Cúpula do Clima: ONU defende ação imediata dos líderes mundiais

António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas (Evan Schneider/ONU/Reprodução)

O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, defendeu hoje (22), em reunião virtual da Cúpula do Clima, que é preciso mobilizar as lideranças políticas para superar as mudanças climáticas e acabar com a guerra contra a natureza.

“A mãe natureza não está esperando. A última década foi a mais quente já registrada. Gases de efeito estufa perigosos estão em níveis nunca vistos em 3 milhões de anos. As temperaturas globais já subiram 1,2 grau Celsius, chegando a esse limiar da catástrofe”, disse, na cúpula, por videoconferência.

Ele ressaltou que o nível do mar está cada vez mais alto, as temperaturas estão escaldantes, há ciclones tropicais devastadores e incêndios florestais épicos. “Precisamos de um planeta verde, mas o mundo está em alerta vermelho. Estamos à beira do abismo, devemos dar o próximo passo”, ressaltou.

Para Guterres, os líderes mundiais devem construir uma coalizão global para emissões líquidas zero até meados do século, com envolvimento de “todos os países, todas as regiões, todas as cidades, todas as empresas e todos os setores”. “Todos os países, começando com os principais emissores, devem apresentar novas e mais ambiciosas medidas e contribuições para mitigação, adaptação e financiamento, definindo ações e políticas para os próximos 10 anos, alinhadas com as emissões líquidas zero até 2050. Precisamos traduzir esses compromissos em ação imediata concreta”, enfatizou.

China

O presidente da China, Xi Jinping, disse que o país começará a reduzir o consumo de carvão no período 2026-2030, como parte de seus esforços para reduzir as emissões de gases de efeito estufa que causam o aquecimento do clima. A China pretende se tornar neutra em carbono até 2060.

Estados Unidos

O governo do presidente dos Estados Unidos (EUA), Joe Biden, prometeu nesta quinta-feira (22) cortar as emissões de gases de efeito estufa do país entre 50% e 52% até 2030, em comparação com os níveis de 2005. Com a nova meta, espera induzir outros grandes emissores a mostrarem mais ambição no combate à mudança climática.

Reino Unido

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, considerou o compromisso do presidente dos Estados, Joe Biden, um divisor de águas.

“Estou realmente emocionado com o anúncio de mudança de jogo que Joe Biden fez”, disse Johnson, elogiando Biden “por devolver os Estados Unidos à linha de frente da luta contra a mudança climática.”

Nessa terça-feira (21), Johnson disse que a Grã-Bretanha cortaria as emissões de carbono em 78% até 2035, a meta mais ambiciosa de mudança climática do mundo, que colocará o país no caminho para a emissão neutra.

Por Agência Brasil

* Com informações da Reuters

Vacina deve ser do povo, diz secretário-geral da ONU

António Guterres, Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas
(Arquivo/Alan Santos/PR)

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, lançou nesta sexta-feira (18/12) um apelo aos países ricos para que apoiem os mais pobres na aquisição de vacinas e no combate à pandemia de covid-19.

Em pronunciamento ao Parlamento alemão na ocasião dos 75 anos da fundação da ONU, Guterres enfatizou que o mundo precisa assegurar que a imunização contra o coronavírus esteja disponível “para todos, em toda parte” e que as vacinas sejam tratadas como um bem público

Em Berlim, o português exaltou o papel da Alemanha na luta contra a doença e os pesquisadores da empresa alemã de biotecnologia Biontech, que, em parceria com a farmacêutica americana Pfizer, disponibilizou no mercado a primeira vacina contra a doença.

Combate ao “vírus da desinformação”

“Nosso objetivo agora é assegurar que as vacinas seja tratadas como um bem público, acessível e pagável para todos”, destacou. “Uma vacina do povo.”

Guterres disse que a ONU está comprometida a fornecer informações e aconselhamento confiável, “orientada pela ciência, baseada em fatos”, de modo a aumentar a confiança nas vacinas e combater o que chamou de “vírus da desinformação”.

