Após dia com céu embaçado, moradores reclamam da poluição

Após mais um dia quente em São Paulo e na região metropolitana da Capital, moradores chamaram a atenção para o céu, que estava embaçado.

“Parece neblina, mas é fumaça”, escreveu um deles, em uma rede social.

Fotos tiradas hoje (19), de diferentes pontos do Estado, mostraram a metrópole e regiões do Interior encobertas por uma camada incomum de fuligem. Para piorar, o calor derrubou a umidade do ar. Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), os termômetros na Capital passaram de 31ºC durante a tarde, com umidade relativa do ar perto de 30%.

Segundo a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), no fim da tarde deste sábado a qualidade do ar era “muito ruim” na região metropolitana. As regiões com piores índices eram Itaim Paulista, Ibirapuera, Cidade Universitária, em São Paulo, e São Caetano do Sul, na Grande SP.

O único ponto que apresentava boa qualidade do ar era Santo Amaro, na zona sul.

Previsão do Tempo

Na noite deste sábado e madrugada de domingo (20) são esperadas pancadas isoladas de chuva, segundo o CGE, por causa da passagem de uma frente fria pelo litoral paulista. Essa chuva pode trazer para o solo a poluição que está no ar, provocando a chamada chuva de cor preta.

A mesma frente fria deve provocar mudança no tempo no começo da próxima semana, com temperaturas mais amenas.

Temperaturas

Domingo – mínima 15ºC / máxima 19ºC

Segunda-Feira – mínima 15ºC / máxima 18ºC

*Com informações do CGE

Plástico nos oceanos pode chegar a 600 milhões de toneladas em 2040

Caso não sejam tomadas medidas urgentes e de impactos ambientais e financeiros, o volume de plástico existente no mercado dobrará, o volume anual do produto que entra no oceano subirá de 11 milhões de toneladas, em 2016, para 29 milhões de toneladas, em 2040, e a quantidade nos oceanos quadruplicará, atingindo, no mesmo período, mais de 600 milhões de toneladas.

A projeção foi feita pelo estudo Breaking the Plastic Wave (Quebrando a Onda dos Plásticos, em tradução livre), publicado este mês pela Pew Charitable Trusts e a Systemiq e feito em parceria pela Fundação Ellen MacArthur, Universidade de Oxford, Universidade de Leeds e Common Seas.

Os 29 milhões de toneladas de plástico que poderão entrar nos oceanos em 2040 representarão 100% de emissão de gases de efeito estufa, envolvendo um cenário sem mudanças na cultura ou no comportamento do consumidor. O custo líquido desse vazamento é estimado em US$ 940 bilhões por ano.

Em entrevista por e-mail à Agência Brasil, o líder da iniciativa Nova Economia do Plástico, criada em 2016 pela Fundação Ellen MacArthur, Sander Defruyt, explicou que o cenário descrito no estudo é uma projeção do que pode ocorrer caso o cenário permaneça como está. “Ele revela o quanto é poluente e desperdiçador o atual sistema e reforça a necessidade de uma mudança. A transição para uma economia circular do plástico poderia gerar economia anual estimada em US$ 200 bilhões, em comparação ao cenário atual, além dos benefícios ambientais e climáticos”.

Solução prévia

Para a idealizadora da fundação, Ellen MacArthur, a solução tem que ser encontrada muito antes que o plástico chegue aos oceanos. Ela reiterou que uma mudança em direção a uma economia circular, com a máxima redução do uso do plástico, da coleta e reciclagem, e a substituição do produto sempre que possível, permitiria que,até 2040 o volume que entra nos oceanos caísse para 5 milhões de toneladas por ano.

O custo líquido total para todo o sistema, que abrange desde a matéria-prima até a produção e o gerenciamento pós-uso, seria reduzido para US$ 740 bilhões. Considerando dados de 2016, que indicam um vazamento de 11 milhões de toneladas de plástico nos oceanos, a redução seria de 52%. A emissão de gases poluentes na atmosfera diminuiria para 75% ao ano.

A economia circular é um conceito econômico que faz parte do desenvolvimento sustentável. É uma nova forma de pensar o futuro e como nos relacionamos com o planeta, dissociando o crescimento econômico e o bem-estar humano do consumo crescente de novos recursos.

