Mais da metade das crianças ainda não foram vacinadas contra a pólio

(Agência Brasil)

Desde o início da Campanha Nacional de Vacinação, no dia 5 de outubro até hoje (26), apenas 35% das crianças (4 milhões) foram vacinadas contra a poliomielite. A campanha irá até o próximo dia 30 e 7,3 milhões de crianças ainda precisam ser levadas pelos pais ou responsáveis até os postos de saúde para vacinar. O público-alvo estimado é de 11,2 milhões das crianças de 1 a menores de 5 anos.

O estado que mais vacinou as crianças até agora foi o Amapá (62,59%), seguido do estado da Paraíba (50,11%). Rondônia foi o estado que menos vacinou, tendo atendido apenas 11,76% do público-alvo. A recomendação aos estados que não atingirem a meta é continuar com a vacinação de rotina, oferecida durante todo o ano nos mais de 40 mil postos de saúde distribuídos pelo país.

A campanha nacional ocorre junto com a campanha de multivacinação, que visa atualizar a situação vacinal de crianças e adolescentes menores de 15 anos. Nesta última são ofertadas todas as vacinas do calendário nacional de vacinação.

A poliomielite, também chamada de pólio ou paralisia infantil, é uma doença contagiosa aguda causada pelo poliovírus, que pode infectar crianças e adultos e, em casos graves, pode levar a paralisias musculares, em geral nos membros inferiores, ou até mesmo à morte. A vacinação é a única forma de prevenção.

Por Agência Brasil

OMS anuncia erradicação da Pólio no continente africano

Foto tirada em 2014 mostra crianças sendo imunizadas contra a Pólio
(Arquivo/JC McIlwaine/Nações Unidas/via Fotos Públicas)

A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou nesta terça-feira (25/08) a erradicação do vírus causador da poliomielite no continente africano, após décadas de campanha para eliminar a doença em todo o mundo.

“Hoje é um dia histórico para a África”, disse Rose Gana Fomban Leke, integrante da comissão que certificou o fim das ocorrências de casos de pólio nos últimos quatro anos, o período limite para que se possa declarar a erradicação de uma doença infecciosa. 

A poliomielite, também conhecida como paralisia infantil, se junta à varíola na lista das viroses que foram varridas do continente, afirmou a OMS.

Desde 1996, os esforços para erradicação do poliovírus evitaram que 1,8 milhão de crianças tivessem contraído a doença que causa a paralisia infantil, e aproximadamente 180 mil vidas foram salvas, segundo a OMS.

A poliomielite é uma doença infecciosa aguda e contagiosa que ataca a medula espinhal e causa paralisias irreversíveis em crianças. Era uma doença endêmica em todo o mundo até a descoberta de uma vacina nos anos 1950, que ainda estava fora do alcance de várias nações mais pobres na África e na Ásia. 

Em 1988, a OMS, juntamente com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o Rotary, deu início a uma campanha mundial de erradicação da doença, Naquele ano, foram registrados 350 mil casos em todo o planeta. Em 1996, era mais de 70 mil infecções apenas na África.

Graças os esforços globais e ao apoio financeiro obtido pelas organizações – em torno de 19 bilhões de dólares em mais de 30 anos – apenas o Afeganistão e o Paquistão tiveram casos da doença registrados este ano. No total, foram 87 ocorrências.

O poliovírus é transmitido, normalmente, através das fezes de infectados e pode se espalhar através da água e de alimentos. As vacinas conseguem romper esse ciclo de transmissão.

O último caso de pólio na África foi registrado em 2016 na Nigéria, onde a vacinação enfrentava forte oposição de grupos jihadistas que acreditavam que o objetivo seria esterilizar muçulmanos. Mais de 20 profissionais que trabalhavam na vacinação foram mortos.

“Este é um marco histórico para a África. Agora, as futuras gerações de crianças africanas podem viver livre da poliomielite selvagem”, comemorou o diretor regional na OMS para a África, Matshidiso Moeti. Ele agradeceu o envolvimento de governos, comunidades, parceiros e doadores, além dos profissionais de saúde na linha de frente da vacinação.