“Em todo o mundo, vimos como o populismo ignora a ciência e desorienta as pessoas. Desinformação, mitos e teorias selvagens da conspiração estão sendo propagadas”, alertou.

Guterres destacou que a iniciativa Covax Facility, criada para garantir o acesso dos países mais pobres às vacinas e apoiado pela ONU, necessita de 5 bilhões de dólares até ao final de janeiro de 2021. No total, o programa, ao qual também o Brasil já formalizou sua adesão, precisará de pelo menos de 20 bilhões de dólares para cumprir seus objetivos, lembrou o secretário-geral da ONU.

“Ao mesmo tempo, vejo países que compraram vacinas em volume várias vezes superior às respetivas populações, ou pelo menos fizeram ofertas nesse sentido”, observou Guterres, exortando os governos a doarem as doses em excesso à iniciativa Covax.

A Covax é o principal sistema global para garantir que os países de renda baixa e média tenham acesso às vacinas. O programa pretende distribuir pelo menos 2 bilhões de doses até ao final de 2021 de forma a imunizar 20% das pessoas mais vulneráveis em 91 países pobres, principalmente na África, Ásia e América Latina.

Alemanha como “força para a paz”

Guterres enalteceu o governo da chanceler federal Angela Merkel. Ele afirmou que seu “racionalismo, firmeza, compaixão e sabedoria” guiaram a Alemanha através da pandemia: “Louvo seus passos imediatos e decisivos orientados pela ciência, com dados e ações locais  que suprimiram a transmissão do vírus e salvaram vidas.”

Ele afirmou que os alemães têm motivos para estar “muito orgulhosos de suas conquistas” e enalteceu o país como uma “força para a paz” e um “pilar do multilateralismo”.

“Como secretário-geral, testemunho diariamente o modo como a Alemanha, com sua profunda consciência histórica e responsabilidade, desempenha papel de liderança no mundo”, afirmou, discursando em alemão. “Vejo como a Alemanha enfrenta os desafios de nosso tempo”, observou.

Após a visita ao Bundestag, Guterres manteve reuniões com Merkel e o presidente alemão, Frank-Walter Steimeier.

Por Deutsche Welle

Brasil cai cinco posições no ranking global de IDH

ONU aponta falta de avanços na educação como responsável pelo índice brasileiro, e alerta para alta desigualdade de renda e de gênero
(Fernando Frazão/Agência Brasil/via Fotos Públicas)

O Brasil caiu cinco posições no ranking mundial de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU e passou da 79ª para a 84ª posição, entre 189 países avaliados.

O cálculo para as colocações no ranking anual elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) se baseia em critérios relacionados à saúde, renda e escolaridade para medir o bem-estar da população. Os dados do relatório divulgado nesta terça-feira (15/12) são de 2019.

O IDH brasileiro teve evolução de 0,003 em relação a 2018, o que o Pnud avalia como crescimento lento. O Brasil não chegou a recuar nos três indicadores, mas acabou sendo ultrapassado por outros países que tiveram melhor desempenho, o que explica a perda de posições.

A estagnação brasileira se deve à falta de avanços na educação. O período de permanência das pessoas na escola ainda é o mesmo de 2016, de 15,4 anos. A média de anos de estudo teve uma pequena alta, de 7,8 anos em 2018 para 8 anos em 2019.

A expectativa de vida no país aumentou de 75,7 anos para 75,9, o que representa um aumento significativo se comparado com a avaliação de 2015, que era de 75 anos.

O Brasil é ainda o 6º entre os países da América do Sul, atrás de Chile, Argentina, Uruguai, Peru e Colômbia. Estes dois últimos estavam abaixo e empatados com o Brasil no ranking de 2018.

Se comparado aos demais países emergentes que integram o grupo dos Brics, o Brasil perde para a Rússia, mas aparece à frente de China, África do Sul e Índia.

O país com o melhor IDH do mundo continua sendo a Noruega, seguida da Irlanda e da Suíça, empatadas na segunda colocação. A Alemanha, que era a terceira colocada em 2018, caiu para a 6ª posição, atrás de Hong Kong e Islândia, ambos em quarto lugar.