Out To Sea? El proyecto de la basura de plástico, do Museum für Gestaltung Zürich. A exposição, utiliza toneladas de lixo e plástico retirado dos oceanos,visa sensibilizar as pessoas para a preservação ambiental.
Plástico retirado de oceanos é mostrado em exposição (Marieta Cazarré/Agência Brasil)

Medidas

A Fundação Ellen MacArthur enumera, entre as ações urgentes a serem adotadas pelos países e pela sociedade, a eliminação dos plásticos não necessários, “não só removendo os canudos e as sacolas, mas também ampliando modelos de entrega inovadores, que levem os produtos aos clientes sem embalagem ou utilizando embalagens retornáveis e estabelecendo metas ambiciosas para reduzir o uso de plástico virgem”. A entidade avalia que a redução do uso em cerca de 50% até 2040 equivaleria a um crescimento líquido nulo no uso de plásticos para o período.

Todos os itens plásticos devem ser projetados para ser reutilizáveis, recicláveis ou compostáveis, indica a fundação. Para ela, é essencial financiar a infraestrutura de modo a aumentar a capacidade de coleta e circulação desses itens, o que demandaria recursos em torno de US$ 30 bilhões anuais. Por essa razão, recomenda que devem ser implementados em todo o mundo, com urgência, “mecanismos que melhorem as condições econômicas da reciclagem e forneçam fluxos de financiamento estáveis com contribuições justas da indústria”, como a responsabilidade estendida do produtor e outras iniciativas. 

Sander Defruyt afirmou que não existe uma solução única para o problema do plástico, como mostra o estudo. “Reduzir, reutilizar e reciclar são todos elementos que precisam compor a solução”. Ele informou que, atualmente, apenas 14% das embalagens são recolhidas para reciclagem no mundo. “Sem um redesenho fundamental e inovação, cerca de 30% das embalagens plásticas nunca serão reutilizadas ou recicladas. Portanto, embora a reciclagem seja um componente da solução, ela não é uma solução em si”.

Inovação

A busca da inovação deve ser constante na direção de novos modelos de negócio, design de produtos, materiais, tecnologias e sistemas de coleta, com o objetivo de acelerar a transição para uma economia circular. De acordo com a Fundação Ellen MacArthur, “se as indústrias do plástico e de gestão de resíduos intensificassem as atividades de pesquisa e desenvolvimento, para alcançar um nível equivalente à da indústria de maquinário, por exemplo, isso criaria uma agenda no setor de US$ 100 bilhões até 2040”, o que significaria quadruplicar os investimentos nessas áreas em relação ao que ocorre atualmente.

A adoção dessas ações de economia limpa, ou circular, poderia gerar economia anual de US$ 200 bilhões, com a criação de um saldo líquido de 700 mil empregos adicionais até 2040 e redução das emissões de gases de efeito estufa da ordem de 25 pontos percentuais, indica o estudo. Defruyt completou que é preciso uma abordagem robusta de economia circular para eliminar os plásticos que não são necessários, inovar para que todos aqueles de que o mundo precisa possam ser reutilizados de maneira segura e circular todos os plásticos necessários, mantendo-os na economia e fora do meio ambiente”.

Para Ellen MacArthur, o estudo confirma que caso não ocorra uma mudança expressiva, até 2050 os oceanos podem conter mais plásticos do que peixes. “Para combater o desperdício e a poluição, temos que intensificar os esforços radicalmente e acelerar a transição para uma economia circular. Precisamos eliminar os plásticos dos quais não precisamos e reduzir significativamente o uso de plástico virgem. Precisamos inovar para criar novos materiais e modelos de reuso. E precisamos de melhor infraestrutura para garantir que todos os plásticos que usamos circulem na economia e nunca se tornem resíduo ou poluição.

Nova economia

A Fundação Ellen MacArthur foi criada em 2010 e estabeleceu a economia circular como agenda prioritária para líderes de todo o mundo. Seu trabalho se concentra em sete áreas, que são pesquisa e análise, empresas, instituições, governos e cidades, iniciativas sistêmicas, design circular, aprendizagem e comunicação.

Em 2016, a fundação criou a iniciativa Nova Economia do Plástico, que mobiliza governos e empresas para uma visão comum sobre o problema. Em outubro de 2018, lançou o Compromisso Global, com a missão de eliminar embalagens plásticas desnecessárias ou problemáticas e inovar para que todas sejam 100% reutilizáveis, recicláveis ou compostáveis e possam circular de maneira fácil e segura sem se que se tornem poluição.

