Padre ortodoxo é ferido a tiros em igreja na França

(GoogleStreetView)

Um padre ortodoxo foi baleado neste sábado (31/10) em um templo religioso no centro da cidade de Lyon, na França. O responsável pelo ataque conseguiu fugir, segundo a imprensa local.

O religioso foi atendido  e levado do local, que foi cercado pelas forças de segurança, em uma maca. Ao ser atendido pelas equipe de resgate, ele teria dito que não conhecia o responsável pelo crime. O ataque teria ocorrido por volta das 16h (horário local), quando o sacerdote estava fechando a igreja. Segundo as primeiras informações, a vítima foi hospitalizada com ferimentos graves.

O templo ortodoxo grego onde ocorreu o ataque está localizado no sétimo distrito da terceira maior cidade de França, no bairro conhecido como Jean Mace.

Ataque em Nice

Brasileira Simone Barreto Silva foi morta durante atentado dentro de igreja
(Redes Sociais/via RFI)

O atentado acorre três dias após três pessoas serem mortas – incluindo uma brasileira – na Basílica de Notre-Dame, em Nice, o que fez com que o governo francês elevasse o alerta de ameaça terrorista para o nível máximo.

O terrorista entrou igreja católica e em 30 minutos matou três pessoas a facadas: uma idosa de 60 anos que quase foi decapitada, o sacristão do templo, de 55 anos, e a brasileira Simone Barreto Silva, de 44 anos.

A brasileira ainda conseguiu deixar a igreja e tentou se esconder em um restaurante próximo, mas não resistiu aos ferimentos. 

Neste sábado, a polícia francesa anunciou ter detido um terceiro suspeito de cumplicidade no atentado de Nice. A prisão ocorreu no dia anterior, em seguida a duas outras prisões, uma delas no mesmo dia e outra na quinta-feira. O suposto agressor, que foi baleado pela polícia está em estado crítico no hospital.

Duas semanas atrás, um professor foi decapitado em um subúrbio de Paris por um agressor de 18 anos que aparentemente teria se indignado pelo fato de a vítima ter mostrado um desenho do profeta Maomé durante uma aula.

Homenagem a brasileira

Embora o motivo do ataque deste sábado em Lyon permanecesse desconhecido horas após o ocorrido, ministros do governo francês alertaram que podem ocorrer outros ataques de militantes islâmicos. O presidente francês, Emmanuel Macron, determinou que milhares de soldados sejam deslocados para proteger locais como templos religiosos e escolas.

Também neste sábado, um ato reunindo centenas de pessoas no centro de Nice homenageou a brasileira Simone Barreto Silva, morta no ataque na Basílica de Notre-Dame.

Segundo a rede pública francesa RFI, uma passeata foi da igreja Saint-Pierre d’Arène, onde foi realizada uma cerimônia em memória da brasileira, até o templo religioso que foi palco do ataque. Os participantes da manifestação entoaram o hino brasileiro, cânticos religiosos e pediram “paz” e “justiça”.

MD/afp/efe/rtr

Por Deutsche Welle

‘Digam aos meus filhos que eu os amo’, disse brasileira antes da morte

(Redes Sociais/via RFI)

Simone Barreto Silva, a brasileira de 44 anos morta no atentado terrorista à basílica de Nice, na França, na quinta-feira (29), era uma pessoa muito alegre e de “muita fé”, segundo amigos e familiares entrevistados pela RFI. “Esta fatalidade aconteceu no momento em que ela estava fazendo o que ela mais gostava: rezar, pedir a Deus por todos. Pedir saúde, proteção e paz”, conta, emocionada, sua prima Rita de Cássia Barreto. 

“Paz é o que a gente está precisando neste momento. E Simone era isso! Antes de ir ao trabalho, ela sempre passava na igreja para agradecer pelo dia e por todas as graças concedidas. Ela era uma pessoa de muita fé, muito católica”, continua Rita de Cássia, visivelmente emocionada. 

