os dados dos médicos, como números de telefone celular, e-mail e CPF. “Eu não estava na audiência pública. Você tem que questionar a deputada Bia Kicis. A audiência pública não aconteceu no ministério, então não saiu de dentro ministério. A audiência aconteceu na Opas”, disse Queiroga acrescentando que é ministro da Saúde, e não “fiscal de dados do ministério”.

Pelo Twitter, a deputada ironizou as críticas sobre o vazamento. “Tanto interesse em saber quem vai se responsabilizar por um suposto vazamento de dados de um documento de médicos e nenhum interesse em saber quem vai se responsabilizar por eventuais danos por efeitos colaterais das vacinas em nossas crianças”, disse.

Por Karine Melo, da Agência Brasil

Ministério da Saúde sofre segundo ataque hacker

Marcelo Queiroga, ministro da saúde, fala ao microfone diante de duas fotos do zé gotinha. Ze gotinha traz estampado na roupa a marca do Sistema Único de Saúde (sus)

O Ministério da Saúde sofreu o segundo ataque hacker em três dias, afirmou o chefe da pasta, Marcelo Queiroga. O ataque ocorreu entre domingo (12/12) e segunda-feira (13/12), e parte dos sistemas internos está indisponível, segundo o ministro.

Após a Saúde inicialmente negar o ocorrido ao longo do dia, afirmando apenas que o sistema DataSUS estava em manutenção, Queiroga admitiu o ataque, mas afirmou que este teve menor impacto que o da última sexta-feira.

“Em relação a esse [segundo ataque], foi algo de menor monta e estamos trabalhando para recuperar isso o mais rápido possível”, disse o ministro.

Marcelo Queiroga, ministro da saúde, fala ao microfone diante de duas fotos do zé gotinha. Ze gotinha traz estampado na roupa a marca do Sistema Único de Saúde (sus)
Marcelo Queiroga, ministro da Saúde (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Após as declarações de Queiroga, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) divulgou uma nota informando que “incidentes cibernéticos contra órgãos de governo em ambiente de nuvem” ocorreram na sexta-feira. Segundo o GSI, o governo está atuando “de forma coordenada para a retomada dos serviços, que estão sendo reativados à medida em que o tratamento ocorre”.

Além da Saúde, a Controladoria Geral da União, a Polícia Rodoviária Federal e o Instituto Federal do Paraná confirmaram que tiveram seus sistemas invadidos.

No domingo, o Ministério da Saúde informou que finalizou com sucesso o processo para recuperação dos registros dos brasileiros vacinados contra a covid-19. Segundo nota divulgada pela pasta, não houve perda das informações, e todos os dados foram recuperados.

O sistema havia sido alvo de supostos hackers na madrugada de sexta-feira. Os invasores chegaram a publicar uma mensagem que afirmava que os “dados internos dos sistemas” haviam sido “copiados e excluídos”. Com isso, plataformas como DataSUS, Painel Coronavírus e Conecte SUS ficaram fora do ar.

Um grupo que autointitula “Lapsus$ Group” assumiu a autoria do “ransomware”, uma modalidade de ataque cibernético em que um site ou sistema é “sequestrado” ou paralisado até o pagamento de um pedido de resgate. A Polícia Federal abriu inquérito para apurar o caso e avaliar o alcance do ataque cibernético.

Nesta segunda, dados sobre vacinação continuavam indisponíveis pelo quarto dia no aplicativo ConecteSUS, usado para emitir comprovantes de imunização. Outras plataformas, incluindo o Painel Coronavírus, que apresenta números de mortes e casos da covid-19 no Brasil, também continuavam fora do ar.

Queiroga indicou que o novo ataque pode atrasar os planos de restabelecer os sistemas nesta terça. “Falei que até amanhã. Aí houve esse outro ataque. Infelizmente somos vítimas dessas figuras”, disse.