Embora os consumidores possam tentar melhores escolhas em suas decisões de compra, eles ainda ficam restritos a escolher entre uma série de alternativas que são disponibilizadas pela indústria, observou Sander Defruyt. Sugeriu que as marcas e varejistas, por sua vez, podem optar pela adoção de modelos de reuso ou de uso único, pelo emprego de plásticos virgens ou incorporação de conteúdo reciclado.

 Fim da distribuição gratuita de sacolas plásticas pelos supermercados, que passarão a ser cobradas, com objetivo de reduzir o excesso de plástico descartado no meio ambiente
Fim da distribuição gratuita de sacolas pelos supermercados, a fim de reduzir o excesso de plástico descartado no meio ambiente (Fernando Frazão/Agência Brasil)

“Mais de 850 organizações em todo o mundo já se comprometeram com essa visão de uma economia circular para os plásticos. Por meio do nosso Compromisso Global por uma Nova Economia do Plástico, governos, líderes e empresas, que juntos representam 20% da produção global de embalagens plásticas, assumiram metas ambiciosas e mensuráveis para acelerar a transição para uma economia circular do plástico. Além disso, a nossa rede de Pactos do Plástico está reunindo atores da indústria em iniciativas regionais e nacionais para criar soluções de economia circular para o setor”, disse Defruyt.

Engajamento

Empresas como a Amcor, Coca-Cola Company, Danone, L’Oréal, Nestlé, PepsiCo, Unilever, Walmart são parceiras da ação, que tem também entre os signatários os governos da França e do Chile, entre outros, a Prefeitura Municipal de São Paulo e organizações não governamentais (ONG) como a WWF. O livro Reuse, publicado pela fundação no ano passado, mostra que a substituição de 20% das embalagens de uso único por embalagens reutilizáveis representa, em termos globais, oportunidade econômica equivalente a pelo menos US$ 10 bilhões.

O líder da Nova Economia do Plástico relatou que, ao longo dos últimos anos, foram observados avanços relevantes de alguns dos principais representantes da indústria global do produto em relação aos seus compromissos.A Coca-Cola, por exemplo, está aplicando modelos de reúso em 27% do seu volume de negócios na América Latina, e a Danone hoje usa esses modelos em 50% do seu negócio de águas.

A Nestlé investiu US$ 2 bilhões para incentivar o mercado a fornecer plásticos reciclados de boa qualidade, que possam ser usados para embalar produtos alimentícios. Diversas marcas, varejistas e fabricantes de embalagens plásticas estão eliminando do portfólio formatos de embalagem de uso único, como canudos e sacolas.

“Nós também percebemos uma mudança de atitude em relação a esquemas de responsabilidade estendida do produtor, que antes eram vistos como custo a ser evitado. Hoje, as empresas já reconhecem a necessidade de investir em sistemas de recuperação de materiais a fim de atingir as metas da indústria”, afirmou Defruyt.

Ranking

Embora não haja um ranking de países ou regiões em relação a ações para criar uma economia circular do plástico, Dreuyt disse que pode ser identificada uma série de governos que já assumiram compromissos públicos para acelerar a transição para uma economia circular e, com isso, estabelecem uma visão para guiar os esforços da indústria.

Os signatários do Compromisso Global incluem governos nacionais em cinco continentes (entre eles Chile, França, Granada, Nova Zelândia, Peru, Portugal, Reino Unido e Seychelles), além de cidades líderes como Austin, Copenhague, Buenos Aires e, no Brasil, São Paulo. A rede de Pactos do Plástico já tem hoje iniciativas estabelecidas no Reino Unido, na França, no hile, nos Países Baixos, na África do Sul e em Portugal, além de um pacto regional na Europa. 

Por Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil 

Isolamento reduz incidência de raios na capital, diz Inpe

Estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) concluiu que os raios – aquelas descargas elétricas que vêm para o chão e podem causar prejuízos e mortes – tiveram redução significativa na capital paulista com queda da poluição no período de isolamento social, uma das medidas tomadas para conter a pandemia de covid-19.

(Arquivo/Marcos Ozanan/Fotos Públicas)

Os pesquisadores analisaram dados de descargas atmosféricas de 20 de março a 2 de abril de 2020, período em que houve queda de cerca de 20% da poluição na cidade de São Paulo, de acordo com observações feitas em diversas estações pelo projeto World Air Quality.

“O que nós encontramos foram resultados muito surpreendentes: enquanto, nos três anos anteriores em que houve raios nesse período, a percentagem das descargas que atingiam o solo [variou] de 40% a 63%, neste ano, só 4% das descargas atingiram o solo, e 96% ficaram dentro das nuvens. Então houve uma diminuição dramática de valores”, disse o coordenador do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Inpe, Osmar Pinto Junior.