RC/afp/ap

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SP: Contra sarampo e pólio, equipes convencem pais a vacinar

Camila Maciel/Agência Brasil

(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A movimentação do dia D de vacinação contra sarampo e poliomelite na Unidade Básica de Saúde (UBS) de Alto Pinheiros, zona oeste paulistana, foi tranquila na manhã de hoje (25). Maria Francisca da Gama, 53 anos, não enfrentou filas para vacinar a neta Lara, 4 anos. “Foi rapidinho. Uma picada da injeção e uma gotinha. Tem que vir pra proteger as crianças”, disse ao sair do posto. Até a última quinta-feira (23), a cobertura vacinal do município alcançava cerca de 59%. A meta é chegar a 95% do público-alvo – crianças entre 1 e menores de 5 anos – até o fim da campanha, que se encerra no dia 31 de agosto. As UBS funcionam hoje até as 17h.

Para incentivar as famílias a buscarem a imunização, a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo está fazendo busca ativa. Equipes de saúde estão visitando a casa de pais e responsáveis para orientar sobre a importância da vacinação e indicando a UBS mais próxima da residência. Lúcia Santos, 48 anos, já está com as carteiras de vacinação dos cinco netos em dia. “Vacinei perto de casa, no Jaguaré. Uma equipe de saúde vai lá em casa quase toda semana, terça-feira. Olham tudo, a carteirinha de vacina, marcam consulta. Tudo que precisa”, relatou.

Outra ação prevista da campanha em São Paulo é a instalação de um posto volante amanhã (26), no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, em parceria com Rotarys Clubes. A vacinação será das 9h às 16h. As crianças que estão com a vacina em atraso ou com doses incompletas também serão vacinadas.

Alunos dos centros de educação infantil (CEI), das escolas municipais de educação infantil (EMEI) públicas e também em creches e escolas de ensino infantil privadas também estão sendo vacinadas nesses locais. As Unidades de Vigilância em Saúde (UVIS) fizeram um levantamento na nesta semana nas unidades de educação e solicitaram autorização dos pais e responsáveis para aderir à ação. Os responsáveis devem enviar a caderneta de vacinação para a aplicação das doses na próxima semana.

Cobertura

Foram aplicadas entre o dia 4 e 23 de agosto, 697.568 vacinas no município de São Paulo, sendo 351.055 doses contra pólio (paralisia infantil) e outras 346.513 doses da vacina SCR, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Os dados representam uma cobertura de 59,3% para poliomielite e 58,5% da tríplice viral.

A secretaria de Saúde destaca que a ação é fundamental para reduzir o risco de reintrodução da poliomielite no Brasil assim como o de circulação de sarampo e rubéola na capital paulista.

Balanço nacional

Até ontem (24), 4,1 milhões de crianças em todo país ainda não tinham recebido a vacina, segundo o Ministério da Saúde. A última atualização enviada pelos estados mostra que, 62% das crianças brasileiras se vacinaram.

Em todo o país, foram aplicadas mais de 14 milhões de doses das vacinas (cerca de 7 milhões de cada). A meta do Ministério da Saúde é vacinar pelo menos 95% das 11,2 milhões de crianças independente da situação vacinal delas.  

Sábado é dia “D”de vacinação contra Sarampo e Poliomielite

Paula Laboissière/Agência Brasil

(Agência Brasil)

Postos de saúde em todo o país abrem as portas nesta sábado (18) para o chamado Dia D de Mobilização Nacional contra o sarampo e a poliomielite.

Todas as crianças com idade entre um ano e menores de 5 anos devem receber as doses, independentemente de sua situação vacinal. A campanha segue até 31 de agosto.

A meta do governo federal é imunizar 11,2 milhões de crianças e atingir o marco de 95% de cobertura vacinal nessa faixa etária, conforme recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Até a última terça-feira (14), no entanto, 84% das crianças que integram o público-alvo ainda não haviam recebido as doses.

Este ano, a vacinação será feita de forma indiscriminada, o que significa que mesmo as crianças que já estão com esquema vacinal completo devem ser levadas aos postos de saúde para receber mais um reforço.

No caso da pólio, as que não tomaram nenhuma dose ao longo da vida vão receber a vacina injetável e as que já tomaram uma ou mais doses devem receber a oral. 

Para o sarampo, todas as crianças com idade entre um ano e menores de 5 anos vão receber uma dose da Tríplice Viral, desde que não tenham sido vacinadas nos últimos 30 dias.

Casos de sarampo

Atualmente, o país enfrenta dois surtos de sarampo – em Roraima e no Amazonas. Até a última terça-feira (14), foram confirmados 910 casos no Amazonas, onde 5.630 outros casos permanecem em investigação. Já em Roraima, são 296 casos confirmados e 101 em investigação. 

