“É hora de pôr interesses do país à frente dos individuais”, diz Boulos

Guilherme Boulos (PSOL) durante debate na Band (TV Band/Reprodução)

A chegada ao segundo turno na eleição para a prefeitura de São Paulo, em 2020, consolidou Guilherme Boulos (Psol) como uma liderança nacional da esquerda. Sua projeção foi reconhecida internacionalmente na semana passada, ao ser incluído na lista de 100 líderes emergentes do mundo feita pela revista Time, dos Estados Unidos.

Boulos e a cantora Anitta foram os únicos brasileiros selecionados. Para se fazer ouvir, o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) não chegou a ter que rebolar, mas precisou aprender a sorrir. Ou melhor, permitir a si mesmo ser mais espontâneo.

Em 2018, quando participou da eleição presidencial com menos de 1% dos votos válidos, recebeu críticas dentro da própria esquerda pela sisudez de sua fala. Chegou a ser comparado ao raivoso Luiz Inácio Lula da Silva de 1989, ano em que o petista tentou pela primeira vez chegar à presidência, derrotado por Fernando Collor.

Na entrevista a seguir, Boulos reconhece que a extrema direita “deu um banho” em todo o espectro político no uso das redes sociais em 2018. A disparidade de forças serviu de alerta a ele e seu partido, que recorreram a uma equipe especializada para pensar em estratégias bem-humoradas e leves de abordar os temas densos que a esquerda traz para o debate.

“Ficou evidente que se a gente não buscasse se apropriar e dialogar com essas ferramentas de diálogo de rede, humor, ironia, estávamos fadados a uma derrota de longo prazo. Nós tivemos essa compreensão, e sem nunca apelar para fake news”, comenta.

Deu resultado. Na eleição em São Paulo, Boulos desbancou candidaturas com maior investimento e capital político para chegar ao segundo turno. No caminho, deixou para trás o candidato Celso Russomano (PRB), apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Apesar do espaço conquistado, o psolista se recusa a apresentar-se como pré-candidato a presidente em 2022. No início de fevereiro, Fernando Haddad (PT) recebeu orientação de Lula para “colocar o bloco na rua”, nas palavras do petista. Boulos criticou o movimento na ocasião, por entender que a prioridade da esquerda deveria ser a criação de um programa comum, antes de pensar em nomes.

“O Ciro Gomes lançou a candidatura dele em 2018. Agora, o PT sinalizou o lançamento do Haddad. Se eu e o Flávio Dino ou a Manuela D’Ávila, pelo PCdoB, decidirmos fazer o mesmo, chegamos a 2022 com quatro candidaturas do nosso campo. Quem ganha com isso? Do meu ponto de vista, o Bolsonaro. Esse peso eu não vou carregar, e irei trabalhar que a esquerda chegue unida em 2022”, afirma.

DW Brasil: Você foi selecionado pela revista Time como um dos 100 jovens líderes do mundo para o futuro. Qual é a importância dessa escolha?

Guilherme Boulos: Eu fiquei contente pelo reconhecimento, até porque se trata de uma revista liberal, que expressa um campo político diferente do meu. Quando até quem tem posições distintas reconhece o seu papel, isso merece ser notado. Aliás, a revista já fez isso com outras lideranças da esquerda e do campo progressista no Brasil e no mundo.

Como você lida com esse peso de ser alguém que pode liderar a esquerda brasileira nos próximos anos?

Eu milito há 20 anos no movimento social, junto com os sem-teto. Eu carrego há algum tempo esse peso de ser um uma das pessoas que representa a luta daqueles que não têm nada, que muitas vezes reviram o lixo para poder comer e não têm um teto para se abrigar. É uma responsabilidade para com os que estão no fundo do abismo social brasileiro. A inclusão na lista da Time não altera isso para mim, já que eu carrego comigo essa responsabilidade desde o início da minha militância, com as escolhas que eu fiz. E a compartilho com meus companheiros, pois ninguém consegue nada nem lidera sozinho.

Enquanto você insiste na criação de um programa comum dentro da esquerda antes de pensar em nomes para 2022, Lula não hesitou em “por o bloco na rua” com Haddad. Não seria mais interessante para você pavimentar um caminho independente dessa chancela do ex-presidente?

Não se trata de chancela. Eu sou militante do Psol, e não do PT. Eu construo meu caminho próprio ao lado dos meus companheiros em vista do modelo de esquerda e de país em que eu acredito. Trata-se de ter responsabilidade histórica. Não estamos em um momento de normalidade, em que cada um coloca seus projetos em cima da mesa, como se a democracia brasileira estivesse a plenos pulmões. Nós temos Bolsonaro presidente do Brasil, mais de 240 mil mortos na pandemia, um governo que acabou de liberar até 60 armas para frequentadores de clubes de tiros, a fim de formar milícias privadas para intervir caso ele perca em 2022.