Segundo o Elat, o estudo confirma que as chamadas “supertempestades, com mais de 3 mil raios, que têm ocorrido em São Paulo nos últimos anos são consequência não somente do aumento local da temperatura, conhecido como ‘ilhas de calor’, mas também do aumento da poluição na cidade”.

O estudo comparou os anos de 2015, 2016 e 2018, quando houve tempestades no mesmo período que o analisado em 2020. “Em 2017 e 2019, não houve raios nesse período, então esses anos não foram usados. Não teve tempestade [no período], porque já é final de verão, as tempestades já não são tão comuns em São Paulo”, explicou o pesquisador.

Para Osmar Pinto Junior, o resultado confirma as evidências que já existiam de que a poluição afeta a ocorrência de raios, e este é um alerta para que os cientistas continuem a pesquisar como a poluição e os raios estão associados. “A variação foi muito grande na quantidade de raios que atingiram o solo, o que reforça a ideia de que realmente, para que se possa compreender esse fenômeno dos raios nas grandes cidades, é preciso investigar o papel da poluição. A gente sabe um pouquinho a respeito de como a poluição afeta os raios, mas existem ainda detalhes que a gente não sabe.”

O pesquisador explicou que, em linhas gerais, os raios são formados a partir do choque de partículas de gelo dentro das nuvens de tempestade. Ele disse que as partículas de gelo são alteradas em conseqência dos níveis de poluição. “A gente sabe que existe uma conexão entre essas coisas. Agora, como essa conexão ocorre, os detalhes dessa conexão, é uma coisa que a ciência ainda precisa estudar”.

Por Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil 

Brasil cobra informações de 11 países sobre óleo em praias

Por  Jonas Valente

Governo de Alagoas ultiliza trabalho de reedeucandos na limpeza de óleo na praia de Japaratinga. Eles são vigiados por policiais (Bruno Soriano/Fotos Públicas)


O governo federal notificou 11 países cobrando esclarecimentos sobre 30 navios mapeados dentro da investigação sobre a origem do vazamento de óleo que atingiu diversas praias do Nordeste. A informação foi dada pelo coordenador de operações navais da Marinha, almirante de esquadra Leonarndo Puntel, em entrevista a jornalistas no sábado (26).

A investigação conduzida pela Marinha trabalha com a tese de que o responsável teria sido um navio-tanque. A apuração inicial avaliou 1.500 embarcações e afunilou a análise para 30 veículos marinhos de 11 países. O comandante não detalhou que nações estariam neste grupo, mas disse que o requerimento pede informações para os governos para saber se têm conhecimento de algum acidente.

Os 30 navios estão entre os que passaram pela costa do Nordeste no período, identificados por fazerem comunicações por sistemas marítimos. Conforme Puntel, os investigadores calculam que o vazamento teria ocorrido no mês de agosto, com o óleo chegando às praias no fim daquele mês.

O almirante não descartou a possibilidade de que o episódio tenha sido causado por embarcações não oficiais, denominadas “dark ships”. Neste caso, contudo, a apuração será mais complexa e terá de envolver outras fontes de informação, como análise de imagens de satélite.

Puntel declarou que não é possível afirmar que o veículo era venezuelano. Mas que pesquisas da Petrobrás teriam identificado o óleo como proveniente daquele país. “Laudo da Marinha concluiu que óleo não era brasileiro. O laudo da Petrobrás foi além, porque tem amostras de óleos de outros países. Ele é de bacias venezuelanas. O navio a gente não sabe”, comentou.

Manchas

Voluntários e funcionários da prefeitura retiram óleo de praia em Cabo de São Agostinho (Gilberto Crispim/Fotos Públicas)

A coordenadora-geral de emergências ambientais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Fernanda Pirilo, afirmou na entrevista coletiva que não há novo óleo nas praias.

“Não há mais chegada de óleo novo, mas algumas praias ainda têm vestígio de óleo, temos os pontos identificados em que ainda há óleo residual, a maioria nos estados de Pernambuco e Bahia”, pontuou.

O comandante Leonardo Puntel acrescentou que a despeito da dificuldade de monitorar a evolução das manchas, dado que elas se deslocam debaixo da água a partir das correntezas marinhas, o exame realizado pelos órgãos envolvidos no grupo de acompanhamento detectou que houve um decréscimo da quantidade.