Há ainda, de acordo com o Ministério da Saúde, casos isolados e relacionados à importação nos seguintes estados: São Paulo (1), Rio de Janeiro (14), Rio Grande do Sul (13), Rondônia (1) e Pará (2). 

Até o momento, foram confirmadas no Brasil seis mortes por sarampo, sendo quatro em Roraima (três em estrangeiros e um em brasileiro) e dois no Amazonas (brasileiros). 

Polio e Sarampo: Campanha de vacinação começa nesta segunda

A campanha contra a Poliomielite e o Sarampo pretende vacinar mais de 11 milhões de crianças, com idade entre 1 e cinco anos.
(Foto: Agência Brasil)

A Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite e o Sarampo começa nesta segunda-feira (6) em todo o país. A meta é imunizar mais de 11 milhões de crianças com idade entre 1 ano e menores de 5 anos, público mais suscetível a complicações de ambas as doenças. O Dia D de Mobilização Nacional foi agendado para 18 de agosto, um sábado, mas a campanha segue até o dia 31 de agosto.

De acordo com o Ministério da Saúde, foram adquiridas 28,3 milhões de doses de ambas as vacinas – um total de R$ 160,7 milhões. Todos os estados, segundo a pasta, já estão abastecidos com 871,3 mil doses da Vacina Inativadas Poliomielite (VIP), 14 milhões da Vacina Oral Poliomielite (VOP) e 13,4 milhões da Tríplice Viral, que protege contra o sarampo, a rubéola e a caxumba. 

Este ano, a vacinação será feita de forma indiscriminada, ou seja, todas as crianças dentro da faixa etária estabelecida serão imunizadas – mesmo as que já estão com o esquema vacinal completo. Neste caso, a criança vai receber um outro reforço. A campanha ocorre em meio a pelo menos dois surtos de sarampo no Brasil, em Roraima e no Amazonas. No caso da pólio, 312 municípios registram baixas taxas de cobertura vacinal contra a doença.

Veja a seguir algumas das principais perguntas e respostas relacionadas à campanha, com base em informações divulgadas pelo Ministério da Saúde:

Quando e onde ocorre a campanha?

Entre 6 e 31 de agosto, com o Dia D agendado para 18 de agosto, em postos de saúde de todo o país.

Qual o foco da campanha?

Crianças com idade entre 1 ano e 5 anos incompletos (4 anos e 11 meses).

Crianças que já foram vacinadas anteriormente devem ser levadas aos postos?

Sim. Todas as crianças com idade entre 1 ano e menores de 5 anos devem comparecer aos postos. Quem estiver com o esquema vacinal incompleto receberá as doses necessárias para atualização e quem estiver com o esquema vacinal completo receberá outro reforço.

Qual a vacina usada contra a pólio?

Crianças que nunca foram imunizadas contra a pólio vão receber a Vacina Inativada Poliomielite (VIP), na forma injetável. Crianças que já receberam uma ou mais doses contra a pólio vão receber a Vacina Oral Poliomielite (VOP), na forma de gotinha.

Qual a vacina usada contra o sarampo?

A vacina contra o sarampo usada na campanha é a Tríplice Viral, que protege também contra a rubéola e a caxumba. Todas as crianças na faixa etária estabelecida vão receber uma dose da Tríplice Viral, independentemente de sua situação vacinal, desde que não tenham sido vacinadas nos últimos 30 dias.

Adultos participam da campanha?

Não. A campanha tem como foco crianças com idade entre 1 ano e menores de 5 anos. 

Mesmo não sendo foco da campanha, adultos precisam de alguma das duas doses?

Sim. Conforme previsto no Calendário Nacional de Vacinação, adultos com até 29 anos que não tiverem completado o esquema na infância devem receber duas doses da Tríplice Viral e adultos com idade entre 30 e 49 anos devem receber uma dose da Tríplice Viral. O adulto que não souber sua situação vacinal deve procurar o posto de saúde mais próximo para tomar as doses previstas para sua faixa etária.

(Paula Laboissière/Agência Brasil)

Promotoria vai investigar baixa adesão à vacina contra paralisia infantil

(Arquivo/Agência Brasil)

O Ministério Público de São Paulo abriu um inquérito para apurar o baixo índice de vacinação infantil em São Paulo. A portaria de instauração do inquérito foi aberta hoje (25) pela promotora de Justiça Luciana Bergamo, que atua na Promotoria da Infância e Juventude da capital.