O país está há cinco anos em uma profunda instabilidade institucional, onde as garantias individuais e as liberdades foram atropeladas inúmeras vezes. Nossa democracia está profundamente fragilizada. Em um momento como este, é preciso ter juízo. É papel da esquerda e de quem tem uma visão solidária e generosa de mundo colocar os interesses do país e nosso povo à frente de interesses individuais. Eu poderia lançar minha candidatura. Talvez, para mim, fosse mais vantajoso politicamente. Viajar o país e dialogar com as pessoas é algo que eu faço sempre, independente de ano eleitoral.

O Ciro Gomes lançou a candidatura dele em 2018. Agora, o PT sinalizou o lançamento do Haddad. Se eu e o Flávio Dino ou a Manuela D’Ávila, pelo PCdoB, decidirmos fazer o mesmo, chegamos a 2022 com quatro candidaturas do nosso campo. Quem ganha com isso? Do meu ponto de vista, o Bolsonaro. Esse peso eu não vou carregar, e irei trabalhar para que a esquerda chegue unida em 2022. Estou defendendo e dialogando com várias lideranças a construção de uma mesa de unidade e discuto um programa comum, que possa chegar eventualmente a uma candidatura única, por meio de prévias ou qualquer outra forma que gere consenso. Agora, se isso não for possível, cada um vai tomar seu rumo. Mas a tentativa deve ser feita.

Como você projeta o restante de 2021 para o Brasil?

As condições vão se deteriorar mais, lamentavelmente. O Brasil caminha para uma tempestade perfeita a partir do meio do ano. Primeiramente, pelo atraso na vacinação. Falta tudo. E olha que o país é referência internacional pelo Plano Nacional de Vacinação. Só que houve, nos últimos anos, um desmonte na área de ciência, pesquisa e inovação. O país está com o pires na mão, procurando insumos para vacinar o seu povo. Isso atrasou o processo. Dessa forma, dificultou também a recuperação econômica. Nós terminamos o ano passado com 14 milhões de desempregados. É o maior número da série histórica medida pelo IBGE, além dos 12 milhões de desalentados, que deixaram de procurar emprego pela falta de perspectiva.

A esse cenário se somam alguns fatores que compõem essa tempestade perfeita, a começar pelo auxílio emergencial, que virá menor, com um valor insuficiente até para colocar comida na mesa, e atendendo a menos pessoas do que no ano passado. Temos ainda a inflação de alimentos, pela subida internacional do preço das commodities, e a inflação de combustíveis. Podemos ter, ainda em 2021, um cenário de caos e convulsão social no Brasil, inclusive de violência.

Às vezes, o Bolsonaro antecipa o debate sobre as eleições do ano que vem, porque lhe interessa, mas uma parte da oposição também está com o pé e a cabeça em 2022. Estou muito preocupado em encarar 2021. A fome voltou nos interiores e periferias do país. Será exigida muita iniciativa da oposição, inclusive de rua, assim que for possível pelas condições sanitárias.

Sua campanha à prefeitura de São Paulo, em 2020, foi elogiada pela estratégia de comunicação nas redes. É possível dizer que a esquerda retomou espaço nessa arena, dominada inicialmente pelo bolsonarismo?

Quem primeiro soube utilizar as redes sociais para passar uma mensagem política, e com muita eficiência, foi a extrema direita. Isso não se deu só no Brasil, mas no mundo todo. Foi assim nos Estados Unidos, com Donald Trump, e no Reino Unido, com o Brexit. A extrema direita se organizou numa espécie de “internacional”. Eles trocaram ideologias e discursos. Basta ver que há inúmeros pontos de coincidência nos discursos de Trump, Bolsonaro e Viktor Orbán (primeiro-ministro da Hungria). Isso gerou uma certa impressão, sobretudo no Brasil, de que a extrema direita seria a força hegemônica nas redes por um longo tempo. As eleições municipais do ano passado, sobretudo com a nossa campanha em São Paulo, ajudaram a mostrar que não necessariamente. Nós derrotamos o candidato do Bolsonaro na maior cidade do país. Ele tinha cinco vezes mais tempo de televisão do que a nossa candidatura. Conseguimos ir ao segundo turno e ter mais de 2 milhões de votos, sobretudo com um trabalho de redes sociais.