“A gente está devastada. É muito difícil você receber a notícia de que uma pessoa foi assassinada dentro de uma igreja, fazendo o que ela mais gostava. A gente não entende isso. A gente está sentindo muito, também por estar longe de nossos familiares que estão no Brasil”, lamenta Rita de Cássia. “Vocês não podem imaginar a dor que a família está sentido, inclusive porque tem três crianças que estão sem a mãe; é muito difícil.” 

Os filhos de Simone têm entre 4 e 14 anos. As últimas palavras dela, segundo testemunhas, foram: “Digam aos meus filhos que eu os amo”. 

Dançarina e agitadora cultural

Com a voz embargada, a amiga e dançarina Valeska de Araújo conta que conheceu Simone em Nice, em 1999, quando dançaram juntas no grupo brasileiro Oba Oba. “Nós éramos dançarinas e fazíamos muitos números juntas. Simone era uma pessoa alegre, brincalhona; dentro do camarim, a gente dava muita risada juntas”, diz Valeska, chorando. 

“Toda a comunidade brasileira conhecia Simone. Era uma pessoa maravilhosa, divertida. Ela sempre ia aos eventos brasileiros em Paris e tinha seu evento em Nice, a Festa de Yemanjá. Ela vai deixar saudades e boas lembranças, vou me lembrar sempre do grande sorriso que ela tinha”, finaliza Valeska. 

Simone veio para a França em 1995 para participar de um grupo de dança. Após alguns anos, ela largou a profissão e fez um curso de chef de cozinha. Ultimamente, Simone trabalhava como cuidadora de idosos, mas nunca deixou o lado artístico e cultural de lado, em especial ao participar da organização da Festa de Yemanjá em Nice. 

Simone Barreto Silva, vítima do atentado em Nice em 29 de outubro de 2020, tinha formação em chef de cozinha.
Simone Barreto Silva, vítima do atentado em Nice em 29 de outubro de 2020, tinha formação em chef de cozinha (Redes Sociais/RFI)

Em Nice, como em Salvador

Rita de Cássia conta que a organizadora da Festa de Yemanjá em Nice é Solange Barreto, irmã de Simone. “A festa acontece todos os anos, com o apoio da prefeitura de Nice, e é igual à festa do 2 de Fevereiro em Salvador”, conta Rita, que, junto com Simone, também estava presente a cada ano para saudar a rainha do mar. 

A reportagem da RFI entrou em contato com as irmãs de Simone, mas elas estavam sendo atendidas por um núcleo psicológico  – disponibilizado pelo Estado francês em casos de atentado – e disseram não terem condições de dar depoimentos. 

Ray Santos é amiga de Solange Barreto e conhecia Simone. Esteve com elas nas festas brasileiras como a Lavagem da Madeleine, em Paris, e a Festa de Yemanjá, organizada pela família Barreto em Nice. “Simone era uma pessoa muito alegre, simpática, tinha aquele sorriso que a gente vê nas fotos, sempre.” 

O amigo Robson Batista escreveu nas suas redes sociais: “Tive o privilégio de viver e trabalhar com Simone Barreto e passar momentos inesquecíveis, que guardarei sempre em minha memória”. 

“País-mundo”

“O Brasil é um país-mundo. Todas as diferentes religiões, comunidades, etnias estão representadas. E não podemos esquecer que é também o maior país católico do mundo, em proporção. Simone era muito católica e infelizmente foi vítima deste atentado atroz em uma igreja”, diz Carlos Maciel, cônsul honorário do Brasil em Nice.

O cônsul honorário ainda não tem a informação sobre se o corpo de Simone será enterrado na França ou no Brasil. “Estou em contato com as autoridades e estamos aguardando mais informações. Como se trata de um caso de terrorismo, tem coisa que ainda está em sigilo”, afirma. 

“Com prerrogativas limitadas de um consulado honorário”, Maciel está prestando apoio aos familiares e está em comunicação estreita com o consulado do Brasil em Paris, que, por sua vez, aguarda informações mais concretas do governo francês até o fim do dia. 

Por Paloma Varón, da RFI

Brasileira é uma das vítimas do atentado na França

Simone Barreto Silva trabalhava como cuidadora de idosos na França
(Lavage de la Madeleine/via RFI)

Uma brasileira está entre as três vítimas do atentado com faca ocorrido na cidade francesa de Nice nesta quinta-feira (29/10), segundo confirmou o Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

Em comunicado, o Itamaraty afirmou que a cidadã brasileira tinha 40 anos, era mãe de três filhos e residia na França, mas não revelou seu nome.