Ataque em meio a ofensiva do governo contra passaporte

Os ataques ocorreram num momento em que o governo de Jair Bolsonaro tentava contornar medidas delineadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para conter a pandemia, entre elas a instituição de um passaporte da vacina para viajantes.

Em vez de adotar uma obrigatoriedade exclusiva do passaporte de vacinação, o governo Bolsonaro tentou emplacar como alternativa uma quarentena de meros cinco dias para viajantes que ingressassem no país sem comprovante de vacinação, uma medida encarada pela comunidade científica como pouco séria, já que seria difícil fiscalizar milhares de pessoas que teriam que ficar em isolamento.

Mas até mesmo essa medida considerada pouco eficiente acabou sendo deixada de lado após o ataque ao site do Ministério da Saúde, e a pasta decidiu inicialmente adiar para o próximo sábado (18/12) a exigência da quarentena para viajantes que não apresentassem comprovante.

No entanto, no último sábado o Supremo Tribunal Federal (STF) entrou em cena e determinou que passageiros internacionais que cheguem ao Brasil apresentem comprovante de vacinação contra o coronavírus – enterrando por enquanto o plano do governo em oferecer a quarentena como alternativa. Dessa forma, estrangeiros sem comprovante vacinal não poderão entrar no Brasil – salvo algumas exceções.

Nesta segunda, a Anvisa notificou os postos dela nas fronteiras para que exijam o passaporte de vacinação contra a covid-19 dos viajantes que quiserem entrar no Brasil.

No mesmo dia, a Advocacia-Geral da União (AGU) pediu ao STF para que brasileiros vindos do exterior que não tenham o passaporte de vacinação possam entrar no Brasil após cinco dias de quarentena e testagens.

A AGU argumentou que a determinação do STF não foi clara em relação aos brasileiros que residem no exterior, e também pediu a Barroso que altere a decisão para garantir que residentes no Brasil possam retornar ao país desde que cumpram a quarentena prevista. O governo pediu ainda que o comprovante de recuperação da covid-19 seja aceito como alternativa para entrar no país.

Por Deutsche Welle
lf (ABR, ots)

Após ataque hacker, dados da vacinação são recuperados, diz Ministério

O Ministério da Saúde informou neste domingo (12/12) que finalizou com sucesso o processo para recuperação dos registros dos brasileiros vacinados contra a covid-19. Segundo nota divulgada pela pasta, não houve perda das informações e todos os dados foram recuperados.

O sistema havia sido alvo de suposto hackers na madrugada da última sexta-feira. Os invasores chegaram a publicar uma mensagem que afirmava que os “dados internos dos sistemas” haviam sido “copiados e excluídos”.

Com isso, plataformas como DataSUS, Painel Coronavírus e Conecte SUS ficaram fora do ar. Um grupo que autointitula “Lapsus$ Group” assumiu a autoria do “ransomware”, uma modalidade de ataque cibernético em que um site ou sistema é “sequestrado” ou paralisado até o pagamento de um pedido de resgate.

(Arquivo/Reprodução)

Na tarde deste domingo, dados sobre vacinação continuavam indisponíveis no aplicativo ConecteSUS, usado para emitir comprovantes de imunização. Outras plataformas, incluindo o Painel Coronavírus, que apresenta números de mortes e casos da covid-19 no Brasil, também continuavam fora do ar.

Na mesma nota, o ministério afirmou que “no momento, a pasta trabalha para restabelecer o mais rápido possível os sistemas para registro e emissão dos certificados de vacinação”. No sábado, o Ministério da Saúde disse que a “expectativa” é que o ConecteSus seja reestabelecido na próxima semana.

O ataque dificultou a obtenção de comprovante de vacinação e o ministério chegou a colocar no ar uma página alternativa com orientações para emissão alternativa do documento, apontando que algumas secretarias estaduais são capazes de produzir o documento eletronicamente e que uma segunda via pode ser solicitada em postos de vacinação.

O documento é exigido em mais de 240 cidades brasileiras para acessar alguns espaços públicos e privados, de acordo com informações da Confederação Nacional de Municípios (CNM).