Muitas vezes, o que faltou para a esquerda era a disposição de furar a bolha, não pregar apenas para convertidos e usar uma linguagem que fosse compreensível por quem não era iniciado nos temas e textos desse campo. Assim como ser mais irreverente, saber utilizar mais o humor. Os temas que a esquerda traz, como a injustiça social e a pobreza, são sempre muito graves. Por vezes, não se encontrava outra maneira de dizer isso a não ser de uma forma dura, carrancuda, às vezes sombria. Nossa campanha não foi a primeira a usar bem as redes na esquerda, mas conseguimos mostrar que é possível levar nossos valores e causas populares de forma combativa e, ao mesmo tempo, com humor, com meme, dialogando com o diferente. Foi um exemplo interessante, e espero que a gente tenha a capacidade de manter isso ativo em 2022 para derrotar o projeto bolsonarista.

Quando você participou da eleição presidencial de 2018, havia comentários dentro da esquerda de que você se assemelhava ao Lula de 1989, mais sisudo. Você fez algum tipo de autocrítica nesse sentido?

Claro, eu fiz um balanço. A gente precisa aprender com os fatos, que estão aí para nos ensinar, e não para a gente contorná-los e continuar reforçando as nossas crenças. As eleições de 2018 tiveram um resultado catastrófico, e a extrema direita deu um banho de redes sociais em todos nós, mostrou que havia mudado o patamar de fazer campanha. Era como se os candidatos estivessem em relógio analógico, e o Bolsonaro, com relógio digital. Ficou evidente que se a gente não buscasse se apropriar e dialogar com essas ferramentas de diálogo de rede, humor, ironia, estávamos fadados a uma derrota de longo prazo. Nós tivemos essa compreensão, e sem nunca apelar para fake news. Pelo contrário, combatendo-as.

Entre 2018 e 2020, tivemos a ajuda de uma equipe para estudar e compreender o fenômeno. Em contraponto ao gabinete do ódio, que o Bolsonaro montou com dinheiro público no Palácio do Planalto, nós montamos o gabinete do amor. É um grupo de centenas de humoristas, designers, memeiros e tuiteiros que se organizaram voluntariamente na nossa campanha e, após a eleição, seguiram organizados para continuar esse trabalho. Eu tenho otimismo que a verdade possa vencer as fake news e, ao contrário do que aconteceu em 2018, a esperança e o amor possam vencer o discurso de ódio.

Pessoalmente, essa mudança de tom foi natural ou custosa para você?

Em uma entrevista, um debate na televisão, enfim, um palanque, você tende a ser mais formal, menos espontâneo. Assim como várias lideranças políticas, eu sempre preparei meus discursos. A gente fala para milhões de pessoas, seja por meio de uma tela, ou em grandes manifestações. Isso faz com que você chegue mais rígido. Ao longo da campanha, eu me desafiei a ser mais espontâneo, solto. Não precisei fabricar nada, colocar nenhuma maquiagem. A nossa equipe de comunicação foi de uma capacidade extraordinária e buscou fazer com que eu conseguisse despertar essa leveza e autenticidade nos momentos de expressão pública.

A periferia de São Paulo votou em João Dória contra Haddad em 2016, enquanto São Bernardo, berço político de Lula, elegeu Bolsonaro em 2018. A esquerda deixou de acompanhar transformações da sociedade brasileira, como o desejo de empreender no lugar da carteira assinada?

Ao mesmo tempo que a esquerda deve trazer à luz os acertos dos governos petistas, que retiraram milhões de pessoas da pobreza e da fome, precisa apontar os limites e se renovar para lidar com este mundo de 2021, que não é o mesmo do início do século. As mudanças são rápidas. Nesse sentido, devemos ser capazes de dialogar com as novas formas de relações econômicas. É preciso tomar cuidado com a cilada do empreendedorismo, que foi utilizado ideologicamente pelo neoliberalismo para embelezar o processo de precarização do trabalho. Nós não podemos aceitar a uberização e todas as formas de retirada de direitos como naturais. A destruição da legislação trabalhista colocou dezenas de milhões de trabalhadores à margem de qualquer proteção. Falo de jovens de 18 anos que ficam 12 horas por dia em cima de uma moto, sem direito à aposentadoria nem férias, recebem um salário que mal paga as contas no fim do mês, e são chamados de empreendedores.

Mas a esquerda deve estar atenta. Ao longo da campanha em São Paulo, nós construímos junto com motoristas e entregadores de aplicativos um programa de regulamentação para esse trabalho, que seria aplicado se ganhássemos. Uma parte importante deles não queria a carteira assinada, mas a liberdade de fazer sua própria jornada e trabalhar para mais de uma empresa simultaneamente. Eles disseram isso nos encontros. Só que, ao mesmo tempo, querem uma regulamentação mínima de direitos. A estabilidade via CLT não é a única possível, porque as formas de trabalho e as expectativas se diversificaram muito. Mas é preciso ter uma regulamentação que assegure direitos, senão vamos caminhar cada vez mais para uma escravidão moderna.