Alta desigualdade

Se os índices referentes à desigualdade forem incluídos no cálculo, a queda do Brasil é ainda mais acentuada, com o país perdendo 20 posições. O IDH brasileiro, que é de 0,765, cai para 0,570, ou seja, uma redução de 25,5%.

Nessa análise, o Brasil é a segunda nação que mais perde posições, atrás apenas de Comores, um país nanico no leste da África com população de 830 mil pessoas. O IDH ajustado para a desigualdade é calculado para 150 países.

Outro ponto negativo para o Brasil diz respeito às questoes de gênero. O país está na 95ª posição do Índice de Desigualdade de Gênero (IDG), um ranking que inclui 162 nações.

RC/ots

Por Deutsche Welle

Brasil é vítima de desinformação sobre meio ambiente, afirma Bolsonaro

(Marcos Corrêa/PR)

O presidente Jair Bolsonaro disse hoje (22) que o Brasil é vítima de “uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal”. Ao abrir a sessão de debates da 75ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), Bolsonaro justificou que há interesses comerciais por trás das notícias sobre queimadas e desmatamentos e que os incêndios que atingem as florestas brasileiras são comuns à época do ano e ao trabalho de comunidades locais em áreas já desmatadas.

“A Amazônia brasileira é sabidamente riquíssima. Isso explica o apoio de instituições internacionais a essa campanha escorada em interesses escusos que se unem a associações brasileiras, aproveitadoras e impatrióticas, com o objetivo de prejudicar o governo e o próprio Brasil”, disse. “O Brasil desponta como o maior produtor mundial de alimentos. E, por isso, há tanto interesse em propagar desinformações sobre o nosso meio ambiente”, completou.

Durante seu discurso, o presidente destacou o rigor da legislação ambiental brasileira, mas lembrou a dificuldade em combater atividades ilegais na Amazônia, como incêndios, extração de madeira e biopirataria, devido à sua extensão territorial. Ele ressaltou que, juntamente com o Congresso Nacional, está buscando a regularização fundiária da região, “visando identificar os autores desses crimes”.

“O nosso Pantanal, com área maior que muitos países europeus, assim como a Califórnia, sofre dos mesmos problemas. As grandes queimadas são consequências inevitáveis da alta temperatura local, somada ao acúmulo de massa orgânica em decomposição”, disse.

Covid-19

Em meio à pandemia do novo coronavírus, esta edição da Assembleia Geral da ONU é realizada de forma virtual. Tradicionalmente, o Brasil é o primeiro país a fazer um pronunciamento e o presidente Bolsonaro, assim como os outros líderes mundiais, enviou a declaração gravada.

Ele lamentou as mortes por covid-19 e reafirmou o alerta de que o vírus e as questões econômicas “deveriam ser tratados simultaneamente e com a mesma responsabilidade”. Bolsonaro listou as medidas econômicas implementadas pelo governo federal e disse que, sob o lema “fique em casa” e “a economia a gente vê depois”, os veículos de comunicação brasileiros “quase trouxeram o caos social ao país”. “Como aconteceu em grande parte do mundo, parcela da imprensa brasileira também politizou o vírus, disseminando o pânico entre a população”, opinou.

Para o presidente, a pandemia deixou a lição de que a produção de insumos e meios essenciais para a sobrevivência da população não pode depender apenas de poucas nações. Nesse sentido, ele colocou o Brasil aberto para o desenvolvimento de tecnologias de ponta e inovação, a exemplo da indústria 4.0, da inteligência artificial, nanotecnologia e da tecnologia 5G, “com quaisquer parceiros que respeitem nossa soberania, prezem pela liberdade e pela proteção de dados”.

Bolsonaro falou ainda sobre a ampliação de acordos comerciais bilaterais e com blocos econômicos e disse que, em seu governo, “o Brasil, finalmente, abandona uma tradição protecionista e passa a ter na abertura comercial a ferramenta indispensável de crescimento e transformação”.

Em seu discurso, o presidente também destacou a atuação brasileira no campo humanitário e dos direitos humanos e as reformas que estão sendo implementadas no país.