O inquérito pretende apurar, por exemplo, por que a cobertura vacinal de poliomielite em crianças menores de um ano é de apenas 30,6% na capital paulista, segundo dados coletados junto ao Ministério da Saúde. Mas a promotora pretende investigar ainda por que a cobertura vacinal para outras doenças também está baixa.

Luciana encaminhou pedidos às secretarias municipal e estadual de Saúde de São Paulo para que elas prestem esclarecimentos iniciais sobre as vacinas que são recomendadas à população infanto-juvenil, sobre os índices de cobertura da vacinação nos últimos cinco anos e as medidas que estão sendo tomadas em relação ao baixo índice de vacinação. A promotora também pretende ouvir algumas associações e entidades médicas sobre o assunto.

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que ainda não foi notificada pelo Ministério Público, mas que está à disposição para prestar os esclarecimentos necessários. A secretaria informou ainda que a cobertura contra a poliomielite na capital paulista, no ano passado, atingiu 84,8% de cobertura, superior aos dados divulgados pelo Ministério da Saúde, embora ainda esteja abaixo da meta de 95% estabelecida pelo órgão, “o que coloca o município em situação de risco para transmissão da doença”.

A divergência entre os dados da secretaria e do ministério, informou, se deve à utilização de sistemas de informação diferentes para o registro das doses aplicadas. “Cabe esclarecer que a diferença nos dados divulgados pelo Ministério da Saúde (MS) se deve ao fato de a secretaria dispor de sistema de informação próprio para registro nominal de doses aplicadas, o SIGA Módulo vacina. Já o MS obtém os dados de cobertura vacinal por meio de outro sistema de informação, o SIPNI (Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações). A partir de janeiro de 2016, os dados do sistema SIGA migraram para o SIPNI. No entanto, o município tem enfrentado dificuldades com a inoperabilidade dos dados do SIGA para o SIPNI, o que foi agravado com a nova versão do SIPNI”, falou.

A secretaria informou ainda que segue as orientações do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde. “Apesar de todos os esforços da pasta em ampliar a cobertura vacinal, a tendência nacional tem sido de queda”.

A Secretaria Estadual da Saúde informou que não foi notificada.

(Elaine Patricia Cruz/Agência Brasil)

Paralisia Infantil: Mais de 300 Cidades Com Risco de Surto da Doença

Há 312 municípios no país, especialmente na Bahia, com risco de surto de poliomielite, alertou neste fim de semana o Ministério da Saúde. Há 28 anos o Brasil não registra casos da doença. No entanto, o risco de a doença retornar é grande por causa da resistência de pais e mães em vacinarem os filhos. A ameaça, segundo o ministério, existe em todos os locais com coberturas abaixo de 95%, mas está mais crítica nessas 312 localidades.

O Ministério da Saúde orienta os gestores locais a organizar as redes de prevenção, inclusive com a possibilidade de readequação de horários mais compatíveis com a rotina da população brasileira. A pasta também recomenda o reforço das parcerias com creches e escolas, ambientes que potencializam a mobilização sobre a vacina por envolverem as famílias.

Vacinar a criança contra a Poliomielite é a única forma de evitar a doença (Foto: Arquivo/ Agência Brasil)

Doença

Causada por um vírus que vive no intestino, o poliovírus, a poliomelite geralmente atinge crianças com menos de 4 anos, mas também pode contaminar adultos.

A maior parte das infecções apresenta poucos sintomas e há semelhanças com as infecções respiratórias com febre e dor de garganta, além das gastrointestinais, náusea, vômito e prisão de ventre.

Cerca de 1% dos infectados pelo vírus pode desenvolver a forma paralítica da doença, que pode causar sequelas permanentes, insuficiência respiratória e, em alguns casos, levar à morte.

Transmissão e Prevenção

A poliomielite não tem tratamento específico. A transmissão pode ocorrer de uma pessoa para outra por meio de saliva e fezes, assim como água e alimentos contaminados.

No entanto, a doença deve ser prevenida por meio da vacinação. A vacina é aplicada nos postos da rede pública de saúde. Há ainda as campanhas nacionais.

A vacina contra a poliomielite oral trivalente deve ser administrada aos 2, 4 e 6 meses de vida. O primeiro reforço é feito aos 15 meses e o outro entre 4 e 6 anos de idade. Também é necessário vacinar-se em todas as campanhas. A próxima Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite ocorrerá de 6 a 31 de agosto.

O Brasil está livre da poliomielite desde 1990. Em 1994, o país recebeu, da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), a certificação de área livre de circulação do poliovírus selvagem.

 

(Texto: Agência Brasil)