Uma esquerda do século 21 precisa considerar esta e outras questões, em diálogo com as periferias. Nossa economia se reprimarizou e, hoje, somos mero exportadores de soja, minério de ferro e gado. O Brasil não pode ser a fazenda da China e da Europa. Precisamos retomar a industrialização com investimentos em ciência e inovação, para aumentar o valor agregado da nossa pauta exportadora. É necessário discutir um novo modelo de desenvolvimento, sustentável no médio-longo prazo e alinhado ao debate internacional sobre o green new deal. De forma prioritária, devemos combater radicalmente as desigualdades. Nos governos do PT, a vida dos pobres melhorou muito, mas o lucro dos banqueiros também. Todos os países da OCDE taxam lucros e dividendos, mas o Brasil não. Precisamos enfrentar os grandes temas do país, que passam obrigatoriamente pelo enfrentamento do racismo estrutural.

Por João Pedro Soares, da Deutsche Welle

Boulos é um dos 100 líderes emergentes do mundo, elege Time

Guilherme Boulos ao lado de Sonia Guajajara, durante campanha em 2018 (Arquivo/Rovena Rosa/Agência Brasil)

A revista americana Time elegeu Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), como uma das 100 lideranças emergentes que estão moldando o futuro. A lista anual, batizada de “Time 100 Next”, foi divulgada nesta quarta-feira (17/02).

Segundo a publicação, “após dois anos da controversa Presidência de Jair Bolsonaro, a fragmentada esquerda brasileira tem tido dificuldade em se unir em torno de um líder a fim de desafiar a extrema direita”. Mas “Guilherme Boulos começou a mudar isso”.

Boulos, do Psol, concorreu à Presidência da República em 2018, mas em termos de resultados eleitorais sua candidatura de mais peso foi no ano passado, quando disputou a prefeitura de São Paulo, chegando inclusive ao segundo turno contra o atual prefeito Bruno Covas (PSDB). O tucano acabou sendo reeleito com 59,4% dos votos, contra 40,6% do candidato do Psol.

“Um mês antes do primeiro turno da eleição, ele estava em quarto lugar como candidato de um partido minoritário, com apenas 10% dos votos esperados. Mas, ao conquistar os jovens e energizar eleitores desiludidos com a esquerda dominante do Partido dos Trabalhadores, Boulos derrotou o candidato preferido de Bolsonaro, entre outros, para chegar ao segundo turno”, diz a Time.

Mesmo tendo perdido a eleição em São Paulo, a revista afirma que “o desempenho surpreendente de Boulos na influente cidade o estabeleceu como uma figura ascendente na política brasileira e deu à esquerda um novo caminho a seguir”.

“Muitos esperam que Boulos concorra à Presidência em 2022 e desempenhe um papel importante na reconstrução da força da esquerda nesse ínterim”, completa a publicação americana, em texto assinado pela repórter Ciara Nugent, que cobre América Latina.

Boulos, nascido e criado em São Paulo e destacado pela Time como tendo trabalhado por duas décadas como líder comunitário em bairros pobres, comemorou sua inclusão na lista.

“Invadindo a Time! Fico honrado em estar na lista #TIME100Next da Revista Time, como uma das 100 lideranças emergentes do mundo. O futuro é logo ali!”, escreveu ele no Twitter.

Outros nomes na lista

Os 100 nomes na lista são classificados entre artistas, fenômenos, líderes, ativistas e inovadores. Boulos aparece na classificação de líderes, que inclui também a primeira-ministra da Finlândia, Sanna Marin, a líder da oposição em Belarus Svetlana Tikhanovskaya e o conselheiro de Segurança Nacional do presidente Joe Biden, nos Estados Unidos, Jake Sullivan.

Outra brasileira na lista deste ano é a cantora Anitta, descrita pela Time como uma “verdadeira malandra que transformou seu movimento em um império”. “Ela pegou o som do Brasil – o funk – e o elevou a outro nível, para que os sons sejam para todos”, diz a revista. “Ela tem talento suficiente para continuar conquistando o mundo.”

Já em 2019, a lista de 100 lideranças emergentes incluiu a deputada Tabata Amaral (PDT-SP).

Por Deutsche Welle

ek/lf (ots)

Conselho de ética do Cidadania defende expulsão de deputado após assédio na Alesp

Fernando Cury (Cidadania) toca a deputada Isa Penna (PSOL) durante sessão na Alesp (Reprodução)

O Conselho de Ética do partido Cidadania aprovou ontem (10) um relatório em que recomenda a expulsão do deputado estadual Fernando Cury. O parlamentar do partido foi gravado apalpando a deputada Isa Penna (PSOL) dentro do plenário da casa.