A Polícia Federal abriu inquérito para apurar o caso e avaliar o alcance do ataque cibernético.

Ataque em meio a ofensiva do governo contra passaporte

O episódio ocorreu também num momento em que o governo de Jair Bolsonaro tentava contornar medidas delineadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para conter a pandemia, entre elas a instituição de um passaporte da vacina para viajantes.

Em vez de adotar uma obrigatoriedade exclusiva do passaporte de vacinação, o governo Bolsonaro tentou emplacar como alternativa uma quarentena de meros cinco dias para viajantes que ingressassem no país sem comprovante de vacinação, uma medida foi encarada pela comunidade científica como pouco séria, já que seria difícil fiscalizar milhares de pessoas que teriam que ficar em isolamento.

Mas até mesmo essa medida considerada pouco eficiente acabou sendo deixada de lado após o ataque ao site do Ministério da Saúde, e a pasta decidiu inicialmente adiar para o próximo sábado (18/12) a exigência da quarentena para viajantes que não apresentassem comprovante.

No entanto, no sábado o Supremo Tribunal Federal (STF) entrou em cena e determinou que passageiros internacionais que cheguem ao Brasil apresentem comprovante de vacinação contra o coronavírus – enterrando por enquanto o plano do governo em oferecer a quarentena como alternativa. Dessa forma, estrangeiros sem comprovante vacinal não poderão entrar no Brasil – salvo algumas exceções.

Somente serão dispensados de apresentar o comprovante quem atestar que não pode tomar vacina por razões médicas ou quem venha de país em que os imunizantes não estejam disponíveis. Nestes casos, os viajantes terão que, pelo menos, serem submetidos a uma quarentena.

Nesta semana, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, numa demonstração de lealdade ao seu chefe, chegou a repetir um chavão de Bolsonaro ao se manifestar contra a obrigatoriedade do passaporte: “Melhor perder a vida do que a liberdade”. A frase de Queiroga gerou repúdio na comunidade científica, e a atitude do governo chegou a levantar o temor de que o Brasil pudesse entrar numa espécie de rota de turismo para céticos da vacina.

Bolsonaro também se irritou nesta semana com a pressão da Anvisa para a adoção do passaporte. “De novo, porra? De novo vai começar esse negócio?”, disse o presidente na terça-feira – no mesmo dia, ele voltou a defender tratamentos ineficazes contra a covid-19.

Na quinta-feira, após o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), defender a adoção de um passaporte sanitário em seu estado em resposta a inação do governo federal, Bolsonaro fez um ataque grosseiro contra o tucano.  “Já um governador aqui da região Sudeste quer fazer o contrário e ameaça: ‘ninguém vai entrar no meu Estado’. Teu Estado é o cacete porra!”.

Apesar da ofensiva de Bolsonaro contra as vacinas, a imunização avançou com sucesso no Brasil. Dados do consórcio de veículos de imprensa mostram que 139.229.299 pessoas já tomaram a segunda dose ou dose única de vacinas e, assim, estão totalmente imunizadas. O número representa 65,27% da população.

Esta não foi a primeira vez que o STF foi levado a agir diante da inação do governo Bolsonaro ou em resposta a práticas negacionistas do presidente. No ano passado, o Tribunal determinou que o governo federal não poderia interferir em decisões de governadores e prefeitos para a adoção de medidas restritivas como o isolamento social. À época, o governo federal tentava tomar medidas para impedir a adoção de tais medidas pelos estados e municípios.

A decisão do STF foi posteriormente distorcida por Bolsonaro e seus apoiadores, que até hoje tentam pintar falsamente o entendimento do tribunal como uma “proibição” para que o governo agisse para conter a crise, embora a determinação salientasse claramente que a União tinha responsabilidade agir contra a pandemia e coordenar ações.