Por Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil

OMS anuncia erradicação da Pólio no continente africano

Foto tirada em 2014 mostra crianças sendo imunizadas contra a Pólio
(Arquivo/JC McIlwaine/Nações Unidas/via Fotos Públicas)

A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou nesta terça-feira (25/08) a erradicação do vírus causador da poliomielite no continente africano, após décadas de campanha para eliminar a doença em todo o mundo.

“Hoje é um dia histórico para a África”, disse Rose Gana Fomban Leke, integrante da comissão que certificou o fim das ocorrências de casos de pólio nos últimos quatro anos, o período limite para que se possa declarar a erradicação de uma doença infecciosa. 

A poliomielite, também conhecida como paralisia infantil, se junta à varíola na lista das viroses que foram varridas do continente, afirmou a OMS.

Desde 1996, os esforços para erradicação do poliovírus evitaram que 1,8 milhão de crianças tivessem contraído a doença que causa a paralisia infantil, e aproximadamente 180 mil vidas foram salvas, segundo a OMS.

A poliomielite é uma doença infecciosa aguda e contagiosa que ataca a medula espinhal e causa paralisias irreversíveis em crianças. Era uma doença endêmica em todo o mundo até a descoberta de uma vacina nos anos 1950, que ainda estava fora do alcance de várias nações mais pobres na África e na Ásia. 

Em 1988, a OMS, juntamente com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o Rotary, deu início a uma campanha mundial de erradicação da doença, Naquele ano, foram registrados 350 mil casos em todo o planeta. Em 1996, era mais de 70 mil infecções apenas na África.

Graças os esforços globais e ao apoio financeiro obtido pelas organizações – em torno de 19 bilhões de dólares em mais de 30 anos – apenas o Afeganistão e o Paquistão tiveram casos da doença registrados este ano. No total, foram 87 ocorrências.

O poliovírus é transmitido, normalmente, através das fezes de infectados e pode se espalhar através da água e de alimentos. As vacinas conseguem romper esse ciclo de transmissão.

O último caso de pólio na África foi registrado em 2016 na Nigéria, onde a vacinação enfrentava forte oposição de grupos jihadistas que acreditavam que o objetivo seria esterilizar muçulmanos. Mais de 20 profissionais que trabalhavam na vacinação foram mortos.

“Este é um marco histórico para a África. Agora, as futuras gerações de crianças africanas podem viver livre da poliomielite selvagem”, comemorou o diretor regional na OMS para a África, Matshidiso Moeti. Ele agradeceu o envolvimento de governos, comunidades, parceiros e doadores, além dos profissionais de saúde na linha de frente da vacinação.

RC/afp/ap

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A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. 

Chefe da ONU diz que se recusa a ser cúmplice de destruição da Terra

Por ONU News

(Joyce N. Boghosian/Casa Branca/via Fotos Públicas)

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, abriu nesta segunda-feira (23) o Encontro de Cúpula sobre Ação Climática, em Nova York, destacando que o “tempo está a acabar, mas ainda não é tarde demais” para promover mudanças que levem à sustentabilidade.

O encontro reúne mais de 80 líderes internacionais de governos, setor privado e da sociedade civil. Para Guterres, não há mais tempo para conversas, mas sim para ação.

Ele lembrou de desastres naturais recentes e afirmou que “a natureza está respondendo com fúria.” E citou sua visita às Bahamas, este mês, quando viu de perto os estragos do furacão Dorian. O chefe da ONU também lembrou de Moçambique, atingido por dois ciclones no início do ano.

Jovens engajados

Ao falar da Cúpula da Juventude sobre o Clima, realizada no sábado (21), Guterres disse que “os jovens estão oferecendo soluções e cobrando prestação de contas e ação urgentes”. Ele afirmou que a sua geração “falhou com a responsabilidade de proteger o planeta” e que isso deve mudar. Segundo ele, a mudança climática é causada pelas pessoas, e as soluções devem vir delas.

O chefe da ONU citou algumas ferramentas necessárias para este combate, dizendo que existem tecnologias que podem substituir mais de 70% das emissões atuais. O mundo conta com mapas para essa ação, como a Agenda 2030 e o Acordo de Paris, disse.