Segundo comunicado divulgado pelo partido, o parecer da Comissão e o relatório vão ser encaminhados para a Presidência do Cidadania, “à qual caberá convocar o Diretório Nacional para deliberar a respeito e decidir pela expulsão ou não do parlamentar”, informa.

“As imagens do plenário por si conferem clareza ao acontecimento, com nitidez, câmeras flagraram um comportamento descabido, rasteiro e incongruente por parte do deputado Fernando Cury contra a deputada Isa Penna. O fato é grave e insolente, não nos permite outra interpretação que não a de estarmos diante de um acontecimento desrespeitoso e afrontoso, que deve ser combatido”, destacou a relatora, Mariete de Paiva Souza.

Para a relatora do procedimento, a importunação sexual sofrida pela deputada fere frontalmente o Código de Ética do Cidadania em seu artigo 3º, inciso I.

Em nota ao G1, Cury disse que não tem “dúvidas de estar sendo submetido a um julgamento ilegal, sumário e de exceção, que viola o Código de Ética do próprio partido e a Constituição Federal.”

Vídeo mostra deputado apalpando seio de colega na Assembleia de SP

A situação foi gravada às 0h36 desta quinta-feira (17/12), durante sessão lesgialativa após a votação da Lei do Orçamento.

Vídeo gravado por câmera da Assembleia Legislativa de São Paulo mostra o deputado Fernando Cury (Cidadania) passando a mão no seio da deputada estadual Isa Penna (PSOL) durante sessão extraordinária para votar o orçamento do estado na noite desta quarta-feira (16).

Pelas imagens, é possível ver o deputado Fernando Cury conversando com outro deputado. Depois, ele faz um movimento em direção à deputada Isa Penna, que está apoiada na mesa diretora da Casa, e retorna a conversar com outro parlamentar, mas volta a se dirigir à deputada. Cury, então, para atrás da deputada apalpando seu seio e ela, imediatamente, tenta o afastar.

Segundo nota da deputada, ela e outras parlamentares já foram assediadas em outras ocasiões.

“A deputada Isa Penna é conhecida por atuar em prol do combate à violência contra as mulheres e afirma que a violência política de gênero que sofreu publicamente na ALESP infelizmente não é um caso excepcional, dado que ela e as deputadas Mônica Seixas e Erica Malunguinho, do mesmo partido, já foram assediadas em ocasiões anteriores”, diz a nota.

Em discurso no plenário nesta quinta-feira (17), a deputada do PSOL afirmou que vai registrar um boletim de ocorrências contra o parlamentar do Cidadania e abrir uma representação contra ele no Conselho de Ética da Casa.

“O caso que a gente vive não é isolado. A gente vê a violência política e institucional contra as mulheres o tempo todo. O que dá direito de alguém encostar numa parte íntima do meu corpo. Meu peito é íntimo. É o meu corpo. Eu estou aqui pedindo pelo direito de ficar de pé e conversar com o presidente da Assembleia sem ser assediada”, afirmou Isa Penna.

Também em plenário, o deputado Cury pediu desculpas por “abraçar” a colega. Ele negou que houve assédio ou importunação sexual.

“Subo aqui hoje nessa tribuna muito constrangido e muito triste pelo fato que foi aqui ocorrido e relatado, pelo julgamento feito, mas estou aqui para passar a minha versão para vocês. Em primeiro lugar, gostaria de frisar a todos, principalmente as mulheres que estão aqui, que não houve, de forma alguma, da minha parte, a tentativa de assédio, importunação sexual ou qualquer outra coisa ou qualquer outro nome semelhante a esse. Eu nunca fiz isso na minha vida toda. E quero dizer, de forma veemente, principalmente para as colegas deputadas que estão aqui, eu nunca fiz isso. Mas se a deputada Isa Penna se sentiu ofendida com o abraço que eu lhe dei, eu peço, de início, desculpa por isso. Desculpa se eu a constrangi. Desculpa se eu tentei, como faço com diversas colegas aqui, de abraçar e estar próximo. Se com esse gesto eu a constrangi e ela se sentiu ofendida, peço desculpas.”

Em outro momento do discurso, Cury disse que “sua chefe de gabinete é mulher e está acostumado a abraçar e beijar suas assessoras.”

“Queria dizer para vocês que não fiz por mal nada de errado. Meu comportamento com a deputada Isa Penna é o comportamento que tenho com cada um dos deputados aqui. Com os colegas deputados, as colegas deputadas, com os assessores e com as assessoras, com a Polícia Militar femininas aqui. De cumprimentar, de abraçar, de beijar, de estar junto. A minha chefe de gabinete é uma mulher. Eu tenho assessoras mulheres aqui, no escritório em Botucatu. Eu nunca ia fazer isso na frente de 100 deputados. Quantas câmeras tem aqui na Assembleia Legislativa? Estava na frente do presidente. Pelo amor de Deus. Eu não fiz nada disso. Não fiz nada de errado. O que eu diz foi abraçar. Vocês viram o vídeo”.