“As manchas de óleo tiveram dinâmica diferente. No início de setembro e outubro ela estava tranquila, não tinha grandes quantidades. Teve período na semana passada que houve aumento do volume no óleo na Bahia, Sergipe, Alagoas e Sul de Pernambuco. E este volume começou a decrescer agora”, observou.

A coordenadora do Ibama orientou a população dos locais a não entrar em contato com a substância. Já as condições de banho de cada praia são avaliadas pelos órgãos de saúde dos estados e municípios e devem ser verificadas juntamente a esses órgãos.

(Gilberto Crispim/Fotos Públicas)

Brasília

O grupo de órgãos federais encarregados da coordenação das atividades mudou sua base para Brasília. Durante esta semana, várias autoridades do governo federal estiveram em Pernambuco. O comandante da Marinha relatou que ainda permanecem coordenações locais montadas em Recife e Salvador.

A coordenadora de emergências ambientais do Ibama acrescentou que a mudança facilita a atuação do grupo, já que aproxima seus integrantes do centro de decisão política do país. Questionada por jornalistas, ela negou dificuldades na interlocução das entidades tanto em relação ao Executivo quanto no tocante a administrações estaduais.

Óleo das praias foi extraído de campos na Venezuela, diz Petrobras

Por  Vinícios Lisboa 

Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco (Salve Maracaípe/Fotos Públicas)


O diretor de Assuntos Corporativos da Petrobras, Eberaldo Neto, disse hoje (25) que a análise de 30 amostras do petróleo recolhido de praias do Nordeste permitiu concluir que ele foi extraído de três campos de produção na Venezuela. Em uma entrevista coletiva concedida à imprensa para analisar os resultados do balanço do terceiro trimestre de 2019, Neto esclareceu que a companhia agiu assim que foi acionada pela União, no início de setembro, e recolheu 340 toneladas de resíduos das praias.

“A gente fez análise em mais de 30 amostras e concluiu que é de três campos venezuelanos”, disse Neto. “A origem do vazamento é outra coisa. A gente entende que é na costa brasileira.”

O vazamento teria ocorrido no Oceano Atlântico, em uma região no caminho de uma corrente marinha que vem da África e se bifurca, seguindo para a costa setentrional do Nordeste, de um lado, e para a Bahia e o Sudeste, do outro, passando pelos locais onde o óleo tem sido recolhido.

“A gente sabe que foi em um ponto desse de bifurcação que foi a origem do vazamento. Provavelmente, um navio passando ali. As autoridades estão investigando.”

Neto destacou que o fato de o petróleo afundar e seguir para o litoral em uma camada abaixo da superfície do mar dificulta a visualização dele com sobrevoos e satélites e também a contenção dele com barreiras.

“A gente tem um centro de defesa ambiental preparado para isso, mas preparado para um óleo da Petrobras, que vaza de instalação da Petrobras, e a gente localiza a fonte e ataca com os instrumentos mais adequados”, disse o diretor, que explicou que o fato de o óleo submergir quase que inviabiliza a contenção dele antes de chegar ao litoral. “Fica praticamente impossível pegar a montante esse óleo e segurar com barreiras e outros instrumentos que a gente tem. O mecanismo de captura tem sido quando a maré e a corrente jogam para a praia. Infelizmente, tem sido esse o jeito, porque, com os mecanismos que a gente detém, é agulha no palheiro para a gente pegar pelas características do óleo.”

O diretor da estatal afirmou que a Petrobras vai distribuir equipamentos de proteção individual em comunidades do Nordeste para que voluntários possam utilizar os equipamentos para se proteger de possíveis intoxicações no contato com a substância.

Neto disse que o foco da Petrobras é continuar o trabalho e qualquer discussão sobre o valor que será ressarcido à companhia pelos recursos gastos será feita posteriormente. 

Venezuela nega envolvimento com óleo em praias do Nordeste

Por Alex Rodrigues

Mancha de óleo deixada na areia da praia (Governo de Sergipe/Fotos Públicas)


A empresa estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) informou hoje (10) que, até o momento, nenhum de seus clientes ou subsidiárias relatou a ocorrência de vazamento de petróleo de origem venezuelana próximo à costa brasileira.

Em nota divulgada esta manhã, a petrolífera afirma não haver evidências de derramamentos de óleo nos campos de petróleo da Venezuela que possam ter atingido a região Nordeste, causando danos ao ecossistema marinho brasileiro.