Já a emissora pública francesa RFI, citando o Consulado Geral do Brasil em Paris, disse que a vítima era Simone Barreto Silva, de 44 anos, nascida em Salvador. Ela morava há 30 anos na França, tinha nacionalidade francesa e trabalhava como cuidadora de idosos, disse o veículo.

A brasileira foi gravemente ferida pelo autor do ataque dentro da Basílica Notre-Dame, a maior de Nice, e morreu num café nas imediações, onde ela havia se refugiado.

Em entrevista à TV France Info, um dos proprietários do estabelecimento afirmou que esteve em contato com Simone durante sua última hora e meia de vida.

“Ela atravessou a rua, toda ensanguentada, e meu irmão e um dos nossos funcionários a recuperaram, a colocaram no interior do restaurante, sem entender nada, e ela dizia que havia um homem armado dentro da igreja”, contou Brahim Jelloule, que é muçulmano.

Segundo ele, o irmão e o funcionário chegaram a entrar na basílica, mas foram ameaçados pelo autor do atentado e fugiram do local. Foram eles que chamaram a polícia, informou a RFI.

No comunicado, o Ministério das Relações Exteriores afirma que “o presidente Jair Bolsonaro, em nome de toda a nação brasileira, apresenta as suas profundas condolências aos familiares e amigos da cidadã assassinada em Nice, bem como aos das demais vítimas, e estende sua solidariedade ao povo e governo franceses”. 

“O Brasil expressa o seu firme repúdio a toda e qualquer forma de terrorismo, independentemente de sua motivação, e reafirma o seu compromisso de trabalhar no combate e erradicação desse flagelo, assim como em favor da liberdade de expressão e da liberdade religiosa em todo o mundo”, completa a nota.

A pasta disse ainda que, através de seu consulado em Paris, está prestando assistência consular à família da cidadã brasileira vítima do ataque em Nice.

O atentado em Nice

O atentado ocorreu por volta das 9h da manhã (horário local), e acabou com três mortos. Além de Simone, um homem de 55 anos e uma mulher de 60 anos foram assassinados dentro da basílica, sendo que a vítima do sexo feminino foi degolada pelo agressor.

O autor, que teria gritado “Allahu Akbar” (Deus é grande, em árabe) ao perpetrar o ataque, foi ferido a tiros pela polícia e levado a um hospital. O promotor antiterrorismo da França, Jean-François Ricard, disse que o suspeito é um cidadão tunisiano nascido em 1999.

Ele chegou à ilha italiana de Lampedusa, ponto de entrada para migrantes que cruzam em barcos a partir do norte da África, em 20 de setembro, e viajou para Paris em 9 de outubro. O promotor não especificou quando o agressor chegou a Nice. O tunisiano não estava no radar das agências de inteligência como uma ameaça potencial.

Câmeras de vídeo gravaram o homem entrando na estação de trem de Nice às 6h47, onde ele trocou os sapatos e virou o casaco do avesso, antes de se dirigir à igreja, a cerca de 400 metros de distância. Ele chegou à basílica por volta das 8h30.

Ricard afirmou que o agressor carregava uma cópia do Alcorão, livro sagrado do Islã, e dois telefones. Uma faca com lâmina de 17 centímetros usada no ataque foi encontrada perto dele, junto com uma bolsa contendo outras duas facas não utilizadas no atentado.

Ataques na França

O ataque, o terceiro no país em apenas um mês, ocorre num momento em que a França está em alerta para atos terroristas em meio a tensões envolvendo caricaturas do profeta Maomé.

Em 16 de outubro, o professor de história Samuel Paty foi decapitado por um extremista islâmico nas proximidades de Paris, após ter exibido caricaturas do profeta em sala de aula, durante uma discussão sobre liberdade de expressão.

Em uma cerimônia de homenagem ao professor, Macron defendeu a liberdade de expressão e o direito de divulgar caricaturas no país, incluindo de Maomé, e acabou virando alvo de uma onda de indignação no mundo muçulmano, onde têm se multiplicado os apelos ao boicote de produtos franceses e os protestos.