Em nota, a Alesp afirmou que o Conselho de Ética fará a avaliação do caso.

 

Eleição de 2020 marca a derrocada petista. Psol cresce e vira a principal força da esquerda

A eleição de 2020 terminou com um saldo negativo para o Partido dos Trabalhadores (PT). Apesar de lançar candidatura própria em todos os estados, e chegar ao segundo turno em alguns, o partido depois de 40 anos de fundação, não comandará nenhuma capital de estado nos próximos 4 anos.

Em franca decadência, o partido tem visto o número de representantes caírem eleição após eleição. As únicas vitórias petistas neste último domingo vieram das cidades de Contagem (MG), Diadema (SP), Juiz de Fora (MG) e Mauá (SP).

Dos 630 prefeitos eleitos em 2012, a sigla passou a ter 256 em 2016, na primeira eleição após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e o auge do antipetismo. Na eleição deste ano, o número caiu ainda mais, para apenas 183.

A queda petista foi apenas no poder executivo. Nas Câmaras Municipais, o número de vereadores do partido caiu de 2.815 vereadores para 2 665. Por outro lado, o Psol viu seu número de representantes crescerem de 56 para 89, sendo que nas cidades de Porto Alegre, Florianópolis, Rio de Janeiro, Recife e Aracaju, o partido teve o parlamentar mais bem votado. Além disso, a sigla elegeu um número significativo de mulheres transexuais e de representantes dos movimentos feminista e negro.

Apesar da derrota em SP, o partido mostrou força, e com mais de 2 milhões de votos, Guilherme Boulos certamente será um nome forte para as próximas disputas eleitorais, não só na capital paulista, como também, no cenário nacional.

“Por manter sempre um posicionamento crítico e sem adesão aos governos petistas, nos tornamos o principal desaguadouro da renovação da esquerda”, diz o presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros.

*Com informações de Eduardo Micheletto

Especialistas analisam avanço de Boulos para o 2º turno

Orlando Silva, Guilherme Boulos e Jilmar Tatto (Rede Social/Reprodução)

No último domingo (15/11), o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) conquistou o feito de chegar ao segundo turno da eleição para a prefeitura de São Paulo: após receber 20,24% dos votos, Guilherme Boulos disputará o cargo máximo da maior cidade do país com o atual prefeito, Bruno Covas (PSDB), que ficou com 32,85%.

Há menos de um mês, Boulos somava apenas 10% das intenções de votos. Com uma campanha realizada em sua maior parte nas redes sociais, já que tinha somente 17 segundos de televisão, o candidato conseguiu deixar para trás nomes mais experientes, como Márcio França (PSB) e Celso Russomanno (Republicanos).

Para especialistas, o bom desempenho de Boulos – um político jovem, que nunca exerceu cargo público e que até pouco tempo atrás era desconhecido do grande público – nas urnas da maior cidade da América Latina sinaliza a busca dos eleitores por alternativas aos partidos tradicionais, com foco em projetos, e não na figura do político enquanto pessoa física.

“O segundo turno deste ano em São Paulo é emblemático por permitir, de fato, a escolha de um projeto para a cidade, em detrimento de outro, com o qual não se confunde. A escolha por Boulos pode ser sintoma do desgaste da estridência, do negacionismo e do personalismo na política”, comenta Juliane Bento, doutora em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e professora da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).

A pesquisadora também destaca, de um modo geral, o crescimento do fenômeno das candidaturas e mandatos coletivos e a eleição histórica de muitas mulheres negras para as Câmaras municipais, sendo preciso, agora, acompanhar como as estruturas partidárias vão absorver e incorporar essas transformações.

As chances de Boulos

Divulgada nesta quarta-feira, a primeira pesquisa Ibope para o segundo turno das eleições em São Paulo apontou Covas com 47% das intenções de voto contra 35% do candidato do PSOL.

Mesmo assim, Bento diz acreditar que Boulos tem reais chances de sucesso, principalmente porque, ao contrário do que ocorre no governo estadual paulista, o eleitorado da capital não costuma ser reticente a candidatos da esquerda.

Ela lembra que, desde a redemocratização, a cidade teve três prefeitos com esse perfil: a própria vice de Boulos, Luiza Erundina, entre 1989 e 1993; Marta Suplicy, entre 2001 e 2005; e Fernando Haddad, de 2013 a 2017.

“O cenário político ainda está indefinido, especialmente pela expectativa de composição dos apoios para a disputa do novo pleito”, analisa a cientista política.