“Reiteramos que não recebemos nenhum relatório no qual nossos clientes e/ou subsidiárias relatam uma possível avaria ou vazamento nas proximidades da costa brasileira, cuja distância com nossas instalações de petróleo é de aproximadamente 6.650 km, via marítima”, sustenta a PDVSA.

Também hoje (10), o ministro do Petróleo da Venezuela, Manuel Quevedo, descartou a hipótese de que a PDVSA ou o Estado venezuelano tenham qualquer responsabilidade pelo petróleo que atinge a costa brasileira.

Em Brasília, durante reunião ordinária do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) realizada hoje, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, reafirmou que as autoridades brasileiras ainda desconhecem a origem do óleo, embora, segundo ele, o resultado das análises técnicas realizadas pela Petrobras apontem a “compatibilidade” entre o resíduo recolhido no litoral nordestino e o óleo venezuelano.

“A Marinha identificou todos os barcos que trafegaram pela costa brasileira e está investigando para saber qual é o possível barco [que pode ter derramado o óleo no mar]”, comentou o ministro, mencionando uma das três principais hipóteses para explicar a origem da substância: um vazamento acidental em alguma embarcação ainda não identificada; um derramamento criminoso do material por motivos desconhecidos ou a eventual limpeza do porão de um navio.

“O que sabemos é que o óleo não é brasileiro. E que a comparação das amostras é compatível com um derramamento de óleo venezuelano que houve no passado. Ou seja, tudo indica que é óleo venezuelano. Como este óleo chegou a nossa costa é a grande investigação”, disse Salles, referindo-se as apurações a cargo da Polícia Federal (PF), da Marinha e de órgãos ambientais.

Em nota enviada à Agência Brasil, o Ministério do Meio Ambiente esclarece que a indicação de origem venezuelana do petróleo se baseia em análise laboratorial. O ministério, no entanto, esclarece que nenhuma autoridade ou funcionário público afirmou que o caso seja de responsabilidade do Estado venezuelano ou da PDVSA.

“A hipótese aventada é que pode ter sido derramado a partir de navios que trafegaram ao longo da costa brasileira, e não necessariamente de campos do governo ditatorial venezuelano”, informa a pasta.

Praias do Nordeste: Chega a 53 municípios atingidos por óleo

Por Ana Cristina Campos

Barril encontrado na costa de Sergipe (Governo de Sergipe/Fotos Públicas)

Subiu para 53 o número de cidades afetadas pela mancha de óleo que atingiu o litoral do Nordeste desde o início do mês.

Segundo o balanço mais recente divulgado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), já são 112 localidades em oito estados afetadas pela mancha. Apenas na Bahia ainda não houve registro do problema.

Uma investigação do Ibama, que monitora a situação desde o dia 2 de setembro, com apoio do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, indica que o petróleo que está poluindo as praias é o mesmo, e a origem não é do Brasil.

De acordo com a investigação do instituto, o petróleo que está poluindo todas as praias é o mesmo. Trata-se de petróleo cru, ou seja, não se origina de nenhum derivado de óleo, como gasolina. No entanto, sua origem ainda não foi identificada. Em análise feita pela Petrobras, a empresa informou que o óleo encontrado não é produzido pelo Brasil.

Mancha de óleo deixada na areia da praia (Governo de Sergipe/Fotos Públicas)

Mesmo sendo de origem estrangeira, os responsáveis estão sujeitos a multas de até R$ 50 milhões, em conformidade com a Lei de Crimes Ambientais, Lei 9.605/1988.

O Ibama informou que requisitou apoio da Petrobras para atuar na limpeza de praias. Nos próximos dias, a empresa disponibilizará um contingente de cerca de 100 pessoas.

O instituto orienta as pessoas que identificarem manchas de óleo em alguma praia a entrar em contato com a prefeitura do local e com o instituto por meio da Linha Verde, no número 0800618080.

Até o momento, o petróleo foi encontrado em nove tartarugas, seis delas mortas, e em uma ave, também morta. Segundo o Ibama, não há evidências de contaminação de peixes e crustáceos, mas a avaliação da qualidade do pescado capturado nas áreas afetadas para fins de consumo humano é competência do órgão de vigilância sanitária.

Poluição pode ter sido jogada em alto mar (Governo de Sergipe/Fotos Públicas)

‘Sexta sem carro’ fecha ruas do centro histórico da capital

(Jorge Araujo/Fotos Publicas)

Com o objetivo de incentivar o debate sobre o uso do veículo na cidade e estimular o uso do transporte coletivo e as pequenas viagens a pé ou de bicicleta, nesta sexta-feira, 30 de agosto, será realizado o Programa Sexta Sem Carro, da Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes.