Por Deutsche Welle
jps (ots)

Mais de 90% dos brasileiros já receberam primeira dose contra covid-19

agente de saúde prepara a vacina removendo o imunizante do frasco com um seringa

A Campanha de Vacinação contra a covid-19 do Brasil ultrapassou a marca de 90% da população-alvo com a primeira dose da vacina. Com o avanço na imunização dos brasileiros contra a doença, nove estados já ultrapassaram essa marca. Entre os estados que mais aplicaram a primeira dose do imunizante estão Santa Catarina, Roraima, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraíba, Piauí, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Para o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz, isso se deve à política do governo em adquirir, logo no início, mais de 550 milhões de doses de vacina contra a covid-19. Dessas, mais de 378 milhões já foram distribuídas e 314 milhões foram aplicadas, graças a um forte programa de imunização.

agente de saúde prepara a vacina removendo o imunizante do frasco com um seringa
(Edson Hatakeyama/Pref. de São Paulo)

“Nós temos um Programa Nacional de Imunizações (PNI), que é forte e realiza hoje uma das maiores campanhas de vacinação da história do Brasil. Se juntarmos os outros agentes imunizantes do Calendário de Vacinação brasileiro, ao todo, são quase 1 bilhão de doses de vacina. Isso só demonstra que o nosso Sistema Único de Saúde é forte, que foi capaz de implementar e colocar em prática uma campanha de vacinação tão importante e significativa”, disse.

De acordo com o ministério, “das mais de 314,1 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 aplicadas, 159,5 milhões de brasileiros iniciaram o ciclo vacinal e 140,5 milhões completaram o esquema com a segunda dose ou dose única do imunizante. Com o envio de doses de reforço, 14,1 milhões de brasileiros já reforçaram a imunidade com a dose adicional ou de reforço. Para 2022, mais de 354 milhões de doses estão garantidas para dar continuidade à campanha no próximo ano”.

Por Agência Brasil
*Com informações do Ministério da Saúde

Ministério fará mega vacinação em São Paulo e mais cinco capitais

Agente de saúde anota dados em uma folha na prancheta enquanto conversa com paciente que está dentro do carro esperando pela vacina

Começa neste sábado (20), a campanha nacional de Mega Vacinação contra a covid-19. Para promover a ação, o Ministério da Saúde vai promover eventos simultâneos nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Manaus, Curitiba e Salvador. O ministro Marcelo Queiroga participará da iniciativa no Rio, que ocorrerá na Cidade das Artes.

A intenção é incentivar a população a voltar aos postos de vacinação para tomar a segunda dose ou a dose de reforço. A campanha tem como slogam “Proteção pela medade não é proteção” e vai até 26 de novembro.

Neste período, os postos de vacinação em todo país estarão preparados para intensificar a imunização da população.

Agente de saúde anota dados em uma folha na prancheta enquanto conversa com paciente que está dentro do carro esperando pela vacina
(Edson Hatakeyama/Pref. de São Paulo)

A ação pretende incentivar que os 21 milhões de brasileiros que não tomaram a segunda dose da vacina procurem os postos e completem o ciclo vacinal. A iniciativa também pretende atingir as pessoas que estão aptas a tomar a dose de reforço. Cerca de 9,3 milhões de pessoas podem reforçar a imunidade contra a doença com uma terceira dose.

“Nós queremos convidar a todos os brasileiros que não foram tomar a segunda dose, assim como a dose de reforço, a procurar as Unidades Básicas de Saúde, salas de vacinação e as estratégias usadas em cada município. Essas doses estão disponíveis para a população, que ficará mais protegida e ajudará o Brasil a superar a crise sanitária e dar exemplo com uma das campanhas de vacinação mais bem-sucedidas do mundo, promovida integralmente pelo Sistema Único de Saúde”, disse o ministro da Saúde.

Por Agência Brasil

Estado mantém vacinação de adolescentes, apesar de recomendação do Ministério

agente de saúde prepara a vacina removendo o imunizante do frasco com um seringa

O governo de São Paulo informou hoje (16) que seguirá vacinando adolescentes de 12 a 17 anos de idade por recomendação do Comitê Científico do Estado.