Entre os apoios a Boulos está o do Partido dos Trabalhadores (PT), cuja opção por lançar um candidato próprio no primeiro turno – Jilmar Tatto –, ao invés de apoiar diretamente a chapa do PSOL, causou polêmica. Além disso, as eleições de 2020 marcam a primeira vez desde 1988 que um candidato da legenda do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não fica em primeiro ou segundo lugar no pleito municipal paulistano.

Mesmo com a imagem do PT enfraquecida, a socióloga Maria do Socorro Sousa Braga, docente da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), opina que o apoio do partido à chapa de Boulos tende a ser positivo, principalmente porque a legenda ainda tem muita força na periferia, onde o desempenho do PSOL ficou aquém do esperado.

“Boulos vai bem em todo o centro expandido de São Paulo e tem força entre os jovens. A campanha dele mostrou uma oxigenação na política local, enquanto a presença de Erundina representa uma chapa intergeracional e atrai as mulheres. Agora, com o apoio declarado do PT, a expectativa é que Boulos entre na periferia. O antipartidarismo deve ter mais influência nas regiões onde o maior percentual de eleitores já é do Covas”, diz a pesquisadora.

Sobre o apoio declarado do PT a Boulos no segundo turno, Mário Sérgio Lepre, mestre em Ciências Políticas pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ) e professor na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) de Londrina, afirma que o voto de Boulos já é o voto da esquerda e esse eleitorado tem uma visão mais estratégica e menos popular.

“A partir de agora, o apoio explícito do PT vai elevar a campanha do PSOL em termos de propaganda. Mas o eleitor de esquerda não está muito preocupado com isso e irá sufragar Boulos sem problemas. O apoio do PT pode afugentar um pouco o apoio do eleitor do Márcio França, mas no frigir dos ovos, você não deve ter perdas”, pontua.

A nova força da esquerda?

O que também se questiona é se o bom desempenho de Boulos nas eleições para a principal prefeitura do país não colocaria o PSOL como a nova força da esquerda brasileira no lugar do PT.

“Embora as tendências de declínio entre os partidos de esquerda tradicional se contraponham ao crescimento do PSOL, parece precipitado afirmar que essa é a nova esquerda do Brasil. O PT segue com a maior bancada em São Paulo e é o partido que mais disputará segundos turnos no país”, ressalta Bento.

O Partido dos Trabalhadores estará presente nas disputas de 15 das 57 prefeituras que terão segundo turno em 2020. Em seguida vêm o PSDB de Bruno Covas, com 14 cidades, e o MDB, em 12 municípios, que também é o partido com mais candidatos concorrendo a prefeituras em capitais (sete das 18 onde haverá segundo turno).

Foram eleitos já no primeiro turno 179 prefeitos do PT e apenas quatro do PSOL. Entre os vereadores, o PT elegeu 2.665 nomes, contra 89 do PSOL.

Lepre destaca que a estrutura do Partido dos Trabalhadores é muito maior que a do PSOL, o que, para o cientista política, não impediria, porém, o partido de Lula de tentar se reformular.

“O PT tem uma máquina partidária muito maior. Tem penetração estrutural muito mais forte em ambiente acadêmico, sindical. Não se pode dizer que esses ambientes não são mais do PT”, pondera.

“O PSOL é mais uma esquerda ‘com verniz’, enquanto o PT é o partido estruturado de esquerda. Para tomar esse lugar do PT, precisaremos de mais eleições. Mas o PT pode se reformular, algo que ainda não fez”, completa.

A falácia da velha e da nova política

Durante toda a campanha do primeiro turno, assim como no primeiro debate relativo ao segundo turno, realizado pela CNN Brasil na última segunda-feira, Covas tem se “vendido” como político e gestor público experiente. 

Boulos, por outro lado, constrói uma imagem pautada na renovação, ainda que tenha a seu lado uma política bastante experiente, Luiza Erundina. É possível dizer que este segundo turno será, então, uma espécie de epítome da briga entre nova e velha política?

Bento acredita que a leitura que supunha uma renovação pautada pela distinção entre uma “velha” e uma “nova” política já se mostrou equivocada, muito pelo fato de que políticos que obtiveram êxito eleitoral com base nessa narrativa podem ser frequentemente associados, ainda, a comportamentos políticos bastante tradicionais – o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), que responde a um processo de impeachment atualmente, pode ser um exemplo.

Para a cientista política há, ainda, o fato de que Boulos, por mais que nunca tenha exercido um cargo público eletivo, não é, necessariamente, um novato em termos de política: está envolvido com a militância política desde a juventude e coordena um movimento social sólido – no caso, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

“A alternância de poder que se possibilita à cidade de São Paulo hoje me parece mais envolver uma escolha entre dois modelos de política: uma política que se apresenta como técnica e que se legitima pela autoridade dos especialistas que a controlam ou uma política que se diz comprometida com a participação popular, que reivindica sua pertinência programática por priorizar o enfrentamento à desigualdade que marca a cidade”, conclui Juliane.