Segundo os últimos dados do Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas, se as temperaturas subirem mais de 1.5ºC, haverá danos graves e irreversíveis. E se nada for feito, as temperaturas devem subir 3°C até ao final do século.

Novo modelo

Guterres afirmou que não será “uma testemunha silenciosa do crime de condenar o presente e destruir o direito a um futuro sustentável.” E que para evitar esse cenário é necessário cortar as emissões de dióxido de carbono em 45% até 2030 e atingir a neutralidade de carbono até 2050.

O chefe da ONU afirma que é preciso “ligar a mudança climática a um novo modelo de desenvolvimento, uma globalização justa, com menos sofrimento, mais justiça e harmonia entre as pessoas e o planeta.”

Ele também disse que “tudo tem um custo, mas o maior custo é não fazer nada.” Para ele, “o mais caro é subsidiar uma indústria de combustíveis fósseis que está morrendo e construir mais centrais de carvão.”

O secretário-geral questionou se haveria “bom senso em dar trilhões do dinheiro de contribuintes para que a indústria de combustíveis fósseis fortaleça furacões, espalhe doenças tropicais e aumente conflitos”

Segundo ele, “é tempo de mudar os impostos dos salários para o carbono, e taxar poluição, não pessoas.” Ele acredita que é possível “fazer uma transformação política e dos mercados para um mercado verde, com melhores vidas, trabalhos, saúde, segurança alimentar, igualdade e crescimento sustentável.”

Guterres finalizou seu discurso dizendo que é sua obrigação e obrigação de todo o mundo, fazer tudo o que é possível para parar a mudança climática antes que ela pare a todos.

Bolsonaro embarca para participar da Assembleia da ONU

Por Andreia Verdélio

O presidente Jair Bolsonaro viajou hoje (23) para Nova York, nos Estados Unidos, onde participa da abertura da 74ª Assembleia Geral das Nações Unidas. O avião com a comitiva presidencial partiu da Base Aérea de Brasília por volta das 7h e a chegada esta prevista para as 14h55.

Nesta terça-feira (24), Bolsonaro tem encontro confirmado com o secretário-geral da ONU, António Guterres. No mesmo dia, acontece seu pronunciamento na Assembleia Geral. Tradicionalmente, cabe ao presidente do Brasil fazer o discurso de abertura, seguido do presidente dos Estados Unidos.

Não estão previstos encontros bilaterais com outros chefes de Estado. A previsão é que o presidente embarque de volta ao Brasil já amanhã a noite.

A agenda também inclui, segundo o Palácio do Planalto, um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas ainda não há detalhes sobre a agenda.

Secretário-geral da ONU está preocupado com a Amazônia

Incêndio em Amambai, no Mato Grosso do Sul (Corpo de Bombeiros/Reprodução)

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, afirmou ontem(22) por meio de sua conta de Twitter que está “profundamente preocupado” com os incêndios na Floresta Amazônica.

“No meio da crise climática global, nós não podemos esperar mais prejuízos à maior fonte de oxigênio e biodiversidade. A Amazônia deve ser protegida”, disse o secretário-geral.

Força-tarefa

Nesta quinta-feira, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, confirmou que a pasta pretende criar a Força-Tarefa da Amazônia, da qual devem participar outros ministérios e entidades do governo e empresas que atuam na região. A informação foi divulgada no mesmo dia em que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) publicou edital no Diário Oficial da União para chamamento público de empresas especializadas no fornecimento diário por imagens de satélites de alta resolução espacial para geração de alertas diários de indícios de desmatamento.

O texto do edital diz ainda que o Ibama vai combater o desmatamento ilegal na Amazônia Legal de forma preventiva ou, no mínimo, contemporânea, para que seja possível interromper a ação criminosa e não permitindo a evolução e consolidação da ocorrência do ilícito.

O documento, assinado pelo diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Olivaldi Alves Borges de Azevedo, diz que a medida justifica-se pela “busca de uma solução viável e operacional para atuação mais eficiente, eficaz, efetiva e com maior celeridade na gestão das ações de fiscalização ambiental no combate ao desmatamento ilegal e exploração florestal seletiva ilegal na região Amazônica”.