Em nota técnica publicada ontem (15), o Ministério da Saúde recomenda a vacinação apenas para pessoas desse grupo que tenham deficiência permanente, comorbidades ou que estejam privados de liberdade.

“A medida cria insegurança e causa apreensão em milhões de adolescentes e famílias que esperam ver os seus filhos imunizados, além de professores que convivem com eles”, diz a nota do governo paulista.

Ainda segundo o governo estadual, “três a cada dez adolescentes que morreram com covid-19 não tinham comorbidades em São Paulo”. Aponta também que esse público responde por 6,5% dos casos no estado e, assim como os adultos, “está em fase de retomada do cotidiano, com retorno às aulas e atividades socioculturais”.

A vacinação de adolescentes em São Paulo começou em 18 de agosto. Já foram imunizadas cerca de 2,4 milhões de pessoas desse grupo, ou seja, 72%.

Capital paulista

A prefeitura de São Paulo também informou, por meio de nota, que não vai interromper a imunização com doses da vacina da Pfizer para adolescentes de 12 a 17 anos sem comorbidade na capital.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que tomou ciência da recomendação do ministério, mas que, “em virtude do estágio avançado no Programa Municipal de Imunizações (PMI), seguirá com as diretrizes” já publicadas no instrutivo número 35.

Segundo o governo municipal, até ontem (15) foram aplicadas mais de 712 mil doses em adolescentes de 12 a 17 anos, o que representa 84,4% da cobertura vacinal deste público, restando, portanto, cerca de 15%.

“As doses destinadas à imunização desse grupo estão reservadas pelo município e seu uso não compromete a vacinação dos demais públicos elegíveis. Em relação à aplicação da segunda dose nos adolescentes, a pasta adianta que vai seguir normalmente”, disse a prefeitura em nota.

Por Agência Brasil

Ministério da Saúde suspende vacinação de adolescentes

O Ministério da Saúde revisou a recomendação de vacinação de adolescentes contra a covid-19. Em nota técnica publicada hoje (16) pela Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, o ministério passou a recomendar a vacinação apenas para os adolescentes entre 12 e 17 anos que tenham deficiência permanente, comorbidades ou que estejam privados de liberdade.

Uma nota técnica anterior da pasta, também de setembro, recomendava que a imunização dos adolescentes tivesse início ontem (15), com a ressalva de que os que não apresentassem comorbidades deveriam ser os últimos a ser vacinados.

A pasta citou, entre outros argumentos para revisar a recomendação, o fato de que os benefícios da vacinação em adolescentes sem comorbidades ainda não estão claramente definidos e que a Organização Mundial de Saúde (OMS) não recomenda imunização de adolescentes com ou sem comorbidades.

A OMS, entretanto, não chegou a afirmar que a imunização de adolescentes não deveria ser realizada. Em vídeo publicado em junho, a organização disse apenas que, neste momento, a vacinação de adolescentes entre 12 e 17 anos não é prioritária.

O ministério também argumentou que a decisão foi tomada devido ao fato de a maioria dos adolescentes sem comorbidades acometidos pela covid-19 apresentarem evolução benigna da doença.

Outro ponto levantado foi o de que houve uma redução na média móvel de casos e óbitos (queda de 60% no número de casos e queda de mais de 58% no número de óbitos por covid-19 nos últimos 60 dias) com melhora do cenário epidemiológico.

Após a publicação da nota, algumas cidades anunciaram a suspensão da vacinação de adolescentes, entre elas, as prefeituras de Natal (RN) e Salvador (BA). Agora há pouco, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, decidiu seguir a recomendação do ministério e também suspendeu a imunização de adolescentes na capital federal.

Atualmente, apenas a vacina da Pfizer/Biontech tem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso em adolescentes a partir de 12 anos.

por Agência Brasil

Após reportagem, Ministério da Saúde diz não repassar doses vencidas aos Estados

(Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O Ministério da Saúde informou hoje (2), em Brasília, que nenhuma dose vencida de vacina contra a covid-19 é repassada aos estados e o Distrito Federal. Acrescentou que o prazo de validade dos imunizantes é rigorosamente acompanhado desde o recebimento até a distribuição. 