Já em 25 de setembro passado, duas pessoas foram esfaqueadas perto do local onde ficava a antiga sede do jornal satírico Charlie Hebdo, em Paris. O autor do atentado disse que não conseguiu suportar a nova publicação de caricaturas de Maomé pelo jornal, que em janeiro de 2015 fora alvo de um atentado por causa da publicação dessas caricaturas. Na ocasião, dois extremistas islâmicos mataram 12 pessoas.

Nice, por sua vez, foi alvo de um massacre em 2016 que deixou 86 mortos na Promenade des Anglais, a avenida beira-mar da cidade, no dia 14 de julho, a data nacional francesa. Um tunisiano de 31 anos avançou com um caminhão sobre a multidão reunida no local.

EK/ap/lusa/ots

Por Deutsche Welle

Mulher tem pescoço cortado dentro de igreja em atentado na França

Ao menos três pessoas morreram, incluindo uma mulher que foi degolada, num ataque com faca numa igreja na cidade de Nice, no sul da França, nesta quinta-feira (29/10), de acordo com a polícia local. O agressor foi ferido a tiros pela polícia e levado a um hospital.

Um homem e uma mulher foram mortos dentro da Basílica Notre-Dame, e uma terceira pessoa, uma mulher, foi gravemente ferida e morreu num café nas imediações, onde ela havia se refugiado, segundo policiais. O atentado ocorreu por volta das 9h (horário local).

Procuradores antiterrorismo abriram uma investigação de assassinato relacionada com uma ação terrorista. O motivo do atentado ainda não foi esclarecido, mas ele ocorreu num momento em que a França está em alerta elevado para atos terroristas em meio a tensões envolvendo caricaturas do profeta Maomé.

O prefeito de Nice, Christian Estrosi, disse a jornalistas no local do ocorrido que o agressor ficou repetindo as palavras Allah Akbar (Deus é o maior, em árabe) e foi “neutralizado com tiros” pela polícia. Ferido, ele foi medicado ainda no local e depois levado a um hospital, disse a polícia.

Estrosi comparou o ataque com o recentemente cometido contra o professor Samuel Paty, que foi decapitado por um islamista nas proximidades de Paris por ter exibido caricaturas do profeta Maomé em sala de aula.

O homem morto é o sacristão da igreja, disse o prefeito. A informação foi mais tarde confirmada por um cônego, que acrescentou que a vítima tinha cerca de 45 anos.

Um investigador também disse que o agressor gritou Allah Akbar durante o atentado e acrescentou que se trata de um homem que teria se identificado como Brahim e que disse ter 25 anos. O jornal local Nice-Matin informou que o agressor se chama Brahim A., tem 21 anos e era desconhecido da polícia.

O Palácio do Eliseu anunciou que o presidente Emmanuel Macron vai se deslocar até Nice ainda nesta quinta-feira.

“Só posso condenar com veemência a covardia desse gesto contra pessoas inocentes”, afirmou o delegado-geral do Conselho Francês do Culto Muçulmano, Abdallah Zekri.

A Basílica Notre-Dame fica na avenida Jean Médecin, a rua comercial mais movimentada da cidade do sul da França.

Em 2016, um atentado terrorista deixou 86 mortos na Promenade des Anglais, a avenida beira-mar de Nice, no dia 14 de julho, a data nacional francesa. Um tunisiano de 31 anos, Mohamed Lahouaiej-Bouhlel, avançou com um caminhão sobre a multidão reunida no local.

Ataques em Avignon e na Arábia Saudita

Poucas horas depois do atentado em Nice, um homem armado foi morto pela polícia em Avignon depois de ter ameaçado transeuntes e se recusado a largar a arma curta que portava. As primeiras informações da polícia são de que a ação não tem “caráter islamista”, mas todas as opções estão sendo investigadas.

Em Jidá, na Arábia Saudita, um homem armado com uma faca atacou um vigia do consulado francês. A embaixada da França em Riad comunicou que o agressor foi detido pela polícia.

LFR/AS/afp/ots

Por Deutsche Welle