Queimadas

(Corpo de Bombeiros/Reprodução)

Ontem o presidente Jair Bolsonaro voltou a dizer que as queimadas na Amazônia são criminosas e que organizações não governamentais (ONGs) podem estar por trás dos incêndios. “Pode ser fazendeiro, pode, todo mundo é suspeito, mas a maior suspeita vem de ONGs”, disse, ao deixar o Palácio da Alvorada na manhã desta quinta-feira.

O presidente ressaltou que o governo está investigando o crime, mas que não existem provas de quem está provocando as queimadas.

“A Amazônia é maior do que a Europa, como vai combater incêndio criminosos nessa área? E é criminoso, mas você não vai pegar quem está tacando fogo lá, só se for em flagrante”, disse. “É um indício fortíssimo de que são ONGs. Não se tem prova disso, se vocês não pegarem em flagrante quem está queimando e buscar quem mandou”, acrescentou.

Seca e calor

O ministro Ricardo Salles sobrevoou quarta-feira (21) à tarde algumas regiões de Mato Grosso para acompanhar o combate a queimadas no estado. Segundo o ministro, a maior parte dos focos de incêndio está localizada na área urbana. Salles destacou que, dos 10 mil hectares de área que foram queimados, cerca de 3 mil estão localizados na Chapada dos Guimarães.

Segundo o ministro, o governo federal vai apoiar todos os estados que precisarem de reforços federais em função das queimadas. Mais de mil brigadistas do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio ) estão atuando para conter as chamas em regiões críticas.

Salles destacou que o que ele verificou foi que a maior parte dos focos de incêndio é proposital, em áreas de concentração de lixo, o que é “muito ruim”. “A maior concentração de focos aqui na região está em perímetro urbano, (…) razão pela qual essa concentração de fumaça na cidade.”

Apenas na Chapada dos Guimarães, segundo o ministro, atuam 69 brigadistas do Ibama e mais de 20 membros do Corpo de Bombeiros do Estado de Mato Grosso. O fogo teria se proliferado muito rapidamente, em apenas um dia, em razão do calor, da baixa umidade e do vento forte, de acordo com o ministro.

Ebola: OMS declara “urgência” internacional

A Organização Mundial de Saúde acaba de declarar o ebola como um “urgência” sanitária internacional.

Um caso da doença em Goma, e suspeitas quanto ao possível contágio de cidadãos do Uganda, por uma mulher congolesa que posteriormente morreu do vírus, levaram a OMS a considerar que o atual surto de Ébola na República Democrática do Congo merece ser considerado “uma emergência sanitária internacional”.

É a quinta vez na sua história que a Organização da ONU para a Saúde mundial emite esta declaração, a qual inclui recomendações quanto às ações preventivas e que poderá desbloquear fundos desesperadamente necessários. 

*Informações da RTP

Governo vai excluir ‘menções de gênero’ em candidatura na ONU

Por Andreia Verdélio

O fortalecimento das estruturas familiares e a exclusão das menções de gênero são as prioridades que o governo do presidente Jair Bolsonaro apresentará na candidatura do Brasil à reeleição no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. As eleições ocorrem em outubro, durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Em publicação em sua conta no Twitter, Bolsonaro confirmou a candidatura do Brasil à vaga e as prioridades do governo, caso o país seja reeleito para um segundo mandato. “As principais pautas estão ligadas ao fortalecimento das estruturas familiares e a exclusão das menções de gênero”, escreveu.

Criado em 2006, o conselho tem o objetivo de reforçar a promoção e a proteção dos direitos humanos pelo mundo, debater violações e fazer recomendações aos países. O Brasil foi eleito em 2016 para um mandato de três anos, iniciado em 1º de janeiro de 2017.

O órgão é composto por 47 países-membros, que não podem ser reeleitos após dois mandatos consecutivos. As vagas são distribuídas de acordo com a representação geográfica. Na próxima eleição, em outubro, há dois assentos para candidatos da América Latina e do Caribe para o triênio de 2020 a 2022.