A divulgação da informação foi motivada pela publicação de uma matéria do jornal Folha de S.Paulo. Segundo a publicação, cerca de 26 mil doses de vacinas da AstraZeneca teriam sido aplicadas após o vencimento em 1.532 municípios. 

Segundo o ministério, os estados são orientados a distribuírem imediatamente os imunizantes recebidos, sendo obrigação dos gestores locais do Sistema Único de Saúde (SUS) fazer o armazenamento correto e a aplicação das doses dentro do prazo de validade. 

Divergências no preenchimento de dados

Em nota, a prefeitura de Maringá (PR), apontada pela reportagem como o município que mais teria aplicado doses vencidas, afirmou que nenhuma dose fora da validade foi usada. Segundo o secretário de Saúde, Marcelo Puzzi, há divergências no preenchimento de dados no sistema eletrônico do SUS. 

“O lançamento no Sistema Conect SUS está diferente do dia da aplicação da dose. Isso porque, no começo da vacinação, a transferência de dados demorava a chegar no Ministério da Saúde, levando até dois meses. Portanto, os lotes elencados são do início da vacinação e foram aplicados antes da data do vencimento. Concluindo, não houve vacinação de doses vencidas em Maringá e sim erro no sistema do SUS”, explicou. 

A Secretaria de Saúde do Governo do Distrito Federal também disse que é improcedente a informação sobre aplicação de vacinas vencidas. 

“Ocorre que nem sempre a vacina aplicada é registrada no sistema do Ministério da Saúde na mesma data em que foi administrada no paciente. Caso o digitador não altere esta data de aplicação na hora de fazer o registro no sistema, corre-se o risco de a vacina ser registrada como uma aplicação fora do prazo de validade”, afirmou a secretaria. 

A secretaria municipal de Saúde do Rio de Janeiro declarou que recebeu do Ministério da Saúde todos os lotes de vacinas dentro do prazo de validade. Informou, também, que está verificando se houve aplicações de doses vencidas. 

Segundo o Ministério da Saúde, o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a covid-19 (PNO) orienta que doses aplicadas fora do prazo de validade não podem ser consideradas para imunização, sendo recomendado recomeçar o ciclo vacinal, respeitando intervalo de 28 dias entre as doses. 

Fiocruz 

Em nota, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) informou que os lotes que estariam com prazo de validade expirado não foram feitos no Brasil. O órgão pertence ao Ministério da Saúde e é responsável pela produção nacional dos imunizantes da AstraZeneca contra a covid-19.

Segundo a Fiocruz, os lotes sob suspeita foram importados da Índia e são do tipo do imunizante da AstraZeneca chamado de Covishield. Os demais carregamentos foram enviados pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas/OMS).

“Todas as doses das vacinas importadas da Índia (Covishield) foram entregues pela Fiocruz em janeiro e fevereiro dentro do prazo de validade e em concordância com o MS [Ministério da Saúde], de modo a viabilizar a antecipação da implementação do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, diante da situação de pandemia. A Fiocruz está apoiando o PNI [Programa Nacional de Imunização] na busca de informações junto ao fabricante, na Índia, para subsidiar as orientações a serem dadas pelo programa àqueles que tiverem tomado a vacina vencida”, informou a Fiocruz.

Por André Richter – Repórter da Agência Brasil

Ministério da Saúde exonera diretor acusado de cobrar propina

Roberto Ferreira Dias, ex-diretor do Ministério da Saúde (Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

O Ministério da Saúde anunciou na noite desta terça-feira (29/06) a exoneração do seu diretor de Logística, Roberto Ferreira Dias. 

O motivo da exoneração não foi explicitado no curto comunicado do Ministério. A exoneração foi publicada no “Diário Oficial da União” desta quarta-feira.