Por Murilo Basso, da Deutsche Welle

Execução de Marielle e Anderson completa 2 anos

(Reprodução)

Na noite do dia 14 de março de 2018, a vereadora carioca Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram mortos a tiros no Estácio, região central do Rio de Janeiro, quando o carro em que estavam foi atingido por diversos disparos. Quatro tiros acertaram a vereadora e três, o motorista.

Marielle voltava de um evento na Lapa, chamado Jovens Negras Movendo as Estruturas, quando teve o carro emparelhado por outro veículo, de onde partiram os tiros. Uma assessora da parlamentar, que também estava no carro, sobreviveu aos ataques. As câmeras de monitoramento de trânsito existentes na região estavam desligadas.

Eleita com 46,5 mil votos, a quinta maior votação para vereadora nas eleições de 2016, Marielle Franco estava no primeiro mandato como parlamentar. Oriunda da favela da Maré, zona norte do Rio, Marielle tinha 38 anos, era socióloga, com mestrado em administração pública e militava no tema de direitos humanos.



Investigações

O desdobramento mais recente da investigação dos assassinatos foi a decisão da Justiça de mandar a júri popular os dois homens acusados pelas mortes: o sargento da reserva da Polícia Militar Ronnie Lessa e o ex-policial Élcio Queiroz. Eles estão presos na Penitenciária Federal de Porto Velho desde março do ano passado e negam participação nos dois assassinatos.

Na decisão proferida no último dia 10, o juiz Gustavo Gomes Kalil, da 4ª Vara Criminal da Capital, explicou que a qualificação do homicídio doloso, quando existe a intenção de matar, foi dada porque os réus agiram por motivo torpe, armaram uma emboscada e dificultaram a defesa das vítimas. Ambos estão respondendo por homicídio triplamente qualificado.

Após as prisões de Lessa e Queiroz, em março do ano passado, os familiares de Marielle e Anderson pediram esclarecimentos sobre os mandantes do crime e a motivação do assassinato.

Armas

No último dia 12, Queiroz foi interrogado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) e afirmou que as armas encontradas em sua casa por policiais civis e promotores de Justiça serviam para a proteção de sua família e foram compradas quando ele ainda estava na corporação.

O ex-PM foi ouvido no processo em que responde por posse ilegal de arma de fogo de uso restrito. Foram encontradas em sua casa duas pistolas e mais de 100 munições, a partir de um mandado de busca e apreensão relativo ao processo que investiga os assassinatos da parlamentar e do motorista.

Ex-PM morto

O ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro Adriano Nóbrega foi morto no último dia 9 de fevereiro, durante operação policial, no município de Esplanada, na Bahia. Nóbrega era investigado por diversos crimes, e procurado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. Ele também era procurado pelo envolvimento nas mortes da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Franco.

Federalização

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) vai decidir sobre o pedido de federalização da investigação aberta no Rio de Janeiro para apurar supostas irregularidades na investigação do assassinato da parlamentar e do motorista Anderson Gomes.

Em setembro do ano passado, a então procuradora-geral da República Raquel Dodge pediu ao STJ que as investigações fossem retiradas do âmbito da Justiça estadual e passassem a ser conduzidas pela Justiça Federal.

Representantes da Polícia Civil e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) criticaram em outubro do ano passado a possibilidade de federalização das investigações. Para o chefe do Departamento Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa, Antonio Ricardo, qualquer mudança na investigação seria um retrocesso.

“Qualquer tentativa de retirada da investigação do rumo que está seguindo será extremamente prejudicial à continuidade investigativa”, disse o delegado, que afirmou que os trabalhos estão avançados e somente o trabalho de se inteirar sobre o que já foi apurado demandaria muito tempo. “Se eventualmente isso acontecer, certamente será um retrocesso para a investigação.”

A promotora do MPRJ e coordenadora do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Simone Sibilio, disse que o pedido de federalização é “desarrazoado”, porque precisaria haver inércia ou omissão da esfera local para justificá-lo. “Se há uma coisa que não tem nesse caso é inércia e descaso”, disse Simone, afirmando que todos os esforços foram feitos para que se chegasse à denúncia contra os supostos executores do crime.

Ao ser reconduzido ao cargo para mais dois anos de mandato à frente do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, em janeiro do ano passado, o procurador-geral de Justiça do estado, Eduardo Gussem, disse não ter dúvidas de que o assassinato está relacionado a grupos de milicianos.