 A região central foi escolhida por possuir uma vasta opção de transporte público, como estações de metrô e diferentes linhas de ônibus. Por isso, as vias do Centro Histórico para o trânsito de carros e motos ficam fechadas, das 6h às 18h.

 Na Sexta Sem Carro somente ônibus, táxis, veículos escolares, bicicletas e carros que possuem cartões do idoso e pessoas com deficiência (Defis) podem circular em toda a extensão das seguintes vias: Rua Boa Vista, Ladeira Porto Geral, Largo de São Bento, Rua Líbero Badaró, Viaduto do Chá e num trecho da Rua Florêncio de Abreu (entre a Ladeira da Constituição e a Rua Boa Vista).

Confira as linhas que trafegam pelas ruas Boa Vista, Líbero Badaró e no Viaduto do Chá:

Rua Boa Vista e Rua Líbero Badaró – 10 linhas 

2002/10 – Term. Pq. D. Pedro II – Term. Bandeira

408A/10 – Machado de Assis – Cardoso de Almeida

4112/10 – Sta. Margarida Maria – Pça. da República

4113/10 – Gentil de Moura – Pça. da República

508L/10 – Term. Princ. Isabel – Aclimação

7411/10 – Cid. Universitária – Pça. da Sé

8615/10 – Pq. da Lapa – Term. Pq. D. Pedro II

908T/10 – Term. Pq. D. Pedro II – Butantã

930P/10 – Term. Pq. D. Pedro II – Term. Pinheiros

CT01/1 – Circular Turismo

Viaduto do Chá – 14 linhas

2002/10 – Term. Pq. D. Pedro II – Term. Bandeira

408A/10 – Machado de Assis – Cardoso de Almeida

4112/10 – Sta. Margarida Maria – Pça. da República

4113/10 – Gentil de Moura – Pça. da República

508L/10 – Term. Princ. Isabel – Aclimação

702C/10 – Jd. Bonfiglioli – Metrô Belém

702U/10 – Cid. Universitária – Term. Pq. D. Pedro II

7411/10 – Cid. Universitária – Pça. da Sé

8615/10 – Pq. da Lapa – Term. Pq. D. Pedro II

908T/10 – Term. Pq. D. Pedro II – Butantã

909T/10 – Term. Pinheiros – Term. Pq. D. Pedro II

909T/1 – Term. Pinheiros – Term. Pq. D. Pedro II  

930P/10 – Term. Pq. D. Pedro II – Term. Pinheiros

CT01/1 – Circular Turismo

Para informações sobre itinerários ligue 156

*conteúdo da Prefeitura de SP

Fumaça: Cetesb fiscaliza veículos a diesel

Por  Flavia Albuquerque

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) fiscalizou hoje (14) 42 pontos distribuídos em rodovias e avenidas de grande circulação no estado para verificar a fumaça preta emitida por veículos a diesel. A ação integra a Operação Inverno 2019, período em que as condições meteorológicas são desfavoráveis para a dispersão dos poluentes atmosféricos. 

Foram abordados caminhões em dois pontos: Rodoanel Km 13,5 Trecho Oeste, sentido Norte e na Rodovia SP 79, Km 71, Bairro Éden, em Sorocaba. Nesses locais foi utilizado o opacímetro, um aparelho portátil que analisa a opacidade da fumaça que sai pelo escapamento do veículo. Nos outros pontos a avaliação foi feita com os veículos em movimento, com base em uma escala de cores que classifica a cor da fumaça. 

O veículo autuado recebe multa de R$ 1.591,80, que pode dobrar em caso de reincidência. Não se tratando de reincidência, o proprietário do veículo autuado pode solicitar a redução ou restituição de 70% do valor da multa, condicionado à comprovação da reparação do veículo. 

A primeira ação semelhante do ano foi feita em 11 de junho e resultou em 1.108 veículos multados. No ano anterior, as ações totalizaram 151.349 caminhões e ônibus a diesel fiscalizados e 2.930 penalidades aplicadas. 

Dia de Combate à Poluição

A blitz ocorre no mesmo dia em que é celebrado o Dia de Combate à Poluição. A organização não governamental Greenpeace chama a atenção para a necessidade de alertar a população para os perigos escondidos no ar respirado na capital paulista, ameaçando não só a saúde, mas o ambiente das cidades e do planeta. Um dos principais causadores dessa poluição, destaca o Greenpeace, são os ônibus movidos a diesel. 