O anúncio ocorreu poucas horas depois de Dias ter sido acusado, por um empresário, de cobrar propina, em nome de “um grupo dentro do ministério”, para que a pasta comprasse doses da vacina contra a covid-19 da AstraZeneca.

A acusação foi feita em entrevista do empresário Luiz Paulo Dominguetti Pereira ao jornal Folha de S. Paulo, publicada nesta terça-feira. Dominguetti se apresentou como representante de uma empresa vendedora de vacinas, a Davati Medical Supply. 

Dominguetti declarou à Folha que Dias pediu um suborno de 1 dólar por cada dose da vacina para que o contrato fosse fechado. “Foi uma coisa muito tenebrosa, muito asquerosa”, resumiu Dominguetti.

Dias está no Ministério da Saúde desde janeiro de 2019, ou seja, desde o início do governo do presidente Jair Bolsonaro. Na época, o ministro da Saúde era Luiz Henrique Mandetta. Dias também já foi indicado por Bolsonaro para chefiar a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), em outubro de 2020, mas a indicação não avançou por causa de denúncias de irregularidades num contrato, assinado por ele, para a compra de kits de testes de covid-19.

Folha afirmou que Dias foi indicado para o cargo de diretor de Logística pelo líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros, que também foi acusado de envolvimento num esquema de corrupção na compra de vacinas, no caso a indiana Covaxin. Barros, contudo, nega ter indicado Dias.

A entrevista

O encontro entre Dias e Dominguetti ocorreu em 25 de fevereiro, num jantar num restaurante no Brasília Shopping, na zona central do Distrito Federal, relatou o empresário.

De acordo com ele, a Davati procurou o Ministério da Saúde brasileiro para negociar 400 milhões de doses da vacina contra a covid-19 da Astrazeneca, ao preço de 3,5 dólares por dose.

Dominguetti afirmou que Dias disse existir um grupo que trabalhava dentro do Ministério da Saúde e que era necessário “compor com esse grupo”.

O representante da Davati salientou ao jornal ter recusado o pedido de suborno feito pelo diretor de Logística, acrescentando que, a partir daí, o Ministério da Saúde não quis avançar com o negócio.

Diante da negativa do empresário, Dias teria respondido: “Pensa direitinho, se você quiser vender vacina no ministério tem que ser dessa forma”.

Além de Dominguetti e de Dias, estavam presentes mais duas pessoas no encontro. “E, olha, foi uma coisa estranha porque não estava só eu, estavam ele [Dias] e mais dois. Era um militar do Exército e um empresário lá de Brasília”, disse o empresário.

A CPI da Pandemia anunciou que vai convocar Dominguetti a depor. O presidente da CPI, senador Omar Aziz, disse se tratar de uma denúncia forte, motivo pelo qual o depoimento deve ocorrer dentro de poucos dias.

Mais denúncias de corrupção

O governo do presidente Jair Bolsonaro está no centro de denúncias de corrupção na aquisição de vacinas, que começaram na semana passada com as declarações dos irmãos Miranda, o deputado federal Luis Miranda e o servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda.

Eles declararam à CPI da Pandemia e à imprensa que alertaram o presidente da República para possíveis irregularidades no contrato de aquisição da Covaxin pelo Ministério da Saúde.

Luis Ricardo disse ter sofrido pressões incomuns para finalizar os trâmites de compra da vacina, mesmo tendo identificado falhas no processo e apesar de que o pagamento deveria ser feito a uma empresa com sede em Cingapura que não constava no contrato da compra.

As suspeitas de superfaturamento e pressão sobre servidores do Ministério da Saúde para que o negócio fosse aprovado se tornaram o principal foco da CPI da Pandemia, que investiga a gestão da pandemia pelo governo.

Nesta terça-feira, o Ministério da Saúde anunciou que vai suspender o contrato de compra de 20 milhões de doses da Covaxin, fabricada pelo laboratório indiano Bharat Biothec.

Por Deutsche Welle
as/lf (Lusa, OTS)