Segundo informações da Organização Mundial de Saúde (OMS), a poluição do ar mata 17 mil pessoas por ano na capital paulista, sendo que a fumaça dos ônibus é responsável por 4.700 dessas mortes. No Brasil, esse número de mortes sobe para 50 mil e, no mundo, são 7 milhões de pessoas. Hoje, os 15 mil ônibus que circulam no espaço urbano são responsáveis por 47% do material particulado (fuligem) e 13% das emissões de CO2 que poluem o ar da capital paulista e que afetam a saúde de seus 12 milhões de moradores.

Para tentar reverter esse quadro na capital paulista, a Lei Municipal 16.802/2018 exige que os ônibus a diesel sejam transformados em veículos não poluentes, movidos a combustíveis 100% renováveis. O objetivo é que a cidade reduza em 50% a emissão de CO2 do transporte público municipal até 2028.

“Essa lei estabelece um marco regulatório importante quando coloca não só um prazo de transição como a porcentagem que terá que ser reduzido para chegar a zero CO2 emitido por combustível fóssil dos ônibus assim como outros veículos da prefeitura. Por isso, ela é uma lei bastante robusta e de potência fenomenal para o país e um passo importante até mesmo para o mundo. Estamos falando sobre salvar vidas”, disse o especialista em mobilidade urbana do Greenpeace Brasil, Davi Martins. 

Segundo ele, apesar de a lei estar em vigor há mais de um ano ainda há atrasos na transição do transporte público municipal para uma matriz limpa. “Temos hoje uma situação de urgência climática. Não existem motivos técnicos nem econômicos que impeçam a adoção de ônibus menos poluentes”, avaliou Martins.

“Temos um comitê gestor [Comitê Gestor do Programa de Acompanhamento da Substituição de Frota por Alternativas Mais Limpas – Comfrota] dessa questão que já está trabalhando há seis meses e apenas hoje, na sua terceira reunião, iniciou essa discussão. Estamos alongando o tempo de condução e isso vai ter impacto direto na população e no bolso das operadoras de ônibus”.  

A prefeitura foi procurada, mas não respondeu à solicitação até a publicação desta matéria.

Obra vai retirar areia do fundo do Rio Pinheiros

Por Camila Maciel

(Rovena Rosa/Agência Brasil)

O governo paulista anunciou ontem (12) o início do desassoreamento do Rio Pinheiros. Segundo o governador de São Paulo, João Doria, a despoluição do rio ocorrerá até 2022. Em um ano, será feito o desassoreamento e o desaterro de 1,2 milhão de metros cúbicos de detritos com recursos que somam aproximadamente R$ 70 milhões.

Para fazer o desassoreamento – remoção de areia, lodo e outros sedimentos do fundo do rio – será utilizada a técnica de escavadeira embarcada em plataformas flutuantes. De acordo com a Empresa Metropolitana de Águas e Energia, máquinas vão retirar sedimentos do leito do rio, depositá-los em barcaças, transportá-los às margens para disposição final na Cava de Carapicuíba.

O órgão aponta que o volume mensal dos resíduos, se colocados em caminhões, formaria uma fila de 100 quilômetros. Serão investidos inicialmente neste processo R$ 32 milhões. A previsão é que, em até 12 meses, sejam desassoreados 500 mil metros cúbicos. O objetivo é remover 2,4 milhões de metros cúbicos de sedimentos nos próximos anos.

Duas empresas que vão prestar o serviço foram selecionadas por meio de pregão eletrônico. São os consórcios Jerivá, do qual fazem parte a Soebe Construção e Pavimentação, a FBS Construção Civil e a Pavimentação S.A.; e o Pinheiros 14, do qual participam a ETC Empreendimentos e Tecnologia em Construção e DP Barros Pavimentação e Construção.

As ações de desaterro, por sua vez, vão aumentar o espaço de áreas chamadas de “bota-fora” com a e a escavação mecânica dos materiais depositados. O custo será de mais de R$ 37 milhões. Serão desaterrados cerca de 700 mil metros cúbicos de materiais em um ano. Vão executar os serviços, o consórcio Pinheiros 15 (ETC Empreendimentos e Tecnologia em Construção, e DP Barros Pavimentação e Construção) e a empresa Construdaher Construções e Serviços.